segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Rafael Nadal é o grande herói da Espanha

Rafael Nadal, o tenista espanhol natural da ilha de Mallorca que tem 34 anos de idade, cometeu ontem a proeza de vencer em Paris pela 13ª vez o famoso Torneio de Roland Garros que, com o Australian Open, o Torneio de Wimbledon e o US Open, constituem os quatros torneios do Grand Slam do ténis internacional. 
Com esta série de 13 vitórias conseguidas desde 2005, o tenista Rafael Nadal igualou o record de 20 vitórias em torneios do Grand Slam que agora passa a repartir com o suiço Roger Féderer que, com 39 anos de idade, ainda está em actividade. Este desempenho de Nadal no mesmo torneio não tem paralelo no mundo do ténis e toda a imprensa espanhola deu a notícia com natural euforia, publicando hoje a fotografia do campeoníssimo de Roland Garros que, de facto, conseguiu um feito desportivo notável. Essa fotografia de Nadal ajoelhado na terra batida de Roland Garros aparece em muitos países, incluindo jornais franceses, alemães, italianos, americanos, brasileiros, argentinos, mexicanos e outros.
O jornal Marca recorda todas as anteriores vitórias de Nadal e homenageia o tenista de Mallorca como o grande herói da Espanha, mas leva a sua euforia longe de mais ao escrever que “eres lo más grande que veremos jamás”. A proeza de Nadal orgulha a sociedade espanhola e porque ele tem manifestado grande apoio à unidade política da Espanha e, discretamente, tem condenado o separatismo catalão, não tardará a que a sua imagem seja aproveitada para reforçar a unidade espanhola e se torne cada vez mais uma bandeira da Espanha.

Os portugueses a brilhar no estrangeiro

Em tempos de recolhimento a que se sujeitam devido à situação pandémica que atravessam, os portugueses tiveram ontem um dia de grande euforia desportiva porque, através da televisão, puderam assistir a notáveis desempenhos de alguns dos seus atletas, pois no Giro de Itália brilharam dois ciclistas portugueses, no circuito de Le Mans destacou-se um motociclista português e no Stade de France, em Paris, tivemos a selecção de futebol a mostrar talento e a empatar com os actuais campeões do mundo. A vitória de Rúben Guerreiro na etapa de ontem do Giro de Itália em alta montanha e a camisola rosa que João Almeida veste há vários dias, são duas das maiores proezas do ciclismo português de sempre. O sexto lugar do motociclista Miguel Oliveira no GP França de MotoGP em Le Mans, que o mantém no nono lugar do Mundial de MotoGP, foi outro relevante acontecimento desportivo. Depois, à noite, os franceses não foram capazes de vingar a derrota que sofreram na final do Europeu de Futebol de 2016. 
O jornal A Bola utiliza a expressão À Campeão para elogiar este comportamento desportivo dos atletas portugueses. Por vezes avaliam-se e comparam-se o Portugal onde vivemos actualmente com o país dos tempos do Estado Novo, da guerra colonial, da intolerância política e do isolamento internacional. Comparam-se a liberdade política, os índices de educação e de saúde, o progresso económico e social, a modernidade cultural e outros indicadores, mas poucas vezes se destaca o enorme salto que os portugueses deram no desporto internacional, quando este se tornou um parâmetro para avaliar o prestígio dos países. Nesse campo o salto que foi dado nos últimos cinquenta anos foi gigantesco e Portugal projectou-se internacionalmente através de atletas como Carlos Lopes, Rosa Mota, Rui Costa, Fernando Pimenta e outros de grande nível internacional, para além de futebolistas como Luís Figo e Cristiano Ronaldo, ou seja, o desporto também fez com que passássemos a ser olhados de outra maneira no exterior. Só temos que aplaudir porque o êxito no desporto envolve muito trabalho e muita persistência.

sábado, 10 de outubro de 2020

O covid-19 infectou Trump e a Casa Branca

A mais recente edição da revista TIME ilustra a sua capa com uma ilustração que mostra uma espessa fumarada de covid-19 que sai das chaminés da Casa Branca, remetendo os seus leitores para as recentes notícias que davam conta que Donald Trump estava infectado por covid-19, assim como a sua mulher, alguns familiares e vários dos seus mais directos colaboradores. Donald Trump foi internado no Walter Reed National Military Medical Center mas muito rapidamente teve alta, embora vários médicos especialistas tivessem posto em causa essa alta apressada. Segundo revela a revista, o Donald pressionou e persuadiu a equipa médica para ter alta rapidamente e poder aparecer, como de facto apareceu, à varanda da Casa Branca, para mostrar ao eleitorado americano que venceu o vírus. A sua equipa política tratou de reclamar mais uma vitória para o Donald, depois daquela que obteve recentemente quando os Democratas procuraram impor-lhe um impeachment. Entretanto a sua campanha eleitoral tratou de pôr à venda moedas de 100 dólares com a frase Trump defeats covid. A ideia de se mostrar como um homem providencial tem sido a obsessão do Donald que, segundo afirma a revista, jamais suportaria aparecer em público como um homem velho, doente e vulnerável, ou como um simples mortal feito de carne como todos nós e, por isso, ironizava com os cuidados de saúde e com o uso de máscaras, que têm sido bandeiras usadas contra o seu concorrente presidencial Joe Biden. Muitas vezes, o Donald pareceu desafiar o vírus para que o infectasse, sacrificando inclusivamente as pessoas que o rodeavam, só para que não parecesse um homem fraco. Escreve a TIME que há mais casos de covid-19 ligados ao surto que contaminou a Casa Branca, do que os que foram relatados na passada semana na Nova Zelândia. Porém, o que impressiona é que a revista semanal que tem a maior circulação do mundo, que tem cerca de 20 milhões de leitores só nos Estados Unidos e que se imaginaria alinhada com os Republicanos, tenha dado este valente murro no estômago do Donald.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Nos 110 anos da implantação da República

Perfazem-se hoje 110 anos sobre a data em que foi proclamada a República em Portugal e essa data foi celebrada com a participação do Presidente da República e outros dignitários, com guardas de honra e com discursos, mas sem a participação popular, o que parece ignorar que o êxito da revolução de 5 de Outubro de 1910 se ficou a dever em larga medida à participação popular. A situação pandémica que estamos a atravessar complicou a situação e terá desmobilizado essa participação popular, enquanto a cerimónia oficial contou apenas com 14 convidados. 
O ideal republicano tinha raízes nas proclamações doutrinárias da Revolução Francesa de 1789 – liberdade, igualdade e fraternidade – o que significava um governo do povo para o povo, a liberdade económica e uma justiça verdadeiramente democrática, tendo como pano de fundo a ideia do ressurgimento da pátria portuguesa, bem expressa na marcha que foi adoptada como hino nacional, que classificava os portugueses como o “nobre povo” e a “nação valente e imortal”, apelando a que se levantasse hoje de novo o esplendor de Portugal. Nos seus 110 anos de vida, o modelo republicano português foi adaptado e ajustado constitucionalmente, adoptou diferentes ideologias e deu origem a diversos regimes democráticos e não democráticos, mas a forma republicana da organização do poder político adquirida depois de 1910 tem sido inquestionável e é um importante património para o povo português. 
Hoje, lamentavelmente, nenhum jornal português destacou esta efeméride nas primeiras páginas das suas edições. Apesar dessa indiferença há muita gente que vive com o ideal republicano e que hoje grita: Viva a República!

domingo, 4 de outubro de 2020

Chissano e a guerra em Cabo Delgado

Por razões históricas, muitos portugueses conheceram a orla costeira da província moçambicana de Cabo Delgado desde o início do século XVI, quando as naus da carreira da Índia escalavam ou invernavam na ilha de Moçambique, tendo-se estendido até 1975, quando a República Popular de Moçambique se tornou independente. Por isso, por razões históricas e emocionais, o que se passa em Cabo Delgado interessa a muitos portugueses que por lá passaram, como é o nosso caso.  A região é muito rica em recursos naturais e tem abundantes reservas de gás natural, mas está pouco desenvolvida, enquanto uma parte da sua população é fortemente islamizada. A cidade de Maputo, que é a capital, encontra-se a quase dois mil quilómetros e a população tem dificuldade em apoiar um poder político tão distante e tão ausente, para além de sentir que o seu empenhamento na luta armada de libertação nacional continua a não ser reconhecido. Por tudo isso parece haver muito descontentamento em Cabo Delgado. 
Em Outubro de 2017 grupos armados não identificados atacaram a vila costeira de Mocímboa da Praia, registando-se desde então um crescente número de assaltos a povoações que já causaram mais de um milhar de mortos e que levou a que mais de cem mil pessoas abandonassem as suas aldeias e procurassem refúgio em áreas mais seguras. As forças de defesa moçambicana e, eventualmente, grupos de mercenários contratados pelo governo não têm tido sucesso e a situação parece agravar-se. Trata-se de uma insurreição ou de uma guerra? Que apoios nacionais ou internacionais têm os insurgentes? Será uma tentativa para criar um estado islâmico no norte de Moçambique? Que relação tem esta guerra com a exploração do gás natural? 
É neste contexto que, numa sábia entrevista ao jornal O País, o antigo presidente moçambicano Joaquim Chissano veio dizer que “é preciso aprofundar as causas da guerra em Cabo Delgado”. Exactamente.

sábado, 3 de outubro de 2020

Trump brincou com o fogo e chamuscou-se

Passadas 24 horas sobre a declaração de Donald Trump de que estava infectado por covid-19, o assunto tornou-se tema de primeira página da imprensa mundial, mas não deixa de ser intrigante o facto dos jornais de referência americanos não terem divulgado ontem esta notícia, certamente porque duvidavam dela. Hoje, a questão parece mais clara, até porque Trump foi hospitalizado e começam a traçar-se cenários para o que possa acontecer até ao dia das eleições de 3 de Novembro. Joe Biden, o adversário de Trump fez uma elegante declaração a desejar a recuperação do Donald e da Melania e a alertar a sociedade americana para os riscos que corre por não cumprir os preceitos mínimos para evitar o contágio pelo covid-19.  
Algumas das notícias publicadas acentuam o desleixo e a fanfarronice do Donald e recordam as suas declarações erráticas sobre a crise pandémica. Um desses jornais é o britânico The Independent que reproduz em primeira página três das suas mais recentes declarações:

21 Setembro - It affects virtually nobody. It’s an amazing thing.

29 Setembro - I don’t wear a mask like him [Biden]. Every time you see him, he’s got a mask.

2 Outubro - Tonight… I tested positive for Covid-19

Significa, portanto, que Donald Trump brincou com o fogo e chamuscou-se. Porém, no aspecto político e em relaçâo à campanha eleitoral, ainda é cedo para saber como vai reagir o eleitorado americano, embora estejam preparadas estratégias para que o Donald tire partido da situação. Uma delas poderá ser a sua recuperação e outra poderá ser o aparecimento de uma milagrosa vacina, que tantas vezes anunciou para proteger do covid-19. Como alguém já disse, esta situação é apenas mais uma que mostra bem o declínio da América.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Donald Trump tem ou não tem covid-19?

A notícia de que Donald Trump e a sua mulher Melania estavam infectados por covid-19 não surpreendeu, embora possa não ser verdadeira. O fanfarrão é um mentiroso incorrigível e tem desafiado o bom senso em palavras e em comportamentos, não só quando sugeriu que se injectasse desinfectante para tratar o covid-19, mas também quando aparece em público sem máscara e critica jocosamente aqueles que a usam. Durante meses, o Donald desvalorizou a gravidade da pandemia que já matou mais de duzentas mil pessoas nos Estados Unidos e participou em comícios em que não foi respeitado o uso de máscara, nem o distanciamento social. Nas últimas semanas, em plena campanha eleitoral, tem dito que “a pandemia está próxima do fim” e que uma vacina está mesmo a chegar. Os efeitos desta notícia – que relata um facto verdadeiro ou não – são imprevisíveis. O mundo comunicacional e a esfera mediática estão altamente contagiados por fake news e há muita gente a duvidar da veracidade desta notícia. Hoje o New York Post e alguns outros jornais noticiam a infecção do Donald mas, surpreendentemente, as edições de hoje dos jornais The Washington Post, The Wall Street Journal e The New York Times não a referem, o que só pode significar que não acreditam ou que querem ter prova mais firme da sua veracidade. Em plena campanha eleitoral e a correr sérios riscos de não ser reeleito, este anúncio de Donald Trump gera muita desconfiança e tem boas probabilidades de ser mais uma das suas mentiras difundidas pela rede social Twitter. No entanto, há que esperar para saber o que diz a imprensa americana nos próximos dias. Ou será que o Donald e a Melania estão a encenar esta infecção para depois serem curados pela vacina que ele prometeu que iria aparecer antes de 3 de Novembro?

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Reacende-se o conflito na Catalunha

Depois que, no dia 27 de Outubro de 2017, o Parlamento da Catalunha aprovou a Declaração de Independência da Catalunha e declarou a fundação da República Catalã, o governo espanhol demitiu Carles Puigdemont que presidia à Generalitat de Catalunya, com base no artigo 155º da Constituição espanhola de 1978. Em vez de enfrentar a Justiça, Puigdemont escolheu a fuga e o exílio na Bélgica e o ambiente político catalão serenou. Vieram depois as eleições legislativas de 21 de Dezembro de 2017 que deram a maioria absoluta aos partidos independentistas com 47,5% dos votos, enquanto os partidos unionistas tiveram 43,5%. Apesar do partido mais votado ter sido o Ciudadanos com 25,35% dos votos, o independentista Quim Torra veio a ser empossado como presidente da Generalitat com o apoio dos partidos independentistas (Juntos pela Catalunha, Esquerda Republicana e Candidatura de Unidade Popular). 
Tal como o seu antecessor, também Quim Torra optou por uma presidência de confronto com o estado espanhol e hostilidade à Monarquia, tendo decidido não cumprir as ordens da Junta Eleitoral da Catalunha para que fossem removidos os símbolos independentistas dos edifícios públicos da Generalitat, designadamente os laços amarelos que simbolizam o movimento independentista catalão. Esta Junta condenou Quim Torra a um ano e meio de inabilitação por desobediência, que veio agora a ser confirmada pelo Supremo Tribunal que considerou que Torra mostrou uma “contundente, reiterada, contumaz e obstinada” desobediência às ordens da Junta Eleitoral Central. Naturalmente, Quim Torra pode e irá recorrer desta decisão, mas o que este caso vem mostrar é que o conflito catalão apenas tem estado adormecido.

O elogio ao modelo de combate à crise

Ursula Von der Leyen, a alemã que preside à Comissão Europeia, chegou ontem a Lisboa para a sua primeira visita oficial a Portugal e, durante essa visita de dois dias, já visitou diversas instituições e, hoje, participará na reunião do Conselho de Estado, a convite do venerando Chefe do Estado. A presidente da Comissão Europeia parece gostar de Portugal e nos seus discursos, sobretudo no Parlamento Europeu, tem-se referido várias vezes a Portugal como um exemplo em vários domínios. Ontem, elogiou Portugal por ter mudado eficazmente o seu mix de energia para um modelo mais sustentável e por se ter tornado uma referência no mundo digital, sobretudo a cidade de Lisboa. Porém, o que mais impressionou nas suas declarações foi o elogio feito por Ursula Von der Leyen ao “modelo português de combate à crise”, como salienta hoje o Diário de Notícias. Certamente que essas palavras foram estimulantes para o governo e, sobretudo, para a Direcção-Geral da Saúde (DGS), que tanto tem sido criticada por alguns dos especialistas que a SIC alimenta, dos quais distingo o pequeno Marques Mendes e o ideólogo interesseiro José Júdice. O comentador Marques Mendes tem criticado o governo e a DGS por “facilitismo” e afirmou que a DGS “anda a correr atrás do prejuízo”, enquanto o comentador JJ tem recorrido a uma narrativa fantasiosa para criticar toda a acção, para ele errada da DGS, reclamando mesmo a demissão de Marta Temido e de Graça Freitas. Com os elogios de Ursula Von der Leyen à estratégia portuguesa de combate à pandemia, estes dois comentadores foram desmascarados. Não passam de uns vulgares panfletários. Não merecem aparecer nos nossos televisores. Será que Júdice vai agora exigir a demissão da presidente da Comissão Europeia? E será que Marques Mendes baixa a voz e abandona os seus ridículos tiques de comentador televisivo?

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A incerteza domina o confronto americano

Estamos a trinta e poucos dias das eleições presidenciais americanas e, na sua última edição, a revista alemã Der Spiegel trata do show down (confronto) entre Donald Trump e Joe Biden ou entre o schamios (desavergonhado) e o harmios (inofensivo). No dia 3 de Novembro votam os chamados “pequenos eleitores” para escolher os delegados que formarão o colégio eleitoral de 538 membros ou “grandes eleitores”. As últimas sondagens nacionais continuam a ser favoráveis a Joe Biden com uma margem de cerca de oito pontos percentuais, mas os dois candidatos estão tecnicamente empatados nos principais swing states ou estados decisivos, isto é, a Califórnia, o Texas, a Florida e Nova Iorque, pelo que todos recordam que foi nesses estado que perderam Al Gore em 2000 e Hillary Clinton em 2016, apesar de terem tido mais votos que os seus adversários no apuramento global do país. Há apenas dois estados que são a excepção à filosofia de “quem vence leva tudo”, que são o Maine e o Nebraska, em que os delegados eleitos podem ser representantes de diferentes candidatos. Nas últimas semanas, para além dos sucessivos insultos que dirige a Joe Biden, o Donald tem sido confrontado com sérias acusações vindas da sua irmã que o considera mentiroso e cruel e vindas de uma investigação do New York Times que verificou que ele não pagou impostos em dez dos últimos quinze anos. Porém, todas as incertezas continuam presentes na corrida presidencial americana, que tão importante é para o mundo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Can you trust a covid vaccine?


A pandemia do covid-19 despertou uma verdadeira corrida para a descoberta de uma vacina que impeça o contágio pelo vírus e, por todo o mundo, a indústria farmacêutica e os laboratórios envolveram-se numa corrida contra o tempo para ganhar esse desafio. A importância desta corrida é incomensurável porque, para além dos aspectos sanitários que evitem a propagação da pandemia, também há enormes interesses económicos em jogo e os interesses políticos entraram em campo, sobretudo na corrida eleitoral americana, onde parece que a vacina ou a falta dela, irá determinar quem será o próximo presidente dos Estados Unidos que anunciou que ela aparecerá antes das eleições de 3 de Novembro. A Rússia e a China, por razões económicas e de prestígio, também têm feito tudo para se afirmar ao mundo nesta luta, anunciando ambos que a vacina aparecerá dentro de poucas semanas e informando que já têm reservas ou vendas de milhões de doses da vacina por que se espera. Algumas notícias que circulam referem mesmo que haverá 180 vacinas em teste em todo o mundo, mas as principais candidatas à invenção da vacina parecem ser a parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica britânica AstraZeneca, mais a farmacêutica americana Moderna, bem como a parceria entre as farmacêuticas americana Pfizer e alemã BioNTech, para além de vários laboratórios chineses e a já anunciada vacina russa, que já terá sido encomendada por vinte países. Até uma empresa de biotecnologia com sede no Parque Tecnológico de Cantanhede e que usa o nome Immunethep, anunciou a criação de uma vacina portuguesa. Tanto a OMS, como as agências nacionais que avaliam os medicamentos em cada país têm pedido cautelas e pressionado para que não haja precipitações até que os testes clínicos e outros estudos forneçam as evidências científicas que comprovem que a vacina é eficaz e segura, segundo os critérios cientificamente aceites. Por tudo isto, a revista Newsweek diz que, na presente conjuntura, a vacina é “um tiro no escuro” e deixa um aviso: podemos confiar numa vacina destas?

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

O que dizem os comentadores da treta

Todas as estações televisivas portuguesas têm comentadores que, em princípio, são especialistas numa coisa qualquer, como a política, o futebol, o ambiente e outras matérias. Uns são mais apreciados e outros são menos apreciados pelo público, mas cada um deles esforça-se por agradar de forma a ter as audiências que lhe garanta o seu lugar de comentador que, segundo consta, é muito bem remunerado. Entre os comentadores contratados pela SIC, está o advogado José Júdice ou JJ que, sabe-se lá sabe por que razão, preenche um espaço de comentário na edição da noite da SIC Notícias a que dá o nome de “As Causas”. Podia ser interessante, mas não é. Com o seu auto-convencimento e a sua vaidade, o comentador JJ cansa quem o escuta porque recorre demasiadas vezes ao eu - eu disse, eu tinha dito, eu avisei. Além disso, fala sobre muitas coisas que não sabe, mas fá-lo sempre com um ar panfletário e de entendido, que muito o ridiculariza. A SIC merecia melhor. O comentador JJ é um demagogo e um manipulador. Não é independente nos seus comentários. Nos graves tempos de pandemia que atravessamos, tem criticado com severidade a Direcção-Geral da Saúde e os seus responsáveis, escondendo-se atrás de uma pseudo-barreira de anónimos epidemiologistas, médicos, estatistas, economistas, matemáticos, psicólogos e outros especialistas que, segundo diz, o contactam e o ajudam. Vai daí, passa a mostrar gráficos que nem sabe interpretar, mas que comenta como se soubesse, apenas para impressionar os mais distraídos. Este JJ é mesmo um verdadeiro comentador da treta. O antigo membro do MDLP e, por acaso, advogado ou ex-advogado de Isabel dos Santos, ainda tinha algum prestígio, mas com esta sua ânsia de protagonismo mediático resvalou para a valeta do ridículo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A abençoada chuva que chegou a Brasília

Após 119 dias de seca absoluta, choveu na cidade de Brasília e foi uma festa, uma grande festa, porque foi atravessado o oitavo período mais longo de seca no Distrito Federal. O Correio Braziliense publicou uma interessante fotografia alusiva ao acontecimento e deu-lhe honras de primeira página. A população, na qual se incluem pessoas que nos são próximas, vinha sofrendo com o calor, a exposição solar e a carência de humidade, o que tornava o clima bastante penoso e quase insuportável, mas a forte chuva de ontem em toda a cidade foi uma benção que deu origem a uma euforia geral com grandes celebrações, até porque as previsões apontam para mais precipitação nos próximos dias. Naturalmente, a chuva também causou algumas inundações e perturbações no tráfego, com os habituais acidentes rodoviários que acontecem nestas circunstâncias, para além de ter alterado um pouco da paisagem urbana com as pessoas a fazer uso de guarda-chuvas e de casacos impermeáveis. Não surpreenderá que um dia destes apareça o Jair Bolsonaro a reclamar o mérito da chegada da abençoada chuva a Brasília e a dizer que ela resultou da sua acção. Agora é assim. Um pouco por todo o mundo, entrou-se numa perigosa deriva populista em que as coisas boas que acontecem se devem ao mérito dos líderes, enquanto as coisas más resultam do boicote ou da sabotagem dos outros. Só que, embora muitos alinhem nessa deriva populista, alguns exageram.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Madrid: trégua para enfrentar a pandemia

A Comunidad de Madrid é uma das 17 comunidades autónomas da Espanha, tem cerca de seis milhões e meio de habitantes e é governada desde Agosto de 2019 por Isabel Diaz Ayuso, que é militante do Partido Popular (PP). No dia 31 de Janeiro de 2020, menos de seis meses depois da sua tomada de posse, surgiu na Espanha o primeiro caso de covid-19 e, cerca de oito meses depois, a situação agravou-se com uma segunda vaga da epidemia em que o último registo assinala 14.389 novos casos num só dia! Porém, a crise pandémica não está igualmente distribuída pelo país e o vírus parece ter-se instalado na Comunidad de Madrid e na própria capital, que hoje são consideradas como uma das áreas mais afectadas da Europa, com um registo de 108.374 infectados e 8.546 óbitos (enquanto em Portugal estão assinalados 69.200 casos e 1.920 óbitos). 
O facto de Madrid ser, ao mesmo tempo, a sede do governo socialista de Pedro Sánchez e do governo popular de Isabel Ayuso, tem sido objecto de luta política entre o PSOE e o PP. No entanto, confrontados com a realidade, o primeiro-ministro espanhol (de esquerda) e a presidente da região de Madrid (de direita) acordaram no apaziguamento ideológico e no reforço da luta epidemiológica, tendo criado um grupo covid-19 para planear e coordenar as respostas necessárias ao controlo da pandemia. Acordaram numa trégua, como refere hoje o jornal ABC e Pedro Sánchez declarou que este grupo funcionará sob um princípio de coordenação e que não haverá lugar a disputas hierárquicas entre os representantes do governo nacional e do governo regional, ou entre o PSOE e o PP. Quem sabe se esta trégua ou este acordo não teria poupado muitas vidas se tivesse sido feito há mais tempo

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Uma estrela eslovena brilhou em França


O ciclista esloveno Tadej Pogacar completa hoje 22 anos de idade e ontem ganhou a 107ª edição da Volta à França. Desde 1904 que o Tour não tivera um vencedor tão jovem e a imprensa que acompanhou a prova não poupa nos adjectivos com que o classifica, pois Pogacar cometeu a proeza de bater o seu compatriota e super-favorito Primoz Roglic, mas também de ganhar três das quatro classificações importantes - a camisola amarela, a camisola branca e a camisola de líder da montanha – o que só o lendário ciclista belga Eddie Merckx tinha conseguido. Foram percorridos 3.482 quilómetros em 21 etapas, foram subidas muitas montanhas nos Pirinéus e nos Alpes, mas acabou por ser no contra-relógio do penúltimo dia e nuns escassos 36 quilómetros, que tudo se decidiu entre os dois eslovenos.

A Eslovénia está em festa e a partir de ontem tem um novo herói nacional.

Tadej Pogacar teve a sua primeira vitória como profissional em 2019 na Volta ao Algarve, que o seu compatriota Primoz Roglic vencera em 2017. Sucederam-se outras vitórias e esta ano estreou-se na Volta à França, vestindo a camisola da UAE Team Emirates. A cobertura televisiva esteve à altura do grande acontecimento desportivo e, apesar da agressividade da pandemia em toda a França, o público acorreu às estradas para ver a prova favorita dos franceses.

Terminaram a corrida 146 ciclistas e o português Nelson Oliveira foi muito discreto e, certamente, fez tudo o que os seus patrões lhe encomendaram. Chegou ao fim da prova no 55º lugar a três horas e um minuto de Tadej Pogacar.