O genocídio conduzido
pelos israelitas em Gaza prossegue como antes, embora a um ritmo mais
silencioso, mas tão sistemático e letal como antes, perante o silêncio e a
cobardia da União Europeia. Há dias, o diário espanhol El País noticiava que tinham sido assassinados 1.100 palestinianos
desde o cessar-fogo de outubro de 2025 e que a situação na Cisjordânia (West
Bank) estava a agravar-se, com a acção dos colonos, do exército e do governo
israelitas que estão preparar a anexação
de jure do território.
Calcula-se que a
quinta parte do território da Cisjordânia, que constitui a base territorial do
estado da Palestina, reconhecido pelas Nações Unidas em 2025 e por cerca de 148
países, já está nas mãos dos colonos e das sua milícias, que proíbem as pessoas
de se deslocarem entre a parte norte e a parte sul do território. Assim, a
continuidade fisica entre o norte e o sul, ou entre Ramala e Belém está cortada
pelo exército e pelos colonos, o que nunca acontecera desde os acordos de Oslo de
1993. Nenhum governo israelita procurou antes
romper a continuidade geográfica da Cisjordânia, como agora acontece. Hoje é
evidente que Israel quer inviabilizar a soberania palestiniana sobre o
território da Cisjordânia e impedir a criação do estado da Palestina, em
violação das resoluções das Nações Unidas que defendem a “solução de dois
estados”, isto é, a existência de Israel e da Palestina como dois estados
independentes, soberanos e contíguos, coexistindo lado a lado em paz e
segurança.
A Europa tem
estado cobardemente calada e demasiado cúmplice com o carrasco Netanyahu, com a
honrosa excepção de Pedro Sánchez e, agora, de Andy Burnham, o
primeiro-ministro britânico desde há menos de dois meses, que condenou
explicitamente “a limpeza étnica executada por terroristas israelitas na
Cisjordânia”, como hoje anunciou o diário The Guardian.
Então os líderes
europeus não vêm isto? Talvez agora aprendam com Andy Burnham que condenou a
besta com firmeza e que, desejavelmente, irá mais longe na denúncia dos crimes
do regime de Netanyahu.














