terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Restaurar património é valorizar a cidade

A cidade de Lisboa tem uma traça muito singular que lhe é dada pelo estuário do Tejo e pelas suas colinas, mas também pelo seu património urbano, em que se destaca o Terreiro do Paço que, com 36 mil metros quadrados de superfície, é a maior praça da Europa. No centro desta monumental praça, que até há bem pouco tempo servia como parque de automóveis, encontra-se a estátua equestre de D. José I da autoria de Machado de Castro, que foi inaugurada em 1775 e que simboliza a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755.
A estátua tem sido danificada pela poluição urbana e já foi objecto de duas acções de restauro em 1926 e 1983. Agora está de novo a ser alvo de uma intervenção de restauro total que deverá estar ser concluída em Agosto de 2013, num projecto que resulta de um protocolo assinado entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a World Monuments Fund (WMF). A intervenção tem uma duração prevista de 12 meses e o seu custo total é de 490 mil euros, suportado pela WMF em 370 mil euros, pela CML em 80 mil euros e pelos Supermercados Continente em 40 mil euros.
O trabalho está a ser desenvolvido pela empresa NC - Nova Conservação, Limitada e é a primeira vez que a estátua é totalmente envolta por andaimes. Como aquele espaço atrai muitos turistas, a empresa teve a feliz ideia de decorar os painéis que envolvem a estátua, com gravuras e textos explicativos bilingues, sobre a praça, a estátua, o escultor e outras informações históricas, transformando aquele estaleiro de obra numa exposição muito interessante. A aplaudir!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A pobreza está a alastrar na Europa

A propósito de uma Conferência de Apoio à Luta contra a Pobreza e a Exclusão que se realizará na próxima semana em Paris, os jornais franceses destacaram o tema com bastante preocupação e, por exemplo, o jornal ouest-france titula que “um francês em cada oito vive na pobreza”, acrescentando que 8 milhões e 600 mil cidadãos franceses vivem abaixo do limiar da pobreza, isto é, com menos de 964 euros por mês.
A pobreza na Europa tem diminuído ao longo dos últimos anos, mas depois da crise de 2008 voltou a aumentar, tal como a desigualdade social, conforme revelam todos os indicadores do Eurostat. Porém, o que mais inquieta a sociedade francesa é a chamada “grande pobreza”, isto é, aqueles que vivem com menos de 640 euros por mês. Em 2002 havia 1,34 milhões de pobres, mas em 2012 são 2,3 milhões, isto é, mais 71%, que são vítimas do desemprego, do sobreendividamento e de uma forma mais geral da crise económica francesa.
A inquietante realidade francesa junta-se à crise espanhola para nos evidenciar a extensão e a gravidade da crise europeia e, também, para nos revelar as dificuldades adicionais que temos com as nossas exportações e, consequentemente, com a retoma do crescimento económico e a criação de emprego em Portugal. É um problema muito sério e mostra como estavam errados aqueles que ganharam as eleições portuguesas em 2011, que não perceberam que a intensificação dos nossos males a partir de 2008, já era uma consequência desta crise europeia e de um fim de ciclo.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Há por aí quem nos queira fazer gregos

São conhecidas as dificuldades económicas e a gravíssima crise social que a Grécia atravessa, resultantes de erros acumulados durante anos e da aplicação de receitas de austeridade inadequadas. O país-berço da Democracia tem vivido sufocado, ameaçado e humilhado.
Há cerca de duas semanas, perante a iminência de uma derrocada financeira e a firmeza de Antonis Samaras, os credores recuaram e acordaram num novo pacote de ajuda à Grécia que, no essencial, corresponde a uma redução de juros e a um alargamento do prazo de pagamento. Jean-Claude Juncker e o ajudante Gaspar foram claros ao afirmar que, com as novas condições oferecidas aos gregos, Portugal também iria tirar benefícios e melhorar as suas próprias condições de ajustamento. Os alemães não gostaram e Wolfgang Schäuble veio contrariar essa ideia ao afirmar que “a Grécia é um caso único”, até porque os mercados podiam não gostar... Era a hipocrisia da solidariedade europeia a falar e Juncker e Gaspar meteram a "viola no saco"
Entretanto, têm-se sucedido inúmeras declarações sobre se as autoridades portuguesas deverão ou não pedir as mesmas condições que a Grécia obteve, até porque por cá, tudo ou quase tudo, está pior – a economia, o desemprego, o défice, a dívida e a esperança. A receita aplicada não está a resultar e a desconfiança no futuro é cada vez maior. O passos-gasparismo está cada vez mais isolado. Enganou-nos quando se afirmou preparado para governar. É gente incompetente e, como salientou o amigo Mendes, revela muita frieza tecnocrática. Insensibilidade. Alucinação. Um perigo ideológico. Não ouvem ninguém. Nem Seguro, nem Louçã, nem Cadilhe, nem Cavaco, nem Peneda, nem Portas. “Portugal não é mesmo a Grécia” como hoje destaca o Público, mas para lá caminhamos. Dizem que não somos a Grécia, mas realmente há por aí quem nos queira fazer gregos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

R.I.P. Oscar Niemeyer

Aos 104 anos de idade, morreu ontem no Rio de Janeiro o cidadão Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, que foi o mais famoso e mais influente arquitecto brasileiro porque revolucionou a moderna arquitectura, com a introdução da linha curva e de novas possibilidades na utilização do betão, o que lhe deu fama nacional e internacional. Autor dos mais emblemáticos edifícios de Brasília, como a catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida,  o Palácio do Planalto e o Palácio da Alvorada,  Oscar Niemeyer assinou mais de seis centenas de projectos de referência um pouco por todo o mundo, tendo sido o autor, juntamente com o igualmente famoso arquiteco francês Le Corbusier, do projecto da sede das Nações Unidas em Nova York. Porém, em Portugal apenas assinou o projecto de um hotel no Funchal, inaugurado em 1976. Recebeu inúmeras distinções no Brasil e no estrangeiro, assim como muitos prémios internacionais, designadamente o Prémio Prtizker de Arquitetura 1988 e o Prémio Príncipe das Astúrias de 1989.
A morte de Oscar Niemeyer foi noticiada em todo o mundo e, em Portugal, ocupou largo espaço noticioso em jornais, televisões e estações radiofónicas. Por razões históricas, sociológicas e culturais, o Brasil é visto pela generalidade dos portugueses como uma pátria de imaginação, de criatividade e de gente de talento. Porém, poucos criadores brasileiros terão recebido em Portugal um aplauso tão vivo e um reconhecimento tão justo, como aconteceu com Oscar Niemeyer. Poucos brasileiros terão feito tanto pelo seu país como “o modernista visionário” que foi Niemeyer e, por isso, o Brasil está de luto.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A austeridade está a asfixiar Portugal

Gerhard Schröder, o homem que entre 1998 e 2005 desempenhou as funções de chanceler alemão, declarou numa conferência ontem realizada em Lisboa que o Diário de Notícias noticiou, que “a austeridade está a asfixiar Portugal”, defendendo a primazia das políticas voltadas para o crescimento e uma menor ênfase na austeridade.
Há uns meses, comentando a austeridade imposta aos portugueses, Adriano Moreira tinha dito que “nunca viu uma situação tão severa na vida portuguesa”. Depois, perante o peso dos encargos da dívida portuguesa, foi Miguel Cadilhe que veio defender “a renegociação honrada da dívida pública", para um prazo "muito mais alargado" e com uma "taxa de juro mais suportável". Não foi, portanto, apenas a oposição a criticar a austeridade e a falta de estratégia para o crescimento e o emprego. Nem foi apenas a oposição a criticar o fundamentalismo e a desorientação do passos-gasparismo, cada vez mais afectado pelas consequências sociais da austeridade. Muitas vozes têm alertado para a cegueira do núcleo duro do governo, inclusive na sua família política.
Hoje, o Chefe do Estado veio defender que Portugal deveria ver reduzidos os juros que paga pelos empréstimos europeus e ter um alargamento do prazo de reembolso, apesar de viver uma situação muito diferente da Grécia, tendo essas declarações sido apoiadas pelo MNE. Como é possível que os nossos contabilistas do passos-gasparismo asfixiem os portugueses e continuem a engolir sapos em Bruxelas e Frankfurt?

Ainda há ‘jobs for the boys’

A edição de hoje do Correio da Manhã informa com grande destaque que as chefias partidárias se têm instalado na máquina do Estado, titulando que “boys de Portas e Passos na Segurança Social”. A notícia não constituirá uma verdadeira surpresa pois todos conhecemos como o poder político sempre instalou na estrutura do Estado os seus amigos - aqueles a quem António Guterres chamou “boys” - e, ao avançar com esta notícia, o jornal terá recorrido certamente a fontes credíveis.
Entretanto, questionado hoje sobre esse assunto, o presidente da Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública (CRESAP) garantiu que não é influenciável e que as nomeações de topo na função pública passam apenas pela meritocracia, tendo afirmado que se acabaram os "jobs for the boys". Depois, informou que foram introduzidos critérios objectivos para as nomeações governamentais - liderança, colaboração, motivação, orientação estratégica, orientação para resultados, orientação para o cidadão e serviços de interesse público, gestão da mudança e da inovação, sensibilidade social, experiência profissional, formação académica, formação profissional e aptidão para o cargo.
Devem ambos ter razão – o jornal e o presidente do CRESAP – a revelar que o poder político pode ter boas intenções no sentido de se orientar pela meritocracia, mas que continua a não resistir aos vícios da partidocracia, como denunciou o Correio da Manhã.

A corrupção continua a dominar o mundo

A Transparência Internacional (TI) é uma organização não-governamental que tem como principal objectivo a luta contra a corrupção e que, desde 1995, publica um relatório no qual são analisados os Índices de Percepção da Corrupção dos diferentes países do mundo.
A TI acaba de divulgar o Índice de Percepção da Corrupção relativo ao ano de 2012, no qual Portugal aparece colocado em 33º lugar entre 174 países. Esta classificação tem um valor muito subjectivo, mas é a mais conhecida e mais utilizada medição da corrupção utilizada em estudos académicos. Porém, é natural que nos interroguemos sobre se Portugal é ou não um país corrupto. Quando se está em 33º lugar no ranking da corrupção é mau, porque se está ao nível do Butão e do Porto Rico, mas é menos mau, porque ainda se está acima de muitos países da Europa, como a Itália, a Grécia e a República Checa, entre outros e, além disso, é o país da CPLP melhor colocado no ranking da TI. O facto é que os portugueses acham o país mais corrupto do que aquilo que o ranking do TI mostra, porque as leis não são claras e quase ninguém vai preso, mas também porque há gente que fica rica de repente sem se perceber como.
A falta de autoridade do Estado infiltrado por interesses corporativos e partidários e a ineficiência e morosidade da Justiça, parecem ser as raízes da corrupção. Porém, inacreditavelmente, os portugueses revelam uma enorme indiferença perante a corrupção, pois não querem colocar-se no papel de denunciantes, um estigma que é uma triste memória do nosso passado recente. A corrupção continua a dominar o mundo, mas a Dinamarca, a Finlândia e a Nova Zelândia são os campeões da transparência.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A esquecida guerra civil da Síria

A guerra civil na Síria tem estado muito ausente dos noticiários internacionais, apesar desse país continuar a sofrer os efeitos de intensos combates e de já haver muitos milhares de mortos. “A Síria está devastada”, diz hoje o jornal francês Libération.
Tudo nasceu de uma acção de contestação ao regime de Bashar El-Assad, quando a chamada primavera árabe varreu a margem sul do Mediterrâneo. A contestação saiu de Damasco e alastrou por todo o território sírio, transformando-se numa guerra civil que já contabiliza 40 mil vítimas. Surgiram notícias de massacres e de execuções sumárias. Houve milhares de refugiados. Tal como acontece em todas as guerras e recentemente se viu na Bósnia-Herzegovina, também na Síria não há beligerantes bons e beligerantes maus. A Síria tornou-se um campo de luta geopolítica entre dois campos de interesses: a Rússia, a China e o Irão de um lado e, do outro, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e os Estados Unidos. No terreno, estão directamente envolvidas nos combates as forças do regime de Bashar El-Assad e a oposição armada, agora organizada em torno do Exército de Libertação Sírio, mas também milícias, guardas da revolução e brigadas jihadistas. Em Abril passado, um emissário das Nações Unidas, Kofi Annan, ainda conseguiu um compromisso de cessar fogo mas que não resultou no terreno. Pouco depois, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, falou pela primeira vez em "guerra civil" e denunciou a existência de uma guerra por procuração entre as grandes potências. Em Agosto o presidente Obama afirmou explicitamente pela primeira vez que Bashar El-Assad se devia demitir. Apesar de esquecida pelos mass media internacionais, a guerra na Síria está a devastar o país e, ao fim de mais de 20 meses, ainda ninguém conseguiu travar aquele sofrimento do povo sírio.

A pobreza já ameaça a Europa

Diversos jornais europeus destacaram hoje as estatisticas relativas ao risco de pobreza ou de exclusão social na União Europeia (EU27) que ontem foram divulgadas pelo Eurostat e que revelam que, em 2011, havia 119,6 milhões de pessoas em risco de pobreza, isto é, cerca de 24,2% da população, onde se incluiam 16 milhões de alemães, 14 milhões de britânicos, 12 milhões de espanhóis e 2,6 milhões de portugueses.
Estes números reflectem um agravamento da situação social europeia devido à crise, pois a taxa de pobreza em 2010 era de 23,4%, o que significa que houve um aumento de “novos pobres” da ordem dos 5 milhões de pessoas. Segundo o documento divulgado pelo Eurostat, o valor mais elevado da taxa de pobreza registou-se na Bulgária (49,5%), Roménia e Letónia (ambos 40%), Lituânia (33%), Grécia e Hungria (ambos 31%), enquanto os mais baixos se verificaram na República Checa (15%), Holanda e Suécia (ambos 16%), Luxemburgo e Áustria (ambos 17%). Portugal registou uma taxa de 24,4%, em linha com a média europeia de 24,2%. Porém, sendo a pobreza um conceito complexo e multidimensional, existem diversos critérios para o definir, embora seja geralmente medida apenas pela sua componente monetária. Ora é esse o conceito utilizado pelo Eurostat mas que é muito limitado, ao considerar que o limiar da pobreza em cada país se situa 60% abaixo da média do rendimento disponível das famílias. Assim, os riscos de pobreza existentes entre os diversos países europeus só com muito boa vontade podem ser comparados. No entanto, é evidente que a pobreza em Portugal é hoje mais extensa, mais intensa e mais crónica do que antes, que a desigualdade e o fosso de rendimento entre ricos e pobres está a aumentar e que há crescentes tensões a ameaçar a coesão social. Nesse sentido, os indicadores do Eurostat mostram muito pouco da nossa realidade.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Cimeira do Mindelo e a lusa comitiva

O nosso primeiro ministro deslocou-se a Cabo Verde para uma visita de três dias, centrada na realização da II Cimeira Portugal/Cabo Verde, tendo levado consigo a maior comitiva já levada numa visita deste género ao estrangeiro, incluindo quatro ministros e assessores, técnicos e ajudantes. A cimeira resulta de um compromisso acordado em 2010 entre os dois países para a realização de cimeiras luso-cabo-verdianas de dois em dois anos, embora nas actuais circunstâncias não existam razões justificativas para a realização desta visita com tão alargada e dispendiosa comitiva, em avião da TAP especialmente fretado para o efeito, conforme pudemos ver na televisão. No final da cimeira que, de acordo com as notícias que nos chegaram, terá durado quase quatro horas!, os governantes explicaram que foram assinados sete protocolos e dois acordos de cooperação entre os dois países, sem no entanto fazerem referência aos valores envolvidos. Não está em causa a fraternal relação existente entre Portugal e Cabo Verde, nem a intenção de reforçar relações entre os dois países, mas tão só o despesismo e o exibicionismo dos governantes portugueses, que nos continuam a dar maus exemplos. E fica a dúvida quanto à forma como foi usado o tempo sobrante à rápida cimeira, isto é, se em tempo de frio lisboeta, a lusa comitiva fez turismo e aproveitou a praia, a lagosta, a cachupa, a morna e a coladera. Tão prolongada viagem de sodade do primeiro-ministro e da sua comitiva – três dias para quatro horas de cimeira – é uma coisa que incomoda os contribuintes. Porém, a visita também ficou marcada por algo que o nosso primeiro não fazia há muito tempo em Portugal: um passeio a pé pelas ruas do Mindelo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A memória lusitana permanece em Ceuta

Ceuta é uma cidade espanhola com cerca de 80 mil habitantes e 18 km2 de superfície, que fica situada na margem africana do estreito de Gibraltar e que tem, conjuntamente com a cidade de Melilla, o estatuto político de cidade autónoma do Reino de Espanha. A cidade foi conquistada em 1415 pelos portugueses quando iniciaram a sua expansão ultramarina e mantiveram-na durante mais de duzentos anos sob o seu domínio. Quando em 1580 os Reinos de Espanha e Portugal se uniram sob a coroa do Rei de Espanha, a cidade manteve a administração portuguesa e continuou subordinada às autoridades de Lisboa. Porém, quando em 1640 se verificou a restauração da independência portuguesa, o povo da cidade não aclamou o Duque de Bragança como Rei de Portugal, tendo sido o único território sob domínio português que não aceitou a nova soberania e se manteve fiel ao Rei de Espanha, o que veio a ser aceite em 1668 pelo Tratado de Lisboa. Porém, a cidade decidiu manter a sua bandeira que é composta por gomos brancos e pretos, à semelhança da bandeira da cidade de Lisboa, bem como o brasão de armas que é o escudo português. É frequente que as declarações públicas ou conferências de imprensa das autoridades, sejam feitas tendo por cenário exactamente a bandeira ou o brasão de armas, o que acaba por ser curioso e insólito. Assim, os jornais acabam por apresentar frequentemente a bandeira ou o escudo português nas suas primeiras páginas, como sucede numa das últimas edições do El Faro de Ceuta. São memórias lusitanas que permanecem em Ceuta.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Estes governantes são uns valentões

O Orçamento do Estado para 2013, recentemente aprovado, constitui um verdadeiro atentado contra os reformados, mostrando como os nossos governantes e os deputados que os apoiam são uns valentões, ao atacarem os mais fracos e os que não têm capacidade reivindicativa. Já não bastava o aprofundamento da crise que têm provocado, com o aumento da recessão e do desemprego, porque desesperados e cegos, continuam a conduzir-nos para o desastre. São doentiamente teimosos. Vivem obcecados com a recolha de impostos. O passos-gasparismo ataca os reformados e as suas pensões, o que não estava contemplado no memorando da troika, inventando agora uma contribuição extraordinária de solidariedade que vai ser aplicada às pensões e que pode ir dos 3,5% aos 50%. Ao contrário disto, na complexa situação espanhola as pensões vão aumentar, embora abaixo do índice de inflação: as pensões abaixo de 1000 euros sobem 2% e as outras sobem apenas 1%. Aqui os valentões encontraram outro caminho.
Segundo hoje revela o Jornal de Notícias, esta iniciativa corresponde a um saque de 421 milhões de euros aos reformados. Há quem lhe chame roubo, pois as pensões são um património acumulado pelas pessoas e não são um subsídio, nem uma esmola. Os nossos governantes-contabilistas falam com entusiasmo de uma desgraça que não entendem. A troika felicita-os. Os seus patrões alemães elogiam-nos. Mais uma vez, os governantes mostram que não estudaram a realidade do país e que não são competentes. Que estão ao serviço da troika e não ao serviço dos portugueses. Que não são honestos pois nada disto tinha sido prometido em campanha eleitoral. Que são insensíveis à realidade social e que, descaradamente, abusam do seu poder, ao transferir os descontos de quem, obrigatória ou facultativamente, os fez ao longo dos anos. É uma vergonha imprópria de um Estado de Direito. É um grosseiro conjunto de inconstitucionalidades que deve ser travado pelo VCE e pelo TC.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O navio-escola "Gorch Fock" volta ao mar

Depois de um período de cerca de dois anos em que esteve imobilizado na sua base de Kiel, o navio-escola alemão Gorch Fock iniciou no passado dia 27 de Novembro mais uma viagem de instrução de cadetes. Tão longa paragem do navio deveu-se à necessidade de fabricos de manutenção e modernização mas, sobretudo, à necessidade de avaliar e corrigir o modelo de treino usado a bordo. Esse modelo fora posto em causa e o treino de cadetes tinha sido suspenso quando, em Novembro de 2010, aconteceu a queda mortal de um cadete a bordo do Gorch Fock, durante um exercício de manobra de velas. Dois anos antes, também um outro cadete morrera após ter caído no Mar do Norte, em circunstâncias que nunca foram esclarecidas.
Nesta viagem, o Gorch Fock navega de Kiel para La Coruña e Las Palmas com 150 cadetes, que serão substituidos em finais de Janeiro por um novo grupo de 220 cadetes. A partir de então, o navio navegará para o porto da Horta, seguindo depois para os portos de Lisboa e do Funchal. A viagem prosseguirá depois em direcção a Londres e Hamburgo.
Esta viagem do Gorch Fock foi destacada na primeira página de pelo menos quatro importantes jornais alemães, com fotografia e texto, a reflectir o interesse da opinião pública alemã pela Marinha e pela formação dos seus marinheiros. Aqui, que temos a 11ª área marítima mais extensa do mundo e a maior da Europa, a nossa imprensa e os nossos jornalistas pouca atenção dão a estes temas que tanto poderiam unir os portugueses.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

La España ingobernable

A crise que atravessa a generalidade dos países europeus tem características muito próprias em Espanha e, desde há muitos anos, que o país vizinho tem sido considerado ingovernável devido essencialmente às reivindicações das 17 comunidades autónomas, muitas vezes consideradas como 17 mini-estados ou até 17 centros de desperdício orçamental que, quando se juntam, olham com desconfiança para o poder central de Madrid e tocam como uma orquestra desafinada. É certo que são 17 realidades históricas, culturais e sociológicas distintas, por vezes com identidades nacionais fortes e com línguas próprias, mas também é verdade que essas realidades têm sido utilizadas como arma reivindicativa pelas comunidades autónomas.
O jornal ABC aborda hoje essa problemática a propósito do País Basco e acentua a existência de um eventual excesso de poder das comunidades autónomas e "uma desconcertante estrutura da administração pública” (assim definiu o Financial Times o modelo autonómico espanhol), com um despesismo incontrolado e com modelos de gestão diferenciados, sobretudo em relação à Saúde e à Educação, que estão regionalizadas e constituem as principais rubricas da despesa das comunidades.
A juntar a estes aspectos há uma conjuntura económica muito crítica, com acentuada recessão, altíssimo desemprego, elevada dívida externa e crescente conflitualidade social. Contudo, existe a convicção de que a eventual ingovernabilidade espanhola não resulta dos cidadãos, mas de uma classe política egoísta e, por vezes, corrupta e incompetente, que sempre reclamou a solidariedade de Bruxelas, mas que se revela egoísta em relação a cada uma das outras comunidades, com as quais deveria ser solidária. O problema é que esta a ideia de ingovernabilidade, que não é nova em Espanha, está a começar a consolidar-se na Europa. E nós aqui tão perto!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sara sacrée Miss Portugal au Luxembourg

A comunidade portuguesa do Luxemburgo continua a eleger anualmente a sua Miss Portugal e o diário Le Quotidien também continua a noticiar esse evento com destaque de primeira página. Não é habitual que a imprensa estrangeira escolha assuntos portugueses para serem destacados na capa das suas edições, a não ser em relação aos futebolistas mais famosos ou em relação ao preocupante endividamento da economia e da sociedade portuguesa. Por isso, mais do que o seu interesse objectivo, a curiosidade maior da notícia está na chamada de atenção para uma iniciativa portuguesa, o que certamente constitui um estímulo para os portugueses que trabalham no Luxemburgo e sejam leitores do Le Quotidien.
O concurso parece ter sido bem sucedido, pois houve 21 inscrições e uma posterior selecção de 12 candidatas que foram sujeitas a um intenso programa de ensaios e de sessões de fotográficas. A vencedora foi Sara Vendeiro, uma jovem de 17 anos de idade que é aluna do liceu técnico de Bonnevoie e que, ao ver a sua fotografia publicada na capa do jornal, se sentiu certamente estimulada para fazer carreira no mundo da moda. Liliana Alves e Sandy Neves foram eleitas Damas de Honor, enquanto o título de Miss Simpatia foi para Andrea Durães e o título de Miss Fotogenia distinguiu Melissa Martins. O concurso tem apenas uma importância simbólica, mas serviu para reforçar a auto-estima da comunidade portuguesa no Luxemburgo.