Integradas nas Festas de Agosto, as Ruas
Floridas vão animar as ruas da vila alentejana do Redondo entre os dias 3 e 11
de Agosto e, tal como tem acontecido nos anos anteriores, o evento irá
constituir certamente uma grande manifestação de cultura popular. As Ruas
Floridas realizam-se bienalmente e consistem na decoração das ruas da vila do
Redondo com flores e outros objectos manufacturados com papel. Trata-se de uma
tradição que remonta à primeira metade do século XIX, mas que se perdeu quando,
há cerca de sete dezenas de anos, surgiu a novidade da iluminação eléctrica
pública que, naturalmente, deslumbrou a população. Depois de 1974 a iniciativa e
o dinamismo populares tentaram recuperar a tradição das ruas floridas, mas não
tiveram sucesso. Só a partir de 1994, quando a Câmara Municipal do Redondo se
envolveu nessa iniciativa e apoiou o espírito de participação e o envolvimento
cívico da população, é que renasceu a tradição de enfeitar as ruas e nasceram
as Ruas Floridas, integradas nas Festas de Agosto. Muitos meses antes do
evento, os moradores de cada rua organizam-se, escolhem um tema que mantém em
sigilo e trabalham diariamente na produção de milhares de flores. É um caso
raro de imaginação, de criatividade e de estética mas, sobretudo, é um exemplo
da dedicação de muita gente, cujo prémio é apenas o reconhecimento dos
visitantes. Não costumo faltar e, desta vez espero, voltar ao Redondo, até
porque a gastronomia da terra também se recomenda.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
As Ruas Floridas regressam ao Redondo
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Sopram bons ventos de Espanha
Dizia-se
antigamente que “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”, mas os tempos
mudaram. Desde que os dois países adoptaram a democracia como sistema político
e que ambos se integraram na União Europeia, as respectivas economias também se
têm integrado cada vez mais. Hoje a Espanha é o principal destino das exportações
portuguesas e Portugal é o terceiro maior destino das exportações espanholas.
A
Espanha é a 5ª maior economia da União Europeia e a 15ª maior economia do
mundo. Depois de mais de uma dezena de anos de crescimento acima da média
europeia, a economia espanhola começou a desacelerar em finais de 2007 e entrou
em recessão em 2008. Em 2009 o produto contraiu 3,7%, em 2012 o défice público cifrou-se
em 10,6% e em Janeiro de 2013 o desemprego atingiu 26,7%. A dívida pública
espanhola, entre 2009 e 2012, passou de 53,9% para 84,2% do PIB. A juntar às
suas dificuldades económicas e ao aumento substancial da pobreza, o problemas
das soberanias agudizou-se e até a estabilidade da Casa Real já não é o que
era. Porém, há alguns sinais de mudança. As
exportações de Espanha cresceram 7,3% em Maio face ao mesmo mês de 2012,
prenunciando que a economia anima e que o país está a recuperar da pior crise
económica da sua história democrática. Hoje é a edição do jornal ABC que destaca que a próxima EPA (Encuesta de Población Activa) será “a
melhor desde que começou a crise” e que, no segundo trimestre deste ano, mais
de cem mil pessoas tinham saido do desemprego e que a taxa de desemprego baixara
para os 27%. Embora seja uma notícia de um jornal conservador, provavelmente
para dar ânimo ao Primeiro-Ministro espanhol, não há dúvida de que estes ténues
sinais de retoma também são uma boa notícia para Portugal.
sábado, 20 de julho de 2013
Rui Costa, o herói dos Alpes
Inesperadamente e três dias depois de ter triunfado em Gap na 16ª etapa da 100ª edição da Volta à França, o ciclista português Rui Costa fez história e voltou a vencer, desta vez na 19ª etapa que terminou em Le Grand-Bornand. Foi uma longa etapa de mais de duzentos quilómetros no terreno montanhoso dos Alpes, com várias contagens de montanha de categoria extra e de primeira categoria e que, na sua fase final, decorreu debaixo de condições climatéricas adversas, que tornaram muito perigosas as descidas, feitas com má visibilidade e com o piso molhado.
Com este triunfo, Rui Costa tornou-se no segundo ciclista português a ganhar duas etapas na mesma edição da Volta à França, depois de Joaquim Agostinho o ter feito em 1969, isto é, há 44 anos. A forma confiante e segura como desenvolveu a sua corrida, que pudemos acompanhar em directo pela televisão, mostram que Rui Costa é um grande atleta e que, definitivamente, já é um dos melhores ciclistas do mundo.
Desta vez, porém, a imprensa desportiva portuguesa reagiu de maneira diferente daquilo que acontecera com a anterior vitória de Rui Costa e o diário A Bola destaca o seu feito em manchete e classifica o ciclista como “o herói dos Alpes”. É este reconhecimento e este estímulo que são necessários para que os nossos atletas se internacionalizem.
Viagem presidencial às Ilhas Selvagens
O Presidente da República decidiu efectuar uma visita às Ilhas Selvagens, tal como tinham feito dois dos seus antecessores, mas ao contrário do que sucedera com Mário Soares e Jorge Sampaio, decidiu passar uma noite na Selvagem Grande.
Durante dois dias, esteve nas ilhas numa visita que coincidiu com o 50º aniversário da primeira expedição científica e que pretendeu assinalar a "importância científica, ambiental e estratégica" daquele pequeno arquipélago.
As Ilhas Selvagens são o local mais remoto do território português, encontram-se integradas administrativamente na Região Autónoma da Madeira e têm uma área aproximada de 4 Km2. Constituem dois pequenos grupos de ilhas – a Selvagem Grande (153 metros de altitude) com dois pequenos ilhéus que formam o grupo mais a norte e a Selvagem Pequena (49 metros de altitude) que, com o ilhéu de Fora e os ilhéus adjacentes, forma o outro grupo, estando separados por um profundo canal com cerca de 10 milhas de largura.
Desde 1971 que foi constituída a Reserva Natural das Ilhas Selvagens. A importância destas ilhas é enorme, não só pelas suas características ambientais, mas principalmente porque determinam os contornos da Zona Económica Exclusiva portuguesa (ZEE) e a sua extensão. Acontece que tem havido em Espanha quem interprete que as Ilhas Selvagens, localizadas a apenas 82 milhas do arquipélago das Canárias e a 163 milhas da Ilha da Madeira, são ilhéus e que, por isso, não poderiam ser consideradas na delimitação de uma ZEE de duzentas milhas.
A viagem presidencial tem por isso uma grande importância simbólica e é um acto de soberania que merece o aplauso dos portugueses. Porém, aconteceu numa altura inoportuna devido à crise que se vive em Lisboa e, além disso, a reportagem televisiva que pudemos observar, mostrou uma verdadeira multidão na comitiva presidencial, para além da fragata Vasco da Gama, do navio patrulha oceânico Viana do Castelo, do navio hidrográfico Gago Coutinho e de um helicóptero EH101. Tanta gente e tanta despesa em tempo de crise deixam muito a desejar e são lamentáveis.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
A miopia dos nossos jornais desportivos
São muito raros os sucessos internacionais do desporto português e, mais raros ainda, aqueles que têm uma expressão mediática a nível internacional, pois a indústria do futebol e os seus mais famosos nomes como Eusébio, Figo, Mourinho ou Ronaldo são excepções a esse panorama geral. Nos grandes eventos desportivos internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos, os atletas portugueses raramente se destacam e, relativamente às chamadas modalidades desportivas, os nomes e os feitos mais salientes dos atletas portugueses contam-se pelos dedos de uma mão – Joaquim Agostinho, Carlos Lopes, Rosa Mota, Nelson Évora e poucos mais.
A Volta à França em bicicleta, que está este ano a disputar a sua centésima edição, é um dos raros eventos desportivos que proporciona uma mediatização à escala mundial e ontem aconteceu uma vitória do ciclista português Rui Costa. Na história do nosso desporto e com esta vitória, o ciclista entra nessa galeria de eleição onde apenas se encontram meia dúzia de atletas. As televisões mostraram as imagens da corrida solitária e triunfante de Rui Costa, bem como as suas declarações a dedicar a vitória aos portugueses, mas os jornais portugueses foram bem mais discretos e deram àquele resultado um destaque residual. Todos os jornais diários desportivos portugueses parecem ter miopia e preferiram destacar o “festival de Markovic”, um futebolista sérvio de 19 anos de idade que alinha pelo Benfica e que num jogo-treino contra a equipa suíça do Sion meteu dois golos, “o segundo deles uma verdadeira obra-prima”, segundo titulou um deles. Esses jornais ditos desportivos - A Bola, Record e O Jogo – servem as suas audiências e defendem o seu negócio, o que é natural, mas sofrem de uma valente miopia e não servem o fenómeno desportivo, nem reconhecem o mérito dos nossos atletas.
A Volta à França em bicicleta, que está este ano a disputar a sua centésima edição, é um dos raros eventos desportivos que proporciona uma mediatização à escala mundial e ontem aconteceu uma vitória do ciclista português Rui Costa. Na história do nosso desporto e com esta vitória, o ciclista entra nessa galeria de eleição onde apenas se encontram meia dúzia de atletas. As televisões mostraram as imagens da corrida solitária e triunfante de Rui Costa, bem como as suas declarações a dedicar a vitória aos portugueses, mas os jornais portugueses foram bem mais discretos e deram àquele resultado um destaque residual. Todos os jornais diários desportivos portugueses parecem ter miopia e preferiram destacar o “festival de Markovic”, um futebolista sérvio de 19 anos de idade que alinha pelo Benfica e que num jogo-treino contra a equipa suíça do Sion meteu dois golos, “o segundo deles uma verdadeira obra-prima”, segundo titulou um deles. Esses jornais ditos desportivos - A Bola, Record e O Jogo – servem as suas audiências e defendem o seu negócio, o que é natural, mas sofrem de uma valente miopia e não servem o fenómeno desportivo, nem reconhecem o mérito dos nossos atletas.
terça-feira, 16 de julho de 2013
A insaciável ganância da nossa banca
Em tempos de muita preocupação pela
sequência de infelizes acontecimentos que desde o início do mês têm dominado a
nossa vida política e que são demonstrativos do amadorismo, do egoísmo e da
incompetência que tem havido numa governação de resultados económicos e sociais
catastróficos, há outras notícias que também nos surpreendem pela negativa. O
caso da banca e dos banqueiros é ilustrativo pois revela que, mesmo em tempo de
crise, mantêm a ganância de outros tempos.
A banca que deveria ser uma das alavancas da nossa recuperação económica, continua a revelar uma fragilidade persistente. Os seus prejuízos, devidos principalmente ao crédito mal parado, mas também à quebra da actividade económica, ascendem a muitos milhões de euros. Os seus accionistas que com tanta ganância arrecadaram os lucros no tempo das “vacas gordas”, afastam-se agora e “obrigam” o Estado a suportar os prejuízos em nome da “estabilidade do sistema”. Nesse quadro, o anúncio agora feito pela Autoridade Bancária Europeia de que os banqueiros portugueses estão entre os dez mais bem pagos dos 27 países da União Europeia, deixa-nos perplexos. No total, os 11 gestores portugueses - cujos nomes e empresas não foram divulgados - receberam 17,6 milhões de euros, o que corresponde a uma média de 1,6 milhões de euros para cada um, entre salários e bónus: foram 5,2 milhões relativos a remunerações fixas e 12,4 milhões relativos a prémios de gestão. E têm sido competentes? Parece que não, como demonstram os seus resultados gerais, mas também o caso do BANIF que, apenas numa semana, registou uma desvalorização de 56%, passando de 8,6 para 3,8 cêntimos por acção. Por outro lado, quando se julgava que o caso BPN estava encerrado depois da sua venda por 40 milhões de euros, viemos agora a saber que o Estado já pagou 22 milhões de euros ao BIC no âmbito do respectivo contrato de privatização e que o banco luso-angolano ainda reclama o reembolso adicional de mais algumas dezenas de milhões de euros. Que o BIC engrosse a lista de glutões não é para admirar, mas já surpreende que os negociadores do Estado tivessem actuado de uma maneira tão imprecisa e que não tivessem protegido o interesse público. Quem negociou isto?
A banca está no topo das notícias mas, como se vê, não é por boas razões.
A banca que deveria ser uma das alavancas da nossa recuperação económica, continua a revelar uma fragilidade persistente. Os seus prejuízos, devidos principalmente ao crédito mal parado, mas também à quebra da actividade económica, ascendem a muitos milhões de euros. Os seus accionistas que com tanta ganância arrecadaram os lucros no tempo das “vacas gordas”, afastam-se agora e “obrigam” o Estado a suportar os prejuízos em nome da “estabilidade do sistema”. Nesse quadro, o anúncio agora feito pela Autoridade Bancária Europeia de que os banqueiros portugueses estão entre os dez mais bem pagos dos 27 países da União Europeia, deixa-nos perplexos. No total, os 11 gestores portugueses - cujos nomes e empresas não foram divulgados - receberam 17,6 milhões de euros, o que corresponde a uma média de 1,6 milhões de euros para cada um, entre salários e bónus: foram 5,2 milhões relativos a remunerações fixas e 12,4 milhões relativos a prémios de gestão. E têm sido competentes? Parece que não, como demonstram os seus resultados gerais, mas também o caso do BANIF que, apenas numa semana, registou uma desvalorização de 56%, passando de 8,6 para 3,8 cêntimos por acção. Por outro lado, quando se julgava que o caso BPN estava encerrado depois da sua venda por 40 milhões de euros, viemos agora a saber que o Estado já pagou 22 milhões de euros ao BIC no âmbito do respectivo contrato de privatização e que o banco luso-angolano ainda reclama o reembolso adicional de mais algumas dezenas de milhões de euros. Que o BIC engrosse a lista de glutões não é para admirar, mas já surpreende que os negociadores do Estado tivessem actuado de uma maneira tão imprecisa e que não tivessem protegido o interesse público. Quem negociou isto?
A banca está no topo das notícias mas, como se vê, não é por boas razões.
sábado, 13 de julho de 2013
As quezílias partidárias portuguesas
O discurso do Presidente da República do dia 10 de
Julho, em que apelou a um consenso entre os três maiores partidos portugueses
foi tardio e, como salienta o Diário Económico, agravou a crise política que só na aparência é
recente. Desde há muito tempo, que era visível a necessidade de uma ampla base
social de apoio para resolver alguns dos grandes problemas estruturais da
sociedade e da economia portuguesas. Porém, bastava observar a agressividade
das sessões da Assembleia da República, ouvir as intervenções de um sem número
de deputados ignorantes ou analisar a lógica dos interesses pessoais ou
partidários dos actores políticos, para verificarmos que poucos se subordinam
ao chamado superior interesse nacional. A juntar a isto, está o falhanço das
políticas do actual governo e os seus desastrosos resultados. Assim, a
preocupação geral é cada vez maior e há cada vez menos paciência para ouvir
quezílias partidárias, melindres, amuos e garotices. Estamos fartos de toda
esta gente que vive amarrada ao poder. Por esta via não vamos a lado nenhum. Precisamos de outra gente, de outra ética e de outra noção de serviço público. Evidentemente que, sem deixar de ter presente os constrangimentos financeiros actuais, é urgente um acordo entre as principais forças políticas,
eventualmente sob a forma de um pacto de médio prazo, com incidência em
domínios como a justiça, a fiscalidade, a segurança social, os serviços
públicos, a gestão orçamental e a gestão da dívida. Porém, nada disto terá
sentido sem uma prévia reforma do sistema político, com menos deputados,
vereadores, assessores, motoristas, seguranças e outros beneficiários do
orçamento, com menos mordomias e regalias de toda essa gente recrutada nas
fileiras partidárias, para que a classe política se possa apresentar ao povo
com uma credibilidade mobilizadora e inspiradora de confiança. Podem começar o
pacto exactamente por aí. Por aí começa também a "salvação nacional".
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Luso seguidismo e outras trapalhadas
Segundo revela o diário Los Tiempos que se publica na cidade boliviana de Cochabamba, a
Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou ontem uma resolução que
condena o tratamento dado ao Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, cujo
avião foi recentemente impedido de sobrevoar alguns países europeus, fazendo
uma chamada de atenção para que a França, Itália, Portugal e Espanha se
expliquem e apresentem as correspondentes desculpas. A resolução foi aprovada
por consenso, mas os Estados Unidos e o Canadá opuseram-se por considerarem que
as circunstâncias do incidente diplomático não eram ainda claras. É lamentável
que isto tenha acontecido, porque o Direito Internacional garante total imunidade
diplomática aos Chefes de Estado e, dessa forma, não só foi hostilizada a
Bolívia, mas também os outros Estados sul-americanos. O Presidente Evo Morales
tinha-se deslocado a Moscovo para participar na cimeira dos países exportadores
de gás, mas dia 2 de Julho, quando regressava ao seu país, o seu avião foi
obrigado a aterrar em Viena. Entretanto, os governos de França, Itália,
Portugal e Espanha informaram não autorizar que o avião de Evo Morales
utilizasse o seu espaço aéreo, certamente por pressão americana, pois havia
fortes suspeitas que no seu interior viajava Edward Snowden, um ex-agente dos
serviços secretos americanos, suspeito da divulgação de matéria classificada.
Depois de 14 horas de “sequestro” o avião presidencial foi autorizado a seguir
viagem, tendo escalado a Gran Canária, a cidade brasileira de Fortaleza e
aterrado em La Paz na madrugada do dia 4 de Julho. Alguns dias depois e já
depois de terem sido queimadas bandeiras em La Paz, inclusive bandeiras
portuguesas, veio o ministro Portas assegurar que as autoridades portuguesas
autorizaram antecipadamente o sobrevoo do avião de Evo Morales pelo espaço
aéreo português. Em que ficamos? Na palavra da OEA ou na palavra (irrevogável) do ministro
Paulo Portas?
segunda-feira, 8 de julho de 2013
A economia do mar e a saída da crise
A Galiza é,
simultaneamente, uma das 19 comunidades autónomas da Espanha, mas também a
região espanhola que tem mais afinidades com Portugal, não só pela língua, mas
também por muitas outras vertentes culturais. Até à Idade Média a língua falada
em Portugal e na Galiza foi o galaico-português, mas actualmente o português e
o galego são línguas distintas embora com muitas semelhanças, que fazem com que
o português que viaje na Galiza ou o galego que visite Portugal não se sintam no
estrangeiro.
A Galiza tem uma
cultura e uma economia muito ligadas ao mar e, nos seus cerca de 1600 km de
costa recortada por baías e orlada de pequenas ilhas, concentra-se a maior
parte da sua população de um pouco menos de 3 milhões de habitantes. A maior
parte da população galega vive do mar, directa ou indirectamente – pesca, aquacultura,
indústria conserveira e de transformação do peixe, portos, construção e
reparação naval – pelo que se diz que três em cada quatro galegos vivem do mar.
O mar é a base da economia galega e sustenta a mais activa frota piscatória
europeia, mas também é um atractivo turístico com inúmeras pequenas praias e
uma apreciada gastronomia ligada ao mar, para além do porto de Vigo ser o maior
de toda a Espanha.
A crise também
chegou à Galiza e La Voz de Galicia destaca hoje que “os galegos voltam a olhar o
mar como saída da crise”. Bom seria que, por cá e tal como acontece na Galiza,
também se pensasse na economia do mar como estratégia de desenvolvimento e que
lhe fosse dada elevada prioridade na estrutura económica portuguesa.
Uma indecorosa telenovela política
Desde que no dia 1
de Julho o ministro Gaspar se demitiu, com uma carta em que confessa não se
encontrar em condições de assegurar a credibilidade e a confiança necessárias
para enfrentar uma nova fase do ajustamento, que entramos numa verdadeira telenovela
política com episódios multi-diários que quase parecem um daqueles “compactos” de
telenovela, em que as televisões juntam diversos episódios para transmissão
conjunta. No dia seguinte foi o ministro Portas, o tal que engolira muitos
sapos e que se deixara humilhar como figura número três do governo, a renunciar
irrevogavelmente ao governo. Uma hora depois, uma discípula do ministro Gaspar
tomava o seu lugar, aparentemente sem o acordo do ministro Portas. O primeiro ministro
Coelho mostrou-se admirado e parecia navegar ao sabor dos acontecimentos como
sempre fizera, sem controlar a nau, nem o rumo, nem os tripulantes. Sem
inspirar a necessária confiança ao povo.
A crise estava
instalada, não só por causa das atitudes irresponsáveis desta gente, mas sobretudo
pelos dois anos de maus resultados governamentais, visíveis no desemprego, na
dívida, no défice e na recessão económica. Então, os agentes políticos começaram
a tomar posições e desdobraram-se em declarações. Os comentadores não tinham
mãos a medir. Em Bruxelas, em Berlim e em Belém havia inquietação, mas o acordo
chegou rápido. Cada vez mais do mesmo. Coelho engoliu sapos e insiste na mesma
receita que tem dois anos de resultados trágicos. Sem qualquer vergonha nem
dignidade, Portas perdeu toda a credibilidade ao dar o dito por não dito. Gosta
de ser ministro.
Eu já cá ando há
muitos anos e já vi muita coisa, mas não imaginava ver isto. A política não
pode ser isto. Estudei mais do que o Portas e muito mais que o Passos. Devo ter visto mais do que eles. Por isso
tenho grandes dúvidas no que aí vem, mas vou esperar para ver. Bom seria que me
enganasse.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O fado como paixão lusitana em Pequim
Realizou-se
ontem em Pequim um espectáculo de fado para celebrar a “amizade lusófona com a China ” e que se integrou na celebração dos 500
anos da chegada dos portugueses à China . A iniciativa pertenceu a uma
chinesa residente em Portugal
de nome Cao Bei, que parece ser uma das raras estrangeiras que canta o fado e
que, nesta digressão, se fez acompanhar pela fadista Cristina Nóbrega e pelo guitarrista João
Bengala. Aqueles três
artistas, acompanhados por alguns artistas locais, protagonizaram o primeiro
espectáculo de fado realizado em Pequim e que teve o título “Amizade Lusófona
com a China ”.
A edição de hoje do Jornal Tribuna de Macau, que se publica em português na cidade de Macau, destaca na sua primeira página esse acontecimento a que assistiram cerca de uma centena de convidados, em que se incluiam os representantes diplomáticos de vários países da CPLP. A empresária-fadista Cao Bei, que tem dois filhos de pai português e que também tem nacionalidade portuguesa, está empenhada na organização de outros eventos deste tipo, pois considera que a promoção do fado – que recentemente entrou na Lista do Património Imaterial da UNESCO – é essencial para lever os chineses a conhecer Portugal como um país onde não existe apenas o futebol. Cao Bei merece o nosso aplauso pelo seu esforço na promoção dos nossos valores culturais.
A edição de hoje do Jornal Tribuna de Macau, que se publica em português na cidade de Macau, destaca na sua primeira página esse acontecimento a que assistiram cerca de uma centena de convidados, em que se incluiam os representantes diplomáticos de vários países da CPLP. A empresária-fadista Cao Bei, que tem dois filhos de pai português e que também tem nacionalidade portuguesa, está empenhada na organização de outros eventos deste tipo, pois considera que a promoção do fado – que recentemente entrou na Lista do Património Imaterial da UNESCO – é essencial para lever os chineses a conhecer Portugal como um país onde não existe apenas o futebol. Cao Bei merece o nosso aplauso pelo seu esforço na promoção dos nossos valores culturais.
Lisboa é uma cidade cada vez mais suja
Lisboa tem vindo a ser afectada por uma verdadeira
praga canina e, apesar das medidas tomadas pelas autoridades municipais,
transformou-se numa cidade cada vez mais suja e num caso de evidente ameaça à
saúde pública, cuja responsabilidade maior é dos lisboetas.
Os cães são geralmente uns animais simpáticos e
muitas vezes são de grande utilidade para o homem, antigamente como animais de
guarda e, mais recentemente, como animais de companhia. Dessa evolução resultou
que os cães foram adoptados pelas famílias e que, muitas vezes, passassem a viver com os seus donos em espaços
muito limitados. Foram integrados nas famílias e são tratados como tal. Ter animais em casa é um direito. Porém, fechados nessas jaulas
que são os pequenos apartamentos urbanos, há a necessidade de trazer os cães à
rua para lhes proporcionar exercício e, o acto de passear os cães, tornou-se um
ritual quotidiano de muitas famílias. Porém, muitas pessoas manifestam o seu
profundo desprezo e indiferença para com as outras pessoas, a sua falta de
civismo e a sua irresponsabilidade social, porque a praga canina deixa dejectos
um pouco por toda a cidade: nos passeios e nos jardins, junto das árvores e dos
postes de luz, nos logradouros, à porta dos prédios e das lojas, afectando a higiene dos
locais públicos e podendo ser causadores de graves doenças, sobretudo sobre os
grupos mais vulneráveis. Muitos dos relvados da cidade onde antigamente brincaram
as crianças, constituem hoje um verdadeiro perigo para a saúde pública pois são
transmissores de vírus que podem provocar doenças gastrointestinais e, em casos
limite, outras doenças mais graves. A população em geral e principalmente as
crianças quando brincam nos espaços públicos estão, assim, sujeitas a doenças
transmissíveis pelos cães.
Desde 1997 que a
cidade de Lisboa dispõe de um regulamento municipal que impõe obrigações aos donos
dos cães, no sentido de procederem à remoção imediata dos dejectos dos seus animais em
espaços públicos. Infelizmente, há demasiada gente que não cumpre esse regulamento. Exige-se, por isso, que os donos dos cães tenham mais vergonha e que a Polícia Municipal
actue, em nome da saúde pública.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Há uma enorme onda mundial de protesto
A última edição
do The
Economist é dedicada aos protestos que estão a multiplicar-se por todo
o mundo e, sobre essa matéria, aquela prestigiada revista destaca que “uma onda de raiva está a varrer as cidades do mundo” e avisa: “Politicians beware”.
Os protestos têm-se generalizado um pouco por todo o mundo e as suas origens
são muito diferentes. No Brasil as pessoas reagiram contra os preços dos
transportes públicos, na Turquia contestaram um projecto imobiliário em
construção, na Indonésia manifestaram-se contra o preço dos combustíveis, na
Grécia lutam contra o encerramento da estação televisiva oficial e no Egipto protestam
contra a incapacidade governativa. Na União Europeia os protestos são contra as
brutais políticas de austeridade, enquanto a primavera árabe se transformou num
protesto permanente contra tudo. Houve motins dos jovens emigrantes na Suécia e
dos jovens dos bairros de Londres, por serem excluídos da prosperidade que vêem
à sua volta. No ano passado os jovens indianos ocuparam as ruas das suas
cidades após a violação de uma estudante, em protesto contra a falta de
protecção do Estado às mulheres. Bruxelas e Pequim estão alarmadas e, como diz
a revista, os tempos que aí vêm são preocupantes. Em Portugal, também a
manifestação de 15 de Setembro de 2012 foi, possivelmente, um sinal de protesto
como não se vira desde 1974.
Os protestos têm realmente as mais diferentes origens e revelam um
grande descontentamento popular, uma enorme indignação contra os políticos e
contra a corrupção, contra as desigualdades e a injustiça social, contra a
arrogância política e policial. Nascem de forma quase expontânea e agregam
milhares de manifestantes, sobretudo da classe média e sem outro caderno
reivindicativo que não seja a luta contra um poder em que não se revêm e que não os
protege. Alimentam-se nas redes sociais e nas ruas, sem o suporte dos partidos
políticos ou dos sindicatos. É já uma nova ordem social. The Economist evoca as
grandes movimentações sociais de 1848 (Europa), de 1968 (América e Europa) e
1989 (Império Soviético), acrescenta-lhes 2013 (everywhere) e salienta que todos esses casos têm aspectos comuns e
estão na origem de transformações sociais muito profundas.
domingo, 30 de junho de 2013
Catalunha: a luta continua!
A
reivindicação independentista catalã tem estado aparentemente adormecida, mas
ontem parece ter acordado quando cerca de 90 mil pessoas encheram o Camp Nou –
o estádio do FC Barcelona – para assistir a um grandioso concerto.
Foi o
Concert
per la Libertat, no qual a cultura musical e a reivindicação política
da Catalunha, assim como as cores nacionais catalãs, estiveram lado a lado e
pretenderam dar um novo impulso no movimento para a independência. Os momentos
musicais foram intercalados com a leitura de textos de escritores e poetas
catalães, assim como vídeos com depoimentos de personalidades do mundo da
cultura e da televisão, a apoiar o processo soberanista. A assistência dispôs
de cartolinas vermelhas e amarelas com que decorou as bancadas do estádio e
“construiu” um mosaico com a frase Freedom for Catalonia 2014, com o
objectivo de pressionar a opinião pública internacional e ter apoios para a sua
ambição independentista. À volta do estádio, segundo referiu a imprensa catalã,
a venda de “produtos nacionalistas”, como bandeiras e camisolas, foi intensa,
transformando o concerto numa grande festa. Muitos elementos dos órgãos do
governo autónomo da Catalunha aderiram à iniciativa, embora tivesse havido
declarações de grande prudência. A organização salientou que o concerto foi
apenas mais um passo no processo libertador da Catalunha que aspira à
realização de um referendo, mas que deseja uma transição pacífica e feliz, bem
como a manutenção de laços de fraternidade com os povos vizinhos. Os tempos não
estão fáceis para ninguém e os catalães também percebem isso.
O futebol é mesmo uma festa!
No mítico Estádio do
Maracanã da cidade do Rio de Janeiro, disputa-se hoje a final da Taça das
Confederações, em que se defrontam as selecções do Brasil e da Espanha. Até há
poucos anos a hegemonia mundial do futebol era brasileira, mas nos últimos anos
essa hegemonia deslocou-se para Espanha, cuja selecção é a actual campeã
europeia e mundial.
Estamos a um ano da
realização do próximo Campeonato do Mundo e o jogo de hoje, entre a selecção do
país organizador e a selecção campeã mundial, apresenta-se como uma antevisão do
que acontecerá em 2014. Era a final esperada e ambas as equipas lá chegaram sem
terem sido derrotadas. O jogo começará às 23.00 horas de Lisboa e lá estarão
Neymar e Iniesta, Xavi e Hulk, entre tantas outras estrelas do futebol mundial,
num espectáculo que promete pela ambiência, pela incerteza e pela qualidade. A dirigir a equipa
brasileira estará o nosso bem conhecido Luís Filipe Scolari, um homem que à sua
maneira deu um importante contributo ao futebol português.
Todo o mundo está atento
a este jogo e até na Índia, onde o futebol ainda não entusiasma multidões, o
jornal Ananda Bazar Patrika ou আনন্দবাজার পত্রিকা (se o escrevermos em bengali) que se publica em
Calcutta, chama à sua primeira página o jogo que hoje se disputa no Maracanã e
as fotos de Neymar e de Iniesta.
O
futebol é mesmo uma festa!
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