sexta-feira, 8 de maio de 2026

Gente que conta: “Le monde selon Vhils”

Alexandre Manuel Dias Farto é um artista português nascido em 1987 no Seixal, que se tem destacado nas áreas do graffiti e da street art, sobretudo através dos seus “rostos” que são esculpidos ou pintados em muros e paredes. Assina as suas obras como Vhils e é por esse nome que é conhecido, aqui e além-mar, pois os seus trabalhos encontram-se em inúmeros países e, naturalmente em Portugal, onde retratou Zeca Afonso e Amália, Sofia e Saramago, entre muitas outras figuras e factos. Recentemente, foi escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa para fazer o seu retrato que figura na Galeria dos Presidentes no Palácio de Belém, o que lhe aumentou a notoriedade nacional.
Agora, a prestigiada revista francesa Courrier International decidiu escolher como “invité spécial” da sua edição nº 1853 de 7 de maio, esta “figura maior da arte urbana” e escolheu como capa um dos rostos que desenhou e, como manchete, a frase “Le monde selon Vhils”. A reportagem que é abundantemente ilustrada com obras de Vhils espalhadas pelo mundo, salienta:
“É importante destacar que esta edição com Vhils é inédita em vários aspetos. Em primeiro lugar, é a primeira vez na história do Courrier International que           convidamos um artista para colaborar connosco. Mas é também a primeira vez que concebemos o nosso jornal em parceria entre dois países. Durante quase quatro meses, as nossas equipas e as equipas de Vhils, sediadas em Portugal, trabalharam em conjunto para criar esta edição”.
E aqui está como uma figura da arte e da cultura portuguesa atravessa fronteiras e tem “quelques œuvres majeures autour du monde”, em cidades como Lisboa e Porto, Londres e Los Angeles, Bruxelas e São Paulo, Macau e México City, Pequim e Shanghai, Praia e Cincinnati, Hong Kong e Paris, Rio de Janeiro e San Diego, Fremantle e Dubai. 
Bravo!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau é atracção para o turismo chinês

Através do jornal ponto final. que é um dos jornais em língua portuguesa que se publica na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, vamos conhecendo alguma coisa do que por lá se passa, quando já são decorridos 26 anos desde o fim da soberania portuguesa no território.
A mais recente edição do jornal destaca na capa uma fotografia das Ruinas de São Paulo, isto é, da antiga Igreja da Madre de Deus e do anexo Colégio de São Paulo, que em 1835 foram destruídos por um incêndio, dando notícia da Semana Dourada e do movimento turístico no território. A Semana Dourada abrange os cinco dias de feriado do Dia do Trabalhador que se festeja no território continental da China e, nesses dias, o território de Macau atrai ainda mais multidões de chineses. 
De acordo com as autoridades macaenses, nos primeiros três dias e meio da Semana Dourada o território recebeu 772 mil visitantes e, só no dia 2 de maio, entraram cerca de 248 mil visitantes, mais 20 mil que no mesmo dia do ano anterior, o que representava o número máximo de visitantes de Macau num só dia.
Nos nove postos fronteiriços de acesso ao território, as Portas do Cerco concentraram quase metade (49,3%) do total de entradas registadas nos três primeiros dias de feriado, em que foram contabilizadas 2.481.619 entradas e saídas de visitantes e não visitantes, perfazendo uma média diária de 827.206 movimentos transfronteiriços diários, o que significa que há milhares de chineses que todos os dias entram e saem de Macau, uns como turistas e outros para trabalhar, estudar ou fazer compras.
Macau, que muitos portugueses bem conhecem, tem atualmente cerca de 700 mil habitantes e em 2025 recebeu 40,1 milhões de turistas, enquanto Portugal recebe anualmente cerca de 30 milhões de turistas. Estes números mostram que Macau é uma atracção para o turismo chinês, mas que continua a ser uma bela memória da expansão marítima portuguesa.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Donald Trump, o aproveitador

A mais recente edição do jornal Libération é demolidora para Donald Trump, tanto pela sua acusadora manchete ao afirmar que “desde a sua reeleição, segundo a revista Forbes, o presidente dos Estados Unidos e sua família teriam embolsado 1,4 mil milhões de dólares”, mas também pela imagem da capa que mostra uma estátua de Donald Trump feita de metal maciço banhado a ouro, em que a personagem se apresenta de punho erguido – “une image qui fait presque mal aux yeux”. 
A jornalista Alexandra Schwartzbrod chama-lhe ”aproveitador” e desvenda a mistura de interesses e de negócios deste homem de excessos, de narcisismo doentio e de fanfarronice, que usa a desinformação e a ameaça para satisfazer os seus interesses. Convencido de que está protegido por uma capa de invencibilidade e de super-herói, ele confunde os limites e explora a sua posição presidencial para cobrar por tudo o que leva o seu nome, desde os seus caricatos bonés até aos hotéis e campos de golfe que lhe pertencem, ou que controla, nos quais as suas iniciais aparecem estampadas em letras douradas. O mesmo acontece com o seu famoso resort Mar-a-Lago, na Florida, onde são cobrados preços exorbitantes pela condição de membro, ou por quaisquer alugueres.
O trabalho jornalístico também trata das guerras de Trump e dos que delas beneficiam, referindo que “o Pentágono está a esvaziar os seus cofres ao despejar o equivalente a mais de mil milhões de dólares em bombardeamentos no Irão todos os dias, segundo estimativas da Forbes”. A indústria da guerra floresce e Donald Trump e os seus amigos aproveitam. 
Porém, o remate mais incisivo no demolidor texto do Libération está na seguinte frase: “Basicamente, seja você um chefe de Estado ou um empresário, se quiser um favor de Trump, basta pagar”.
Nos seus túmulos, os pais fundadores da nação que em 1766 assinaram em Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, devem dar voltas…

terça-feira, 5 de maio de 2026

A China consolida posições estratégicas

O jornal The New York Times destaca hoje na sua edição internacional que “a China está a transformar um recife num posto avançado”, publicando uma série de imagens satélite que mostram como têm evoluído os trabalhos de aterro e expansão no Antelope reef. Este recife faz parte das ilhas Paracel, que se situam no Mar do Sul da China, onde a China, Taiwan, Vietname e Filipinas disputam espaço e influência. Porém, os chineses não perdem tempo e estão a criar uma ilha artificial de considerável dimensão, para nela instalar um grande posto militar avançado com capacidade para receber infraestruturas de grande porte, incluindo pistas de aviação e portos.
A campanha de construção de ilhas artificiais no Mar do Sul da China pelos chineses, sobretudo nas ilhas Spratly e Paracel, tinha começado em meados da década de 2010, esteve suspensa durante alguns anos, mas agora arrancou com força, devido às novas circunstâncias internacionais, em que a China quer consolidar posições estratégicas.
A mesma edição do jornal The New York Times inclui dois importantes artigos de opinião, os chamados “guest essay” ou ensaio de convidado. Um deles é assinado por Scott Anderson e tem o curioso título “Operação Fúria Épica, conheça a Operação Erro Colossal”; o outro, que é assinado por Christopher Caldwell e que tem destaque de primeira página, tem por título “Os Estados Unidos são oficialmente um império em declínio”
Aqui está, como dois artigos de opinião publicados num importante jornal americano, contrariam tudo o que as nossas televisões diariamente nos impingem sobre Donald Trump e a sua governação, deixando tantos portugueses enganados.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Vem aí a época dos incêndios florestais

A edição de ontem do diário catalão el Periódico publica uma sugestiva ilustração em que o território espanhol da Península Ibérica aparece cercado pelo fogo e que, em manchete, escreve que “España olvida outra vez la prevención de incendios”.
Qualquer português que observe esta ilustração, ou que leia esta notícia, interroga-se sobre o que está, ou não está, a ser feito em Portugal para nos prevenirmos dessa calamidade que são os incêndios florestais que todos os anos nos ameaçam e que têm devastado vidas e bens. Porém, há que destacar que em Portugal o assunto não tem sido esquecido e que até está na ordem do dia.
Há cerca de um mês o ministro da Administração Interna (MAI) reconhecia que “o Verão vai ser muito duro” e elogiava o trabalho que estava a ser feito para prevenir os incêndios florestais, sobretudo nas zonas devastadas pelas recentes tempestades, porque “podem vir a ser seriamente afetadas”. Também estão a decorrer muitas acções de sensibilização e de esclarecimento da população para a defesa da floresta, lembrando sempre que o prazo legal para execução dos trabalhos de limpeza florestal termina a 30 de junho.
Entretanto, foi criado o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), com os Ministérios da Defesa, da Administração Interna e da Agricultura a juntar esforços na prevenção de fogos florestais e para assegurar a necessária eficácia e uma boa articulação de meios e esforços, tendo o MAI avisado que “tem de ser um combate de todos” e que “é possível trabalharmos em equipa” através de uma “mudança de mentalidade”.
Espera-se que estas medidas não sejam apenas de propaganda e que haja vontade de acabar com os excessos de protagonismos de políticos, bombeiros, proteção civil, autarcas e até alguns militares, mas cá estaremos para ver o que vai acontecer…

domingo, 3 de maio de 2026

Sagrada Família: uma obra com 144 anos!

O Temple Expiatori de la Sagrada Família, ou simplesmente Sagrada Família, é um grande templo católico em construção em Barcelona, que foi desenhado pelo arquitecto catalão Antoni Gaudi e que foi iniciado em 1882, isto é, está em construção há 144 anos. Com a recente instalação da parte mais alta da cruz que mede 17 metros de altura e 13,5 metros de largura, o templo passa a ter 172,5 metros, tornando-se a construção mais alta de Barcelona e a igreja mais alta do mundo.
A longa duração da construção resulta do seu financiamento resultar de doações e venda de ingressos, mas também da complexidade da obra com três fachadas principais e 18 torres, entre outras circunstâncias incluindo a guerra civil de Espanha,
No próximo dia 10 de junho – dia em que se evocam 100 anos da morte de Gaudi – o Papa Leão XIV irá abençoar a Torre de Jesús, a última a ficar concluída. A visita papal e o avanço da obra despertaram o interesse de todos os espanhóis, mas também dos mass media internacionais. O jornal La Vanguardia que se publica em Barcelona publicou uma extensa reportagem da jornalista Sara Sans sobre o entusiasmo que a visita do Papa está a suscitar e refere que a lotação da basílica “está esgotada” até essa data, o que supera todas as expectativas. Essa reportagem anuncia, também, que no ano passado “entraron en el interior de la basilica 4,87 millones de visitantes (un 89% extranjeros), lo que se tradujo en unos ingressos de 130 millones de euros”.
A Sagrada Família é, de facto, um caso único no mundo.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cuba e a sua fidelidade a Fidel Castro

O jornal Granma, o “organo oficial del Comité Central del Partido Comunista de Cuba, dedicou a sua edição de hoje a Fidel Castro, que era filho de emigrantes galegos e liderou a guerrilha que tomou o poder em Cuba em 1959, quando tinha 33 anos de idade. Morreu em 2016, mas continua a ser o símbolo da Cuba socialista e anti-imperialista, numa altura em que já decorrem as celebrações do centenário do seu nascimento, cujo ponto alto acontecerá em agosto.
Nessa edição, a propósito do Dia Internacional de los Trabajadores, o presidente Miguel Diaz-Canel convocou o povo cubano para “un desfile por la paz” e, inspirando-se numa frase de Fidel Castro, disse que “la Patria se defiende en calles y plazas este viernes Primero de Mayo al amanecer” e exortou “trabajadores, campesinos, estudiantes, intelectuales, artistas, deportistas, cubanas y cubanos todos”, para desfilar hoje “contra el bloqueo genocida y en defensa de la paz”.
Este tipo de mobilização é habitual em regimes autoritários e personalistas, tanto de esquerda como de direita, assim tendo acontecido com as figuras de Lenine na União Soviética, de Adolfo Hitler na Alemanha, ou de Mao Tse-Tung na República Popular da China, mas também com o português António Salazar, cujas frases infectaram várias gerações de portugueses. Se Fidel Castro procurou a unidade cubana com a frase “La Patria se defiende”, o homem de Santa Comba Dão decretava a unidade nacional em torno da frase “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, procurando impor-se como “Salvador da Pátria” com a sua famosa declaração – “Sei muito bem o que quero e para onde vou”. 
Parafraseando uma conhecida figura política portuguesa, dir-se-ia que, em termos de culto da personalidade, as figuras históricas de Lenine, Mao, Salazar e Fidel foram “farinha do mesmo saco”.

Uma notável proeza de um atleta queniano

Foi no dia 26 de abril que Sabastian Kimaru Sawe, um maratonista queniano de 31 anos de idade, conseguiu a extraordinária proeza atlética de correr os 42,195 quilómetros da Maratona de Londres em 1.59:30. Tratou-se de um resultado histórico pois nunca ninguém completara esta prova em menos de duas horas e o jornal espanhol Marca deu-lhe honras de primeira página e, por um dia, esqueceu o futebol.
A maratona é uma prova que interessa os portugueses que tiveram em Carlos Lopes e Rosa Mota os seus grandes campeões, ambos com medalhas de ouro olímpicas.
No dia 12 de agosto de 1984 – já lã vão quase 42 anos – todos rejubilamos quando Carlos Lopes conseguiu a primeira medalha olímpica de ouro para Portugal ao vencer a Maratona de Los Angeles em 2.09:21, o que na altura constituiu um novo recorde olímpico.
Agora, este queniano gastou quase 10 minutos a menos para fazer o mesmo percurso, o que é verdadeiramente notável. Porém, há uma curiosidade em torno desta proeza. As grandes marcas desportivas vinham procurando criar umas sapatilhas especiais e a Adidas parece que se adiantou à Nike. Sabastian Sawe correu com sapatilhas Adizero Adios Pro Evo 3, o modelo da Adidas com menos de 100 gramas que foi desenvolvido para maximizar a eficiência energética e que cria um efeito de retorno de energia que reduz o custo fisiológico ao longo da prova. “O ténis é muito bom, muito leve, confortável e oferece bastante suporte, além de impulsionar para frente”, disse o Sabastian. Não se lhe tira o mérito, mas

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O 25 de Abril é o dia mais bonito do ano

As comemorações do 52º aniversário do 25 de Abril foram uma grande festa popular e confirmaram o que o jornal Expresso escrevera dois dias antes ao referir-se à ”tarde mais bonita do ano na avenida da Liberdade - e noutros pontos do país”.
Embora tenham acontecido as mais diversas cerimónias comemorativas por todo o país – sessões solenes e manifestações, jantares e almoços, exposições e concertos, colóquios e conferências, arraiais e concursos, corridas e outros eventos desportivos, para não referir essa parolice bizantina de ligar o teatro e um só actor ao 25 de Abril – o ponto alto das comemorações do 25 de Abril continua a ser o grandioso desfile popular que sempre se realiza na avenida da Liberdade em Lisboa, com milhares de pessoas, em grande unidade e de cravo na mão, a celebrar a Liberdade e a Democracia, sendo evidente o envolvimento das novas gerações, de que é exemplo aquele jovem que empunhava um simples cartaz em que afirmava ”eu não estava lá, mas agora estou aqui!”.
Por tudo isto, o 25 de Abril está vivo e povo gritou bem alto: “25 de Abril sempre!”.
Porém, os festejos deste 52º aniversário também tiveram um novo aliciante, que foi ver o Presidente da República de cravo ao peito e de se afirmar, sem quaisquer equívocos, um homem do 25 de Abril e de assumir a defesa dos valores de Abril, não deixando de ser curioso e eloquente que, na sessão solene da Assembleia da República, a sua mulher vestisse de vermelho e a mulher do primeiro-ministro vestisse de preto...
As televisões estiveram bem ao divulgar as imagens essenciais da grande festa, mas a imprensa esteve distraída e até o jornal Público, que destacou a festa do 25 de Abril com uma fotografia na sua primeira página a cinco colunas, se limitou a escrever em tímida manchete que “o Presidente falou para os jovens e as ruas encheram-se de cor”. É pouco, para descrever o que se viu…

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Feira de Sevilha já anima a Andaluzia

A Feira de Sevilha é uma das festas mais internacionais e populares das famosas festividades espanholas e começa hoje à noite com o Alumbrado, ou iluminação de mais de 28 mil  lâmpadas coloridas do recinto de Los Remedios e da sua entrada principal, ou Portada, que tem cerca de 50 metros de altura e todos os anos é diferente. Hoje, a edição de Sevilha do diário ABC tem como legenda a frase “hoje e sempre” e publica em primeira página a fotografia da Portada, que este ano é “dedicada al Pabellón de Portugal”.
Até ao dia 26 de abril a cidade de Sevilha vai viver para a feira e receber muitos milhares de visitantes, com muita música, dança, gastronomia e animados convívios de familiares e amigos em tendas coloridas, enquanto as pessoas se passeiam em ricas carruagens pelas avenidas principais da cidade e usam trajes típicos da Andaluzia, isto é, os homens com roupas tradicionais do campo e as mulheres com trajes flamencos ou ciganos. Durante o dia, centenas de amazonas e cavaleiros passeiam a cavalo pelo recinto da feira e, o turista mais abonado ou mais interessado, também pode alugar um cavalo. Um outro elemento essencial da festa são as corridas de touros na Plaza de Toros de la Maestranza com um programa diário que atrai milhares de aficionados, embora este ano esteja prejudicado pela colhida do famoso matador Morante de la Puebla, acontecida ontem na corrida de abertura da feira e que o jornal ABC e outros jornais relatam com fotografia em primeira página.
A Feria de Sevilla é uma grande festa que atrai muitos portugueses e é uma das grandes celebrações do país vizinho.

domingo, 19 de abril de 2026

Pedro Sánchez, o novo superstar europeu

A cidade de Barcelona assistiu ontem a uma cimeira progressista “em defesa da Democracia” em que, para além de outros dirigentes internacionais, se destacou a presença de Lula da Silva, que disse que “nenhum país, por maior que seja, tem o direito de impor regras aos outros”, e de Pedro Sánchez, que afirmou que “não basta resistir, temos de propor”. 
A cimeira visou a constituição de uma frente internacional das esquerdas e dos centro-esquerdas mundiais contra Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas também contra os outros líderes da extrema-direita que são seus aliados. Na sua edição de hoje o jornal El País destacou este acontecimento em primeira página e transcreve algumas das declarações produzidas durante a cimeira.
- “Gracias por haber salvado el alma de Europa”, disse Giacomo Filibeek, o secretário-geral do Partido Socialista Europeu;
- “Gracias Pedro por tu liderazgo, gracias por demostrar que la agenda progresista funciona, gracias por defender nuestra dignidad com cuatro palabras “no a la guerra”, disse a italiana Elly Schlein, a grande rival de Giorgia Meloni.
O presidente brasileiro Lula da Silva disse que “não se pode dormir e acordar todos os dias com um Presidente ameaçando o mundo” e elogiou Pedro Sánchez “porque tuvo la valentia de no permitir que los aviones de guerra de EE UU salieran de aquí para bombardear Irán”.
A cimeira teve a participação da presidente mexicana Claudia Sheinbaum e do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Dos Estados Unidos chegaram apoios à iniciativa de Pedro Sánchez e de Lula da Silva, designadamente de vários democratas como Tim Walz, Zohran Mamdani, Bernie Sanders e Hillary Clinton, afirmando que esta iniciativa é “o trabalho da nossa era”, mas Tim Walz, que foi candidato presidencial derrotado em 2024, destacou-se ao afirmar que Trump "é um ditador" e que "o fascismo está pelo mundo". 
Na linha do Papa Leão XIV que disse não ter medo de Trump, surgiu Pedro Sánchez como o mais destacado e corajoso opositor europeu dos desmandos e das ilegalidades de Donald Trump, cujo ataque ao Irão parece estar a ser um fiasco, sobretudo… nos Estados Unidos. 
Pedro Sánchez tornou-se de facto num superstar europeu.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leão XIV aos tiranos: chega de guerras!

O jornal The Washington Post é um dos mais influentes jornais dos Estados Unidos, sobretudo em questões de política internacional, sendo muito respeitado pelos seus rigorosos padrões jornalísticos.
Porém, nos tempos que correm, a leitura de jornais não é tarefa fácil. Neste respeitado jornal, como em todos os jornais, o leitor deverá ter atenção aos temas dominantes, mais ou menos sensacionalistas e mais ou menos verdadeiros, mas também deverá saber distinguir o que é opinião e o que é notícia e, neste caso, deve procurar saber se essa notícia relata um acontecimento verdadeiro, ou não verdadeiro.
Ao contrário das nossas televisões que a cada minuto nos impingem Trump, Netanyahu e a sua loucura destruidora, a edição de hoje do jornal The Washington Post tem o Papa Leão XIV e a sua viagem de dez dias a quatro países africanos como o principal tema de capa, com uma fotografia da sua chegada à República dos Camarões. A legenda da fotografia salienta que “dias depois dos insultos do presidente Donald Trump”, “o Papa nascido em Chicago”, fez “um veemente apelo à paz e condenou o que descreveu como um ‘punhado de tiranos’ que estão a devastar o mundo”.
No discurso então pronunciado, o Papa disse que “o mundo tem sede de paz” e que “chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados.”
A palavra do Papa é uma lição de coragem e de lucidez perante a alucinação da aliança destruidora Trump-Netanyahu e é com alegria que vemos o influente e rigoroso jornal The Washington Post a alinhar do lado da paz e a ignorar o Donald. Porém, a palavra do Papa tem sido muito ignorada em Portugal, o que é uma vergonha num país que, no artigo 7º da sua Constituição, defende “a solução pacífica dos conflitos internacionais”.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

A verborreia do Donald foi longe demais

O Papa Leão XIV fez um apelo à paz no Médio Oriente face à ”violência absurda e desumana”, o que é natural num chefe da Igreja Católica, mas o fanfarrão que governa os Estados Unidos não gostou e tratou de o atacar duramente, afirmando que o Papa “era fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. 
Donald Trump nunca tinha ido tão longe na sua verborreia mas ainda resolveu divulgar na sua rede social - a Truth Social - uma imagem gerada por inteligência artificial, que o mostrava vestido com uma túnica branca como Jesus Cristo. Nessa imagem, o presidente dos Estados Unidos aparece a confortar um doente num hospital, de forma semelhante ao que se vê em algumas pinturas religiosas que retratam Jesus a curar os enfermos, enquanto em segundo plano, se veem alguns símbolos americanos, como a Estátua da Liberdade, uma grande bandeira dos Estados Unidos, alguns aviões de combate, uma águia e uma enfermeira. Perante este narcisismo ridículo, as críticas surgiram imediatamente de todos os lados e a imagem foi retirada, mas a imprensa inglesa estava atenta e publicou-a, acompanhada de severas críticas, com destaque para o diário The Daily Telegraph que dedicou toda a sua primeira página da edição de ontem a este indescritível excesso de Trump, embora refira que ele se “arrepende desta farsa com Jesus”.
Segundo alguns relatos, o movimento MAGA que tem apoiado Donald Trump não gostou e veio acusá-lo de blasfémia e de possessão demoníaca, enquanto a sua amiga Giorgia Meloni, que é a primeira-ministra da Itália, declarou que as declarações do Donald eram “inaceitáveis”. 
Parece que nenhum outro líder europeu refutou as declarações de Donald Trump…

domingo, 12 de abril de 2026

Lula e o Brasil reconhecidos na Europa

A revista francesa Challenges que é especializada em assuntos económicos e negócios, na sua mais recente edição destacou em manchete de forma muito elogiosa o presidente do Brasil, a quem chamou Lula superstar.
Numa época em que as manchetes das grandes revistas internacionais são ocupadas pelos líderes da Ucrânia e da Rússia, de Israel e do Líbano e, também, do Irão e principalmente dos Estados Unidos, o aparecimento do Brasil e do seu presidente na capa de uma prestigiada revista europeia deve encher de orgulho metade do país e deve deixar os bolsonaristas muito irritados, porque significa que o Brasil e o seu presidente são ouvidos, procurados e respeitados no exterior. 
A revista dedicou a sua capa ao Brasil e ao presidente Lula numa reportagem que se estende por 15 páginas, evidenciando o êxito que foi a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ou COP30, que se realizou em novembro de 2025 na cidade de Belém e que juntou cerca de duas centenas de países, mas também em relação ao Acordo Comercial EU-Mercosul, acelerado pelo Brasil e assinado no Paraguai no dia 9 de janeiro de 2026. Este acordo que abre boas perspectivas comerciais foi negociado durante cerca de 26 anos e espera-se que venha a dinamizar a integração das economias da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai que, com os seus 270 milhões de habitantes, constituem o 6º maior bloco económico do mundo.
O trabalho jornalístico da Challenges também destaca a Embraer, uma “joia da coroa” brasileira que, embora de forma limitada, começa a desafiar o duopólio Airbus-Boeing.
Aqui deixamos o nosso aplauso pelo justo reconhecimento internacional que vem sendo feito ao Brasil e de que os portugueses também muito se orgulham.

O estreito de Ormuz e Afonso Albuquerque

O mundo tem estado suspenso pelo que se passa no Irão e, sobretudo, pelo que se passa no estreito de Ormuz, que é dominado pela ilha de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, destinado principalmente à China, à Índia, ao Japão e à Coreia do Sul.
O estreito liga o golfo Pérsico ao mar Arábico e tem uma largura média inferior a 40 quilómetros mas, no seu ponto mais estreito, que é um corredor por onde os navios podem navegar, tem apenas 3,2 quilómetros de extensão em cada direção, o que o torna facilmente congestionável e perigoso para a segurança da navegação.
O tráfego marítimo no estreito de Ormuz é controlado pelo Irão e, como diz o jornal francês Libération na sua edição de ontem - que publica na capa uma expressiva fotografia do estreito captada por satélite - Ormuz é a “carte maîtresse de l’Iran”, ou o cartão de crédito do Irão. Perante a agressão israelo-americana, as autoridades iranianas tomaram a decisão de “fechar o estreito” para combater os países que acolhem bases militares americanas no golfo Pérsico, o que também introduziu uma grave perturbação na economia mundial.
Há 500 anos este estreito era controlado pelos portugueses, o que significa que “D. Manuel I chegou antes de Trump”, como escreveu a revista Sábado, com base nas crónicas coevas de João de Barros e de Fernão Lopes de Castanheda. O terribil Afonso de Albuquerque ocupou Ormuz em 1507 e iniciou a construção de uma fortaleza, mas teve que abandonar a ilha. Depois conquistou Goa e Malaca e, em 1515, regressou a Ormuz, que dominou e onde fez concluir o forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz que, embora em ruinas, ainda existe.
O estreito de Ormuz está hoje no centro das atenções mundiais, mas entre 1515 e 1622 foi dominado pelos portugueses. Agora é para dominar o estratégico jogo do petróleo, antes era para dominar o negócio das pérolas do Bahrein e dos cavalos persas.
O que a História nos ensina…