sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Brasil vê o Lula a subir e o Jair em queda

O principal instituto brasileiro de pesquisas políticas é o Datafolha, que faz parte do mesmo grupo empresarial do jornal Folha de S. Paulo e que tendo feito uma sondagem com 3.666 entrevistas presenciais entre os dias 13 e 16 de Dezembro, obteve resultados muito significativos, com uma margem de erro de apenas dois pontos percentuais.
Segundo essa sondagem, Luiz Inácio Lula da Silva venceria as eleições presidenciais com 47% de votos se as mesmas fossem realizadas hoje, enquanto Jair Bolsonaro não teria mais do que 21% dos votos. A tendência para a polarização está a aumentar no Brasil e as intenções de voto nos candidatos da chamada terceira via mostram que essas candidaturas têm pouca viabilidade e que Sergio Moro (9%), Ciro Gomes (7%) e João Doria (3%), até poderão vir a desistir da corrida presidencial. A sondagem da Datafolha também analisou os resultados de uma eventual segunda volta em que Lula da Silva derrotaria Bolsonaro por 59% a 30%, mas que também venceria folgadamente Moro, Ciro e Doria.
A popularidade e o prestígio de Bolsonaro estão em acentuada queda e 60% dos brasileiros dizem não acreditar em nada do que ele diz, enquanto só 13% acreditam sempre nas palavras do seu presidente. O seu governo também é fortemente reprovado pela opinião pública, pois é rejeitado por 53% da população e só tem o apoio de 22%. Daí resulta que, segundo a sondagem referida, numa segunda volta eleitoral Bolsonaro perderia para qualquer um dos seus quatro adversários. Parece, portanto, que Jair Bolsonaro tem o seu futuro político traçado, até porque o Brasil não esqueceu os 617 mil óbitos causados pelo covid-19 e não perdoa a forma irresponsável como ele sempre se referiu à pandemia. Porém, o que não há dúvidas é que a herança que vai deixar para o seu sucessor é muito pesada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Há mercenários dos dois lados na Ucrânia

A comunicação social portuguesa pouco difere de uma comunicação de tipo paroquial, pois vive de casos, de sensacionalismos e do trabalho de estagiários, como se vê sempre que se descobre que uma qualquer figura de sucesso mediático subira na vida através da violação das regras que regem a nossa sociedade. Nesses casos da chamada criminalidade de colarinho branco, até acontece que aqueles que mais endeusaram as personagens da banca, do futebol e de outros sítios onde cheirasse a dinheiro, são aqueles que agora mais os afundam e que mais procuram antecipar-se a quem tem o dever de julgar os desvios à lei. Por isso, enquanto consumidores de notícias e de informações ficamos sujeitos a um jornalismo de tipo coscuvilheiro, feito de sensacionalismos, de presunções e de conjecturas, do qual muitas vezes duvidamos.
Por outro lado, o noticiário do que se passa para lá dos limites da paróquia fica entregue a comentadores geralmente bem preparados, mas que nem sequer fingem ser neutrais.
Vem isto a propósito da edição de hoje do jornal ucraniano ВЕСТИ ou Vesti, que se publica em russo na cidade de Kiev e em outras cidades da Ucrânia. A imagem da capa mostra o capacete de um soldado, algumas balas e um maço de notas de dólar, insinuando que há dinheiro a correr para pagar à “tropa de choque mercenária” que se prepara, ou não, para reactivar a guerra civil no Leste da Ucrânia, que desde 2014 mantém a região de Donbasss e as autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk em estado de rebeldia com o apoio russo.
Sabe-se que nesta escalada militar há muitos mercenários de ambos os lados e que o conflito já deixou de ser um caso interno da Ucrânia para se tornar num confronto ou numa guerra por procuração entre a Rússia e a NATO. Sabe-se também que, onde há mercenários, tem que haver dinheiro. Daí que a insinuação contida na capa do ВЕСТИ faça todo o sentido e possa referir-se a qualquer dos lados do conflito, mas para esclarecer isso era preciso conhecer a língua russa, que eu não conheço,  ou que a nossa comunicação social se interessasse por estes assuntos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Unesco classificou Festas de Campo Maior


As Festas do Povo da vila alentejana de Campo Maior foram hoje classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade durante a 16ª reunião do Comité do Património Mundial da Unesco realizada em Paris. Campo Maior está de parabéns por este reconhecimento cultural e se já recebia muitos milhares de visitantes para ver tão original e deslumbrante decoração urbana, vai certamente passar a receber muitos mais.
As Festas de Campo Maior são uma tradição secular e são organizadas pela Associação das Festas do Povo de Campo Maior, sendo feitas apenas quando o povo quer. As últimas foram realizadas em 2015. 
As ruas da vila são ornamentadas, sobretudo no seu centro histórico, com milhares de flores de papel de muitas cores que são feitas pela população de forma voluntária durante vários meses e muitas noitadas. As ruas “competem” entre si em criatividade e originalidade e cada rua adopta um tema no qual centra a sua decoração, cabendo a coordenação de todo o trabalho a um “cabeça de rua” que é eleito pelos moradores e que assume a direcção do projecto floral de cada rua. O resultado é sempre absolutamente espectacular e um deslumbramento!
Este tipo de festa não é exclusivo da vila de Campo Maior pois realiza-se em outras localidades alentejanas, nomeadamente na vila do Redondo, mas também em Tomar, Moura e em outras povoações. 
Depois de terem sido classificados como Património Cultural Imaterial da Humanidade o Fado (2011), a Dieta Mediterrânica e a Louça preta de Bisalhães (2013), o Cante Alentejano (2014), o Fabrico de Chocalhos (2015), a Falcoaria (2016), o Figurado de barro de Estremoz (2017) e o Carnaval de Podence (2019), chegou a vez das Festas do Povo de Campo Maior ou festa das ruas floridas.
Parabéns ao povo de Campo Maior!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Competição e desportivismo na Formula 1

Desde o ano de 1950 que a FIA realiza o Campeonato Mundial de Formula 1 e, por isso, este ano de 2021 que se aproxima do fim, constituiu a 72ª temporada deste evento que é considerado como a categoria mais importante do automobilismo mundial. 
Antigamente, as transmissões televisivas das provas – os Grandes Prémios – eram feitas em sinal aberto e, por isso, as corridas da Formula 1 tinham muitos entusiastas e seguidores que, por vezes, quase se assemelhavam aos tiffosi do futebol. Os nomes de Juan Manuel Fangio, Jackie Stewart, Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna ou Michael Schumacher eram bem conhecidos e atraiam legiões de adeptos. Depois, o circo da Formula 1 evoluiu e passaram a realizar-se provas nas cidades que para isso pagavam e as transmissões televisivas em sinal aberto acabaram, surgindo mais provas, muito mais dinheiro e muito menos interesse popular do que havia antigamente.
No ano de 2021 o Mundial de Formula 1 teve 22 provas disputadas em vários continentes, mas à partida da sua última prova realizada ontem – Grande Prémio de Abu Dhabi - nos primeiros lugares da linha de largada estavam o inglês Lewis Hamilton que procurava o seu oitavo título mundial e o jovem holandês Max Verstappen, que lutava pelo seu primeiro título. Partiam com o mesmo número de pontos, o que não acontecia no Campeonato de Formula 1 desde 1974, o que tornava esta corrida um acontecimento especial para os tiffosi e para o público em geral. Seria uma versão do "rei morto, rei posto"? Seria a continuidade ou a renovação? Seria a tecnologia alemã da Mercedes ou a japonesa da Honda?
Durante muitas voltas Lewis Hamilton seguiu na frente, mas na última volta Max Verstappen ultrapassou-o e, pela primeira vez, venceu o Campeonato Mundial de Pilotos. A generalidade da imprensa mundial publicou esta notícia, mas o diário desportivo argentino Olé foi mais longe e dedicou a capa da sua edição de hoje a Max Verstappen no pódio com Lewis Hamilton, que aplaude a vitória do seu adversário. Um caso de desportivismo pouco vulgar, sobretudo nestes “desportos” onde corre muito dinheiro.

Concursos de beleza e igualdade de género

Na cidade israelita de Éilat, nas margens do mar Vermelho, uma jovem indiana chamada Harnaaz Sandhu foi ontem coroada Miss Universo 2021. Segundo as crónicas, a vencedora bateu 79 outras beldades provenientes de vários países e territórios, incluindo a paraguaia Nadia Ferreira que ficou em segundo lugar, a sul-africana Lalela Mswane que obteve o terceiro lugar e as concorrentes das Filipinas e da Colômbia. Como sempre nestes concursos, a vencedora afirmou defender os direitos das mulheres, amar a sua família e gostar de cozinhar, de dançar e de ler, além de possuir várias outras virtudes. Oriunda de Chandigarh, no norte da Índia, a jovem terá provocado uma onda de orgulho nacional porque, 21 anos depois da última vitória indiana, ela trouxe aquele título de volta à Índia.
Embora alguns países europeus ainda participem neste tipo de festivais, já ninguém lhes dá importância e são feitas muitas críticas a estes concursos de beleza, que têm mais de humilhantes do que prestigiantes e que acontecem num tempo em que os direitos das mulheres e a igualdade de género ocupam as agendas políticas e culturais em quase todo o mundo. Porém, não é isso que se passa por exemplo na América do Sul, onde este tipo de concursos colhe muito apreço da imprensa e da opinião pública. Assim, na sua edição de domingo, o jornal colombiano El Universal publicava com grande destaque uma fotografia da sua candidata à “elección de la mujer más bella del universo”.
O jornal informava os seus leitores que Valeria Ayos ”deslumbró el viernes en la gala preliminar del certamen” e afirmava que “Colombia vuela alto en Miss Universo”.
Que alegria para toda a Colômbia, mas que grande injustiça o que fizeram à Valeria ao darem-lhe apenas o quinto lugar no concurso.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O novo rosto político da Alemanha

Os deputados que têm assento no Parlamento alemão aprovaram ontem por 395 votos a favor, 303 votos contra e 6 abstenções, o novo governo chefiado pelo social-democrata Olaf Scholz, que até agora era o vice-chanceler e ministro das Finanças no governo de coligação chefiado pela conservadora Angela Merkel.
Dois meses depois da sua vitória nas eleições legislativas, o Partido Social Democrata (SPD) e o seu líder Olaf Scholz concretizaram um acordo de coligação com os liberais do FDP e os Verdes. Depois de 16 anos de poder da CDU e da chanceler Angela Merkel, o centro-esquerda político alemão regressou ao poder e esse facto é relevante na cena política europeia, pois terá influência na vida dos europeus e em muitos dos problemas que estão actualmente em agenda e que a todos preocupam. Um novo chanceler na Alemanha é um assunto importante não só para os alemães, mas também para os europeus e até para o mundo, porque é lá que se fazem os Mercedes, os Audi, os BMW, os Porsche e os Volkswagen. É lá que estão os comandos da Siemens, da Bosch e da Bayer e de muitas outras grandes empresas.
Entretanto, o Presidente da República decidiu condecorar Angela Merkel com uma apropriada condecoração pelo seu contributo para o fortalecimento da União Europeia e pelo seu apoio a causas humanitárias, ao diálogo e à paz.
A imprensa mundial publicou a fotografia de Angela Merkel e de Olaf Scholz, como homenagem a quem sai e como incentivo a quem entra, mas essa fotografia também mostra o valor do diálogo político e das coligações partidárias para governar, o que parece ser um exemplo para ser imitado em Portugal, um país onde se adoptam outras regras para gerir o poder.

A questão da Ucrânia está num impasse

Na passada terça-feira os presidentes Joe Biden e Vladimir Putin encontraram-se numa cimeira virtual, o que é um facto político a salientar, porque apesar da ascensão da China no plano mundial, os Estados Unidos e a Federação Russa ainda são, de forma directa ou indirecta, as potências militares dominantes. Durante mais de duas horas os dois líderes conversaram e, segundo os sucintos relatos que foram divulgados, a questão da Ucrânia foi o assunto principal que foi discutido.
A Ucrânia foi uma das antigas repúblicas da União Soviética que se tornou independente em 1991. É um grande país com mais de 600 mil quilómetros quadrados de superfície e 44 milhões de habitantes, mas uma parte da sua população é de etnia russa. Entre ucranianos e russos sempre houve muita tensão e, em 2014, a Rússia ocupou a península da Crimeia e a sua cidade de Sebastopol “a pedido da população e das autoridades locais” de etnia maioritariamente russa. Depois, a Rússia e a Crimeia assinaram um tratado de adesão, mas aquela ocupação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional. Porém, nas regiões leste e sul do país, sobretudo nas áreas de Donetsk e Lugansk, começou uma grande agitação da população pró-russa contra os ucranianos pró-ocidentais, formaram-se milícias populares e houve combates intensos. Essa “guerra” tem estado num impasse e, segundo, as fontes ocidentais, a Rússia prepara-se para intervir nessa região oriental da Ucrânia pois tem havido forte concentração de tropas na fronteira. Aquilo que deveria ser discutido entre Kiev e Donetsk, passou a ser discutido entre Washington e Moscovo, com Bruxelas e outras capitais europeias a interferir. As acusações são recíprocas: os Estados Unidos e os seus aliados ameaçam com fortes sanções económicas se a Rússia invadir o território ucraniano, enquanto a Rússia, que atribui o aumento da tensão aos falcões da NATO e à sua tentativa de se instalarem próximo da fronteira russa com os seus mísseis, ameaça com os seus fornecimentos de gás e exige que o regime de Kiev tenha negociações directas com os separatistas da autoproclamada República Popular de Donetsk, sem qualquer interferência da NATO. Estão num impasse. Porém, a cimeira virtual da passada terça-feira foi um passo num bom sentido e da resolução pacífica do problema.
O que é curioso é que a imprensa internacional não deu grande destaque a este encontro e foi o jornal canadiano National Post que o trouxe para a sua primeira página.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

A fúria do mar proporciona belas imagens

As ilhas Britânicas foram afectadas nos últimos dias pela depressão Barra, uma tempestade que trouxe ventos fortes, chuvas muito intensas e neve, sobretudo na República da Irlanda, na Irlanda do Norte e na Escócia. Foram registadas rajadas de vento superiores a cem quilómetros por hora, alguns aeroportos foram encerrados, as condições das estradas tornaram-se difíceis e perigosas, houve quedas de árvores, muitas inundações e cortes de energia. Muitas destas regiões, nomeadamente a Escócia, acordaram cobertas de neve. A depressão Barra também atingiu Portugal embora com muito menor intensidade, quer no arquipélago dos Açores, quer nos distritos do norte do Continente onde, segundo revelaram algumas notícias, se verificaram 15 quedas de árvores e 15 inundações.
No caso da Irlanda do Norte, o jornal Belfast Telegraph noticiou os efeitos da tempestade Barra e da destruição que provocou, tendo escolhido para a sua capa uma excelente fotografia do mar a rebentar sobre uma avenida marginal da cidade de Belfast, a demonstrar que o mar, quando está furioso proporciona belas imagens. Além disso, esta imagem é um bom exemplo do que é o fotojornalismo, uma coisa que por cá raramente se pratica.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Arábia Saudita: tantos aviões e corvetas

Quase em simultâneo com o anúncio da assinatura do contrato para o fornecimento de oitenta aviões Rafale à Arábia Saudita, a empresa espanhola Navantia lançou à água a quinta e última das corvetas que está a construir para a Marinha Real da Arábia Saudita nos seus estaleiros da baía de Cádis. É a construção 550 dos estaleiros de San Fernando, chama-se Unayzah, tem 104,20 metros de comprimento e 14,40 metros de boca.
Segundo anuncia hoje o jornal La Voz de Cádiz, a cerimónia foi um motivo de orgulho para o governo de Espanha e reflecte as capacidades tecnológicas do país, mas também mostra como foi possível superar diversas contrariedades devidas à crise pandémica, pois muitos trabalharam “contra ventos e marés” para que os prazos fossem cumpridos.
A notícia salienta que alguns dos principais sistemas de navegação e de combate do navio, bem como de gestão de helicópteros utilizam tecnologia espanhola.
A construção da primeira unidade arrancou oficialmente no dia 15 de Janeiro de 2019 e o contrato tem o valor de 1.813 milhões de euros, ou seja, é nove vezes menor do que aquele que foi assinado com a Dassault Aviation para o fornecimento de 80 aviões Rafale, o que significa que, segundo as minhas contas,  "cada corveta vale cerca de dois Rafale".
As cinco unidades navais serão entregues escalonadamente entre Janeiro de 2022 e Junho de 2023. Com tantas corvetas e tantos aviões é caso para perguntar à Arábia Saudita por quem se sente ameaçada ou, se pelo contrário, quem será que essa monarquia absoluta árabe está a ameaçar.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A França produz aviões e vende, vende …

Depois do “escândalo” que foi o cancelamento do contrato de fornecimento de doze submarinos nucleares à Austrália, que constituiu um duro golpe para a indústria de defesa francesa e originou muita tensão entre americanos e franceses, surgiu hoje no Le Figaro e em outros jornais franceses, a notícia de ter sido assinado um contrato pela Dassault Aviation para o fornecimento de oitenta caças Rafale F4 e doze helicópteros de transporte militar Caracal para as Forças Aéreas e de Defesa Aérea dos Emirados Árabes Unidos. Não foi um acontecimento de rotina e, por isso, Emmanuel Macron e o sheikh Mohammed Al Nahyane, o príncipe herdeiro do Abu Dhabi, assistiram à assinatura do contrato.
Segundo foi anunciado, trata-se da maior encomenda feita até hoje deste avião, que entrou ao serviço em 2004 e que já equipa o Qatar (36 unidades) e o Egipto (24 unidades), embora este país tenha assinado no início deste ano um contrato para o fornecimento de mais 30 unidades. Depois das Forças Armadas francesas, as Forças Armadas dos Emirados serão as primeiras que irão dispor desta moderna versão do Rafale, que irão substituir os seus Mirage 2000. Este contrato de 17 mil milhões de euros é uma excelente notícia para a França e para a indústria aeronáutica francesa, bem como para o universo de quatro centenas de empresas, grandes e pequenas, que contribuem para a produção do Rafale, o que representa milhares de empregos garantidos para os franceses durante a próxima década.
A Dassault Aviation tem 12.400 colaboradores e, até hoje, fabricou e vendeu mais de dez mil aviões de diversos tipos, incluindo 2.500 Falcon para mais de noventa países. É uma grande empresa e uma grande alavanca para a economia francesa, embora se trate de recursos que bem poderiam ser utilizados para tornar a humanidade mais feliz ou para ajudar a reduzir a pobreza e a fome no mundo. Porém as coisas são o que são e não são aquilo que poderiam ser.

A Ómicron que nos trouxe insegurança

Uma nova variante do coronavírus foi identificada na África do Sul no dia 24 de Novembro e, mesmo antes de se saber a sua causa ou a sua gravidade, deu origem a uma enorme preocupação mundial e a uma generalizada restrição de viagens em todo o mundo. Porém, as apreensões não são apenas de natureza sanitária, pois também são de natureza económica por afectarem alguns sectores como o turismo.
Dois dias depois da sua detecção, a Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou essa variante e designou-a como variante B.1.1.529 ou variante Ómicron, como passou a ser formalmente conhecida, mas também informou que pode levar semanas a saber-se a sua natureza e gravidade, mas um alto responsável da OMS já veio declarar que “é mais transmissível, mais virulento e foge das vacinas”.
Aos poucos, alguns países declararam ter detectado a doença, entre os quais o Reino Unido, a Holanda, a Alemanha e Portugal, mas esse número de países onde foi detectada variante tem vindo a aumentar. Anteontem o jornal novaiorquino Newsday informava sobre o aparecimento do primeiro caso de Ómicron nos Estados Unidos, que assim se tornaram no 24º país a confirmar a detecção dessa variante do vírus. Depois, também a Austrália e o Brasil já anunciaram o aparecimento do vírus.
Entretanto, em Portugal já se detectaram 38 casos da variante Ómicron e os internamentos em unidades de cuidados intensivos regista uma “tendência fortemente crescente”, segundo as autoridades de saúde. Tenhamos todos os cuidados e sigamos as regras que já tínhamos usado antes, mas não restam dúvidas que a insegurança sanitária regressou.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Quem muito aparece... muito aborrece

Um homem tão inteligente como ele, tão culto e tão cosmopolita, parece que ainda não percebeu que o ditado popular que diz que “quem não aparece esquece” não se lhe aplica e, que, inversamente, o que se lhe aplica é uma frase parecida que diz que “quem muito aparece, muito aborrece”. Exactamente assim. 
O homem tem uma ânsia de aparecer, de ser visto, de ser ouvido e de encher as televisões, que está a tornar-se insuportável. Convive com o sensacionalismo das televisões que se especializaram nos julgamentos públicos e comporta-se como um comentador televisivo. Vai a toda a parte para ser visto e ser filmado. Fala de tudo e tantas vezes de forma inoportuna, esquecendo-se que não lhe compete governar, nem interferir na governação. Faz-se anunciar para que os microfones dos estagiários e as câmaras televisivas, bem como o fotógrafo oficial de Belém, o possam rodear como ele tanto gosta. Fazendo uso da sua boa resistência física vai a Cabo Verde e fala. Vai a Luanda e comenta. Segue para Estrasburgo e não se cansa de falar. Tacticamente, o governo deixa-o falar. As nossas televisões agradecem-lhe, porque enchem os seus espaços noticiosos com a cara e a voz do venerando chefe do Estado, cujas imagens repetem até à exaustão, a rivalizar com o tempo gasto com os treinadores de futebol.
Quando os jovens estagiários se lhe dirigem com um “Oh presidente” não reage, como se o mais alto magistrado da Nação não devesse ter direito a outro tratamento mais adequado. Mas é disso que ele gosta e, por isso, até se deixa entrevistar por esse jornal de referência que é o Tal&Qual, que na sua edição anterior entrevistara o banqueiro João Rendeiro, enquanto se deixa fotografar com um copo de cerveja na mão, o que ele julga que o aproxima do povo. Porém, os tempos são difíceis e não é necessário exibir tanto porreirismo. 
Talvez seja necessário algum distanciamento...

Cuba continua presa a Fidel e ao passado

Perfazem-se hoje 65 anos sobre o dia em que um grupo de oitenta e dois exilados cubanos, onde se incluíam quatro estrangeiros, desembarcou próximo da praia de los Colorados, na costa oriental da ilha de Cuba, sob o comando de um jovem advogado de trinta anos de idade chamado Fidel Castro Ruz.
Hoje o jornal Granma, o órgão oficial do comité central do Partido Comunista de Cuba, evoca esse histórico desembarque e recorda Fidel, escrevendo que está “invicto en el cariño de su pueblo”, o que bem sabemos que não será assim.
O seu grupo viajara desde o pequeno porto mexicano de Tuxpan a bordo do pequeno iate Granma e, após uma viagem de sete dias, “aqueles 82 aprendizes de guerrilheiros”, muitos deles enjoados, desembarcaram em condições muito precárias e progrediram por pântanos e mangais, vendo-se obrigados a abandonar muito do seu material, o que levou a que se dissesse que não foi um desembarque, mas um naufrágio. Dois dias depois o grupo foi cercado pelo exército cubano em Alegria del Pio e a catástrofe aconteceu, pois o grupo teve 25 mortos, 22 capturados e 19 desaparecidos. Os dezasseis sobreviventes, onde se incluíam Fidel, o seu irmão Raúl e o médico argentino Ernesto “Che” Guevara dispersaram e só voltaram a reencontrar-se no dia 18 de Dezembro de 1956 em Purial de Vicana, já na sierra Maestra.
Seguiram-se dois anos de guerrilha que levaram o ditador Fulgencio Batista ao exílio e à entrada vitoriosa do exército rebelde em Havana no dia 1 de Janeiro de 1959.
A campanha vitoriosa dirigida por Fidel Castro inspirou outras guerrilhas e movimentos de libertação pelo mundo, enquanto Ernesto “Che” Guevara se tornou um ícone para a geração que depois da 2ª Guerra Mundial procurava a revolução e um mundo melhor.
Porém, tudo isso aconteceu no século XX e hoje Cuba desespera pela entrada no século XXI.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Ómicron: o desassossego e a inquietação

Foi em finais de 2019 que pela primeira vez foi detectada na cidade chinesa de Wuhan a síndrome respiratória aguda grave (SARS), classificada como SARS-CoV-2 ou, de forma mais simples, como covid-19. O mundo assustou-se com a elevada taxa de mortalidade da doença que se transformou numa pandemia global e a Ciência entrou numa corrida acelerada para produzir uma vacina. Um ano depois surgiram os primeiros resultados e milhões de pessoas começaram a ser receber uma vacina.
A doença começou a regredir, apesar de se manifestar por ondas, mas o mundo começou a ficar aliviado, com a sociedade e a economia a recuperarem um pouco por toda a parte. Porém, a doença persistiu e foi-se adaptando através de variantes.
No fim do Verão, quando a vacinação já atingira níveis muito satisfatórios, sobretudo na Europa e nas Américas, surgiu mais uma onda, para uns a quarta e para outros a quinta onda. Porém, o mundo acreditava que a crise pandémica estava em vias de ser ultrapassada e o retomava a normalidade. Até que há poucos dias as dúvidas reinstalaram-se quando foi identificada na África do Sul a variante Ómicron do novo coronavírus, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Embora pouco se saiba a respeito desta variante, pensa-se que é mais transmissível dos que as anteriores e o seu aparecimento já foi confirmado em mais de uma dezena de países, entre os quais Portugal. 
O jornal francês La Dépêche destaca na sua edição de hoje a inquietação mundial que a Ómicron já está a provocar, embora as autoridades procurem sossegar as populações, ao mesmo tempo que aceleram o processo de reforço da vacinação com uma terceira dose. A ver vamos.

domingo, 28 de novembro de 2021

Um português venceu a Libertadores 2021

Jogou-se ontem em Montevideu a final da Taça dos Libertadores da América, um torneio organizado desde 1960 pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), cujo nome homenageia os líderes das independências sul-americanas e no qual participam as principais equipas de futebol dos países da América do Sul.
Nas 62 edições que já foram realizadas, o domínio tem sido de argentinos e brasileiros, que já venceram a competição 25 e 21 vezes, respectivamente, enquanto as equipas uruguaias venceram oito vezes, as colombianas e paraguaias três vezes e as equipas chilenas e equatorianas apenas uma vez, sendo as equipas com mais triunfos nesta competição os argentinos do Independiente (sete vezes) e do Boca Juniors (seis vezes).
Ontem jogaram o Palmeiras de São Paulo e o Flamengo do Rio de Janeiro e a equipa paulista venceu por 2-1, após prolongamento, num estádio cheio com milhares de entusiastas brasileiros que se deslocaram a Montevideu.
A equipa do Palmeiras venceu a competição pela terceira vez e a curiosidade está no facto do treinador português Abel Ferreira ter repetido o triunfo de 2020, tornando-se no primeiro treinador estrangeiro a ganhar duas vezes a Taça dos Libertadores da América, a mais importante competição futebolística da América do Sul.
Toda a imprensa brasileira destaca nas suas primeiras páginas a fotografia dos exuberantes campeões da Libertadores. Uma alegria para os brasileiros ou, pelo menos, para uma parte deles... 
Há uns dias, também o treinador Leonardo Jardim, vencera a Liga dos Campeões da Ásia, o que mostra como são qualificados esses profissionais do nosso futebol.