segunda-feira, 25 de junho de 2018

O triste destino de uma vulgar figura

Durante muitas semanas fomos sufocados com uma corrente desproporcionada de notícias a respeito de uma vulgar figura que, através de um respeitável e centenário clube de futebol, tem conseguido monopolizar a informação em Portugal.
Essa vulgar figura chama-se Bruno de Carvalho e chegou a presidente do Sporting Clube de Portugal sem ter um passado profissional que o certificasse para aquele cargo. Aproveitou-se da notoriedade da instituição e sonhou ser um presidente-adepto, tomando atitudes e fazendo declarações polémicas e, por vezes, muito insultuosas. Ameaçou. Manipulou. Os media aproveitaram esta janela de oportunidade de sensacionalismo e deram-lhe espaço e tempo. Promoveram-no e a vulgar figura deslumbrou-se. A sua auto-estima inchou. Imaginou-se no centro do mundo e passou a encenar o seu comportamento e as suas declarações. Muitos viraram-lhe as costas e não tiveram paciência para o aturar. Os jogadores já não o suportavam e foram-se embora. Não há memória em Portugal de um caso de demagogia e populismo como este.
No passado sábado, numa assembleia geral em que votaram 14.735 sócios e que foi uma das mais concorridas da história do clube, uma maioria de 71,36% dos votos decidiu destituir a vulgar figura que, amuado e triste, escreveu poucas horas depois que já não era sportinguista. Milhões de portugueses ficaram aliviados por imaginarem que esta vulgar figura desaparecia dos écrans televisivos e da capa dos jornais, o que de resto o jornal O Jogo bem descreveu com a frase “Chega de Bruno”.
Porém, poucas horas depois, a vulgar figura deu o dito por não dito e afirmou que se vai recandidatar. Será que teremos de o continuar a ouvir? Como alguém escreveu, este homem sofre de problemas psicológicos e precisa de urgente ajuda médica. Chega de Bruno!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A Gare do Oriente e a nova arquitectura

A Gare do Oriente ou Estação Ferroviária de Lisboa – Oriente é uma importante infraestrutura projectada pelo famoso arquitecto espanhol Santiago Calatrava, que foi concluida em 1998 por ocasião da Expo98 e que se afirmou de imediato como um dos mais expressivos exemplos de arquitectura contemporânea da cidade de Lisboa.
Depois, o bom gosto e a nova arquitectura parece terem assentado arraiais e as ideias amadureceram, começando a surgir obras de grande qualidade estética, sobretudo na chamada frente ribeirinha de Lisboa, por vezes associadas a renovações e transformações do tecido urbano, como aconteceu na Ribeira das Naus, no Cais do Sodré e no Campo das Cebolas. Como exemplos dessa nova atitude surgiram o Centro Champalimaud (Charles Corrêa, 2011), o Museu Nacional dos Coches (Paulo Mendes da Rocha, 2015), a nova sede da EDP (Aires Mateus, 2015), o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (Amanda Levete, 2016) e o Terminal de Cruzeiros de Lisboa (João Carrilho da Graça, 2017).
Embora se enquadrasse no espírito renovador associado à Expo98 e às várias obras então projectadas e construídas, a Gare do Oriente de Santiago Calatrava foi precursora de uma nova atitude quanto à modernização da cidade através da arquitectura. E tem resultado. E Lisboa está melhor. Por isso, aqui deixo uma singela fotografia de um detalhe do tecto da Gare do Oriente, que diariamente avisto da minha janela.

Uma nova ordem social na Arábia Saudita

A partir do próximo domingo, dia 24 de Junho, as mulheres sauditas já poderão conduzir os seus automóveis nas estradas da Arábia Saudita e esse será o aspecto mais visível de uma nova política social iniciada por Muhammad bin Salman, o poderoso príncipe herdeiro saudita de 32 anos de idade. N asua mais recente edição, a revista The Economist dedica uma extensa reportagem a esta “revolução social saudita”.
Os cinemas de Riyadh abriram as suas portas e os homens já podem sentar-se ao lado das mulheres, pode ouvir-se música nas ruas e as mulheres já frequentam os parques de diversão onde conduzem carros eléctricos. O Comité para a Prevenção do Vício e a Promoção da Virtude, perdeu o poder de impor a moralidade pública, embora muitos religiosos islâmicos prevejam o aumento da imoralidade e condenem esta medida liberalizadora com argumentos retrógrados como por exemplo o de que “as mulheres só têm meio cérebro” ou que “a condução afecta os seus ovários”.
Há uma nova geração rica e cosmopolita em torno do jovem príncipe herdeiro saudita que quer a liberalização social e a transformação da sociedade, acabando com os códigos islâmicos ultra-rigorosos, ao mesmo tempo que ambiciona a diversificação da sua economia que é demasiado dependente do petróleo.  
Os hábitos islâmicos moderados dos seus vizinhos do Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar são uma fonte inspiradora para os sauditas, porque não faz sentido poder ir livremente ao cinema no Dubai e não poder ver cinema na Arábia Saudita, por aí ser contra a vontade de um Deus que é exactamente o mesmo.
Nesta liberalização saudita há um pormenor muito curioso, porque a promoção do islamismo moderado está a aproximar a Arábia Saudita de Israel, o que está a fazê-los passar de inimigos a aliados, o que até parece um paradoxo mas que resulta do medo comum que naquela região todos têm do Irão.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O crescente isolacionismo do Donald

Os Estados Unidos anunciaram que vão abandonar o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH) porque, segundo declarou Nikki Haley, a Representante Permanente dos Estados Unidos junto das Nações Unidas, consideram essa organização "hipócrita e egoísta". Esta decisão de Donald Trump, que a diplomata de origem indiana anunciou, também resulta do facto da actual administração americana não gostar de ver a China, Cuba e a Venezuela na CDH, porquanto considera esses países violadores dos Direitos Humanos, mas também porque não aceita a forma como é atacado o Estado de Israel e é tratada a questão dos "direitos do Homem na Palestina”.
Esta decisão do Donald segue-se a um número já considerável de decisões polémicas que tomou no plano internacional, que incluem a saída da Unesco, o fim do financiamento a vários órgãos das Nações Unidas, o acordo transpacífico de comérco livre, os acordos de Paris sobre as alterações climáticas ou o acordo nuclear sobre o Irão apoiado pelas Nações Unidas.
Acentua-se, portanto, a política unilateralista e isolacionista da administração Trump ou, o mesmo é dizer, do especial modo como o Donald faz política internacional. Hoje o jornal Le Monde destaca mais este passo no caminho do isolacionismo americano e da sua confrontação com meio mundo, apesar do sinal contraditório que foi a recente Cimeira de Singapura. A fotografia de Merkel e de Macron, que ilustra a primeira página do jornal, bem pode traduzir a crescente preocupação europeia por esta caminhada sem rumo do Donald.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Os melhores restaurantes do mundo?

Ontem no Euskalduna Jauregia Bilbao, o grande centro de congressos da cidade basca, a organização The World’s 50 Best Restaurants (W50BR) anunciou os nomes dos 50 melhores restaurantes do mundo de 2018 e o primeiro lugar foi atribuido à Osteria Francescana de Modena, seguindo-se o Celler de Can Roca (Girona, Espanha), o Mirazur (Menton, França), o Eleven Madison Park (Nova Iorque) e o Gaggan (Banguecoque). A lista dos dez melhores restaurantes do mundo é completada com dois restaurantes peruanos, um francês e dois espanhóis.
A lista dos 50 melhores restaurantes relativa a 2018 inclui 7 restaurantes espanhóis, 6 restaurantes americanos, 5 restaurantes franceses e 5 restaurantes ingleses, mas dela constam restaurantes de 22 países. Porém nenhum restaurante português está incluido nessa lista, embora o Restaurante Belcanto se encontre na 78ª posição na lista em vigor até ontem.
O jornal El Correo deu um grande destaque a este evento realizado em Bilbau, no qual são destacados e promovidos alguns artistas-cozinheiros ou cozinheiros-artistas, que se auto-definem como chefs. Pelo que leio e pelas fotografias que vejo, os cozinhados esta gente nada têm que ver com a gastronomia de antigamente, que era bem temperada, saborosa e com substância, pois muitas vezes esta nouvelle cuisine não passa de um amontoado de coisas banais apresentadas com grande sofisticação ou até com uma estética imaculada, mas que frequentemente não passam de um desafio ao bom senso e um atentado à boa gastronomia, inclusive no preço obsceno que praticam para satisfazer certas vaidades. Serão estes os melhores restaurantes do mundo? Duvido e, por isso, posso afirmar que estes restaurantes nunca farão parte da minha lista de preferências, mesmo que me saísse um valente prémio na Lotaria Nacional.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Unesco vai classificar o Farol de Cordouan

O jornal Sud Ouest é publicado diariamente em Bordéus e é um dos maiores jornais regionais franceses, com uma circulação da ordem dos 300 mil exemplares diários. Na sua edição de hoje o jornal noticia a realização de uma grande festa nas imediações do farol de Cordouan para apoio da sua candidatura a património mundial da Unesco e associa-se a essa campanha com a divulgação da história do farol, com muitas imagens e com informações sobre o processo em vias de decisão.
O farol de Cordouan fica situado sobre uma pequena ilha rochosa à entrada do estuário do rio Gironda, a cerca de 3 milhas da costa, tendo servido desde tempos muito recuados para assinalar a entrada da barra às embarcações que iam carregar vinho na região de Bordéus. Porém, só em 1611 foi construida uma estrutura com as características de um farol. Essa estrutura foi melhorada ao longo dos anos e o alumiamento do farol foi modernizado, mas só entre 1786 e 1790, quando a torre foi acrescentada de 20 metros, é que o farol tomou a sua forma actual com 68 metros de altura.
É uma estrutura monumental de grande harmonia arquitectónica, com vários pisos onde se situam alojamentos, capela e, no topo, o sistema de alumiamento que só em 1950 passou a ser eléctrico. O farol recebeu o estatuto de monumento histórico em 1862 e agora quer ser reconhecido pela Unesco e ter o estatuto de Património da Humanidade. É de facto um farol único no mundo, que os franceses gostam de designar como o “farol dos reis, rei dos faróis” ou o “Versailles do mar”. É uma das atracções turísticas do sudoeste francês e recebe cerca de 20 mil visitantes por ano que pagam 11 euros pela visita, mas que não inclui o transporte por mar até ao farol. Porém, dizem os que já lá foram, que valeu a pena.

domingo, 17 de junho de 2018

Ronaldo vs. Messi ou a luta continua

Nos últimos dez anos o futebol mundial tem sido dominado por uma curiosa rivalidade entre o português Cristiano Ronaldo e o argentino Lionel Messi que conquistaram, por cinco vezes cada um, o prestigioso troféu destinado ao melhor jogador do mundo. Esse troféu é a Bola de Ouro ou Ballon d’Or e foi criado pela revista francesa France Football, tendo tido em determinada altura a parceria da FIFA.
Ronaldo e Messi têm sido os protagonistas da luta por esse prémio e a circunstância de ambos jogarem em Espanha e nos dois maiores clubes ibéricos, tem acentuado essa disputa. Agora, com as duas estrelas a pisar os relvados russos, essa rivalidade voltou a estar no centro da discussão futebolística.
Aconteceu que na sexta-feira Cristiano Ronaldo marcou três golos à Espanha e gastou os elogios que havia disponíveis no mercado, enquanto no sábado aconteceu que Lionel Messi falhou uma grande penalidade contra a Islândia e a equipa da Argentina não foi além de um empate contra a modesta selecção islandesa. Estas prestações não passaram despercebidas aos furiosos da bola e o jornal desportivo italiano La Gazzetta Sportiva pegou nesse tema, porque é interessante para os seus leitores e “vende bem”, tratando de destacar este duelo na primeira página da edição de hoje com o título CR7-Messi 3-0.   
É ainda muito cedo para saber quem irá ser escolhido como o melhor jogador do mundo em 2018 mas, aparentemente, a imprensa mundial continua a apostar nos artistas do costume.

Chegou o tempo dos incêndios florestais

Decorreu um ano sobre o dramático incêndio de Pedrógão Grande e alguns jornais evocaram esse fatídico dia em que algumas dezenas de pessoas perderam a vida e muitos hectares de floresta foram devorados pelo fogo. Foram dias trágicos que vieram a repetir-se em Outubro e, embora o que se passou tenha causas tão diversas como a falta de planos de protecção contra incêndios florestais, ou um ordenamento florestal inadequado, ou as alterações climáticas ou, ainda, o desleixo das populações, todas as críticas se dirigiram contra o governo e, de forma especial, contra a então Ministra da Administração Interna. Foi lamentável o aproveitamento político que alguns então quiseram fazer da tragédia.
Entretanto, os fogos florestais não são apenas um problema português e grandes áreas florestais em Espanha também têm sido consumidas pelo fogo. Por isso, a secção espanhola do Greenpeace publicou esta semana um documento intitulado “Protege el bosque, protege tu casa” em que analisa as causas da nova era de incêndios de alta intensidade dos últimos anos e denuncia a falta de planos de prevenção, emergência e auto-protecção contra incêndios florestais em Espanha, um problema que já está classificado como emergência social. O estudo cita os incêndios do camping e do parque de Doñana de Mazagón e do trágico incêndio de Pedrógão Grande.
O documento foi publicado pelo jornal el Correo de Andalucia e constitui uma chamada de atenção para todos os agentes públicos e privados envolvidos neste problema, desde a população que constrói casas no meio da floresta e não cuida da limpeza dos seus espaços florestais, até ao abandono rural e às alterações climáticas. O documento refere que “não é uma situação única de Espanha” e que “países como Portugal, Chile, Austrália, África do Sul e Estados Unidos têm sofrido grandes incêndios de altíssima gravidade”. Trata-se, portanto, de um problema ambiental que afecta a segurança nacional e que em Portugal se espera possa ser enfrentado este ano com mais eficiência do que aconteceu em 2017.

sábado, 16 de junho de 2018

Os golos de CR7 e o delírio português

O Campeonato do Mundo de Futebol teve ontem, no segundo dia da prova, o jogo entre as equipas de Portugal e da Espanha que foi disputado em Sochi. Tratava-se de um encontro entre os rivais ibéricos, mas também entre duas equipas que figuram nos primeiros lugares do ranking da FIFA, no qual Portugal aparece actualmente em 4º lugar e a Espanha em 10º lugar, entre 211 equipas. São duas equipas de primeiro plano a nível mundial e que contam com muitos dos melhores praticantes de futebol da actualidade.
O jogo foi muito bem disputado e, segundo os especialistas, o empate por 3-3 que se verificou no final da partida foi justo, apesar da imprensa espanhola muito elogiar a sua equipa e sugerir que merecia a vitória, que lhe terá fugido apenas por ter defrontado um Cristiano Ronaldo muito inspirado. De facto, nos momentos decisivos do jogo, Cristiano Ronaldo não falhou e marcou os três golos portugueses, o último dos quais aconteceu a dois minutos do fim e, porque inesperado, deixou os portugueses em delírio.
A imprensa mundial – mais de uma centena de jornais de todo o mundo – divulgou o resultado do duelo ibérico, elogiou a grande qualidade do espectáculo e publicou a fotografia de Cristiano Ronaldo na sua primeira página, muitas vezes a toda a largura da capa. Não me recordo de alguma vez ter visto uma tão grande promoção do nosso país, neste caso através da selecção de futebol e da figura de Cristiano Ronaldo. Os substantivos e os adjectivos utilizados para o classificar são, entre outros, fenómeno, diabo, genial, espectacular, de outro planeta, divinal, marciano, gigante, super-estrela, grandioso, bestial, impressionante, imponente, vibrante... Um jornal hondurenho até diz que Cristiano Ronaldo é uma maravilha do mundo e o Correio Braziliense escolheu para título “o gol fala português”, porque dois golos espanhóis foram marcados por um brasileiro naturalizado espanhol.
Os portugueses estão eufóricos com a festa do futebol e bem merecem estas alegrias e até Marcelo Rebelo de Sousa esteve a aplaudir no Terreiro do Paço, provavelmente tão entusiasmado e delirante como o seu povo!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O futebol pode ajudar o desanuviamento

No conflito porventura mais longo e mais trágico por que passa o mundo e que se tem desenvolvido na Síria desde Março de 2011, o regime de Bashar al-Assad tem a Rússia como principal aliado, enquanto a oposição tem na Arábia Saudita um dos seus maiores apoios.
Porém, no jogo inaugural do Campeonato do Mundo em que se defrontaram as equipas da Rússia e da Arábia Saudita, na tribuna de honra estiveram sentados juntos e em amena cavaqueira, o Presidente Vladimir Putin e o príncipe Mohammad bin Salman Al Saud, o herdeiro do trono saudita e que também é vice-primeiro ministro e ministro da Defesa.
Seguramente, estes dois homens não falaram da Síria, nem do Irão, nem do Iémen, mas não deixa de ser muito curioso este encontro num estádio de futebol na presença do divertido presidente da FIFA , poucos dias depois da reunião havida entre o Donald e o Kim. Parece mesmo que estamos a caminhar para um desanuviamento à escala global e, nesse caso, teremos que dizer: ainda bem . O resultado do jogo pouco importa, mas Putin pôde sorrir porque a sua equipa ganhou por 5-0 e houve festa na Rússia.
O jornal inglês The Independent reparou neste encontro entre Mohammad bin Salman e Vladimir Putin que se registou ontem em Moscovo e trouxe-o hoje para a sua primeira página com uma sugestiva fotografia.
Para os que ainda não acreditam no poder político do futebol, aqui está a prova.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A grande festa do futebol começa hoje

O Mundial de futebol começa hoje na Rússia e, é caso para dizer que, durante 31 dias não se vai falar de outra coisa. De facto, o entusiasmo por esta competição tem uma escala global e, todos os dias, muitos milhões de espectadores estarão em frente dos televisores para ver as transmissões dos jogos. Um serei um deles, embora me concentre apenas no espectáculo do futebol e me desligue completamente do que vai ser dito por inúmeros jornalistas e comentadores que vão entopir todas as televisões com repetitivos e desinteressantes comentários e opiniões. De resto, ainda o campeonato não começou e já estou farto de os ouvir.
Hoje temos o jogo inaugural entre a Rússia e a Arábia Saudita, mas o melhor vai ser a cerimónia da abertura do campeonato, porque os russos não brincam em serviço e não vão perder a oportunidade para impressionar o mundo e mostrar que os tempos decadentes do império soviético já foram ultrapassados.
Amanhã teremos o Portugal-Espanha e nesse jogo estarão concentradas todas as emoções ibéricas, numa prova que revive uma rivalidade centenária, mas que agora é pacífica e até muito fraterna. A equipa portuguesa está cheia de gente de talento e de muita experiência, mas esses atributos também existem nas outras equipas, o que torna muito imprevisível o que vai acontecer. Porém, há que pensar positivo e desejar que os milhões de portugueses residentes no território nacional ou na diáspora tenham a alegria da vitória muitas vezes, até porque a alegria do povo depende cada vez mais dos resultados dos futebóis e da forma como são servidos pelas televisões. Portanto, todos os portugueses pedem aos nossos futebolistas para estarem à altura desta oportunidade.
Nós confiamos neles, mas é preciso que tenham sorte e que não haja bolas na trave.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Afinal o Donald e o Kim são bons amigos

A diferença horária entre Singapura e os Estados Unidos é de 12 horas e, por isso, os matutinos americanos já aparecem com a notícia do encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, que se está a realizar no Hotel Capella, na ilha de Sentosa. Tudo parece estar a correr bem e o encontro teve direito a aperto de mão muito afectuoso, largos sorrisos, elogios mútuos e à assinatura de um primeiro documento comum, no qual ambos os países se comprometem a estabelecer relações de acordo com a vontade dos seus povos no caminho da paz e da prosperidade e a trabalhar na direcção da completa desnuclearização da península coreana.
Para além deste documento, são por agora muito escassas as declarações produzidas, até porque é a primeira vez que os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte se encontram, além de que o tema é complexo e há que digerir as inúmeras e mútuas provocações e insultos que cada um fez ao outro nos últimos meses.
Porém, o primeiro passo está dado e o mundo até parece que passou a respirar melhor.
As conversações prosseguem, mas os primeiros relatos descrevem um ambiente descontraído e sugerem que o Donald não deixará de convidar o Kim para visitar a Casa Branca. Quem se lembrará do que há tempos disse o Donald ao afirmar que "o homem-foguete tem uma missão suicida para si próprio e para o regime", ou tenha presente a resposta do Kim que lhe chamou "trapaceiro e criminoso" e "senil americano mentalmente perturbado"? Ou quem recordará a história dos botões nucleares que cada um tem em cima da sua secretária pronto a ser accionado?
Essas coisas esquecem-se depressa e, aparentemente, vamos assistir a mais encontros amistosos entre o Donald e o Kim, dois fanfarrões encartados. Que seja para uma nova era de paz na península da Coreia e no mundo, embora o passado político recente destes indivíduos seja pouco confiável.

Os refugiados abalam a coesão europeia

No passado sábado foram resgatadas 629 migrantes que faziam a travessia do Mediterrâneo, em seis operações nas quais participaram unidades da ilha de Lampedusa, três navios mercantes e a ONG SOS Mediterrâneo. Essas pessoas foram recolhidas no Aquarius, um pequeno navio registado em França e que pertence àquela organização não governamental. Porém, as autoridades italianas proibiram o navio de atracar num porto italiano e pediram a Malta que recebesse esses migrantes porque o navio estava mais próximo de Malta do que da costa italiana, mas o governo de Malta recusou e atribuiu essa responsabilidade aos italianos. Estava criado um impasse, com dois estados-membros da União Europeia a recusarem o auxílio humanitário a que os obriga a lei internacional e a terem um comportamente absolutamente desumano e contrário à política da União Europeia, por deixarem à deriva um navio numa situação muito precária.
Porém, ontem o impasse foi desbloqueado quando Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, se ofereceu ontem para que o navio fosse acolhido no porto de Valência. Os chefes de governo de Itália, Giuseppe Conte, e de Malta, Joseph Muscat, agradeceram o gesto espanhol, enquanto Matteo Salvini, que é o ministro do Interior de Itália e que também é o líder do partido nacionalista e xenófogo Liga Norte, gritou “vitória” e “objectivo alcançado”, declarando que “salvar vidas é um dever, mas transformar a Itália num enorme campo de refugiados, não”.
Os jornais espanhóis, como por exemplo o ABC, tratam hoje este assunto com fortes elogios ao seu novo primeiro-ministro. O facto é que, a somar a muitos outros problemas que atravessam a Europa e a sua coesão, o caso do Aquarius e as declarações xenófobas de Salvini vieram lembrar que o problema dos refugiados continua por resolver.

domingo, 10 de junho de 2018

O Donald até sonha ser o rei da América

Nos últimos dias o presidente dos Estados Unidos tem andado nas primeiras páginas dos jornais e nas aberturas dos telejornais, não só pelo seu previsto encontro com Kim Jong-un em Singapura mas, sobretudo, pela forma como se tem afirmado perante o mundo.
Na sua corrente edição, a revista Time analisa a sua faceta de extrema arrogância e ridiculariza-o, ao mostrá-lo perante um espelho a mostrar a sua postura de aspirante a rei do mundo que se quer ver coroado.
A reunião do G7, isto é, o encontro dos sete países mais industrializados do mundo que se realizou no Canadá e que visou melhorar as regras do comércio internacional, não correu bem. O assunto é complexo e os americanos e os europeus estão em acesa discussão. Alguns dos líderes presentes na reunião enfrentaram o Donald, ao mesmo tempo que denunciaram as suas constantes ameaças de guerra comercial. Angela Merkell e Emmanuel Macron “levantaram a voz” ao Donald, tal como Justin Trudeau, o jovem primeiro-ministro do Canadá. O Donald parece que não gostou e abandonou a reunião, sem ter assinado o seu comunicado final.
Um antigo director da CIA classificou as atitudes prepotentes e provocatórias do Donald como palhaçadas que estão a abalar o prestígio americano no mundo e pediu paciência aos aliados e amigos dos Estados Unidos, porque Donald Trump é "uma aberração temporária".
Chegou-se ao ponto de desejar que Kim Jong-un tenha a paciência própria dos orientais para travar este indivíduo que, cada vez mais, entende que pode impor a sua vontade a tudo e a todos.

A festa do Dia de Portugal e de Camões

Hoje, dia 10 de Junho, é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, um dia que assinala a morte do poeta Luís de Camões e que também é considerado como o Dia da Língua Portuguesa e como o Dia do Cidadão Nacional e das Forças Armadas. É uma data que se celebra com a presença dos mais altos dignitários nacionais e que inclui cerimónias oficiais, desfiles militares, concertos e entrega de condecorações aos portugueses que mais se distinguiram.
O palco das cerimónias oficiais que antigamente era em Lisboa no Terreiro do Paço, há muito que se tornou itinerante e, desde 1977 que, por escolha do Presidente da República, é designada uma cidade para acolher as comemorações oficiais. Em 2016 Marcelo Rebelo de Sousa teve a ideia de escolher duas cidades, uma no país e outra no estrangeiro, para que as comemorações se estendessem às comunidades portuguesas. Assim, as comemorações tiveram lugar em Lisboa e em Paris e, no ano seguinte, foram escolhidas as cidades do Porto e as cidades brasileiras do Rio de Janeiro e de S. Paulo. Este ano, o Presidente da República escolheu Ponta Delgada e as cidades americanas de Boston, Providence e New Bedford, no estado de Massachusetts, onde as comunidades portuguesas estão profundamente inseridas.
Embora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas não desperte grande interesse popular em Portugal e quase seja ignorado pelos mass media, nas comunidades portuguesas é um grande dia de festa, em que os portugueses afirmam a sua identidade e manifestam o orgulho na sua nacionalidade, na sua língua, na sua bandeira e na suas tradições culturais, através de inúmeras iniciativas. A capa do jornal A Voz de Portugal, que se publica desde 1961 em Montreal, no Quebeque, e que é o mais antigo semanário de língua portuguesa do Canadá, é expressiva do entusiasmo com que o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é festejado no estrangeiro. Mas para perceber isto é preciso viver ou ter vivido longe daqui.