Nos Campeonatos Europeus de Atletismo em Pista Coberta realizados em Paris entre os dias 4 e 6 de Março, os participantes portugueses alcançaram uma medalha de ouro (Francis Obikwelu) e uma medalha de prata (Naide Gomes).
Entre participantes de 32 países, os resultados dos atletas portugueses colocaram-se no 9º lugar no ranking das medalhas e em 11º lugar no ranking dos pontos, o que constitui um resultado desportivamente muito positivo e merecedor de elogios, até porque é uma consequência de muito trabalho e aturado treino.
Numa época em que na Europa se olha para Portugal devido sobretudo ao seu défice orçamental, dívida externa e taxa de desemprego, não deixa de ser estimulante verificar que ainda há matérias em que somos falados por boas razões.
segunda-feira, 7 de março de 2011
A correr e a saltar
domingo, 6 de março de 2011
Tachos dourados
As embaixadas portuguesas têm mais de 100 conselheiros e adidos técnicos nomeados politicamente. Ganham salários milionários, são equiparados a diplomatas e estão concentrados em capitais como Madrid, Washington, Londres ou Bruxelas. Aqui, no centro político da Europa, atropelam-se. São os boys e as girls do Centrão & Companhia.
Frequentemente, os cargos não se justificam e o processo de selecção e nomeação deste pessoal caracteriza-se por uma absoluta falta de transparência. Os responsáveis justificam estas nomeações através do critério da confiança política e, por isso, aos nomeados não é exigível qualidade, formação adequada ou sequer a noção do que é o serviço do Estado. E lá vão. Às vezes até cumprem. Além do salário-base tributável, recebem subsídio de representação, subsídio de habitação e outros abonos mensais por cônjuge e filhos. São entre 10 a 15 mil euros mensais. Bem bom!
Alguns deles são conhecidos e saberão do seu ofício, como Carneiro Jacinto, Maria Elisa ou Carlos Fino, mas há muitas dezenas deles que são apenas filhos, primos ou afilhados de alguém. São clientelismos mais discretos do que aqueles que temos intra-muros, mas que são verdadeiros tachos dourados. Assim, não vamos longe, porque estes abutres não deixam.
Frequentemente, os cargos não se justificam e o processo de selecção e nomeação deste pessoal caracteriza-se por uma absoluta falta de transparência. Os responsáveis justificam estas nomeações através do critério da confiança política e, por isso, aos nomeados não é exigível qualidade, formação adequada ou sequer a noção do que é o serviço do Estado. E lá vão. Às vezes até cumprem. Além do salário-base tributável, recebem subsídio de representação, subsídio de habitação e outros abonos mensais por cônjuge e filhos. São entre 10 a 15 mil euros mensais. Bem bom!
Alguns deles são conhecidos e saberão do seu ofício, como Carneiro Jacinto, Maria Elisa ou Carlos Fino, mas há muitas dezenas deles que são apenas filhos, primos ou afilhados de alguém. São clientelismos mais discretos do que aqueles que temos intra-muros, mas que são verdadeiros tachos dourados. Assim, não vamos longe, porque estes abutres não deixam.
209 mil euros a voar!
A edição de hoje do Público destaca uma notícia na capa com o título: “Estado paga 209 mil euros a grupo de trabalho que só fez uma reunião”.
Este grupo foi criado para fazer um levantamento exaustivo do património cultural imaterial português e era constituído por 5 pessoas, supostamente muito competentes na matéria.
O grupo foi agora extinto e, na sua efémera existência de menos de 14 meses, custou 209 mil euros ao erário público, que resultaram, por exemplo, do pagamento aos seus membros de uma remuneração mensal de 2613 euros, paga 14 vezes por ano.
O Ministério da Cultura justifica a extinção do grupo por razões de improdutividade dos membros do grupo, mas estes acusam o Instituto dos Museus e Conservação por não lhes ter proporcionado as condições indispensáveis ao funcionamento do grupo. É o costume: tudo a sacudir a água do capote e sem que sejam apuradas responsabilidades.
E lá se foram mais 209 mil euros dos nossos impostos!
Este grupo foi criado para fazer um levantamento exaustivo do património cultural imaterial português e era constituído por 5 pessoas, supostamente muito competentes na matéria.
O grupo foi agora extinto e, na sua efémera existência de menos de 14 meses, custou 209 mil euros ao erário público, que resultaram, por exemplo, do pagamento aos seus membros de uma remuneração mensal de 2613 euros, paga 14 vezes por ano.
O Ministério da Cultura justifica a extinção do grupo por razões de improdutividade dos membros do grupo, mas estes acusam o Instituto dos Museus e Conservação por não lhes ter proporcionado as condições indispensáveis ao funcionamento do grupo. É o costume: tudo a sacudir a água do capote e sem que sejam apuradas responsabilidades.
E lá se foram mais 209 mil euros dos nossos impostos!
sábado, 5 de março de 2011
Reabilitação urbana
A cidade de Lisboa é uma das mais belas cidades europeias, devido às suas características físicas, nomeadamente as suas peculiares sete colinas, a extensa frente ribeirinha do Tejo e a sua imponente luminosidade crepuscular, mas também pelas suas raízes históricas, as suas tradições e festividades, os bairros e as marchas populares, o cheiro da castanha assada e da sardinha, as olaias e os jacarandás, os seus miradouros e o seu património construído.
Os visitantes gostam da cidade e da sua gastronomia, dos pequenos jardins de bairro e do empedrado das calçadas, das ruas estreitas e das casas de fado, dos pastéis de Belém, do cais das Colunas e da costa do Castelo.
Porém, há uma evidente decadência patrimonial da cidade, com muitas centenas de belos edifícios desocupados e em eminente risco de derrocada que, estética e quotidianamente, magoam e entristecem os lisboetas.
A reabilitação urbana e patrimonial da cidade de Lisboa é actualmente uma imperiosa necessidade. Há que encontrar soluções urgentes e desburocratizadas para esta situação, através de intervenções coercivas ou não, com modelos de financiamento adequados e com mais ou menos incentivos. A Câmara Municipal tem, naturalmente, uma enorme responsabilidade mobilizadora e anti-especulativa nesta matéria. A reabilitação urbana e patrimonial criará muitos postos de trabalho e contribuirá para a dinamização da economia e, com ela, a cidade atenuará a actual tendência de desertificação e adquirirá um renovado dinamismo.
Os visitantes gostam da cidade e da sua gastronomia, dos pequenos jardins de bairro e do empedrado das calçadas, das ruas estreitas e das casas de fado, dos pastéis de Belém, do cais das Colunas e da costa do Castelo.
Porém, há uma evidente decadência patrimonial da cidade, com muitas centenas de belos edifícios desocupados e em eminente risco de derrocada que, estética e quotidianamente, magoam e entristecem os lisboetas.
A reabilitação urbana e patrimonial da cidade de Lisboa é actualmente uma imperiosa necessidade. Há que encontrar soluções urgentes e desburocratizadas para esta situação, através de intervenções coercivas ou não, com modelos de financiamento adequados e com mais ou menos incentivos. A Câmara Municipal tem, naturalmente, uma enorme responsabilidade mobilizadora e anti-especulativa nesta matéria. A reabilitação urbana e patrimonial criará muitos postos de trabalho e contribuirá para a dinamização da economia e, com ela, a cidade atenuará a actual tendência de desertificação e adquirirá um renovado dinamismo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
O novo pré-pago da TMN
Um anúncio da TMN chamou-me a atenção, isto é, cumpriu o primeiro passo do processo de comunicação publicitária - chamar a atenção. Provavelmente, em relação a mim, o anúncio não cumprirá os passos seguintes: despertar o interesse, criar o desejo e conduzir à aquisição do bem ou do serviço anunciado.
A publicidade faz parte da vida contemporânea e o elemento essencial da comunicação publicitária é a mensagem.
É habitual afirmar-se que "a publicidade faz a diferença" e que, dentro de certos limites, é a mensagem publicitária e não a qualidade, utilidade ou o preço do produto ou serviço, que determinam as preferências dos consumidores. Nessas condições, cada mensagem publicitária ou cada anúncio tem uma função social e é, também, um exercício de imaginação e de criatividade para atrair o público.
Neste caso, para atrair clientes para um novo produto ou para fidelizar os actuais, a TMN decidiu associar os nomes de dois dirigentes desportivos rivais, o que nesta altura é uma improbabilidade ou mesmo um paradoxo. Mas, na publicidade, os paradoxos por vezes funcionam.
A publicidade faz parte da vida contemporânea e o elemento essencial da comunicação publicitária é a mensagem.
É habitual afirmar-se que "a publicidade faz a diferença" e que, dentro de certos limites, é a mensagem publicitária e não a qualidade, utilidade ou o preço do produto ou serviço, que determinam as preferências dos consumidores. Nessas condições, cada mensagem publicitária ou cada anúncio tem uma função social e é, também, um exercício de imaginação e de criatividade para atrair o público.
Neste caso, para atrair clientes para um novo produto ou para fidelizar os actuais, a TMN decidiu associar os nomes de dois dirigentes desportivos rivais, o que nesta altura é uma improbabilidade ou mesmo um paradoxo. Mas, na publicidade, os paradoxos por vezes funcionam.
terça-feira, 1 de março de 2011
A festa do cinema
Através de um interessante trabalho publicado pelo Diário de Notícias, ficamos a saber que o Estado paga uma média de 36 euros por cada espectador que vê um filme português.
O apoio ao cinema é um elemento essencial da política cultural do Estado, sobretudo porque se trata de uma arte que não mobiliza receitas suficientes, como sucede em geral com as artes performativas. Porém, o que se passa com o cinema português ultrapassa as regras do bom senso e da boa gestão dos dinheiros públicos. Um único filme realizado por Edgar Feldman recebeu quase 450 mil euros e teve 78 espectadores, enquanto um trabalho de Paulo Rocha teve um apoio de 648 mil euros e foi visto por 527 pessoas! O realizador Fernando Lopes recebeu mais de dois milhões de euros para fazer três filmes, que foram vistos por 14 877 pessoas, o que significa que o Estado pagou 147 euros por cada espectador.
O mundo do cinema e da crítica cinematográfica é demasiado opaco para os cidadãos comuns e, por isso, esta revelação vem mostrar como é escandalosa a afectação de dinheiros públicos ao cinema, além de mostrar, também, que os jornalistas e os críticos preferem bajular-se ao chamado cinema de autor, do que denunciar esta escandalosa realidade.
Assim, ficamos a saber que a festa do cinema não é a distribuição dos Óscares em Hollywood. A festa do cinema é aqui e, esta gente, faz a festa, lança os foguetes e ainda apanha as caninhas. Nós pagamos.
O apoio ao cinema é um elemento essencial da política cultural do Estado, sobretudo porque se trata de uma arte que não mobiliza receitas suficientes, como sucede em geral com as artes performativas. Porém, o que se passa com o cinema português ultrapassa as regras do bom senso e da boa gestão dos dinheiros públicos. Um único filme realizado por Edgar Feldman recebeu quase 450 mil euros e teve 78 espectadores, enquanto um trabalho de Paulo Rocha teve um apoio de 648 mil euros e foi visto por 527 pessoas! O realizador Fernando Lopes recebeu mais de dois milhões de euros para fazer três filmes, que foram vistos por 14 877 pessoas, o que significa que o Estado pagou 147 euros por cada espectador.
O mundo do cinema e da crítica cinematográfica é demasiado opaco para os cidadãos comuns e, por isso, esta revelação vem mostrar como é escandalosa a afectação de dinheiros públicos ao cinema, além de mostrar, também, que os jornalistas e os críticos preferem bajular-se ao chamado cinema de autor, do que denunciar esta escandalosa realidade.
Assim, ficamos a saber que a festa do cinema não é a distribuição dos Óscares em Hollywood. A festa do cinema é aqui e, esta gente, faz a festa, lança os foguetes e ainda apanha as caninhas. Nós pagamos.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Sem dinheiro, não apago mais!
Este cromo parece que veio dos bombeiros de Agualva – Cacém e, no ano de 2000, tornou-se presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. Só lhe falta montar um elefante para se parecer com um general cartaginês a comandar, a passar revista aos seus bombeiros, a mandar vir, a levar-se a sério.
Todos os anos, encosta-se ao drama dos incêndios florestais e entra-nos em casa através da televisão, com um discurso reivindicativo, arrogante e de constante exigência, quase de chantagem – ou me dão mais dinheiro ou não apago os fogos!
Um serviço à comunidade? A tradição já não é o que era! O homem quer financiamento, quer dinheiro, quer apoio estatal, mas recusa ser subalterno dos poderes públicos no sistema de protecção civil. Quer mandar e quer facturar no transporte de doentes e adoentados - milhares de quilómetros, milhares de horas de espera, milhares em gasolinas, milhares em tudo… Não sei quantos milhões recebem os muitos milhares de bombeiros e as suas corporações. Era bom que se soubesse exactamente quanto recebem e que se esclarecesse como é distribuído esse dinheiro. É que onde há fogo, também há muito fumo. Talvez devesse ser esse um dos papéis da Liga dos Bombeiros e do seu presidente: servirem e não servirem-se.
Todos os anos, encosta-se ao drama dos incêndios florestais e entra-nos em casa através da televisão, com um discurso reivindicativo, arrogante e de constante exigência, quase de chantagem – ou me dão mais dinheiro ou não apago os fogos!
Um serviço à comunidade? A tradição já não é o que era! O homem quer financiamento, quer dinheiro, quer apoio estatal, mas recusa ser subalterno dos poderes públicos no sistema de protecção civil. Quer mandar e quer facturar no transporte de doentes e adoentados - milhares de quilómetros, milhares de horas de espera, milhares em gasolinas, milhares em tudo… Não sei quantos milhões recebem os muitos milhares de bombeiros e as suas corporações. Era bom que se soubesse exactamente quanto recebem e que se esclarecesse como é distribuído esse dinheiro. É que onde há fogo, também há muito fumo. Talvez devesse ser esse um dos papéis da Liga dos Bombeiros e do seu presidente: servirem e não servirem-se.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
WikiLeaks on Portugal
Através do Expresso tivemos acesso a alguns dos milhares de telegramas confidenciais americanos de que a WikiLeaks dispõe, dos quais 722 são relacionados com Portugal.
Mais do que a revelação de factos surpreendentes ou desconhecidos, a iniciativa do Expresso é uma operação de marketing jornalístico que, em estilo de folhetim semanal, se destina a alimentar a curiosidade do público e, naturalmente, a vender jornais.
O primeiro episódio incide sobre armamento e revela que um bom empresário em Silicon Valley não é necessariamente um bom embaixador, o que não é abonatório da Administração Obama e da política externa americana. O embaixador parece alguém que veio passear a Lisboa e que decidiu fazer uma crónica aligeirada de viagens, pela forma pouco rigorosa como opina sobre o nosso país e as suas opções soberanas.
Ao criticar as compras militares, que diz parecerem ser guiadas pelo desejo de ter brinquedos caros e inúteis, o embaixador ignora que são os EUA que pressionam os seus aliados para se armarem e muitas vezes lhes vendem equipamento. Como sempre se viu e agora se vê no Iraque e no Afeganistão. A opção por submarinos alemães e por fragatas holandesas, é criticada porque, certamente, o embaixador gostaria que fossem de origem americana.
E é tudo, mais ou menos assim, sem revelações surpreendentes. Veremos se nos próximos episódios deste folhetim teremos algumas novidades.
Mais do que a revelação de factos surpreendentes ou desconhecidos, a iniciativa do Expresso é uma operação de marketing jornalístico que, em estilo de folhetim semanal, se destina a alimentar a curiosidade do público e, naturalmente, a vender jornais.
O primeiro episódio incide sobre armamento e revela que um bom empresário em Silicon Valley não é necessariamente um bom embaixador, o que não é abonatório da Administração Obama e da política externa americana. O embaixador parece alguém que veio passear a Lisboa e que decidiu fazer uma crónica aligeirada de viagens, pela forma pouco rigorosa como opina sobre o nosso país e as suas opções soberanas.
Ao criticar as compras militares, que diz parecerem ser guiadas pelo desejo de ter brinquedos caros e inúteis, o embaixador ignora que são os EUA que pressionam os seus aliados para se armarem e muitas vezes lhes vendem equipamento. Como sempre se viu e agora se vê no Iraque e no Afeganistão. A opção por submarinos alemães e por fragatas holandesas, é criticada porque, certamente, o embaixador gostaria que fossem de origem americana.
E é tudo, mais ou menos assim, sem revelações surpreendentes. Veremos se nos próximos episódios deste folhetim teremos algumas novidades.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Os salários da RTP
A edição de hoje do Correio da Manhã destaca na sua primeira página os “salários milionários na RTP”, assinalando que o seu quadro de funcionários mostra que 64 profissionais têm vencimentos acima de cinco mil euros, além de vários tipos de subsídios. Engordam à nossa custa! Vários funcionários recebem remunerações com cinco dígitos e as chamadas "estrelas" com contratos de prestação de serviços, apresentam mensalmente uma factura de algumas dezenas de milhares de euros.
Há dias, a revista "Sábado" informava que na RTP “há 66 carros da empresa, de alta cilindrada (Audis), atribuídos a directores, subdirectores e assessores”.
A RTP recebe cerca de 400 milhões de euros de indemnizações compensatórias e taxa do audiovisual. São pagos por nós! O serviço produzido que nos é apresentado, onde se incluem as foleiradas que são a “Praça da Alegria”, o “Portugal no Coração”, o “Preço Certo” e “Quem quer Milionário”, é chocantemente medíocre, por vezes boçal e objectivamente embrutecedor. Acho mesmo que a RTP tem largas responsabilidades no retrocesso global por que passa a sociedade portuguesa.
A RTP vive num regabofe e foi tomada de assalto por gente pouco recomendável. É uma indignidade. Fechem-na depressa. Não precisamos dela para nada.
Há dias, a revista "Sábado" informava que na RTP “há 66 carros da empresa, de alta cilindrada (Audis), atribuídos a directores, subdirectores e assessores”.
A RTP recebe cerca de 400 milhões de euros de indemnizações compensatórias e taxa do audiovisual. São pagos por nós! O serviço produzido que nos é apresentado, onde se incluem as foleiradas que são a “Praça da Alegria”, o “Portugal no Coração”, o “Preço Certo” e “Quem quer Milionário”, é chocantemente medíocre, por vezes boçal e objectivamente embrutecedor. Acho mesmo que a RTP tem largas responsabilidades no retrocesso global por que passa a sociedade portuguesa.
A RTP vive num regabofe e foi tomada de assalto por gente pouco recomendável. É uma indignidade. Fechem-na depressa. Não precisamos dela para nada.
Primitivos Portugueses
O Museu Nacional de Arte Antiga apresentou a exposição Primitivos Portugueses (1450-1550) - O Século de Nuno Gonçalves, que reuniu e colocou em confronto mais de 160 pinturas portuguesas dos séculos XV e XVI, provenientes de colecções públicas e privadas, onde se incluíam importantes obras de museus de Itália, França, Bélgica e Polónia.
A exposição assinala o centenário da primeira apresentação pública dos Painéis de S. Vicente, realizada em 1910, que desde então passaram a constituir, nacional e internacionalmente, a obra “fundadora” e mais célebre da arte da pintura em Portugal. Além disso, a exposição procura documentar as noções de “originalidade artística” e de “identidade nacional”, tradicionalmente associadas ao brilhante ciclo criativo dos "Primitivos Portugueses", iniciado por Nuno Gonçalves e depois prosseguido e consolidado por outros pintores da primeira metade do século XVI. A dimensão e o conteúdo da exposição legitima a existência de uma escola portuguesa desde meados do século XV, independente das escolas flamenga e castelhana que lhe são posteriores, a que por vezes tem sido associada.
Esta exposição foi, seguramente, um importante e erudito evento cultural que o MNAA ofereceu ao público de Lisboa.
A exposição assinala o centenário da primeira apresentação pública dos Painéis de S. Vicente, realizada em 1910, que desde então passaram a constituir, nacional e internacionalmente, a obra “fundadora” e mais célebre da arte da pintura em Portugal. Além disso, a exposição procura documentar as noções de “originalidade artística” e de “identidade nacional”, tradicionalmente associadas ao brilhante ciclo criativo dos "Primitivos Portugueses", iniciado por Nuno Gonçalves e depois prosseguido e consolidado por outros pintores da primeira metade do século XVI. A dimensão e o conteúdo da exposição legitima a existência de uma escola portuguesa desde meados do século XV, independente das escolas flamenga e castelhana que lhe são posteriores, a que por vezes tem sido associada.
Esta exposição foi, seguramente, um importante e erudito evento cultural que o MNAA ofereceu ao público de Lisboa.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Um dirigente que alterna
Na minha galeria de cromos apresento hoje alguém cuja profissão se desconhece, mas que umas vezes actua como dirigente sindical e outras vezes como dirigente partidário, isto é, alterna.
A lusitana apetência por poleiro e este duplo poleiro dão-lhe uma importância televisiva, mas cria-lhe um grande problema.
- Como dirigente partidário obedece ao seu partido, que aprova o Orçamento do Estado, que exige reformas, emagrecimento da despesa e sempre muitos cortes e mais cortes.
- Como dirigente sindical da Função Pública opõe-se e combate toda a espécie de reformas, rejeita todos os cortes e exige sempre mais direitos e mais regalias.
Com este gosto para montar dois cavalinhos, o nosso cromo vive no meio deste paradoxo. Que vida difícil!
Porém, tem sobrevivido a esta já tão longa duplicidade de vida a alternar. Com o seu estilo habitual de professor de ciências ocultas, com tiques elitistas e sobranceiros, il Duce ou il condottiero utiliza sempre um discurso redondo para falar sem nada dizer, para empatar o jogo, para ocupar o terreno ou para mastigar sem engolir. Quando abre a boca, já se sabe que não pensa. Canta. Discursa. Os seus sindicalizados são um mero instrumento que usa para se colar ao seu partido e atacar o partido rival.
A lusitana apetência por poleiro e este duplo poleiro dão-lhe uma importância televisiva, mas cria-lhe um grande problema.
- Como dirigente partidário obedece ao seu partido, que aprova o Orçamento do Estado, que exige reformas, emagrecimento da despesa e sempre muitos cortes e mais cortes.
- Como dirigente sindical da Função Pública opõe-se e combate toda a espécie de reformas, rejeita todos os cortes e exige sempre mais direitos e mais regalias.
Com este gosto para montar dois cavalinhos, o nosso cromo vive no meio deste paradoxo. Que vida difícil!
Porém, tem sobrevivido a esta já tão longa duplicidade de vida a alternar. Com o seu estilo habitual de professor de ciências ocultas, com tiques elitistas e sobranceiros, il Duce ou il condottiero utiliza sempre um discurso redondo para falar sem nada dizer, para empatar o jogo, para ocupar o terreno ou para mastigar sem engolir. Quando abre a boca, já se sabe que não pensa. Canta. Discursa. Os seus sindicalizados são um mero instrumento que usa para se colar ao seu partido e atacar o partido rival.
O despertar do mundo árabe
O mundo árabe está a acordar, como diz o The Economist. Aqui bem perto, na orla sul do Mediterrâneo, há uma incontrolável onda de contestação que começou na Tunísia, se estendeu ao Egipto e a outros países, estando agora com grande intensidade na Líbia.
Os telejornais vão mostrando preocupantes imagens e os especialistas aparecem às dezenas nas televisões, a comentar, a esclarecer e a informar. Eu não sabia que havia em Portugal tantos especialistas destas coisas!
A contestação parece ser uma reacção aos modelos políticos, ao autoritarismo prevalecente, à desigualdade social e à falta de emprego. Ninguém pode prever o rumo dos acontecimentos, nem a dimensão ou direcção do risco de contágio, mas a margem norte do Mediterrâneo não pode deixar de estar atenta. E os refugiados? E o petróleo e o gás? E o vento?
Nos últimos anos, Portugal tem apostado muito nesta região, tendo aumentado as suas exportações e os seus investimentos. Hoje há muitas empresas portuguesas ou com capitais portugueses nesta região, que estão seriamente ameaçadas. Estamos perante um mero acidente de percurso? Uma derrota? Uma oportunidade? Como irá ser o futuro desta aposta lusitana?
Os telejornais vão mostrando preocupantes imagens e os especialistas aparecem às dezenas nas televisões, a comentar, a esclarecer e a informar. Eu não sabia que havia em Portugal tantos especialistas destas coisas!
A contestação parece ser uma reacção aos modelos políticos, ao autoritarismo prevalecente, à desigualdade social e à falta de emprego. Ninguém pode prever o rumo dos acontecimentos, nem a dimensão ou direcção do risco de contágio, mas a margem norte do Mediterrâneo não pode deixar de estar atenta. E os refugiados? E o petróleo e o gás? E o vento?
Nos últimos anos, Portugal tem apostado muito nesta região, tendo aumentado as suas exportações e os seus investimentos. Hoje há muitas empresas portuguesas ou com capitais portugueses nesta região, que estão seriamente ameaçadas. Estamos perante um mero acidente de percurso? Uma derrota? Uma oportunidade? Como irá ser o futuro desta aposta lusitana?
1808
Só agora tive oportunidade de ler “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil“, da autoria do jornalista brasileiro Laurentino Gomes.
É um livro leve, atraente e de escrita fluente, que embora trate de História, não é um livro de História. É um livro de não-ficção, que se lê com muito entusiasmo.
Para os especialistas, o livro é provavelmente demasiado ligeiro e não traz qualquer contributo para o conhecimento histórico da presença da Família Real portuguesa no Brasil, porque é uma compilação de outros livros especializados, mais ou menos conhecidos.
Por isso, o livro originou alguns comentários negativos emitidos por historiadores, como “é um péssimo livro”, é “um produto do marketing”, “não vale a pena ser lido” ou, ainda, é “uma escrita de encomenda”.
Como não especialista, discordo destes pontos de vista e, repito, o livro lê-se com muito entusiasmo e certamente desperta o interesse pelos temas históricos. Os especialistas e os historiadores nem sempre são os melhores divulgadores da História.
É um livro leve, atraente e de escrita fluente, que embora trate de História, não é um livro de História. É um livro de não-ficção, que se lê com muito entusiasmo.
Para os especialistas, o livro é provavelmente demasiado ligeiro e não traz qualquer contributo para o conhecimento histórico da presença da Família Real portuguesa no Brasil, porque é uma compilação de outros livros especializados, mais ou menos conhecidos.
Por isso, o livro originou alguns comentários negativos emitidos por historiadores, como “é um péssimo livro”, é “um produto do marketing”, “não vale a pena ser lido” ou, ainda, é “uma escrita de encomenda”.
Como não especialista, discordo destes pontos de vista e, repito, o livro lê-se com muito entusiasmo e certamente desperta o interesse pelos temas históricos. Os especialistas e os historiadores nem sempre são os melhores divulgadores da História.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Governação electrónica
A Comissão Europeia acaba de divulgar o seu estudo anual sobre governação electrónica – o 9th Benchmark Measurement 2010 – que, pelo segundo ano consecutivo, coloca Portugal em primeiro lugar no ranking europeu do egovernment.
O estudo destaca as boas práticas portuguesas, como tem sido a implementação do Cartão de Cidadão, a ferramenta Empresa Online, o serviço de declarações electrónicas de impostos e a página virtual da Segurança Social.
Segundo esse estudo, os serviços públicos que Portugal disponibiliza na Internet estão entre os mais fáceis de usar na União Europeia: Portugal regista um índice de 91% na facilidade de uso, acima dos 79% da média europeia, sendo apontado como o país mais avançado em sofisticação e disponibilidade de serviços públicos online.
O 9th Benchmark Measurement 2010 tem 272 páginas e pode ser consultado na Internet em: Digitizing Public Services in Europe: Putting ambition into action - 9th Benchmark Measurement.
Em tempos de desânimo, aqui está uma notícia para nos reforçar a nossa auto-estima.
O estudo destaca as boas práticas portuguesas, como tem sido a implementação do Cartão de Cidadão, a ferramenta Empresa Online, o serviço de declarações electrónicas de impostos e a página virtual da Segurança Social.
Segundo esse estudo, os serviços públicos que Portugal disponibiliza na Internet estão entre os mais fáceis de usar na União Europeia: Portugal regista um índice de 91% na facilidade de uso, acima dos 79% da média europeia, sendo apontado como o país mais avançado em sofisticação e disponibilidade de serviços públicos online.
O 9th Benchmark Measurement 2010 tem 272 páginas e pode ser consultado na Internet em: Digitizing Public Services in Europe: Putting ambition into action - 9th Benchmark Measurement.
Em tempos de desânimo, aqui está uma notícia para nos reforçar a nossa auto-estima.
Manuel Amado
A Sociedade Nacional de Belas Artes está a apresentar uma exposição de pintura de Manuel Amado, intitulada Encenações, que inclui cerca de quatro dezenas de obras a óleo e que estará patente ao público até 15 de Março de 2011.
Manuel Amado nasceu em 1938 em Lisboa, formou-se em Arquitectura, iniciou a sua actividade como pintor em 1975 e tem participado em exposições colectivas e individuais em Portugal e em diversas cidades europeias.
Nesta exposição, o artista convoca as suas anteriores séries sobre cidades, jardins, praias e interiores, nas quais integrou as figuras recortadas da série relativa ao teatro. O resultado é interessante e justifica uma visita.
Manuel Amado nasceu em 1938 em Lisboa, formou-se em Arquitectura, iniciou a sua actividade como pintor em 1975 e tem participado em exposições colectivas e individuais em Portugal e em diversas cidades europeias.
Nesta exposição, o artista convoca as suas anteriores séries sobre cidades, jardins, praias e interiores, nas quais integrou as figuras recortadas da série relativa ao teatro. O resultado é interessante e justifica uma visita.
Subscrever:
Mensagens (Atom)












