quinta-feira, 25 de julho de 2024

Paris 2024 também é um acto cultural

Em vésperas da abertura oficial dos Jogos Olímpicos, sucedem-se as reportagens na imprensa sobre os seus aspectos desportivos, mas também outros aspectos que lhe estão associados, sobretudo de ordem política, económica, logística, cultural e diplomática. 
O pequeno Emmanuel Macron que tem acumulado tantos desaires políticos internos e internacionais, tem agora a oportunidade de ocupar o centro do mundo e brilhar à sombra dos 330 metros da altura da Tour Eiffel. Por isso, organizou uma grande festa de inauguração, a realizar no rio Sena, tendo convidado os presidentes das maiores multinacionais do mundo que já lhe garantiram 15 mil milhões de euros de investimento e um cortejo numeroso de líderes mundiais que lhe comprarão Airbus e material militar, mas nesse grupo faltarão Joe Biden, Vladimir Putin, Xi Jinping e Lula da Silva, porque os tempos não estão para grandes festas. Porém, não faltará Marcelo Rebelo de Sousa com a sua comitiva de assessores, mais os seus jornalistas convidados.
Haverá por certo várias declarações, nomeadamente de Macron, a pedir um cessar-fogo em Gaza e na Ucrânia, mas a França é um dos principais fornecedores de armamento a Israel e à Ucrânia, o que significa que muitos dos pedidos de tréguas ou de cessar-fogo que venham a ser feitos, são meros exercícios de retórica, ou mesmo de hipocrisia.
No entanto, nenhum destes comentários retira importância nem destaque à parte desportiva dos Jogos Olímpicos, como mostra a edição de hoje do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias que, sendo o mais importante órgão de comunicação português na área cultural, reconhece nesta sua edição a grandeza cultural dos Jogos Olímpicos. E faz muito bem!

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Aí estão os Jogos Olímpicos de Paris 2024

Na próxima sexta-feira, dia 26 de julho de 2024, serão oficialmente inaugurados os Jogos da XXXIII Olimpíada, designados como Jogos Olímpicos de Paris 2024, que decorrerão até ao dia 11 de agosto. Será, certamente, o mais atraente espectáculo televisivo do ano, em que se concentrarão milhares de milhões de espectadores em todo o mundo.
Os tempos mudaram e já não são o que foram, quando em 1894 foram criados pelo Barão Pierre de Coubertin e em que o espírito dominante assinalava que “o mais importante não é vencer, mas participar”. Agora, os 10.714 atletas que participarão em 32 modalidades desportivas nestes Jogos querem mesmo vencer, ganhar medalhas, regressar aos seus países como os heróis e acumular as suas contas bancárias.
Portugal participa nos Jogos Olímpicos desde a sua 5.ª edição, realizada em Estocolmo no ano de 1912 e, nesta 33ª edição, a comitiva olímpica portuguesa terá 73 atletas em que, pela primeira vez, haverá mais mulheres (37) do que homens (36), que irão competir em 15 modalidades, havendo a habitual esperança de alguns bons resultados.
Ontem o jornal i dedicou muitas páginas da sua edição às Olimpíadas de Paris e escolheu a fotografia do canoista Fernando Pimenta para a ilustrar, até porque é o atleta português sobre quem recai o maior favoritismo para uma vitória olímpica.
Desde a sua primeira participação olímpica em 1912 os portugueses já ganharam 28 medalhas, das quais cinco de ouro, nove de prata e catorze de bronze. 
Aqui fica a nossa homenagem aos nossos campeões olímpicos: Carlos Lopes (Los Angeles, 1984), Rosa Mota (Seoul, 1988), Fernanda Ribeiro (Atlanta, 1996), Nelson Évora (Pequim, 2008) e Pablo Pichardo (Tóquio, 2020). Haverá algum Fernando Pimenta que se possa juntar a esta lista?

terça-feira, 23 de julho de 2024

EUA: sai Joe Biden e entra Kamala Harris

As eleições presidenciais americanas são importantes para o mundo e é sabido como há muitos assuntos da política internacional que “esperam” pelos seus resultados, inclusive a paz em várias regiões do nosso planeta. A hipótese de se confrontarem os mesmos candidatos das anteriores eleições – Donald Trump e Joe Biden – tornou o presente processo eleitoral americano mais disputado e até mais emotivo.
Acontece que nos últimos dias se sucederam alguns acontecimentos relevantes, como o debate do dia 27 de junho em que Biden esteve desastrado, a tentativa de assassinato de Trump do dia 13 de julho e o anúncio da desistência de Biden no dia 21 de julho. As hostes democratas andavam divididas e desalentadas pois a escolha de Biden não era consensual devido à sua idade e ao seu estado de saúde. Com a sua desistência, em poucas horas surgiu a candidatura de Kamala Harris, a actual vice-presidente dos Estados Unidos, que logo devolveu a esperança aos Democratas, atacando Donald Trump com muita dureza, atraindo avultados apoios políticos e financeiros e garantindo a adesão da maioria dos delegados para a convenção democrata que se realizará entre os dias 19 e 22 de agosto, para escolher o candidato que concorrerá contra Donald Trump.
A imprensa americana está repartida entre os que entendem que com Kamala Harris a vitória de Trump será mais fácil e os que acreditam que o entusiasmo e o dinamismo de Harris vão derrotar Donald Trump. Será, certamente, um case study para ser acompanhado pelos estudiosos da sociologia política.
Hoje, a imprensa afecta aos Democratas encheu as suas primeiras páginas com a fotografia de Kamala Harris sorridente e determinada em inverter os números que são indicados pelas sondagens, com o Daily News a destacar que “Harris une os Democratas”.
Sem dúvida que a renúncia de Biden abriu uma nova página na corrida presidencial americana. Porém, porque Biden ainda estará na Casa Branca por mais seis meses, será de esperar que queira deixar o seu nome ligado a um grande acontecimento mundial, que apague esta sua derrota de julho de 2024.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

As eleições nos EUA e a renúncia de Biden

Depois das evidências que a televisão mostrou a respeito das debilidades físicas e cognitivas de Joe Biden e das pressões que sobre ele foram feitas para desistir da corrida à Casa Branca, este candidato presidencial dos democratas americanos tomou ontem a decisão que muitos esperavam. Invocando o bem do seu partido e do seu país, Joe Biden anunciou a desistência da sua candidatura e o apoio à sua vice-presidente Kamala Harris, que já aceitou o desafio de se candidatar mas que, naturalmente, ainda terá que aguardar a ratificação da sua candidatura pela convenção democrata que se realiza em agosto.
O caso é muito importante porque Joe Biden é o presidente em exercício e se aproxima a data das eleições. Por isso, logo que foi anunciada a sua decisão, as televisões portuguesas encheram-se de comentadores, de muitos comentadores, que trataram de especular sobre o futuro da corrida eleitoral, sobre o futuro da América e sobre o futuro do mundo. Numa altura em que os americanos e, sobretudo, as hostes democratas, ainda não sabem como “descalçar esta bota” surgida a menos de um mês da convenção democrata, neste canto ocidental da Europa vimos os nossos iluminados comentadores a mostrar aos americanos os caminhos que devem seguir.
O facto é que neste contexto de maior incerteza, parece que Donald Trump ganha alguma vantagem, mas também há quem defenda que a saída de Joe Biden vai levar o eleitorado a optar pela continuidade. É tudo muito imprevisível e serão os cidadãos americanos a fazer a escolha presidencial que vai determinar a evolução do mundo nos próximos quatro anos.

Grandes resultados do desporto português

O dia de ontem foi um grande dia para o desporto português, pelo conjunto de bons resultados internacionais conseguidos por atletas portugueses e o jornal A Bola destacou-os com o título “História de Portugal”. É caso para dizer que “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, embora o jornal não esqueça a sua intimidade com o futebol, pois o nome com maior destaque na sua primeira página é o do futebolista Pavlidis…
Ontem brilharam o ciclista João Almeida e o tenista Nuno Borges. O ciclista João Almeida tornou-se hoje o segundo melhor português de sempre na Volta a França, ao terminar em 4º lugar e consolidando-se como o sucessor de Joaquim Agostinho que se classificou em 3º lugar naquela prova em 1978 e 1979.
O ciclista da UAE Emirates foi o primeiro ciclista português a fechar as três grandes Voltas nos cinco primeiros lugares, já que também foi quarto na Vuelta 2022, terceiro no Giro 2023 e, agora, acabou em quarto no Tour 2024.
O tenista Nuno Borges venceu o Open de Bastad na Suécia, derrotando na final o espanhol Rafael Nadal pelos parciais de 6-3 e 6-2, o que representou a sua primeira final e a sua primeira vitória numa prova da Association of Tennis Professionals (ATP). Com esta vitória e logo sobre o famosíssimo Rafael Nadal, Nuno Borges tornou-se o segundo tenista português a vencer provas do circuito ATP, depois de João Sousa (Kuala Lumpur em 2013, Valência em 2015, e Estoril Open em 2018). 
Mas houve mais sucessos do desporto português neste fim-de-semana, pois a equipa nacional de hóquei em patins de sub-17 bateu a Espanha por 5-2 em Olot - Girona e tornou-se campeã da Europa naquela categoria. Já no andebol, na categoria de sub-21, a equipa portuguesa chegou à final do campeonato da Europa disputado em Celje, na Eslovénia, tendo perdido com a Espanha por 35-31 e ficado “apenas” com o título de vice-campeã europeia, embora já seja a terceira final que perde nesta competição.
Bom seria que estes resultados fossem inspiradores para a participação olímpica portuguesa que se aproxima…

domingo, 21 de julho de 2024

Um boné como símbolo de uma campanha

Os americanos estão a cerca de quatro meses de escolher o seu presidente, naquela que será a 60ª eleição presidencial dos Estados Unidos que, desde 1788, se realiza de modo ininterrupto, a cada quatro anos.
O processo iniciou-se com a apresentação individual das candidaturas do Partido Democrata, cujo símbolo é um burro, bem como do Partido Republicano, cujo símbolo é um elefante. Depois, entre Janeiro e Junho realizaram-se as eleições primárias em cada um dos cinquenta estados para seleccionar os delegados dos dois principais partidos políticos americanos, que iriam representar os diversos candidatos na convenção dos partidos.
Esses delegados escolhidos nas eleições primárias, participam nas convenções dos partidos que se realizam em julho e agosto, para nomear e aclamar o candidato de cada partido. A convenção republicana já se realizou em Milwaukee, entre os dias 15 e 18 de julho, tendo nomeado Donald Trump. A convenção democrata será realizada em Chicago entre os dias 19 e 22 de agosto e, até agora, tem o actual presidente Joe Biden como favorito à nomeação.
Porém, se a idade dos candidatos já era um preocupante problema nacional, alguns acontecimentos recentes vieram perturbar o normal andamento do processo eleitoral, nomeadamente o atentado contra Donald Trump e a cada vez mais evidente senilidade de Joe Biden. As sondagens estão a favorecer Trump e os republicanos já exibem o seu radicalismo triunfante, enquanto o democrata Joe Biden é pressionado para abandonar a corrida eleitoral. 
Os americanos estão preocupados e a edição de hoje da revista alemã Der Spiegel mostra que também há preocupações na Europa, ao publicar a imagem do boné e a referência à orelha ensanguentada de Trump como símbolos da sua campanha, perguntando se “os Estados Unidos estão ameaçados por uma guerra civil”, porque a figura de Donald Trump suscita tantos apoios como rejeições, sendo ambas demasiado perigosas. No mesmo sentido se expressa o jornal El País ao escrever que "un tornado politico de alcance imprevisible planea sobre EE UU".

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Mais cinco anos para Ursula von der Leyen

Ursula von der Leyen, uma política alemã com 65 anos de idade, foi ontem reeleita presidente da Comissão Europeia com 401 votos a favor, 284 votos contra, 15 abstenções e sete votos nulos. Precisava de 360 votos mas superou essa fasquia por 41 votos, significando que teve mais votos do que tivera em 2019, o que pode ser interpretado como uma grande vitória e uma prova de confiança no trabalho realizado durante o seu anterior mandato. Porém, apesar do voto ser secreto, esta eleição é o resultado do acordo celebrado entre algumas famílias políticas para os chamados top jobs (Conselho Europeu, Parlamento Europeu e Comissão Europeia). De qualquer forma, Ursula von der Leyen foi a escolha dos eurodeputados, embora tivesse recebido um significativo número de votos contra.
Durante o seu mandato de 2019 a 2024, a União Europeia estagnou por efeitos diversos, desde o covid-19 até ao conflito na Ucrânia, com Ursula von der Leyen a secundarizar os problemas dos europeus, designadamente as alterações climáticas, as migrações, a energia, a habitação, a demografia, a pobreza, a independência científica, a capacidade tecnológica, as concorrências chinesa e americana, mais outros tantos problemas, enquanto demasiadas vezes, mostrou um espírito belicista contrário à lógica de paz e de cooperação que levou à criação da União Europeia, que é um projecto de paz e de progresso. Em vez de ser o motor do desenvolvimento e do bem-estar dos europeus, a sua acção esqueceu-os e ela nada se esforçou na busca de soluções para fazer a paz na Ucrânia, mostrando-se obcessiva no apoio militar a Zelensky e subserviente em relação às orientações americanas. Além disso, ao contrário do que se esperava, sempre apoiou os excessos cometidos por Israel, sem se demarcar da violência ou criticar a crueldade que está a ser praticada contra o povo palestiniano.
A senhora von der Leyen pensa mais em guerra do que em paz. As indústrias militares agradecem-lhe. Como vão longe os tempos de Jean Monnet, que acreditava que o projecto europeu iria impedir novos conflitos militares na Europa, ou de Jacques Delors, que foi o principal arquitecto da unidade, do progresso e da paz na União Europeia.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Mbappé e os milhões do negócio do futebol

O Real Madrid C. F. que é o mais famoso clube de futebol do mundo e que já conquistou 15 títulos da Champions League, acaba de contratar o futebolista francês Kylian Mbappé por cinco temporadas. A sua apresentação no estádio Santiago Bernabéu aconteceu ontem perante mais de 80.000 entusiastas, um número semelhante ao que teve em 2009 a apresentação de Cristiano Ronaldo.
Como sempre acontece com as transferências dos grandes jogadores de futebol, os valores envolvidos neste negócio não são tornados públicos, embora a imprensa acompanhe este mercado e revele que este jovem de 25 anos de idade esteja cotado em 180 milhões de euros.
Segundo tem sido divulgado pela imprensa, o Real Madrid terá de pagar ao jogador um bónus de assinatura de contrato que a Sky Sports estima em 117 milhões de euros e que a BBC avalia em 150 milhões de euros, mas a este valor acresce um salário anual de 15 milhões de euros. Depois ainda há os direitos de imagem e os valores a receber como bónus, em função do desempenho do jogador e dos troféus conquistados pela equipa.
Estes números impressionam e, provavelmente, não têm nada de comparável em qualquer actividade empresarial, mostrando como o futebol se tornou um negócio de muitos milhões em que a parte desportiva parece ser secundária e servir para encapotar outros poderosos interesses.
Naturalmente, a imprensa espanhola que ainda anda excitada com a vitória espanhola no Euro 2024, também se concentrou na contratação e na apresentação de Mbappé. Porém, o acontecimento ultrapassou as fronteiras espanholas e chegou a outros países, como por exemplo à Venezuela, onde o diário desportivo Líder destacou a chegada a Madrid de Kylian Mbappé que, definitivamente, se tornou o sucessor de Messi e de Ronaldo.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Donald, o penso na orelha e as fake news

A tentativa de assassinato de Donald Trump, ocorrida no passado sábado durante um comício no estado da Pensilvânia, foi um acontecimento importante e encheu as primeiras páginas dos jornais de quase todo o mundo, porque é um caso de extrema violência política e se dirigiu a um ex-presidente do Estados Unidos, que é candidato à reeleição presidencial americana do próximo mês de Novembro.
O caso está a tornar-se em mais um case study porque, sob a influência das redes sociais, estão a proliferar as fake news ou a desinformação, que têm posto a circular as mais diversas interpretações sobre o que se passou, havendo afirmações de que o tiroteio teria sido encenado pela equipa de Trump, ou mesmo ordenado pelo presidente Joe Biden, que também é candidato presidencial. Segundo informações divulgadas como verdadeiras mas que ninguém autenticou, até o ex-presidente Barack Obama e os Clinton poderiam estar envolvidos nesta tentativa de assassinato. Até parece que vale tudo!
As teorias explicativas deste incidente são numerosas e dizem uma coisa e o seu contrário, propagam-se como verdades absolutas e cada uma tem objectivos específicos para favorecer alguém ou alguma coisa, através de conteúdos sensacionalistas e atraentes. Lá como cá, o telespectador, o ouvinte ou o leitor, tendem a perder a confiança no que vêem, no que ouvem e no que lêem, mas muitos acreditam religiosamente nas manipulações que lhes são servidas. Assim se vai moldando a opinião pública com inverdades e em benefício dos mais diversos tipos de interesses não explícitos.
A tentativa de assassinato de Donald Trump, que o próprio afirmou ter sido salvo “graças a Deus ou à sorte”, ainda vai fazer correr muita tinta. Porém, o “homem do penso na orelha” - tornado um herói e um símbolo de resistência à adversidade como o povo gosta - foi recebido em apoteose na Convenção Republicana em Milwalkee, que o confirmou como candidato presidencial e na qual anunciou o senador J. D. Vance como a sua escolha para vice-presidente.
Os americanos decidirão o que entenderem.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

España reina en Europa y Alcaraz también

A Espanha vive horas de grande euforia porque a sua selecção nacional de futebol – la roja – ganhou o Euro 2024, somando sete indiscutíveis vitórias em sete jogos. Ontem bateu a selecção da Inglaterra, depois de, sucessivamente, ter derrotado as selecções da Croácia, da Albânia, da Itália, da Geórgia, da Alemanha e da França. O triunfo espanhol resultou do valor dos seus jogadores e da coesão da equipa, não assentou em quaisquer polémicas e tem o aplauso unânime da crítica internacional.
Toda a imprensa espanhola alinha na enorme onda de entusiasmo que inunda o país, quase esquecendo o brilhantismo da vitória de Carlos Alcaraz sobre Novak Djokovic no Torneio de Wimbledon, enquanto a imprensa internacional centra a sua atenção na tentativa de assassinato de Donald Trump, um caso de violência política que que está a perturbar a América e a preocupar o mundo.
Porém, justificando os seus créditos como jornal de referência internacional, a edição de hoje do jornal El País destaca em primeira página esses três acontecimentos importantes para a Espanha, mas também para o mundo, com os seguintes títulos: “España reina en Europa”, “Alcaraz abre outra era en Wimbledon” e “el intento de asesinato a Trump sacude EE UU en plena campaña”. O jornal mostra como é possível identificar os assuntos que são notícia e informar com rigor, sem alinhar em sensacionalismos, nem em distorções com objectivos “cirúrgicos”, nem nas práticas cada vez mais comuns de desinformação.
Hoje, no meio do turbilhão de louvores e de discursos, por vezes demasiado exaltados e desproporcionados que toda a imprensa espanhola presta à la roja, o El País dá um exemplo de bom jornalismo. 

domingo, 14 de julho de 2024

Atentado contra Donald Trump e o futuro

Donald Trump, o ex-presidente dos Estados Unidos e que actualmente está na corrida presidencial contra Joe Biden, foi alvo de um atentado num comício que se estava a realizar em Buller, no estado da Pensilvânia. Ele discursava, quando foram ouvidos tiros no meio da multidão e se viu que Donald Trump levara a mão direita ao pescoço. As imagens entretanto divulgadas mostram que Trump foi atingido na orelha direita, que sangrou abundantemente, ao mesmo tempo que alguns agentes dos serviços secretos correram para o palco para o proteger. Segundo foi divulgado pelo próprio, o candidato presidencial está fora de perigo.
As consequências políticas deste acontecimento são evidentes e vão beneficiar Trump, consolidando o seu favoritismo para chegar à Casa Branca. Até parece que foi uma montagem destinada a favorecê-lo, mas o jornal The Washington Post foi claro ao noticiar que, segundo o FBI, “o tiroteio em comício de Trump foi tentativa de assassinato”.
Trata-se de mais um caso da extrema violência que atravessa a sociedade americana, neste caso com contornos políticos, cujas consequências se assemelham ao que aconteceu no Brasil em 2018 quando Jair Bolsonaro foi esfaqueado, vindo a vencer as eleições presidenciais brasileiras que se realizaram um mês depois.
Numa altura de grande preocupação universal, como se viu nas conclusões da recente cimeira da NATO e na cegueira de tantos dirigentes mundiais, na guerra da Ucrânia e no continuado massacre do povo palestiniano, no agravamento das consequências das alterações climáticas e na subserviência europeia aos interesses americanos, a tentativa de assassinato de um candidato presidencial americano, tal como o atentado em Maio contra o primeiro-ministro da Eslováquia Robert Fico, mostram como está a intolerância política. 
No caso dos Estados Unidos, que é a mais poderosa nação do mundo, a preocupação é naturalmente maior com tudo o que vamos sabendo sobre a corrida presidencial.

Tadej Pogačar, o ídolo mundial do ciclismo

A 111ª edição do Tour de France está a decorrer e ontem disputou-se a 14ª etapa entre Pau e a estância de Saint-Lary-Soulan, ou pla d’Adet, nos Pirinéus franceses. Depois de subirem várias montanhas, incluindo o famoso Col du Tourmalet, os ciclistas aproximavam-se da meta quando o esloveno, que enverga a camisola amarela e se chama Tadej Pogačar, decidiu arrancar. Estava a cerca de cinco quilómetros da meta e ninguém o conseguiu acompanhar. O dinamarquês Jonas Vingegaard ficou a 39 segundos e o belga Remco Evenepoel chegou 01.10 minutos depois. O português João Almeida, que é companheiro de equipa de Pogačar, conseguiu chegar à meta com um atraso de 01.31 minutos, o que lhe permitiu conservar o 4º lugar da classificação geral.
Vários jornais franceses e espanhóis destacaram a vitória de Tajed Pogačar no pla d’Adet, com fotografias de primeira página, como aconteceu com o L’Esportiu, que se publica em Barcelona. De facto, estamos perante um campeão de eleição. que já é um ícone do ciclismo mundial.
Porém, para além dos aspectos desportivos e competitivos, o aspecto porventura mais relevante desta e das outras etapas do Tour de France é a sua realização televisiva, pois permite viver o desenvolvimento e a emoção da prova, mas também a beleza das paisagens, a monumentalidade do património e a entusiástica adesão popular à prova.
Hoje há mais e os ciclistas terão que subir cinco montanhas de 1ª categoria! Desejamos e até esperamos um bom desempenho de João Almeida.

sábado, 13 de julho de 2024

Brest 2024 Maritime Festival

O Brest 2024 Maritime Festival iniciou-se ontem, vai prolongar-se até ao dia 17 de julho e, como destaca na sua edição de hoje o jornal Le Télégramme, “les brestois pavoisent”, isto é, o povo de Brest exibe-se e mostra toda a sua vocação atlântica.
Brest é a cidade mais ocidental da França, localiza-se na Bretanha e é a sede do departamento da Finisterra. O mar e o Atlântico fazem parte da sua identidade cultural e, oito anos depois da sua última edição, está de volta o já famoso Festival Marítimo Internacional de Brest, agora na sua 8ª edição, reunindo “uma multidão de barcos de todo o mundo”, do passado e do presente, cuja presença mostra as diferentes formas pelas quais se navegou ao longo do processo histórico e como é diversa a herança cultural marítima dos povos.
Destaca-se a presença de alguns navios classificados como tall ships, provenientes de diversos países europeus, entre os quais se anuncia a presença do Santa Maria Manuela, um lugre de quatro mastros português. Porém, a organização tem insistido que o Festival Marítimo Internacional de Brest é muito mais do que um encontro de navios e embarcações, pois preparou um programa para todos os públicos que envolve música, dança, artes de rua, workshops, gastronomia, visitas a navios, desfiles e outras actividades dirigidas aos milhares de visitantes que a cidade e o porto de Brest vão receber.
Depois das frustrações futebolísticas que vieram fdo Euro2024 e das emoções políticas e eleitorais por que passaram nos últimos tempos, os bretões e o povo de Brest talvez se possam divertir.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

75 anos da NATO: a cimeira e a apreensão

Decorreu ontem e anteontem em Washington, a cimeira da NATO que assinalou o 75º aniversário da organização criada em 1949, da qual Portugal é um dos fundadores. 
Segundo foi divulgado, a cimeira tratou especialmente da guerra na Ucrânia, que resultou da invasão russa de Fevereiro de 2022, mas também tratou dos desafios resultantes do forte investimento militar da China e da coesão política entre os membros da NATO. Não sabemos se houve discursos dissonantes, sobretudo por parte de Viktor Órbán e até de Justin Trudeau, como hoje sugere a capa do jornal canadiano National Post, que se publica em Toronto. 
Os chefes de Estado e de governo presentes comprometeram-se com um mínimo de 40 mil milhões de euros para apoiar o esforço de guerra ucraniano, mas parece que nem todos assumiram esse compromisso.
Joe Biden esteve a “fazer prova de vida” em vésperas das eleições americanas e tratou de dizer que “a Ucrânia vai travar Putin” e que “vamos defender cada centímetro da aliança”, esquecendo-se que em Novembro pode haver outras ideias na Casa Branca. Porém, a grande surpresa da cimeira terá sido a declaração de Jens Stoltenberg, o secretário-geral da NATO em fim de mandato, que garantiu o apoio à Ucrânia para a sua futura integração na NATO. Em Moscovo esta declaração foi considerada uma “grave ameaça para a segurança nacional russa” porque a Rússia sempre recusou a expansão da NATO para a Ucrânia e vê agora ser afirmada a garantia da sua futura integração na NATO. Até parece uma declaração de guerra. A Rússia reagiu a essa declaração, acusou a NATO de estar "totalmente envolvida no conflito com a Ucrânia" e os Estados Unidos e a Europa de não serem partidários do diálogo, nem da paz, apostando na confrontação. A cimeira também acusou a China de ser “facilitador da guerra”, pelo que esta condenou a declaração da NATO, acusando-a de usar “retórica beligerante” e de “incitar ao confronto” entre blocos. 
Entretanto, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que esteve na cimeira, manifestou-se apreensivo e assumiu que a perspectiva de um conflito directo entre a NATO e o Kremlin é muito preocupante. Também me parece.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

As sucessivas derrotas políticas de Macron

A França é um país muito instável do ponto de vista político, como se verificou nas recentes eleições parlamentares. Na 1ª volta, realizada no dia 30 de junho, o Rassemblement National ou Frente Nacional, assumidamente de extrema-direita, foi a força mais votada, o que deu origem a protestos, confrontos e distúrbios, bem como a uma enorme mobilização das forças políticas que a combatem. Na 2ª volta, realizada no dia 7 de julho, a situação inverteu-se e a Nova Esquerda Popular, uma coligação de esquerda que reúne a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon, com socialistas, ecologistas e comunistas, foi o grupo mais votado e conseguiu eleger 182 deputados numas eleições que bateram recordes de afluência às urnas. A coligação Ensemble, que inclui o partido Renascença do Presidente Emmanuel Macron, apareceu em segundo lugar, tendo conseguido eleger 168 deputados. Seguiu-se o Rassemblement National de Marine Le Pen e Jordan Bardella, que passou de 88 para 143 deputados, o que sendo um crescimento significativo, foi uma enorme decepção pois ficou aquém das perspectivas sugeridas na 1ª volta. 
O Parlamento francês ficou fragmentado ou tripartido e nenhum dos partidos ou coligações vai poder assegurar os 289 lugares necessários para criar uma maioria absoluta num Parlamento com 577 deputados. Emmanuel Macron está, por isso, a passar por grandes dificuldades e o jornal Le Figaro, escolheu como título de primeira página a frase “la coalition introuvable”, isto é, a coligaçao que não se encontra. Dizem os especialistas que Macron teve uma vitória eleitoral porque travou o avanço da extrema-direita, mas outros dizem que sofreu uma grande derrota pois forçou a realização de eleições antecipadas que levaram o país para uma situação que pode vir a tornar-se caótica. O facto é que ninguém sabe como se vai sair deste imbróglio.
O sonho que Macron alimenta, desde há muito tempo, de se tornar uma figura de referência na Europa, sofreu mais um duro revés.