Uma das questões
que tem provocado mais ruido na discussão pré-eleitoral em que a política
portuguesa está envolvida é a de saber quem chamou a troika e quem assinou o Memorando de Entendimento. Se em relação
ao Memorando assinado no dia 17 de Maio de 2011 todos nos lembramos de ver
Eduardo Catroga a participar em reuniões acompanhado pelo actual Comissário
Moedas e a afirmar que o nosso problema eram apenas as “gorduras do Estado”, já
em relação à vinda da troika podia
haver dúvidas. Sabemos que a Comissão Europeia de Durão Barroso e o BCE de
Jean-Claude Trichet saudaram e apoiaram o PEC4, que teria permitido enfrentar
as dificuldades, evitar o resgate e a vinda da troika com o seu programa que nos humilhou, mas esse documento veio
a ser chumbado no Parlamento pela oposição. Sabemos que esse chumbo levou à
queda do governo no dia 23 de Março de 2011. Hoje, ficamos a saber, através de
uma carta divulgada pelo jornal Público que, no dia 31 de Março de 2011, Passos
Coelho se dirigiu ao então Primeiro-Ministro já demissionário e lhe afirmou que
o seu partido “não deixará de apoiar o
recurso aos mecanismos financeiros externos, nomeadamente em matéria de
facilidade de crédito para apoio à balança de pagamentos”. Para quem tem
repetidamente afirmado nada ter a ver com a vinda da troika, nem com o conteúdo do Memorando, esta carta e as imagens da
televisão de que nos recordamos, confirmam como este homem vive num mundo de
continuada mentira. Fica demonstrado que, depois de chumbar o PEC 4 e a
solução negociada que Barroso, Trichet e Merkel apoiavam, uma semana depois
já afirmava que não deixaria de apoiar a vinda da troika, quando o governo já demissionário ainda estava atordoado
pelo chumbo do PEC 4. Era seguramente o que ele queria. Parece, pois, que foi Passos quem primeiro falou do
auxílio externo ou da vinda da troika.
De resto, é evidente que a troika só
viria para Portugal se os dois grandes partidos estivessem de acordo e até nem
é importante saber qual foi o menino que primeiro levantou o dedo. O resto é
conversa.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Um mentiroso compulsivo e sem emenda
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
A campanha eleitoral vem aí. Votemos!
A campanha
eleitoral para as Eleições Legislativas vai decorrer de 20 de Setembro a 2 de
Outubro e a votação decorrerá no dia 4 de Outubro. Embora eu não tenha a
intenção de trazer a campanha eleitoral para a Rua dos Navegantes, vou
aproveitar estes dias de pré-campanha para aqui deixar alguns comentários ou um
breve testemunho. Eu entendo que os
cidadãos só beneficiam com a alternância do poder e que as eleições são um
julgamento do que foi ou não foi feito, mas que também servem para comparar
promessas não cumpridas e para darmos ,ou não, a nossa confiança a quem se propõe tomar
o exercício do poder.
Todos sabemos o
que se passou nos últimos quatro anos, em que a nossa riqueza e a nossa
economia decresceram, em que a nossa dívida pública aumentou, em que foram destruidos muitos milhares de postos de
trabalho e se criou um exército de desempregados, com uma parte substancial
da nossa população a entrar em risco de pobreza e com muita gente a emigrar. Foi
devastador. Foi o aumento enorme do IVA e do IRS. Foram a criação de taxas de
sustentabilidade e de solidariedade, a extinção de quase todos os benefícios
fiscais, os cortes nos 13º e 14º mês, o corte dos feriados, o corte nas indemnizações por despedimento, o
aumento dos preços dos transportes, das custas judiciais, das despesas de
educação e saúde, para além de pagarmos, mais caro que a maior parte dos
europeus, a gasolina, o gás, a água e a electricidade. A ameaça e a incerteza foram permanentes. Os salários e as O governo tem
apresentado alguns resultados positivos verificados nos últimos meses nas
exportações e no turismo, mas não são obra sua e, infelizmente, são uma caricatura relativamente ao que
aconteceu na Espanha e até na Grécia. O governo falhou em quase tudo a coberto
do memorando e da troika, incluindo as privatizações feitas à pressa e por
razões ideológicas, a intervenção no BES sem proteger as poupanças dos
emigrantes, a distribuição abusiva de subsídios às escolas privadas, a
instabilização nas Forças Armadas e de Segurança, a promoção dos hospitais
privados e o ataque ao SNS. Há um enorme descontentamento nos médicos e nos
professores, nos polícias, nos enfermeiros, nos militares e o futuro é sombrio
num país cujos governantes submissos deixaram que a dignidade nacional fosse
humilhada.
Os resultados da
governação Passos-Portas são tão maus e eles são tão impopulares que muitos dos
seus correlegionários não se lhes chegam e temos o presidente do PSD a andar às
costas desse malabarista chico-esperto que é o presidente do CDS, que não tem
votos nem popularidade e que não passa de um irrevogável que dá o dito por não
dito. São homens vulgares, sem carreiras profissionais fora da política e sem grandes
recursos intelectuais, sem ideias e sem projectos, denunciados como mentirosos
e como manipuladores da verdade, que usam pequenos golpes baixos para desviar
as atenções do essencial, mas que souberam rodear-se de uma corte de fiéis,
sobretudo dos que querem segurar o seu tacho ou que aspiram a ser contemplados
com um qualquer lugar de assessor ou de consultor ,com três ou quatro mil euros por mês, mesmo que tenham apenas 21 anos.
Porém, a
realidade é bem mais negativa e negra do que aquilo que a propaganda oficial se esforça
por fazer crer, com o apoio de muitos jornalistas que decidiram ser
escandalosamente servis, o que é uma desonra para a sua profissão. Não é
preciso mais nada a não ser observar. A campanha eleitoral vem aí. Votemos!
sábado, 12 de setembro de 2015
Sim ou não à independência da Catalunha
A Catalunha celebrou
ontem a sua Festa Nacional, habitualmente conhecida como Diada Nacional de Catalunya, ou simplesmente Diada. A habitual festa popular que assinala a data mobilizou cerca de um milhão e meio de
pessoas, tendo-se transformado numa monumental manifestação de apoio à independência
da Catalunha e ocupado a grande Avenida Meridiana em Barcelona, como hoje mostra a primeira
página do La Vanguardia.
O ideal independentista catalão está relacionado com o dia 11 de
Setembro de 1714 quando, depois de um cerco que durou 14 meses, a cidade de Barcelona
caiu perante um exército de 40 mil homens. A queda de Barcelona determinou o
fim da guerra da Sucessão (1702-1714) que tinha confrontado a Catalunha e Aragão
com Castela, no contexto de um conflito à escala europeia que se tornara, também, uma guerra civil em Espanha. Pouco
tempo depois foram abolidas as instituições catalãs e iniciou-se um processo
repressivo e de imposição do centralismo castelhano que durou até ao fim do
franquismo. Porém, o orgulho catalão não desapareceu. Com a restauração da Monarquia
e da Democracia foram restauradas as autonomias espanholas e a Catalunha
recuperou as suas instituições e, sobretudo, o seu ideal independentista.
Nos últimos anos
os partidos independentistas que recusam o centralismo e defendem a separação da Catalunha da Espanha
ganharam muitos adeptos. Depois do governo de Madrid ter recusado às
autoridades catalãs o direito de organizar um referendo como fez a Escócia, o
governo da Catalunha forçou a realização de eleições regionais antecipadas para
o próximo dia 27 de Setembro. As sondagens apontam para uma elevada
probabilidade de vitória das forças independentistas, o que pode significar o
início de um processo de separação ou mesmo de uma declaração unilateral de
independência. Faltam apenas duas semanas para que as eleições catalãs se
possam transformar numa autêntica e imprevisível caixa de Pandora. Ontem a Diada foi um acontecimento mobilizador.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Isabel II, o mais longo reinado britânico
A rainha Isabel
II, cujo título oficial completo é Sua
Majestade Elizabeth Alexandra Mary Segunda, com a Graça de Deus, da
Grã-Bretanha, Irlanda do Norte e territórios de Além Mar, Rainha da Comunidade
Britânica e Defensora da Fé, torna-se hoje a monarca com o mais longo
reinado da história britânica, ultrapassando o recorde da rainha Victoria, a
sua trisavó, sendo esse facto assinalado por diversos jornais, como por exemplo
The
Daily Telegraph.
A rainha Victoria
nasceu em 1819 e faleceu em 1901, tendo o seu reinado durado 63 anos e 7 meses
e ficado conhecido como a era victoriana,
que foi um período de grande mudança industrial, cultural, política, científica
e militar na Grã-Bretanha, marcando a expansão e a hegemonia global do Império
Britânico. Teve nove filhos e quarenta e dois netos que, através do casamento
com membros de outras famílias reais e da nobreza europeia, a tornaram um
referencial familiar para a Europa e lhe valeram a alcunha de “a avó da
Europa”. Os maridos da rainha Victoria (Francisco Alberto) e da rainha D. Maria II
de Portugal (Fernando) eram primos e membros da Casa de Saxe-Coburgo
Gota, isto é, as casas reais inglesa (Windsor) e portuguesa (Bragança) tinham
relações familiares.
À rainha Victoria
sucederam Eduardo VII, Jorge V, Eduardo VIII, Jorge VI e Isabel II. A rainha
Isabel II iniciou o seu reinado em 1952 e hoje é a rainha do Reino Unido e de
quinze outros estados independentes, além de chefe da Commonwealth, que é
constituída por 53 estados. Os seus biógrafos afirmam que ela conheceu 6 Papas,
10 Presidentes dos Estados Unidos e 12 Primeiros-Ministros britânicos.
Para quem não é
monárquico e conhece muitas das mal-feitorias feitas pelos ingleses ao seu
velho aliado lusitano, a longevidade da monarca não mereceria especial
destaque, mas o seu serviço voluntário como simples motorista do Auxiliary Territorial Service durante a
II Guerra Mundial e sob os bombardeamentos aéreos de Londres, foi um acto de
coragem que sempre mereceu a nossa admiração.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Brasil protesta em dia de independência
O dia 7 de
Setembro é, oficialmente, o Dia da Independência do Brasil. Nesse dia do ano de
1822 nas margens do pequeno rio Ipiranga, num local que hoje foi absorvido pela
malha urbana da cidade de São Paulo, o Príncipe Regente do Brasil D. Pedro de
Alcântara de Bragança tomou a decisão de liderar o processo de independência
daquela colónia portuguesa. A História regista essa decisão como o chamado
“grito do Ipiranga” e, cerca de um mês depois, o príncipe foi proclamado
Imperador do Brasil com o nome de D. Pedro I. Assim começou a história do
Brasil moderno que, daqui a sete anos vai celebrar o seu bicentenário.
Todos os países
têm uma ou mais datas que marcam a sua História e que, juntamente com a
bandeira, o hino, a língua e o território, reforçam a unidade e a identidade
nacionais: os Estados Unidos têm o 4 de Julho (Dia da Independência), a França
tem o 14 de Julho (Tomada da Bastilha), a Índia tem o 26 de Janeiro (Dia da
República), Portugal tem o 10 de Junho (Dia de Camões) e o Brasil tem o 7 de
Setembro.
Porém, este ano não
houve festa no Brasil e, em vez dela, houve largo protesto e muita indignação
porque a crise política é grave, a economia está em recessão com a inflação e o
desemprego a subirem e a popularidade da Presidente Dilma Rousseff em níveis
muito baixos. O tradicional desfile da independência que se realizou em Brasília foi pouco participado e não
mobilizou a população, embora o discurso presidencial tivesse agradado a muita
gente, como hoje salienta o Correio Braziliense ao destacar que
Dilma “fez mea-culpa”. De facto, no seu discurso a Presidente disse que “se
cometemos erros, vamos superá-los e seguir em frente”. Não é habitual que os
governantes tenham a lucidez de admitir ter errado e, por isso, essa declaração
deve dar esperança e ânimo aos brasileiros.
E, já agora, os meus parabéns pelos 193º aniversário do Brasil!
E, já agora, os meus parabéns pelos 193º aniversário do Brasil!
domingo, 6 de setembro de 2015
Refugiados sim, mas acabem com a guerra
As imagens que
nos chegam pelas televisões e as fotografias que ilustram as primeiras páginas
dos jornais são aterradoras e têm feito despertar a Europa que, desde há muito
tempo, vinha revelando alguma indiferença perante a tragédia humanitária que a
guerra na Síria e no Iraque está a provocar. Este “long walk to freedom” como
ontem se lhe referiu o diário The Scotman, é uma das consequências
de uma guerra, brutal com todas as guerras, que ocorre na Síria há quase cinco
anos, na qual alguns Estados europeus, designadamente o Reino Unido, a Alemanha
e a França, têm apoiado uma das partes do conflito com armamento e dinheiro, em
vez de procurarem a paz, sem que as suas opiniões públicas questionem os
respectivos governos sobre essa sua cegueira política e ausência de visão estratégica.
Tal como já
acontecera no Iraque e na Líbia, a política europeia em relação à Síria, tem contribuido
para a desagregação e a destruição do país e dado origem a uma tragédia
humanitária com milhões de refugiados, não só internamente, mas também nos
estados vizinhos e, agora, em direcção à Europa. A guerra civil que se trava
entre o governo de Bashar al-Assad e as várias oposições tem sido cada vez mais
“uma guerra por procuração”, em que se confrontam rivalidades religiosas e
interesses económicos, representados de um lado pela Turquia, a Arábia Saudita
e o Qatar e, do outro lado, pelo Irão, o Líbano e uma parte do Iraque.
Igualmente envolvidos nessa guerra, estão os Estados Unidos, a Rússia e os
países europeus já referidos, enquanto a posição que o Estado Islâmico atingiu
na região é relevante, embora com alguma cumplicidade ocidental, porque o
negócio do armamento é vital para as suas economias.
É preciso que
toda esta gente se entenda para acabar com a guerra e que os povos da Europa e dos Estados Unidos se manifeste e exija esse caminho aos seus governos!
Um refugiado
sírio de 13 anos de idade que chegou à Europa foi entrevistado pela Al Jazeera e,
sem hesitação, disse: "Nós não queremos vir para
a Europa. Só queremos que parem a guerra na Síria". Ele tem toda a razão.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Bodrum e a má consciência da Europa
Bodrum é uma
cidade turca situada nas margens do mar Egeu que nos últimos anos se tornou
numa das mais atraentes estâncias balneares, para onde se dirige a sociedade
turca mais ocidentalizada e mais próspera. Ontem, nas areias de uma das suas
praias mais procuradas apareceu o cadáver de Aylan Kurdi, uma criança síria de três anos de
idade, cuja família fugia da guerra no seu país e procurava atingir a ilha
grega de Kos, numa pequena embarcação que naufragou. A generalidade da imprensa
mundial publicou nas suas primeiras páginas uma fotografia em que um militar
turco recolhe o corpo de Aylan Kurdi. A imagem daquele menino tornou-se o
símbolo da grave crise migratória que já provocou milhares de mortos entre a
multidão de refugiados que foge à guerra e essa fotografia fez tremer a
consciência de uma Europa que se tem mostrado incapaz de promover a paz no
mundo e, em especial, nas suas fonteiras mediterrânicas. É a maior e mais grave
crise de refugiados desde a 2ª Guerra Mundial e o influente jornal The
Washington Post classificou aquela
imagem como "o mais trágico símbolo da crise de refugiados do
Mediterrâneo". No caso da Síria, mas não só, as grandes potências têm
enormes responsabilidades nas tragédias humanitárias que estão a acontecer,
pois foram elas que promoveram a instabilidade regional e que têm alimentado a guerra. Espera-se
agora que, perante o dramatismo do que se viu no areal de Bodrum, a imprensa
influencie, as opiniões públicas reajam e os dirigentes das grandes potências
arrepiem caminho em nome dos ideais humanitários que os deveriam nortear,
quando muitas das más memórias de um passado recente ainda estão vivas. A tragédia
de Bodrum alerta-nos para os nossos deveres morais de apoiar os refugiados e exige que se ponha fim da guerra.
Nesta Europa tão egoísta e a revelar tanta falta de
valores e tão má consciência, há entidades públicas e muitas organizações da nossa sociedade civil a dar
mostras de grande solidariedade e humanidade e, desta forma, a honrar a tradição portuguesa de
acolhimento a refugiados e, também, a memória de Aristides de Sousa Mendes.
É evidente que vamos pagar o Novo Banco
Todos nos
lembramos do famoso diktat do homem
do leme que em Julho de 2014, durante uma visita à Coreia do Sul, garantiu a
partir de Seul que “os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo”,
acrescentando que “o Banco de Portugal tem sido peremptório e categórico a
afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as
folgas de capital são mais que suficientes para cumprir a exposição que o banco
tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa”. Duas semanas depois
a bomba estoirou. Cavaco enganara os portugueses. No dia 3 de Agosto o Banco de Portugal anunciou uma injecção
de capital de 4.900 milhões de euros e a criação de um "banco mau" e
de um "banco bom", que passou a chamar-se Novo Banco. Nesse mesmo
dia, através da ministra das Finanças, o governo garantiu
que os contribuintes não teriam de suportar os custos relacionados com o
financiamento do BES e que a nova instituição seria detida integralmente pelo
Fundo de Resolução, uma pessoa coletiva de direito público criada em 2012, que
funciona junto do Banco de Portugal.
Passou um ano e está tudo na mesma ou pior. Entre Agosto e
Dezembro do ano passado o Novo Banco registou prejuízos de 467 milhões de euros
e, no primeiro semestre de 2015, o prejuízo foi de 252 milhões de euros. É
obra! Entretanto, o Banco de Portugal que, como alguém disse, sabe tanto da
venda de bancos como o Jorge Jesus de literatura portuguesa, tratou de
contratar assessores e consultores por ajuste directo e a respectiva factura já
atinge 20 milhões de euros. Um regabofe!
Mesmo a poucas
semanas das eleições legislativas, o governo quer vender tudo e depressa mas,
como diz o ditado popular, “depressa e bem não há quem”. Além disso, nem a
Anbang, nem a Fosun, nem a Apollo estão realmente interessadas num negócio em
que são imprevisíveis os custos das litigâncias e das imparidades. Apesar da
confidencialidade do processo de venda, é hoje evidente que o Estado não vai
recuperar os 4.900 milhões de euros que, obviamente, serão pagos pelos
contribuintes através das mais diversas formas. Ninguém tem dúvidas disso.
Aqueles que disseram o contrário mentiram ou são absolutamente incompetentes.
Alguns deles ainda têm o atrevimento de aparecer na televisão a embrulhar as suas responsabilidades. Que impunidade e que grande farsa!
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
O pequeno caceteiro que veio de Bruxelas
O licenciado
Paulo Rangel nasceu em 1968 e, segundo reza a sua biografia, entrou na política
aos 33 anos de idade quando em 2001 lhe confiaram a redacção do programa de
candidatura de Rui Rio à Câmara Municipal do Porto. Gostou da experiência, encostou-se
aos amigos e, em vez de escolher uma carreira académica, optou por ocupar
alguns bons tachos, misturando funções públicas com funções privadas. Em 2010
já se sentia alguém e decidiu disputar a liderança do PSD, mas como perdeu o
confronto com Passos Coelho foi compensado com um tacho de eurodeputado muito
bem remunerado em Bruxelas. Foi nessa condição que foi
convidado para essa magna reunião de escoteiros sociais-democratas a que,
pomposamente, chamam a universidade de verão do PSD.
Pois foi
esta figurinha menor, este pateta e este verdadeiro caceteiro que nos veio dizer que
foi o actual governo que tratou de confrontar um ex-primeiro-ministro e um
banqueiro com a Justiça, ao afirmar com os dedos no ar que estes dois casos só estão
a acontecer porque o PSD e o CDS estão no governo. Nestas condições e, ainda
segundo o caceteiro-pateta Rangel, a acção da Justiça tem sido encaminhada e
interpretada à luz dos desejos do PSD e do CDS, porque ninguém “acredita que se os socialistas estivessem no poder
haveria um primeiro-ministro sob investigação”, isto
é, a Justiça só investiga políticos quando os seus partidos não estão no
governo e, portanto, a Justiça não passa de uma qualquer coisa comandada pelo governo. É triste vermos um jurista
e eurodeputado, alucinado e fanático, a dizer isto. É um ignorante. É uma vergonha da nossa
Democracia.
Assim, ainda segundo
o referido caceteiro-pateta, temos Sócrates a ser investigado porque é do PS; temos
Passos a não ser investigado no caso Tecnoforma e nas dívidas à Segurança
Social porque é do PSD que está no governo; temos Portas a não ser investigado
no “caso dos submarinos” porque o CDS também está no governo; temos Vara
condenado no processo “Face Oculta” porque é do PS; temos Miguel Macedo a não ser
constituído arguido no caso “vistos gold” porque é do PSD; temos Marco António
Costa que ainda não foi constituído arguido no “caso Câmara de Gaia”
porque o PSD está no governo ; e temos Dias Loureiro e toda a malta do BPN a
circularem livremente por aí sem investigação, porque são do PSD. Das
declarações do eurodeputado Rangel não se pode concluir outra coisa e,
portanto, como diria o treinador Manuel Machado, “um imbecil é sempre um
imbecil”.
Gibraltar e tanta economia paralela
Gibraltar é uma
península situada a sul da península Ibérica e um rochedo a que os espanhóis
chamam el Peñón, é um território britânico ultramarino e, também, um paraíso
fiscal. Foi ocupado em 1704 por uma força anglo-holandesa durante a Guerra da
Sucessão Espanhola e, no Tratado de Utrecht assinado em 1713, o território foi
cedido à Inglaterra com a "a
total propriedade da cidade e castelo de Gibraltar, junto com o porto,
fortificações e fortes [...] para sempre, sem qualquer exceção ou impedimento”.
Está com este
estatuto desde há 300 anos. Porém, as cedências ou as ocupações territoriais
resultantes das guerras ou dos respectivos tratados de paz, mais tarde ou mais
cedo geram processos de contestação, sobretudo quando não se verifica uma
autêntica integração ou quando as correlações de forças se alteram. A Espanha
tem reivindicado continuamente a devolução de Gibraltar e essa contestação até tem
dado origem a alguma tensão diplomática. O Reino Unido já promoveu referendos
em 1967 e em 2002, para que os cerca de 30 mil gibraltinos decidam do seu
futuro, mas estes têm declarado quase unanimemente que querem ser colónia
britânica. Parece um paradoxo, mas não é.
Gibraltar perdeu
o valor estratégico de outros tempos, mas é um gigantesco shopping center, um verdadeiro mundo da economia paralela e a
verdadeira capital do jogo on line,
que é um dos seus grandes negócios. Hoje o jornal ABC
tenta mostrar o que Gibraltar esconde e afirma que “como todos los paraísos fiscales, Gibraltar está lleno de secretos”. Assim é
de facto. Não se sabe quantos estrangeiros lá trabalham, mas estima-se que esse
número se situe entre 3500 e 10 mil, sobretudo espanhóis residentes em Espanha.
Porém, só 120 espanhóis têm emprego legal declarado pois os outros milhares que
entram e saem todos os dias preferem ser “clandestinos e precários”, podendo ter
outro emprego em Espanha ou receber qualquer tipo de subsídio, eventualmente de
desemprego. As autoridades fiscais espanholas estão em vias de “cercar” esses
milhares de espanhóis empregados nas companhias de jogo, nas empresas financeiras
e de entretenimento, mas também os inúmeros profissionais liberais, sobretudo
da área da saúde, que defraudam o fisco espanhol. Enquanto isto, como refere o ABC,
os “colonialistas” gibraltinos exploram os seus “colonos” espanhóis.
O Brasil, a recessão e os dias cinzentos
O Brasil que é o
país da alegria e do sol tropical, vive dias cinzentos, depois de ter sido anunciado que no 2º
trimestre de 2015 o seu PIB caiu 1,9% e, como no 1º trimestre tinha caido 0,7%,
em termos económicos o país entrou em recessão pois registou dois trimestres
consecutivos em queda. Todos os jornais brasileiros destacaram esta notícia que
é preocupante para a sociedade brasileira que, actualmente, passa por grandes
dificuldades económicas e por alguma convulsão política, com muitas manifestações
e muitos dos seus dirigentes a contas com a Justiça. O Correio Braziliense exagera e até diz que o Brasil está em queda livre! Porém, para quem está longe e não
conhece as especificidades brasileiras, esta recessão (económica) também parece corresponder a uma depressão (psicológica), pois o país não
é apenas afectado pela queda do PIB, pelo desemprego e pela inflação, mas também
pela insatisfação política e pela corrupção.
Em relação ao PIB
há que pensar no chamado ciclo económico, isto é, nas flutuações da actividade
económica, em que aos períodos de crescimento se sucedem os períodos de
estagnação ou mesmo de declínio. Esses ciclos são tão normais que foram
teorizados e até receberam nomes - o ciclo de Kondratiev, o ciclo de Kitchin, o
ciclo de Kuznets – consoante as suas características e a sua duração. Portanto,
o Brasil está numa baixa a que se irá suceder, embora não se saiba quando, uma
alta. É a lei da vida. Porém, o Brasil também vive um período político que não foi satisfatoriamente
resolvido nas eleições presidenciais de 2014, porque a vitória de Dilma Rousseff
sobre Aécio Neves foi escassa (51,29%), o que faz com que os brasileiros já
levem mais de uma dúzia de anos de governo do Partido dos Trabalhadores (PT) e
isso, provavelmente, cansa-os. Isto tudo acontece quando a China treme, quando a Europa se
revela incapaz de resolver os seus problemas e quando o preço do petróleo cai e
o comércio internacional desacelera. Finalmente, há a questão da corrupção e temos
a Transparency International
a classificar o Brasil como o 69º país mais corrupto do mundo, entre os 175 países
avaliados. Mas, segundo a mesma agência a corrupção é muito maior, por exemplo, na Argentina,
na Rússia, na Índia e na China e em mais de uma centena de outros países. Por
tudo isso, se deseja que os brasileiros resistam aos títulos dos seus jornais que, por razões que só eles conhecem, estão a
tender para o dramático. Vá-se lá saber porquê. Força Brasil!
sábado, 29 de agosto de 2015
A brutal destruição da memória do mundo
Embora alguns
canais de televisão tivessem mostrado breves imagens da destruição do campo
arqueológico de Palmyra ou de parte dele, poucos jornais destacaram esse
episódio que a UNESCO já classificou como “crime de guerra” e como uma imensa
perda para o povo sírio e para a Humanidade. Além disso, um dos mais
importantes arqueólogos sírios responsável pelo campo de Palmyra foi
assassinado porque não terá revelado os locais onde terá escondido algumas das
mais valiosas relíquias históricas da cidade. Esta acção dos jihadistas do
Estado Islâmico é mais um dos seus criminosos ataques a locais históricos e
arqueológicos, com o fim de privar os povos das suas memórias históricas e da
sua identidade, o que tem sido feito por este e por outros grupos radicais no
Afeganistão, no Iraque e, agora, na Síria.
Trata-se de mais
um exemplo da catástrofe e da desagregação que se verifica em diversas regiões bem próximas da Europa,
não só mas também como resultado da ignorância ocidental e das suas intervenções
punitivas, das suas alianças e das suas mesquinhas vinganças contra quem garantia estabilidade, dos seus interesses menores e da sua hipocrisia.
A antiga cidade
de Palmyra está classificada pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade
e era um símbolo bem preservado da herança cultural greco-romana. A edição de
ontem do jornal hojemacau destaca em
primeira página e com grande relevância a destruição dessa memória do mundo que
é o campo arqueológico de Palmyra, não deixando de ser curioso o facto de,
aparentemente, nenhum outro jornal internacional ter dado semelhante destaque a
essa notícia, como o fez um jornal macaense escrito em português.
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ARTE E CULTURA,
Internacional,
PATRIMÓNIO
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
As grandes pontes ibéricas
Uma etapa da Vuelta a España ontem disputada entre
Estepona e Vejer de la Frontera, na Andaluzia, levou os ciclistas a passar pela
Puente de La Constituición de 1812,
conhecida por Puente de la Pepa, que
atravessa a baía de Cadiz e liga Puerto Real a Cadiz. A imponente ponte que
será a maior de Espanha ainda não está concluida, mas foi ontem utilizada pela
primeira vez como regista La Voz de Cadiz na sua edição de
hoje. A imprensa espanhola, que muitas vezes trata o seu país como se não
houvera mais países e mais mundo, tratou de destacar esta pré-inauguração,
classificando esta ponte como uma das maiores do mundo, com os seus 3.082 metros de
comprimento e com uma largura do tabuleiro variável entre 31 e 33 metros.
Acontece que a nossa
Ponte Vasco da Gama tem 17,3 km de
comprimento, dos quais 12 km sobre o estuário do rio Tejo, tendo uma largura de
30 metros que suporta 6 vias de rodagem. É reconhecida como a ponte mais longa
da Europa e a nona mais extensa do mundo. Por isso, nesta matéria, ganhamos a
Espanha e verificamos como eles são uns exagerados e quase tão chauvinistas
como os franceses. Porém, o nosso problema não é o comprimento das pontes que é
um tema menor e muito desinteressante. O nosso problema é não sabermos os
exactos contornos financeiros que envolveram a construção da nossa ponte, isto
é, quanto foi recebido do Fundo de Coesão da União Europeia, quanto foi
emprestado pelo Banco Europeu de Investimentos e qual foi a participação do
consórcio Lusoponte, que ficou com a concessão por 40 anos das portagens das duas
pontes sobre o Tejo. Já passaram 17 anos sobre a inauguração desta tão
importante obra, mas continua a haver uma densa neblina sobre o assunto, sem
que saibamos a verdade sobre os negócios que lhe estão associados.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
A TAP e a teimosia das privatizações
A Comissão
Europeia lançou um balde de água fria sobre os privatizadores portugueses, ao
declarar que não tinha jurisdição para
avaliar o negócio da venda da TAP ao abrigo das regras europeias para as fusões, pelo que o
processo deverá ser avaliado pelas
autoridades nacionais competentes que, neste caso, é a Autoridade da
Concorrência (AdC). Os nossos privatizadores não esperavam essa decisão e
pensavam poder encostar-se a Bruxelas para se justificarem desta operação que
vai contra o interesse nacional e o sentimento dos portugueses. Assim, a velha
desculpa das imposições comunitárias foi desmascarada e a montanha pariu um
rato. De facto, depois da troika ter imposto a privatização total ou parcial da
TAP no Memorando que foi negociado com a participação activa de Catroga e
Moedas – como bem vimos através da televisão - e depois de dois concursos internacionais
realizados, esta decisão é ridícula, lamentável e deixa os privatizadores
portugueses entregues à sua obcecada cruzada. Seria a altura adequada, embora
tardia, para cancelar todo o processo, em vez de o entregar à AdC, cujo órgão
máximo de decisão é um Conselho constituído por um presidente e dois vogais,
todos escolhidos pelo actual governo, o que pode suscitar ainda mais dúvidas
quanto à transparência das suas decisões.
A obcessão pela privatização da TAP é uma questão ideológica
e uma farsa conduzida por fanáticos.
A TAP é uma das nossas “jóias da coroa” e não tem de passar
por estes processos, contra a vontade da opinião pública e o interesse
nacional. Depois de tantos elogios da Europa ao bom aluno lusitano e depois de
ter sido dito que os nossos cofres estavam cheios, pergunta-se para quê e
porquê esta teimosia privatizadora quando estamos a 5 semanas das eleições
legislativas? A continuar esta operação, ainda irá correr muita tinta...
O vendaval chinês pode chegar a Portugal
Desde há muitos
anos que as bolsas deixaram de ser um instrumento de financiamento das
empresas, para passarem a ser verdadeiras catedrais da especulação financeira e
autênticos campos de batalha entre os grandes interesses capitalistas, onde se
jogam as grandes variáveis económicas do comércio internacional, como o valor
da moeda e o preço das exportações. É assim em todo o mundo.
Ontem foi uma
“segunda-feira negra”, quando as bolsas chinesas entraram em queda, perderam
8,46% e arrastaram consigo as bolsas mundiais, isto é, a China tossiu e os
mercados financeiros mundiais tremeram com as bolsas europeias a perder cerca
de 5%. Desde 2008 que não se assistira a semelhante turbulência. Houve um
pânico generalizado e a economia mundial viu serem ressuscitados os seus cenários
mais negros. Afinal, tal como tinha acontecido em muitos outros países, também
havia uma bolha chinesa.
Em Portugal,
segundo informa o Público, a bolsa portuguesa desvalorizou 3 mil milhões, o índice
PSI-20 registou uma queda de 5,8% que foi a pior desde Outubro de 2008 e o petróleo
caiu para o preço mais baixo dos últimos seis anos. Acontece que este
pânico tem pouco impacto directo em Portugal, que é uma economia pequena e
periférica, sendo a sua bolsa ainda mais pequena e mais periférica, embora haja
quem prometa “colocá-lo entre as dez economias mais competitivas do mundo”. Porém,
houve tanto investimento chinês em Portugal e os nossos dirigentes fizeram tantas
“visitas de Estado” à China que, por essas vias, até podemos estar à mercê de um
qualquer vendaval que sopre daqueles lados, onde haverá muitos dos “nossos
amigos” que mostraram uma pujança financeira que não corresponderá à realidade
económica e que, agora, estarão a ser vítimas da sua própria especulação. Ou então, sou eu que não percebo nada disto e o que aconteceu em Xangai foi uma simples brisa. Como sabiamente disse o Papa Francisco, "esta economia mata".
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