sexta-feira, 6 de maio de 2011

O português em Macau

A língua portuguesa é uma das línguas mais faladas no mundo e, nos diversos rankings que algumas organizações nos propõem, elaborados segundo diferentes critérios, aparece situada entre o 5º e o 8º lugar, com mais de 200 milhões de falantes.
Alguns deles residem em Macau. Macau é uma região administrativa especial da República Popular da China e, por motivos históricos e políticos, o português é uma das línguas oficiais do território. Porém, nem agora nem antes, quando Macau foi administrado por Portugal, o português foi a língua franca do território. Por isso, a existência de três jornais macaenses em português – Hoje Macau, Jornal Tribuna de Macau e O Clarim - constitui uma relevante singularidade.
O número de falantes de português em Macau não justifica que, económica ou socialmente, existam jornais em português, pelo que a existência desses jornais resulta apenas de uma opção firmada em valores simbólicos e culturais. Essa é, seguramente, a motivação dos seus proprietários.
O Centro Histórico de Macau e o seu património de origem portuguesa foram classificados pela UNESCO em 2005, mas a existência de jornais portugueses, provavelmente sem quaisquer apoios oficiais, também contribui para valorizar a herança cultural portuguesa em Macau.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A espantosa tecnologia

No dia 1 de junho de 2009 desapareceu no oceano Atlântico, com 228 pessoas a bordo, um Airbus que fazia o voo AF 447 entre o Rio de Janeiro e Paris.
O desaparecimento do avião esteve envolto em algum mistério, até que foram descobertos alguns corpos e alguns dos seus destroços. Apesar de ter ficado confirmada a catástrofe, as autoridades francesas e brasileiras não desistiram de procurar o esclarecimento sobre o que se passara. A busca das famosas caixas negras passou a ser o objectivo de todas as operações que a partir de então se desenvolveram para compreender a origem da catástrofe. Foi longa e persistente a busca. O tema desapareceu dos jornais. A opinião pública esqueceu o assunto.
Até que, finalmente, nos princípios de Abril de 2011 foram localizados com precisão os destroços do avião, identificadas as partes da fuselagem e encontrados os corpos de alguns passageiros. Após cerca de 23 meses submersas a cerca de 4 mil metros de profundidade, as duas caixas negras foram localizadas e recuperadas por um ROV (Remotely Operated Vehicle), operando a partir de um navio francês. As buscas dos destroços do AF 447 e a recuperação das caixas negras terão custado cerca de 35 milhões de euros aos cofres franceses, mas é uma vitória da tecnologia e da persistência.
A tecnologia do ROV não é recente, está disponível em Portugal e em 1991 localizou o navio Bolama, afundado a 116 metros de profundidade nas proximidades da barra de Lisboa. Porém, no caso do AF 447 eram 4 mil metros de profundidade em local incerto do oceano Atlântico. Como é espantosa a tecnologia!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fumo branco?

Depois de cerca de três semanas de negociações com o Governo, a troika (FMI, BCE e UE) concluiu o seu plano de ajuda a Portugal, que a edição do Diário Económico hoje divulga.
Coube ao 1º Ministro anunciar algumas das orientações desse plano, enfatizando os seus aspectos menos gravosos para serenar os espíritos mais assustados e considerando-o “um bom acordo”. Depois surgiram os comentários, uns de crítica e outros de aplauso, embora muitos deles fossem demasiado influenciados pela próxima campanha eleitoral. Levantaram-se vozes reclamando vitória própria e derrota do rival. A triste cena do costume.
O plano apresentado é duro e resulta do excessivo endividamento do Estado e da economia portuguesa. Tecnicamente há-de procurar o aumento das receitas e a redução das despesas, perseguindo outros objectivos como a limitação dos efeitos recessivos na economia, o aumento do emprego, a melhoria do investimento e das exportações, a coesão social, etc.
Porém, é evidente que Portugal não vai produzir nos próximos anos a riqueza suficiente para pagar a sua dívida, porque o sistema produtivo está debilitado e a economia é altamente dependente do exterior, sobretudo nos planos energético e alimentar. As pessoas acreditaram no dinheiro fácil e nas facilidades. O Estado e as Famílias gastaram demais. Quiseram tudo e já. E não vai continuar a ser assim.
Agora há que responder à crise e mudar de vida e, tão importante como determinar onde se corta ou onde se estica, onde se poupa ou onde se investe, quem tem mais ou tem menos culpa, é indispensável uma mudança de mentalidade dos portugueses, sobretudo dos que nos governam e nos dirigem.
Precisamos dos bons exemplos que tanta falta nos têm feito.

terça-feira, 3 de maio de 2011

À grande e à francesa

Na passada semana (dias 29 e 30 de Abril) ocorreu o casamento do neto da Rainha da Inglaterra (em Londres) e a beatificação do Papa João Paulo II (em Roma).
Foram dois acontecimentos que interessaram muitos milhões de pessoas em todo o mundo e que, naturalmente, também foram acompanhados em Portugal.
Por isso, as televisões portuguesas decidiram inclui-los nas suas programações, afectando-lhe muitas horas de antena e muitos comentários.
O país foi “convidado” a acompanhar o “casamento do século” e a “beatificação da década”.
Não surpreende que tivesse sido assim, porque a lógica televisiva passa por esse tipo de acontecimentos/espectáculos. O que surpreendeu foi a quantidade de jornalistas e repórteres que as televisões portuguesas decidiram deslocar para essas duas cidades, o que representa uma assinalável despesa mas que revela uma virtual saúde financeira das empresas, que contrasta com a debilidade do país. Não era necessária a mobilização de tanta gente. Custa muito dinheiro. O dever de informar não se pode sobrepor a tudo. Quem não tem dinheiro não pode ter vícios. No caso da RTP ficamos espantados com estes excessos e estas passeatas, a que ninguém põe cobro.
Mas não ficamos por aqui. No dia 2 de Maio, poucas horas depois do anúncio da morte de Osama Bin Laden, lá estavam dois (bons) jornalistas da RTP em Nova York a fazer reportagem.
Londres, Roma, Nova York… enquanto uns apertam o cinto, outros vivem à grande e à francesa. Por mim, basta!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Estado desperdiça milhões

A edição de hoje do Correio da Manhã chama a atenção para as ajudas de milhões que o Estado desperdiça. Trata-se de uma notícia cuja fonte é a website da Inspecção-Geral de Finanças, que divulga os nomes e os montantes das subvenções atribuídas pelo Estado em 2010.
Essas subvenções resultam da incumbência constitucional do Estado em promover o bem-estar social e económico das populações, em especial dos mais desfavorecidos, de forma a assegurar a coesão regional, económica e social.
A lista das entidades subvencionadas estende-se por 142 páginas!!!!
É um rol impressionante de entidades e pessoas, ficando-se com a ideia que, com os nossos impostos, o Estado “dá tudo a todos” ou que, como caricaturou Raphael Bordallo Pinheiro, o Estado é cada vez mais a porca em que todos procuram mamar.
Não é fácil ajuizar da justificação destes milhares de subvenções que, aparentemente, beneficiam tudo e todos, mesmo alguns que não se esperaria e que nem delas necessitariam – Fundação Calouste Gulbenkian, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Sindicatos dos Bancários, CTT, Diário de Notícias, Automóvel Clube de Portugal, Associação Portuguesa de Bancos, Colecção Berardo, João Lagos Sport, Inatel, Parque Expo, Refer, Toyota, Easy Jet e muitas empresas, universidades, fundações, bombeiros, associações de todo o tipo, bolseiros, etc, etc.
Vale a pena fazer uma leitura das referidas 142 páginas, que ora nos chocam, ora nos fazer sorrir à gargalhada. De facto, mais do que a suposta defesa da coesão social, qoe seria altamente louvável, aquele rol mostra a dimensão do esbanjamento sem regra a que temos sido conduzidos.

Museu Berardo

Todos os anos o The Art Newspaper, uma publicação internacional especializada em arte contemporânea, apresenta a lista dos museus mais visitados do mundo. Este ano, a lista foi divulgada na edição 223 (Abril de 2011) e o Museu Colecção Berardo ocupa o 50.º lugar na lista dos cem museus mais visitados do mundo em 2010.
A lista é liderada pelo Musée du Louvre (com 8,5 milhões de visitantes), seguindo-se-lhe o British Museum (5,8 milhões), o Metropolitan Museum of Art (5,2 milhões), o Tate Modern (5 milhões) e a National Gallery (4,9 milhões), o que significa que três dos cinco museus mais visitados do mundo se localizam em Londres.
Nos cinquenta museus mais visitados do mundo encontram-se 11 museus ingleses, 10 museus americanos, 4 museus australianos e três museus em França, Itália, Espanha, Rússia e Alemanha.
Refere-se que o Museo del Prado e o Museo Reina Sofia, ambos situados em Madrid, figuram nessa lista em 11º e 15º lugares, respectivamente.
O Museu Berardo, que surge em 50.º lugar com 964.540 entradas, foi inaugurado em 2007 na sequência de um acordo entre o Estado português e o coleccionador madeirense Joe Berardo e está instalado no Centro Cultural de Belém.

sábado, 30 de abril de 2011

Até mesmo os Municípios

A edição de fim-de-semana do jornal i faz manchete, em destaque semelhante ao do casamento real do Reino Unido, com a seguinte notícia: “Câmaras municipais falidas. Salários dos trabalhadores em risco”.
Os Municípios têm uma grande tradição em Portugal. Foram inicialmente criados em 1822 e têm evoluído até aos nossos dias, quanto ao seu número, poderes e âmbito de intervenção. No regime democrático saído do 25 de Abril e como representantes do Poder Local, os 308 Municípios existentes em Portugal têm desempenhado um papel notável no apoio às populações, na revitalização urbana, na dinamização cultural e, muitas vezes, são apontados como símbolos de boa gestão, do progresso social e de consenso político. Porém, enquanto a maioria dos Municípios tem uma dimensão e uma gestão que lhes permite uma vida financeira equilibrada, há outros que têm dificuldades financeiras e estão em risco de ruptura, havendo a ameaça de não haver liquidez para pagar salários e fornecedores.
Só a análise, caso a caso, permite conhecer a realidade. No entanto, ao percorrermos o país, deparamo-nos com inúmeras situações nada abonatórias para os gestores municipais, em termos de despesismo e desperdício: o excesso de empresas municipais injustificadas, as obras de fachada, a desproporcionada dimensão de alguns equipamentos sociais, o excesso de funcionários e de assessores, a desnecessária burocracia, a suspeita de muita corrupção ou as dispendiosas festas de Verão. Tal como noutras dimensões da nossa vida pública, também alguns Municípios perderam a noção dos limites. Muitas vezes, em nome do interesse e da vaidade pessoal.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Culpas e culpados

A situação financeira por que passa o nosso país, resulta de uma componente pública (Estado) e de uma componente privada (Famílias e Empresas) e é um processo que, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, está entre nós há muitos, muitos anos.
Não é fácil identificar, com seriedade, os graus de culpa e os verdadeiros culpados por tão complexa e persistente situação.
O Orçamento do Estado sempre teve grandes dotações para pagamento de juros e amortizações (do lado da despesa) e sempre recorreu a operações de financiamento (do lado da receita), pelo que este desequilíbrio não é novo. É endémico e é estrutural.
O que é novo é a dimensão do problema e a forma como, no contexto da crise financeira internacional, se agravou nos últimos anos.
O despesismo do Estado já vem de trás, mas agravou-se com o deslumbramento e as mordomias dos agentes dos Estado, com as reivindicações corporativas e sindicais, com o clientelismo politico-partidário, com a corrupção, com a generalização das cunhas e com as políticas de obras públicas, caras e não necessárias.
O despesismo e o endividamento das Famílias têm sido incentivados e alimentados pelos Bancos de uma forma insensata, ao prometerem crédito para tudo – a compra de casa ou da segunda casa, a compra do carro de sonho, as férias exóticas para pagar mais tarde, o adiantamento do ordenado e a satisfação de todas exigências tecnológicas dos tempos modernos. Os cartões de crédito entravam na casa das pessoas e muitos perderam a noção dos limites.
Agora há que mudar de vida e regenerar o sistema. Neste quadro e com eleições à vista, eu não preciso de campanhas eleitorais.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Soluções à portuguesa

A Publicidade é um mundo de surpresas e de criatividade, que muitas vezes ultrapassa a compreensão do cidadão comum.
Assim sucede com a campanha publicitária promovida pelo famosíssimo Licor Beirão que foi distribuída por diferentes suportes - outdoors, mupis, televisão e internet – além de também incluir um concurso cujo prémio é um Porsche 924.
A marca decidiu contratar o ex-futebolista Paulo Futre para ser o rosto dessa campanha. As razões dessa escolha terão resultado das suas polémicas e hilariantes declarações numa conferência de imprensa realizada durante as eleições do Sporting Clube de Portugal, que se transformaram em motivo de chacota nacional.
A campanha procura aproveitar essa ridícula trapalhada a que Futre deu voz e rosto, com o objectivo de melhorar a notoriedade da marca e, eventualmente, o aumento das vendas do Licor Beirão. Porém, a mediocridade gráfica e a pobreza intelectual dos slogans, associada às “soluções à portuguesa” apresentadas, tornam esta campanha um exercício publicitário de alto risco. Ou não.
Eventualmente, o histórico Licor Beirão poderá ganhar notoriedade e poderá aumentar as suas vendas, mas não se livrará tão cedo desta “marca” popularunha.

Um bom exemplo

O Presidente da República decidiu convidar os seus antecessores para tomarem parte nas comemorações do 25 de Abril, que se realizaram no Palácio de Belém.
Foi uma ideia inovadora e louvável, porque a simples imagem conjunta dessas quatro personalidades, que a generalidade dos jornais reproduziu nas suas edições de hoje, é um bom exemplo de consenso e pode funcionar como inspiração para que os líderes políticos lhes sigam o caminho.
De facto, a complexa situação por que passamos, fez juntar quatro homens com estilos pessoais, perfis ideológicos e práticas políticas distintas que, nesta quase emergência nacional, ultrapassaram as suas próprias rivalidades e se uniram nas críticas à situação actual e nos apelos ao consenso.
Como titulava o jornal i, eles "pedem acordo urgente".
Nos discursos proferidos, os partidos e os seus dirigentes foram particularmente visados, mas os cidadãos e a sua falta de empenhamento na vida democrática também não foram poupados.
No entanto, o que vai ficar na memória dos portugueses não são os discursos, mas a fotografia conjunta do Presidente da República e dos seus antecessores, porque “uma imagem vale mais do que mil palavras”.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

José Afonso, o trovador da Liberdade

Coimbra – Largo da Sé Velha
O Largo da Sé Velha em Coimbra, assim baptizado por nela se encontrar a imponente Sé Velha, é circundado por diversos edifícios centenários, datados dos séculos XVII, XVIII e XIX.
Num desses edifícios estão dois fixados dois pequenos painéis de azulejos sobrepostos, um dos quais retrata José Afonso e outro regista que ele ali vivera, com as seguintes frases:

NESTA CASA VIVEU
O TROVADOR DA LIBERDADE
JOSÉ AFONSO (O ZECA)

O Largo da Sé Velha é, tradicionalmente, o local onde se realiza a serenata estudantil que marca o início das festas da Queima das Fitas e, através destes azulejos, passa a evocar a talentosa figura de José Afonso, que foi e continua a ser, o símbolo musical de uma geração e um dos mais celebrados ícones do 25 de Abril.
Os painéis foram colocados em 1987, ano da morte do poeta e cantor, pela Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril e o Largo da Sé Velha, que já era um sítio com História, foi enriquecido com esta evocação de José Afonso.

domingo, 24 de abril de 2011

Reinventemos o 25 de Abril!

Hoje evoco o dia 25 de Abril de 1974 e recordo com emoção um excerto do poema de Sophia de Mello Breyner, porventura um dos mais belos que aquele dia produziu:

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Passaram 37 anos e o país que hoje temos não é comparável ao que tínhamos em 1974. Não temos guerras. Temos liberdade. Vivemos muito melhor, sabemos muito mais e temos mais saúde. Por isso, viva o 25 de Abril!
Porém, neste percurso democrático por que temos caminhado e que transformou o país, acumularam-se muitos erros. As pessoas deslumbraram-se e muitas pensaram que o progresso era um facto natural e irreversível. Exigiram os seus direitos e esqueceram os seus deveres. Consumiram o que tinham e o que não tinham. Endividaram-se e não pouparam. Os partidos políticos não cumpriram com a sua missão de procurar o bem comum. Tornaram-se agências agregadoras de mediocridades e de clientelas. Muitos dirigentes em vez de servirem a coisa pública, serviram-se dela. A Escola tornou-se um emprego e a Justiça passou a ser uma corporação de interesses. Os servidores do Estado perderam a noção de serviço público. A coesão social está ameaçada. A corrupção alastra em todas as suas formas.
Neste quadro complexo, afirmava recentemente Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega do 25 de Abril, que “se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril”. Não concordo com ele. O 25 de Abril valeu a pena e eu continuo a orgulhar-me dele. Os portugueses merecem-no no seu significado “inteiro e limpo”. Há que denunciar e afastar os dirigentes medíocres, gananciosos e desonestos que, em nome do 25 de Abril, se instalaram nos diferentes estratos do poder nacional, regional e local. É preciso reinventar o 25 de Abril e recuperar os seus ideais.

sábado, 23 de abril de 2011

O judo lusitano vai bem e recomenda-se

Terminou hoje em Istambul o Campeonato Europeu de Judo na categoria de seniores, no qual participaram 422 atletas que representavam 45 países.
No quadro final dos resultados das 14 provas realizadas (masculinas e femininas), verifica-se que os atletas portugueses obtiveram um 1º lugar (João Pina) e dois 2º lugares (Telma Monteiro e Joana Ramos).
A consulta do habitual quadro de medalhas apresenta a França em 1º lugar (9 medalhas), a Rússia em 2º lugar (8 medalhas), a Hungria em 3º lugar e Portugal em 4º lugar (ambas com 3 medalhas).
Com participantes de 45 países o resultado desportivo obtido é verdadeiramente excepcional para o judo português, mostrando que há algumas matérias em que as coisas correm bem e se recomendam.
Assim acontecesse também com outras matérias como a gestão económica e social deste Reino e, especialmente, com a gestão orçamental.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A casa de Gago Coutinho

Lisboa – Calçada da Ajuda

No número 27 da Calçada da Ajuda, em Lisboa, situa-se a pequena casa onde nasceu o Almirante Gago Coutinho, conforme assinala uma lápide colocada sobre a respectiva porta de entrada:

CASA ONDE NASCEU EM 17 DE FEVEREIRO DE 1869
O VICE-ALMIRANTE CARLOS VIEGAS GAGO COUTINHO
NOTÁVEL AVIADOR, NAVEGADOR E GEÓGRAFO
QUE FEZ A NAVEGAÇÃO DA PRIMEIRA TRAVESSIA AÉREA
DO ATLÂNTICO SUL NO ANO DE 1922

O Almirante Gago Coutinho foi uma notável e multifacetada figura da Marinha Portuguesa e, juntamente com o Comandante Sacadura Cabral, participou na primeira viagem aérea Lisboa-Funchal (1921) e na primeira travessia aérea do Atlântico Sul (1922).
Antes, o Almirante Gago Coutinho tinha comandado navios da Armada, na Índia e em Timor, e tinha dirigido as missões científicas que procederam à delimitação de fronteiras em vários territórios ultramarinos, nomeadamente em Moçambique, Angola, S. Tomé e Príncipe e Timor, tendo para esse efeito estabelecido vértices geodésicos e determinado coordenadas com grande precisão para a época. Dedicou-se também à História da Náutica e foi uma figura popular, sobretudo no popular bairro da Madragoa, onde viveu durante cerca de setenta anos.
Faleceu em Lisboa no ano de 1959, com noventa anos de idade.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Adieu Paris

O cromo que hoje vos apresento talvez até seja um filósofo de mérito, mas nos últimos anos deslumbrou-se e o verniz estalou.
Começou como professor mas viu que só a política o poderia levar longe. Inscreveu-se, militou e chegou rapidamente a ministro, dando nas vistas pela sua evidente vaidade.
Tornou-se figura do jet set e veio a casar com uma famosa apresentadora de concursos televisivos, que também fazia programas culturais patrocinados pelo próprio Ministério.
Numa estratégia ascensional de auto-endeusamento imaginou-se à frente da autarquia lisboeta, apoiou-se na imagem da mulher, mas fez uma desastrada e arrogante campanha eleitoral, tendo perdido para Carmona Rodrigues.
O casal não esperava esse resultado e o cargo de vereador não era motivador, nem era à sua medida. O homem não desistiu e conseguiu insinuar-se para que o seu partido e o governo lhe dessem o cargo de embaixador junto da UNESCO. Em Paris. Era a intelectualidade iluminada a olhar de soslaio a populaça lusitana. Era tudo à grande e à francesa! Os salões. As recepções. Os cocktails. As revistas sociais. O homem perdeu a cabeça e indisciplinou-se no exercício das suas funções. O cargo não era eterno. A normal rotação diplomática apanhou-o e, obviamente, foi afastado.
Ficou inconsolado e, a partir de então, a sua actividade política vai num único sentido: difamar e diabolizar aquele que lhe tinha dado o tacho em Paris e que depois lho tirou. Um mal agradecido. Um mau perdedor. Uma atitude bárbara e vingativa.