quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Os falsos amigos que traem o Curdistão

A recente declaração de Donald Trump sobre a retirada das tropas americanas da Síria, veio recolocar o problema curdo no primeiro plano da problemática do Médio Oriente.
Os curdos constituem uma nação com cerca de 30 milhões de habitantes que ocupa uma área aproximada de 500 mil km2, distribuída pelo território da Turquia, Síria, Iraque e Irão, mas por circunstâncias históricas diversas nunca possuiram um Estado independente, reconhecido pela comunidade internacional. Dito de outra maneira, o Curdistão é um imenso território ocupado pela Turquia, pela Síria, pelo Iraque e pelo Irão e todas as tentativas que fizeram para unir os vários curdistões foram reprimidas por Sadam Hussein, por Bashar al-Assad, por Recep Tayyip Erdoğan ou pelos ayatollah iranianos.
Na complexa questão que é a guerra na Síria, através das suas Unidades de Protecção Popular ou YPG, os curdos sírios assumiram-se como os principais adversários do Daesh, beneficiando de apoios externos, nomeadamente dos Estados Unidos e da França, mas tiveram sempre a hostilidade da Turquia.
Recentemente, entre o apoio aos curdos e as boas graças do aliado turco, os Estados Unidos escolheram a Turquia. Agora são os franceses que, pressionados pelos turcos, hesitam entre a continuação do apoio a um parceiro que tão bons serviços prestou no terreno contra o Daesh ou o alinhamento com os turcos, cuja intenção não declarada é calar as aspirações independentistas curdas no seu próprio território.
O jornal católico francês La Croix analisa hoje o dilema com que está confrontada a França em relação aos curdos e à Turquia. Se Macron disse de Trump que "um aliado deve ser confiável", que dirá o mundo se o Emmanuel seguir as pisadas do Donald e abandonar os curdos?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A voz do Papa que condena o consumismo

Apesar de todas as controvérsias que nos últimos tempos têm atormentado a Igreja Católica, a voz do Papa continua a ter uma enorme força sobre toda a Humanidade.
Com 82 anos de idade, o cidadão argentino Jorge Mario Bergoglio que é o 266º Papa da Igreja Católica e o actual Presidente da Cidade Estado do Vaticano, tem enfrentado grandes dificuldades internas e externas em relação ao seu pontificado, mas tem procurado governar a Igreja com muita prudência, o que lhe tem permitido manter-se como uma voz que defende os mais desfavorecidos e que ninguém consegue ignorar.
Ontem, durante a missa do Galo, que é celebrada na noite de Natal, o Papa Francisco apelou para que não se caísse no consumismo e no egoísmo e para que “as pessoas reflectissem sobre o que realmente precisam e, assim, possam prescindir do que é supérfluo e partilhar o seu pão com os que não têm”. Depois, na missa do Natal voltou ao mesmo tema e criticou o consumismo e a ganância na época do Natal, bem como a “voracidade insaciável” dos homens. O jornal francês Le Figaro foi um dos periódicos que, na sua edição de hoje, destacou as palavras do Papa Francisco.
Porém, esta visão franciscana e solidária do Papa que os homens de boa vontade aplaudem, confronta-se com a lógica económica que estimula o consumo, que incentiva a produção, que cria emprego e que promove o equilíbrio social. Se houver menos consumo, haverá menos produção, menos emprego e mais instabilidade social. Por isso, a questão do consumo é um verdadeiro dilema.
Nas suas intervenções natalícias, o Papa também pediu para se estabeleça o diálogo para que os grandes conflitos que perturbam a Humanidade tenham soluções justas e citou a Palestina, a Síria, o Iémen, a península coreana, a Venezuela e a África.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

A tradição do Natal já não é o que era

Hoje foi o Dia de Natal e, segundo a tradição cristã, celebrou-se por todo o mundo o nascimento de Jesus Cristo. Trata-se de uma das mais importantes datas da liturgia da Igreja Católica, mas nas últimas décadas a festa religiosa tem-se transformado numa festa profana em que os tradicionais símbolos do presépio e do Menino Jesus foram acrescentados ou substituídos pelas luminosas árvores de Natal “made in China”, pelo Pai Natal que viaja de trenó e já não desce pela chaminé, assim como por outros símbolos natalícios, sobretudo gastronómicos, que têm alterado o significado do Natal. 
No entanto, o Natal ainda permanece como a festa das famílias e dos amigos, dos votos pela paz no mundo e da solidariedade para com os mais desfavorecidos, embora venha derivando cada vez mais para um sentido consumista e mercantil, de que a troca de presentes muito bem embrulhados, muitas vezes sem que satisfaçam qualquer necessidade dos presenteados, seja o seu aspecto mais visível. Criou-se uma verdadeira indústria do Natal com base no culto do desperdício e da inutilidade, em que as pessoas cedem aos mais primários instintos consumistas sob a capa da festa do Natal e, sobre a pressão dos interesses comerciais, deixou de ser uma festa eminentemente religiosa. Hoje, o Natal é celebrado pelos cristãos e pelas outras religiões, porque a lógica consumista é realmente um fenómeno global.
Por tradição, no Dia de Natal não são publicados jornais, mas a generalidade da imprensa americana e francesa não segue esta regra e aproveita este dia para saudar os seus leitores com os seus votos de Boas Festas. Porém, o que é curioso é o que acontece na Malásia que, sendo um país muçulmano, também adoptou o Natal do consumo e do desperdício com grande intensidade. Assim, a edição de hoje do jornal Star que se publica em Kuala Lumpur, publica a fotografia de animados Pais Natais malaios a toda a largura da sua primeira página. Até parece um paradoxo.
Efectivamente, a tradição do Natal já não é o que era.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Os tsunamis que perseguem a Indonésia

No passado sábado ocorreu um tsunami no estreito de Sunda que separa a ilha de Samatra da ilha de Java e, segundo os dados já apurados, registaram-se 373 mortos e mais de 1400 feridos, havendo ainda mais de uma centena de desaparecidos. Uma vez mais a Indonésia está de luto. Na memória do mundo ainda está a grande catástrofe de 2004, quando um sismo na região de Aceh, na ilha de Samatra, gerou um tsumani que afectou todo o oceano Índico e matou cerca de 230 mil pessoas.
A Indonésia fica situada sobre o chamado anel de fogo do Pacífico, uma extensa área em forma de ferradura de cerca de 40 mil quilómetros onde se regista intensa actividade geológica, que dá origem a sismos e vulcões e, por vezes, a tsunamis. Nenhum outro país tem sido vítima dos tsunamis como a Indonésia.
Habitualmente um tsunami está associado a um sismo, mas neste caso resultou da erupção do Anak Krakatoa, uma ilha-vulcão cujo historial inclui algumas das mais mortíferas erupções que se conhecem, designadamente a que ocorreu em 1883 e que foi a mais dramática de todas. Nessa altura a ilha de 882 metros de altitude desapareceu e deu lugar a uma cratera de 16 quilómetros de comprimento, onde se formou um lago. Depois, nessa cratera e nesse lago nasceu uma formação rochosa chamada Anak Krakatau, o filho de Krakatoa, que actualmente já possui mais de 324 metros de altitude e que cada ano aumenta cerca de cinco  metros.
Foi exactamente no Anak Krakatoa que ocorreu a erupção que provocou o tsunami. Curiosamente, apenas alguns jornais espanhóis, caso do El Corréo de Bilbau, publicaram a impressionante fotografia do Anak Krakatoa em erupção.

domingo, 23 de dezembro de 2018

"El Gordo" fez feliz toda a Espanha

Costuma dizer-se em Espanha que sem El Gordo não há Natal e, de facto, há um enorme entusiasmo sobre tudo o que se relaciona com a maior lotaria do mundo que se realiza no país vizinho desde 1812 e cujo primeiro prémio é conhecido por El Gordo, embora esse termo também designe a própria lotaria do Natal.
Neste ano os espanhóis terão gasto cerca de 3400 milhões na compra da lotaria do Natal, o que significa que cada um gastou em média 67,56 euros na lotaria.
Ontem, a Lotería y Apuestas del Estado fez o sorteio em directo pela televisão e distribuiu 70% do dinheiro arrecadado com a venda dos bilhetes, o que corresponde a 2380 milhões de euros, que vão ser entregues a 14.008 premiados. É mesmo uma grande festa para muita gente.
O primeiro prémio de 680 milhões de euros coube ao número 03347, que vai ser dividido por 170 vencedores dispersos por todo o país, que irão receber quatro milhões de euros cada um. Como titula o jornal ABC, foi “un Gordo que hace feliz a toda España”. Não há memória de El Gordo ter tido uma tão grande dispersão geográfica pois beneficiou quase todas as províncias espanholas e só deixou de fora Ceuta, Melilla, Álava, Palencia, Guadalajara e Castellón.
A imprensa deu eco do entusiasmo em volta do El Gordo e os jornais regionais anunciaram os prémios que contemplaram as suas regiões, enquanto o ABC destacou fotograficamente os festejos que aconteceram em várias cidades espanholas.

sábado, 22 de dezembro de 2018

O solstício e o banho de mar nocturno

Ontem, dia 21 de Dezembro, aconteceu o solstício, isto é, o momento em que durante o seu movimento aparente, o Sol mais se afasta do Equador ou, como se diz em astronomia, tem a sua máxima declinação.
Com o solstício, no hemisfério norte começou o Inverno e tivemos a maior noite do ano, enquanto no hemisfério sul começou o Verão e, por exemplo, os brasileiros tiveram o maior dia do ano. No hemisfério norte, independentemente das alterações climáticas, nós temos o frio e a neve. No hemisfério sul, eles têm o calor e a atracção pelo mar e pelas praias.
O jornal O Globo, que se publica no Rio de Janeiro, destacou a ocorrência do solstício e a chegada do Verão, tendo publicado uma interessante fotografia da praia de Copacabana, na qual se pode observar uma multidão de banhistas a aproveitar uma noite de luar para usufruir dos 25 graus de temperatura das águas, sem ter que suportar o calor tórrido que ocorre durante o dia.
Parece que estes banhos, que sempre aconteceram, se estão a tornar uma nova moda nas praias do Rio de Janeiro, sobretudo nas noites de luar. São, naturalmente, a nossa inveja.

Madrid e Barcelona voltam ao diálogo

A questão catalã teve alguns desenvolvimentos nos últimos dias, com destaque para o encontro entre Pedro Sánchez e Quim Torra, isto é, o presidente do governo de Madrid e o presidente da Generalitat de Barcelona, como resultado de um convite feito por Pedro Sánchez, aproveitando a realização de um Conselho de Ministros em Barcelona. Neste encontro, que Madrid classificou como encontro informal e Barcelona considerou uma reunião bilateral, os dois políticos e as suas equipas conversaram sobre um plano para melhorar os canais de diálogo entre as duas partes no sentido de minimizar o radicalismo independentista e levá-lo para um patamar de discussão democrática.
Como se esperava, pouca coisa saíu deste encontro para além do reconhecimento de que existe realmente um conflito com diferentes perspectivas sobre a sua origem e sobre as vias de solução. Porém, a vontade de continuar a conversar ficou bem expressa e isso abriu um novo capítulo deste processo, que tinha sido encerrado com Rajoy e Puigdemont. Isso é muito positivo.
O encontro teve reacções bem diversas e extremadas: para uns foi início de um processo de diálogo democrático sobre o futuro da Catalunha e a unidade da Espanha, mas para outros foi uma cedência e uma humilhação perante “um fascista e um golpista como é Torra”. Daí que, Albert Rivera e Pablo Casado, os líderes dos Ciudadanos e do Partido Popular se tivessem unido contra “este acto de traição à Espanha”.
A fotografia de Sánchez e Torra ilustrou a imprensa espanhola, nomeadamente o conservador ABC, e ficará a marcar o futuro do processo catalão. No entanto, Pedro Sánchez "invadiu" o território da Catalunha e até lá realizou uma reunião do Conselho de Ministros, coisa que Mariano Rajoy nunca ousara fazer.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Os americanos retiram tropas da Síria

Com alguma solenidade e muita demagogia, pudemos ver ontem Donald Trump a anunciar que os cerca de dois mil militares americanos que se encontram na Síria iriam regressar a casa, porque o Daesh tinha sido derrotado e não havia razões para que lá se mantivessem. O jornal USA Today foi um dos jornais americanos que destacou essa notícia, com a qual o Donald espera melhorar a sua reputação interna.
A surpresa por esta declaração foi enorme e provocou reacções do Pentágono e de alguns aliados dos Estados Unidos, que a consideram irrealista e prematura. Não é preciso conhecer a actual situação política e militar na Síria - um tema que foi abandonado pela imprensa ocidental - para saber que o Daesh ainda não foi derrotado, nem militar nem ideologicamente. Ao anunciar a derrota do Daesh no território sírio, o Donald mentiu aos americanos e, seguramente, tem qualquer coisa "escondida na manga". De facto, num país onde se cruzam tantos e tão divergentes interesses, em que Bashar al-Assad resistiu a oito anos de guerra e em que os russos têm sido decisivos, a decisão do Donald é enigmática e terá resultado de um acordo com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan. A ser assim, em vez de tensão no terreno entre turcos e americanos, a retirada americana pode ser uma jogada de reaproximação à Turquia e, ao mesmo tempo, um apoio claro para que os turcos lancem uma ofensiva contra os curdos. Como tantas vezes aconteceu ao longo do processo histórico, parece que estamos em presença de uma situação em que o interesse do mais forte sacrifica e deixa à sua sorte o interesse do mais fraco. Parece, de facto, que o Donald escolheu trair os curdos. Veremos o que vai acontecer.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

A dura vida de um treinador de futebol...

José Mourinho tornou-se aos 55 anos de idade, por mérito próprio e por circunstâncias dos tempos mediáticos em que vive o nosso planeta, numa das grandes figuras do futebol mundial. Porém, hoje está desempregado.
A sua carreira no mundo do futebol foi meteórica. Depois de ter tido um papel secundário como preparador físico, adjunto do treinador principal e tradutor, tornou-se treinador da equipa do Benfica no ano 2000. Desde então, trabalhou como treinador principal e foi campeão em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha, tendo conquistado 25 títulos, entre os quais duas Ligas dos Campeões e duas Ligas da Europa. Actualmente treinava a equipa do Manchester United, uma das mais importantes equipas de futebol do mundo, mas as coisas não estavam a correr bem. Muitas derrotas, muitos empates e poucas vitórias. Foi despedido ontem. A notícia correu mundo e o L’Équipe dedicou-lhe a sua primeira página. Os jornais portugueses não ficaram indiferentes ao despedimento de Mourinho e um jornal anunciou que o seu despedimento lhe dá direito a uma indemnização de 27 milhões de euros, enquanto outro jornal destaca que, enquanto treinador, Mourinho já arrecadou 55 milhões de euros em indemnizações.
Ao mesmo tempo que divulgam estes números, alguns jornais revelam preocupações com a situação de desemprego de Mourinho e parecem querer sossegar os portugueses ao anunciar que o Real Madrid e o Benfica o querem de volta. Não sei se é verdade, nem sei se Mourinho percebe muito ou pouco de futebol, mas é óbvio que é um homem muito inteligente e que a sorte o tem acompanhado. Agora, no desemprego, vai ter a dura vida de gerir mais 27 milhões de euros.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Submarino moderniza Marinha do Brasil

No Complexo Naval de Itaguaí, situado no litoral sul do Rio de Janeiro, realizou-se ontem a cerimónia de lançamento à água do novo submarino Riachuelo, a que assistiram o Presidente da República em exercício e o Presidente recém eleito, para além de muitas outras individualidades. O acontecimento foi enaltecido na imprensa, nomeadamente na Folha de S.Paulo, pois como afirmou Michel Temer, “o dia 14 de dezembro de 2018 é uma data que ficará marcada em nossa história, pois o lançamento ao mar do primeiro submarino de fabricação nacional é motivo de imenso orgulho para todos os brasileiros”. O novo submarino faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos que foi negociado em 2008 entre os Presidentes Lula da Silva e Nicolas Sarkozy e, de acordo com a Marinha, já foram investidos 3,9 mil milhões de euros no programa que, até 2029, se estima venha a exigir 35 mil milhões de reais que, ao câmbio actual, correspondem a 7,9 mil milhões de euros.
Trata-se de uma parceria resultante de um acordo de defesa e transferência de tecnologia entre as indústrias francesa e brasileira, de que resultou a criação da Itaguaí Construções Navais, que é a única empresa que fabrica submarinos no hemisfério sul.
O Riachuelo é o primeiro de uma série de quatro submarinos convencionais da classe Scorpène e de um submarino nuclear que estão a ser construídos no âmbito do programa franco-brasileiro, mas enquanto os submarinos convencionais já começaram a ser construídos e ficarão prontos até o final de 2022, o submarino nuclear só ficará pronto em 2029. De acordo com a Marinha do Brasil, o novo submarino tem autonomia para mais de 70 dias e será usado na fiscalização de cerca de 7 mil quilômetros do litoral brasileiro, também chamado de Amazónia Azul.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Macau preserva o seu património cultural

O jornal Tribuna de Macau aborda na sua edição de hoje o património de Macau, cuja preservação é apontada como uma história de sucesso, ilustrando-a com as imagens da ermida e do farol da Guia, que foi construído pelos portugueses em 1865 e é o mais antigo farol da costa sul da China.
Apesar do desenvolvimento e da modernização do território, bem como da pressão imobiliária e da contínua alteração da linha de costa original por via dos aterros que têm acontecido nas últimas décadas, tem sido possível preservar alguns dos testemunhos materiais da passagem dos portugueses por Macau e da interacção entre as culturas chinesa e portuguesa. Daí que em 2005, a UNESCO tenha incluído o centro histórico de Macau na World Heritage List, reconhecendo o valor simbólico do monte da Guia e do seu farol, do templo de A-Ma, da Fortaleza do Monte, da colina da Penha ou das ruínas de S. Paulo, mas também a forma como foi conciliada a “zona histórica” da antiga cidade de Macau, com a modernidade da sua arquitectura contemporânea.
Havia algumas dúvidas quanto à capacidade e sensibilidade dos macaenses para preservarem o seu património classificado, sobretudo porque ocupa espaços comercialmente muito valiosos que atraem interesses imobiliários muito poderosos, mas a Lei de Salvaguarda do Património Cultural aprovada em 2013 e o crescente interesse das autoridades e da população, parecem dar garantias de que a preservação do património cultural de Macau é uma história de sucesso e que os 450 anos de presença portuguesa não são para esquecer.

Construção naval para animar a economia

A imprensa galega dá grande destaque à reunião do governo espanhol que hoje vai aprovar a construção de cinco fragatas F-110, que irão substituir as cinco fragatas da classe Santa Maria, que estão baseadas em Rota e que se aproximam dos 35 anos de vida.
Os estaleiros da Navantia e a cidade de Ferrol estão em festa, bem como a Marinha espanhola. Depois de alguns anos de séria crise económica e social no sector da construção naval galego, esta notícia, segundo um governante galego, "es el mejor regalo de Reyes que podríamos recibir, un regalo de Reyes por adelantado que hará felices a muchas familias gallegas" e o jornal El Correo Gallego diz que se trata de um balão de oxigénio para a comarca de Ferrol.
A indústria da construção naval na Galiza passou por um período muito negro entre 2011 e 2014, com uma grande baixa de salários e muito desemprego, o que levou muitos trabalhadores a mudaram de sector ou a emigrar. O impacto na demografia e no tecido social da região foi enorme, com a perda de cerca de mil habitantes por ano. O anúncio da construção das fragatas F-110 para a Marinha espanhola representa uma mudança de rumo para os estaleiros e para a região, pois serão criados 7000 empregos durante dez anos, dos quais 1300 directos pela Navantia e 2200 directos por empresas associadas, acrescidos de cerca de 3500 empregos indirectos. Segundo foi divulgado, o projecto representa um investimento de 4.325 milhões de euros, mas tão decisivo quanto a modernização da Marinha espanhola é a animação da economia galega e a recuperação dos estaleiros da Navantia.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

As pesadas derrotas de May e de Macron

O Brexit de Theresa May e os coletes amarelos de Emmanuel Macron têm provocado muita instabilidade no Reino Unido e na França, embora de contornos diferentes. Ontem, quer Theresa May quer Emmanuel Macron, vieram assumir o revés das suas políticas e declarar-se derrotados, mas a derrota do Reino Unido e da França não são nada boas para a Europa...
May surpreendeu ao decidir suspender a discussão e votação do acordo sobre o Brexit celebrado com a União Europeia que deveria realizar-se hoje e esse adiamento significa que o governo britânico percebeu que ia ser derrotado, lançando mais incertezas e mais dúvidas quanto ao futuro. Assim, ao empurrar a discussão do problema para mais tarde, a sua derrota vai aprofundar-se e tudo se conjuga para que haja eleições antecipadas e que o Brexit venha a cair no caixote do lixo, embora todo o cenário político britânico seja cada vez mais imprevisível e incerto.
Quanto a Macron, que ontem falou aos franceses numa declaração que muito o enfraqueceu, tratou de lhes pedir desculpa, de prometer várias coisas e de satisfazer várias reivindicações dos coletes amarelos, sobretudo a redução dos impostos e o aumento do salário mínimo, numa tentativa de travar a sua cólera. Dizem os analistas que falou tarde demais e que a revolta popular, agora contra a desigualdade e a injustiça, não vai parar, o que é bem preocupante. Há mesmo quem lhe chame a Revolução Francesa de 2018.
Na sua edição de hoje, o americano The Wall Street Journal associa as duas situações porque, tanto num caso como no outro, o poder político está a ser fortemente contestado e vê-se obrigado a ceder à voz da opinião pública ou ao poder da rua. Embora sujeitos a ventos diferentes, o Reino Unido e a França tremem e, se esses países tremem, a Europa corre sérios riscos de também tremer porque, para o bem ou para o mal, a globalização já não deixa ninguém isolado. Lá longe e no meio de tanta incerteza na velha Europa, o Donald parece satisfeito.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Confusão e incerteza ensombram o Brexit

A última edição da revista The Economist trata das enorme dúvidas que estão a turvar o horizonte dos britânicos relativamente ao Brexit e aponta um caminho, ou “a melhor maneira de sair da confusão do Brexit”.
O acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia foi negociado durante 17 meses e chegou ao fim num texto de 585 páginas, tendo sido aprovado pelo Conselho Europeu no dia 25 de Novembro, por entre declarações de ser um “dia triste”, ou ser mesmo “uma tragédia”, como disse Jean-Claude Juncker.
Em qualquer acordo há sempre cedências de ambas as partes e, para muitos deputados britânicos, os negociadores de Theresa May cederam demasiado. Na próxima terça-feira, o acordo de 585 páginas vai ser votado no Parlamento britânico e há sérias dúvidas quanto ao resultado, porque há demasiada confusão e muita incerteza quanto ao futuro, o que de resto é retratado na capa que ilustra a última edição do The Economist. A eventual rejeição do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e da declaração sobre as relações futuras entre ambos poderá acontecer como resultado de um consenso inesperado entre eurocépticos e euroentusiastas, unidos à volta do Partido Trabalhista, dos Liberais Democratas, dos nacionalistas escoceses, galeses e de muitos conservadores. O problema continua a dividir os britânicos e, aparentemente, Theresa May não vai conseguir que o acordo seja aprovado. A confusão será ainda maior, com uns a defender a revogação do acordo e outros a sua renegociação, que a União Europeia não parece aceitar. Há uma grande desorientação entre os políticos e aumenta a oposição a Theresa May , assim como a convicção de que o Brexit falhou. A ser assim, a saída deste imbróglio poderá ser um novo referendo ou, mais provavelmente, eleições gerais antecipadas.
O que não há dúvidas é que a votação da próxima terça-feira pode muito bem lançar mais incerteza no futuro do Reino Unido, mas também na União Europeia.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Um país com greves, demasiadas greves

De entre os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores, no seu  artigo 57º a Constituição da República Portuguesa garante o direito à greve. Portanto, ninguém pode acusar os grevistas que estão a perturbar a vida dos portugueses nas escolas, nos tribunais, nos hospitais ou nos transportes, de qualquer ilegalidade porque ao fazerem greve eles estarão a defender os seus direitos contra o patronato opressor.
Hoje, o Expresso fala em greves e mais greves, na sua maior parte incompreensíveis para a população. Porém, quando os juízes, os professores, os enfermeiros, os médicos, os bombeiros, os guardas prisionais, os funcionários judiciais, os notários, os estivadores, os farmacêuticos, os técnicos de diagnóstico, os ferroviários e muitas outras organizações profissionais, declaram a greve contra o patrão Estado, ficamos naturalmente apreensivos porque as exigências que esta gente faz, são exactamente a mesma coisa que fazer uma exigência para que os cidadãos paguem mais impostos. Significa, portanto, que os juízes, os professores, os enfermeiros e por aí em diante, querem comer mais do bolo estatal, o que significa que querem que eu e os meus concidadãos paguemos mais impostos.
Os directórios partidários e sindicais lutam pelo poder e em tempo pré-eleitoral iniciaram o seu combate político. É um combate político porque, cada vez menos, esses directórios defendem os cidadãos que supostamente representam. É isso que fazem o Arménio, mais o Nogeira, a Avoila e até o sindicalista Ventinhas. Naturalmente, a adesão dos trabalhadores a estas lutas sindicais com fins político-partidários, revela um comportamento pavloviano, isto é, revela reflexos incondicionados, porque ninguém informado e de bom senso, nomeadamente os juízes, os professores, os enfermeiros e por aí em diante, adere a estas greves que, muitas vezes, estão contra os seus próprios interesses e apenas servem as estratégias de poder dos directórios partidários e sindicais.