quinta-feira, 27 de junho de 2013
Uns são filhos e outros são enteados
terça-feira, 25 de junho de 2013
A nossa governação é uma triste sina
A crise que nos afectava em 2011
e que levou ao memorando de entendimento com a troika por vontade de quem
chumbou o PEC 4, aprofundou-se nos dois últimos anos. Os portugueses
empobreceram, perderam o emprego ou emigraram, enquanto o Estado aumentou a sua
dívida e o seu défice. A economia regrediu, aumentaram as falências, a procura
interna reduziu-se e não há investimento... apesar de não ter chovido. As cidades
e as ruas estão a tornar-se desertas e os espaços vazios para vender e para alugar
multiplicam-se. A insegurança é cada dia maior e existe uma ameaça de ruptura
social. O desespero e até a fome entraram na vida de muita gente.
Porém, estes resultados têm
responsáveis.
Durante dois anos fomos enganados
e o poder produziu um discurso mentiroso, arrogante e de grande insensilidade
social. Não estudaram. Não se prepararam. Tinham uma ambição desmedida. Diziam
que não haveria cortes nos subsídios nem nas pensões e mentiram. Diziam que não
subiriam impostos e mentiram. Diziam que nunca se desculpariam com o passado e
mentiram. Diziam que não pediriam mais tempo nem mais dinheiro e mentiram. Ouvi-los,
ou vê-los rodeados de guarda-costas, é um exercício confrangedor.
É verdade que os tempos são
difíceis, mas foram eles que semearam ventos e se deixaram humilhar pela troika. A Espanha não foi nisso. Agora,
vivem isolados numa espécie de condomínio de luxo, onde não faltam os carros
topo de gama, os assessores, as viagens e os guarda-costas, como se viu naquele
triste passeio a Alcobaça, em jeito de piquenique. Agora descobrem-se as
verdades e cada vez é mais evidente que o caminho tão servilmente percorrido tem
sido errado e tem servido para alimentar os especuladores que têm enriquecido
com as nossas desgraças. Já ninguém acredita neste caminho errado, nem em quem
nos conduz. Não acredita a oposição, nem acreditam os senadores do partido, nem
os amigos da coligação, nem os patrões, nem os sindicatos. Agora nem o FMI
acredita. É uma triste sina a nossa.
domingo, 23 de junho de 2013
A Espanha, a política e a corrupção
O jornal espanhol
La Razon destaca na sua edição de
hoje o fenómeno da corrupção em Espanha e, embora reconheça que há milhares de
cidadãos que dão os seus esforços de maneira voluntária e altruísta ao serviço da
comunidade, reconhece que a corrupção é um mal que afecta a generalidade dos
países. Assim, perante o aumento
da corrupção espanhola, o jornal patrocinou o lançamento público de um manifesto
que visa a reabilitação da política e o combate à corrupção, o qual foi
imediatamente subscrito por quarenta personalidades.
O manifesto afirma que “a
vida pública espanhola está a ser assolada por casos de corrupção, por uma
crise institucional e de valores, assim como uma crise económica que põe em
causa as instituições. Longe de cairmos em desespero ou indiferença, o nosso
dever é defender o papel da política e da sociedade civil para superar a
situação. Gerou-se a ideia de que o sistema não funciona e de que tudo é
corrupção, mas só com o reconhecimento de que há uma grande maioria de
políticos honestos que trabalham para o bem comum é que poderemos recuperar o
prestígio e a confiança no nosso país”. O manifesto
inclui depois cinco pontos e termina com o elogio da política: “é a política
que nos permitirá acabar com os casos de corrupção, porque a corrupção consiste
no aproveitamento ilícito do poder”.
Na Corruption Perceptions Index de 2012,
que é o último que está publicado pela International
Transparency, a Espanha figura em 30º lugar, enquanto Portugal ocupa a 33ª
posição. Parece, portanto, que temos problemas semelhantes no campo da
corrupção, mas por cá não há manifestos, nem o tema ocupa as primeiras páginas dos jornais. Em vésperas de sufrágio eleitoral, bom
seria que os eleitores portugueses pensassem nestas coisas.
University of Coimbra – Alta and Sofia

Foi com esta designação - University of Coimbra – Alta and Sofia – que a 37ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO reunida em Phom Penh, no Cambodja, declarou a inscrição de mais um bem cultural português na Lista do Património Mundial da UNESCO.
A
Universidade de Coimbra foi criada em 1290 e a sua candidatura a património da Humanidade nasceu há cerca de 15 anos, tendo evoluído com o tempo: do Paço das
Escolas passou a incluir toda a Alta universitária e a Rua da Sofia, num
conjunto de mais de 30 edifícios e acrescentou a vertente do património imaterial,
com a produção cultural e científica, as tradições académicas e, ainda, o
papel desempenhado ao serviço da língua portuguesa. Significa que, para além dos
critérios no qual a candidatura vinha fundamentada e que diziam respeito ao
valor patrimonial do conjunto de edifícios que integram a área da candidatura,
foi acrescentado um terceiro critério que reconhece a Universidade de Coimbra como
símbolo de uma “cultura que teve impacto na Humanidade”. Por isso, o que foi
distinguido não foi apenas um conjunto de edifícios antigos, mas também um dos
mais importantes símbolos da cultura e da língua portuguesa. Estão de parabéns os meus familiares e os meus amigos que frequentaram aquela universidade, em especial o meu irmão MC e o meu amigo ANF.
Segundo os relatos
divulgados pela imprensa, a inscrição imediata da Universidade de Coimbra foi
apoiada pelos 21 delegados de todo o mundo, por vezes
com intervenções muito elogiosas para a importância que ela teve na
divulgação da ciência e da língua portuguesa no mundo. O representante indiano
referiu a importância da língua portuguesa como veículo de cultura e a sua
influência expressiva na Índia, enquanto o delegado tailandês agradeceu a
Portugal por ter levado a malagueta para a Tailândia.
A partir de agora,
Portugal conta com 15 bens inscritos na World
Heritage List da UNESCO.
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O Brasil mexeu e já mudou
Apesar do
seu tom conciliador e do reconhecimento da legitimidade das reivindicações populares
por melhor qualidade de vida, melhor saúde e mais educação, o discurso da
presidente Dilma Rousseff não travou o enorme protesto popular e o Brasil
continua a sair à rua para se manifestar. A juventude está na
primeira linha da indignação nacional porque não se sente representada nos
partidos políticos, enquanto a classe média já percebeu que o seu poder de
compra estagnou ou regrediu. É um fenómeno que não é só brasileiro e que também acontece aqui pela Europa, sobretudo nos países do sul.
O enorme potencial económico brasileiro tem estado
a ser canalizado para benefício de uma minoria e poucos acreditam na classe
dirigente brasileira para inverter a situação. Agora o povo exige uma mudança.
Todos denunciam a escandalosa corrupção, que torna os ricos cada vez mais ricos
e os pobres cada vez mais pobres. Todos criticam o desregramento dos gastos públicos,
agora evidenciado com os custos e os extra-custos dos estádios de futebol.
Todos exigem mais investimento na saúde, na educação e no estado social, isto é,
menos bola e mais escola. A amplitude dos protestos surpreendeu e ninguém
imaginou que a luta contra o aumento dos bilhetes do transporte público pudesse
gerar uma tão generalizada contestação, até porque foi uma situação aparentemente
de menor importância que serviu de detonador. É sempre assim. Porém, a insatisfação da juventude
e da classe média brasileiras exprimiu-se genuinamente, tem o apoio de mais de 75% da população e isso significa que o
Brasil não vai voltar a ser o que era. O país mexeu e, com determinação, já
mudou. Os brasileiros não vão perder esta oportunidade para conquistarem
direitos sociais. Tudo vai correr bem!
sábado, 22 de junho de 2013
A UNESCO valoriza o nosso património
Reunida na cidade coreana de Gwangju, a UNESCO inscreveu mais um
documento português na lista do património Memória do Mundo - o Diário
da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1499), cuja autoria é
atribuida a Álvaro Velho. Este importante documento da História da Expansão
Portuguesa pertence ao acervo da Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP) e
faz parte de um conjunto de 299 documentos classificados pela UNESCO na sua Memory of World que, a partir de agora, inclui
seis documentos portugueses – a Carta de Pero Vaz de Caminha (2005), o Tratado
de Tordesilhas (2007), o Corpo Cronológico (2007), o Relatório da 1ª Travessia
Aérea do Atlântico Sul (2011), os Arquivos dos Dembos (2011) e o Diário da Primeira
Viagem de Vasco da Gama à Índia (2013). Sobre o documento agora classificado,
a UNESCO salientou tratar-se de “um testemunho verdadeiro da forma como
Vasco da Gama, à frente da sua frota, descobriu a rota marítima para a Índia”,
acrescentando que esta foi uma aventura “sem precedentes” e “um momento
determinante que mudou o curso da História”, para além de constituir uma das
maiores explorações marítimas realizadas pelos europeus naquela época.
Entretanto, o Comité do Património
Mundial da UNESCO actualmente reunido no Camboja, está a apreciar um outro
pedido português: a classificação da Universidade de Coimbra. Neste caso, a
eventual classificação da velha Universidade, juntar-se-ia aos 14 sítios
(culturais ou naturais) portugueses que estão incluidos na World Heritage List da UNESCO.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Um rei dos mares que visita Lisboa
O porta-aviões
americano USS Dwight D. Eisenhower chegou
ontem ao porto de Lisboa para uma visita de três dias, tendo ficado fundeado
próximo da Trafaria, provavelmente devido às restrições de navegação a que está
sujeito em Lisboa por ter propulsão nuclear. Embora o porto de Lisboa receba
frequentemente a visita dos grandes navios de cruzeiro, não é habitual receber
os grandes porta-aviões cuja imponência não deixa indiferentes os lisboetas, ao
mesmo tempo que os tripulantes do navio têm o privilégio de admirar um cenário
espectacular que é a entrada no porto de Lisboa, a serra de Sintra e o casario
da cidade.
O USS Dwight D. Eisenhower é um dos mais
poderosos navios de guerra do mundo com 4800 pessoas embarcadas, das quais
cerca de 30% são mulheres. É uma verdadeira cidade flutuante e transporta 120
pilotos e 62 aéreos, designadamente caças F18
e helicópteros Hawkeye, Seahawk e Browler.
A visita de um
navio desta dimensão e com uma tão numerosa tripulação é um acontecimento mediático
e tem um significativo impacto em algumas actividades económicas da cidade em vésperas
do regresso do navio aos Estados Unidos. Conforme revela hoje o Diário de Notícias, entre os
tripulantes do porta-aviões encontra-se Roy Logan, um luso-descendente de 27
anos de idade que vem a Portugal pela primeira vez e que era esperado no cais
pelo avô Domingos da Costa Duarte, residente em Aveiro.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A indignação e o protesto são globais!
A insatisfação e o protesto globalizaram-se e depois dos distúrbios acontecidos em Londres e Paris, da chamada Primavera Árabe, das manifestações na margem mediterrânica da Europa e dos protestos na Turquia, a insatisfação chegou ao Brasil numa extensão inesperada. Porém, todos parecem estar de acordo em relação ao protesto e o famoso Caetano Veloso escreveu que “os protestos são uma demonstração genuína da insatisfação da população”.
A insatisfação nem sempre tem uma origem ou um detonador precisos, mas acaba por unir os cidadãos que recusam aceitar passivamente as políticas que não os protegem, que lutam contra a corrupção, que condenam o enriquecimento ilícito e que reagem contra a violência do poder e dos poderosos. O protesto é cada vez mais dirigido ao establishment e aos poderes que podem alternar-se, mas que se perpetuam na mesma lógica. No caso brasileiro o detonador foi o aumento dos transportes, mas existem outras razões como a corrupção generalizada, a violência policial e o comportamento dos políticos. O início da Taça das Confederações, a que seguirão o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos acordaram o subconsciente dos brasileiros para os astronómicos gastos com os estádios e com a organização desses eventos mais ou menos sumptuários num país a reclamar por mais saúde, mais educação e menos pobreza. Não se trata de um protesto de um partido ou facção contra outro partido ou facção, mas de uma reacção maioritária da população, dos jovens e das pessoas mais qualificadas, mobilizadas a partir das redes sociais. Como titula o Correio Braziliense “as manifestações desnorteiam a velha política” que está posta em causa. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e muitas outras cidades estão a mostrar a sua indignação. Como compreendemos os nossos irmãos brasileiros daqui deste lado do Atlântico!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
A troika é uma criadora de desemprego
O jornal catalão La Vanguardia colocou hoje na sua
primeira página um título que alude directamente ao nosso país - Portugal
descubre el paro masivo bajo la tutela de la troika. Na realidade, o
actual nível de desemprego é um problema recente e muito preocupante em
Portugal, coincidindo com a adopção das políticas de austeridade impostas pela troika.
Quando em 1983 o país
passou por uma grave crise económica, o governo tomou medidas excepcionais de
contenção salarial e pediu ajuda ao FMI no sentido de corrigir o desequilíbrio
das suas contas externas, daí resultando uma intensa contestação social. Como
resultado desta situação verificou-se um aumento do desemprego, que em 1985 alcançou
um valor histórico de 8.7%. Depois, a economia portuguesa estabilizou, o país
entrou na CEE, foi adoptada a moeda única e o desemprego nunca mais atingiu o
valor de 1985.
Até que em 2008 surgiu a actual
crise económica e em 2009 o desemprego subiu dois pontos percentuais na União
Europeia e, também, em Portugal, onde atingiu 10.6%. Depois, o desemprego iniciou
uma escalada em Portugal e em 2010 subiu para 12.0%, em 2011 para 12.9%, em
2012 para 15.9% e, nesta altura, aproxima-se dos 18%. Como diz o La Vanguardia, foi com a tutela da troika e dos seus aliados internos que Portugal descobriu o desemprego massivo e caiu na espiral recessiva em que vivemos. Era
suposto que a troika nos ajudasse,
mas afinal…
Azulejos de Brasília expostos em Lisboa
Não é uma exposição grande
em extensão, mas é uma grande exposição e uma bela iniciativa da Fundação Athos
Bulcão que se integra nas comemorações do
Ano do Brasil em Portugal 2013. Intitula-se Azulejos em Lisboa – Azulejos em Brasília e está
patente no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, muito bem enquadrada no espaço
e na exposição permanente do museu.
A exposição faz um interessante paralelo
entre as azulejarias brasileira e portuguesa e homenageia Athos Bulcão, o
principal representante da moderna azulejaria brasileira e um dos autores mais
representados em Brasília, embora tenha obra dispersa por outras cidades
brasileiras e tenha assinado algumas obras no estrangeiro. O seu estilo
inspira-se na azulejaria barroca portuguesa, sobretudo nas temáticas compositivas,
nas paletas de cores e na lógica do processo de montagem. Diz-se que ele é “o artista
da capital” e que o seu trabalho “conferiu alma a Brasília, com sua capacidade
de intervenção na arquitectura, utilizando o azulejo e as inovações do seu uso”,
o que muitas vezes enriqueceu as concepções arquitectónicas e o trabalho do seu
amigo Oscar Niemeyer.
A interessante exposição pode ser vista até ao dia 28 de Julho e é sempre uma
oportunidade para revisitar um dos mais belos museus de Lisboa.
domingo, 16 de junho de 2013
Rui Costa: uma vitória ciclista na Suiça
Exceptuando o
futebol e o hóquei em patins, os êxitos desportivos dos atletas portugueses nas
competições internacionais não são habituais e, por isso, a vitória que o
ciclista Rui Costa hoje obteve na 77ª edição da Volta à Suiça merece justo
destaque.
Natural da Póvoa
de Varzim e com 26 anos de idade, o ciclista repetiu a vitória que já obtivera
em 2012, tendo triunfado em duas das nove etapas da prova: a etapa-rainha de
206 quilómetros entre Meilen e La Punt e o contra-relógio final de 26,8 quilómetros disputado entre Bad Ragaz e Fulmserberg.
A imprensa suiça
já noticiara que o “ciclista português deu espectáculo na montanha” e hoje destaca o brilhantismo e a autoridade com que Rui Costa triunfou
na prova. Foi a 15ª vitória profissional do ciclista português, que foi muito aplaudido
pela comunidade portuguesa que viajou até Fulmserberg para o apoiar no seu
contra-relógio e que, naturalmente, vibrou com a vitória do nosso compatriota.
Entusiasta do desporto, aqui deixo os parabéns ao ciclista e os meus votos para que, brevemente, também possa dar semelhantes alegrias
desportivas aos portugueses que vivem em França. Porém, também aqui fica um lamento pela marginalização a que são votados estes atletas, mesmo na imprensa e na televisão desportivas, absolutamente vergadas ao futebol, às transferências e aos contratos de treinadores e jogadores, por vezes de categoria irrelevante.
sábado, 15 de junho de 2013
Não lancem gasolina para a fogueira
A administração
americana decidiu apoiar a oposição síria e assegurar-lhe o fornecimento de
armas, com base na informação de que as forças de Bashar al-Assad tinham
utilizado gases tóxicos contra as forças rebeldes. Esta decisão é controversa e
parece ser uma cedência ao lobby da
indústria do armamento, muito semelhante ao que se passou em relação ao Iraque
e a Saddam Hussein, com as suas supostas armas de destruição massiva. Na União
Europeia seguiu-se o mesmo caminho e a França e o Reino Unido também se
preparam para fornecer armamento aos rebeldes, enquanto o estabelecimento de
uma zona de exclusão aérea sobre a Síria parece ser o passo seguinte.
Ao
contrário do que sucedeu no Iraque e na Líbia, o governo sírio tem aliados
poderosos e os russos já reagiram e apressaram-se a declarar que os argumentos
americanos não eram convincentes e que a sua decisão complicará os esforços de
paz.
As Nações Unidas
tinham reconhecido recentemente, através de um relatório da sua Comissão
Independente de Inquérito, que tinham sido encontradas provas do uso de “quantidades
limitadas” de gás tóxico em quatro locais, mas que não foi possível determinar “o
tipo de agentes químicos usados”, nem identificar quem os usou. Além disso, a
investigação detectou a prática de outros crimes contra a humanidade cometidos
por ambos os lados do conflito, incluindo tortura e pilhagem, embora mais
intensas por parte do governo e das milícias suas aliadas.
Como acontece em
todas as guerras há excessos nos dois lados e é a população que sofre. Assim, é
incompreensível que, em vez de parar com o fornecimento de armas e de se
pressionarem os dois contendores para cessarem os combates e os massacres, para
abrir o caminho da paz e para minimizar o risco de alastramento regional, alguns
países atirem gasolina para a fogueira.
Dívidas, défices e dignidade nacional
A Espanha vive um
período muito difícil, com a economia em recessão e com um desemprego de 26,7%,
ao mesmo tempo que “a dívida pública
dispara”, como hoje noticia em primeira página o jornal económico espanhol La Gaceta.
Quando em 2007
começou a actual crise económica europeia, a dívida pública espanhola era de
36,3% do PIB e, cinco anos depois é de 88,2% do PIB, tendo o montante da dívida
passado de 380,66 para 922,82 mil milhões de euros, o que representa um aumento
de 132%. No mesmo período,
a dívida pública portuguesa passou de 63,6% do PIB para 123,6% do PIB e o
montante da dívida passou de 103 para 204 mil milhões de euros, o que
representa um aumento de 98%. Estes números significam que a situação espanhola
é mais grave do que a situação portuguesa, mas enquanto os nossos vizinhos
reagem com um sentido de dignidade nacional, os nossos dirigentes aceitam
humilhar-se e submeter-se aos interesses dos especuladores que tanto nos
conduziram à actual situação. Por isso, não se entendem a agressividade da troika, nem as entrevistas encomendadas
a Abebe Selassie, nem as intromissões de Wolfgang Schäuble, nem o servilismo vergonhoso
de Gaspar, nem o quase autoritarismo de Passos. Basta de fanatismo e de humilhação!
Além disso, o problema europeu também é
muito grave. No mesmo período de 2007 a 2012, a dívida pública global da União
Europeia aumentou em média 51% e, exceptuando a Suécia, a dívida aumentou em
todos os seus Estados-membros. O desemprego europeu passou de 10,3 para 10,9% nos
últimos 12 meses, há 17 países com um défice orçamental superior a 3% e há 14
países cuja dívida pública é superior a 60% do respectivo PIB. Afinal parece
que o nosso problema não era uma consequência da má governação anterior, nem
tão pouco se resolvia com um corte de gorduras como foi largamente apregoado
por quem agora nos governa. Ao menos aprendam com a dignidade espanhola.
As reconfortantes declarações do rei Pelé
A propósito da
Taça das Confederações que é organizada pela FIFA e se vai disputar no Brasil, o
rei Pelé foi entrevistado pelo diário desportivo espanhol as que, na sua edição de
hoje, destacou algumas das suas afirmações e, em especial, aquela em que o
entrevistado diz que “Cristiano se
mereció ganar el Balón de Oro”.
A Bola de Ouro
surgiu em 1956 por iniciativa da revista francesa France Football e, de entre os seus vencedores destacam-se os
futebolistas portugueses Eusébio (1965), Luís Figo (2000) e Cristiano Ronaldo
(2008). Em 2010 o prémio do jornal francês foi fundido com o prémio Jogador do
Ano da FIFA e passou a ser designado por Bola de Ouro da FIFA, distinguindo o futebolista
com melhor desempenho mundial no ano anterior. Desde 2009 e, portanto, nas suas
últimas quatro edições, o prémio do melhor futebolista do mundo foi atribuido
ao argentino Lionel Messi, enquanto Cristiano Ronaldo já acumulou quatro
segundos lugares (2007, 2009, 2011 e 2012).
Para os simpatizantes portugueses do
futebol, estes consecutivos segundos lugares de Cristiano Ronaldo têm sido muito
frustantes e, quiça, injustos. Por isso, a declaração daquele que a FIFA
considerou “o melhor futebolista do século” é bastante reconfortante para quem
aprecia o talento de Ronaldo e não ignora que há um lobby que tem promovido o igualmente talentoso Lionel Messi.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
A lusitana paixão pela austeridade
Segundo os
últimos indicadores do Eurostat o desemprego em Espanha é de 26,7% e em
Portugal é de 17,5% e este indicador é, seguramente, um dos mais decisivos no
que respeita à situação económica e social dos países ibéricos. Cada um deles, à
sua maneira, reage a esse grave problema económico e social, porque ele representa
um factor de empobrecimento nacional, significa a recessão e a quebra da produção
nacional e, sobretudo, provoca a corrosão do tecido e da coesão social.
Porém, a Espanha
não aceitou a tutela da troika e hoje,
uma vez mais, reage às políticas de austeridade impostas pelos credores e pelos
seus patronos, como destaca o El País
ao anunciar que “Rajoy y Rubalcaba unen
su voz para pedir a Europa menos austeridad”.
Aqui em Portugal é
diferente e, com indiferença, incompetência e seguidismo cego, prossegue a
atitude de submissão com que os nossos dirigentes obedecem à troika e nos humilham.
O Diário de Notícias destaca hoje que o
nosso primeiro prometeu ao FMI que vai cortar o dobro da despesa já em 2013, o
que significa o agravamento da austeridade e a obediência a uma instituição
que, ainda recentemente, assumiu erros nas políticas que impôs à Grécia. Será
que não há imaginação para fazer diferente? E como se articula o discurso
anti-FMI do homem do leme com esta submissão do nosso primeiro? E como é que,
com estes cortes na despesa e a consequente quebra de rendimento das famílias,
se estimula a procura interna e se cria emprego? Ao fim de dois anos de governo,
a paixão pela austeridade prossegue e as suas trágicas consequências estão à
vista.
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