sábado, 19 de novembro de 2011

Amanhã, há eleições em Espanha

Amanhã realizam-se eleições legislativas em Espanha e as sondagens já antecipam uma mudança política que confirma a tese da alternância democrática.
Tal como acontece com Portugal e com outros países europeus, a Espanha atravessa um período de grandes dificuldades com um défice orçamental da ordem dos 7%, uma dívida de 68% do PIB cujos juros atingiram o simbólico patamar dos 7% e com um desemprego que se situa acima dos 20%. Não é necessário invocar a História para acrescentar outras preocupações relativamente ao futuro da Espanha.
Por isso, quaisquer que sejam os resultados que amanhã forem apurados, por razões de vizinhança e de afinidade cultural, eles serão muito importantes para Portugal. Desde que os dois países entraram na família europeia que as tradicionais rivalidades se atenuaram e que as relações económicas e culturais se intensificaram. A solidariedade ibérica é um facto.
Hoje Portugal precisa de turistas espanhóis e de exportar para Espanha.
Hoje Portugal precisa que o seu vizinho tenha estabilidade política e social.
Hoje Portugal precisa de um crescimento económico espanhol que nos contagie.
Hoje todos desejamos que o eleitorado espanhol encontre as melhores soluções.
Amanhã, os espanhóis votarão por um futuro, que também é o nosso.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A polémica publicidade da Benetton

A polémica publicidade da popular marca italiana Benetton, regressou ao espaço público com mais uma campanha de manutenção da sua imagem.
Trata-se de uma marca de grande notoriedade adquirida através do produto têxtil, mas que tem sido ampliada a partir de campanhas de comunicação muito polémicas, que recorrem frequentemente a temas fracturantes como a sida, o racismo, a homossexualidade, a guerra ou a violência, com o objectivo de chamar a atenção, chocar e sensibilizar.
Desta vez, a Benetton utilizou as figuras de líderes políticos mundiais em "beijos impossíveis". Assim, os respectivos anúncios mostram fotomontagens em que o Papa Bento XVI beija o imã do Cairo e o Presidente Obama beija o Presidente Hugo Chavez. Noutros anúncios, são a chanceler alemã e o chefe de Estado francês que se beijam, bem como o primeiro-ministro israelita e o presidente da Autoridade Palestiniana.
A iniciativa pertenceu à marca e à fundação Unhate (Deixe de Odiar), financiada pelo grupo de Luciano Benetton, cujo objectivo é contribuir para a criação de uma nova cultura de tolerância e de diálogo. A campanha apareceu nas grandes cidades italianas e gerou imediatos protestos do Vaticano e a desaprovação dos Estados Unidos, mas chegou a todo o mundo através das televisões e dos jornais. Assim sucedeu com o The Times de Joanesburgo que reproduziu quatro desses anúncios na sua primeira página.
A imagem do Papa foi retirada das ruas de Itália, mas os efeitos da campanha já tinham sido atingidos, gratuitamente e por todo o mundo, devido à comunicação global.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os dias sombrios da Europa

O pessimismo europeu continua a alastrar. Depois da Grécia, da Irlanda e de Portugal, agora é a Itália e a Espanha que estão na mira dos chamados mercados e dos especuladores, depois de recentemente terem pago os juros mais altos da sua dívida desde que foi criado o euro. O receio de um contágio a outros países como a França, a Bélgica e, até, a Áustria e a Holanda, continua a ser muito preocupante. A tempestade passou pela periferia e está a chegar ao centro da Europa.
Porém, a maior surpresa veio das palavras de Jean-Claude Juncker, o presidente do Eurogrupo, ao afirmar-se preocupado com a elevada dívida alemã (quase 90% do seu PIB), que é maior do que a dívida espanhola, ao mesmo tempo que era anunciado o corte do rating de dez bancos alemães por parte da Moody’s. A situação é muito complexa e muitos, em especial os franceses, defendem a intervenção do BCE, como única solução para resolver a crise da dívida soberana europeia, mas a chanceler alemã afirmou peremptoriamente que não é esse o caminho.
Entretanto, o economista chefe do Citigroup recomendou hoje que o BCE intervenha e compre dívida no mercado secundário, afirmando que a Europa tem apenas semanas ou dias para evitar o default (incumprimento) da Espanha ou da Itália, o que seria uma catástrofe financeira que arrastaria o sistema financeiro europeu e norte-americano com ele.
Nesta tão complicada situação de incerteza, o jornal económico francês La Tribune pergunta se o BCE pode verdadeiramente salvar a Europa, ilustrando a notícia com uma moeda de um euro a afundar-se. Os dias estão realmente muito sombrios para a Europa.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os jornais e o rigor das notícias

O Diário Económico informa na sua edição de hoje que, de acordo com os dados do Ministério das Finanças, o Fisco já penhorou este ano um total de 8.315 carros, um valor que representa uma quebra de 27,2% face aos 10.577 automóveis penhorados no ano passado. Do total das penhoras feitas, verifica-se que 1.343 correspondem a carros de luxo, onde se incluem dois Ferrari, um Rolls Royce, quatro Jaguar e dez Porsche, mas também Lamborghini, Ducati, Mercedes, BMW, Chrysler, entre outras marcas. A notícia refere, ainda, que estes automóveis poderão não ir para venda no site do Portal das Finanças, porque entre a penhora e a venda há ainda um processo complexo, que passa pelo registo da penhora e pela marcação de venda, durante o qual o contribuinte pode regularizar a sua situação tributária e recuperar o carro.
Há pouco mais de um mês, no dia 3 de Outubro, o Correio da Manhã informava que havia 90 mil veículos penhorados pelo Estado a contribuintes que não pagaram os seus impostos e que esses carros seriam vendidos por leiloeiras privadas, uma vez que o Fisco não conseguia vender tantos automóveis pelos canais habituais.
Estas duas notícias mostram como devemos ser cuidadosos na análise e interpretação das notícias veiculadas pela imprensa que, cedendo muitas vezes ao sensacionalismo, relata acontecimentos que umas vezes são verdadeiros, outras vezes são falsos. Neste caso, uma fonte diz-nos que foram penhorados cerca de 8 mil carros, enquanto a outra fonte nos diz que foram 90 mil, sem que haja lugar a qualquer reparo ou correcção. Nem sequer há lugar a interpretações erradas, pois ambos os jornais colocaram esses números em primeira página!

Euro 2012: o futebol em festa

Foi uma noite de festa para quem gosta de futebol! No Estádio da Luz, a selecção portuguesa exibiu-se com grande competência, brilhou e venceu a equipa da Bósnia-Herzegovina por 6-2, assegurando a sua presença no Euro 2012. Com este resultado, a equipa portuguesa qualifica-se pela sétima vez consecutiva para a fase final das grandes competições internacionais de futebol e instala-se definitivamente no grupo das melhores equipas do mundo.
A expectativa era enorme e naqueles jogadores concentravam-se as esperanças de muitos portugueses. Em certo sentido, aquele jogo representava um grito de revolta colectivo contra as dificuldades por que estamos a passar, contra os cortes dos subsídios de férias e de Natal impostos pelo orçamento, contra a troika e contra os políticos mentirosos, contra os juros da dívida e a dúvida sobre o futuro do euro, contra o BPN e o BPP, contra os boys e as girls, contra os robalos e as alheiras, contra o desemprego e o desânimo.
Naquele jogo os portugueses pediam aos jogadores da selecção para lhes darem a alegria de um mês de futebol e de entusiasmo no próximo ano, que atenue os enormes sacrifícios a que vão ser submetidos. E eles responderam positivamente.
Entre 8 de Junho e 1 de Julho de 2012 a selecção portuguesa estará a disputar o Euro 2012 e o pensamento dos portugueses estará na Polónia e na Ucrânia.

sábado, 12 de novembro de 2011

A casa europeia está a arder

Jean-Claude Juncker, o decano dos líderes europeus que há 16 anos está à frente do Luxemburgo e que há seis preside ao Eurogrupo, visitou Lisboa e afirmou:
"A casa europeia está a arder".
De facto, por razões endógenas ou por contágio, a crise financeira europeia vai alastrando e a ameaça à moeda única é cada vez mais evidente e mais séria.
Nesse mesmo dia, o diário francês Le Monde provocava muito pânico ao titular na sua primeira página:
“Depois da Grécia e da Itália, será a vez da França”?
Embora a França venha procurando projectar-se internacionalmente em diferentes domínios e se mantenha ligada à Alemanha através do directório Merkel-Sarkozy, o facto é que nas actuais circunstâncias está com muitas dificuldades financeiras. O seu grau de exposição às dívidas grega e italiana é muito elevado e preocupante, enquanto a sua dívida pública se aproxima dos 100% do PIB e o défice público está acima de 7%, o que tem levado a Comissão Europeia a sugerir medidas de austeridade suplementares para corrigir esse défice excessivo.
“Depois da Grécia e da Itália, será a vez da França”?
Na realidade, a casa europeia está a arder e, como tem sido dito, mais cedo ou mais tarde, o fogo chegará à porta de todos - incluindo da Alemanha.
Neste quadro de “incêndio” generalizado, é curioso verificar que, este ano, se espera que o défice português venha a ser inferior ao de oito dos 17 países do Eurogrupo, entre os quais os défices orçamentais espanhóis, franceses, irlandeses e gregos. Afinal estamos todos no mesmo barco e a tempestade a todos afecta, independentemente de quem é o timoneiro.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Itália à beira do abismo

O ataque ao euro e às dívidas soberanas prossegue, numa cadeia de acontecimentos cuja interpretação é cada vez mais complexa. Depois da Grécia, da Irlanda e de Portugal, agora é a Itália – a 4ª economia europeia, a 8ª economia do mundo e um dos membros do G8 – que enfrenta sérias dificuldades financeiras.
Perante a pressão dos credores, o primeiro-ministro Berlusconi demitiu-se, enquanto se preparam medidas de austeridade para reduzir a dívida e o défice italianos. Com a economia estagnada há dez anos, a dívida pública acima dos 120% do PIB e com os respectivos juros a atingirem a barreira psicológica dos 7%, a Itália chegou à beira do abismo, como afirma o jornal catalão La Vanguardia .
No primeiro trimestre de 2012 terá de amortizar 64 mil milhões de euros da sua dívida pública e, no conjunto do ano de 2012, este valor subirá para o astronómico valor de 306 mil milhões de euros. Ninguém sabe o que irá acontecer e somos confrontados com todo o tipo de análises, parecendo significar que não há outra solução que não seja a austeridade, a que se segue a recessão económica, o empobrecimento e a continuação da espiral da dívida, com maior ou menor reacção social. Como tem sido dito, a Itália é grande demais para falir, mas também é grande demais para salvar. A incerteza reina na Europa, o euro está em perigo e o futuro é sombrio.
Há poucos meses, via-se e ouvia-se o sargento Catroga, o Moedas, o Cantiga e, sobretudo, esse génio da basófia que é o Nogeira, a tratarem o nosso problema como se fosse um caso de gorduras do Estado, de excesso de institutos e de fundações e, até, dos humores do Primeiro-Ministro. Com a mudança governamental, as agências de rating iriam sossegar, cairiam as taxas de juro e tudo se resolveria sem atacar a classe média, nem aumentar impostos. Eles tinham soluções para tudo.
Afinal, como agora se vê claramente, eles eram ignorantes ou mentirosos, porque o problema era outro.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Uma exposição de invulgar qualidade

A Perspectiva das Coisas: a Natureza-morta na Europa, séculos XVII a XX é um projecto da Fundação Calouste Gulbenkian para ser apresentado em dois tempos, constituindo uma extensa mostra que se debruça sobre o género da natureza-morta.
A primeira parte foi apresentada entre 12 de Fevereiro e 2 de Maio de 2010 tendo abrangido os séculos XVII e XVIII e apresentado obras de Rembrandt, Chardin e Francisco de Goya, entre outros.
A segunda parte do projecto abrange os séculos XIX e XX e está patente ao público desde 20 de Outubro de 2011 até 8 de Janeiro de 2012, apresentando 93 obras de 70 pintores, incluindo Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Gaugin, Salvador Dali, Paul Cézanne, Pierre-Auguste Renoir, Vincent Van Gogh e Claude Monet.
A maioria das obras expostas nunca foi vista em Portugal e resulta de empréstimos de algumas das mais importantes instituições museológicas europeias e americanas, públicas e privadas. É uma autêntica raridade. No entanto, a exposição também inclui várias obras da própria colecção Gulbenkian, assinadas por Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Mário Eloy e Vieira da Silva.
A exposição é visualmente muito rica, mostrando obras de invulgar qualidade e explora os temas recorrentes da natureza-morta ao longo de quatro séculos: frutos, caça, cozinhas e mesas de banquete, pintura de flores, instrumentos musicais, entre outros. Trata-se de um acontecimento cultural de excelência e de uma singular oportunidade para o público português, podendo ser vista de terça-feira a domingo das 10.00 às 18.00 horas, e às quintas-feiras e sábados até às 20.00 horas, por apenas cinco euros.
Obviamente, uma grande exposição a visitar!

A ondulação perfeita na Nazaré

O espectacular acontecimento entusiasmou toda a gente que a ele assistiu junto do farol da Nazaré e o jornal Diário de Notícias chamou-a à sua primeira página: no passado dia 1 de Novembro o surfista irlandês Garret McNamara apanhou uma onda de cerca de 30 metros na Praia do Norte, na Nazaré, supondo-se que tenha sido a maior onda alguma vez surfada em todo o mundo.
As imagens captadas vão agora ser avaliadas pelos peritos para determinar a sua altura exacta, através de um processo simples: assume-se a altura do surfista como referência e extrapola-se para conseguir a distância entre o topo e a parte mais baixa da face da onda. Seja qual for a medição que vier a ser fixada, a Nazaré ofereceu ao mundo do surf uma das maiores ondas de sempre.
McNamara é um especialista em ondas gigantes e tem vindo a explorar as excepcionais condições da Praia do Norte, onde se formam ondas gigantes devido ao “canhão da Nazaré”, um desfiladeiro submarino com cerca de 170 km que chega aos 5 mil metros de profundidade.
Com a sua performance o surfista irlandês terá pulverizado a anterior marca registada no Guinness - uma onda de 77 pés (23,5 metros) apanhada em 2001 no Banco de Cortez, ao largo da Califórnia, pelo norte-americano Mike Parsons.
As impressionantes imagens recolhidas foram largamente divulgadas em todo o mundo e McNamara declarou ter sido beneficiado por uma ondulação perfeita: “Acho que aquela onda veio ter connosco. Fomos abençoados!”

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Home, sweet home!

Depois de cerca de vinte dias de ausência e de peregrinação emocional e turística por terras distantes, estou de regresso a casa.
Revi muitos amigos e revisitei muitos locais, sobretudo em Goa, não tive quaisquer incidentes nem acidentes e tudo correu com normalidade, mas é sempre muito gratificante voltar a Lisboa.
Durante esse tempo de viagem não acompanhei com suficiente detalhe as notícias do mundo, nem tão pouco os desenvolvimentos da crise europeia ou da situação portuguesa, pelo que vou procurar actualizar-me rapidamente para melhor compreender o nosso futuro próximo.
A cansativa viagem de regresso com escalas em Mumbai (Bombaim) e Frankfurt, assim como o acentuado jet lag, requerem algum tempo de recuperação física que espero seja breve, para voltar com entusiasmo à Rua dos Navegantes dentro de pouco tempo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Adeus, até ao meu regresso!

Amanhã vou sair do país e vou voar até à Índia. Durante cerca de duas semanas, estarei em Goa e em alguns outros lugares da costa do Concão, a rever muitos dos locais por onde construímos uma história que preenche uma parte do nosso imaginário, feita de “naufrágios, viagens, fantasias & batalhas”.
Numa terra de muitos contrastes e de grande diversidade cultural, religiosa e étnica, irei reencontrar nas pessoas e nas pedras, muitas referências culturais que nos são comuns e que, muitas vezes, nos emocionam profundamente.
Por razões logísticas, provavelmente, terei que interromper ou reduzir bastante as minhas incursões pela Rua dos Navegantes, mas espero recolher algumas informações e impressões para utilizar posteriormente, se achar que isso tem algum interesse.
Entretanto, como se dizia noutros tempos: Adeus, até ao meu regresso!

domingo, 16 de outubro de 2011

Carros de luxo: lê-se e não se acredita!

O Correio da Manhã informou na sua edição de hoje, com grande destaque, que a CP encomenda 13 carros de luxo para chefes”.
Lê-se e não se acredita!
Numa altura em que um dos quebra-cabeças governamentais são as empresas públicas de transportes, os seus défices de exploração e os seus avultados passivos, esta notícia é, à sua escala, um enorme murro no estômago, como diria o nosso Primeiro.
Os modernos jornais tendem a exagerar, a praticar o sensacionalismo e a utilizar uma duvidosa tematização no seu alinhamento noticioso mas, frequentemente, também assumem o papel de guardiões dos valores democráticos, ao vigiar os atropelos e ao denunciar os excessos praticados.
Escasseiam os chamados jornais de referência em que se acreditava plenamente e os leitores – tal como os ouvintes e os telespectadores – cada vez mais, têm que estar atentos para decifrar a verdade na notícia que foi produzida para nos ser servida, até porque o mesmo facto pode dar origem a notícias de significados opostos.
A notícia hoje divulgada pode ser verdadeira ou falsa, mas tem um efeito psicológico desmoralizador sobre os leitores e acentua o clima depressivo que se está a apoderar da sociedade portuguesa. Ninguém compreende como estas coisas são possíveis, exactamente quando todos os dias nos chegam notícias devastadoras e brutais, a antecipar dias sombrios.

Os portugueses no reino do Sião

A Fundação Oriente, em colaboração com a Embaixada do Reino da Tailândia, inaugurou
“A glória do passado da Tailândia e os 500 anos de relações luso-tailandesas”, uma exposição que vai estar patente ao público até ao dia 13 de Novembro, no Museu do Oriente.
O tema da exposição é a civilização tailandesa, desde a pré-história até à actualidade, mas comemora também os 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia.
Os portugueses chegaram ao antigo reino do Sião em 1509 e, alguns anos depois, com permissão do seu rei, os missionários portugueses - Dominicanos, Jesuítas e Franciscanos - começaram a cristianizar os siameses, vindo a ser integrados na diocese de Malaca em 1557. Em meados do século XVII, o Padroado Português do Oriente tinha criado raízes e os portugueses já estavam estabelecidos há mais de um século com três paróquias no Nan Portuguete (Aldeia dos portugueses). O português era a língua franca e já existia uma numerosa comunidade luso-tailandesa, calculada em mais de duas mil e quinhentas almas. Na sequência da perda de Malaca e das disputas entre o Padroado Português do Oriente e a Propaganda Fidae, que levaram para o Oriente as rivalidades europeias, a influência portuguesa no Sião veio a perder-se.
A exposição apoia-se em fotografias e réplicas de testemunhos arqueológicos das relações entre Portugal e a Tailândia, encontradas nesse país.
Hoje, a memória portuguesa na Tailândia persiste e é muito respeitada.

sábado, 15 de outubro de 2011

Um verdadeiro marajá em Portimão

Foi recentemente divulgado o relatório de uma auditoria ao “Sistema remuneratório dos gestores hospitalares e aos princípios e boas práticas de governação dos Hospitais, EPE”, relativa ao ano de 2009 e que foi concluído pelo Tribunal de Contas em Julho de 2011.
São 318 páginas que explicam, analisam e comentam o sistema remuneratório dos 198 administradores de 39 hospitais públicos portugueses, mas cuja leitura começa por nos deixar a estranha sensação de que muitos estabelecimentos hospitalares parecem existir para servir administradores e clínicos. Assim, verifiquei que em 2009 esses administradores receberam mais de 14 milhões de euros, isto é, mais 19% do que no ano anterior, quando a crise já apertava.
Pensei que também iria encontrar algumas estatísticas dos resultados relativos à eficiência das administrações hospitalares em termos de cirurgias, exames, internamentos, consumo de medicamentos ou listas de espera, mas encontrei os preços de aquisição das viaturas de serviço dos administradores, as suas despesas com telemóveis, com combustíveis e com a chamada representação por inerência de funções, entre outras. Mas encontrei, também, tal como o Jornal de Notícias encontrou, que a remuneração individual total anual de um médico do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, EPE, em regime de dedicação exclusiva de 42 horas semanais, nos custou 796 mil euros em 2008 e 745 mil euros em 2009.
Um verdadeiro marajá em Portimão! Parece ser o caso mais notório de um obsceno aproveitamento dos meus impostos, embora se saiba que há muitos casos semelhantes no continente e nas ilhas.
Assim não há impostos que cheguem para sanear as nossas contas da saúde.
O Campos tentou acabar com isto, mas foi posto na rua.
Será que o Macedo vai conseguir?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tempos muito sombrios - II

Como era previsível, o anúncio das linhas gerais do Orçamento do Estado para 2012 provocou uma depressão emocional e uma generalizada onda de protestos, pelo seu carácter recessivo e insensibilidade social, mas também por não promover a recuperação económica e por potenciar o aumento do desemprego e da pobreza.
As pessoas escutaram e assustaram-se com a brutalidade de uma terapêutica semelhante à que tem sido aplicada na Grécia, mas onde não tem obtido resultados. As pessoas perceberam que “o estado a que isto chegou” resultou de um processo cumulativo de erros em que todos participamos, no qual os políticos e a banca têm as maiores responsabilidades.
Agora, a porta de saída é estreita. Com a política orçamental delineada, a economia vai correr sérios riscos de implodir, com os trabalhadores a lutar pelo emprego e pelo salário, as empresas a procurar a sobrevivência e os bancos a tentar reforçar a sua liquidez e a recuperar os seus créditos. O emprego, o investimento e o crédito estão ameaçados, tal como a coesão social.
Uma geração jovem e muito qualificada vai continuar a procurar o futuro noutras paragens. O anunciado corte nos subsídios de Natal e de férias atingirá todos os reformados com pensões acima dos mil euros, quer do sistema público quer do sistema privado. Uma nova onda de excluídos, de indignados e de desempregados perfila-se no horizonte.
A sociedade civil, e em especial os sindicatos, começam a reagir a este quadro de brutal austeridade, que é também um quadro de não-esperança, preparando-se para exercer o seu direito à indignação. Entretanto, começam a ser detectados alguns sinais de hesitação e desnorte na governação. Os agentes económicos não recuperaram a confiança. Não sei como é que isto vai acabar. São tempos muito sombrios.