segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Macau e as boas memórias portuguesas

A República Popular da China é o país que, depois da Itália, mais registos tem na World Heritage List da Unesco e, entre os seus 57 monumentos ou sítios classificados, encontra-se desde 2005 o “Centro Histórico de Macau”.
Macau foi uma criação portuguesa desde meados do século XVI e o seu traçado urbano, bem como os edifícios residenciais civis e religiosos, combinam os estilos português e chinês, constituindo “um testemunho excepcional do encontro das tendências estéticas e culturais, arquitectónicas e tecnológicas do Oriente e do Ocidente”, segundo relata a Unesco. Além disso, naquele espaço, ainda há o Farol da Guia, a Fortaleza do Monte, o Porto Interior, o templo de A-Ma e o morro da Penha, entre outros locais de grande interesse histórico e cultural. Porém, o território que em 1999 voltou à soberania da China, tem sido objecto de grandes construções que tendem a afectar os “corredores visuais” entre o centro histórico e a paisagem marítima, pelo que as autoridades foram alertadas pelo Comité do Património Mundial da Unesco para essa situação.
Dez anos depois de ter começado o processo de elaboração do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau, o regulamento administrativo está finalmente pronto, estabelecendo princípios orientadores, fixando 11 “corredores visuais”, 19 “ruas pitorescas” e 24 zonas de “tecido urbano”, que visam essencialmente as 22 edificações classificadas no centro histórico e definem as “condições restritivas de construção” e os “critérios para o restauro arquitectónico”.
O jornal ponto final, um dos três jornais portugueses que se publicam em Macau, destaca na sua edição de hoje a aprovação do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau que, se vier a ser cumprido, contribuirá para a preservação da memória portuguesa em Macau.

“Navegar é preciso; viver não é preciso”

Os clássicos da Geopolítica preocuparam-se em teorizar sobre o poder marítimo (Mahan e Castex) e sobre o poder terrestre (Mackinder e Haushofer), cada qual com os seus argumentos mas, explícita ou implicitamente, todos consideravam Portugal como um país marítimo e a Espanha como um país continental. Com a criação da NATO em 1949, uma aliança de que Portugal é membro fundador, essa circunstância acentuou-se, isto é, Portugal confirmou-se como um país marítimo e atlântico, enquanto a Espanha mantinha o estatuto de país continental que olhava para os Pirinéus e estava de costas para o Atlântico.
A Espanha só ingressou na NATO em 1982 e, desde então, as suas opções estratégicas alteraram-se e hoje olha para o mar com renovado interesse, tendo-se tornado uma média potência marítima. A opinião pública e os mass media espanhóis assumem a vocação marítima da Espanha e acarinham a sua Marinha de Guerra, como se observa na edição de ontem de La Voz de Cádiz, a propósito da largada, que classificou como “emotiva”, do navio-escola Juan Sebastián de Elcano para o seu 96º cruzeiro de instrução, que durante sete meses fará dez escalas em seis países – Brasil, República Dominicana, México, Estados Unidos, Panamá e Reino Unido. Classificado como “el mejor embajador de Cádiz”, o navio embarca 82 guardas-marinhas com o propósito de contribuir para a sua formação integral e adestramento no mar, pelo que durante a viagem aprenderão a navegar à vela, terão aulas curriculares e trabalhos práticos, além de participarem num projecto científico do “Observatorio del cambio climático”, desenvolvido em parceria pelo Instituto Hidrográfico de la Marina e pela Universidade de Cadiz.
Provavelmente, quando o nosso belo navio-escola Sagres larga do Alfeite também tem programas semelhantes mas, ao contrário da Espanha, os jornais nunca falam desse assunto, talvez porque os jornalistas desconheçam o poema “Navegar é preciso” de Fernando Pessoa.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Ataques no Iémen. É gasolina na fogueira?

O Iémen é um país árabe situado na extremidade sudoeste da Arábia Saudita, que tem 528 mil quilómetros quadrados de superfície e cerca de 27 milhões de habitantes e que confronta a sul com o mar Arábico e a ocidente com o mar Vermelho.
Quando em 2011 aconteceu a “primavera árabe”, o Iémen também foi um dos países que entrou em grande instabilidade política e social, vindo a entrar numa guerra civil de grande violência em que se confrontam as forças leais ao governo instalado em Áden (apoiado pela Arábia Saudita) e os rebeldes Houthis (apoiados pelo Irão) que ocupam a parte ocidental do país e a sua capital Saná. A guerra iniciou-se em 2014 e já causou cerca de meio milhão de mortos e muitos milhões de desalojados e refugiados, sujeitos a carências alimentares e vítimas de violações dos direitos humanos.
Os rebeldes Houthis, tal como o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano, são solidários com o povo palestiniano e com o seu sofrimento, considerando Israel o seu maior inimigo. Entre outras acções, decidiram atacar a navegação ocidental no mar Vermelho com mísseis e drones, como actos de vingança contra Israel pela sua campanha militar em Gaza, o que tem obrigado as maiores companhias petrolíferas a suspender o seu tráfego numa das mais importantes rotas marítimas mundiais. Estas acções podem vir a causar um choque na economia mundial e, por isso, os Estados Unidos e o Reino Unido decidiram avançar com um maciço ataque de retaliação que utilizou mísseis Tomahawk, lançados por navios de guerra, por submarinos e por aviões de combate. O jornal The New York Times relata esta acção, sem a apoiar nem a criticar, até porque se teme que estes ataques possam transformar a guerra de Israel contra o Hamas num conflito regional mais vasto, o que contraria as repetidas declarações de Joe Biden e de Antony Blinken.

sábado, 13 de janeiro de 2024

O rápido crescimento industrial da China

Costuma dizer-se que a China é a grande fábrica do mundo e essa realidade acontece até na indústria automóvel, tradicionalmente europeia e americana, porque “um em cada três carros vendidos no mundo é produzido na China”. As últimas estatísticas a que tivemos acesso referem-se a 2021 e assinalam a produção global de 79 milhões de automóveis, dos quais a China produziu 26 milhões, seguindo-se os Estados Unidos com 9 milhões, o Japão com quase oito milhões e, depois, a Índia, a Coreia do Sul, a Alemanha, o México, o Brasil, a Espanha e a Tailândia. Agora, quando ainda não se conhecem os números relativos a 2023, o jornal Shanghai Daily anuncia que, pela primeira vez, a produção chinesa de automóveis e de veículos comerciais ultrapassou os 30 milhões de unidades em 2023, enquanto as estimativas quanto à produção mundial se situam nos 84 milhões. Se estes números estiverem correctos significa que a China passou de uma quota de 32,9% da produção mundial em 2021, para uma quota de 35,7% em 2023, o que mostra que a China reforçou a sua posição na produção mundial de automóveis.
A última edição da revista The Economist afirma que “o influxo de carros chineses está a aterrorizar o Ocidente” e a provocar a desindustrialização, alertando para o que se passou nos Estados Unidos entre 1997 e 2011, em que cerca de um milhão de trabalhadores da indústria perderam os seus empregos devido à concorrência chinesa, depois que a China se integrou no sistema de comércio global e começou a enviar produtos baratos para o estrangeiro.
Há apenas cinco anos, a China exportava apenas um quarto dos carros exportados pelo Japão, então o maior exportador mundial, mas esta semana a indústria chinesa anunciou ter exportado 5 milhões de automóveis e ter ultrapassado as exportações do Japão. Na indústria automóvel, como em muitas outras coisas, a tradição já não é o que era

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Plásticos contaminam costas espanholas

No passado dia 8 de Dezembro, um navio que navegava ao longo da costa portuguesa na latitude de Viana do Castelo, perdeu parte da carga que transportava, incluindo contentores com abundantes pellets, que são pequenas bolas de plástico que, entre outras aplicações, servem para ajudar a acomodar cargas sensíveis nos contentores durante as viagens marítimas, como automóveis, electrodomésticos e vários outros equipamentos.
Segundo informações divulgadas pelo governo espanhol, o armador do navio informou que caíram ao mar mais de mil sacos com cerca de 26,2 toneladas destas bolas com cerca de cinco milímetros de diâmetro, que estão agora a dar à costa no norte de Espanha.
O primeiro sinal de alerta ambiental deu-se na Galiza, cujas praias começaram a ser contaminadas. As autoridades e muitos grupos de voluntários, recordados do desastre ambiental do petroleiro Prestige, assumiram uma “misión voluntariosa pero imposible”, como titulou o jornal Faro de Vigo. Porém, a contaminação marinha das pellets de plástico, também chamada “maré de plástico”, afectou todo o norte de Espanha, passando às costas das Astúrias, da Cantábria e do País Basco, onde foi declarada uma situação de emergência. De acordo com um especialista português “nas praias espanholas estão esferas de plástico de cinco milímetros que facilmente se partem, passando a microplásticos quando tiverem menos de um milímetro, fraccionando-se depois e constituindo nanoplásticos”, que vão entrar na cadeia alimentar de peixes e bivalves e, naturalmente, chegarão à cadeia alimentar dos humanos. Este tipo de acidente ainda é pouco conhecido e não se sabe como evoluirá, nem como afectará o ambiente marinho e os seres vivos.

Os doze perigos que ameaçam 2024

A edição da revista L’Express que hoje começou a circular, inclui uma desenvolvida reportagem sobre os “doze perigos que ameaçam 2024” e ilustra a sua primeira página com uma sugestiva ilustração em que se vêem Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Jinping, Benjamin Netanyahu e Ali Khamenei.
Segundo a revista, o ano de 2024 promete ser muito agitado e vai continuar a assistir a duas guerras brutais na Ucrânia e em Gaza mas, para além desses conflitos, haverá outras ameaças à estabilidade mundial: a pressão militar chinesa sobre Taiwan, as contínuas provocações norte-coreanas, o acesso do Irão à bomba atómica e a cooperação cada vez mais estreita entre Moscovo, Pequim, Teerão e Pyongyang. Os ventos que sopram na Europa também parecem incertos, pois a pressão das opiniões públicas começa a produzir efeitos e a gerar hesitações no prometido apoio à Ucrânia. O ano de 2024 também vai assistir a mais de 70 actos eleitorais por todo o mundo, incluindo a eleição presidencial nos Estados Unidos, o que pode alterar o actual quadro geopolítico mundial. Porém, os perigos que ameaçam 2024” não se ficam por aqui e a revista francesa ainda fala na tensão no Azerbaijão, na crise Venezuela-Guiana, no eventual alastramento do conflito do Médio Oriente, na progressão da extrema-direita europeia e nos ataques jihadistas em vários países africanos, incluindo Moçambique.
Lamentavelmente, a revista só fala de guerras ou de possíveis guerras, quando o que precisamos é que sejam abertos caminhos para a paz.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

O grande jogo da competição internacional

O diário catalão El Punt Avui é publicado em Barcelona e Girona desde 2011 e resulta da fusão do jornal El Punt e do jornal Avui, que tinham aparecido depois do fim do regime franquista e da liberalização espanhola. O jornal apoia o independentismo da Catalunha, é editado em catalão e na sua edição de ontem destaca em primeira página uma ilustração com algumas peças de um jogo de xadrez com o título “joc obert”, que significa “jogo aberto”, que é bastante interessante, pois ajuda a perceber o actual panorama mundial e mostra como “uma imagem vale mais que mil palavras”.
Trata-se de uma reflexão geopolítica sobre o novo ano de 2024, que refere que a competição internacional será marcada pelo aumento dos conflitos, pelas eleições em boa parte do mundo, pelas desigualdades e pelos grandes desafios climáticos e digitais. As sete peças de xadrez estão alinhadas segundo uma lógica de alianças que, naturalmente, são discutíveis: de um lado estão os Estados Unidos, a União Europeia e Israel, do outro lado estão a China, a Rússia e o Irão e, no meio de ambos e a fazer de ponto de equilíbrio, está o Brasil.
As peças estão representadas com proporcionalidade com os Estados Unidos e a China mais destacadas, a União Europeia e a Rússia em tamanho médio, enquanto Israel e o Irão estão em tamanho menor. Embora não seja consensual que a União Europeia ainda esteja ao lado de Israel depois do que tem sido feito em Gaza, é uma forma curiosa de apresentar a competição geopolítica que se espera para o ano de 2024, embora fosse possível incluir outras peças importantes neste jogo de xadrez, como o Reino Unido, a Turquia ou a Índia. O que o mundo espera é que o jogo da competição internacional seja pacífico, sem que uma parte queira fazer xeque-mate à outra parte.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

O Brasil chora a morte de Mário Zagallo

Ontem foi domingo e a imprensa brasileira prestou expressiva homenagem a Mário Jorge Lobo Zagallo, que faleceu com 92 anos de idade e foi uma das maiores glórias do futebol do Brasil. Foram decretados três dias de luto nacional e o jornal Correio Braziliense chamou-lhe “uma lenda mundial” e dedicou-lhe a primeira página da sua edição.
Embora nos tempos que correm, pareça que o melhor futebol do mundo já não mora no Brasil, houve um tempo em que o Brasil foi a pátria do futebol e o país de grandes jogadores como Pélé, Garrincha, Zico, Ronaldo, Rivelino, Romário e muitos outros, como Mário Zagallo.
Mário Zagallo jogou sete anos no Flamengo e outros sete anos no Botafogo, mas o que o tornou famoso foi o facto de ter sido campeão do mundo como jogador em 1958 e em 1962, como treinador em 1970 e como coordenador técnico da selecção “canarinha” em 1994, isto é, totalizou quatro vitórias no Mundial de Futebol em três diferentes funções. Foi treinador da selecção brasileira e de várias equipas, não só no Brasil como também no Kuwait, na Arábia Saudira e nos Emirados Árabes Unidos.
O Brasil estimava Mário Zagallo e venerava-o como um ídolo e como um patriota, mas também como professor e mestre de futebol. Se o futebol é uma quase-religião para os brasileiros, ele era seguramente uma divindade que, inclusive, fez o “milagre” de colocar Luiz Lula da Silva e Jair Bolsonaro a dizer a mesma coisa. Muitos brasileiros choram a morte de um dos seus símbolos de unidade nacional.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Angola e os mártires da repressão colonial

O Jornal de Angola evocou na sua edição de ontem os heróis da Baixa do Cassanje, que em Janeiro de 1961 foram vítimas da repressão colonial portuguesa. Trata-se de um episódio pouco conhecido do colonialismo português, como de resto são os acontecimentos de Batepá (S. Tomé e Príncipe, 1953). do Pidjiguiti (Guiné-Bissau, 1959) e de Mueda (Moçambique, 1960).
Nos primeiros dias de Janeiro de 1961, os trabalhadores das plantações algodoeiras da companhia luso-belga Cotonang, na Baixa do Cassanje, decidiram fazer um protesto contra as suas condições de trabalho e armaram-se de catanas e canhangulos, desafiando as autoridades portuguesas e destruindo plantações, casas e pontes. Este movimento tinha sido incentivado pela recente independência do Congo Belga, uma vez que os povos do Congo e os daquela região angolana tinham raízes étnicas e culturais comuns e, portanto, se os povos do Congo já eram independentes, os povos daquela região também tinham essa aspiração. Os colonos portugueses foram os primeiros a reprimir o protesto, mas o Exército também foi chamado, tal como a Força Aérea. Os relatos diferem quanto ao que se passou, mas perderam-se muitas vidas na repressão que ficou conhecida como o “massacre da Baixa do Cassanje”.
As autoridades angolanas assinalam a efeméride como uma data de celebração nacional, considerada o Dia dos Mártires da Repressão Colonial, em que segundo os angolanos “morreram milhares de pessoas”, embora alguns estudos refiram que “teria havido entre duzentas e trezentas mortes entre os revoltosos”.
Apesar de se tratar de um acontecimento muito grave, não foi noticiado na imprensa portuguesa da época, o que torna mais difícil o apuramento da verdade.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

O “milagre” de Tóquio salvou 379 vidas

A tecnologia tem criado condições de segurança nos modernos aviões comerciais e a aviação tornou-se uma actividade muito segura. Segundo o FlightAware, uma empresa americana que recolhe informações sobre a navegação aérea em todo o mundo, através de 32.000 estações em terra situadas em cerca de duzentos países e de outras fontes informativas, o número médio de aviões que voam ao mesmo tempo no nosso planeta é 9.728 aviões, que transportam 1.270.406 pessoas. Um outro estudo, com a mesma origem, informa-nos que no dia 6 de Julho de 2023, houve 250.381 aviões comerciais que nesse dia levantaram voo, dos quais 134.386 eram voos comerciais. Em alguns momentos desse dia, foram registados mais de 20.000 aviões a voar simultaneamente entre diferentes destinos. Tantos voos, tantos milhões de passageiros e, felizmente, tão poucos acidentes! 
É uma vitória da ciência e da civilização, em tempos de algumas guerras…
Porém, ontem no Aeroporto Internacional de Haneda, em Tóquio, um Airbus A350-900 da Japan Airlines (JAL), que fazia o voo doméstico JAL 516, incendiou-se na pista depois de colidir com uma aeronave da Guarda Costeira Japonesa, que se preparava para levantar voo em auxílio das vítimas do sismo que afectou a região central do Japão. O A350 da JAL rolou pela pista, envolto em chamas mas, com surpresa geral, em menos de dois minutos todos os 367 passageiros e 12 tripulantes conseguiram salvar-se, o que demonstra um elevado grau de treino, disciplina e eficiência das tripulações dos modernos aviões. Entretanto, morreram cinco dos seis tripulantes da pequena aeronave da Guarda Costeira.
O jornal londrino The Guardian publica na sua edição de hoje uma fotografia que hoje ilustra inúmeras edições de jornais de todo o mundo, referindo o “inferno” das chamas que envolveram o A350 e salientando que o salvamento de 379 pessoas que iam a bordo foi um “milagre”.
Realmente, depois de vermos as imagens televisivas, também podemos afirmar que parece ter sido um milagre!

A perigosa escalada do conflito ucraniano

O conflito na Ucrânia tem-se acentuado nos últimos dias e alguma imprensa internacional fala em “escalada”, pois a cada ataque de uma parte sucede-se a retaliação da outra parte, o que significa um agravamento da situação e que a paz pode estar mais longe.
Acontece que no dia 29 de Dezembro os russos bombardearam várias cidades ucranianas, como Kiev, Kharkiv, Lviv e Odessa e, segundo as autoridades ucranianas, foram utilizados 158 mísseis de cruzeiro, balísticos e hipersónicos, além de drones, muito acima da média dos ataques feitos ao longo do ano, de que terão resultado 30 mortos. No dia seguinte (30 de Dezembro) os ucranianos responderam com um ataque à cidade russa de Belgorod de que terão resultado 18 mortos, mas os russos acusaram os ucranianos de terem usado bombas de fragmentação, prometeram retaliar e pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na terça-feira (2 de Janeiro) as cidades de Kiev e Kharkiv foram atingidas por uma vaga de mísseis russos, que foi descrita como “a mais intensa desde que começou a invasão russa”. O jornal francês Le Télégramme que se publica na cidade de Brest, destaca hoje em título de primeira página a “chuva de mísseis sobre a Ucrânia” e publica uma fotografia alusiva a esses efeitos.
Esta anormal intensidade dos ataques russos parece estar relacionada com as dificuldades internas e externas que atravessa o regime de Volodymyr Zelensky, por não haver garantias de apoio dos americanos e de outros países ocidentais, mas os ataques russos também visarão desmoralizar a população quando se aproxima “o duro inverno ucraniano”.
O presidente Zelensky anunciou que “a Rússia usou cerca de 300 mísseis e 200 drones em cinco dias”, mas este anúncio pode significar uma pressão adicional para que o apoio ocidental continue como até agora e resista ao cansaço financeiro e às posições das suas opiniões públicas. Por isso, segundo refere a imprensa internacional, Zelensky poderá ter que fazer “escolhas difíceis” nos próximos tempos.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Ano Novo e as iluminações do Burj Khalifa

Hoje é o primeiro dia do novo ano de 2024 e muitos jornais publicaram fotografias dos fogos-de-artifício que iluminaram algumas das grandes cidades mundiais. Era habitual que a entrada no novo ano fosse ilustrada na imprensa com a fotografia da Harbour Bridge, na cidade australiana de Sydney, mas nos anos mais recentes são as iluminações e os fogos-de-artifício do Burj Khalifa, o mais alto edifício do mundo, situado na cidade do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), que desperta mais interesse da imprensa internacional que acompanha as notícias relativas às passagens de ano.
O Burj Khalifa tem 829,8 metros de altura, 163 andares e é servido por 58 elevadores, alguns dos quais percorrem 504 metros. Foi projectado por Skidmore, Owings e Merrill (SOM), uma empresa de engenharia e arquitectura americana com sede em Chicago, tendo sido construído entre 2004 e 2010 pela empresa sul-coreana Samsung C&T.
As autoridades dos EAU utilizam o Burj Khalifa como factor de promoção da modernidade deste riquíssimo país, que é uma confederação de sete monarquias ou emirados, anunciando que suporta a maior exibição de fogo-de-artifício do mundo.
O jornal The National que se publica na cidade de Abu Dabi, a capital e segunda maior cidade dos EAU, destaca na sua edição de hoje uma fotografia das iluminações do Burj Khalifa, mas também salienta, com destaque de primeira página, a necessidade de “um novo esforço para uma trégua duradoura na guerra de Gaza”.

domingo, 31 de dezembro de 2023

Adeus a 2023! O que nos reserva 2024?

Nas próximas horas o calendário deixa para trás o ano de 2023 e inicia o ano de 2024 que, dizem os entendidos e aqueles que se querem fazer passar por entendidos, vai ser um ano difícil para Portugal e para o mundo. 
O diário Le journal de Montréal foi um dos muitos jornais mundiais que dedica a sua edição de hoje à passagem de ano e pergunta o que nos reserva o novo ano de 2024. 
Quando se inicia um novo ano é costume desejar-se saúde, paz e prosperidade aos que nos rodeiam, mas todas essas circunstâncias dependem de diferentes envolventes políticas, económicas e ambientais internas e externas, relativamente às quais também aqui expresso os meus desejos.
1º - Que se resolvam os conflitos da Ucrânia e da Palestina e que o papel das Nações Unidas se reforce, o que pressupõe que haja dirigentes inteligentes, corajosos, prudentes e apaziguadores.
2º - Que as eleições para o Parlamento Europeu (em Junho) e as eleições presidenciais americanas (em Novembro) conduzam a resultados que reforcem a Democracia e a paz no mundo.
3º - Que a União Europeia aposte cada vez mais no progresso e no bem-estar dos seus cidadãos, assumindo-se como um factor de estabilidade e de paz em relação aos conflitos activos junto das suas fronteiras.
4º - Que as grandes potências, designadamente os Estados Unidos, a União Europeia, a China e a Índia adoptem rapidamente políticas que combatam as alterações climáticas e defendam o nosso planeta. 
5º - Que os diferentes actos eleitorais a realizar em Portugal no ano de 2004 decorram com normalidade e com o esclarecimento dos eleitores, para que os eleitos garantam a paz e o progresso dos portugueses.
6º - Que os dirigentes portugueses sejam consequentes no cumprimento do artigo 7º da CRP que afirma que, nas relações internacionais, Portugal se rege no respeito pelos direitos do homem e da solução pacífica dos conflitos internacionais.
7º - Que as comemorações do 25 de Abril de 1974 sejam uma grande festa nacional, que decorram com serenidade e que reforcem os sentimentos democráticos dos portugueses.
8º - Que em relação às grandes áreas da governação e aos grandes projectos nacionais haja acordos de regime que assegurem, de forma duradoura e sustentada, o bem-estar e o progresso dos portugueses. 
§ único - Que todos os meus amigos tenham saúde, alegria, ânimo e prosperidade.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

A pobreza extrema e o sonho americano

A edição de ontem do The Wall Street Journal destaca, com uma fotografia na sua primeira página, a longa e pacífica marcha que está a atravessar o México em direcção à fronteira sul dos Estados Unidos.
A marcha começou a formar-se na cidade mexicana de Tapachula no passado domingo, dia 24 de Dezembro, sendo encabeçada por uma faixa na qual está escrito “Éxodo de la Pobreza”, pois os responsáveis do grupo declaram que as pessoas apenas estão a fugir da desumana pobreza em que vivem e pretendem chegar aos Estados Unidos, ou ao sonho americano, para aí trabalharem honestamente. Inicialmente seriam cerca de sete mil pessoas, oriundas sobretudo do México, Venezuela e Cuba, mas a marcha integra pessoas de todas as idades e de 24 nacionalidades, provenientes da América Central, da América do Sul e das Caraíbas.
A pobreza é a negação aos seres humanos de qualquer poder económico, social e político, sendo uma das maiores catástrofes que afecta a humanidade. Por isso, foi proclamada como uma violação dos direitos humanos, pois priva os seres humanos de recursos e da satisfação das suas necessidades mais básicas nas esferas da saúde, educação, habitação, acesso à água e saneamento.
Daí que, tal como acontece na Europa, também os Estados Unidos exista uma “fuga da pobreza” e um intenso movimento migratório de sul para norte, em direcção à cidade californiana de San Diego e às cidades texanas de El Paso e Eagle Pass. Segundo a BBC, “desde o início do ano, mais de dois milhões de migrantes foram detidos na fronteira entre o México e os Estados Unidos, um número recorde”. Em Setembro deste ano mais de 200 mil migrantes foram detidos nessa fronteira, mas em Novembro terão sido 242 mil. É neste mundo que não cala Netanyahu, nem faz calar as armas na Ucrânia, que há mais de mil milhões de seres humanos a viver na pobreza…

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

As perdas da Marinha russa no mar Negro

A guerra na Ucrânia tem continuado a mostrar que está a ser uma tragédia para a população ucraniana e para as tropas de ambos os lados, enquanto os cofres de muita gente alinhada com Zelensky parece estarem a ficar vazios. Os que podiam ter procurado a paz através do reforço dos acordos de Minsk de 2014 e 2015 e de ter procurado pôr fim à guerra civil entre os nacionalistas ucranianos e os rebeldes pró-russos no Leste da Ucrânia, preferiram fazer a guerra e alimentar as indústrias do armamento. E tem sido assim, sobretudo a partir do dia em que o conflito se agravou com a tentativa russa de ocupar Kiev.
Apesar de todos os dias termos inúmeros comentadores televisivos que não conseguem ser independentes e que só nos falam de guerra, como se a paz fosse uma impossibilidade, o facto é que o cidadão comum não sabe o que se passa no terreno, nem se há esforços para conseguir um cessar-fogo e para negociar uma solução para o conflito. Porém, de vez em quando, chegam-nos notícias veiculadas pela imprensa internacional que mostram a realidade da guerra, nomeadamente contra a Marinha russa estacionada no mar Negro, que em Março de 2022 perdeu o navio-transporte Saratov no porto de Berdiansk e em Abril de 2022 perdeu o seu navio-chefe, o moderno cruzador Moskva.
Agora foi anunciado, nomeadamente pelo jornal basco El Correo, que um ataque ucraniano com mísseis atingiu o navio-transporte Novocherkassk, atracado no porto de Feodosia, na costa oriental da Crimeia, que segundo os ucranianos foi afundado, mas que os russos dizem ter sido apenas atingido. É a guerra da propaganda, mas neste caso significa que a guerra está muito activa e que os mísseis ucranianos estão a fazer muitos estragos à Marinha russa.