segunda-feira, 30 de junho de 2014

O 6º Festival ao Largo começou em Lisboa

Uma vez mais e como consequência do êxito que constituiram as suas anteriores edições, as noites lisboetas vão ser animadas com bons espectáculos de música e bailado, pois na passada sexta-feira teve início a sexta edição do Festival ao Largo com um concerto comemorativo dos 70 anos do Coro do Teatro Nacional de São Carlos. Durante um mês e  assinalando o início do Verão, o Largo de São Carlos e as ruas adjacentes vão transformar-se numa enorme sala ao ar livre que apresentará um cartaz com espectáculos de ópera, bailado, concertos sinfónicos e outras surpresas, para os quais não é necessário comprar bilhete e onde sempre aflui um numeroso público.
O programa é, portanto, muito variado e inclui uma Noite Russa (dias 10 e 11), bem como uma noite dedicada ao Dia Nacional de França, no âmbito da Semana de Paris em Lisboa (dia 14). No dia 16 apresentar-se-á a Orquestra de Instrumentos Chineses de Macau e, nos dias 18 e 19 de Julho, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, o Coro Juvenil de Lisboa e a Orquestra Sinfónica Portuguesa prestam homenagem a Elisabete Matos, a cantora lírica portuguesa mais reconhecida internacionalmente, num espectáculo que conta com a participação da homenageada e do barítono Sergei Leiferkus, como convidado especial. Para finalizar o festival a Companhia Nacional de Bailado apresentará, nos dias 25 a 27 de Julho, o bailado Orfeu e Eurídice.
O Festival ao Largo é, uma vez mais, uma boa oportunidade para usufruir de espectáculos de excelência num cenário de grande envolvência estética, mas é necessário chegar bem cedo para garantir um lugar sentado ou até mesmo de pé.

sábado, 28 de junho de 2014

O FMI volta a reconhecer os seus erros

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Com base em informações do Banco de Portugal, o Jornal de Notícias informa na sua edição de hoje que a dívida pública portuguesa tinha atingido em finais de Abril o valor de 225,8 mil milhões de euros, significando que aumentou cerca de 50 mil milhões de euros desde que o actual governo tomou posse. Este escandaloso aumento da dívida resulta de múltiplos factores, embora o principal seja uma consequência do programa de ajustamento imposto pela troika e que, fanaticamente, o governo adoptou como seu, rejeitando aquilo que se afigura como uma solução natural: a renegociação e a reestruturação de uma dívida que nos humilhará e nos esmagará por muito tempo.
Num documento preparado por um grupo de técnicos e que foi apresentado ao Conselho Consultivo do FMI, defende-se que existem vantagens em reescalonar as dívidas públicas quando existam dúvidas de sustentabilidade e, sem equívocos, o documento reconhece que teria sido melhor renegociar a dívida portuguesa antes do programa de ajustamento que tanto desemprego e tanta pobreza criou. Não é a primeira vez que essa ideia vem do FMI e foi isso que, há uns meses, foi defendido por 74 personalidades portuguesas e a que o governo não deu ouvidos. Há dias, o assunto ainda ficou mais claro numa intervenção televisiva do antigo ministro Bagão Félix que revelou que, depois de várias descidas, as taxas médias de juro do resgate português de 78 mil milhões de euros estão actualmente nos 2,9%, enquanto a Espanha que beneficiou de um resgate de 40 mil milhões de euros só para a banca, tem uma taxa de 0,5% e um período de carência de 10 anos. Temos, então, dois pesos e duas medidas na União Europeia e nos “terrenos” da troika, porque tudo temos aceitado passivamente. Este assunto não pode ser ignorado pelos jornalistas e esta subserviência tem que acabar, em nome da nossa dignidade.

A Língua Portuguesa: a nossa língua, a língua do mar, a língua da gente

A Língua Portuguesa celebrou ontem o seu 800º aniversário com algumas iniciativas realizadas em Lisboa, entre as quais a apresentação do Manifesto 2014 - 800 anos da Língua Portuguesa, assinado por alguns governantes e políticos, mas também por músicos, escritores, professores e jornalistas dos países onde se fala português. Nesse manifesto, os seus subscritores afirmam querer festejar nesse dia “esses oito séculos da nossa língua, a língua do mar, a língua da gente, uma grande língua da globalização” e que “na era da globalização, falar português, uma das grandes línguas globais do planeta, que partilha e põe em comum culturas da Europa, das Américas, de África e da Ásia e Oceânia, com centenas de milhões de falantes em todos os continentes, é um imenso património e um poderoso veículo de união e progresso”.
Esta precisão de calendário a definir o dia do nascimento da Língua Portuguesa é meramente simbólica e está relacionada com o facto do primeiro documento oficial escrito em português – o testamento de D. Afonso II – ser datado de 27 de Junho de 1214. Decorridos oitocentos anos, a Língua Portuguesa atravessa actualmente uma fase de afirmação,  expansão e internacionalização e, de acordo com o Instituto Camões, é falada por 244 milhões de pessoas, para além de ser a sexta língua mais falada do mundo, a quinta língua mais usada na Internet e a terceira mais utilizada nas redes sociais Facebook e Twitter.
O semanário Expresso das Ilhas que se publica na cidade da Praia, foi um dos poucos jornais que tratou este assunto e destacou esta efeméride na sua primeira página com uma citação de Amílcar Cabral,  o pai das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, para quem a educação era uma garantia do sucesso da própria luta de libertação nacional: “A língua portuguesa é uma das melhores coisas que os portugueses nos deixaram”.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Copa do Mundo 2014 – comentário III

A selecção portuguesa terminou a sua participação no Mundial 2014 e vai regressar a casa, tal como acontece com as selecções da Espanha, Itália, Inglaterra, Rússia, Croácia e Bósnia-Herzegovina, o que significa que mais de metade das 13 equipas europeias que participaram na competição foram eliminadas, o que até faz parecer que a crise que tem afectado a Europa também já chegou ao futebol.
Havia muitas expectativas em torno da selecção portuguesa criadas por uma comunicação social e por muitos jornalistas absolutamente apostados no endeusamento dos jogadores e na criação de cenários fantasiosos, como aquele que ainda acreditava ser possível o apuramento português, depois da derrota com a Alemanha e do empate com os Estados Unidos. A palavra “milagre” encheu as páginas dos jornais e os discursos dos comentadores, pelo que muita gente foi levada a acreditar que tudo se havia de resolver no último instante.
Ontem, a magra vitória obtida sobre a equipa do Gana serviu para minimizar a nossa desilusão colectiva, mas não escondeu que a equipa portuguesa não esteve à altura das circunstâncias pois correu pouco, falhou no passe e, sobretudo, foi inconsequente no remate. Em Brasília não aconteceu o tal “milagre”. Porém, hoje o jornal Record parece querer “tapar o sol com a peneira” e veio dizer-nos que o apuramento “afinal era possível”. Não é verdade. Com aquele futebol apático e incaracterístico, sem alma e sem garra, não era possível ou, como o seleccionador Bento afirmou com muita lucidez, apenas “tivemos o que merecíamos”.
É certo que fica algum amargo de boca porque das equipas europeias que foram eliminadas nenhuma totalizou os 4 pontos que a equipa lusitana conseguiu e até houve algumas selecções que foram apuradas para a fase seguinte da prova com os mesmos 4 pontos, casos da Grécia, da Nigéria, dos Estados Unidos e da Argélia. Porém, isso são apenas acidentes de percurso, porque a realidade é simples: no Grupo G houve duas equipas que foram melhores do que a equipa portuguesa.
Quanto ao resto, a Copa do Mundo tem sido boa. Foram realizados 48 jogos e foram marcados 136 golos, o que dá uma média de 2,83 golos por jogo. Para quem gosta de futebol...

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A herança histórica portuguesa em Macau

O território de Macau é uma região administrativa especial da República Popular da China com uma população um pouco superior a meio milhão de habitantes. Apesar de ter sido administrado pelos portugueses desde meados do século XVI até Dezembro de 1999, a língua portuguesa nunca se impôs significativamente à população local e tem havido justificados receios de que neste novo quadro politico-administrativo do território venha a desaparecer, apesar ser uma das suas línguas oficiais.
Porém, a par de um grande desenvolvimento económico e da construção de grandiosos edifícios e outras infraestruturas, as autoridades do território têm procurado preservar o património arquitectónico de origem portuguesa existente em Macau e, em 2005, conseguiram que o seu centro histórico e as construções da colina da Guia – fortaleza, capela e farol – fossem incluídos na Lista do Património Mundial da UNESCO “por constituirem um testemunho único da confluência de características estéticas, culturais, arquitectónicas e tecnológicas do Oriente e do Ocidente”. Significa, portanto, que a preservação da herança cultural portuguesa é uma aposta duradoura das autoridades de Macau.
Nesse sentido, também está a protecção das simbólicas Portas do Cerco, conforme destacou na sua edição de ontem o jornal Tribuna de Macau, ao noticiar que o Conselho do Património Cultural as classificou como “património histórico do território”, pelo que  a solução de utilizar a própria infraestrutura do posto fronteiriço das Portas do Cerco (antiga fronteira entre Macau e a República Popular da China) para instalar a paragem do Metro Ligeiro da linha que segue para a China Continental, deve manter a harmonia paisagística e arquitectónica no local. Assim continuará, bem visível, a simbólica frase ali inscrita em 1871 no tempo do governador António Sérgio de Sousa:
A Pátria honrai que a Pátria vos contempla.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Há mais desporto para além do futebol

 
Ontem foi um dia de muitas emoções para o desporto português, sobretudo em relação ao futebol. Jogando em Manaus, a selecção nacional não foi além de um empate com a equipa dos Estados Unidos e, com esse resultado, só pode esperar o seu afastamento da Fase Preliminar do Campeonato do Mundo, tal como já aconteceu com as selecções da Espanha e da Inglaterra, entre outras.
Não é difícil explicar o que aconteceu, porque se somos talentosos no futebol, os outros também não são piores do que nós. Por isso, é normal que a equipa portuguesa perca com a Alemanha e não ganhe à equipa dos Estados Unidos. O que não é normal, parece-me, é a verdadeira tontice que tem sido o endeusamento e a subserviência aos nossos jogadores, por vezes chamados os eleitos ou os amigos de Paulo Bento, feita pelos incontáveis enviados especiais que se passeiam pelo Brasil e pelas dezenas de comentadores que nos entram em casa todos os dias, cansando-nos com as suas banalidades. Humildemente, eu penso que é nessa absurda idolatria deste binómio jornalistas/comentadores que estão as causas desta má prestação lusitana no Brasil, pois esses experts tudo fizeram para nos convencer, a nós e aos jogadores, de que tudo era fácil, desde que o joelho do Ronaldo estivesse bom. Exageraram no elogio e venderam-nos imagens de grande confiança, desde a entrada nos autocarros e os adeptos entusiasmados, até aos treinos e às conferências de imprensa. E como ponto alto deste provincianismo e desta dose maciça de selecção estiveram as perguntas mais imbecis que se poderiam ter feito:
Quem vai ganhar? Por quantos? Quem vai meter os golos?
Felizmente que há mais desporto para além deste futebol, destes jogadores-vedetas e destes jornalistas-subservientes, como ontem também se viu.
O ciclista Rui Costa (Póvoa de Varzim) que é o actual campeão do mundo de ciclismo, venceu pela terceira vez consecutiva a Volta à Suiça, enquanto o ciclista Tiago Machado (Vila Nova de Famalicão), que poucos conhecerão, triunfou na Volta à Eslovénia. Absorvidos com o futebol, apenas alguns jornais noticiaram estes acontecimentos na sua primeira página, mas nenhum noticiou que, também ontem, a selecção nacional de voleibol venceu a Holanda por 3-1 e está na frente do Grupo E da Liga Mundial de Voleibol, quando estão disputados 2/3 da competição.
Já que o futebol não nos dá as alegrias que gostaríamos, regojizemo-nos ao menos com os êxitos internacionais dos nossos ciclistas e voleibolistas.

domingo, 22 de junho de 2014

A crise, a ganância e as fraudes na banca

Foi em Setembro de 2008 que o Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento americanos, declarou falência depois de ter acumulado gigantescos prejuízos devido à crise no mercado imobiliário originada pela criação de produtos financeiros (conhecidos por subprime), suportados em créditos hipotecários de alto risco concedidos a famílias americanas que não tinham capacidade financeira para os pagar. Era a derrota da gananciosa e fraudulenta actividade da banca que levara a que a dívida do Lehman Brothers superasse os 430 mil milhões de euros, isto é, mais do dobro do PIB de Portugal! O contágio foi intenso e, um ano depois, tinham fechado 273 bancos americanos!
A falência do Lehman Brothers tem sido considerada como o detonador de uma crise financeira que atravessou o Atlântico e levou à falência de muitas empresas e à perda de milhões de empregos na Europa. Então, quando se verificou que também havia muitos “lehman brothers” na Europa, foram injectados na banca muitos milhões de euros sob várias formas para superar a situação, “porque os bancos eram demasiado grandes para falir”. Apesar disso, um pouco por toda a Europa houve bancos que faliram ou foram nacionalizados, por exemplo na Grécia, na Espanha, no Chipre, na Bélgica e até na Alemanha. Raramente foram pedidas responsabilidades por gestão ruinosa, por práticas fraudulentas, evasão fiscal, manipulação contabilística ou, simplesmente, por roubo. A impunidade foi quase total, pouco foi alterado e continuaram as obscenas remunerações, os bónus e as mordomias faraónicas dessa gente. Tem reinado o silêncio e a promiscuidade do costume entre banqueiros, políticos e jornalistas. A culpa parece ter morrido solteira.
Aqui tivemos o caso BPN, mas também os casos BPP e BCP, o Banif e, agora, o BES, cuja sucursal de Angola não sabe a quem emprestou 5,7 mil milhões de euros, embora se suspeite que, tal como no BPN, uma boa parte tenha ido parar às contas de alguns administradores e tenham alimentado grandes negociatas. Lamentavelmente, muitos dos nossos "políticos de aviário" continuam sem perceber nada disto e, em vez de se curvarem aos banqueiros para que lhes garantam o futuro, deveriam repensar as razões por que chegamos a este tão lamentável “estado da Nação” e ter a coragem de mudar de rumo, com melhor governo, melhor oposição e mais respeito pelos portugueses. Ao menos valha-nos o Pai e o Filho, porque o Espírito Santo...

sábado, 21 de junho de 2014

Sanjoaninas, a grande festa terceirense

As Festas Sanjoaninas que se realizam na cidade de Angra do Heroísmo e que são “as maiores festas profanas dos Açores”, iniciaram-se ontem com um vasto programa que se estende até ao dia 29 de Junho com actividades culturais, recreativas, etnográficas, desportivas e gastronómicas. As festas têm uma origem que remonta ao povoamento da ilha Terceira e são um verdadeiro ex-libris da cidade de Angra do Heroísmo e até da própria ilha Terceira, atraindo muitos visitantes que têm a oportunidade de conhecer os costumes e as tradições culturais dos terceirences. Este ano as Sanjoaninas evocam a passagem do 30º aniversário da inscrição da cidade na Lista do Património Cultural da Humanidade da UNESCO, que se verificou em 1983 e que constitui um motivo de grande orgulho dos angrenses.
As Sanjoaninas satisfazem o peculiar temperamento festeiro dos terceirenses e iniciaram-se com um cortejo de abertura em que participaram 110 figurantes e cinco carros alegóricos mas, provavelmente, o seu ponto mais alto são as marchas de São João que desfilam na noite do dia 23 de Junho. É realmente um desfile espectacular de dança, cor, música e muita alegria. Estão inscritas 28 marchas, sendo uma oriunda do Canadá e duas da ilha de São Miguel, estimando-se que desfilem mais de 1600 marchantes, sem contar com os músicos das filarmónicas que os acompanham. O outro ponto de grande interesse popular das Sanjoaninas é a Feira Taurina que entusiasma os terceirenses e mobiliza interesses a nível ibérico e que inclui corridas de praça, touradas à corda e largadas de touros. No sentido integrar a comunidade açoriana da diáspora as Sanjoaninas terão a participação de representações vindas do Brasil, dos Estados Unidos da América e do Canadá, além de bandas musicais da Califórnia e de uma marcha do Canadá.
Como não poderei estar em Angra do Heroísmo, irei procurar acompanhar as festas através da RTP Açores.

A Copa do Mundo 2014 – comentário II

A Copa do Mundo 2014 está hoje no seu décimo dia, quando já estão disputados 26 dos 48 jogos da fase preliminar ou fase de grupos, sempre debaixo de um grande entusiasmo, conforme temos visto na televisão e lido nos relatos da imprensa. O futebol tornou-se um fenómeno global e, para quem gosta do espectáculo, tem sido uma verdadeira festa em que já foram marcados 77 golos, o que corresponde a uma média de 2,96 golos por jogo. Independentemente das prestações individuais de alguns jogadores que o tempo confirmará ou não, podem desde já ser destacadas algumas equipas – a Espanha e a Inglaterra que já estão eliminadas e a Holanda, o Chile, a Colômbia e a Costa Rica, que já asseguraram o apuramento para a fase seguinte.
A equipa da Costa Rica é a grande surpresa deste campeonato porque, num grupo que integra três antigos campeões mundiais, já cometeu a proeza de bater o Uruguai (3-1) e a Itália (1-0), daí resultando o seu apuramento e a eliminação da Inglaterra, que perdeu com a Itália (2-1) e com o Uruguai (2-1).
A derrota inglesa com o Uruguai resultou de dois golos marcados por Luis Suárez que joga no Liverpool, embora a eliminação da Inglaterra tenha resultado da vitória costariquenha sobre a Itália com um golo marcado por Bryan Ruiz, um futebolista que este ano alinhou na equipa do Fulham que disputou a Premier League. Significa que a Inglaterra foi eliminada do Campeonato do Mundo pelas prestações insuficientes dos seus jogadores, mas também pelos golos dos seus adversários que jogam na Inglaterra. Hoje, a edição do The Times revela um singular fair play ao destacar na sua primeira página a fotografia de Bryan,” the man who put England out of the World Cup”. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

As mentiras, as trapalhadas e o desnorte

Os nossos governantes andam muito desorientados e, perante as persistentes dificuldades do nosso país e as suas más políticas, reagem com mentiras, trapalhadas e demasiadas desculpas de mau pagador. A propaganda falhou e o insucesso é uma realidade. Depois da monumental farsa que foi a história da saída limpa e dos piores resultados eleitorais que os seus partidos obtiveram nas recentes eleições, o desnorte dos governantes e dos seus mais fiéis seguidores é completo e muito preocupante, enquanto o silêncio do homem do leme nos causa muita apreensão. Já não há disfarces possíveis.
O caso do ataque aos funcionários públicos é um exemplo de fanatismo e dava para rir se não fosse um assunto tão sério. Esta manhã os jornais anunciaram que o governo recusava repor os subsídios de férias dos funcionários públicos, com base nas declarações do ministro Maduro que ontem afirmou que, depois da decisão do Tribunal Constitucional, aqueles que já tinham recebido o subsídio de férias com cortes, não teriam direito a qualquer ajustamento. Aparentemente, o ministro Maduro estava seguro do que dizia, tendo as suas declarações sido apoiadas pelo irrevogável ministro Portas e por esse exemplo de boçalidade política que é o deputado Montenegro. Porém, o ministro Guedes veio hoje desmentir o ministro Maduro e anunciar que os funcionários públicos que já tivessem recebido a totalidade ou parte do subsídio de férias com o corte que estava previsto, vão afinal receber o valor em falta.
Demitiu-se o ministro Maduro por ter sido desautorizado? Não tem ponta de vergonha, nem tem coragem para isso. Significa, portanto, que ninguém se entende no governo e que muitos de nós nunca sabemos quanto vamos receber ao fim do mês. Esta gente não tem consideração nenhuma pelos portugueses. A desconfiança é total. Antes tinham a desculpa do Pinto de Sousa e da troika, agora desculpam-se com o Tribunal Constitucional. É demasiada mediocridade e muito amadorismo. É uma completa trapalhada. Andam com os passos trocados. A nau está meter água por todo o lado.

Espanha: novo rei, nova esperança?

A partir de hoje o Príncipe das Asturias tornou-se o Rei de Espanha com o nome de Filipe VI, sucedendo a seu pai Juan Carlos I que esteve no trono durante 39 anos e que dele saiu, exactamente no mesmo dia em que a Espanha também deixou de reinar no futebol mundial. Os desafios do novo rei constitucional e Chefe de Estado são enormes, porque a Espanha continua debaixo de uma crise económica e social gravíssima, os movimentos independentistas estão muito vivos e a contestação ao regime monárquico está a agitar-se nas ruas e nas redes sociais. 
Um sou um republicano moderado, isto é, não acredito que a República tenha todas as virtudes do mundo, nem creio que a Monarquia seja o mais desprezível dos sistemas políticos. Cada país ou cada comunidade escolhe o sistema que melhor se ajuste às suas realidades culturais e económicas e, de uma forma mais geral, ao seu projecto de sociedade, não sendo certo que a República Francesa seja melhor do que a Monarquia Belga, nem que a Monarquia Sueca seja melhor do que a República Finlandesa. A forma do poder é uma questão que tem um carácter simbólico, que cada país resolve de maneira soberana como melhor entende.
Por razões de ordem diversa que não serão aqui analisadas, a República Portuguesa tem especiais relações históricas e institucionais com as Monarquias Espanhola e Inglesa, olhando para o que se passa nos palácios da Zarzuela ou de Buckingham com um interesse que vai para além da simples curiosidade. Assim, somos levados a uma  curiosa comparação entre Filipe, Príncipe das Asturias (Espanha) que agora sobe ao trono com 46 anos de idade e Carlos, Príncipe de Gales (Inglaterra) que, aos 65 anos de idade continua à espera, havendo quem considere que nunca será Rei da Inglaterra. Numa altura em que as monarquias estão cada vez mais fora de moda e já não são suficientemente representativas nem exemplares, o novo Rei pode realmente representar uma renovada esperança para a sobrevivência e para a unidade da própria Espanha... y viva España!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Ainda a troika e os efeitos colaterais

Ontem tratamos aqui dos efeitos colaterais provocados pela acção concertada da troika e do governo, destacando o facto de cerca de 150 mil famílias, que representam cerca de 6,3% das famílias portuguesas, terem deixado de cumprir o pagamento dos empréstimos que contrairam para a compra de habitaçãp própria.
Hoje, o Diário de Notícias destaca naturalmente essa “enorme tragédia” que foi a derrota portuguesa na sua “estreia desastrada” no Mundial de Futebol, com a fotografia de Ronaldo a personificar essa derrota, mas isso não foi devido à troika. Porém, o jornal também informa que “341 portugueses abandonam o País todos os dias” e que “no último ano emigraram 128 mil portugueses”, acrescentando ainda que, apenas em dois anos, saíram de Portugal quase 250 mil pessoas, entre emigrantes permanentes e temporários. A acrescentar a esta dramática realidade demográfica está a quebra de natalidade que, em conjunto com a emigração, estão a conduzir o país a uma grave redução da população e ao seu rápido envelhecimento.
Este problema agravou-se com o programa de ajustamento económico e financeiro que lançou a nossa economia na recessão e no brutal aumento do desemprego. Esse agravamento é, portanto, uma consequência das políticas de austeridade da troika, que o governo cegamente adoptou e não deixa de ser mais um gravíssimo efeito colateral dessa austeridade, que põe em causa o nosso futuro como nação que tem um passado e uma história. Na sua actuação dominada pelo fanatismo e pela cegueira, os nossos governantes não vêem que estão a hipotecar o nosso futuro pela via demográfica e que, cada vez mais, há uma geração de jovens que sentem não ter direito a uma vida digna no seu país e que emigram, ao mesmo tempo que os que por cá ficam não têm estabilidade económica nem segurança para organizarem a sua vida e procriarem. É um caso de ausência de visão estratégia. É uma situação verdadeiramente dramática. "A que novos desastres determinas de levar estes reinos e esta gente", é o que lhes perguntaria Camões (Os Lusíadas, Canto IV, est.97).

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Ataques da troika e efeitos colaterais

Quando ocorre uma situação de conflito de qualquer natureza, seja numa guerra, num simples jogo de futebol ou até nas relações humanas, há umas acções que podem ser classificadas como ofensivas e outras que são classificadas como defensivas. As acções ofensivas destinam-se a produzir efeitos mais ou menos severos sobre o adversário, mas quando ocorrem efeitos diferentes daqueles que se procuravam, estamos perante os chamados efeitos secundários ou efeitos colaterais.
As acções conduzidas em Portugal pela troika entre 2011 e 2013 foram acções ofensivas, que se destinaram sobretudo a retirar rendimentos aos funcionários públicos e aos pensionistas, que se traduziram no desemprego, no empobrecimento e na emigração generalizada, mas tiveram muitos efeitos colaterais, observáveis no recuo da qualidade de vida e nos retrocessos na educação, na saúde, na cultura e na ciência.
Hoje o Diário de Notícias revela um outro importante efeito colateral que se verificou em Portugal: o número de famílias que não pagam casa subiu e chega à beira de 150 mil. Estes números aproximam-se do máximo de incumprimento de 150.300 que se verificou em Junho de 2012. Na realidade, só no corrente ano de 2014 houve mais 4083 famílias que deixaram vencer o crédito da casa, ou seja, uma média diária de 80 portugueses deixaram de conseguir liquidar o empréstimo à habitação. Segundo o Banco de Portugal há 6,4% de famílias portuguesas que deixaram de  cumprir o pagamento dos empréstimos à compra de casa própria, enquanto uma responsável da  DECO afirmou que “estamos a sentir que as famílias estão numa situação muito mais difícil do que no ano passado e do que no início da crise”, até porque "no início da crise as dificuldades foram diluídas porque havia almofadas das famílias, amigos e dos próprios e hoje essa rede de proteção é inexistente".
Quem é que nos falou na saída limpa? Quem é que nos disse que o país está muito melhor? Ora aqui está mais uma consequência da brutalidade do ataque feito pela troika aos portugueses, com a subserviente e insensível compreensão do passos perdido.

domingo, 15 de junho de 2014

A Copa do Mundo 2014 - comentário I


Fonte: www.fifa.com/worldcup/photos
Estamos no quarto dia do Mundial de Futebol e, depois de oito jogos já disputados, sucedem-se o entusiasmo das torcidas, as boas exibições das equipas, os erros dos árbitros, os resultados imprevistos e os golos.
O ambiente que nos chega do Brasil é de festa, mas por aqui também há uma onda de euforia futeboleira que percorre Portugal, alimentada pela televisão que tem estado dominada pelas transmissões contínuas, pelas notícias, pelas entrevistas, pelas reportagens e pelos compromissos publicitários, para além de ter mobilizado algumas dezenas de comentadores.
Dois dos grandes favoritos à vitória final começaram as suas prestações com sortes diferentes. O Brasil entrou a ganhar mas a imprensa brasileira foi contida, destacando “a vitória sofrida” e o papel do “anjo japonês”. A Espanha entrou a perder e, com muita impaciência, a imprensa espanhola destacou um “siniestro total”, uma “roja de vergüenza” e o “ridiculo para empezar”. Houve vitórias do México, Holanda, Chile, Colômbia, Costa do Marfim, Costa Rica e Itália. Entre os que entraram a perder, para além da Espanha, destacam-se a Grécia e o Uruguai.
O mais importante jogo realizado até agora foi o Espanha-Holanda, que reeditou a final do anterior Campeonato do Mundo, que a Espanha vencera. A Holanda esteve demolidora e ganhou com muito mérito por 5-1. Nunca um campeão do mundo sofrera tal humilhação. O primeiro golo holandês foi marcado por Robin van Persie, um futebolista com 30 anos de idade que joga no Manchester United. Foi uma obra de arte, um voo que a fotografia da FIFA tão bem captou. Foi, até agora, o melhor golo e o melhor momento deste Mundial.
Com estes artistas haverá alguém que não goste do espectáculo do futebol!

sábado, 14 de junho de 2014

Em Defesa da Independência Nacional

Há cerca de 60 anos foi proposto um modelo político e económico para assegurar a paz e a prosperidade na Europa, que começou por juntar seis países, mas que tem sido sucessivamente alargado e que, no essencial, tem correspondido aos ideais dos seus fundadores. O modelo tem evoluído entre uma prática intergovernamental e uma tendência federalista que tem prevalecido através de uma complexa e muito burocrática rede de instituições que, além de serem demasiado dispendiosas, parecem viver fechadas sobre si próprias e afastadas das populações que deveriam servir. Esse centralismo ou essa materialização do ideal federalista, a que o Reino Unido sempre reagiu, foi uma criação dos burocratas e dos apátridas que se instalaram nos corredores comunitários mas, nos últimos anos, começou a revelar-se irrealista, utópico e até ditatorial.
A União Europeia, que deveria ser uma parceria entre iguais, deixou-se arrastar por interesses hegemónicos e as soberanias nacionais foram transferidas, em maior ou menor grau, para Bruxelas e Estrasburgo e, mais recentemente, também para Frankfurt. A arrogância da troika e as intromissões da Comissão Europeia no nosso quotidiano tornaram-se intoleráveis e ofendem os sentimentos soberanos de uma nação com uma identidade bem definida e com nove séculos de História. É preciso romper com esta subserviência a que nos temos obrigado e restaurar a dignidade nacional.
O livro agora publicado pelo economista João Ferreira do Amaral - Em Defesa da Independência Nacional – é um manifesto patriótico de um grande pensador, que reage “à ditadura europeia” e que deve ser lido cuidadosamente e muito meditado. É um livro que invoca as nossas raízes históricas e culturais e que nos revela como a nossa soberania está ameaçada por “uma legião de burocratas europeus”. Todos sabemos que assim é. Por isso, é um livro a não perder.