sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A crise venezuelana continua sem solução

A Venezuela é o 32º maior país do mundo em território e tem 916 mil km2 de superfície, ou seja, é dez vezes maior do que Portugal. A sua fronteira marítima tem 2.800 km, enquanto as fronteiras terrestres com o Brasil e com a Colômbia têm 2.199 km e 2.050 quilómetros de extensão, respectivamente. É muito território e é muita fronteira e, por isso, há que ter muito cuidado na abordagem da questão venezuelana que é grave, mas que talvez não seja tão grave como as agências e os mass media internacionais a têm descrito.
O boicote económico que tem sido feito ao regime venezuelano associado a uma desastrosa gestão do país têm produzido resultados que estão à vista, com a falta de bens alimentares e outros produtos básicos, sobretudo medicamentos, mas também como uma progressiva degradação do ambiente económico e social. A inflação acumulada no ano de 2018 atingiu o inacreditável valor de 1.698.488% e o FMI estima que em 2019 possa atingir um patamar de 10.000.000%. A população anda assustada e foge do país ou, então, engrossa as manifestações que inundam Caracas.
Vemos, ouvimos e lemos que há duas venezuelas. Que há dois presidentes que não se entendem, apesar dos esforços do Uruguai, do México, da União Europeia e até do Papa. A União Europeia criou um Grupo de Contacto Internacional, em que Portugal está integrado, para apaziguar a situação e promover a realização de eleições que evitem intervenções externas e confrontos internos. Entretanto, o auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó tem pedido ajuda humanitária, sobretudo medicamentos e alimentos. Segundo parece essa ajuda começou a chegar a Cúcuta (Colômbia) para seguir para Ureña (Venezuela), através da Ponte Internacional de Tienditas, uma ponte monumental que foi construída para potenciar as relações entre os dois países, mas que está pronta há três anos, mas não foi inaugurada porque os dois países andam de costas voltadas. Entretanto os militares de Nicolas Maduro decidiram bloquear a ponte e impedir a entrada da ajuda humanitária. Vá-se lá saber porquê... Até parece que o Maduro está orgulhosamente só, como o outro?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Amália Rodrigues homenageada em Goa

Já decorreram quase 60 anos sobre a invasão indiana do Estado Português da Índia, mas os traços da memória cultural portuguesa persistem nesses territórios, não só na língua e no património construído, mas também em muitas práticas culturais.
A homenagem agora feita em Goa a Amália Rodrigues, vinte anos depois da sua morte, revela que a memória da cultura portuguesa sobrevive em Goa e que até mostra um grande dinamismo, pois trata-se de uma iniciativa da própria sociedade civil goesa. Um grupo de músicos goeses decidiu criar o grupo Fado de Goa, que se apresentou hoje na cidade de Pangim e que também se vai apresentar na cidade de Margão, num espectáculo de homenagem em que participam diversos fadistas goeses, curiosamente tratados como “students of Fado de Goa”, embora a figura principal seja Sonia Shirsat, uma fadista goesa que já actuou em Portugal e em diversos países onde está presente a diáspora goesa.
Amália Rodrigues esteve uma única vez em Goa em 1992, quando foi convidada pela Fundação Oriente para se apresentar a um público que apenas conhecia a sua voz a partir dos discos e que então vibrou intensamente com a apresentação da rainha do fado e, ao mesmo tempo, com a voz de Portugal no mundo.
O cartaz que divulga “a tribute to the Queen of Fado” fala por si mesmo: a cultura portuguesa em Goa continua viva.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Eles estão a brincar com o fogo!

Os Estados Unidos anunciaram ontem a suspensão temporária do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio que tinha sido assinado em 1987 por Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchov, para limitar o armamento nuclear dos seus países. Esta decisão de Donald Trump resulta de “constantes violações” russas ao tratado que os americanos já tinham denunciado mas, perante esta medida, o jornal novaiorquino Daily News refere hoje que (eles) estão a brincar com o fogo.
Os americanos deram seis meses aos russos para demonstrarem que cumprem o tratado, mas no caso de se continuarem a verificar violações, que a Rússia nega, abandonarão definitivamente o tratado.  Os americanos asseguram que a Rússia tem desenvolvido o sistema de mísseis Novator 9M729, que viola claramente o tratado. Além disso, referem que há hoje outros países que podem desenvolver as suas capacidades nucleares sem cumprir os limites de um tratado de que não são parte, em particular a China, pelo que os Estados Unidos não podem ficar amarrados a um tratado que só eles cumprem.
Vladimir Putin não perdeu tempo e hoje também anunciou a suspensão do tratado, enquanto a China pediu que os americanos e os russos dialoguem e se entendam.
As relações entre os Estados Unidos e Rússia estão muito tensas desde que Donald Trump chegou à presidência e há cada vez mais pontos de tensão, que vão desde a anexação da Crimeia até às suspeitas de ingerência na eleição presidencial americana, passando pelas questões da Síria e da Venezuela e, agora, pela suspensão do tratado. O facto é que o mundo pode voltar a ficar sem quaisquer limites aos arsenais nucleares do Donald e do Vladimir, que estão a brincar com o fogo, o que pode pôr em causa o equilíbrio estratégico e a segurança mundial.

Em breve o “Gorch Fock” voltará ao mar

A revista Der Spiegel destaca hoje na sua capa uma imagem da barca alemã Gorch Fock, dizendo que depois de ter sido o orgulho da Deutsche Marine é, actualmente, um “símbolo da miséria” do Bundeswehr, isto é, das Forças Armadas da Alemanha. Os repórteres da revista foram encontrá-lo nos estaleiros Bredo Dry Docks no porto de Bremerhaven e trataram de sugerir que o navio parece estar a caminho da sucata, pois está numa doca seca, desmontado e enferrujado, com muitos dos seus componentes distribuídos pelas oficinas das proximidades. Aparentemente, os repórteres não perceberam que o navio está em overhaul, isto é, em trabalhos de grande revisão e manutenção, desconhecendo o que são os trabalhos de manutenção de navios em estaleiro ou, então, têm o propósito de fazer campanha a favor ou contra os orçamentos militares alemães. Em tempo de fake news, já nada nos admira.
Acontece que o Gorch Fock entrou em fabricos em 2016, mas foram detectados  casos de corrupção na administração do estaleiro, o que fez atrasar a intervenção programada. O cronograma dos trabalhos deslizou e os seus custos, inicialmente previstos para 10 milhões de euros, escorregaram e estão agora em 135 milhões de euros. Afinal estas coisas não acontecem só por cá... O Ministério da Defesa hesitou na aceitação desta situação porque, mesmo na Alemanha, as necessidades são ilimitadas mas os recursos são escassos. Pensou-se em abater o Gorch Fock e em construir um novo navio, mas prevaleceu a decisão de ir para diante com os trabalhos em curso, devido ao valor simbólico do navio, que se prevê fique pronto em Abril e que, depois, possa navegar até 2040. O caso despertou-nos a atenção porque o Gorch Foch é irmão gémeo do nosso navio-escola Sagres, mas enquanto o navio português navega desde 1937, o navio alemão foi construído em 1958.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O frio de Chicago e a meteorologia amiga

Os Estados Unidos estão a enfrentar uma vaga de frio sem precedentes, causada por uma massa de ar polar que, em alguns pontos do país, terão levado as temperaturas até aos 50º negativos, sobretudo nos estados de Wisconsin, Michigan e Illinois, situados na região Centro-Oeste do país.
Nesses estados já foi declarado o estado de emergência e a vaga de frio está a afectar seriamente a vida de dezenas de milhões de pessoas, porque limita o tráfego rodoviário, encerra escolas, perturba o trabalho nos hospitais e obriga ao cancelamento de milhares de vôos. As imagens que nos chegam dos Estados Unidos, mostrando neve e gelo por todo o lado, são impressionantes.
A cidade de Chicago e a sua área metropolitana são uma das áreas mais atingidas pela vaga de frio e, segundo foi anunciado, a cidade amanheceu anteontem completamente congelada e com temperaturas negativas de 30 ºC. Os meteorologistas previram que a sensação de frio em Chicago iria ser mais aguda do que no Everest ou na Antártida e, naturalmente, o jornal Chicago Tribune dedicou a sua primeira página ao assunto mais importante do dia, tendo ilustrado essa edição com quatro rostos de pessoas comuns a enfrentar o frio. Esses rostos parecem-se mais com alpinistas a escalar o Everest ou com aventureiros a atravessar os planaltos gelados da Antártida, do que com vulgares moradores da área urbana de Chicago, mas o jornal assegura que são fotografias de gente de Chicago. Porém, o que realmente impressiona é que Chicago e Lisboa estão aproximadamente na mesma latitude e, portanto, à mesma distância do pólo Norte, pelo que o frio de Chicago nos vem lembrar como as leis da meteorologia são amigas dos portugueses, cuja capital não sabe o que são temperaturas negativas.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

MRS vai visitar o antigo Império do Meio

O jornal hojemacau informa que Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República Portuguesa, se vai deslocar à China e depois, ao território de Macau, isto é, à região da Ásia Oriental que, há muitos séculos, constituia o Império do Meio.
Se fosse necessário o meu apoio para esta visita presidencial, ele seria concedido de imediato, porque as viagens presidenciais servem para mostrar aos anfitriões que somos um país de gente bem disposta, moderno e progressivo, culturalmente muito rico e amante da paz, mas também que o supremo magistrado da nação é uma pessoa muito qualificada, inteligente, culta, solidária e cosmopolita.
Naturalmente que se espera que MRS acabe de vez com as grandes comitivas presidenciais que sempre foram pagas com os nossos impostos e que, além de terem uma marca terceiro-mundista, serviram muitas vezes para pagar pequenos favores aos amigos e para alimentar a promoção pessoal que era garantida pelas dezenas de jornalistas que, também pagos com os nossos impostos, integravam as comitivas. Em alguns dos destinos dessas viagens presidenciais ainda são recordadas as tristes figuras que alguns elementos dessas autênticas excursões turísticas muitas vezes fizeram e essas situações não podem repetir-se.
Significa que MRS deve estar atento e ser comedido, como parece ter sido até agora na dimensão das suas comitivas. Como bom católico, terá que resistir às tentações e, sobretudo, não integrar na sua comitiva a Cristina Ferreira, o Goucha, o João Miguel Tavares ou a Sandra Felgueiras. Nem o seu amigo Montenegro, nem o Marta Soares, nem os comentadores de futebol. Nem precisa de levar deputados, nem empresários, nem o representante dos motoristas de camiões. Sugiro que se faça acompanhar apenas pelo seu restrito núcleo de apoio pessoal e por um grupo de apoio diplomático do MNE, porque é tempo de acabar com o enorme dispêndio de dinheiro que ao longo dos anos têm custado ao erário público as multidões de borlistas que viajam com os nossos Presidentes da República. Quanto a jornalistas, aproveite os delegados residentes da Agência Lusa em Beijing e Macau. É quanto basta.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Brasão de Ceuta recorda sempre Portugal

A edição de hoje do jornal El Pueblo de Ceuta publica uma entrevista com Juan Jesús Vivas Lara, o actual presidente do governo e alcaide-presidente da Ciudad Autónoma de Ceuta, que tem 65 anos de idade, é economista formado na Universidade de Málaga, representa o Partido Popular e ocupa o seu cargo desde o dia 7 de Fevereiro de 2001.
O presidente-alcaide é escolhido pela Assembleia de Ceuta e confirmado pelo rei de Espanha, mas o facto de levar 18 anos de presidência por escolha democrática dos deputados ceitis é um facto a salientar.
Porém, não é a entrevista que nos desperta a atenção, mas o facto de Juan Vivas ter sido fotografado no seu gabinete em frente do brasão de armas da cidade de Ceuta, que é o escudo português que a cidade conserva desde que foi conquistada por D. João I em Agosto de 1415.
Em 1580, quando Filipe II de Espanha reivindicou os seus direitos ao trono de Portugal, enquanto neto de D. Manuel I e genro de D. João III, foi instituída a União Ibérica mas o governo da cidade de Ceuta continuou a ser da responsabilidade portuguesa. No entanto, quando em 1640 foi restaurada a independência portuguesa, a cidade de Ceuta decidiu não reconhecer D. João IV e permanecer sob o domínio espanhol, o que veio a ser oficializado através do Tratado de Lisboa assinado pelos dois países ibéricos em 1668.
A bandeira de Lisboa gironada com oito peças de negro e prata, assim como o brasão de armas de Portugal, nunca deixaram de ser os símbolos da cidade de Ceuta, que também foi o ponto de partida para a expansão marítima portuguesa.

As sucessivas derrotas de Theresa May

A votação ontem realizada no Parlamento britânico serviu apenas para definir que não haverá Brexit sem um acordo com a União Europeia e que é necessário renegociar alguns pontos desse acordo, sobretudo em relação à fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.
Theresa May foi mandatada para voltar a Bruxelas, mas depois de ter defendido o acordo antes alcançado e ter visto a sua rejeição no Parlamento por uma diferença de 230 votos, não se vislumbra como poderá convencer a União Europeia a reabrir negociações, sobretudo depois das repetidas declarações dos seus líderes nacionais de que não era possível a retoma de negociações e que se tratava de um assunto encerrado.
Theresa May foi humilhada pelo seu Parlamento e agora terá de ir a Bruxelas para ser humilhada uma vez mais. É um invulgar caso de teimosia que já ninguém compreende. A história do Reino Unido e a sua primeira-ministra não podem dar ao mundo esta imagem de decadência. Winston Churchill e Margaret Thatcher devem estar muito incomodados.  
A menos de dois meses da anunciada saída da União Europeia, o problema está a complicar-se e hoje é evidente que nem os eleitores britânicos, nem os partidos políticos e os seus deputados, sabiam das consequências do que ia acontecer depois do referendo do dia 23 de Junho de 2016. A discussão que se arrasta há muitos meses entre uma corrente que conserva o orgulho vitoriano e uma outra corrente moderna e europeísta, já abalou o prestígio do Reino Unido, que está mesmo à beira de um precipício. A partir de agora ninguém poderá fazer previsões porque, tanto o melhor como o pior, podem acontecer.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

A tragédia da barragem do Brumadinho

A notícia da ruptura da barragem do Brumadinho, situada a cerca de 50 quilómetros da cidade de Belo Horizonte, que aconteceu na manhã do dia 25 de Janeiro, não causou inicialmente grande impacto no exterior, até porque essas coisas acontecem de vez em quando, inclusive no Brasil onde há três anos ocorreu um caso semelhante em Mariana, também no Estado de Minas Gerais.
Porém, quando as imagens e os números de mortos e desaparecidos em consequência daquele desastre começaram a ser divulgados, todos ficamos elucidados quanto à enorme dimensão da tragédia.
barragem Mina do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, acumulava as lamas tóxicas resultantes da limpeza do minério de ferro e a sua ruptura não só provocou mais um desastre ambiental como, sobretudo, originou uma catástrofe humana que ainda não foi possível quantificar. Estão já confirmados 65 mortos, mas há ainda 279 pessoas desaparecidas, provavelmente soterrados afundados pelas lamas, por onde os bombeiros e os voluntários procuram agora encontrar os desaparecidos. A imprensa brasileira tem dado grande destaque a esta tragédia e o jornal Estado de Minas, que se publica em Belo Horizonte, elogia o trabalho dos bombeiros e dos voluntários, a quem classifica de heróis.
Entretanto, cinco pessoas foram detidas por suspeitas de responsabilidade pelo que aconteceu, incluindo três engenheiros da empresa responsável pela construção e segurança da barragem que é a Vale, S.A., uma multinacional brasileira que é uma das maiores empresas mineiras do mundo e que é a maior produtora mundial de minério de ferro. A lógica da maximização do lucro e a negligência das autoridades é que dão origem a estas catástrofes em Mariana, em Brumadinho ou em Borba.

A crise do Brexit e a palavra da Rainha

Se tudo correr como está previsto, o Reino Unido deixará a União Europeia no próximo dia 29 de Março, isto é, daqui a 60 dias. Porém, a confusão é total, ninguém se entende e já está consolidada a ideia que haverá um adiamento da saída. O plano de Theresa May para o Brexit foi derrotado pelo Parlamento no passado dia 15 de Janeiro, pelo que hoje será apresentado uma espécie de plano B em que já ninguém acredita, a não ser a própria Theresa May.
Nestas circunstâncias, os britânicos voltam a estar confrontados com a discussão em torno do leave ou do remain, havendo ainda os que defendem o soft Brexit e os que temem o hard Brexit. Depois há os inúmeros problemas regionais e sectoriais que estão por resolver, com destaque para a fronteira da Irlanda em que os unionistas e os republicanos da Irlanda do Norte ainda não se entenderam, mas também há a ameaça da Escócia de se divorciar do Reino Unido depois de 300 anos de casamento.
Nesta enorme confusão, a Rainha Isabel II tem mantido a sua tradicional postura de neutralidade em relação aos temas políticos, mas recentemente veio a público apelar discretamente para que os políticos britânicos se entendam e, sem mencionar o Brexit, a disse aos políticos para encontrarem “um caminho comum” e para que fossem respeitados os pontos de vista diferentes. Os analistas de imediato associaram as palavras da Rainha à crise do Brexit e à discussão que vai decorrer em torno do plano B.
O Daily Express foi um dos jornais que destacou as palavras da Rainha indirectamente dirigidas à classe política e que foram um contributo para a cura de uma Grã-Bretanha tão dividida.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A cidade de Lisboa receberá as JMJ 2022

Na passada semana decorreram na cidade do Panamá as Jornadas Mundiais da Juventude, por vezes referidas através da sigla JMJ, que constituem um dos mais importantes acontecimentos religiosos no mundo.
A imprensa deu-lhe a devida relevância, nomeadamente o jornal La Estrella de Panamá, até porque o Papa esteve presente.
As Jornadas Mundiais da Juventude ou JMJ, foram instituídas em 1985 pelo Papa João Paulo II e reúne milhares de jovens de todo o mundo católico, embora também seja aberta a jovens de outras religiões.
Inicialmente, as JMJ foram estabelecidas como um acontecimento anual, mas depois passaram a ser realizadas com intervalos de dois ou de três anos. Os locais são escolhidos pelo Papa e, desde que foram criadas, as JMJ já foram realizadas em Roma, Buenos Aires, Santiago de Compostela, Czestochowa, Denver, Manila, Paris, Roma, Toronto (pontificado de João Paulo II), Colónia, Sydney e Madrid (pontificado de Bento XVI) e Rio de Janeiro, Cracóvia e Panamá (pontificado do Papa Francisco). Segundo consta dos registos, as mais concorridas edições das JMJ aconteceram em Manila em 1995, em que estiveram reunidas 4 milhões de pessoas, e em 2013 no Rio de Janeiro, que recebeu 3,7 milhões de pessoas. Estes números mostram que, para além do seu carácter religioso, as JMJ são também um encontro universal de jovens que procuram a paz e a concórdia ou, como dizem os católicos, um mundo melhor.
No Panamá o Papa Francisco anunciou que Lisboa será a cidade organizadora das próximas Jornadas Mundiais da Juventude e esse anúncio deu origem a inúmeras declarações de euforia por parte de diversas entidades políticas e religiosas portuguesas, sobretudo porque se espera a presença de um milhão de visitantes estrangeiros em Lisboa, o que é um contributo para a afirmação da modernidade da cidade como um centro de paz e de abertura ao mundo, onde confluem as culturas europeias e africanas, asiáticas e americanas.

domingo, 27 de janeiro de 2019

O muro de Trump na fronteira mexicana

O cartoon é uma expressão artística muito apreciada porque de uma forma inteligente e compreensível, explica, analisa e critica uma dada situação, ridicularizando por vezes os seus protagonistas. Por isso, a generalidade dos jornais não o dispensa.  
Nos últimos tempos, a vida política americana tem sido agitada pela obcessão de Donald Trump para que seja construído um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, conforme prometeu na sua campanha eleitoral e que, na sua opinião, ajudaria a conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas vindas do sul.
A fronteira americana com o México tem cerca de 3.200 km e o custo previsto para a construção desse muro cobrindo apenas metade da sua extensão ainda está por saber, estimando-se que se situa entre os 12 e os 70 mil milhões de dólares. Os Democratas, que têm a maioria na Câmara dos Representantes, consideram que se trata de um desperdício do dinheiro dos contribuintes e não concordam com a construção desse muro, pelo que daí tem resultado a paralização do governo federal.
O muro de Trump tem estado no centro da política americana e tem dado origem ao aparecimento de muitos cartoons na imprensa mundial. De entre todos, destacamos aqui um dos mais expressivos de quantos conhecemos sobre este controverso assunto da política americana.

sábado, 26 de janeiro de 2019

A situação tensa que vive a Venezuela

A situação na Venezuela continua muito tensa, embora a imprensa venezuelana não exprima essa tensão talvez porque, desde há muitos anos, está habituada ao clima de instabilidade que agora se vive no país e o facto de haver dois presidentes, nem parece perturbá-la. As imagens que nos chegam pela televisão não são suficientemente esclarecedoras, porque o que se passa nas ruas de Caracas não é diferente do que vamos vendo em Atenas, Paris ou Barcelona. As imagens da abertura do ano judicial e da tomada de posição das chefias militares, até parecem mostrar que a vida política venezuelana decorre com toda a normalidade e que a instabilidade anunciada é uma construção mediática com origem nas agências internacionais que combatem o chavismo.
O que sabemos é que meio mundo está contra Maduro e que reconhece o jovem Guaidó como o presidente da Venezuela, mas é evidente que foram os incentivos de Trump e Bolsonaro que levaram à radicalização de posições. A União Europeia tem uma posição mais equilibrada e pede eleições livres e justas, enquanto o regime de Maduro, que tem o apoio da Rússia e da China, mas também de outros países, acusa Guaidó de estar à frente de um golpe com a cumplicidade americana.
Neste quadro, ninguém quer perder e, uma vez mais, lá estão confrontados os grandes interesses estratégicos e económicos dos senhores do costume, à custa dos venezuelanos ou do petróleo venezuelano.
As Forças Armadas da Venezuela já expressaram o seu apoio a Nicolás Maduro, mas o jornal colombiano El Observador pergunta hoje se esse apoio é firme. Essa pergunta parece insinuar que os militares se podem dividir e isso seria trágico. De facto, na tradição sul-americana o papel dos militares é decisivo e o que se espera é que se mantenham coesos, que contribuam para a pacificação política e social do país e que possam evoluir para uma posição de árbitros e de mediadores entre as duas venezuelas que estão em rota de colisão.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Maduro e o fim de ciclo na Venezuela

A proclamação de Juan Guaidó, o jovem presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, que ontem enfrentou Nicolás Maduro e se declarou como presidente interino da República Bolivariana da Venezuela foi uma atitude apoiada sem reservas por diversas instâncias políticas internacionais, a começar pelos vizinhos Brasil e Colômbia, pelos Estados Unidos e por outros países. A imprensa internacional também tem alinhado na condenação do regime de Maduro e tem transmitido a ideia de que já está derrotado e, de facto, as enormes manifestações populares nas ruas das cidades venezuelanas acabarão por afastar Maduro do poder, embora o regime tenha aliados de peso internos e externos, como Cuba, a Rússia, a China e a Turquia. Portanto, se houve quem pressionasse Guaidó para avançar, também haverá quem pressione Maduro para não recuar. Assim, há dois presidentes na Venezuela!
É uma situação muito complexa para os venezuelanos, a juntar à crise económica e social, enquanto algumas ingerências externas, como as posições de Trump e Bolsonaro, se estão a revelar prematuras e só servem para extremar as posições. O anúncio de que os polícias se estão a juntar aos manifestantes, a ser verdadeira, desequilibra a situação nas ruas a favor de Guaidó e das forças democráticas, mas a dúvida ainda subsiste: como irão reagir as Forças Armadas? Será da sua reacção, unidas ou divididas, a favor ou contra Maduro, que a Venezuela sairá desta situação, embora desejavelmente se devam manter coesas e possam vir a arbitrar o conflito político e a pacificar o país.
Mais sensata parece ser a posição da União Europeia e das Nações Unidas que pedem contenção e diálogo, bem como a realização de eleições livres e justas, até porque sabem que há duas venezuelas radicalizadas que é preciso acalmar e unir, para evitar que se confrontem para além da normal luta política, porque isso seria trágico. O que não há dúvidas é que Maduro está de saída e que o ciclo do chavismo está a chegar ao fim.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Uma marca cultural portuguesa em Goa

Começa no próximo dia 1 de Fevereiro em Goa o Monte Music Festival, uma iniciativa da Fundação Oriente que, desde 2001, o organiza anualmente. Durante três dias, não só os goeses, mas também muitos turistas indianos e estrangeiros, procurarão os espaços exteriores e interiores da Capela de Nossa Senhora do Monte, situada numa das mais simbólicas colinas de Velha Goa, para assistir a um dos festivais mais prestigiados da Índia, em que se juntam as tradições musicais clássicas e modernas, tanto ocidentais como indianas.
O festival tem sido uma plataforma de encontro e de comunicação entre as diversas expressões artísticas e musicais do Ocidente e do Oriente e é, seguramente, um dos eventos mais aguardados no calendário cultural de Goa, em que habitualmente são recebidas cerca de três mil pessoas.
O Monte Music Festival é uma iniciativa de grande prestígio para a cultura portuguesa, não só porque nasceu da iniciativa de uma instituição cultural portuguesa, mas também porque tem incluído sempre alguns grupos musicais e artistas portugueses. Com este evento, a memória cultural portuguesa em Goa reanima-se e assume uma postura de modernidade, mostrando que a herança cultural portuguesa em Goa vai para além das igrejas, das muralhas, das casas indo-portuguesas e das saudades do bacalhau e do fado.