A 102ª edição da Volta à França em bicicleta
termina hoje em Paris depois de terem sido percorridos 3.360 quilómetros por
estradas holandesas, belgas e francesas. Durante 22 dias, um pelotão de 198
ciclistas repartidos por 22 equipas proporcionou um espectáculo desportivo de alto
nível e de grande adesão popular. Através da televisão tivemos a possibilidade
de acompanhar a prova com transmissões de alta qualidade técnica devidamente
comentadas, que nos permitiram “estar” realmente dentro do pelotão,
acompanhando os ciclistas, as suas lutas e as suas fraquezas. Essas reportagens
também permitiram acompanhar o inigualável entusiasmo de milhões de franceses
pelo Tour de France que, nas bermas
das estradas ou no alto das montanhas dos Pirinéus e dos Alpes, aplaudiram os
seus ídolos, mas essas imagens também permitiram apreciar as paisagens
deslumbrantes e um notável património histórico e cultural disseminado por todo
o território francês. Provavelmente, nenhum outro evento desportivo como o Tour de France contribui tanto para a
promoção de um país, através da beleza das imagens que transmite para todo o
mundo durante muitas dezenas de horas. Esta 102ª edição, que hoje termina,
caracterizou-se pelo seu percurso de grande dificuldade, com muitas etapas de
alta montanha e muitas quedas. Não foi apenas uma prova desportiva, pois foi um
espectáculo único. O ciclista português Rui Costa foi, para nosso
desapontamento, uma das vítimas dessas quedas, enquanto os verdadeiros campeões
se impuseram na subida das altas montanhas. Para a história vão ficar sobretudo
os nomes dos espanhóis Contador e Valverde, do italiano Nibali e do colombiano
Quintana mas, principalmente, o inglês Christopher Froome que repetirá hoje em
Paris a sua vitória de 2013. E hoje em Paris, haverá três portugueses entre os
160 ciclistas que vão terminar o Tour.
domingo, 26 de julho de 2015
sábado, 25 de julho de 2015
A intervenção turca no conflito sírio
Na complexa
situação que se vive na Síria, resultante de uma desastrada intervenção
ocidental que decidiu apoiar todas as forças que lutam contra o presidente
Bashar el Assad, aconteceram nos últimos dias alguns acontecimentos relevantes.
A Turquia que até agora mantivera uma atitude de hostilidade para com o regime
sírio e de tolerância ou mesmo apoio ao Estado Islâmico (ISIS ou Daesh), parece
ter alterado a sua posição.
No início da
semana um homem-bomba fez-se explodir no meio de uma manifestação de estudantes
curdos em Suruç, próximo da fronteira turca, matando 32 pessoas. As
autoridades turcas de imediato acusaram o Daesh. Dias depois, um grupo de elementos do Daesh
atacou um posto fronteiriço turco, provocando a morte de um oficial e alguns
feridos. O governo turco reagiu a estas provocações jihadistas e decidiu impor
a sua autoridade na fronteira, onde vinha “fechando os olhos” às actividades do
grupo extremista no seu território. O seu envolvimento no conflito, depois de
cinco anos de não intervenção directa, é a resposta aos receios de que o
jihadismo do Daesh entre pelos seus 900 quilómetros de fronteira. Assim, o
governo turco tomou a decisão de autorizar a coligação liderada pelos Estados
Unidos a utilizar a base aérea de Incirlik no sul do país e, ao mesmo tempo, as
forças armadas turcas atacaram o Daesh. Três aviões de combate F–16 turcos
atacaram as suas posições em Kilis, junto à fronteira com a Síria, tendo sido
anunciada a morte de 35 militantes jihadistas. Foi a primeira operação do
género lançada pelo governo de Ancara e a imprensa turca, caso do diário Milliyet,
deu-lhe grande destaque a mostrar que a Turquia começa a estar preocupada com o que se passa junto das suas fronteiras e passou a ter um papel mais
activo nesta guerra.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
A unidade da Espanha e a ambição catalã
No próximo dia 27
de Setembro vão realizar-se eleições regionais antecipadas na Catalunha e a
grande novidade é a apresentação de uma lista unitária independentista, conforme
revela El Periódico de Barcelona. Esta lista agrega os dois principais
partidos nacionalistas catalães, isto é, a Convergência e União (CiU) que está no poder e que é presidida por Artur Mas e a Esquerda Republicana Catalã (ERC)
dirigida por Oriol Junqueras, mas integra também outros pequenos partidos.
Estas forças apresentar-se-ão ao eleitorado catalão sob o lema “Junts pel Si” e, de facto, pretendem transformar as eleições regionais num plebiscito independentista. O acordo celebrado junta pela primeira vez as forças políticas independentistas
catalãs e visa proclamar a independência da Catalunha, já incluindo um
pacote de medidas calendarizadas que se destinam a preparar a independência catalã
num período de entre seis a oito meses depois das eleições. Este anúncio deixou
a Espanha inquieta.
Dois dias depois,
a recém-eleita presidente do Município de Barcelona Ada Colau, militante do Podemos mas que não é assumidamente
independentista, decidiu retirar o busto do Rei João Carlos da sala de
plenários municipais, porque a lei apenas obriga à presença de um busto ou
fotografia do rei actual e não do rei anterior, o que foi considerado um acto
inamistoso para com a Casa Real e originou uma "guerra" municipal. No dia seguinte, o rei Filipe VI visitou
Barcelona para presidir à entrega de diplomas a 35 novos juízes e, perante as
autoridades catalãs, afirmou que o respeito pela lei não pode ser uma
formalidade nem uma alternativa, o que foi entendido como um aviso aos que
actuam contra a unidade da Espanha. Estes acontecimentos mostram que há uma
grande preocupação em Espanha pelo que possa acontecer na Catalunha nos
próximos tempos.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Uma nova era para 11 milhões de cubanos
Depois de 54 anos
de total ausência de relações, de muita tensão e de algumas provocações, as
diplomacias americana e cubana conseguiram chegar a uma base de entendimento
que teve ontem o seu momento mais simbólico em Washington, quando foi hasteada
a bandeira cubana na nova Embaixada de Cuba nos Estados Unidos. Esse acto foi
protagonizado perante mais de cinco centenas de convidados pelo ministro Bruno
Parrilla, o primeiro governante cubano a entrar nos Estados Unidos em mais de
50 anos.
A história de Cuba é demasiado rica de grandes acontecimentos,
neles se incluindo a sua luta pela independência contra o poder colonial espanhol que
culminou em 1898, o movimento guerrilheiro de Fidel de Castro e dos seus
companheiros que a partir da Sierra Maestra tomaram o poder em 1959 e a controvérsia que a revolução
cubana e os seus ícones sempre despertaram. Cuba desafiou e afrontou os Estados
Unidos e o imperialismo económico-militar dos tempos modernos, aliou-se ao
sovietismo e alimentou conflitos um pouco por todo o mundo. Isolou-se do mundo
e, como contrapartida, os onze milhões de cubanos ficaram mais afastados da
comunidade internacional.
Agora, os dois
milhões de cubanos que vivem nos Estados Unidos, sobretudo na Florida, estão a passar por um tempo de
confiança e de orgulho nacional, conforme revela o Miami Herald. Porém, o processo de normalização das relações
entre os dois países vai ser longo e lento, pois há muitas forças, quer em Cuba
quer nos Estados Unidos, que não esquecem as tensões do passado e não aceitam
os passos que estão a ser dados por Barack Obama e por Raul Castro. Uns prometem não terminar com
o embargo económico que vigora desde 1962, enquanto outros reclamam o fim do
regime fidelista. Por isso, durante a cerimónia em Washington alguns manifestantes gritaram “Cuba si, Fidel no”, enquanto outros preferiram
gritar “Cuba si, embargo no”, mas
seguramente que está aberta uma nova era para os 11 milhões de cubanos que
vivem na ilha.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Como eles nos afundam e nos mentem
Um jornal de
Lisboa bem conhecido pelos seus títulos sensacionalistas e por algumas
campanhas que alimenta, escolheu hoje a dívida pública portuguesa como tema da
sua primeira página. A notícia não é nova, mas porque é apresentada a toda a
largura da primeira página tem um impacto maior e serve para alertar os mais distraídos.
É sabido que, em plena crise financeira
que atravessou o Atlântico e se instalou na Europa, a dívida pública portuguesa
passou de 71,0% do PIB (em 2008), para 83,7% (em 2009) e 94,0% (em 2010). Segundo a
Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, em 31 de Maio de
2011 a dívida atingia 164.348 mil milhões de euros, correspondentes a cerca de
100% do PIB.
Passados 4 anos,
com a intervenção da troika e com um governo submisso que “quis ir mais longe
do que a troika”, a dívida pública portuguesa atingiu 224.155 milhões de euros no
dia 31 de Maio de 2015, correspondendo a cerca de 130% do PIB. Aumentou 59,8
mil milhões de euros em quatro anos!
Significa que com
a troika, o governo nos endividou em cerca de 60 mil milhões de euros, isto é,
aumentou a dívida em cerca de 36%, para além de ter aumentado o desemprego, a
pobreza e a emigração dos mais jovens e de ter criado graves problemas na
educação, na justiça, na saúde e na defesa nacional. A economia e a sociedade estão doentes, mas não faltam lugares para os amigos. No plano europeu tornámo-nos
seguidistas sem dignidade e é lamentável termos abdicado da solidariedade para
com os nossos parceiros e ouvir o presidente do Conselho Europeu desmentir o
primeiro-ministro português. Uma tristeza!
Para quem anda
sempre a acusar os outros, a fazer propaganda, a auto-elogiar-se e a afirmar
que os cofres estão cheios, esta verdade é demolidora e cobre de ridículo
aqueles que têm dito que "é preciso proteger" o que foi feito e
"não voltar a cometer os mesmos erros". É que esta gente não só é
mentirosa, como também é ousada e atrevida na forma como mente.
O que nos vale é o futebol… de praia
O ano
de 2015 não tem corrido muito bem ao desporto português no plano internacional,
porque apesar de ter averbado alguns sucessos muito meritórios, por exemplo no
ténis de mesa, na canoagem, no judo e no atletismo, também teve algumas
derrotas que muito desapontaram os nossos desportistas.
No
Mundial de hóquei em patins disputado em La Roche Sur Yon, a equipa portuguesa perdeu com a Argentina nas meias-finais. No Mundial de
Futebol de Sub-20 disputado na Nova Zelândia (FIFA U-20 World Cup) os portugueses perderam nos quartos-de-final
com o Brasil na marcação de grandes penalidades. No Europeu de Futebol de
Sub-21 disputado na República Checa (UEFA European Under-21 Championship)
a selecção perdeu a final com a Suécia também na marcação de grandes penalidades. Na Liga Mundial de voleibol (FIVB Volleyball World League 2015) a equipa nacional foi despromovida ao Grupo 3 depois de ter
perdido com a Bélgica, a Holanda e a Finlândia. Até na Volta à França tivemos a
desistência de Rui Costa, o ex-campeão do Mundo em que tantas esperanças eram
depositadas. Já andamos na alta roda desportiva, mas têm sido demasiados baldes
de água fria.
Porém, ontem em Espinho, depois de ter ultrapassado as selecções
do Japão, Argentina, Senegal, Suiça e Rússia, a equipa portuguesa derrotou a
equipa do Tahiti e tornou-se campeã mundial de futebol de praia (FIFA Beach Soccer World Cup Portugal 2015).
Há que felicitar aqueles verdadeiros
artistas do futebol de praia, mas também há que salientar que a vitória foi um
prémio merecido para os muitos entusiastas portugueses que encheram o estádio,
que incitaram os jogadores e que vibraram com a vitória. Foi uma alegria e, no meio das muitas
incertezas que nos rodeiam, precisamos destas alegrias. Até o jornal A Bola esqueceu por um dia o Jesus, o Benfica, o Casillas e as transferências de futebolistas para homenagear os campeões do mundo!
domingo, 19 de julho de 2015
Duas boas exposições em Torres Vedras
Na incaracterística cidade de Torres Vedras, a par de um notável património
militar e religioso e de muitas memórias históricas, existe o Museu Municipal
Leonel Trindade instalado no antigo convento da Graça, em cuja exposição
permanente se evocam as Linhas de Torres que, entre Outubro de 1810 e Março de
1811, travaram o avanço das tropas francesas do marechal André Masséna na sua
caminhada para Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.
Nesse museu estão actualmente em exibição duas interessantes
exposições temporárias de elevado cunho didáctico, que foram inauguradas no dia
15 de Maio e que, por diferentes vias, evocam a expansão ultramarina portuguesa.
Uma dessas exzposições intitula-se “Torres
Vedras no caminho de Ceuta. 600 anos – Do Conselho Régio de Torres Vedras… à
conquista de Ceuta (1414-1415)” e evoca o Conselho Régio que reuniu em
Torres Vedras em 1414 e que decidiu
pela tomada de Ceuta e pelos preparativos para a mesma. A outra exposição
intitula-se “Sarmento Rodrigues – Viagem
ao Oriente Português” e recorda a viagem que o Ministro do Ultramar
Almirante Sarmento Rodrigues realizou em 1952 aos territórios ultramarinos da
Índia Portuguesa, Timor e Macau, com passagens por Malaca e Singapura, como
contributo para a ideia então dominante de unidade de uma nação
pluricontinental. Essa longa viagem, em que pela primeira vez aqueles
territórios foram visitados por um membro do governo português, constituiu um
acontecimento político relevante para a época e entusiasmou as elites locais
que ofereceram ao ministro português várias peças ilustrativas da riqueza
cultural dos territórios visitados. Essas peças de elevado valor artístico e
simbólico que o Almirante Sarmento Rodrigues doou ao Museu Nacional de
Etnologia integram a exposição e, só por si, justificam uma visita. A
exposições manter-se-ão em exibição até ao dia 10 de Outubro.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Uma belíssima exposição fotográfica!
Sebastião Salgado
é um brasileiro com 70 anos de idade, natural de Minas Gerais e é, também, um
dos mais famosos fotógrafos ou fotojornalistas do mundo, com trabalhos
reconhecidos internacionalmente. Tem acumulado prémios e distinções e a UNESCO
distingiu-o com Embaixador da Boa Vontade, pelo seu contributo para a
preservação do nosso planeta. Desde o dia 10 de Abril que Sebastião Salgado
apresenta em Lisboa a sua exposição “Génesis”, constituída por cerca de
250 imagens a preto e branco de grande formato, dedicadas aos povos isolados, aos animais, à natureza e às suas paisagens
grandiosas, que foram recolhidas sobretudo em lugares ainda não explorados ou
não flagelado pelo homem. Trata-se de um trabalho desenvolvido durante quase
uma década pelas regiões mais inóspitas do planeta, desde a Antártida à Nova
Guiné e à Amazónia, que serviu de base à magnífica e muito didáctica exposição
itinerante que é “uma jornada de busca do planeta como ele existiu desde a sua
formação e na sua evolução”.
Iniciada no
Brasil, a exposição já passou por Londres e vai ficar em Lisboa, no Torreão
Nascente da Cordoaria Nacional, até ao
próximo dia 2 de Agosto. Descuidei-me e só quase no fim da mostra, a visitei. Havia
muita gente interessada e muitas crianças em visita escolar. O que eu ia perdendo!
Para os que, como eu se distrairam, ainda há duas semanas para poderem ver esta
belíssima exposição.
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FOTOJORNALISMO
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Uma grande vitória da diplomacia
Após mais de uma
dezena de anos de tensão à volta do programa nuclear iraniano, as negociações
entre o Irão e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e
Alemanha) foram concluidas com sucesso. O acordo foi alcançado em Viena após 21
meses de difíceis negociações e no 18º dia da última etapa de conversações.
Segundo foi divulgado, o acordo limita num longo prazo a capacidade iraniana
para produzir armas nucleares e não se baseia na confiança entre as partes, mas
sobretudo no facto do Irão aceitar inspecções periódicas às suas instalações
militares. O acordo implica o levantamento imediato de muitas sanções impostas
pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Conselho de Segurança das
Nações Unidas.
Os presidentes
Barack Obama e Hassan Rouhani manifestaram a sua satisfação pelo acordo e a sua
esperança numa relação renovada entre os dois países. A imprensa internacional
destacou esta notícia com euforia, embora o acordo tenha provocado fartos
protestos, por diferentes razões, nos dois maiores adversários regionais do
Irão, respectivamente Israel e a Arábia Saudita. Durante anos a suspeita e a
desconfiança dominaram a relação do Irão com algumas grandes potências e destas
com o Irão, tendo sido traçados cenários para um ataque contra as instalações
militares do Irão. Chegou-se mesmo a imaginar a aviação israelita a actuar como
testa de ferro do poder americano ou uma grande batalha naval no golfo Pérsico mas, por agora, a diplomacia acabou por vencer. Seria
excelente que esta diplomacia tão dinâmica e tão eficaz se estendesse na região
e levasse rapidamente a paz à Síria, ao Iraque e ao Iémen.
terça-feira, 14 de julho de 2015
O triste fim da solidariedade europeia
Depois de muitas
semanas de encontros e desencontros, surgiu uma hipótese de acordo quanto ao
futuro da Grécia depois de uma maratona de muitas horas de negociações, mas
poucos podem acreditar na sua viabilidade. O jornal espanhol ABC retrata
hoje a Grécia representada por um frágil barquinho de papel que se afundará com
a mais ligeira brisa. A Grécia foi derrotada pelos abutres, humilhada pelos
falcões e vai continuar sujeita à mesma austeridade que a tem destruído social
e economicamente.
A solidariedade europeia acabou e, lentamente, a Grécia vai apagar-se, mas vai levar consigo o projecto europeu. O fanatismo e a ignorância dos negociadores foi longe demais. Usaram a Contabilidade em vez da História e da Geopolítica. Não ouviram Joseph Stiglitz nem Paul Krugman, ambos distinguidos com o prémio Nobel da Economia. Tiveram uma visão contabilística em vez de uma visão política e cultural. Uma pré-tragédia.
A solidariedade europeia acabou e, lentamente, a Grécia vai apagar-se, mas vai levar consigo o projecto europeu. O fanatismo e a ignorância dos negociadores foi longe demais. Usaram a Contabilidade em vez da História e da Geopolítica. Não ouviram Joseph Stiglitz nem Paul Krugman, ambos distinguidos com o prémio Nobel da Economia. Tiveram uma visão contabilística em vez de uma visão política e cultural. Uma pré-tragédia.
Sabemos que a situação era muito
complexa e que o passado despesista do país e as irrealistas promessas
eleitorais dos governantes gregos não ajudavam a boas soluções, mas faltou
coragem política para encontrar uma outra resposta. O acordo a que se chegou
(graças ao valioso contributo lusitano saído do cérebro do nosso Passos!!!),
nada resolve e é muito perigoso. Os gregos vão reagir e a instabilidade vai
instalar-se naquela área geoestratégica, onde convergem interesses dos mais
diversos. Tal como no futebol, tudo pode acontecer a partir da confusão que se
vai instalar devido ao desespero de milhões de gregos. Ali bem perto estão acantonados os fundamentalismos e, do outro
lado do mar, há muitos milhares de refugiados àvidos de fazer a travessia. É
caso para perguntar como foi possível que se chegasse a esta situação e saber
quem são os responsáveis por ela. Talvez o ex-comissário Barroso nos possa
explicar... Agora, perante o cenário catastrófico que se avizinha, em vez de
serem ressarcidos dos créditos concedidos à Grécia para beneficiar cadeias de
intermediários corruptos, é bem possível que os credores venham a suportar
ventos tempestuosos vindos do Mediterrâneo Oriental mas, então, nem Wolfgang
Schäuble, nem Dijsselbloem, nem Lagarde, estarão nos lugares de onde dirigiram
esta sinistra operação. E no meio disto
tudo, temos o Peter Kazimír, vice-primeiro-ministro
e ministro das Finanças da Eslováquia, a afirmar que
“a Grécia teve de ser punida devido à primavera grega”. Palavras para quê?
sábado, 11 de julho de 2015
Tomar e a sua grande festa popular
A Festa dos
Tabuleiros ou do Divino Espírito Santo que se realiza de quatro em quatro anos
na cidade de Tomar é uma das mais exuberantes romarias portuguesas e é uma
interessante expressão de criatividade popular que é conhecida pelo menos desde
o século XV.
Apesar da festa incluir inúmeras realizações e atracções musicais,
desportivas, tauromáquicas, gastronómicas e outras ao gosto popular, o seu ponto mais simbólico
é o imponente Cortejo dos Tabuleiros em que sobressaem os tabuleiros
artisticamente decorados e a brancura das vestes das raparigas que os
transportam à cabeça ao longo das ruas da cidade, engalanadas com colchas
pendentes nas janelas e sob uma chuva de pétalas lançadas sobre o cortejo, a
que depois se segue a benção do pão e das coroas do Espírito Santo. Os
tabuleiros que se incorporam no cortejo ou desfile representam as 16 freguesias do concelho de Tomar e o seu número é variável, embora habitualmente ultrapasse as cinco centenas.
O Cortejo dos
Tabuleiros realiza-se amanhã, a partir das 16:00 horas e é o ponto mais alto da
Festa dos Tabuleiros e, só por si, atrai centenas de milhar de visitantes. Não é fácil
chegar lá mas, seguramente, é uma grande tradição que se preserva e fortalece e é, também, um grande espectáculo da cultura popular
portuguesa.
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ARTE E CULTURA,
CIDADES,
FESTAS E ROMARIAS
O exercício assegura a eficiência militar
O matutino Northern Territory News
(NT News) que se publica na cidade australiana de Darwin, a capital do
Território do Norte, destaca na sua edição de hoje a realização do Exercise Talisman Saber 2015, com uma
desenvolvida reportagem. Trata-se de um exercício militar combinado que se
realizou pela primeira vez em 2005 com a participação das Australian Defense
Forces e das Forças Armadas dos Estados Unidos e que, desde então, se tem realizado
de dois em dois anos, sendo o maior exercício militar realizado pelos
australianos. O exercício decorrerá nas regiões norte e centro do território
australiano, no mar territorial e na sua zona económica exclusiva que se
desenvolve no mar de Timor, mas com maior incidência nas regiões a oeste de
Darwin, em que as amplitudes de maré atingem 9 metros e abundam “man-eating
crocodiles and even nesting turtles”.
Este ano o exercício tem a sua sexta
edição e desenvolve-se a partir de meados de Julho durante vinte dias,
envolvendo mais de 30 mil tropas americanas e australianas, além de muitos e
diversificados meios navais e aéreos. Pela primeira vez participarão
no exercício forças neo-zelandesas (500 efectivos) e forças japonesas (40
efectivos). Os exercícios destinam-se a assegurar o treino que garante a
eficiência militar e a fortalecer as capacidades de resposta a situações de
crise e de contingência, sobretudo em relação à guerra ao terrorismo,
envolvendo todo o tipo de acções terrestres e marítimas. É assim em todo o lado
e em todas as actividades. Até no futebol. Porém, a dimensão deste exercício
não deixa de ser uma manifestação de poder face ao maior país islâmico do mundo
que se situa nas vizinhanças, mas também um sinal para a própria China e para a
sua vontade de se tornar a potência dominante na região.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
O “comício eleitoral” do estado da Nação
Ontem decorreu o
debate parlamentar sobre o estado da Nação e, como é natural, a troca de
argumentos foi viva, mas não convenceu ninguém. O debate com aqueles
protagonistas não esclareceu e pouco serviu para avaliar o estado da Nação. Foi
um verdadeiro comício parlamentar ou mesmo um comício eleitoral. Como o jornal Público
escreveu, foi um debate entre “o país pobre e o país que cresce”, isto é, por
um lado aqueles que criticam a excessiva austeridade que nos afectou e a nossa
subserviência perante a troika, com
graves consequências na pobreza, no desemprego e numa dívida pública que é a
terceira mais alta da União Europeia e, por outro, aqueles que afirmam ter
feito o melhor para o país, que seguiram a estratégia acertada, que não
falharam e que vão levar agora o país para um ciclo de crescimento e
prosperidade.
Independentemente da opinião de cada um, a situação portuguesa é
muito complexa. O governo vive de um auto-elogio ridículo e com a mentira a
tornar-se um factor de acção política e um instrumento de propaganda, mas a
esquecer-se que as novas tecnologias são hoje um verdadeiro detector de
mentiras. A nação vive um estado de enorme degradação da vida económica e
social que as estatísticas não mostram claramente, com a pobreza a aumentar,
sem investimento produtivo, sem criação de emprego e, sobretudo, sem esperança no futuro.
As estruturas do Estado estão depauperadas e foram desprestigiadas pelo poder
político que não foi capaz de fazer a sua necessária reforma. É sabido que as
coisas não vão bem na Educação, na Justiça, nas Forças Armadas, nas Polícias,
na Economia, na Diplomacia e, ao contrário do que nos foi dito, os nossos
cofres não estão cheios e a nossa dívida continua a subir, com encargos
absolutamente insuportáveis e insustentáveis.
A Grécia esteve
presente no debate e a maioria insiste no discurso da intolerância e da
inflexibilidade, indiferente à tragédia que se abateu sobre a sociedade grega devido à ganância da especulação financeira, sem cuidar de nos prevenir de um eventual efeito boomerang que, amanhã, se pode virar
contra nós.
Em síntese, o
governo faz o seu auto-elogio, distorce estatísticas, utiliza mentiras, diz meias verdades e faz
propaganda, mas desconhece o verdadeiro estado da Nação.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
R.I.P. Maria Barroso
Com 90 anos de
idade faleceu Maria de Jesus Barroso, a mulher que durante 66 anos foi casada
com o antigo Presidente Mário Soares. Era uma mulher notável que os portugueses
bem conheciam pela sua longa presença na nossa esfera pública e que conseguiu
gerar uma unânime onda de simpatia e de respeito à sua volta, pelo seu
excepcional percurso de vida nos planos familiar, artístico, profissional, político
e cívico.
Diplomou-se em
Arte Dramática na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, foi actriz na
companhia de teatro Rey Colaço-Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D.
Maria II e participou em filmes de Paulo Rocha e Manoel de Oliveira.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa e foi professora e directora do Colégio Moderno. Em 1969
foi candidata a deputada pela Oposição Democrática e em 1973 participou no
Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, tendo sido a única mulher a
intervir na sessão de abertura e, no mesmo ano, esteve em Bad Munstereifel na
reunião fundadora do Partido Socialista.
Depois do 25 de
Abril foi eleita deputada à Assembleia da República em várias legislaturas e,
entre 1986 e 1996, foi a primeira-dama de Portugal. Depois presidiu à Cruz
Vermelha Portuguesa e não desistiu de intervir na defesa activa de grandes
causas sociais e humanitárias. Hoje, todos, desde as personalidades políticas
de todos os quadrantes até aos mais simples moradores da vizinhança da Família Soares, repetiram elogios
ao talento, à energia, ao carácter, à cultura e à simplicidade de Maria
Barroso. No seu discurso de despedida, António Costa disse que “em todos os
socialistas fica hoje um vazio”.
Uma só vez estive
com Maria Barroso, quando há 20 anos ouvi falar português no hall de um hotel a dez mil quilómetros
de Lisboa e lhe dirigi a palavra. Nunca mais esqueci aqueles 15 minutos de
tão inesperada e agradável conversa.
As grandes “sanfermines” de Pamplona
Começaram anteontem
em Pamplona as Festas de San Fermin, o santo natural da cidade que é o padroeiro
da diocese de Navarra. As sanfermines,
nome por que são localmente conhecidas as festas, acontecem todos os anos entre
os dias 6 e 14 de Julho. Segundo rezam as informações oficiais, as programações
religiosa e profana convivem muito bem, mas “San
Fermin es la fiesta en la calle y el encierro”, um quase carnaval colectivo
que é animado por muita música, “por la
generosa absorción de bebidas con muchos grados” e, naturalmente, por
muitos excessos. Milhares de pessoas usam a pamplonica, isto é, vestem camisas e calças ou saias brancas, com um lenço e uma faixa vermelha na cintura.
Porém são os encierros ou
largadas de touros que tornaram as festas internacionalmente conhecidas. o escritor americano Ernest Hemingway dedicou-lhe um romance que foi traduzido em Portugal com o título "O Sol nasce sempre (Fiesta)". Em
cada encierro, que se inicia às 8 horas da manhã, são
largados seis touros bravos e seis cabrestos numa distância de 875 metros pelas
ruas da cidade velha até à Praça de Touros de Pamplona. Isto acontece todos os
dias desde o dia 7 ao dia 14 de Julho, isto é, as festas incluem oito encierros. O site oficial das festas – www.sanfermin.com – apresenta vasta
informação sobre o evento e, para cada encierro,
informa a origem dos touros e regista a performance
diária comparando-a com os encierros
dos anos anteriores, quanto à sua duração, número de corneados, traumatismos
registados, temperatura, etc. Como é sabido, tem havido algumas mortes nos encierros das Festas de San Fermin, pelo
que são divulgadas instruções para prevenir os que decidem enfrentar os touros
nas ruas de Pamplona. As televisões transmitem sempre imagens das colhidas,
mais ou menos graves, mais ou menos espectaculares. É o que também faz hoje El
Diario Vasco na sua primeira página.
Se eu penso ir às festas a Pamplona? Não, obrigado.
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