terça-feira, 16 de julho de 2013

A insaciável ganância da nossa banca


Em tempos de muita preocupação pela sequência de infelizes acontecimentos que desde o início do mês têm dominado a nossa vida política e que são demonstrativos do amadorismo, do egoísmo e da incompetência que tem havido numa governação de resultados económicos e sociais catastróficos, há outras notícias que também nos surpreendem pela negativa. O caso da banca e dos banqueiros é ilustrativo pois revela que, mesmo em tempo de crise, mantêm a ganância de outros tempos.
A banca que deveria ser uma das alavancas da nossa recuperação económica, continua a revelar uma fragilidade persistente. Os seus prejuízos, devidos principalmente ao crédito mal parado, mas também à quebra da actividade económica, ascendem a muitos milhões de euros. Os seus accionistas que com tanta ganância arrecadaram os lucros no tempo das “vacas gordas”, afastam-se agora e “obrigam” o Estado a suportar os prejuízos em nome da “estabilidade do sistema”. Nesse quadro, o anúncio agora feito pela Autoridade Bancária Europeia de que os banqueiros portugueses estão entre os dez mais bem pagos dos 27 países da União Europeia, deixa-nos perplexos. No total, os 11 gestores portugueses - cujos nomes e empresas não foram divulgados - receberam 17,6 milhões de euros, o que corresponde a uma média de 1,6 milhões de euros para cada um, entre salários e bónus: foram 5,2 milhões relativos a remunerações fixas e 12,4 milhões relativos a prémios de gestão. E têm sido competentes? Parece que não, como demonstram os seus resultados gerais, mas também o caso do BANIF que, apenas numa semana, registou uma desvalorização de 56%, passando de 8,6 para 3,8 cêntimos por acção. Por outro lado, quando se julgava que o caso BPN estava encerrado depois da sua venda por 40 milhões de euros, viemos agora a saber que o Estado já pagou 22 milhões de euros ao BIC no âmbito do respectivo contrato de privatização e que o banco luso-angolano ainda reclama o reembolso adicional de mais algumas dezenas de milhões de euros. Que o BIC engrosse a lista de glutões não é para admirar, mas já surpreende que os negociadores do Estado tivessem actuado de uma maneira tão imprecisa e que não tivessem protegido o interesse público. Quem negociou isto?
A banca está no topo das notícias mas, como se vê, não é por boas razões.

sábado, 13 de julho de 2013

As quezílias partidárias portuguesas


O discurso do Presidente da República do dia 10 de Julho, em que apelou a um consenso entre os três maiores partidos portugueses foi tardio e, como salienta o Diário Económico, agravou a crise política que só na aparência é recente. Desde há muito tempo, que era visível a necessidade de uma ampla base social de apoio para resolver alguns dos grandes problemas estruturais da sociedade e da economia portuguesas. Porém, bastava observar a agressividade das sessões da Assembleia da República, ouvir as intervenções de um sem número de deputados ignorantes ou analisar a lógica dos interesses pessoais ou partidários dos actores políticos, para verificarmos que poucos se subordinam ao chamado superior interesse nacional. A juntar a isto, está o falhanço das políticas do actual governo e os seus desastrosos resultados. Assim, a preocupação geral é cada vez maior e há cada vez menos paciência para ouvir quezílias partidárias, melindres, amuos e garotices. Estamos fartos de toda esta gente que vive amarrada ao poder. Por esta via não vamos a lado nenhum. Precisamos de outra gente, de outra ética e de outra noção de serviço público. Evidentemente que, sem deixar de ter presente os constrangimentos financeiros actuais, é urgente um acordo entre as principais forças políticas, eventualmente sob a forma de um pacto de médio prazo, com incidência em domínios como a justiça, a fiscalidade, a segurança social, os serviços públicos, a gestão orçamental e a gestão da dívida. Porém, nada disto terá sentido sem uma prévia reforma do sistema político, com menos deputados, vereadores, assessores, motoristas, seguranças e outros beneficiários do orçamento, com menos mordomias e regalias de toda essa gente recrutada nas fileiras partidárias, para que a classe política se possa apresentar ao povo com uma credibilidade mobilizadora e inspiradora de confiança. Podem começar o pacto exactamente por aí. Por aí começa também a "salvação nacional".

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Luso seguidismo e outras trapalhadas


Segundo revela o diário Los Tiempos que se publica na cidade boliviana de Cochabamba, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou ontem uma resolução que condena o tratamento dado ao Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, cujo avião foi recentemente impedido de sobrevoar alguns países europeus, fazendo uma chamada de atenção para que a França, Itália, Portugal e Espanha se expliquem e apresentem as correspondentes desculpas. A resolução foi aprovada por consenso, mas os Estados Unidos e o Canadá opuseram-se por considerarem que as circunstâncias do incidente diplomático não eram ainda claras. É lamentável que isto tenha acontecido, porque o Direito Internacional garante total imunidade diplomática aos Chefes de Estado e, dessa forma, não só foi hostilizada a Bolívia, mas também os outros Estados sul-americanos. O Presidente Evo Morales tinha-se deslocado a Moscovo para participar na cimeira dos países exportadores de gás, mas dia 2 de Julho, quando regressava ao seu país, o seu avião foi obrigado a aterrar em Viena. Entretanto, os governos de França, Itália, Portugal e Espanha informaram não autorizar que o avião de Evo Morales utilizasse o seu espaço aéreo, certamente por pressão americana, pois havia fortes suspeitas que no seu interior viajava Edward Snowden, um ex-agente dos serviços secretos americanos, suspeito da divulgação de matéria classificada. Depois de 14 horas de “sequestro” o avião presidencial foi autorizado a seguir viagem, tendo escalado a Gran Canária, a cidade brasileira de Fortaleza e aterrado em La Paz na madrugada do dia 4 de Julho. Alguns dias depois e já depois de terem sido queimadas bandeiras em La Paz, inclusive bandeiras portuguesas, veio o ministro Portas assegurar que as autoridades portuguesas autorizaram antecipadamente o sobrevoo do avião de Evo Morales pelo espaço aéreo português. Em que ficamos? Na palavra da OEA ou na palavra (irrevogável) do ministro Paulo Portas?

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A economia do mar e a saída da crise



A Galiza é, simultaneamente, uma das 19 comunidades autónomas da Espanha, mas também a região espanhola que tem mais afinidades com Portugal, não só pela língua, mas também por muitas outras vertentes culturais. Até à Idade Média a língua falada em Portugal e na Galiza foi o galaico-português, mas actualmente o português e o galego são línguas distintas embora com muitas semelhanças, que fazem com que o português que viaje na Galiza ou o galego que visite Portugal não se sintam no estrangeiro.
A Galiza tem uma cultura e uma economia muito ligadas ao mar e, nos seus cerca de 1600 km de costa recortada por baías e orlada de pequenas ilhas, concentra-se a maior parte da sua população de um pouco menos de 3 milhões de habitantes. A maior parte da população galega vive do mar, directa ou indirectamente – pesca, aquacultura, indústria conserveira e de transformação do peixe, portos, construção e reparação naval – pelo que se diz que três em cada quatro galegos vivem do mar. O mar é a base da economia galega e sustenta a mais activa frota piscatória europeia, mas também é um atractivo turístico com inúmeras pequenas praias e uma apreciada gastronomia ligada ao mar, para além do porto de Vigo ser o maior de toda a Espanha.
A crise também chegou à Galiza e La Voz de Galicia destaca hoje que “os galegos voltam a olhar o mar como saída da crise”. Bom seria que, por cá e tal como acontece na Galiza, também se pensasse na economia do mar como estratégia de desenvolvimento e que lhe fosse dada elevada prioridade na estrutura económica portuguesa.




Uma indecorosa telenovela política

Desde que no dia 1 de Julho o ministro Gaspar se demitiu, com uma carta em que confessa não se encontrar em condições de assegurar a credibilidade e a confiança necessárias para enfrentar uma nova fase do ajustamento, que entramos numa verdadeira telenovela política com episódios multi-diários que quase parecem um daqueles “compactos” de telenovela, em que as televisões juntam diversos episódios para transmissão conjunta. No dia seguinte foi o ministro Portas, o tal que engolira muitos sapos e que se deixara humilhar como figura número três do governo, a renunciar irrevogavelmente ao governo. Uma hora depois, uma discípula do ministro Gaspar tomava o seu lugar, aparentemente sem o acordo do ministro Portas. O primeiro ministro Coelho mostrou-se admirado e parecia navegar ao sabor dos acontecimentos como sempre fizera, sem controlar a nau, nem o rumo, nem os tripulantes. Sem inspirar a necessária confiança ao povo.
A crise estava instalada, não só por causa das atitudes irresponsáveis desta gente, mas sobretudo pelos dois anos de maus resultados governamentais, visíveis no desemprego, na dívida, no défice e na recessão económica. Então, os agentes políticos começaram a tomar posições e desdobraram-se em declarações. Os comentadores não tinham mãos a medir. Em Bruxelas, em Berlim e em Belém havia inquietação, mas o acordo chegou rápido. Cada vez mais do mesmo. Coelho engoliu sapos e insiste na mesma receita que tem dois anos de resultados trágicos. Sem qualquer vergonha nem dignidade, Portas perdeu toda a credibilidade ao dar o dito por não dito. Gosta de ser ministro.
Eu já cá ando há muitos anos e já vi muita coisa, mas não imaginava ver isto. A política não pode ser isto. Estudei mais do que o Portas e muito mais que o Passos. Devo ter visto mais do que eles. Por isso tenho grandes dúvidas no que aí vem, mas vou esperar para ver. Bom seria que me enganasse.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O fado como paixão lusitana em Pequim

Realizou-se ontem em Pequim um espectáculo de fado para celebrar a “amizade lusófona com a China” e que se integrou na celebração dos 500 anos da chegada dos portugueses à China. A iniciativa pertenceu a uma chinesa residente em Portugal de nome Cao Bei, que parece ser uma das raras estrangeiras que canta o fado e que, nesta digressão, se fez acompanhar pela fadista Cristina Nóbrega e pelo guitarrista João Bengala. Aqueles três artistas, acompanhados por alguns artistas locais, protagonizaram o primeiro espectáculo de fado realizado em Pequim e que teve o título “Amizade Lusófona com a China”.
A edição de hoje do Jornal Tribuna de Macau, que se publica em português na cidade de Macau, destaca na sua primeira página esse acontecimento a que assistiram cerca de uma centena de convidados, em que se incluiam os representantes diplomáticos de vários países da CPLP. A empresária-fadista Cao Bei, que tem dois filhos de pai português e que também tem nacionalidade portuguesa, está empenhada na organização de outros eventos deste tipo, pois considera que a promoção do fado – que recentemente entrou na Lista do Património Imaterial da UNESCO – é essencial para lever os chineses a conhecer Portugal como um país onde não existe apenas o futebol. Cao Bei merece o nosso aplauso pelo seu esforço na promoção dos nossos valores culturais.

 

Lisboa é uma cidade cada vez mais suja

Lisboa tem vindo a ser afectada por uma verdadeira praga canina e, apesar das medidas tomadas pelas autoridades municipais, transformou-se numa cidade cada vez mais suja e num caso de evidente ameaça à saúde pública, cuja responsabilidade maior é dos lisboetas.
Os cães são geralmente uns animais simpáticos e muitas vezes são de grande utilidade para o homem, antigamente como animais de guarda e, mais recentemente, como animais de companhia. Dessa evolução resultou que os cães foram adoptados pelas famílias e que, muitas vezes, passassem a viver com os seus donos em espaços muito limitados. Foram integrados nas famílias e são tratados como tal. Ter animais em casa é um direito. Porém, fechados nessas jaulas que são os pequenos apartamentos urbanos, há a necessidade de trazer os cães à rua para lhes proporcionar exercício e, o acto de passear os cães, tornou-se um ritual quotidiano de muitas famílias. Porém, muitas pessoas manifestam o seu profundo desprezo e indiferença para com as outras pessoas, a sua falta de civismo e a sua irresponsabilidade social, porque a praga canina deixa dejectos um pouco por toda a cidade: nos passeios e nos jardins, junto das árvores e dos postes de luz, nos logradouros, à porta dos prédios e das lojas, afectando a higiene dos locais públicos e podendo ser causadores de graves doenças, sobretudo sobre os grupos mais vulneráveis. Muitos dos relvados da cidade onde antigamente brincaram as crianças, constituem hoje um verdadeiro perigo para a saúde pública pois são transmissores de vírus que podem provocar doenças gastrointestinais e, em casos limite, outras doenças mais graves. A população em geral e principalmente as crianças quando brincam nos espaços públicos estão, assim, sujeitas a doenças transmissíveis pelos cães.
Desde 1997 que a cidade de Lisboa dispõe de um regulamento municipal que impõe obrigações aos donos dos cães, no sentido de procederem à remoção imediata dos dejectos dos seus animais em espaços públicos. Infelizmente, há demasiada gente que não cumpre esse regulamento.  Exige-se, por isso, que os donos dos cães tenham mais vergonha e que a Polícia Municipal actue, em nome da saúde pública.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Há uma enorme onda mundial de protesto

A última edição do The Economist é dedicada aos protestos que estão a multiplicar-se por todo o mundo e, sobre essa matéria, aquela prestigiada revista destaca que “uma onda de raiva está a varrer as cidades do mundo” e avisa: “Politicians beware”.
Os protestos têm-se generalizado um pouco por todo o mundo e as suas origens são muito diferentes. No Brasil as pessoas reagiram contra os preços dos transportes públicos, na Turquia contestaram um projecto imobiliário em construção, na Indonésia manifestaram-se contra o preço dos combustíveis, na Grécia lutam contra o encerramento da estação televisiva oficial e no Egipto protestam contra a incapacidade governativa. Na União Europeia os protestos são contra as brutais políticas de austeridade, enquanto a primavera árabe se transformou num protesto permanente contra tudo. Houve motins dos jovens emigrantes na Suécia e dos jovens dos bairros de Londres, por serem excluídos da prosperidade que vêem à sua volta. No ano passado os jovens indianos ocuparam as ruas das suas cidades após a violação de uma estudante, em protesto contra a falta de protecção do Estado às mulheres. Bruxelas e Pequim estão alarmadas e, como diz a revista, os tempos que aí vêm são preocupantes. Em Portugal, também a manifestação de 15 de Setembro de 2012 foi, possivelmente, um sinal de protesto como não se vira desde 1974.
Os protestos têm realmente as mais diferentes origens e revelam um grande descontentamento popular, uma enorme indignação contra os políticos e contra a corrupção, contra as desigualdades e a injustiça social, contra a arrogância política e policial. Nascem de forma quase expontânea e agregam milhares de manifestantes, sobretudo da classe média e sem outro caderno reivindicativo que não seja a luta contra  um poder em que não se revêm e que não os protege. Alimentam-se nas redes sociais e nas ruas, sem o suporte dos partidos políticos ou dos sindicatos. É já uma nova ordem social. The Economist  evoca as grandes movimentações sociais de 1848 (Europa), de 1968 (América e Europa) e 1989 (Império Soviético), acrescenta-lhes 2013 (everywhere) e salienta que todos esses casos têm aspectos comuns e estão na origem de transformações sociais muito profundas.

domingo, 30 de junho de 2013

Catalunha: a luta continua!


A reivindicação independentista catalã tem estado aparentemente adormecida, mas ontem parece ter acordado quando cerca de 90 mil pessoas encheram o Camp Nou – o estádio do FC Barcelona – para assistir a um grandioso concerto.
Foi o Concert per la Libertat, no qual a cultura musical e a reivindicação política da Catalunha, assim como as cores nacionais catalãs, estiveram lado a lado e pretenderam dar um novo impulso no movimento para a independência. Os momentos musicais foram intercalados com a leitura de textos de escritores e poetas catalães, assim como vídeos com depoimentos de personalidades do mundo da cultura e da televisão, a apoiar o processo soberanista. A assistência dispôs de cartolinas vermelhas e amarelas com que decorou as bancadas do estádio e “construiu” um mosaico com a frase Freedom for Catalonia 2014, com o objectivo de pressionar a opinião pública internacional e ter apoios para a sua ambição independentista. À volta do estádio, segundo referiu a imprensa catalã, a venda de “produtos nacionalistas”, como bandeiras e camisolas, foi intensa, transformando o concerto numa grande festa. Muitos elementos dos órgãos do governo autónomo da Catalunha aderiram à iniciativa, embora tivesse havido declarações de grande prudência. A organização salientou que o concerto foi apenas mais um passo no processo libertador da Catalunha que aspira à realização de um referendo, mas que deseja uma transição pacífica e feliz, bem como a manutenção de laços de fraternidade com os povos vizinhos. Os tempos não estão fáceis para ninguém e os catalães também percebem isso.

O futebol é mesmo uma festa!

No mítico Estádio do Maracanã da cidade do Rio de Janeiro, disputa-se hoje a final da Taça das Confederações, em que se defrontam as selecções do Brasil e da Espanha. Até há poucos anos a hegemonia mundial do futebol era brasileira, mas nos últimos anos essa hegemonia deslocou-se para Espanha, cuja selecção é a actual campeã europeia e mundial.
Estamos a um ano da realização do próximo Campeonato do Mundo e o jogo de hoje, entre a selecção do país organizador e a selecção campeã mundial, apresenta-se como uma antevisão do que acontecerá em 2014. Era a final esperada e ambas as equipas lá chegaram sem terem sido derrotadas. O jogo começará às 23.00 horas de Lisboa e lá estarão Neymar e Iniesta, Xavi e Hulk, entre tantas outras estrelas do futebol mundial, num espectáculo que promete pela ambiência, pela incerteza e pela qualidade. A dirigir a equipa brasileira estará o nosso bem conhecido Luís Filipe Scolari, um homem que à sua maneira deu um importante contributo ao futebol português.
Todo o mundo está atento a este jogo e até na Índia, onde o futebol ainda não entusiasma multidões, o jornal Ananda Bazar Patrika ou আনন্দবাজার পত্রিকা (se o escrevermos em bengali) que se publica em Calcutta, chama à sua primeira página o jogo que hoje se disputa no Maracanã e as fotos de Neymar e de Iniesta.
O futebol é mesmo uma festa!
 

sábado, 29 de junho de 2013

A ridícula solidariedade europeia

A Comissão Europeia anunciou recentemente um programa de apoio ao desemprego jovem cujo montante poderá atingir os 8 mil milhões de euros, o que significa que os cerca de 5,7 milhões de jovens desempregados com menos de 25 anos que vivem na União Europeia, poderão vir a beneficiar de um apoio de cerca de 1400 euros cada um. O problema que a Comissão tão tardiamente reconhece é sério, pois a Europa corre o risco de ter uma geração perdida de jovens desempregados e há muitas vozes que entendem que estas medidas não são suficientes para inverter a situação.
O jornal i analisa hoje esta questão e recorda que em Agosto de 2012, num artigo publicado em jornais de toda a Europa, Durão Barroso calculara que o total de ajudas da Comissão Europeia à banca atingira 4,5 biliões de euros, isto é, cerca de 28 vezes o PIB português. Disse Barroso nesse artigo que “temos de acabar com o círculo vicioso no qual o dinheiro dos contribuintes - mais de 4,5 biliões de euros até agora - é utilizado para resgatar bancos”. Em síntese, o combate ao drama de quase 6 milhões de jovens sem emprego na Europa vai ser feito com uma verba que equivale a 0,177% do total de ajudas concedidas à banca até Agosto de 2012. Por cá, onde já foram injectados 6 mil milhões na banca, talvez possamos receber 150 milhões de euros para apoiar os jovens desempregados. Toda esta “solidariedade europeia” parece ridícula.

Tour de France: la 100ème édition

Começa hoje na Córsega a 100ª edição da Volta à França, a prova desportiva que mais entusiasma os franceses e que é, também, a prova de ciclismo mais importante de todas quantas se realizam no mundo. Este ano a prova terá 21 etapas e, para além dos dois contra-relógios individuais, contará com muitas etapas de montanha, quer nos Pirinéus, quer nos Alpes. Terminará em Paris no dia 21 de Julho e, pela primeira vez, a etapa final terminará ao pôr do sol, com a cidade de Paris já iluminada, para assinalar e dar brilho à 100ª edição deste grande acontecimento desportivo.
A corrida será disputada por 198 ciclistas de 22 equipas e conta com dois portugueses no pelotão: Rui Costa (dorsal 124) que ainda recentemente venceu a Volta à Suiça, e Sérgio Paulinho (dorsal 96) que em 2004 conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas.
Diariamente e a partir das 13.30 horas, a RTP2 acompanhará a corrida em directo, devendo notar-se que para além da sua vertente desportiva, a reportagem é sempre um cartaz turístico de excelência pela beleza e espectacularidade das imagens que divulga. A não perder, como se diz lá pelas estações televisivas.
 

Festival ao Largo 2013

No espaço fronteiro ao Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, vai realizar-se pelo quinto ano consecutivo, 0 Festival ao Largo 2013 dedicado à música sinfónica, ao teatro e ao bailado, no qual músicos, bailarinos, maestros e coreógrafos de renome nacional e internacional, proporcionarão ao público vários espectáculos ao ar livre e sempre de entrada gratuita. Este ano, certamente por dificuldades orçamentais, o Festival incluirá apenas onze espectáculos, que serão apresentados apenas às sextas-feiras e aos sábados, mas sempre às 22.00 horas.
O Festival ao Largo 2013 começou exactamente ontem e vai estender-se até ao dia 28 de Julho.  O programa que está a ser divulgado apresenta uma oferta suficientemente variada, que inclui apresentações da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do TNSC, para além da Companhia Nacional de Bailado.
O local é particularmente adequado para a realização de um festival deste tipo pelo seu enquadramento arquitectónico e constitui uma boa oportunidade para atrair público àquela zona da cidade. Tem sido assim todos os anos, embora as condições oferecidas aos espectadores não sejam muito confortáveis. Por isso, ou se vai cedo e se encontra um dos poucos lugares sentados ou, em alternativa, se assiste de longe, de pé e com pouca visibilidade.  Contudo, nas noites quentes de Julho que se avizinham, o Festival ao Largo é uma excelente proposta cultural. Se ainda não assistiu, experimente!

 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uns são filhos e outros são enteados

A tenista portuguesa Michelle Brito derrotou a campeoníssima russa Maria Sharapova na primeira ronda do quadro principal do Torneio de Wimbledon. Antes desse encontro, era impensável este desfecho: a tenista portuguesa figurava no 131.º lugar do ranking mundial e iria ter uma luta desigual com a tenista que ocupa o 3º lugar do ranking mundial e que é uma das raras tenistas que já ganharam os quatro torneios do Grand Slam. Por isso, foi realmente um êxito desportivo invulgar e prestigiante, pelo que Michele Brito fez história no ténis português. Michele nasceu em Lisboa e tem 20 anos de idade, mas desde os nove anos que vive nos Estados Unidos com a família, exactamente para frequentar a Nick Bollettieri Tennis Academy, na Florida. 

Uns dias antes, o remador Pedro Fraga, natural e residente em Paranhos, conquistou a prova de skiff da Taça do Mundo de remo disputada em Elton Dorney, também na Inglaterra. Foi o primeiro título mundial para o remo português. Fraga é um atleta amador, mas já tem um palmarés desportivo notável. Antes remou em double scull em parceria com Nuno Mendes e obtivera um 5º lugar nos Jogos Olímpicos de 2012, uma medalha de prata nos Europeus de 2012 e 2010 e uma medalha de bronze em 2011. Este ano passou para o skiff e já ganhara a medalha de prata nos Europeus de Sevilha. 

Os jornais portugueses, generalistas ou desportivos, destacaram e quase todos "puxaram" a fotografia da tenista para a sua primeira página e até A Bola, por uma vez se esqueceu do futebol. Porém, nenhum deles se interessou pelo nosso campeão mundial de remo. Para os nossos jornalistas, há desportistas que são filhos e outros que são enteados ou, então, dão as notícias em função dos seus interesses pessoais. Como é diferente viver na Florida ou viver em Paranhos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

A nossa governação é uma triste sina

A crise que nos afectava em 2011 e que levou ao memorando de entendimento com a troika por vontade de quem chumbou o PEC 4, aprofundou-se nos dois últimos anos. Os portugueses empobreceram, perderam o emprego ou emigraram, enquanto o Estado aumentou a sua dívida e o seu défice. A economia regrediu, aumentaram as falências, a procura interna reduziu-se e não há investimento... apesar de não ter chovido. As cidades e as ruas estão a tornar-se desertas e os espaços vazios para vender e para alugar multiplicam-se. A insegurança é cada dia maior e existe uma ameaça de ruptura social. O desespero e até a fome entraram na vida de muita gente.
Porém, estes resultados têm responsáveis.
Durante dois anos fomos enganados e o poder produziu um discurso mentiroso, arrogante e de grande insensilidade social. Não estudaram. Não se prepararam. Tinham uma ambição desmedida. Diziam que não haveria cortes nos subsídios nem nas pensões e mentiram. Diziam que não subiriam impostos e mentiram. Diziam que nunca se desculpariam com o passado e mentiram. Diziam que não pediriam mais tempo nem mais dinheiro e mentiram. Ouvi-los, ou vê-los rodeados de guarda-costas, é um exercício confrangedor.
É verdade que os tempos são difíceis, mas foram eles que semearam ventos e se deixaram humilhar pela troika. A Espanha não foi nisso. Agora, vivem isolados numa espécie de condomínio de luxo, onde não faltam os carros topo de gama, os assessores, as viagens e os guarda-costas, como se viu naquele triste passeio a Alcobaça, em jeito de piquenique. Agora descobrem-se as verdades e cada vez é mais evidente que o caminho tão servilmente percorrido tem sido errado e tem servido para alimentar os especuladores que têm enriquecido com as nossas desgraças. Já ninguém acredita neste caminho errado, nem em quem nos conduz. Não acredita a oposição, nem acreditam os senadores do partido, nem os amigos da coligação, nem os patrões, nem os sindicatos. Agora nem o FMI acredita. É uma triste sina a nossa.