O mundo árabe está a acordar, como diz o The Economist. Aqui bem perto, na orla sul do Mediterrâneo, há uma incontrolável onda de contestação que começou na Tunísia, se estendeu ao Egipto e a outros países, estando agora com grande intensidade na Líbia.
Os telejornais vão mostrando preocupantes imagens e os especialistas aparecem às dezenas nas televisões, a comentar, a esclarecer e a informar. Eu não sabia que havia em Portugal tantos especialistas destas coisas!
A contestação parece ser uma reacção aos modelos políticos, ao autoritarismo prevalecente, à desigualdade social e à falta de emprego. Ninguém pode prever o rumo dos acontecimentos, nem a dimensão ou direcção do risco de contágio, mas a margem norte do Mediterrâneo não pode deixar de estar atenta. E os refugiados? E o petróleo e o gás? E o vento?
Nos últimos anos, Portugal tem apostado muito nesta região, tendo aumentado as suas exportações e os seus investimentos. Hoje há muitas empresas portuguesas ou com capitais portugueses nesta região, que estão seriamente ameaçadas. Estamos perante um mero acidente de percurso? Uma derrota? Uma oportunidade? Como irá ser o futuro desta aposta lusitana?
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
O despertar do mundo árabe
1808
Só agora tive oportunidade de ler “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil“, da autoria do jornalista brasileiro Laurentino Gomes.
É um livro leve, atraente e de escrita fluente, que embora trate de História, não é um livro de História. É um livro de não-ficção, que se lê com muito entusiasmo.
Para os especialistas, o livro é provavelmente demasiado ligeiro e não traz qualquer contributo para o conhecimento histórico da presença da Família Real portuguesa no Brasil, porque é uma compilação de outros livros especializados, mais ou menos conhecidos.
Por isso, o livro originou alguns comentários negativos emitidos por historiadores, como “é um péssimo livro”, é “um produto do marketing”, “não vale a pena ser lido” ou, ainda, é “uma escrita de encomenda”.
Como não especialista, discordo destes pontos de vista e, repito, o livro lê-se com muito entusiasmo e certamente desperta o interesse pelos temas históricos. Os especialistas e os historiadores nem sempre são os melhores divulgadores da História.
É um livro leve, atraente e de escrita fluente, que embora trate de História, não é um livro de História. É um livro de não-ficção, que se lê com muito entusiasmo.
Para os especialistas, o livro é provavelmente demasiado ligeiro e não traz qualquer contributo para o conhecimento histórico da presença da Família Real portuguesa no Brasil, porque é uma compilação de outros livros especializados, mais ou menos conhecidos.
Por isso, o livro originou alguns comentários negativos emitidos por historiadores, como “é um péssimo livro”, é “um produto do marketing”, “não vale a pena ser lido” ou, ainda, é “uma escrita de encomenda”.
Como não especialista, discordo destes pontos de vista e, repito, o livro lê-se com muito entusiasmo e certamente desperta o interesse pelos temas históricos. Os especialistas e os historiadores nem sempre são os melhores divulgadores da História.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Governação electrónica
A Comissão Europeia acaba de divulgar o seu estudo anual sobre governação electrónica – o 9th Benchmark Measurement 2010 – que, pelo segundo ano consecutivo, coloca Portugal em primeiro lugar no ranking europeu do egovernment.
O estudo destaca as boas práticas portuguesas, como tem sido a implementação do Cartão de Cidadão, a ferramenta Empresa Online, o serviço de declarações electrónicas de impostos e a página virtual da Segurança Social.
Segundo esse estudo, os serviços públicos que Portugal disponibiliza na Internet estão entre os mais fáceis de usar na União Europeia: Portugal regista um índice de 91% na facilidade de uso, acima dos 79% da média europeia, sendo apontado como o país mais avançado em sofisticação e disponibilidade de serviços públicos online.
O 9th Benchmark Measurement 2010 tem 272 páginas e pode ser consultado na Internet em: Digitizing Public Services in Europe: Putting ambition into action - 9th Benchmark Measurement.
Em tempos de desânimo, aqui está uma notícia para nos reforçar a nossa auto-estima.
O estudo destaca as boas práticas portuguesas, como tem sido a implementação do Cartão de Cidadão, a ferramenta Empresa Online, o serviço de declarações electrónicas de impostos e a página virtual da Segurança Social.
Segundo esse estudo, os serviços públicos que Portugal disponibiliza na Internet estão entre os mais fáceis de usar na União Europeia: Portugal regista um índice de 91% na facilidade de uso, acima dos 79% da média europeia, sendo apontado como o país mais avançado em sofisticação e disponibilidade de serviços públicos online.
O 9th Benchmark Measurement 2010 tem 272 páginas e pode ser consultado na Internet em: Digitizing Public Services in Europe: Putting ambition into action - 9th Benchmark Measurement.
Em tempos de desânimo, aqui está uma notícia para nos reforçar a nossa auto-estima.
Manuel Amado
A Sociedade Nacional de Belas Artes está a apresentar uma exposição de pintura de Manuel Amado, intitulada Encenações, que inclui cerca de quatro dezenas de obras a óleo e que estará patente ao público até 15 de Março de 2011.
Manuel Amado nasceu em 1938 em Lisboa, formou-se em Arquitectura, iniciou a sua actividade como pintor em 1975 e tem participado em exposições colectivas e individuais em Portugal e em diversas cidades europeias.
Nesta exposição, o artista convoca as suas anteriores séries sobre cidades, jardins, praias e interiores, nas quais integrou as figuras recortadas da série relativa ao teatro. O resultado é interessante e justifica uma visita.
Manuel Amado nasceu em 1938 em Lisboa, formou-se em Arquitectura, iniciou a sua actividade como pintor em 1975 e tem participado em exposições colectivas e individuais em Portugal e em diversas cidades europeias.
Nesta exposição, o artista convoca as suas anteriores séries sobre cidades, jardins, praias e interiores, nas quais integrou as figuras recortadas da série relativa ao teatro. O resultado é interessante e justifica uma visita.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Mourinho, el invencible
Na sua edição de hoje, o diário desportivo espanhol as chama, a toda a extensão da sua primeira página, o treinador português José Mourinho, para lembrar que, se hoje ganhasse ou empatasse com o Levante, ficariam cumpridos nove anos sem perder em casa.
No mundo da comunicação internacional, o futebol é uma das poucas actividades em que alguns portugueses são notícia ou são destacados. José Mourinho é um deles. Em Janeiro foi eleito pela FIFA como o melhor treinador do mundo de 2010 e na cerimónia em que recebeu o prémio, realizada em Zurique, pediu desculpa por falar em português porque, disse, “sou um orgulhoso português". O treinador do Real Madrid agradeceu a distinção da FIFA, mas fez questão de lembrar que não chegou a este prémio sozinho, de partilhar o prémio com os jogadores e com os colaboradores que o acompanharam na época passada e, também, com a família. Um exemplo de reconhecimento, mas também de mérito e de liderança desportiva.
Pois bem. O Real Madrid ganhou hoje ao Levante e Mourinho continua a ser “El invencible”.
No mundo da comunicação internacional, o futebol é uma das poucas actividades em que alguns portugueses são notícia ou são destacados. José Mourinho é um deles. Em Janeiro foi eleito pela FIFA como o melhor treinador do mundo de 2010 e na cerimónia em que recebeu o prémio, realizada em Zurique, pediu desculpa por falar em português porque, disse, “sou um orgulhoso português". O treinador do Real Madrid agradeceu a distinção da FIFA, mas fez questão de lembrar que não chegou a este prémio sozinho, de partilhar o prémio com os jogadores e com os colaboradores que o acompanharam na época passada e, também, com a família. Um exemplo de reconhecimento, mas também de mérito e de liderança desportiva.
Pois bem. O Real Madrid ganhou hoje ao Levante e Mourinho continua a ser “El invencible”.
Uma obra polémica
LISBOA, 18 FEV 2011 - Em Novembro de 2009 foi iniciada a construção da nova Igreja Paroquial de S. Francisco Xavier, em local muito privilegiado no Alto do Restelo, em Lisboa, segundo um projecto do Arquitecto Troufa Real.
O corpo principal da nova igreja tem a forma de um casco de nau a que se liga uma torre em forma de minarete, com 100 metros de altura e que terá um elevador panorâmico. O conjunto disporá, ainda, de construções anexas convencionais destinadas aos serviços paroquiais.
Quando o projecto foi conhecido foi contestado por ser “uma aberração urbanística” e foi elogiado por ser “inovador”. Nesta data começam a ver-se os primeiros contornos da obra, cuja arquitectura é realmente muito polémica.
O futuro esclarecerá.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
O Principezinho
Hoje apresento um cromo que embora tenha um estatuto de principezinho, nada tem a ver com a personagem de Antoine de Saint-Exupéry.
Sabe-se pouco sobre as suas origens, mas certamente que foi um jovem previsível, certinho e bom estudante. Encostou-se bem e nunca precisou de subir, degrau a degrau. Instalou-se lá no topo muito cedo, como professor, secretário-geral, deputado, administrador, ministro e governador. Governou-se muito bem, sempre. No BP tinha um salário que ele próprio considerava demasiado elevado. Mas nunca o alterou. Já em plena crise, o BP comprou-lhe um novo carro bem caro. Que exemplo!
Na sua principesca função deveria acompanhar a economia e a actividade da Banca, mas não foi capaz ou distraiu-se. Errou nas previsões macroeconómicas e falhou na supervisão bancária. O BPN e o BPP faliram, enquanto o Millenium BCP andou por lá perto. Para evitar o descrédito internacional e defender os depositantes, os contribuintes portugueses vão ter que pagar mais de 5.000 milhões de euros. O principezinho deixou a factura para nós pagarmos e emigrou para um mandato de oito anos no BCE.
Terá pensado: “Quem vier depois de mim que feche a porta”. Que prémio!
Sabe-se pouco sobre as suas origens, mas certamente que foi um jovem previsível, certinho e bom estudante. Encostou-se bem e nunca precisou de subir, degrau a degrau. Instalou-se lá no topo muito cedo, como professor, secretário-geral, deputado, administrador, ministro e governador. Governou-se muito bem, sempre. No BP tinha um salário que ele próprio considerava demasiado elevado. Mas nunca o alterou. Já em plena crise, o BP comprou-lhe um novo carro bem caro. Que exemplo!
Na sua principesca função deveria acompanhar a economia e a actividade da Banca, mas não foi capaz ou distraiu-se. Errou nas previsões macroeconómicas e falhou na supervisão bancária. O BPN e o BPP faliram, enquanto o Millenium BCP andou por lá perto. Para evitar o descrédito internacional e defender os depositantes, os contribuintes portugueses vão ter que pagar mais de 5.000 milhões de euros. O principezinho deixou a factura para nós pagarmos e emigrou para um mandato de oito anos no BCE.
Terá pensado: “Quem vier depois de mim que feche a porta”. Que prémio!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Arte Namban
O Museu do Oriente organizou e está a apresentar uma importante exposição sob a temática da arte Namban, que intitulou Encomendas Namban. Os portugueses no Japão da Idade Moderna.
A exposição é constituída por quatro núcleos diferenciados, compostos por cerca de seis dezenas de peças significativas, que incluem armaria, mobiliário, têxteis e pintura, provenientes do próprio acervo do Museu do Oriente e de alguns empréstimos de museus e coleccionadores públicos e privados.
É sabido que os portugueses foram os primeiros europeus que chegaram ao Japão, provavelmente em 1543, tendo desenvolvido as suas relações com os japoneses durante cerca de um século, em torno das actividades do comércio e da religião, como a exposição documenta. É recomendável uma visita.
A exposição está patente ao público até Maio de 2011, no Museu do Oriente.
A exposição é constituída por quatro núcleos diferenciados, compostos por cerca de seis dezenas de peças significativas, que incluem armaria, mobiliário, têxteis e pintura, provenientes do próprio acervo do Museu do Oriente e de alguns empréstimos de museus e coleccionadores públicos e privados.
É sabido que os portugueses foram os primeiros europeus que chegaram ao Japão, provavelmente em 1543, tendo desenvolvido as suas relações com os japoneses durante cerca de um século, em torno das actividades do comércio e da religião, como a exposição documenta. É recomendável uma visita.
A exposição está patente ao público até Maio de 2011, no Museu do Oriente.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Um bom debate
É natural que ao longo de consecutivas semanas, por vezes, o programa televisivo “Prós e Contras” da RTP tenha algumas dificuldades em seleccionar temas de interesse e, sobretudo, em assegurar a participação de especialistas e de pessoas de qualidade. Por isso, o interesse do programa tem oscilado muito nos últimos tempos.
O programa emitido ontem foi dedicado às “Exportações” e centrou-se muito na internacionalização da economia portuguesa, tendo constituido um bom exemplo do que de positivo pode fazer a televisão, pois o programa e os seus convidados informaram, esclareceram, mobilizaram e até contribuiram para aumentar um pouco a nossa auto-estima, frequentemente em baixo pela mediocridade de muitos conteúdos da mesmíssima RTP.
O painel de convidados era competente, sabia do que falava e não estava manietado pelas instruções objectivas ou subjectivas do governo, da oposição, dos directórios partidários ou das instâncias sindicais. A jornalista moderadora, que tantas vezes se excede em autoritarismos na condução do programa e que já nos exibiu lamentáveis fraquezas corporativas, esteve moderada como convém.
Assim, com toda a justiça, aqui deixo o meu aplauso a todos os que participaram no “Prós e Contras” de 14 de Fevereiro.
O programa emitido ontem foi dedicado às “Exportações” e centrou-se muito na internacionalização da economia portuguesa, tendo constituido um bom exemplo do que de positivo pode fazer a televisão, pois o programa e os seus convidados informaram, esclareceram, mobilizaram e até contribuiram para aumentar um pouco a nossa auto-estima, frequentemente em baixo pela mediocridade de muitos conteúdos da mesmíssima RTP.
O painel de convidados era competente, sabia do que falava e não estava manietado pelas instruções objectivas ou subjectivas do governo, da oposição, dos directórios partidários ou das instâncias sindicais. A jornalista moderadora, que tantas vezes se excede em autoritarismos na condução do programa e que já nos exibiu lamentáveis fraquezas corporativas, esteve moderada como convém.
Assim, com toda a justiça, aqui deixo o meu aplauso a todos os que participaram no “Prós e Contras” de 14 de Fevereiro.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Em off-side, há tanto tempo.
Diz-se que o futebol é uma tribo e, na lusitana tribo do futebol, ele tornou-se o chefe tribal ou o cacique, não lhe faltando uma reverente corte de aios e de lacaios, todos bem sentados nas suas poltronas e, naturalmente, com as suas continhas de remunerações, deslocações, reuniões e refeições, sempre em dia.
É um cromo indispensável na minha colecção. Antes de atingir a proeminente posição que hoje ocupa na futebolia portuguesa, passou pela política, pelo dirigismo desportivo e pela vida empresarial, ou seja, jogou à defesa e ao ataque, no meio campo e na grande área. Porém, a sua verdadeira vocação não era dentro das quatro linhas, mas nos bastidores ou, talvez mesmo, no banco.
Tem gostado muito deste emprego e está lá, de pedra e cal, desde 1996, sem que ninguém lhe mostre cartões amarelos ou vermelhos. Joga como quer e sempre com um ar de satisfeito consigo mesmo.
Eu sei pouco de arbitragem, mas este homem está off-side, há tanto tempo.
É um cromo indispensável na minha colecção. Antes de atingir a proeminente posição que hoje ocupa na futebolia portuguesa, passou pela política, pelo dirigismo desportivo e pela vida empresarial, ou seja, jogou à defesa e ao ataque, no meio campo e na grande área. Porém, a sua verdadeira vocação não era dentro das quatro linhas, mas nos bastidores ou, talvez mesmo, no banco.
Tem gostado muito deste emprego e está lá, de pedra e cal, desde 1996, sem que ninguém lhe mostre cartões amarelos ou vermelhos. Joga como quer e sempre com um ar de satisfeito consigo mesmo.
Eu sei pouco de arbitragem, mas este homem está off-side, há tanto tempo.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Empresas públicas
A última edição da revista Sábado inclui uma reportagem assinada por três jornalistas que se intitula «Como as empresas públicas engordaram nos últimos anos», na qual se salienta que, « mesmo em tempo de crise, cresceram os administradores, cresceram os salários e cresceram as despesas ».
A leitura desse trabalho jornalístico revela como aquele universo de 93 empresas, de diferente dimensão e natureza, está quase todo afogado em dívidas, para além de estar preocupantemente dominado por despesismos, desperdícios e vícios de ordem diversa.
As empresas públicas poderiam ser uma alavanca para potenciar o crescimento da economia, mas muitas delas acabam por ser um fardo para a comunidade.
A má gestão da maioria dessas empresas é uma evidência. Embora os problemas estejam diagnosticados desde há muito tempo, não tem havido coragem para enfrentar a realidade e agir. Algumas excepções que nos últimos anos se verificaram, apenas confirmam a regra. No entanto, a esses gestores inconsequentes e incapazes de inovar e de encontrar soluções, além de ganharem mais do que os ministros que os tutelam, não têm faltado as regalias, nem os prémios.
Os exemplos de despesismos apresentados na referida reportagem são para todos os gostos : na RTP há 66 carros de alta cilindrada atribuídos, enquanto a dívida das Estradas de Portugal cresceu 1.400% em dezoito meses. Mas, em vez de rebuscarmos exemplos, será preferível que o leitor leia a reportagem da revista Sábado.
A leitura desse trabalho jornalístico revela como aquele universo de 93 empresas, de diferente dimensão e natureza, está quase todo afogado em dívidas, para além de estar preocupantemente dominado por despesismos, desperdícios e vícios de ordem diversa.
As empresas públicas poderiam ser uma alavanca para potenciar o crescimento da economia, mas muitas delas acabam por ser um fardo para a comunidade.
A má gestão da maioria dessas empresas é uma evidência. Embora os problemas estejam diagnosticados desde há muito tempo, não tem havido coragem para enfrentar a realidade e agir. Algumas excepções que nos últimos anos se verificaram, apenas confirmam a regra. No entanto, a esses gestores inconsequentes e incapazes de inovar e de encontrar soluções, além de ganharem mais do que os ministros que os tutelam, não têm faltado as regalias, nem os prémios.
Os exemplos de despesismos apresentados na referida reportagem são para todos os gostos : na RTP há 66 carros de alta cilindrada atribuídos, enquanto a dívida das Estradas de Portugal cresceu 1.400% em dezoito meses. Mas, em vez de rebuscarmos exemplos, será preferível que o leitor leia a reportagem da revista Sábado.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Audi A4, pois claro!
SANTARÉM, 10 FEV 2011 - No parque exclusivo do Conselho de Administração do Hospital Distrital de Santarém, EPE, vi e fotografei um Audi A4 TDI, com a matrícula 76-LG-92 e registo de Janeiro de 2011.
Novinho em folha, ali estavam estacionados 40 ou 50 mil euros de dinheiro público, para fruição de um aristocrata da gestão hospitalar ou de um pavão gerado na militância partidária.
Quando a dívida externa e o défice público são insustentáveis e há ameaças de intervenção externa, foram impostas restrições orçamentais e muitos sacrifícios para redução da despesa pública, que estão a implicar aumentos de impostos, cortes de salários e redução de benefícios sociais. É nesse quadro económica e socialmente recessivo que, já neste ano de 2011, aquele Hospital comprou o referido automóvel, como atesta a referida matrícula. É um mau exemplo de despesismo e de insensatez que me choca e para o qual não devia haver impunidade.
Novinho em folha, ali estavam estacionados 40 ou 50 mil euros de dinheiro público, para fruição de um aristocrata da gestão hospitalar ou de um pavão gerado na militância partidária.
Quando a dívida externa e o défice público são insustentáveis e há ameaças de intervenção externa, foram impostas restrições orçamentais e muitos sacrifícios para redução da despesa pública, que estão a implicar aumentos de impostos, cortes de salários e redução de benefícios sociais. É nesse quadro económica e socialmente recessivo que, já neste ano de 2011, aquele Hospital comprou o referido automóvel, como atesta a referida matrícula. É um mau exemplo de despesismo e de insensatez que me choca e para o qual não devia haver impunidade.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
A língua como especialidade.
O cromo número dois da minha colecção declara-se especialista em língua portuguesa e, portanto, tem a língua como especialidade. Estava-lhe traçado um futuro como professora e talvez esperasse integrar o elenco de uma qualquer telenovela, quando descobriu uma vocação partidária adormecida. Então começou a subir, e subiu e subiu… até ser deputada.
A ambição era muita e sentiu que podia ir mais longe. Sintra foi o seu momento de glória, mas nem Guterres nem Sócrates lhe deram um lugar nos seus governos. Ela que tanto se esforçara! Ela que era a Madrinha! E o Ministério da Cultura que lhe ficaria tão bem!
A urbanização da Portela já era demasiado pequena para si e em 2004 conseguiu que lhe dessem um lugar em Bruxelas como eurodeputada.
O estatuto político, o centro da Europa, as missões parlamentares, o convívio social e as viagens em classe executiva deslumbraram-na. A sua imagem institucional passou a ser gerida pela LPM o que, obviamente, não é caro, nem é um sinal de vaidade.
É, sem dúvida, o percurso bem sucedido de um verdadeiro cromo.
A ambição era muita e sentiu que podia ir mais longe. Sintra foi o seu momento de glória, mas nem Guterres nem Sócrates lhe deram um lugar nos seus governos. Ela que tanto se esforçara! Ela que era a Madrinha! E o Ministério da Cultura que lhe ficaria tão bem!
A urbanização da Portela já era demasiado pequena para si e em 2004 conseguiu que lhe dessem um lugar em Bruxelas como eurodeputada.
O estatuto político, o centro da Europa, as missões parlamentares, o convívio social e as viagens em classe executiva deslumbraram-na. A sua imagem institucional passou a ser gerida pela LPM o que, obviamente, não é caro, nem é um sinal de vaidade.
É, sem dúvida, o percurso bem sucedido de um verdadeiro cromo.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O fascínio da Economia
A CULTURGEST decidiu organizar uma série de quatro conferências sob o título genérico de “O Fascínio da Economia”, sob a responsabilidade do Doutor João Ferreira do Amaral, professor catedrático aposentado do ISEG.
A primeira conferência realizou-se hoje e o conferencista e o tema esgotaram o Pequeno Auditório da Culturgest, deixando ainda algumas dezenas de interessados a seguir a conferência através de televisores colocados nos átrios. Foi muito bom. Ninguém perdeu o seu tempo.
As próximas conferências realizam-se nos dias 15 e 22 de Fevereiro e 1 de Março, às 18.30 horas.
A primeira conferência realizou-se hoje e o conferencista e o tema esgotaram o Pequeno Auditório da Culturgest, deixando ainda algumas dezenas de interessados a seguir a conferência através de televisores colocados nos átrios. Foi muito bom. Ninguém perdeu o seu tempo.
As próximas conferências realizam-se nos dias 15 e 22 de Fevereiro e 1 de Março, às 18.30 horas.
Reformas douradas
Diz o Jornal de Notícias de hoje que, nos dois primeiros meses de 2011, a CGA registou um "boom" de "reformas douradas". Só nestes dois meses, reformaram-se 120 pessoas com pensões acima dos 4 mil euros por mês e a CGA passou a suportar 69 novas reformas de mais de 4 mil euros e 51 de valor superior a 5 mil euros por mês.
A desigualdade na distribuição do rendimento é, provavelmente, o factor que mais afecta a coesão social no nosso país. Sendo Portugal o mais desigual dos países da União Europeia, era de prever que se fixassem limites máximos para as pensões de reforma pagas pela CGA, não só para diminuir a desigualdade, mas também para não enfraquecer a coesão social.
As “reformas douradas” podem ser legais e corresponder ao tempo de desconto e aos montantes descontados pelos beneficiários, mas são socialmente injustas, tal como em muitos casos foi injusta a carreira desses mesmos beneficiários que, além de terem o emprego garantido, tiveram admissões e promoções de favor, ausência de avaliações de desempenho e, sempre, bons salários e muitas mordomias.
Assim, o nosso progresso social não avança e a injustiça social agrava-se.
A desigualdade na distribuição do rendimento é, provavelmente, o factor que mais afecta a coesão social no nosso país. Sendo Portugal o mais desigual dos países da União Europeia, era de prever que se fixassem limites máximos para as pensões de reforma pagas pela CGA, não só para diminuir a desigualdade, mas também para não enfraquecer a coesão social.
As “reformas douradas” podem ser legais e corresponder ao tempo de desconto e aos montantes descontados pelos beneficiários, mas são socialmente injustas, tal como em muitos casos foi injusta a carreira desses mesmos beneficiários que, além de terem o emprego garantido, tiveram admissões e promoções de favor, ausência de avaliações de desempenho e, sempre, bons salários e muitas mordomias.
Assim, o nosso progresso social não avança e a injustiça social agrava-se.
Subscrever:
Mensagens (Atom)










