sexta-feira, 11 de março de 2011

Património lusófono

A Sociedade Histórica da Independência de Portugal organizou um ciclo de conferências intitulado “Pensar Portugal”.
No dia 9 de Março, o conferencista foi o Dr. João Loureiro, magistrado jubilado, gestor e conhecedor profundo do tema, que falou sobre “Portugal e as suas relações com os países da CPLP”.
O conferencista focalizou a sua intervenção nas relações dos países africanos de língua oficial portuguesa, no passado comum, na importância da língua portuguesa e na necessidade de ser preservado o património de origem portuguesa existente nesses países. Apoiado em elucidativas imagens, o Dr. João Loureiro defendeu a ideia de património lusófono e a institucionalização do estatuto de Património Cultural da CPLP, tendo lembrado alguns locais que mereceriam esse estatuto, nomeadamente os centros históricos da vila do Ibo (Moçambique) e da cidade de Bolama (Guiné-Bissau).
Uma ideia a desenvolver.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ruptura ou convergência?

O Presidente da República, eleito nas eleições realizadas no dia 23 de Janeiro, tomou posse no dia 9 de Março e, naturalmente, os jornais do dia seguinte destacaram esse acontecimento.
Na cerimónia da posse presidencial, o chamado discurso da posse é, porventura, um dos actos mais simbólicos e é sempre aguardado com muita expectativa. Desta vez não foi excepção, porque o país vive uma grave crise económica e financeira, está com um elevado nível de desemprego, tem baixos índices de poupança e de investimento, suporta os vícios consumistas da sociedade e dos poderes políticos e tem um governo minoritário muito desgastado.
O discurso da posse correspondeu à generalidade das expectativas e retrata bem “ao que isto chegou”, mas causa espanto verificar como o Presidente sacudiu a água do capote, como se não tivesse sido Ministro das Finanças, depois 1º Ministro durante dez anos e Presidente da República desde 2006.
Mas o discurso tem lacunas, como por exemplo a ausência de referências ao contexto de crise internacional, além de incluir mensagens um pouco enigmáticas, como aquela do esforço colectivo, ou da resposta verdadeiramente colectiva ou do alargado consenso político e social. Uma das mais destacadas ideias da mensagem presidencial é o apelo a um sobressalto cívico, que é uma ideia bonita mas perigosa, vinda sobretudo de quem tem o dever de unir e de reforçar a coesão nacional.
O Presidente disse, ainda, que "Portugal está hoje submetido a uma tenaz orçamental e financeira – o orçamento apertando do lado da procura e o crédito apertando do lado da oferta". A anunciada viagem presidencial a Timor-Leste, Indonésia e Tailândia, com as alargadas comitivas do costume, não contribuem para aliviar a pressão dessa tenaz e não são um bom exemplo para um país que "vive uma situação de emergência económica e financeira".
Em síntese, os jornais falaram em ruptura, mas o discurso também tem sinais de convergência. Provavelmente, uma vez mais, cada um vai pensar em si e poucos vão pensar no país.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Não há dificuldades, há desafios.

Os últimos tempos têm sido financeiramente muito difíceis para Portugal e para a banca. Depois das crises do BPN e do BPP, circularam rumores de falência do Millennium BCP e, além disso, o banco ainda enfrentou questões de credibilidade e reputação.
Nestas circunstâncias de crise, o banco decidiu promover uma campanha publicitária para recuperar os graus de confiança pública e, em especial dos seus clientes, de modo a assegurar que continuem a preferir os seus serviços.
Os bancos costumam apoiar as suas campanhas publicitárias em rostos de referência e de grande notoriedade pública, pelo que o Millennium BCP escolheu o potencial mediático de José Mourinho, recentemente eleito pela FIFA como o melhor treinador de futebol do mundo, porque o público tende a associar os seus méritos aos da empresa anunciante.
Mourinho já antes tinha promovido o BPI com a frase “se não fosse para ganhar, eu não estaria aqui”. Agora, aquele que diz ” eu não sou o melhor, mas ninguém é melhor do que eu ”, empresta ao Millennium BCP mais uma frase emblemática: “para mim não há dificuldades, há desafios”.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Um rottweiler à solta.

Um cromo verdadeiramente internacional, que viaja, viaja, viaja…
Desde a infância que sonhava com viagens, muitas viagens em executiva, com muitas mordomias e salamaleques, sempre a acumular pontos e a ganhar o estatuto de frequent flyer.
Na sua passagem pela Indonésia ganhou um elevado capital de simpatia, mas optou por desbaratá-lo pela natureza das causas que tem apoiado e pela agressividade das suas desbocadas intervenções.
Uma espécie de Passionaria, mas com tiques demasiado burgueses.
Entrou na política partidária e foi logo para Bruxelas. Depois, convenceu-se e quis governar Sintra, mas tramou-se porque os sintrenses não lhe aturaram os disparates. Continuou instalada em Bruxelas, atacando os seus próprios companheiros de partido. O Parlamento Europeu tem-lhe permitido os protagonismos de que tanto gosta, com algumas comissões e muitas viagens.
Dela disseram, ser pior que um rottweiler à solta. Lá sabem porquê.

A correr e a saltar

Nos Campeonatos Europeus de Atletismo em Pista Coberta realizados em Paris entre os dias 4 e 6 de Março, os participantes portugueses alcançaram uma medalha de ouro (Francis Obikwelu) e uma medalha de prata (Naide Gomes).
Entre participantes de 32 países, os resultados dos atletas portugueses colocaram-se no 9º lugar no ranking das medalhas e em 11º lugar no ranking dos pontos, o que constitui um resultado desportivamente muito positivo e merecedor de elogios, até porque é uma consequência de muito trabalho e aturado treino.
Numa época em que na Europa se olha para Portugal devido sobretudo ao seu défice orçamental, dívida externa e taxa de desemprego, não deixa de ser estimulante verificar que ainda há matérias em que somos falados por boas razões.

domingo, 6 de março de 2011

Tachos dourados

As embaixadas portuguesas têm mais de 100 conselheiros e adidos técnicos nomeados politicamente. Ganham salários milionários, são equiparados a diplomatas e estão concentrados em capitais como Madrid, Washington, Londres ou Bruxelas. Aqui, no centro político da Europa, atropelam-se. São os boys e as girls do Centrão & Companhia.
Frequentemente, os cargos não se justificam e o processo de selecção e nomeação deste pessoal caracteriza-se por uma absoluta falta de transparência. Os responsáveis justificam estas nomeações através do critério da confiança política e, por isso, aos nomeados não é exigível qualidade, formação adequada ou sequer a noção do que é o serviço do Estado. E lá vão. Às vezes até cumprem. Além do salário-base tributável, recebem subsídio de representação, subsídio de habitação e outros abonos mensais por cônjuge e filhos. São entre 10 a 15 mil euros mensais. Bem bom!
Alguns deles são conhecidos e saberão do seu ofício, como Carneiro Jacinto, Maria Elisa ou Carlos Fino, mas há muitas dezenas deles que são apenas filhos, primos ou afilhados de alguém. São clientelismos mais discretos do que aqueles que temos intra-muros, mas que são verdadeiros tachos dourados. Assim, não vamos longe, porque estes abutres não deixam.

209 mil euros a voar!

A edição de hoje do Público destaca uma notícia na capa com o título: “Estado paga 209 mil euros a grupo de trabalho que só fez uma reunião”.
Este grupo foi criado para fazer um levantamento exaustivo do património cultural imaterial português e era constituído por 5 pessoas, supostamente muito competentes na matéria.
O grupo foi agora extinto e, na sua efémera existência de menos de 14 meses, custou 209 mil euros ao erário público, que resultaram, por exemplo, do pagamento aos seus membros de uma remuneração mensal de 2613 euros, paga 14 vezes por ano.
O Ministério da Cultura justifica a extinção do grupo por razões de improdutividade dos membros do grupo, mas estes acusam o Instituto dos Museus e Conservação por não lhes ter proporcionado as condições indispensáveis ao funcionamento do grupo. É o costume: tudo a sacudir a água do capote e sem que sejam apuradas responsabilidades.
E lá se foram mais 209 mil euros dos nossos impostos!

sábado, 5 de março de 2011

Reabilitação urbana

A cidade de Lisboa é uma das mais belas cidades europeias, devido às suas características físicas, nomeadamente as suas peculiares sete colinas, a extensa frente ribeirinha do Tejo e a sua imponente luminosidade crepuscular, mas também pelas suas raízes históricas, as suas tradições e festividades, os bairros e as marchas populares, o cheiro da castanha assada e da sardinha, as olaias e os jacarandás, os seus miradouros e o seu património construído.
Os visitantes gostam da cidade e da sua gastronomia, dos pequenos jardins de bairro e do empedrado das calçadas, das ruas estreitas e das casas de fado, dos pastéis de Belém, do cais das Colunas e da costa do Castelo.
Porém, há uma evidente decadência patrimonial da cidade, com muitas centenas de belos edifícios desocupados e em eminente risco de derrocada que, estética e quotidianamente, magoam e entristecem os lisboetas.
A reabilitação urbana e patrimonial da cidade de Lisboa é actualmente uma imperiosa necessidade. Há que encontrar soluções urgentes e desburocratizadas para esta situação, através de intervenções coercivas ou não, com modelos de financiamento adequados e com mais ou menos incentivos. A Câmara Municipal tem, naturalmente, uma enorme responsabilidade mobilizadora e anti-especulativa nesta matéria. A reabilitação urbana e patrimonial criará muitos postos de trabalho e contribuirá para a dinamização da economia e, com ela, a cidade atenuará a actual tendência de desertificação e adquirirá um renovado dinamismo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O novo pré-pago da TMN

Um anúncio da TMN chamou-me a atenção, isto é, cumpriu o primeiro passo do processo de comunicação publicitária - chamar a atenção. Provavelmente, em relação a mim, o anúncio não cumprirá os passos seguintes: despertar o interesse, criar o desejo e conduzir à aquisição do bem ou do serviço anunciado.
A publicidade faz parte da vida contemporânea e o elemento essencial da comunicação publicitária é a mensagem.
É habitual afirmar-se que "a publicidade faz a diferença" e que, dentro de certos limites, é a mensagem publicitária e não a qualidade, utilidade ou o preço do produto ou serviço, que determinam as preferências dos consumidores. Nessas condições, cada mensagem publicitária ou cada anúncio tem uma função social e é, também, um exercício de imaginação e de criatividade para atrair o público.
Neste caso, para atrair clientes para um novo produto ou para fidelizar os actuais, a TMN decidiu associar os nomes de dois dirigentes desportivos rivais, o que nesta altura é uma improbabilidade ou mesmo um paradoxo. Mas, na publicidade, os paradoxos por vezes funcionam.

terça-feira, 1 de março de 2011

A festa do cinema

Através de um interessante trabalho publicado pelo Diário de Notícias, ficamos a saber que o Estado paga uma média de 36 euros por cada espectador que vê um filme português.
O apoio ao cinema é um elemento essencial da política cultural do Estado, sobretudo porque se trata de uma arte que não mobiliza receitas suficientes, como sucede em geral com as artes performativas. Porém, o que se passa com o cinema português ultrapassa as regras do bom senso e da boa gestão dos dinheiros públicos. Um único filme realizado por Edgar Feldman recebeu quase 450 mil euros e teve 78 espectadores, enquanto um trabalho de Paulo Rocha teve um apoio de 648 mil euros e foi visto por 527 pessoas! O realizador Fernando Lopes recebeu mais de dois milhões de euros para fazer três filmes, que foram vistos por 14 877 pessoas, o que significa que o Estado pagou 147 euros por cada espectador.
O mundo do cinema e da crítica cinematográfica é demasiado opaco para os cidadãos comuns e, por isso, esta revelação vem mostrar como é escandalosa a afectação de dinheiros públicos ao cinema, além de mostrar, também, que os jornalistas e os críticos preferem bajular-se ao chamado cinema de autor, do que denunciar esta escandalosa realidade.
Assim, ficamos a saber que a festa do cinema não é a distribuição dos Óscares em Hollywood. A festa do cinema é aqui e, esta gente, faz a festa, lança os foguetes e ainda apanha as caninhas. Nós pagamos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sem dinheiro, não apago mais!

Este cromo parece que veio dos bombeiros de Agualva – Cacém e, no ano de 2000, tornou-se presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. Só lhe falta montar um elefante para se parecer com um general cartaginês a comandar, a passar revista aos seus bombeiros, a mandar vir, a levar-se a sério.
Todos os anos, encosta-se ao drama dos incêndios florestais e entra-nos em casa através da televisão, com um discurso reivindicativo, arrogante e de constante exigência, quase de chantagem – ou me dão mais dinheiro ou não apago os fogos!
Um serviço à comunidade? A tradição já não é o que era! O homem quer financiamento, quer dinheiro, quer apoio estatal, mas recusa ser subalterno dos poderes públicos no sistema de protecção civil. Quer mandar e quer facturar no transporte de doentes e adoentados - milhares de quilómetros, milhares de horas de espera, milhares em gasolinas, milhares em tudo… Não sei quantos milhões recebem os muitos milhares de bombeiros e as suas corporações. Era bom que se soubesse exactamente quanto recebem e que se esclarecesse como é distribuído esse dinheiro. É que onde há fogo, também há muito fumo. Talvez devesse ser esse um dos papéis da Liga dos Bombeiros e do seu presidente: servirem e não servirem-se.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

WikiLeaks on Portugal

Através do Expresso tivemos acesso a alguns dos milhares de telegramas confidenciais americanos de que a WikiLeaks dispõe, dos quais 722 são relacionados com Portugal.
Mais do que a revelação de factos surpreendentes ou desconhecidos, a iniciativa do Expresso é uma operação de marketing jornalístico que, em estilo de folhetim semanal, se destina a alimentar a curiosidade do público e, naturalmente, a vender jornais.
O primeiro episódio incide sobre armamento e revela que um bom empresário em Silicon Valley não é necessariamente um bom embaixador, o que não é abonatório da Administração Obama e da política externa americana. O embaixador parece alguém que veio passear a Lisboa e que decidiu fazer uma crónica aligeirada de viagens, pela forma pouco rigorosa como opina sobre o nosso país e as suas opções soberanas.
Ao criticar as compras militares, que diz parecerem ser guiadas pelo desejo de ter brinquedos caros e inúteis, o embaixador ignora que são os EUA que pressionam os seus aliados para se armarem e muitas vezes lhes vendem equipamento. Como sempre se viu e agora se vê no Iraque e no Afeganistão. A opção por submarinos alemães e por fragatas holandesas, é criticada porque, certamente, o embaixador gostaria que fossem de origem americana.
E é tudo, mais ou menos assim, sem revelações surpreendentes. Veremos se nos próximos episódios deste folhetim teremos algumas novidades.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Os salários da RTP

A edição de hoje do Correio da Manhã destaca na sua primeira página os “salários milionários na RTP”, assinalando que o seu quadro de funcionários mostra que 64 profissionais têm vencimentos acima de cinco mil euros, além de vários tipos de subsídios. Engordam à nossa custa! Vários funcionários recebem remunerações com cinco dígitos e as chamadas "estrelas" com contratos de prestação de serviços, apresentam mensalmente uma factura de algumas dezenas de milhares de euros.
Há dias, a revista "Sábado" informava que na RTP “há 66 carros da empresa, de alta cilindrada (Audis), atribuídos a directores, subdirectores e assessores”.
A RTP recebe cerca de 400 milhões de euros de indemnizações compensatórias e taxa do audiovisual. São pagos por nós! O serviço produzido que nos é apresentado, onde se incluem as foleiradas que são a “Praça da Alegria”, o “Portugal no Coração”, o “Preço Certo” e “Quem quer Milionário”, é chocantemente medíocre, por vezes boçal e objectivamente embrutecedor. Acho mesmo que a RTP tem largas responsabilidades no retrocesso global por que passa a sociedade portuguesa.
A RTP vive num regabofe e foi tomada de assalto por gente pouco recomendável. É uma indignidade. Fechem-na depressa. Não precisamos dela para nada.

Primitivos Portugueses

O Museu Nacional de Arte Antiga apresentou a exposição Primitivos Portugueses (1450-1550) - O Século de Nuno Gonçalves, que reuniu e colocou em confronto mais de 160 pinturas portuguesas dos séculos XV e XVI, provenientes de colecções públicas e privadas, onde se incluíam importantes obras de museus de Itália, França, Bélgica e Polónia.
A exposição assinala o centenário da primeira apresentação pública dos Painéis de S. Vicente, realizada em 1910, que desde então passaram a constituir, nacional e internacionalmente, a obra “fundadora” e mais célebre da arte da pintura em Portugal. Além disso, a exposição procura documentar as noções de “originalidade artística” e de “identidade nacional”, tradicionalmente associadas ao brilhante ciclo criativo dos "Primitivos Portugueses", iniciado por Nuno Gonçalves e depois prosseguido e consolidado por outros pintores da primeira metade do século XVI. A dimensão e o conteúdo da exposição legitima a existência de uma escola portuguesa desde meados do século XV, independente das escolas flamenga e castelhana que lhe são posteriores, a que por vezes tem sido associada.
Esta exposição foi, seguramente, um importante e erudito evento cultural que o MNAA ofereceu ao público de Lisboa.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um dirigente que alterna

Na minha galeria de cromos apresento hoje alguém cuja profissão se desconhece, mas que umas vezes actua como dirigente sindical e outras vezes como dirigente partidário, isto é, alterna.
A lusitana apetência por poleiro e este duplo poleiro dão-lhe uma importância televisiva, mas cria-lhe um grande problema.
- Como dirigente partidário obedece ao seu partido, que aprova o Orçamento do Estado, que exige reformas, emagrecimento da despesa e sempre muitos cortes e mais cortes.
- Como dirigente sindical da Função Pública opõe-se e combate toda a espécie de reformas, rejeita todos os cortes e exige sempre mais direitos e mais regalias.
Com este gosto para montar dois cavalinhos, o nosso cromo vive no meio deste paradoxo. Que vida difícil!
Porém, tem sobrevivido a esta já tão longa duplicidade de vida a alternar. Com o seu estilo habitual de professor de ciências ocultas, com tiques elitistas e sobranceiros, il Duce ou il condottiero utiliza sempre um discurso redondo para falar sem nada dizer, para empatar o jogo, para ocupar o terreno ou para mastigar sem engolir. Quando abre a boca, já se sabe que não pensa. Canta. Discursa. Os seus sindicalizados são um mero instrumento que usa para se colar ao seu partido e atacar o partido rival.