quinta-feira, 13 de setembro de 2018

V&A Dundee, o museu-orgulho da Escócia

No próximo sábado será inaugurado na cidade escocesa de Dundee uma sucursal do famoso Victoria & Albert Museum de Londres (V&A), com a qual a cidade espera criar um impacto cultural tão forte como o que foi criado pelo Museu Guggenheim Bilbao, um dos cinco museus que a Fundação Guggenheim tem no mundo.
O V&A Dundee será o primeiro museu de design da Escócia e o único museu V&A do mundo fora de Londres, tendo o objectivo de se tornar num centro internacional de referência no design e, em especial, nos campos da arquitectura, cerâmica, engenharia, moda, mobiliário, saúde, joalharia, têxteis e outras áreas.
O museu foi projectado pelo arquitecto japonês Kengo Kuma e localiza-se na margem esquerda do rio Tay, enquadrando-se na histórica zona marginal da cidade onde se situavam as velhas docas e que foi recentemente renovada. Aí se encontra o RSS Discovery, um ex-libris da cidade que é o histórico veleiro que no princípio do século XX levou Robert Scott e Ernest Shackleton para a exploração da Antártida.
O edifício tem uma geometria complexa que se inspira nas falésias da costa leste da Escócia e apresenta-se com duas formas piramidais invertidas que criam espaços e onde se sente a brisa marítima ou o vento mais fresco a assobiar. Inicialmente planeado para emergir das águas do rio Tay, foi depois construido em terra e o seu orçamento de 27 milhões de libras foi revisto para 45 milhões. No fim, a obra veio a custar 80 milhões de libras e a sua construção demorou quatro anos. Apesar destes contratempos e destas escorregadelas orçamentais, que não acontecem só por cá, os escoceses estão orgulhosos do seu novo museu, como hoje salienta o The Guardian.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Catalunha: o diálogo ou a luta nas ruas?

Ontem a cidade de Barcelona participou na grande manifestação da Diada, que é o dia nacional da Catalunha e celebra a queda da cidade em 1714, durante a Guerra da Sucessão. Por isso, a manifestação começa sempre às 17 horas e 14 minutos. Os catalães foram mobilizados pelas organizações independentistas e afirma-se que cerca de um milhão de pessoas encheram as ruas de Barcelona e participaram na Diada, muitas delas transportadas do interior em mais de mil autocarros.
A Diada foi um sucesso para os organizadores e foi pacífica, mas reivindicativa, centrando-se na libertação dos presos, na criação da república catalã e no independentismo. As fotografias publicadas pela imprensa são impressionantes, como se vê na capa do La Vanguardia, em que a enorme quantidade das bandeiras mostra que a organização as distribuiu eficazmente ou que a cena foi bem encenada para os media.
A generalidade dos observadores refere que a manifestação serviu para unir e  elevar a moral do independentismo que tem andado desorientado e desmobilizado, oscilando entre as posições dos moderados e dos radicais, ou entre aqueles que entendem que deve ser mantido e reforçado o diálogo com o governo de Madrid e aqueles que não acreditam no diálogo e querem trazer o problema para a rua.
No dia 27 de Outubro perfaz-se um ano desde a polémica declaração de independência de Carles Puigdemont e há quem acredite que esse dia está a ser preparado para ser um dia de confronto ou o início de um Outono agitado nas ruas de Barcelona.
Porém, o que é mais relevante é que a Catalunha permanece dividida ao meio, o que coloca o independentismo numa posição de fraqueza, por mais impressionantes que sejam as imagens da manifestação.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Os desportistas que não aceitam a derrota

No passado fim-de-semana, no Flushing Meadows - Corona Park de Nova Iorque, disputou-se a final feminina do US Open entre a americana Serena Williams de 36 anos de idade e a japonesa Naomi Osaka, de 20 anos de idade. O árbitro era o português Carlos Ramos e Naomi Osaka triunfou em dois sets, por 6-2 e 6-4, ao fim de 1 hora e 19 minutos de jogo, tendo sido a primeira vez que o ténis japonês venceu um torneio do Grand Slam. Foi um dia histórico para o desporto japonês, mas o que aconteceu entre o árbitro português e a tenista americana também ficou registado como um acontecimento insólito, que foi mostrado repetidamente pelas televisões e foi destacado em manchete na imprensa de vários países.
Aconteceu que Serena Williams estava a jogar mal e em desvantagem e, para quem como nós assistiu àquela final pela televisão, pôde ver como ela estava surpreendida pelo bom jogo da jovem japonesa e demasiado nervosa. Então, terá recebido instruções do seu treinador o que não é permitido pelos regulamentos e, depois, partiu a sua raqueta numa atitude anti-desportiva, começando aí a controvérsia. O árbitro mostrou grande profissionalismo e inflexibilidade, tendo punido a jogadora americana três vezes: primeiro por ter recebido indicações do treinador, depois porque em situação de descontrolo emocional partiu a sua própria raqueta e, finalmente, por discutitir com o juiz português em termos agressivos e insultuosos. Serena Williams estava fora de si e excedeu-se, certamente porque não aceitou a superioridade da tenista japonesa. E depois, invocou sexismo do árbitro e ofensa aos direitos das mulheres. Arrogante e insolente.
Veremos o que vai fazer a Asssociation of Tennis Professionals (ATP) face a esta insubordinação insultuosa e anti-desportiva de uma tenista que pensou que a vitória “eram favas contadas” e que descarregou a sua frustração no árbitro português, que mostrou grande serenidade perante a agressividade da Serena e se limitou a cumprir os regulamentos.

domingo, 9 de setembro de 2018

JLo abre caminhos para uma nova Angola

No dia 26 de Setembro de 2017 os eleitores angolanos escolheram para a presidência da República Popular de Angola o cidadão João Manuel Gonçalves Lourenço, cujo codinome é JLo. Ao fim de quase um ano de um mandato atento e activo, tem sido largamente destacada a inteligência, a coragem e a oportunidade com que tem posto em prática as suas ideias reformistas, a forma como tem afrontado os poderes instalados na sociedade e na economia angolanas, bem como a estratégia com que se tem aproximado da comunidade internacional.
Depois de 38 anos da presidência de José Eduardo dos Santos (JES), o desafio de JLo era muito complexo, mas o facto é que, passo a passo, ele tem prosseguido o seu caminho e Angola já adquiriu uma nova e prestigiante imagem internacional. Faltava um aspecto importante que era a presidência do MPLA, o partido que governa o país desde a independência. Ontem, em Luanda, durante o seu 6º Congresso Extraordinário e por voto secreto, João Lourenço teve 2.309 votos a favor e 27 contra e foi eleito presidente do MPLA.
Discursou depois e, no seu notável discurso, disse que “temos todos consciência de que só construiremos um futuro melhor se tivermos a coragem de corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, acrescentando os males que, na sua opinião, afectam Angola: “a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade que se implantaram no nosso país nos últimos anos e que muitos danos causam à nossa economia, porque minam a reputação e a credibilidade do país”. Disse, ainda, que “estes males são o inimigo público número um contra o qual temos o dever de lutar e vencer. Nesta luta, o MPLA deve assumir o papel de vanguarda e de líder, mesmo que os primeiros a tombar sejam altos militantes e altos dirigentes do partido”. É preciso muita coragem para dizer isto na frente de JES e da sua gente!
O Jornal de Angola escreveu na sua primeira página a palavra ruptura. JLo está de facto a fazer a ruptura com o passado recente. Viva Angola!

Um apelo francês para salvar o planeta

Foi chamado o Apelo dos 700 e é um documento em que, perante os problemas do aquecimento global e da sucessão de catástrofes ecológicas acontecidas no corrente Verão, cerca de 700 cientistas franceses apelam aos decisores políticos para passarem a uma acção urgente a caminho de uma sociedade livre de carbono. É um SOS climático.
O documento foi ontem publicado pelo jornal Libération e refere algumas manifestações concretas das mudanças climáticas, como o aumento da temperatura média do planeta e a ocorrência de calores extremos, as secas, o degelo de grandes massas de gelo polar, a subida do nível do mar e os efeitos sobre alguns animais e espécies de plantas.
Porém, a luta para conter o aquecimento tem sido lenta. O Acordo de Paris de Dezembro de 2015 exige uma redução rápica e radical das emissões de gases com efeito de estufa a fim de limitar o aumento das temperaturas globais, mas isso significa uma revolução nos modelos de desenvolvimento dominantes e da nossa relação com a energia e com os recursos naturais, com a mobilidade, o consumo, a residência e todas as actividades humanas. Não é fácil mudar os comportamentos adquridos com a sociedade industrial, mas não faltam discursos políticos, como o de Emmanuel Macron ao salientar a necessidade de "tornar o nosso planeta grande novamente", em resposta ao anúncio da retirada dos Estados Unidos do acordo de Paris. O documento dos 700 afirma que os discursos são insuficientes, pois os indicadores mais recentes das emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis, indicam tendências agravadas e preocupantes.
Por isso, os 700 cientistas que subscrevem o documento apelam aos decisores políticos, embora reconhecendo o papel de outros actores, incluindo empresas e sociedade civil, mas insistem que cabe aos governos e parlamentos implementar as condições - legislativas, regulamentares, institucionais, orçamentais e fiscais - para uma transição para uma sociedade livre de carbono e, em última instância, para salvar o planeta.

sábado, 8 de setembro de 2018

O negócio do armamento tem muita força

Ontem em San Fernando, na orla sul da baía de Cadiz, cerca de 1500 trabalhadores da Navantia, a empresa estatal espanhola que é o quinto maior construtor naval da Europa e o nono maior do mundo, cortaram a estrada de acesso à cidade de Cadiz e fizeram uma grande manifestação, a que o Diario de Cadiz chamou la batalla de las corbetas. O caso que mexeu com os trabalhadores da Navantia é complexo.
No passado mês de Julho foi assinado um contrato com a Arábia Saudita para a construção de cinco corvetas por 1813 milhões de euros, que assegura 6000 postos de trabalho directos e indirectos. Porém, em 2015 o governo espanhol tinha decidido vender 400 bombas laser de fabrico americano pertencentes ao Exército espanhol, muito sofisticadas tecnologicamente e que poucos países possuem. As bombas já estão pagas, mas a nova ministra da Defesa Margarita Robles achou esta operação de venda muito opaca e ordenou o seu cancelamento, com o argumento de que essas bombas iriam ser utilizadas contra a população na guerra do Iémen. As autoridades sauditas reagiram com apreensão a esta notícia, que pode levar ao cancelamento do contrato das corvetas. Nessas circunstâncias, o pessoal da Navantia veio para a rua protestar contra o cancelamento da venda das bombas, porque não quer perder o contrato das corvetas com a Arábia Saudita.
E agora, está o governo espanhol de Pedro Sanchéz com um grande dilema: se cancela a venda das bombas, arrisca-se a perder o contrato das cinco corvetas, mas para garantir a construção das corvetas, as suas bombas vão contribuir para que haja mais destruição e mais tragédia no Iémen. Certamente que o governo espanhol procura soluções intermédias, mas a economia vai certamente prevalecer sobre a ideologia governamental e sobre a renúncia à brutalidade da guerra.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Um navio de 400 metros de comprimento!

O diário francês Le Figaro publica na primeira página da sua edição de hoje uma fotografia do novo porta-contentores francês que foi baptizado com o nome de Antoine de Saint-Exupéry. O navio gigante foi construido nos estaleiros do Havre por encomenda do armador francês CMA-CGM e é o terceiro maior porta-contentores do mundo, pois tem 59 metros de largura e 400 metros de comprimento, isto é, mais do que o comprimento de quatro campos de futebol ou mais de cinco Airbus-380. É uma obra-prima e um orgulho da arquitectura e da construção naval francesas.
Este gigante dos mares pode transportar 20.600 contentores e, se fossem alinhados numa só fila, teria uma extensão de 123 quilómetros. A potência da sua máquina é de 100.000 CV, isto é, dez vezes superior à potência de um reactor de um Airbus, o que lhe assegura uma velocidade de 22 nós. O calado do Saint-Exupéry é de 16 metros o que apenas lhe permite entrar em portos de águas profundas e com terminais multimodais, o que significa que não poderá ser visto em Lisboa e que, eventualmente, só poderia entrar em Sines.
Até agora, os maiores navios gigantes que têm alimentado o comércio entre a Ásia e a Europa, eram chineses ou de armadores de Hong Kong, mas os franceses decidiram entrar nesse negócio, inclusive por razões de prestígio nacional.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O conflito da Catalunha está a renascer

O problema da Catalunha que há um ano atingiu um elevado patamar de conflitualidade e teve como principais protagonistas Mariano Rajoy e Carles Puigdemont, para além do Tribunal Constitucional de Espanha, parecia ter acalmado com a subida ao poder central de Pedro Sanchéz e a presidência de Quim Torra no governo autónomo da Catalunha.
O diálogo que estivera fechado foi reaberto e, durante alguns meses, todos assistimos a uma lenta retoma da confiança dos cidadãos na evolução do processo catalão, ao verem as fotografias dos encontros muito cordiais entre Sanchéz e Torra.
Porém, nos últimos dias começaram a ver-se sinais de que algo estava a mudar, sobretudo porque o exilado Puigdemont voltou a falar, depois de muitos meses de silêncio. A sua voz influencia demasiado o seu pupilo e, ontem, Quim Torra discursou. Como refere o jornal conservador ABC, foi “mais do mesmo”, isto é, foi retomada a “retórica golpista” e convocada uma marcha pelos direitos civis dos catalães, reivindicada a autodeterminação da Catalunha e exigida a libertação dos presos políticos que atentaram contra a unidade da Espanha.  O discurso radical de Torra em defesa do republicanismo e da libertação dos políticos é uma ameaça ao diálogo e é mais um braço de ferro do independentismo catalão, que não cede aos seus direitos históricos e à ambição de se tornar num Estado, mas que continua sem a solidariedade da Europa que, já bastante dividida e com grandes problemas, teme por uma eventual balcanização da Espanha. Por isso, a solução do problema catalão terá que ser encontrada no diálogo e nunca nas manifestações convocadas por Quim Torra, que nunca se sabe como podem acabar.

Ainda a tragédia do Museu Nacional

O incêndio que destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro foi uma tragédia para o património cultural e para a memória histórica do Brasil e teve repercussão mundial.
A dimensão da desastre foi enorme e o prejuízo inquantificável, não só porque se perdeu um importante acervo histórico e foi afectada a investigação académica na área científica das Ciências Humanas, mas também porque foi destruido o palácio da Família Real portuguesa e da Família Imperial brasileira, isto é, um dos maiores símbolos da ligação entre Portugal e o Brasil.
A imprensa brasileira tem apontado os inúmeros erros que foram cometidos pelas autoridades que tutelam o museu, como o desinvestimento em trabalhos de conservação, a degradação da instalação eléctrica, a falta de sistemas de segurança e, sobretudo, a postura de desinteresse e de abandono a que aquele monumento e aquele acervo foram votados.
O desastre é uma lição para os governos, para os políticos e para a sociedade em geral de todo o mundo e não apenas do Brasil. O assunto é recorrente, mas em período de campanha eleitoral talvez sirva para alertar os eleitores para resistirem à manipulação do seu voto e para fazerem mais exigências aos políticos em relação ao património.
Apesar do luto, há que reagir e refazer o museu, mas antes é necessário definir o que fazer ao bicentenário edifício, isto é, saber se se reconstrói ou se se mantém a ruina para lembrar a tragédia aos vindouros. O jornal O Globo publicou uma fotografia do desolador aspecto das ruinas do palácio mais importante da História do Brasil e anuncia que alguns países, como Portugal e a França, já ofereceram ajuda para a reconstrução.
Há que começar já a trabalhar para que nada se apague da memória!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O fogo destruiu património do Brasil

Fogo destrói Museu Nacional, é o título de primeira página com uma fotografia a toda a sua largura, da edição de hoje da Folha de S. Paulo e, notícias como esta deixam-nos muito tristes, quer aconteçam no Rio de Janeiro ou em Lisboa, em Atenas ou no Cairo, em Bagdad ou em Nagasaki.
Diz a notícia que um incêndio de grandes proporções deflagrou ontem, destruindo o Museu Nacional na Quinta da Boavista, no Rio de Janeiro, só tendo sido dominado ao fim de seis horas de combate. O prejuízo científico e cultural desta tragédia é incalculável pois cerca de 20 milhões de peças arqueológicas de uma colecção que tinha o maior e mais importante acervo indígena e uma das bibliotecas de antropologia mais ricas do Brasil, foram destruídas.
Foi uma perda gravíssima para a História, para a Ciência e para a Cultura do Brasil. O palácio que albergava o museu também foi destruído. Foi inaugurado em 1818 pelo rei D. João VI quando o Brasil era uma colónia portuguesa e chegou a ser a residência imperial, pelo que também representa uma grande perda para o património construído no Brasil colonial.
Procuram-se agora as causas desta tragédia cultural, mas há uma lição universal a tirar: a preservação e a segurança do património não podem depender de questões orçamentais, pois são tão importantes na definição da identidade nacional como a língua ou o território.

domingo, 2 de setembro de 2018

Lula não é elegível para a presidência

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil decidiu por seis votos contra um que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é inelegível e, portanto, não pode concorrer às eleições presidenciais brasileiras que se vão realizar no próximo dia 18 de Outubro, nem pode participar na campanha eleitoral nas rádios e nas redes de televisão. A decisão foi tomada com base na “Lei da Ficha Limpa”, que proibe qualquer pessoa condenada em duas instâncias da Justiça de concorrer a cargos públicos.
Lula da Silva ocupa muito destacado o primeiro lugar em todas as sondagens já realizadas, mas o seu partido, o PT – Partido dos Trabalhadores, tem agora dez dias para indicar um novo candidato, embora haja uma parte do partido que insiste na recandidatura de Lula e quer recorrer da decisão. O caso está, naturalmente, a agitar o Brasil, não só pelo peso político e eleitoral do ex-Presidente, mas também porque a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas recomendou a "garantia dos direitos políticos" de Lula da Silva até se esgotarem todos os recursos legais nos tribunais. Com ou sem Lula, os tempos que se avizinham não vão ser fáceis para o Brasil e os brasileiros bem precisam de gerir a razão e a emoção.
A “Lei da Ficha Limpa” faz todo o sentido nas sociedades democráticas e, por isso, a declaração de inegibilidade de Lula da Silva é a consequência natural dessa lei. Ponto final.
O que não sai da cabeça de ninguém é o que se passa no Brasil em termos de corrupção e a forma como uns são condenados e outros resistem a todas as evidências de culpa ou, dito de outra maneira, como as forças mais conservadoras e mais retrógradas da sociedade brasileira, instaladas na Justiça e em outras instâncias, procuram retomar o comando do país e inventam bolsonaros e coisas parecidas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

E “il gol più bello” foi de Ronaldo

O golo marcado por Cristiano Ronaldo no passado dia 3 de Abril em Turim, quando ao serviço do Real Madrid defrontava a sua actual equipa da Juventus no jogo da segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões da UEFA, foi escolhido como o golo da época pelos visitantes do site da UEFA.
Nessa votação participaram 346.915 votantes e o golo de Ronaldo foi o escolhido com 197.496 votos, isto é, com 57% dos votos expressos. Significa que esse golo, que nessa noite foi aplaudido pelos adeptos de ambos os clubes e que deu a volta ao mundo através da televisão, vai ficar na história do futebol e vai continuar a ser mostrado como uma bela imagem de um desporto que, lamentavelmente, se tem transformado num espectáculo-negócio e que em Portugal tem mostrado a mediocridade de quem vive à custa do futebol, sobretudo dirigentes, jornalistas e comentadores.
Alguns jornais desportivos, sobretudo italianos, porque a ronaldomania se transferiu recentemente da Espanha para a Itália, voltaram a publicar esse fotografia que já consta de todos os albuns do futebol. O diário Tuttosport foi um desses jornais e, para além de uma expressiva fotografia desse inspirado momento atlético do Cristiano Ronaldo, escolheu como título il gol più bello.
Os anos começam a não ajudar, mas há que confiar no Cristiano Ronaldo e na sua boa estrela para ainda nos dar algumas alegrias futebolísticas, embora elas valham o que valem...

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

John McCain: a morte do herói americano

Morreu o senador americano John McCain, o homem que a América adoptou como símbolo do heroísmo americano na guerra do Vietnam.
Nascido em 1936, John McCain ingressou na Academia Naval dos Estados Unidos em Annapolis, Maryland, tendo optado pela carreira de aviador naval. Após ter completado o seu curso em 1958, voou em diversos tipos de aviões baseados em porta-aviões, incluindo os caças-bombardeiros. Em 1967, durante uma missão de bombardeamento sobre Hanói, o seu avião A-4E Skyhawk foi atingido por um míssil e foi derrubado, mas McCain conseguiu ejectar-se e salvar-se, embora quase se tivesse afogado e tivesse ficado gravemente ferido. Capturado pelos norte-vietnamitas, McCain foi torturado, humilhado, isolado por longos períodos e permaneceu como prisioneiro de guerra durante cinco anos. John McCain poderia ter beneficiado de algum favorecimento por ser filho e neto de almirantes americanos, mas recusou ser libertado sem que os seus camaradas presos há mais tempo fossem libertados primeiro.
Em 1973 foi finalmente repatriado, mas os ferimentos que sofreu na guerra e as doenças que adquiriu no cativeiro nunca o abandonaram, pelo que em 1981 se reformou da Marinha dos Estados Unidos e iniciou uma carreira política no Partido Republicano. Em 1982 foi eleito para a Câmara dos Representantes e em 1987 foi eleito para o Senado, para onde foi sucessivamente reeleito por cinco vezes pelo Arizona. Foi candidato presidencial derrotado por Barack Obama e era actualmente um destacado crítico e adversário de Donald Trump.
A América da direita e da esquerda política reconhecia neste senador um político corajoso, um homem íntegro e o seu herói da guerra do Vietnam. Era um ícone republicano e a sua morte deixa um grande vazio na memória americana.
A imprensa americana, designadamente The Wall Street Journal, prestou-lhe uma grande homenagem  e publicou a imagem do Capitólio cercado de bandeiras a meia haste em memória deste herói americano. 

Fernando Pimenta é o rei da canoagem

Nas pistas de Montemor-o-Velho, o canoísta Fernando Pimenta sagrou-se este sábado pela primeira vez campeão do mundo na categoria K1 1000 metros, depois de ter conquistado a medalha de bronze em 2015 e a medalha de prata em 2017.  No dia seguinte, se não fosse a manchete do Diário de Coimbra, poucos teriam sabido desta notável proeza de Fernando Pimenta, porque nem a imprensa generalista nem a imprensa desportiva compreendem que isto de se conseguir ser campeão do mundo deve ser coisa que dá muito trabalho, que implica devoção e que exige muito sacrifício, mas que também carece de reconhecimento. Por isso, essas figuras são tão raras em Portugal e podem contar-se pelos dedos das mãos. É o caso de Nélson Évora e Rosa Mota, de Rui Costa e de Carlos Lopes e poucos mais. Esses é que são os nossos campeões, mas a nossa imprensa não é sensível aos grandes feitos desportivos e prefere o sensacionalismo e os julgamentos na praça pública.
Passaram 24 horas e Fernando Pimenta apresentou-se para disputar a final da prova de K1 5000, a mais longa do programa, na qual iria defender o seu título de campeão mundial conquistado no ano passado em Racice, na República Checa. Foram 21 minutos e 43 segundos de luta e Fernando Pimenta ganhou. Foi a sua segunda medalha de ouro e, dessa forma, Portugal aparece em 7º lugar no medalheiro do Campeonato do Mundo de canoagem de velocidade. É realmente um acontecimento.
Hoje, o jornal A Bola dedicou a sua primeira página, ao bicampeão do mundo, o que é raro e se saúda. Porém, as manchetes dos outros jornais desportivos são a vinda de Ramires para o Benfica e os reforços para a defesa do Porto. Tanta mediocridade jornalística até dá vontade de rir.

sábado, 25 de agosto de 2018

Munch e as próximas eleições no Brasil

O pintor norueguês Edvard Munch pintou em 1893 uma série de quatro quadros a que deu o título de O Grito e que representam a angústia e o desespero. O quadro adquiriu um estatuto de ícone cultural semelhante à Mona Lisa de Leonardo da Vinci ou à Guernica de Picasso, até porque se tornou a pintura mais cara da história quando em 2012 foi arrematada num leilão por 119,9 milhões de dólares.
Essa imagem icónica da angústia e do desespero foi agora adaptada pela revista Veja a propósito das eleições presidenciais que o Brasil vai disputar no próximo dia 7 de Outubro, porque há muita incerteza quanto ao futuro e até alguma angústia.
Apesar de estar preso há cinco meses e da sua candidatura poder vir a ser rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral, o ex-presidente Lula da Silva (PT/Partido dos Trabalhadores) continua à frente nas sondagens com cerca de 32% das intenções de voto e o seu nome, ou o nome em que ele venha a aconselhar o voto, têm sempre algum favoritismo. Depois, surgem os nomes de Jair Bolsonaro (PSL/Partido Social Liberal), Marina Silva (Rede Sustentabilidade), Geraldo Alckmin (PSDB/Partido da Social Democracia Brasileira) e Ciro Gomes (PDT/Partido Democrático Trabalhista). No entanto, apesar da campanha eleitoral já ter começado, os analistas mostram-se muito preocupados com a elevada percentagem de eleitores que ainda não escolheu o seu candidato e também com a rigidez das opções eleitorais. Em particular, a candidatura de Jair Bolsonaro, que representa a extrema-direita brasileira, parece não progredir e esse facto está a perturbar muita gente, incluindo o pessoal da revista Veja, que está apavorado porque o seu Jair está a murchar e não se tem mostrado minimamente competente nos debates em que já participou.
Os brasileiros vão certamente escolher aquele que melhor os servirá. Assim se espera!