quinta-feira, 13 de maio de 2021

Já mexe a corrida presidencial no Brasil

O jornal Folha de S. Paulo publicou na sua edição de hoje a primeira sondagem relativa às eleições presidenciais brasileiras que se realizarão em 2022, quando são decorridos cerca de dois meses desde que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou os seus direitos políticos e pode candidatar-se à Presidência da República Federativa do Brasil. O resultado é surpreendente e revela o estado de cansaço político e de angústia social a que chegaram os brasileiros. Assim, segundo a sondagem, na corrida eleitoral para a presidência em 2022, o ex-presidente Lula da Silva recolhe 41% das intenções de voto, enquanto o actual presidente Jair Bolsonaro se fica por 23%, isto é, há 18 pontos percentuais de diferença entre eles. Outros possíveis candidatos como os ex-ministros Sérgio Moro e Ciro Gomes recolhem 7% e 6% das intenções de voto. A sondagem também avaliou as intenções de voto numa segunda volta e verificou que Lula da Silva derrota todos os outros candidatos, vencendo Bolsonaro por 55% a 32%.
A mesma sondagem mostra que Bolsonaro tem o mais baixo nível de apoio desde que assumiu a presidência em 2019 e, actualmente, apenas 24% dos brasileiros acha que o seu governo é bom ou óptimo. “Há quase 30 meses no posto, ele tem menos apoio do que Dilma Rousseff, Lula, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco em momento similar”, salienta a Folha de S. Paulo.
Ainda falta muito tempo e por agora estamos apenas com sondagens, mas parece que estão abertas boas perspectivas para que o Brasil possa escolher um novo presidente que prestigie o país junto da comunidade internacional e promova políticas que melhorem a vida dos brasileiros.  A sondagem foi feita pela prestigiada Datafolha, um instituto de pesquisas privado que realiza estudos estatísticos, de opinião e de mercado, bem como sondagens eleitorais, pelo que a sondagem agora conhecida tem toda a credibilidade. 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Ganhou o melhor. Viva o Sporting!

Quando ainda faltam duas jornadas para acabar a edição de 2020-2021 da Primeira Liga ou Liga NOS, organizada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, a equipa do Sporting Clube de Portugal assegurou a vitória na competição. Depois de 19 anos em os campeões foram o FC Porto (11 vezes) e o SL Benfica (7 vezes), o Sporting foi o campeão. Os sportinguistas esperaram muitos anos por esta vitória e, porque marcaram mais ou sofreram menos golos, foram uns justos vencedores. Os adeptos festejaram e quando se vê tanta gente contente, todos temos que nos regozijar.
Porém, para quem gosta do espectáculo futebolístico e da prestação artística dos jogadores, que o mesmo é dizer, para quem gosta de futebol, a tradicional condição de adepto vai desaparecendo. O adepto é uma coisa do antigamente, do tempo do “amor à camisola” e dos jogadores que eram símbolos dos clubes, bem como do tempo em que as transferências de jogadores eram raras e quase não havia estrangeiros. Modernamente, o futebol tornou-se um negócio de muitos milhões onde convergem demasiados interesses, enquanto o objectivo do espectáculo deixou de ser jogar bem, para passar a ser a procura da vitória a qualquer preço, enganando os árbitros e simulando lesões. As cores das camisolas deixaram de ser um sinal de identidade do grupo e os jogadores tornaram-se mercadorias a quem se pagam fortunas. Os dirigentes vivem em quase concubinato com os políticos, em busca de projecção social, de poder, de dinheiro e de votos. Os antigos adeptos degeneraram e deram lugar às claques, uma tribo de eufóricos ou indisciplinados, que exterioriza tensões de todo o tipo, nem sempre pacíficas. O futebol está assim. São sinais dos tempos. Não demorará que, à semelhança do que já acontece com o ciclismo e até com o basquetebol, acabem os clubes de futebol como os temos conhecido.
Por isso, admiro-me pela forma desproporcionada como toda a imprensa portuguesa destacou este acontecimento futebolístico, apesar de me regozijar pela alegria dos muitos milhares de portugueses que esperaram 19 anos por este sucesso.

Mais de 70 anos de tensão na Palestina

A fotografia que ilustra a primeira página da edição de hoje do The Washington Post é a mesma que foi escolhida por outros grandes jornais internacionais como o The New York Times, o Le Monde, o El País e o The Daily Telegraph, entre outros, mostrando espessas colunas de fumo resultantes de um ataque aéreo israelita sobre a área urbana da faixa de Gaza. Essa fotografia é a imagem de marca da tensão entre israelitas e palestinianos que, nos últimos dias, recrudesceu com uma intensidade que não acontecia há muitos anos. 
O conflito israelo-palestiniano é muito antigo, mas acentuou-se a partir de 1948 com a decisão das Nações Unidas de dividir o território da Palestina em dois estados, um para os judeus e outro para os árabes. Porém, houve logo uma guerra em que os israelitas derrotaram egípcios, jordanos e sírios, daí resultando a declaração de independência do estado de Israel. As fronteiras então reconhecidas internacionalmente não satisfizeram as duas partes e têm provocado sempre grandes tensões, por vezes muito violentas. De um lado estão os judeus ávidos de espaço e que têm ocupado alguns territórios palestinianos para estabelecerem colonatos e zonas de segurança, enquanto os palestinianos acusam os israelitas de usarem a força e violarem os seus direitos históricos e sociais. Para além deste conflito territorial à uma brutal rivalidade religiosa. 
De vez em quando a tensão agudiza-se a partir do binómio agitação/violência e assim acontece desde há várias semanas. Nunca se sabe exactamente como é que as coisas começam mas o Hamas, que controla a faixa de Gaza, anunciou que “vamos cumprir a nossa promessa de lançar um ataque massivo de foguetes contra Tel Aviv e arrabaldes, como resposta ao ataque inimigo contra torres residenciais”. As duas partes já anunciaram centenas de disparos – o Hamas já terá disparado 400 foguetes contra Israel, enquanto a aviação israelita anunciou ter atingido 150 alvos em Gaza. A violência já causou dezenas de mortos e as Nações Unidas, os Estados Unidos e a União Europeia já instaram as duas partes a interromper esta escalada. 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Evocando o legado de François Mitterrand

A 5ª República francesa iniciou-se em 1959 com o mandato do homem que dirigiu as Forças Francesas Livres que lutaram contra Hitler. Chamava-se Charles De Gaulle, era general e dirigiu o país até 1969, quando renunciou à presidência após ter perdido um referendo em que defendeu uma maior descentralização. Morreu em 1970, mas alguns partidos e muitos políticos continuam a reivindicar o seu legado político e a assumir-se como gaullistas. Seguiram-se as presidências de George Pompidou (1969-1974) e de Valéry Giscard d’Estaing (1974-1981), até que o socialista François Mitterrand, após ter perdido as eleições presidenciais de 1965 e 1974, veio a ser eleito no dia 10 de Maio de 1981, isto é, há quarenta anos, como hoje evoca alguma imprensa francesa, designadamente o jornal La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse. A eleição de Mitterrand foi uma grande festa em França, porque ele se destacara como combatente da Resistência contra a ocupação nazi e tinha sido escolhido em Janeiro de 1947 para dirigir o Ministério dos Antigos Combatentes, tornando-se aos 30 anos de idade o mais jovem ministro da história francesa. Foi também o primeiro presidente socialista da França e dirigiu o país de 1981 a 1995, tendo sido a mais longa presidência da história da República Francesa.
Durante as suas presidências, a França recuperou prestígio internacional e poder económico, reforçou a relação franco-alemã, consolidou a Comunidade Europeia através da acção do seu amigo Jacques Delors e conseguiu abolir a pena de morte em França. Seguiram-se-lhe Jacques Chirac (1995-2007), Nicolas Sarkozy (2007-2012), François Hollande (2012-2017) e Emmanuel Macron (2017-…), mas como se vê na imprensa francesa que hoje evoca o 40º aniversário da eleição de Mitterrand, há muita gente que suspira pelos tempos em que ele dirigiu e representou a França.

domingo, 9 de maio de 2021

A Escócia volta a pensar na independência

No passado dia 6 de Maio realizaram-se diversas eleições locais no Reino Unido para escolher aqueles que deveriam ocupar cerca de cinco mil lugares em diferentes postos da administração local e regional, mas também se realizaram eleições parlamentares na Escócia e em Gales. Esta junção de eleições resultou do adiamento de alguns actos eleitorais previstos para 2020 que foram adiados devido à pandemia do covid-19.
Como sempre acontece por todo o mundo na vida democrática, todas as forças políticas trataram de reclamar vitória.
Os Trabalhistas ganharam no País de Gales e conquistaram metade dos sessenta lugares no Parlamento galês, o que os mantém no poder, sendo esse resultado atribuído à forma como foi gerida a pandemia. Na Escócia venceu o Scotish National Party (SNP) da chefe do governo Nicola Sturgeon que obteve 64 dos 129 lugares do Parlamento, ficando a apenas um lugar da maioria absoluta. É o quarto mandato consecutivo do SNP e Nicola Sturgeon, que defende a independência da Escócia e a sua inclusão na União Europeia, já afirmou que existe uma maioria pró-independência no parlamento escocês e que a Escócia tem o direito de decidir sobre o seu futuro quando a crise da covid-19 passar. Em 2014 os escoceses votaram num referendo pela permanência no Reino Unido, mas depois do Brexit é bem possível que em novo referendo votem de outra maneira. Porém, Boris Johnson já anunciou que recusa a realização de qualquer novo referendo para decidir sobre o futuro político da Escócia, embora tenha escrito uma carta a Nicola Sturgeon com felicitações ao SNP pelos seus melhores resultados de sempre, ao mesmo tempo que propõe uma cimeira conjunta com a Escócia, Gales e Irlanda do Norte em clima de unidade e cooperação. 
Parece, portanto, que a coesão do Reino Unido vai ser mais uma vez testada nos próximos tempos. Hoje o jornal independentista escocês The National diz que o povo falou e que votou pelo indyref2, isto é, por um segundo referendo.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

A glória de Elcano em série televisiva

Está em curso na praia de Azkorri, próximo de Bilbau, a rodagem da série televisiva Sin límites que visa apresentar em quatro episódios de uma hora, a figura e o feito de Juan Sebastian de Elcano, que em 1522 concluiu a primeira volta ao mundo.
Elcano nasceu no município de Getaria da província de Guipúscoa, no País Basco, sendo um dos 234 tripulantes das cinco naus com que Fernão de Magalhães pretendia chegar às Molucas, navegando para ocidente. Porém, Magalhães foi morto nas ilhas Filipinas e o acaso fez de Elcano o comandante da nau Victoria que, desobedecendo às ordens de Carlos V, regressou a Sanlúcar de Barrameda pela “rota dos portugueses”. Assim, sem ser esse o seu objectivo, acabou por completar a circum-navegação do planeta.
Magalhães e Elcano, são símbolos da rivalidade entre Portugal e Espanha na questão da circum-navegação do globo, como em muitas outras coisas. Porém, porque o papel desempenhado por Elcano talvez seja menos relevante do que alguns desejam, a série es una ficción, no un documental, y sobre Elcano no existe demasiada documentación”, isto é, a produção parece antecipar já a sua defesa perante as inverdades históricas e os exageros de protagonismo a que certamente vai ceder para glorificar “la gesta del navegante guipuzcoano”.
Sin límites é a mais ambiciosa série espanhola de todos os tempos com um orçamento de 25 milhões de euros e é uma coprodução entre a Espanha (80%) e o Reino Unido (20%), sendo rodada em castelhano, português e basco. As filmagens durarão quatro meses e, depois da praia de Azkorri, as rodagens de interiores decorrerão em Madrid e Sevilha, será utilizada a réplica da nau Victoria construída em 2003 para as cenas da vida a bordo e, finalmente, as tormentas, a fome, a doença e os motins serão rodados num gigantesco tanque de 32 mil metros quadrados que os estúdios Pinewood possuem na República Dominicana.
O jornal El Correo da Bizkaia deu uma alargada reportagem do “desembarque de Elcano em Azkorri”.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

A pesca a gerar tensão nas ilhas do Canal

A ilha de Jersey tem uma área de 116 km2 e fica situada no canal da Mancha a cerca de 22 km da costa da Normandia francesa e a cerca de 160 km da costa sul da Inglaterra. Segundo o último censo, a ilha tem quase cem mil habitantes, sendo que metade dos quais nasceram foram da ilha, verificando-se que cerca de 8,2% da sua população nasceu em Portugal, o que faz dos portugueses a maior comunidade estrangeira da ilha.
Por vicissitudes históricas, a ilha não pertence à França, nem faz parte do Reino Unido, mas é uma dependência da coroa britânica.
Acontece que, ainda na sequência do Brexit, estão a surgir problemas na ilha por causa da pesca na sua área marítima. Os pescadores franceses sempre pescaram nas áreas de Jersey e de Guernsey, as chamadas “ilhas do canal”, tendo os seus direitos históricos ficado assegurados nos acordos do Brexit que, expressamente, garantiram que as embarcações de pesca dos países da União Europeia podem entrar nas suas águas, embora agora careçam de uma licença. As autoridades de Jersey parecem querer ter um maior controlo sobre os seus recursos de pesca e os pescadores franceses queixam-se que lhes estão a levantar uma longa lista de restrições para desincentivar a pesca nas suas águas. Assim, porque sentem os seus direitos ameaçados, cerca de oitenta embarcações francesas decidiram bloquear St. Helier, o principal porto da ilha, tendo do seu lado a ameaça de poder ser cortado o fornecimento de electricidade à ilha, que é fornecida a partir de França por três cabos submarinos. Nestas circunstâncias, Boris Johnson decidiu mandar sair de Portsmouth o HMS Severn e o HMS Tamar para monitorar a situação que, apesar da sua simplicidade, foi destacada na edição de hoje do The Times.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

A polémica no centenário de Napoleão

Napoleão Bonaparte morreu no dia 5 de Maio de 1821 em Longwood na ilha de Santa Helena, onde se encontrava deportado desde que fora derrotado no dia 18 de Junho de 1815 pelas tropas inglesas e prussianas em Waterloo. Tinha 51 anos de idade e hoje perfazem-se 200 anos sobre a sua morte.
Nascido em 1769 na cidade de Ajaccio, na Córsega, veio a ser admitido na École Militaire em 1784 e, quando em 1789 eclodiu a Revolução Francesa, tinha vinte anos de idade e era oficial de artilharia no exército francês. Aproveitou as oportunidades que a revolução lhe proporcionou e com 24 anos foi promovido a general. Como referiu um jornal francês, Napoleão ganhou 77 das 86 batalhas que travou, o que representa um índice de sucesso militar sem paralelo na história. Considerado um militar de génio, tornou-se imperador dos franceses de 1804 a 1814 e, por cem dias, em 1815.
O presidente Emmanuel Macron evocou a efeméride de uma forma bem simples e discreta, colocando uma coroa de flores no seu túmulo, evitando envolver-se na polémica que estava a dividir os franceses, pois enquanto uns queriam uma celebração com pompa e circunstância para enaltecer o homem e o império que dominaram grande parte da Europa continental, outros entendiam que o legado napoleónico está manchado por belicismo, por violações de direitos humanos e por desrespeito dos tratados internacionais, além de que Napoleão era um megalomaníaco que causou mais miséria do que qualquer homem até ao aparecimento de Hitler. Além disso, muitos países desde o Egipto a Portugal, foram vítimas da pilhagem das tropas napoleónicas, que levaram tudo o que encontraram de valor nas igrejas e nos palácios. 
O jornal La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse, perguntava na sua edição de hoje se os franceses devem celebrar Napoleão. A resposta a estas questões não é simples. A interpretação do passado e dos seus protagonistas terá que ser decidida por cada comunidade concreta em função dos seus valores históricos e culturais, não podendo ser feita em função das circunstâncias e dos valores do presente, nem por cedência a minorias activas de qualquer sinal.

Mourinho muda-se de Londres para Roma

Não sei se José Mourinho se tornou treinador de futebol por vocação, por formação ou por acaso, mas parece-me que nele convergiram estas três situações. O facto é que começou a sua vida profissional como professor de Educação Física na Escola Básica 2/3 José Afonso em Alhos Vedros, depois tornou-se preparador físico no Estrela da Amadora e auxiliar técnico no Vitória de Setúbal, até que foi contratado pelo Sporting para trabalhar com Bobby Robson, primeiro como tradutor e, depois, como técnico auxiliar ou adjunto. Nunca mais parou e, depois de ter sido campeão europeu com o Futebol Clube do Porto, decidiu emigrar e treinou o Chelsea, o Inter de Milão, o Real Madrid, de novo o Chelsea, o Manchester United, o Tottenham e, a partir do próximo mês de Junho, a Associazione Sportiva Roma, S.p.A.. No seu currículo constam muitos títulos desportivos, incluindo duas Ligas dos Campeões, enquanto em Janeiro de 2011 foi eleito pela FIFA como o melhor treinador de futebol do mundo.
José Mourinho foi, provavelmente, o primeiro treinador de futebol português a ter um indiscutível sucesso no estrangeiro e, de parceria com Cristiano Ronaldo, são os nomes mais famosos do futebol português.
Há quem afirme que este novo desafio de Mourinho é um retrocesso na sua carreira. Não sei. Sei apenas que, desde que iniciou a sua carreira internacional, acumulou muitos milhões e que toda a imprensa italiana de hoje, tanto os jornais generalistas como os jornais desportivos, noticiam com euforia a sua ida para a Associazione Sportiva Roma. O jornal Il Tempo diz que é “um rei em Roma”, mas os jornais desportivos parecem ter entrado em delírio, porque Mourinho lhes inspira confiança e pode dar uma nova centralidade ao futebol italiano. Por aqui, vemos com satisfação como a sorte continua a proteger este setubalense de 58 anos de idade e espera-se que tenha sucesso desportivo, para além do seu habitual sucesso financeiro.

domingo, 2 de maio de 2021

Taiwan é o mais perigoso lugar do mundo

Na mais recente edição da revista The Economist o tema destacado é Taiwan e a imagem da capa coloca aquela ilha, que já se chamou Formosa, no centro de uma tela de radar, entre as bandeiras chinesa e americana, sugerindo que aquelas duas superpotências disputam o domínio da ilha.
Taiwan resultou da guerra civil chinesa que levou Mao Tse Tung ao poder e criou a República Popular da China em 1949. As forças derrotadas retiraram para a ilha de Taiwan e mantiveram a República da China sob a chefia de Chiang Kai-shek, significando que, a partir de então, tem havido duas Chinas.
Os Estados Unidos instalaram forças militares em Taiwan, no contexto da guerra da Coreia, daí resultando a pacificação entre as duas Chinas, que estão separadas apenas por 130 quilómetros do estreito de Taiwan ou estreito da Formosa. Durante décadas foi mantida a paz entre essas duas Chinas, mas também entre a China e os Estados Unidos. Porém, os líderes chineses sempre disseram que só há uma só China e que Taiwan e os seus 24 milhões de habitantes, são uma parte rebelde da República Popular da China. Aos Estados Unidos parece agradar a ideia de uma só China, até porque gastam demasiado dinheiro com a actual situação, mas durante setenta anos tudo fizeram para que houvesse duas Chinas. É uma grande ambiguidade da política americana e os Estados Unidos começam agora a temer que não consigam impedir a China de tomar Taiwan pela força. Phil Davidson, o almirante que chefia o Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos, esteve no Congresso há pouco mais de um mês e foi claro: a China poderá atacar Taiwan em 2027. 
De facto, hoje a Marinha do Exército de Libertação Popular da China tem 360 navios, o que já supera os 297 navios dos Estados Unidos, pelo que o estreito de Taiwan é considerado cada vez mais como o mais perigoso lugar do mundo.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A tragédia brasileira e a culpa do Jair

Nas suas edições de hoje quase toda a imprensa brasileira faz manchete com a frase “400 mil mortes” e, portanto, é um dia muito triste para o Brasil, a mostrar que o país está perante uma enorme catástrofe humanitária. Nas últimas 24 horas foram contabilizados 3.001 óbitos e 69.389 novos casos de infectados, o que coloca o Brasil em segundo lugar na lista dos países que tiveram mais óbitos, só superado pelos Estados Unidos. Com cerca de 2,7% da população mundial, o Brasil concentra 9,7% de todos os infectados e 12,6% de todos os óbitos.
Hoje o Correio Brasiliense pergunta como foi possível chegar a esta situação tão dramática e quem é que vai pagar por isso.
A primeira resposta parece encontrar-se na falta de vacinas para poder acelerar a imunização da população, mas o facto é que o vacinómetro apresentado pelo Conselho Nacional de Saúde do Brasil indica que já foram distribuídas 57 milhões de vacinas, das quais já foram aplicadas 41 milhões de doses, havendo quase 13 milhões de brasileiros, correspondentes a 6% da população, que já receberam as duas doses da vacina. Portanto, apesar das vacinas serem um recurso escasso em todos os países, não parece que seja esse o problema do Brasil, que ontem terá recebido as primeiras remessas da vacina produzida pela Pfizer. Assim, como sugerem vários jornais, o Brasil está a sofrer as consequências de ter um Presidente negacionista, que não tomou as medidas adequadas, que teve comportamentos condenáveis, que deu maus exemplos à população e que se revelou um irresponsável. Espera-se que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar as acções ou omissões das autoridades durante a pandemia e, em especial, a actuação de Bolsonaro, consiga resultados. O país que há bem pouco tempo era o exemplo mundial da luta contra a pobreza, está a passar agora por um período de desprestígio e de imagem negativa, provocados por um presidente incapaz, que envergonha a maioria dos brasileiros. Os americanos puseram Donald Trump na rua. Os brasileiros vão fazer o mesmo a Jair Bolsonaro.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

O regresso breve do comércio luso-galego

O diário Atlántico que se publica na cidade galega de Vigo, insere na sua edição de hoje com destaque de primeira página, uma fotografia da Ponte Internacional da Amizade na qual é mostrada um enorme faixa com o apelo “EU Help. Open the border”. Este apelo em inglês é dirigido directamente às autoridades comunitárias, provavelmente porque o comércio dos dois lados da fronteira já esgotou todos os seus argumentos junto das autoridades portuguesas e espanholas, para que fosse reaberta a fronteira entre o Minho e a Galiza.
A Ponte Internacional da Amizade atravessa o rio Minho, tem 443 metros de comprimento e, desde 2004, liga os concelhos de Vila Nova de Cerveira e Tomiño. A ponte potenciou a cooperação entre os dois lados da fronteira e permitiu que surgissem novos negócios entre minhotos e galegos. Os espanhóis habituaram-se a vir aos restaurantes minhotos, enquanto os portugueses vão fazer compras nas lojas e nos supermercados galegos, para além de se abastecerem de combustíveis no lado de lá da fronteira.
Com a pandemia e com a fronteira encerrada, uma boa parte deste dinâmico intercâmbio foi suspenso e estima-se que os negócios transfronteiriços tenham caído cerca de 70%. “Sem os espanhóis não há negócio”, dizem os comerciantes portugueses de Vila Nova de Cerveira, mas também de Valença, de Monção e de Melgaço. Agora que a situação epidemiológica parece estar controlada dos dois lados da fronteira, todos anseiam pelo regresso à normalidade e esperam que os meses de Verão os ajudem.

Goa e a Índia sob a tempestade pandémica

A Índia anunciou hoje que, nas últimas 24 horas, se verificaram 379.257 novos casos de covid-19 e 3.645 óbitos, números que representam o maior aumento que aconteceu em todo o mundo num só dia. As notícias que nos chegam daquele país são assustadoras, pois mostram o desespero das populações e a enorme dificuldade para travar a pandemia, revelando que há falta de camas e de oxigénio nos hospitais. Com quase 1.400 milhões de habitantes, a Índia já registou mais de 18 milhões de pessoas infectadas das quais há actualmente cerca de 3 milhões de casos activos, tendo registado até agora 204.812 óbitos.
O pequeno estado de Goa (1,4 milhões de habitantes e capital em Pangim) faz fronteira com dois dos estados indianos onde a situação é mais grave, que são Maharashtra (114 milhões de habitantes e capital em Mumbai) e Karnataka (64 milhões de habitantes e capital em Bangalore), mas não tem nenhuma cerca sanitária que o proteja, pelo que está exposta ao fluxo turístico indiano que se dirige para Goa, seduzido pela especificidade cultural de uma região que é considerada “a Europa da Índia”. Daí resulta que, a situação em Goa também seja muito preocupante e que, nas últimas 24 horas, tenham sido anunciados 3.101 novos casos de covid-19 e 24 óbitos. 
Segundo revela a edição de hoje do centenário jornal Herald, as autoridades determinaram o confinamento quase geral a partir de hoje, mas apenas por cinco dias. Se pensarmos no que se passou em Portugal em Janeiro, facilmente concluímos que este lockdown, que começa hoje às nove horas da noite, é capaz de ser curto.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Portugal e o fim do estado de emergência

O Presidente da República decidiu não renovar o estado de emergência que vinha sendo prolongado desde há vários meses como forma de resistir à crise pandémica causada pelo covid-19. Assim, o país começa a abrir-se como sugere a ilustração do jornal i.
De uma forma geral, os portugueses cumpriram as regras determinadas pelo confinamento generalizado e os resultados foram muito positivos, o que desde já obriga ao reconhecimento e ao justo louvor às autoridades de saúde, por vezes injustamente atacadas por alguns comentadores incapazes e ignorantes que campeiam pelas nossas estações de televisão. A decisão do Presidente da República fundamentou-se na opinião dos especialistas e em dados objectivos, designadamente na estabilização do número de infectados, na descida do número médio de óbitos, na diminuição do número de doentes internados tanto em enfermaria como em unidades de cuidados intensivos e na redução do famoso Rt, a taxa de transmissibilidade de que todos os portugueses falam. No dia 26 de Abril não se registaram quaisquer óbitos por covid-19, o que já não acontecia desde o dia 3 de Agosto e esta é uma expressiva e animadora realidade.
A vida social e a economia vão abrir-se, mas apesar da situação muito favorável que atravessamos e da vacinação estar a decorrer de forma muito eficiente, a crise ainda não está vencida e é preciso continuar a monitorar e a controlar a situação, como aconselham as notícias que nos chegam de outros países e de outras partes do mundo. Os catorze meses em que estivemos sujeitos à pandemia causaram muitos estragos na nossa forma de viver e até na nossa saúde mental. Estamos menos confiantes, mas também estamos mais pobres. Temos mais desemprego, mais défice e mais dívida. Temos que fazer um esforço de coesão para sair desta prova difícil que enfrentamos.
O primeiro caso de covid-19 foi detectado no dia 2 de Março de 2020 e, cerca de catorze meses depois, foram contabilizados cerca de 834.638 casos e 16.965 óbitos. Foi uma dura prova de que esperamos estar mesmo de saída.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Homenagem ao submarinista indonésio

No passado dia 21 de Abril o submarino KRI Nanggala desapareceu ao largo da ilha indonésia de Bali com 53 tripulantes e, três dias depois, quando começaram a aparecer alguns destroços à superfície, a Marinha da Indonésia começou a considerar que o submarino se perdera e, algum tempo depois, assumiu que o submarino naufragou.
Os acidentes com submarinos causam sempre grande impacto emocional no público, porque quando há informações de que não há notícia de um submarino, é porque alguma coisa muito grave aconteceu e normalmente não há sobreviventes. Desta vez, uma vez mais, assim aconteceu.
Este acidente segue-se a outras tragédias que têm acontecido com submarinos nos últimos anos, o último dos quais aconteceu em Novembro de 2017 com o ARA San Juan da Marinha da Argentina, no qual pereceram 44 tripulantes. Outros países que têm frotas submarinas, têm perdido alguns desses navios e, sem se pretender ser exaustivo nesta recolha histórica, salienta-se que os Estados Unidos perderam o USS Thresher (SSN 593) em 1963 com 129 tripulantes e, em 1968, o USS Scorpion (SSN 589) com 99 tripulantes. A França perdeu em 1968 o submarino Minerve (S 647) com 52 tripulantes e, em 1970, o submarino Eurydice (S 644) com 57 tripulantes. No ano de 2000 a Rússia perdeu o submarino Kursk com 118 tripulantes e em 2003 a China perdeu o Ming 361, com 70 tripulantes a bordo.
A edição de hoje do The Wall Street Journal associou-se à homenagem que a Marinha da Indonésia prestou aos submarinistas que pereceram a bordo do KRI Nanggala, publicando uma fotografia a quatro colunas do lançamento ao mar de uma coroa de flores em sua memória.