Nunca como agora, com a Espanha a integrar o grupo de países que pediram ajuda financeira externa, se apresenta tão incerto o futuro do euro e da União Europeia. O que aconteceu vem confirmar a irresponsabilidade e a desonestidade da banca espanhola, mas também veio clarificar a enorme interdependência financeira e bancária que se verifica à escala global. A bolha imobiliária espanhola era visível desde há muito tempo, nos subúrbios das grandes cidades e nos aldeamentos turísticos da costa mediterrânica, mas os banqueiros e os governantes espanhóis andaram deslumbrados e distraídos, um pouco como aconteceu por cá com o BPN, o BPP e alguns outros. E hoje pode perguntar-se qual é a diferença entre a Grécia que mentiu nas suas contas públicas e a Espanha cujos bancos mentiram nos seus balanços? Assim, esta crise espanhola veio confirmar que a União Europeia é cada vez mais um amontoado de países endividados, sobretudo na sua margem sul, com as ajudas concedidas aos quatro países já resgatados - Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha – a atingirem perto de 500 mil milhões de euros, como destaca o Financial Times. Entretanto, o ataque especulativo dos “mercados” prossegue, sem esperar pelo resultado das eleições gregas e da decisão quanto à sua permanência no euro, lançando nuvens muito negras sobre o futuro da comunidade nascida do Tratado de Roma. E, como se isso não bastasse, agitam-se já os fantasmas do colapso próximo da economia italiana. A União Europeia parece, assim, ter entrado numa espiral de definhamento da qual dificilmente sairá com os protagonistas que tem, nomeadamente em Berlim ou Bruxelas. São tempos muito difíceis e tempos muito incertos. Aparentemente, porque os eurocratas não são capazes de fazer melhor, só há duas alternativas: a refundação da União Europeia ou o seu desmantelamento.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Tempos muito difíceis e muito incertos
Nunca como agora, com a Espanha a integrar o grupo de países que pediram ajuda financeira externa, se apresenta tão incerto o futuro do euro e da União Europeia. O que aconteceu vem confirmar a irresponsabilidade e a desonestidade da banca espanhola, mas também veio clarificar a enorme interdependência financeira e bancária que se verifica à escala global. A bolha imobiliária espanhola era visível desde há muito tempo, nos subúrbios das grandes cidades e nos aldeamentos turísticos da costa mediterrânica, mas os banqueiros e os governantes espanhóis andaram deslumbrados e distraídos, um pouco como aconteceu por cá com o BPN, o BPP e alguns outros. E hoje pode perguntar-se qual é a diferença entre a Grécia que mentiu nas suas contas públicas e a Espanha cujos bancos mentiram nos seus balanços? Assim, esta crise espanhola veio confirmar que a União Europeia é cada vez mais um amontoado de países endividados, sobretudo na sua margem sul, com as ajudas concedidas aos quatro países já resgatados - Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha – a atingirem perto de 500 mil milhões de euros, como destaca o Financial Times. Entretanto, o ataque especulativo dos “mercados” prossegue, sem esperar pelo resultado das eleições gregas e da decisão quanto à sua permanência no euro, lançando nuvens muito negras sobre o futuro da comunidade nascida do Tratado de Roma. E, como se isso não bastasse, agitam-se já os fantasmas do colapso próximo da economia italiana. A União Europeia parece, assim, ter entrado numa espiral de definhamento da qual dificilmente sairá com os protagonistas que tem, nomeadamente em Berlim ou Bruxelas. São tempos muito difíceis e tempos muito incertos. Aparentemente, porque os eurocratas não são capazes de fazer melhor, só há duas alternativas: a refundação da União Europeia ou o seu desmantelamento.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Chegou a vez da Espanha
Chegou a vez da Espanha reconhecer a sua insustentável situação financeira, ao anunciar que pediu a ajuda europeia para refinanciar o seu sistema bancário e a confirmar que a crise que atravessamos é global. Embora tenha sido insistentemente declarado que não se trata de um resgate, serão canalizados cem mil milhões de euros só para a banca, ficando de fora o apoio à economia, às cajas de ahorro e o combate ao desemprego e aos défices central e das regiões autónomas. Comparando com as outras intervenções em curso, o montante anunciado do crédito ou do resgate, parece ser insuficiente. A Espanha é o quarto país da zona euro a solicitar a ajuda financeira externa, após a Grécia (Maio de 2010), a Irlanda (Novembro de 2010) e Portugal (Abril de 2012). Todos recusaram até ao limite pedir esse apoio pelo seu significado humilhante. No caso da orgulhosa Espanha, tem sido dito que é uma situação diferente da Grécia e de Portugal, estando a doença circunscrita ao seu sistema financeiro, mas isso não corresponde à verdade, porque a economia espanhola está tão debilitada quanto a portuguesa e padece dos mesmos sintomas de recessão e desemprego. Esta situação confirma que a crise do euro deixou de ser uma doença dos pequenos países periféricos e que chegou definitivamente às grandes economias. Ninguém está a salvo ou, como ontem referia The Economist, estamos todos no mesmo barco, sentindo-se que a Itália pode ser o próximo alvo dos credores. O famoso economista Nouriel Roubini escreveu que "desta vez a Europa está mesmo à beira do precipício", enquanto o Nobel da Economia Joseph Stiglitz, considerou que o resgate financeiro a Espanha “não funcionará e pode criar uma ‘economia vudu’ com o Estado a resgatar os bancos e estes a resgatar o Estado”. A crise é cada vez mais global, como se sabe, mas aqui está muito associada ao que se passa com nuestros hermanos. Haja confiança. Porém, humildemente, eu pergunto se aquilo que há um ano os catrogas, os nogeiras e os moedas nos disseram sobre a nossa situação - que era apenas um caso de gorduras do Estado e de excesso de institutos - foi um caso de má fé, um sinal de grande incompetência ou, apenas, uma sofisticada forma de assalto ao poder.sábado, 9 de junho de 2012
Start the engines, Angela!
Na sua edição de hoje, The Economist analisa a economia global, afirmando que ela está em grave perigo e que uma boa parte da solução depende de uma mulher. E a mais conceituada revista económica mundial recomenda: Start the engines, Angela! A União Europeia é a maior zona económica do mundo e engloba algumas das mais prósperas economias mundiais, como a Alemanha, a França, o Reino Unido, a Itália e a Espanha. Tudo o que se passa neste espaço não respeita apenas aos seus 500 milhões de consumidores, mas tem repercussões globais. Porém, acontece que, desde há alguns anos, a União Europeia vive um problema económico-financeiro (e institucional) que nasceu quando da criação da moeda única e que se acentuou em 2008, depois do caos desencadeado pela falência do Lehman Brothers. Aconteceram então enormes erros, sobretudo na Grécia, Irlanda, Portugal, Chipre, Bélgica, Itália e Espanha, que foram aconselhados a endividarem-se para vencer a crise e que cairam na malha da especulação financeira e da ganância bancária. O endividamento foi excessivo, o crescimento económico tornou-se vacilante, o desemprego atingiu níveis insustentáveis e o risco de catástrofe financeira tem progredido numa incontrolável espiral. As políticas de austeridade impostas para combater o endividamento e o défice público têm aprofundado os problemas, sobretudo na Grécia e na Espanha. Porém, o problema já tem uma dimensão global porque hoje há dificuldades por toda a parte, incluindo nos países emergentes que “parece terem batido na parede”. O Brasil já está a crescer menos do que o Japão. A Índia está a passar por muita confusão. A economia chinesa está em desaceleração. A economia global, como sugere The Economist, é um enorme navio que corre o risco de se afundar sem que ninguém se salve. Estamos todos no mesmo barco e, de facto, isto não vai nada bem. Assim, pelas interligações e interdependências existentes, o destino da economia mundial parece depender cada vez mais da obstinada Angela Merkel e das suas orientações. Mrs Merkel, it’s up to you.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
EURO 2012: lamento, mas não acredito!
Dentro de dias a selecção portuguesa de futebol defronta a equipa alemã, iniciando a sua participação no EURO 2012. As televisões, as rádios e os jornais não falam noutra coisa. A excitação mediática é total e o povo tem sido insistentemente contagiado pelos excitómetros televisivos e radiofónicos. Já se vêem janelas e varandas com algumas bandeiras nacionais numa encenação pseudo-patriótica. A hora H aproxima-se. Sucedem-se as notícias, as reportagens, as conferências de imprensa, os treinos em directo, as entrevistas, as sessões de autógrafos, os forum radiofónicos, os espaços publicitários e as mensagens dos patrocinadores. É um delírio absoluto. Até que, contrariando a euforia quase geral e numa entrevista à TSF, o experiente treinador Manuel José veio dizer que era necessária mais concentração e menos circo. Que a selecção parece um big brother e que passa a vida em festas. Outros concordaram. E eu também. De facto há um ambiente de festa exagerado, que tem transformado os jovens jogadores em vedetas antecipadas. Que se deslumbram. Que se desconcentram. Que passaram uma boa parte do estágio em sessões fotográficas com fins publicitários, como é exemplo o anúncio da Galp que "obrigou" os jogadores a transformarem-se em actores. A televisão mostra-nos tudo isso, o entusiasmo delirante e os carros dos jogadores que são uma afronta aos desempregados e a quem passa fome, enquanto a FPF não modera esta feira de vaidades.
Manuel José está pessimista. Eu também. Gostava de me enganar, porque dessa forma talvez eu me esquecesse do triste espectáculo que tem sido a euforia do apoio à selecção, que muitas vezes se confunde com a bagunça das promoções do Pingo Doce ou do Continente. Se assim fosse, aqui me retrataria pelo meu pessimismo e me regozijaria com as vitórias da selecção. Porém, lamento mas eu não acredito!
Sinais exteriores de riqueza
terça-feira, 5 de junho de 2012
Um desfile náutico memorável no Tamisa
Há muitos, muitos anos, aprendia-se nas nossas escolas primárias que a aliança luso-britânica assinada em 1373 e confirmada pelo Tratado de Windsor de 1386, era a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor. Com o correr dos anos e com a aprendizagem da História que fomos tendo ao longo do tempo, começamos a ver que essa aliança foi sempre mais vantajosa para os ingleses do que para nós e que eles, muitas vezes, não só não foram nossos aliados, como foram nossos intransigentes adversários, que nos atraiçoaram, nos combateram e nos humilharam.
Assim aconteceu quando perdemos as praças da costa do Malabar para os holandeses, quando perdemos Baçaim e a Província do Norte do Estado da Índia para os maratas, quando nos ocuparam a Madeira e Goa com o pretexto das invasões napoleónicas ou quando nos humilharam com o Ultimato de 1891. Por todas estas razões e como republicano, não tenho especial atracção pelos ingleses e pela sua monarquia, embora goste de muitas coisas que eles têm para nos oferecer. Destaco, por exemplo, a sua língua universal, os museus de Londres, os grandes concertos e a Premier League.
Além disso, admiro a solenidade com que a sociedade inglesa celebra os grandes momentos da Casa Real, de que é exemplo o conjunto de iniciativas que nestes dias assinalaram as Bodas de Diamante da Rainha e que a televisão nos mostrou. Destaco, em especial, o desfile náutico do Tamisa com mais de mil embarcações que escoltaram a Rainha e os milhões de pessoas que a ele assistiram, a lembrar ao mundo o simbolismo do poder naval inglês e a forma como a Família Real e os ingleses o evocam. Destaco, igualmente, a forma como os jornais de todo o mundo relataram esse memorável desfile náutico. Aqui, lamentavelmente, a nossa herança marítima é menos evocada do que devia e, nem o Tejo nem o Douro, têm servido para estas coisas.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Os jacarandás já florescem em Lisboa
Os jacarandás já florescem em Lisboa e, em poucos dias, a sua exuberância cromática transforma o espaço público, parecendo anunciar o Verão ou um tempo de maior confiança e optimismo para os lisboetas. Como sempre, a partir de fins de Maio e até meados de Junho, a cidade parece animar-se com a luminosidade e a intensidade que veste muitas das suas praças e ruas com o azul-lilás ou o rosa-lilás das flores dos jacarandás e com os mantos de pétalas que se estendem pelo chão, nos passeios e sobre os carros. Há jacarandás por toda a cidade e li que serão cerca de dois mil e duzentos, correspondendo a cerca de 6% da superfície arbórea da cidade, sobretudo nas avenidas 5 de Outubro e Dom Carlos I, nos Largos do Rato e do Carmo, no Parque Eduardo VII, no Príncipe Real, na Tapada das Necessidades, na Ajuda, no Restelo e em tantos outros locais.
É bom saber que há coisas que são belas e que não mudam, que fazem parte das nossas memórias alfacinhas e da identidade da nossa cidade, que estão para além da ganância e da mediocridade de tantos personagens do nosso tempo, mas também da crise do euro, da nossa dívida, do desemprego, da justiça que não funciona, dos escândalos financeiros, das promiscuidades nas secretas, da tristeza das programações televisivas, dos exageros com o futebol e do triste espectáculo que continuamente nos oferecem os relvas, os borges, os gonçalves, as esteves, os catrogas e os moedas. Esqueçamos tudo isso por instantes, naveguemos pelas ruas onde florescem os jacarandás, paremos alguns momentos para os observar e verifiquemos como é um privilégio poder contemplar tão belo espectáculo em Lisboa. E lembremos José Craveirinha, o poeta moçambicano dos “Jacarandás de Saudade”: Tempo / de seus passos vindo / pelo tapete de roxas flores / dos jacarandás enfileirados na rua.
domingo, 3 de junho de 2012
Um país cheio de Borges
sábado, 2 de junho de 2012
A temporada Gulbenkian de música 12/13
Encontro de Culturas em Serpa
sexta-feira, 1 de junho de 2012
A imoralidade de certas reformas
terça-feira, 29 de maio de 2012
Campeões da solidariedade
segunda-feira, 28 de maio de 2012
A transparência continua adiada
A utilidade de uma informação – II
Na chamada Zona Industrial do Casal da Areia, próximo de Alcobaça, situam-se as instalações da Veco Design - Fábrica de Parques Infantis e Mobiliário Urbano, uma empresa portuguesa a que já foi atribuído o prestigioso estatuto de PME Excelência.
As suas instalações ocupam cerca de 10 mil metros quadrados e constam de uma fábrica e de um armazém, além de um show-room permanente, em que se destacam o colorido e o design dos equipamentos que a empresa comercializa, não só em Portugal, mas também em Angola, Espanha, França, Marrocos, Brasil e Alemanha.
É uma empresa bem sucedida e, talvez por isso, cobiçada pelos amigos do alheio. Porém, num enorme cartaz colocado junto da sua porta principal, a empresa avisa os senhores ladrões que não temos telemóveis, portáteis ou dinheiro para roubar, “mas temos trabalho para dar!...” É uma informação útil que certamente desincentiva os ladrões, mas com o elevado desemprego que temos, a Veco Design corre o risco de ver milhares de desempregados à sua porta a procurar o trabalho que a empresa afirma ter para dar.
domingo, 27 de maio de 2012
Nem oito, nem oitenta
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