terça-feira, 5 de março de 2019

Uma celebração ibérica para Magalhães

A edição de ontem do jornal Público dedicou quatro páginas a Fernão de Magalhães, o navegador português que há 500 anos largou de Sanlúcar de Barrameda com 5 navios e 234 homens para navegar por ocidente até às Molucas. Numa altura em que a hegemonia náutica mundial pertencia aos portugueses, o navegador Fernão de Magalhães foi oferecer os seus serviços ao rei de Espanha para demonstrar que, nos termos do Tratado de Tordesilhas, as Molucas pertenciam a Espanha. Foi, objectivamente, um traidor ou um mercenário. Depois de ter descoberto a passagem do Atlântico para o Pacífico e ter atravessado esse oceano, veio a ser morto numa escaramuça numa ilha das Filipinas. Naquela situação desesperada, foi o basco Juan Sebastián Elcano que assumiu o comando da expedição e que decidiu regressar a Espanha pela rota dos portugueses, isto é, pelo cabo da Boa Esperança. Assim, sem que essa fosse a intenção inicial da sua missão, a nau Victoria acabou por fazer a circumnavegação da Terra, tendo regressado a Espanha em 1522.
O jornal Público decidiu tratar o assunto. Embora o jornal continue a não satisfazer totalmente as minhas necessidades informativas, reconheço que é o quotidiano português que mais procura divulgar temas de menor interesse geral, como sejam a Ciência, a Tecnologia e a Cultura e, neste caso, a História. Naturalmente que aplaudo esta linha editorial que foge ao sensacionalismo que não distingue notícia de opinião, que condena sem julgamento e que abre as suas páginas a comentadores de vão-de-escada. Por isso, aqui aplaudo o jornal por contribuir para a divulgação desta efeméride que é ibérica e que, como tal, deverá ser estudada e evocada neste seu 500º aniversário.

Grandes tempestades, grandes fotografias

Apenas a 24 dias da anunciada data da saída da União Europeia, processo a que foi chamado Brexit, tudo continua confuso nas ilhas Britânicas e ninguém sabe se há ou não há saída, se há adiamento ou não adiamento dessa saída, se há acordo ou não há acordo para a saída, ou até se há um segundo referendo para saber se ainda querem ou já não querem a saída.
Theresa May embrulhou-se completamente com o Brexit e, tanto ela como o seu rival Jeremy Corbyn, estão calados porque já não sabem o que fazer e já não sabem se têm seguidores fiéis. Entretanto, os dias passam. Parece uma tempestade perfeita que se anuncia e, agora, até Theresa May está a ser acusada de subornar aliados e adversários políticos para que estes ajudem a aprovação de uma nova proposta de acordo do Brexit que vai ser votada no dia 12 de Março.
No meio desta confusão política, o jornal The Times optou por destacar na sua edição de ontem um tema consensual e publicou uma elucidativa imagem a quatro colunas alusiva à passagem da tempestade Freya pelo sul das ilhas Britânicas, com ventos de mais de 120 km por hora, o que obrigou a muitos cuidados por parte da população.
O jornal publicou uma fotografia do mar a saltar o cais da vila de Porthcawl, na costa sul do País de Gales, intitulando-a de wave power. É um bom exemplo de fotojornalismo, uma área em que os jornais britânicos são exemplares.

segunda-feira, 4 de março de 2019

O espectacular Carnaval de Badajoz

O Carnaval é uma festa para quem gosta e há muita gente que gosta, um pouco por todo o mundo, sobretudo no Brasil e nas ilhas Canárias, mas também em Portugal, onde há famosos carnavais em Torres Vedras e Loulé, na Mealhada e em Sesimbra, em Loures e em Ovar, em Setúbal e na Figueira da Foz e em muitas mais cidades e vilas lusitanas. Não falta a fantasia, nem a alegria, nem a folia. Nem faltam os foliões, que as televisões mostram aos milhares. São três dias de desfiles e de fantasias, de música e de trajes fantásticos ou, como se diz no Brasil, é ”a ilusão do Carnaval, para tudo se acabar na quarta-feira”.
Até na vizinha Espanha existem focos de grande entusiasmo carnavalesco em algumas das suas regiões e as edições dos jornais da Extremadura, tanto de Badajoz como de Cáceres, destacam hoje na capa das suas edições os grandes desfiles carnavalescos que ocorreram no passado fim de semana em Badajoz.
As reportagens fotográficas não enganam. O desfile carnavalesco foi mesmo uma grande festa, com trajes exóticos de mil cores, muita música e muito entusiasmo. Em Badajoz desfilaram 101 grupos das províncias de Badajoz e Cáceres, que mobilizaram 7.300 participantes devidamente ensaiados, o que torna o Carnaval de Badajoz num dos maiores de Espanha, o que também certamente atraiu muitos portugueses de Elvas e arredores, até porque o espectáculo é invulgarmente rico de animação.

domingo, 3 de março de 2019

Uma visita e um reencontro de amigos

Marcelo Rebelo de Sousa está de partida para uma visita oficial a Angola em que, tanto da parte portuguesa como da parte angolana, são muito elevadas as expectativas por razões muito diversas, mais de ordem emocional e cultural do que por razões políticas ou económicas, pois para isso aponta o perfil pessoal dos respectivos Presidentes da República.
É realmente uma oportunidade singular para reforçar a onda de amizade e de afecto que em Novembro de 2018 gerou a visita do Presidente João Lourenço a Portugal. Por isso, a visita de Marcelo Rebelo de Sousa está a ser preparada como uma das mais importantes daquelas que nos seus três anos de mandato já fez e, antes de aterrar em Luanda no dia 5 de Março, o presidente português vai fazer duas paragens simbólicas, primeiro em Cabo Verde e, depois, em São Tomé e Príncipe. E faz muito bem. Ultrapassadas as feridas coloniais é a altura de serem reforçados os laços económicos e culturais mas, sobretudo, de estimular os reais afectos que derivam de um passado e de uma língua comum.  
O programa da visita oficial de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola durará quatro dias e, para além de Luanda, incluirá visitas à província de Benguela, com visitas a Benguela, Lobito e Catumbela, e à província da Huíla, onde visitará o Lubango. A imprensa angolana tem estado muito atenta a esta visita e, para além de um artigo de opinião publicado pelo director do Jornal de Angola, que classificou esta visita como uma “viagem de afectos”, também o novo jornal de Angola tratou de publicar uma longa entrevista com Marcelo Rebelo de Sousa.
Depois de muitos anos de dificuldades políticas, contrariedades diplomáticas e até de desconfianças, por vezes devidas a protagonistas qdos dois lados ue não perceberam o potencial das relações entre Angola e Portugal,  tudo se parece conjugar para que esta visita seja um verdadeiro reencontro entre Portugal e Angola.
Assim seja!

Roger Federer chegou às 100 vitórias!

Roger Federer, o tenista suiço de 37 anos de idade, ganhou ontem o Open do Dubai e atingiu o seu 100º título ATP (Association of Tennis Professionals).  O jornal L’Équipe destaca esse grande feito desportivo e, imagine-se, por uma vez não coloca o futebol e os seus negócios de compra e venda de jogadores na sua primeira página.
Roger Federer é realmente um caso notável e, nos registos dos rankings ATP, aparece sempre nos primeiros lugares, incluindo na lista de títulos do Grand Slam em que também é recordista com 20 títulos. Além disso, ele tem um recorde de ter estado, entre os anos de 2004 e 2018, durante 310 semanas como número 1 do ténis mundial.
O Open do Dubai é um torneio ATP 500 e, por isso, não teve a presença dos principais tenistas da actualidade que, naturalmente, fazem a gestão que lhes interessa das suas participações nos torneios que se realizam por todo o mundo. Assim, Roger Federer encaixou um prize money de 511.750 dólares e atingiu a sua 100ª vitória de uma carreira vitoriosa que começou em 2001 em Milão.
Os especialistas dizem que é o maior tenista de todos os tempos e o facto é que aos 37 anos de idade, continua a ganhar. É caso para aplaudir, porque o sucesso na alta competição não depende só do talento, mas também de muito trabalho metódico e persistente.

sexta-feira, 1 de março de 2019

O inquietante arrastamento do Brexit

Apenas a 29 dias da data estabelecida para o Brexit, todos sabemos que no Reino Unido ainda reinam os Windsor, mas também sabemos que reina uma grande confusão e que já ninguém faz previsões sobre o que vai acontecer. O que se passa com os políticos das ilhas Britânicas é realmente inquietante e o que vier a acontecer vai ser doloroso, ou mesmo trágico, quer para os britânicos, quer para os europeus. Nos últimos dias, o assunto tem sido pouco falado na imprensa e este silêncio já é ensurdecedor, parecendo pré-anunciar um enorme estrondo.
Hoje, o pequeno jornal regional francês Le Dauphiné libéré, que se publica em Grenoble, diz que falta menos de um mês para o brexit e pergunta... pour décider quoi?. Esta pergunta reflecte a enorme preocupação que este caso também está a gerar fora das ilhas Britânicas.  
A arrogante e orgulhosa Grã-Bretanha tem vivido desde há mais de um século à sombra da grandeza da era vitoriana, mas o seu prestígio internacional vai sair muito beliscado desta situação que ninguém foi capaz de controlar num ou noutro sentido, em especial a primeira-ministra Theresa May que não esteve à altura das suas responsabilidades.
A Grã-Bretanha tinha votado no dia 23 de Junho de 2016 num referendo sobre a permanência na União Europeia e verificou-se que 52% dos votos foram favoráveis à saída do Reino Unido da União Europeia. Era uma magra maioria, mas era uma maioria. Porém, ao longo de mais de dois anos, com inúmeras reuniões em Bruxelas e no seio do seu próprio Parlamento, Theresa May não atou nem desatou, arrastou e foi incapaz de agir e, quando devia ter passado o leme a outra pessoa, agarrou-se teimosamente ao poder e conduziu este processo para um abismo que é aquilo que se avizinha.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Os três pesos e as três medidas do Donald

Vigarista, batoteiro, racista. Estas foram algumas das acusações feitas a Donald Trump por Michael Cohen, o advogado que durante uma década foi um dos seus mais leais colaboradores. A imprensa mundial destaca hoje essas declarações que nos impressionam e que vêm mostrar a verdadeira face deste e de outros donald que há por esse mundo fora e das causas, ou interesses, que defendem.
É realmente preocupante que o mundo esteja sujeito às disfunções de certos dirigentes, sobretudo quando são poderosos.
Na mesma altura em que Cohen falava no Congresso sobre as tropelias do Donald, o mesmo Donald abraçava e jantava no Vietnam com o ditador norte-coreano Kim Jong-un e, nas fronteiras venezuelanas, os seus agentes procuravam abater o aspirante a ditador Nicolás Maduro, num país em que existem partidos políticos, oposição organizada e eleições, provavelmente pouco livres, mas que atravessa uma grave crise económica causada principalmente pelo boicote promovido pela administração Trump. Este comportamento enviesado e de geometria variável na política externa do Donald não admira e basta observar o que se passa com a amizade mantida com a Arábia Saudita, que é a ditadura mais radical do mundo, onde perdura um regime culturalmente fechado e intolerante, mas que é alimentado militarmente pelos Estados Unidos.
Porém, o Donald escolheu três pesos e três medidas para gerir a sua relação com os ditadores: ao rei saudita Salman vende armas que são pagas em petrodólares, ao ditador Kim Jong-un oferece ajuda económica em troco da desnuclearização da península coreana e ao aspirante a ditador Nicolás Maduro apenas quer tirar o poder, num quadro de abusiva ingerência na política interna de um país soberano.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A mais perigosa fronteira do mundo

A guerra na Caxemira poderá estar de volta. A região situada no extremo noroeste do subcontinente indiano é disputada desde 1947 pela Índia e pelo Paquistão. Para separar os dois países foi estabelecida uma linha de controlo militar ou Line of Control (LoC) que resultou de um acordo assinado em 1949 e que estabeleceu a United Nations Military Observer Group in India and Pakistan (UNMOGIP), que é a mais antiga missão permanente das Nações Unidas no mundo.
A rivalidade entre ambos os países nasceu do desmembramento do Império Britânico ou British Raj em 1947 e com as suas independências, que resultaram da rivalidade entre os muçulmanos de Muhammad Ali Jinnah, líder da Liga Muçulmana, e os hindus de Jawaharlal Nehru, líder do Congresso Nacional Indiano. Como a rivalidade religiosa e política são inultrapassáveis, os dois países já tiveram quatro guerras (1947, 1965, 1971 e 1999), além de muitas escaramuças menores nas suas fronteiras. 
Agora parece que o conflito está outra vez de volta com as duas potências, nucleares e bem armadas, a entrar numa perigosa escalada. Segundo foi anunciado, a aviação indiana atacou campos de treino do grupo islâmico Jaish-e-Mohammad (JeM), na Caxemira paquistanesa, tendo provocado muitas baixas, numa acção de retaliação a um ataque que esse grupo fizera recentemente e que matara 42 soldados indianos, o que foi o mais mortífero ataque dos últimos 30 anos. O Paquistão nega o sucesso da operação indiana e já disse que tem direito a uma resposta apropriada. Hoje, as informações são muito contraditórias e ambos os países anunciaram ataques aéreos e o derrube de aviões dos dois lados. As provocações mútuas já trouxeram preocupações internacionais, com os Estados Unidos, a China e a União Européia a pedir calma aos dois lados, até porque ambos possuem mísseis balísticos capazes de transportar armas nucleares.

A instabilidade continua na Venezuela

A operação montada pelos serviços secretos americanos em torno da ajuda humanitária à Venezuela nas fronteiras do Brasil e da Colômbia, chamou a atenção do mundo para a crise venezuelana, mas também mostrou como se encenam situações para fins políticos. Apesar do apoio mediático que teve, nomeadamente através da televisão portuguesa, a operação não atingiu os seus objectivos, porque nem a ajuda humanitária entrou no país, nem os militares desertaram em massa como alguns esperariam.
O regime de Maduro é mau, conduziu a uma grave crise económica e dele já fugiram dois ou três milhões de venezuelanos, mas parece que ainda tem muito apoio interno e que não está tão isolado internacionalmente como parecia. Se há duas venezuelas em termos políticos, seria bom que a imprensa mostrasse não só os que apoiam Guaidó, mas também os que continuam a apoiar Maduro. Além disso, é necessário que sejam os venezuelanos a resolver o problema e que seja estimulado o diálogo entre as partes. Como dizia Guaidó, e bem, é preciso lutar com inteligência e não é isso que têm feito os americanos que lideram a frente anti-Maduro, ao mesmo tempo que apoiam outros ditadores noutras regiões do mundo.
Ontem reuniu o Grupo de Lima e dez dos seus 14 membros, embora tivessem condenado a ditadura de Maduro, rejeitaram o cenário de qualquer intervenção armada externa e reiteraram que a saída para a crise deverá ser pacífica e pela via diplomática. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos levaram às Nações Unidas a sua pretensão para usar a força na Venezuela, mas foram contrariados pela França, Rússia, China, Perú e República Dominicana. A Venezuela reagiu e pediu ao Conselho de Segurança que aprove uma resolução condenando o eventual uso da força por parte dos Estados Unidos e de outros países, porque acredita que alguma coisa está a ser preparada, mesmo sem o apoio do Grupo de Lima e do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O jornal venezuelano Últimas Noticias dá conta do que se está a passar nas Nações Unidas e denuncia a obcecação americana contra a Venezuela de Maduro.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Moçambique prepara forças especiais

Desde meados de 2017, isto é, desde há quase dois anos que se têm verificado perturbações da ordem pública, actividades de intimidação e actos de grande violência na província moçambicana de Cabo Delgado, conduzidas por grupos radicais armados, provavelmente de natureza jihadista. Calcula-se que já terão morrido entre 100 a 150 pessoas, contabilizadas entre as populações atacadas, os agressores armados e os elementos das forças de segurança.
Para enfrentar esta situação que se vem agravando e que pode representar uma tentativa de instalação de uma base territorial, o governo moçambicano decidiu criar as forças especiais da Polícia da República de Moçambique, que ontem se apresentaram perante o Presidente da República. Nessa oportunidade, segundo o jornal O País, o Presidente Filipe Nyusi incentivou os cerca de dois milhares de elementos em parada para a necessidade de redobrar esforços para combater os grupos armados que têm efectuado ataques em vários distritos da província de Cabo Delgado, mas que também era necessária a mobilização de toda a população moçambicana.  
Na passada semana, uma caravana de viaturas pertencente a uma empresa petrolífera americana foi atacada por um grupo armado na área de Palma, no extremo norte de Moçambique, de que resultaram vários feridos e esse ataque foi o primeiro dirigido a alvos de uma empresa envolvida em projectos de exploração de gás natural. Depois, no distrito de Macomia, num ataque a uma viatura, morreram seis pessoas e várias ficaram feridas. A criação das forças especiais da Polícia da República de Moçambique é uma resposta para ultrapassar a instabilidade que se vive no norte de Moçambique e, em especial, na província de Cabo Delgado.

Brexit: adiamento ou novo referendo

Jeremy Corbyn, o actual líder do Partido Trabalhista britânico, que é o principal partido da oposição na Câmara dos Comuns, declarou ontem à noite que vai apoiar um segundo referendo sobre o Brexit para evitar uma saída da União Europeia sem acordo, o que a acontecer, segundo muitos especialistas, seria uma tragédia não só para o Reino Unido, mas também para a União Europeia.
Jeremy Corbyn não tinha, até agora, aceite apoiar um segundo referendo, pelo que esta declaração altera muito os dados do problema e pode ajudar a que seja encontrada uma solução.
O divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia está anunciado para o dia 29 de Março, mas a confusão e a incerteza são totais, com cada um dos dois maiores partidos britânicos muito divididos e até sob ameaça de se desintegrarem. Em relação ao Brexit já ninguém percebe o que querem uns e o que querem os outros. Atenuaram-se fronteiras ideológicas e formaram-se grupos. O problema principal parece ser a fronteira da Irlanda do Norte, conhecido por backstop, mas há outros problemas. Entretanto, Theresa May continua a correr para Bruxelas sem conseguir trazer nada de novo, o que faz aumentar a confusão. Agora há uma proposta subscrita por dois deputados, um trabalhista e outro conservador, em que é pedida uma extensão do prazo do Brexit, sabendo-se que essa proposta tem largo apoio em ambas as bancadas do Parlamento. E há a nova posição de Jeremy Corbyn que sempre pediu eleições antecipadas e que agora diz aceitar a realização de um novo referendo.
Significa que, já na recta final do processo, começam a aparecer propostas mais sensatas e mais prudentes, o que mostra que os caminhos percorridos pela obstinada Theresa May conduziram a um beco sem saída, mas o facto é que ela não se demitiu nem foi demitida, o que ainda gera mais confusão.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Venezuela: ficou (ou não) tudo na mesma

Ontem foi o dia em que se esperava que alguma coisa acontecesse na fronteira venezuelana porque estava anunciada a batalha da ajuda, mas ficou tudo na mesma.
Os dois presidentes venezuelanos, cantaram vitória. Nicolás Maduro cantou vitória porque os camiões com a ajuda humanitária não entraram no país ou foram incendiados, o que mostrou que é ele quem ainda manda e que controla as suas fronteiras. Juan Guaidó perdeu essa batalha mas teve coragem, esteve na frente e com essa atitude acrescentou argumentos à sua liderança do movimento oposicionista venezuelano e ganhou ainda mais simpatias na comunidade internacional.
Neste imbróglio venezuelano anda envolvida muita gente estrangeira que tem interesses no país, mas terão que ser os venezuelanos a resolvê-lo e de forma pacífica. A ingerência externa não dá bom resultado. Como se viu ontem. Maduro está transformado num lobo acossado e isso é muito perigoso, enquanto Guaidó está demasiado deslumbrado pelo apoio de Trump e pelos abraços desse notável estadista que é o pequeno Rangel, o que também é perigoso.
Mais do que uma necessidade, a ajuda humanitária tem sido um pretexto para intervir na Venezuela, mas as imagens que nos chegam não mostram uma oposição carente de ajuda humanitária. De resto, as reportagens televisivas portuguesas estão instrumentalizadas e limitam-se a fazer umas entrevistas de teor sensacionalista, sem nada nos dizerem sobre o que está a ser feito nos bastidores para ultrapassar esta crise e sobre a realização de eleições livres e justas.
A batalha da ajuda resultou em 4 mortos, algumas dezenas de feridos (com gás lacrimogéneo e balas de borracha) e 23 deserções das forças policiais ou militares. Foram poucas mortes e poucas deserções para aquilo que Guaidó e os seus patrocinadores desejavam. O 23 de Fevereiro não vai ficar na história da Venezuela como o dia em que o chavismo de Maduro massacrou o povo. A imprensa da América Latina e da Espanha destacaram a Venezuela como o tema dia, mas no resto do mundo não se falou nisso.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Hoje será um dia chave para a Venezuela?

Como anuncia a edição do jornal Vanguardia Liberal da cidade colombiana de Bucaramanga, hoje é um dia chave para a ajuda humanitária à Venezuela, mas também é o dia em que podem ocorrer confrontos de gravidade, até porque é evidente que há muita gente infiltrada e interessada em que algo aconteça hoje para que isso sirva de bandeira de mobilização contra Maduro e de ânimo para Guaidó.
A ajuda humanitária surge cada vez mais, não como uma necessidade mas como um pretexto ou como um “cavalo de Tróia” destinado a criar novos argumentos que justifiquem uma intervenção estrangeira, eventualmente armada. A América de Trump está a ver o tempo a passar e procura desesperadamente criar novos argumentos no terreno, quando deveria utilizar a via diplomática para encontrar soluções justas e equilibradas, até porque o aparelho militar e judicial venezuelano não dá mostras de ceder a esta ofensiva das forças da oposição, que está a ser coordenada pelos serviços secretos americanos.  
Não há notícias de que o governo bolivariano de Nicolás Maduro tenha encetado negociações com quaisquer mediadores para ultrapassar a situação política por que passa o país, nem que os oposicionistas tenham recuado nas suas reivindicações. Aparentemente, a crise agudiza-se e a ajuda humanitária, tal como os concertos dos dois lados da fronteira com a Colômbia, não passam de faits divers. As imagens que nos chegam da Venezuela pouco esclarecem pois mostram que os oposicionistas são gente bem vestida, que vai a concertos e que não precisa de ajuda humanitária. Os que precisam, provavelmente os descamisados venezuelanos, estarão ao lado de Maduro.
Hoje, a oposição e o chavismo defrontam-se uma vez mais. É preciso cuidado. Quando os lobos se sentem cercados tornam-se mais violentos e mais perigosos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A Super Lua inspira a arte fotográfica

Ontem a Lua esteve em fase de Lua cheia e foi possível observá-la maior e mais brilhante do que é habitual porque, dizem os astrónomos, o astro nestas situações aparenta ser 14% maior e 30% mais brilhante do que a habitual Lua cheia. Assim, a gíria chama a esta situação a Super Lua, uma vez que a Lua cheia está centrada no perigeu e no seu ponto mais próximo da Terra, apesar de estar a cerca de 256.761 quilómetros de distância do nosso planeta.
Milhões de pessoas em todo o mundo observaram o fenómeno que, em Lisboa, foi bem visível. Muitos milhares de fotógrafos, profissionais ou amadores, foram atraídos por este fenómeno e captaram a fotografia da luminosa Lua nos mais diversos e imaginativos enquadramentos estéticos.
Uma pesquisa no google oferece-nos dezenas de belas imagens em que podemos observar o brilho daquele círculo enquadrado por monumentos, edifícios, paisagens, aviões e outros elementos bem curiosos. Alguns jornais internacionais trataram de publicar essas interessantes fotografias nas capas das suas edições. Aqui destacamos o La Vanguardia de Barcelona, que publica uma fotografia da estátua de Cristóvão Colombo nas famosas Las Ramblas (com uma atrevida gaivota pousada na cabeça do navegador), que contrasta com o imponente brilho da Super Lua.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Um arrasador fenómeno de popularidade

Não é habitual que um político português apareça destacado na primeira página de um qualquer jornal internacional, sobretudo nos grandes jornais de referência como é, por exemplo, o El País. Porém, a edição de hoje do mais importante jornal de língua espanhola, trata das eleições legislativas antecipadas que se vão realizar no próximo dia 28 de Abril, mas também dedica uma fotografia na capa e um texto ao Presidente da República de Portugal, que trata como o “el arrollador fenómeno de Rebelo de Sousa”.
O pretexto para esta notícia foi a apresentação na FLUP de uma tese de doutoramento sobre a extraordinária popularidade do presidente eleito há três anos com 52% dos votos, quando gastou apenas 157.000 euros por ter renunciado ao marketing partidário-eleitoral e ter tido a colaboração de sete pessoas apenas. Depois, instalou-se em Belém e a sua actividade tem sido frenética. Hoje a sua popularidade é inequívoca e tem uma imagem positiva para 71% da população, sendo apenas 7% aqueles que não o vêem com bons olhos. É o maior símbolo de popularidade em Portugal, abraçando e beijando toda a gente, repartindo-se em afectos e em milhares das famosas selfies. Segundo uma sondagem publicada pelo semanário Expresso, haverá 52% de portugueses que desejariam fotografar-se com Marcelo Rebelo de Sousa e 3,3% já tinham tirado uma selfie com ele, o que se traduz em 330.000 selfies.
O jornal espanhol refere que uma agência de publicidade abriu a página TeleMarcelo na web, na qual as pessoas deixavam um número de telefone de um amigo, o qual seria depois despertado pelo telefone com a voz do Presidente da República: “Aqui Marcelo Rebelo de Sousa. Interrompi uma reunião. Acabei uma e vou começar outra, mas queria mandar-te um abraço”. Num só dia foram realizadas 107.000 chamadas.
O Presidente conquistou o El País, mas com os telefonemas à Cristina, as visitas à Jamaica e o seu silêncio sobre os enfermeiros, pode começar a inverter os seus níveis de popularidade.