quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Foi aberto o caminho da paz na Ucrânia?

Donald Trump e Vladimir Putin conversaram ontem por telefone e, entre outros assuntos, trataram da guerra na Ucrânia que o presidente americano tem dito, repetidas vezes, que não se teria iniciado se ele estivesse na Casa Branca e que seria capaz de lhe pôr fim, apenas com uma chamada telefónica para Putin e para Zelensky
Qualquer destas afirmações devem ser entendidas como metáforas, mas o facto é que Trump e Putin conversaram ontem e que essa conversa pode ter aberto o caminho ao fim da guerra na Ucrânia.
Depois de mais de dez anos de conflito e de quase três anos de guerra, de milhares de mortos, de incontáveis fornecimentos de armamento e de uma intensa propaganda destinada a iludir as opiniões públicas com a ideia de que alguém podia vencer a guerra, Donald Trump veio atirar uma pedrada no charco e falou com Putin, como era desejável, pois pode ser o início de um período de maior contenção mundial.
Dessa conversa que “foi longa e muito produtiva”, resultou que “as negociações sobre a guerra na Ucrânia vão começar imediatamente” e que ambos concordaram em “visitarmo-nos nos nossos países”. Trump falou depois com Volodymyr Zelensky, a quem terá anunciado que a adesão à NATO “não era realista” e que as fronteiras de 2014, com a Crimeia e o Donbass, seriam para esquecer. Os falcões europeus foram completamente desautorizados e ficaram mudos, enquanto Zelensky parece ter sido posto de lado e estará agora a pensar como tem sido enganado. A imprensa internacional ainda mostra prudência no acolhimento das propostas de Trump, embora o jornal Público publique uma fotografia de arquivo na primeira página da sua edição de hoje, em que Trump e Putin sorriem como se já estivessem a negociar.
Os líderes europeus, bem como os nossos comentadores alinhados, estão desorientados porque não queriam a paz e nunca deixaram de exigir mais e mais armamento. Porém, tudo parece caminhar no sentido da paz e não no sentido que muitos deles vaticinaram. Vamos esperar para ver...

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

O legado singular de Carlos Paredes

No próximo domingo, que é o dia 16 de Fevereiro, o grande Carlos Paredes - que a última edição do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias classifica como “o génio da guitarra” - completaria 100 anos de idade.
Carlos Paredes nasceu em Coimbra e foi um dos mais importantes e influentes músicos portugueses do século XX, tendo sido um talentoso criador de um repertório original que levou ao mais alto nível as possibilidades da guitarra portuguesa. Activo oposicionista ao regime do Estado Novo, foi preso pela Pide em 1958, tendo estado preso no Aljube e no Reduto Norte do Forte de Caxias, durante cerca de 15 meses.
Com a sua arte e a sua inspiração, Carlos Paredes emocionou os  portugueses rendidos ao seu virtuosismo e influenciou gerações de músicos nacionais e internacionais, contribuindo para a popularização da guitarra portuguesa junto de vastas audiências.
Por tudo o que representa na cultura portuguesa, está em curso um programa para assinalar os 100 anos do seu nascimento e celebrar o seu legado, que inclui mais de uma centena de concertos, colóquios, filmes, oficinas e um plano de salvaguarda e divulgação da sua obra. O programa intitula-se “Variações para Carlos Paredes” e vai estender-se pelos próximos meses por todo o país, mas também por 17 cidades de 12 países em quatro continentes, incluindo Xangai, Pequim, Osaka, Buenos Aires, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Madrid e Sevilha. Vai ser mesmo um festival itinerante da cultura portuguesa e o nosso país bem precisa de se mostrar ao mundo como exemplo de uma comunidade com vida cultural.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Muito armamento vem comprando a Índia

A Índia é o mais populoso país do mundo com 1.441 milhões de habitantes que correspondem a cerca de 18% da população mundial, é a quinta maior economia do mundo e tem muito território, muitos recursos naturais, muitas línguas, muitas religiões e muita ambição. Depois de ter sido a “jóia da Coroa” do Império Britânico, tornou-se independente em 1947 e, passo a passo, tem subido os degraus do desenvolvimento, que tornaram um país pobre e subdesenvolvido numa potência regional com capacidade nuclear.
Desde há mais de três décadas que a Índia tem apostado na modernização das suas Forças Armadas, que são um dos símbolos da unidade e coesão nacionais de um país culturalmente tão diverso, através de uma dinâmica indústria de defesa, mas também da aquisição de meios militares no estrangeiro. Assim, a Índia é o maior importador de armas convencionais entre os países em desenvolvimento e, entre os seus fornecedores, estão a Rússia, os Estados Unidos, a França, Israel, o Reino Unido e a Chéquia. Nesse sentido, todos os anos a Índia é visitada oficialmente por muitos Chefes de Estado e primeiros-ministros que, a coberto do reforço da relação diplomática bilateral, querem vender os Sukhoi Su-57, os Lockheed Martin F-35, os Mirage-2000, os Dassault Rafale ou os Panavia Tornado, mas também os Antonov An-70, os C-130 Hercules, os Embraer KC-390 ou os Airbus A400M Atlas. É sempre um corrupio. 
Porém, para além dos contactos de alto nível e das contrapartidas de diversas ordens que são ajustadas entre as partes, as regras do marketing também recomendam que se sensibilizem as opiniões públicas através de anúncios publicitários. É exactamente o que faz hoje a Airbus Defence and Space, ao publicitar o Airbus A400M Atlas na edição do prestigioso The Times of India.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Ucrânia: quem pode acabar com a guerra?

No dia 22 de Fevereiro de 2022 as tropas russas às ordens de Vladimir Putin iniciaram uma “operação militar especial” em território ucraniano, o que representou uma escalada num conflito que decorria desde 2014. Desde então, passaram quase três anos e muitas vidas se perderam, muita gente perdeu o sentido para a sua vida, muitas infraestruturas foram destruídas e muito dinheiro foi gasto. Exceptuando o Papa e o Secretário-geral das Nações Unidas, poucas foram as vozes que reclamaram o cessar-fogo, a negociação e a paz, mas inversamente, muitas outras vozes dos dois lados da barricada, trataram de reclamar mais armamento e de afirmar que lutavam pela vitória. A propaganda tem alimentado o conflito e sabe-se pouco sobre o que realmente se passa no terreno e nas chancelarias, mas como já se viu desde há muito tempo, não haverá vencedores nesta guerra, que é uma tragédia e uma ameaça à paz mundial.
O jornal francês La Dépêche du Midi evocou ontem essa trágica guerra, mostra Zelensky e Putin na sua primeira página e pergunta se é “o princípio do fim”, quase apelando a negociações. Porém, a questão tem uma dimensão muito mais alargada e é bem mais complexa.
A NATO avançou demasiado para oriente depois de 1999 e, tal como Kennedy em 1962 não quis mísseis nucleares russos em Cuba, também Putin não quer mísseis americanos em solo ucraniano. Putin é teimoso e perigoso. A União Europeia conspirou, não teve vontade própria e foi pequenina tal como Macron e Von der Leyen. Volodymyr Zelensky tem sido o resistente ucraniano, mas é cada vez mais um instrumento dos interesses americanos, conforme agora revela a “doutrina Trump”. A sua voz começa a revelar desespero e a ser cada vez menos importante, tanto interna como externamente, pois as opiniões públicas dos seus aliados mostram cansaço e os apoios diminuem. 
Então, se Putin e Zelensky não se entendem, que sejam Putin e Trump a entenderem-se para acabar rapidamente com esta guerra que bem podia ter sido evitada.

Uma tragédia para o património da Bahia

Desabou o tecto da Igreja de São Francisco de Assis, na cidade brasileira de Salvador, a capital do estado da Bahia que foi criada pelos portugueses com o nome de São Salvador da Bahia de Todos-os-Santos e o jornal baiano Correio, que antes se chamava Correio da Bahia, escreveu na primeira página da sua edição de ontem a palavra TRAGÉDIA.
A Igreja e o Convento de São Francisco estão localizados no centro histórico da cidade de Salvador e estão classificados como Património da Humanidade pela Unesco. O conjunto foi construído entre os séculos XVII e XVIII, constituindo “a mais rica expressão do Barroco brasileiro”, em que se destaca a “faustosa decoração interior da Igreja”. Numa cidade de tantas igrejas, para os baianos esta é "a igreja de ouro".
Na tarde da passada 4ª feira, a estrutura da nave central que suporta o telhado e o tecto com as famosas pinturas do ciclo mariano, pintadas entre 1733 e 1737, desabou em consequência de problemas estruturais que já se haviam detectado, sobretudo infiltrações e desnivelamento do piso, tendo provocado a morte de um ocasional visitante. A repercussão desta ocorrência foi muito grande, tanto na população da cidade como nas instâncias políticas estaduais e nacionais, até porque se trata de uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo. Provavelmente, não será uma perda irreparável pois as autoridades vão proceder ao imediato restauro da Igreja de São Francisco, um dos maiores símbolos históricos e culturais do Brasil.
O exemplo do restauro que se seguiu ao incêndio de grandes proporções que em Setembro de 2018 destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro e que, três anos depois, já permitiu a reinauguração da fachada e do jardim do terraço, enquanto a conclusão do restauro se espera para o início de 2026 ou, noutra perspectiva, o restauro da Catedral de Notre-Dame de Paris, destruída por um incêndio em Abril de 2019, são exemplos estimulantes para os dirigentes sobre quem pesa a responsabilidade de restaurar a Igreja de São Francisco.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

DT e a ideia da Riviera do Médio Oriente

Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos a que os americanos chamam Don, é aqui referenciado pelas suas iniciais DT que, obviamente, não significam qualquer coisa como Doente Total, Deliquente Tarado, ou Doido Tirano.
O facto é que depois de provocar o Canadá, de ameaçar o Panamá e de fazer um assédio à soberania da Gronelândia, o DT veio agora manifestar-se a respeito de Gaza e, segundo hoje anuncia o New York Post, veio declarar que “we’ll take over Gaza”, ou “vamos tomar Gaza”, o que significa a expulsão de dois milhões de palestinianos e fazer daquela faixa mediterrânica a Riviera do Médio Oriente. A declaração do DT não é apenas uma declaração infeliz e desastrada em relação ao Direito Internacional e a todas as Resoluções das Nações Unidas, mas é também um perigoso caso de regresso a uma lei da selva, à violação de direitos humanos, à punição colectiva de um povo e a um caso de autêntica limpeza étnica. Ao lado do DT, estava o tirano Benjamin Netanyahu, que o TPI considera criminoso de guerra e que é o maior responsável pela destruição da Faixa de Gaza. 
Vários países já rejeitaram esta provocação do DT e qualquer violação dos direitos legítimos do povo palestiniano, assim acontecendo, para já, com a Arábia Saudita, Alemanha, Reino Unido, França, Rússia, Turquia, China e Brasil. O repúdio é geral. Entretanto, como tem acontecido nos últimos anos, tanto a União Europeia de Ursula von der Leyen e António Costa, como a República Portuguesa, estão calados, o que é um caso de cobardia, de cumplicidade e de submissão à política americana.

Os 40 anos de idade de Cristiano Ronaldo

O futebolista Cristiano Ronaldo nasceu em 1985 na cidade do Funchal e perfaz hoje 40 anos de idade pelo que, nas suas edições de hoje, os jornais desportivos portugueses o felicitam e lhe dedicam as suas primeiras páginas. O seu estatuto de mais internacional dos futebolistas portugueses, com 217 jogos e 135 golos pela selecção nacional, bem com os 923 golos que já marcou em toda a sua carreira, justifica essa homenagem.
Cristiano Ronaldo é, talvez, o mais famoso futebolista da história do futebol mundial e é, certamente, o português com mais notoriedade na nossa aldeia global e, muitas vezes, é mais conhecido ou tem mais notoriedade do que o seu próprio país. Jogou e foi idolatrado no Sporting, no Manchester United, no Real Madrid e na Juventus. Agora joga no Al Nassr da Arábia Saudita e continua a marcar golos, com a ambição de ainda jogar o Mundial de 2026 e de atingir a marca dos mil golos. Ganhou cinco vezes a Liga dos Campeões e foi campeão europeu em 2016, mas os troféus e os prémios conquistados são tantos que a sua enumeração não cabe neste apontamento.
Na sua ilha da Madeira deram o seu nome ao aeroporto e foi na sua cidade do Funchal que criou o museu onde estão depositados os seus troféus, mas não será certamente na sua cidade que desenvolverá a carreira de empresário internacional que todos lhe adivinham.
Por ocasião do seu 40º aniversário, alguma imprensa desportiva internacional não esteve desatenta e também felicitou Cristiano Ronaldo, caso do diário francês L’Équipe, que na sua edição de hoje salienta o seu enorme presígio internacional. 
E, naturalmente, também aqui deixamos as nossas felicitações ao CR7.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Andebol, um enorme orgulho desportivo

Terminou ontem em Bærum, nos arredores de Oslo, o 2025 IHF World Men's Handball Championship, ou o 29º Campeonato do Mundo de Andebol. A campeã foi a equipa da Dinamarca que na final derrotou a equipa da Croácia e se tornou tetracampeã do mundo, pois já triunfara em 2019, 2021 e 2023. No jogo para a disputa do 3º lugar, a França bateu Portugal por 35-34, o que significa que a equipa portuguesa teve um desempenho notável e conquistou o 4º lugar no Campeonato do Mundo, uma classificação absolutamente inédita no historial do andebol português e muito rara no nosso panorama desportivo.
Estiveram 32 equipas em competição e a equipa portuguesa obteve cinco vitórias (Estados Unidos, Brasil, Chile, Noruega e Espanha), um empate (Suécia) e duas derrotas (Dinamarca e França), mas estas duas equipas fazem parte da elite mundial do andebol, tendo a França sido campeã por seis vezes e a Dinamarca por quatro vezes, ou seja, a selecção portuguesa perdeu com "os tubarões".
A participação portuguesa foi realmente brilhante e para os desportistas portugueses foi mesmo inesquecível, destacando-se ainda que, entre os sete elementos da equipa ideal do mundo, foram eleitos dois jogadores portugueses. Para além do 4º lugar de Portugal há que destacar a classificação do Brasil (7º) e de Cabo Verde (23º), países que fazem parte da “Irmandade Lusófona”.
Nenhum jornal português, desportivo ou generalista, destacou devidamente o resultado da selecção nacional de andebol, tendo os jornais desportivos optado por tratar nas suas manchetes as vitórias futebolísticas do Benfica contra o Amadora e do Sporting contra o Farense. Uma tristeza. Um jornalismo panfletário. Um anti-jornalismo. Melhor andou o Večernji list que se publica em Zagreb e que, na sua edição de hoje, homenageia com orgulho os andebolistas croatas - os seus heróis de prata - que se classificaram em 2º lugar no 29º Campeonato do Mundo de Andebol.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Trump e o interesse económico americano

Na sequência das suas ameaças pré-eleitorais, Donald Trump deu início à sua anunciada guerra comercial, impondo tarifas aduaneiras de 25% aos produtos importados do Canadá e do México e uma taxa adicional de 10% aos produtos importados da China porque, segundo afirmou, “temos de proteger os americanos”. Além das razões económicas,  Donald Trump acusa esses países de serem responsáveis pela droga que entra nos Estados Unidos e que causa a morte a muitos americanos. Os governos canadiano e mexicano já reagiram e afirmaram que iriam responder, tendo o primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau anunciado, de imediato, que iriam ser aumentadas as tarifas aduaneiras sobre os 155 mil milhões de dólares em produtos que o Canadá importa dos Estados Unidos.
Entretanto, o jornal Toronto Sun anunciava na sua edição de ontem – prepare-se para a confusão – ilustrando a guerra comercial que Donald Trump anunciou, com a imagem dos punhos de um boxeador canadiano e de um boxeador americano.
Sobre este assunto, o economista americano Paul Krugman, prémio Nobel da Economia em 2008, comentou que “Trump está a ser brando com a China e duro para com o Canadá” e pergunta se estas decisões são em nome do “interesse nacional” ou em nome do “interesse pessoal”, porque está a impor tarifas duras a um aliado que “nada fez de errado”, enquanto trata “com luvas de pelica” um rival económico e potencial inimigo militar.
Entretanto, Donald Trump também anunciou que pretende impor tarifas aduaneiras à União Europeia no futuro próximo. Está visto, portanto, que o MAGA (Make America Great Again) assenta na defesa dos interesses económicos dos Estados Unidos, incluindo naturalmente, as vendas dos sectores da defesa e do armamento, que o Mark Rutte veio tão descarada e grosseiramente impingir a Portugal, como se o nosso país não fosse um estado soberano.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

As festividades do Ano Novo Lunar

As comunidades asiáticas de todo o nundo começaram ontem a celebrar o Ano Novo Lunar que, segundo o zodíaco chinês, é o Ano da Serpente.
O calendário lunar é diferente do calendário gregoriano ou solar, que começa no dia 1 de Janeiro, enquanto o Ano Novo Lunar não tem uma data fixa e pode acontecer entre o final de Janeiro e meados de Fevereiro, dependendo das fases da Lua. Assim, enquanto o ano solar se baseia na órbita da Terra à volta do Sol e tem 365 ou 366 dias, o ano lunar, que inclui doze meses lunares, baseia-se no tempo que a Lua demora a passar as suas quatro fases e totaliza cerca de 354 ou 355 dias.
O Ano Novo Lunar, celebrado em várias culturas orientais, é uma época de renovação e de reflexão, sendo uma festividade que é caracterizada por rituais, tradições e actividades que duram vários dias, simbolizando prosperidade e reunião familiar. Além disso, o Ano Novo Lunar está ligado aos animais do zodíaco chinês e cada ano é representado por um animal identificado com os doze signos chineses. Na mitologia chinesa, mas também coreana e vietnamita, cada animal simboliza características específicas, trazendo diferentes energias à vida e, neste ano de 2025, o animal regente será a serpente, que entendem representar a intuição, a sabedoria e a astúcia.
Naturalmente, o Ano Novo Lunar é festejado em Macau como assinalava a edição de ontem do jornal macaense hojemacau, mas também é festejado em Lisboa onde se encontram as típicas decorações chinesas na via pública, nas lojas e nos restaurantes.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Carlos III rejeita nome de novo submarino

Está em construção nos estaleiros ingleses de Barrow-in-Furness o sétimo submarino nuclear da classe Astute, que se destina à Royal Navy e que se espera entrar ao serviço em finais de 2026. A ordem para a construção desta última unidade da classe Astute foi dada em 2018 e em Maio desse ano foi iniciada a sua construção, mas o seu nome já foi alterado duas vezes, pois antes chamou-se Ajax e, depois, foi baptizado como Agincourt
Porém, como hoje informa o jornal Daily Express, o rei Carlos III interveio recentemente para anular o nome original do submarino, cujo nome tinha recebido luz verde da Rainha Isabel em 2018, pelo que o governo britânico anunciou que o submarino seria rebaptizado como HMS Achilles, supostamente para evitar ofender ou incomodar os franceses.
Agincourt ou Azincourt foi uma batalha decisiva travada no norte da França em 1415, durante a Guerra dos Cem Anos, na qual os ingleses de Henrique V bateram o exército francês que era numericamente muito superior. Os ingleses sempre deram um grande valor simbólico a esta vitória que na época humilhou a França, que era o seu maior rival, até porque o seu rei Henrique V terá comandado pessoalmente as suas tropas e terá participado em combates corpo-a-corpo.
Agincourt antecipou em cerca de 400 anos outra importante vitória inglesa sobre os franceses de Napoleão, acontecida em 1815 nos campos de Waterloo. Apesar do rei Carlos III ter sido criticado pelos Conservadores, o governo trabalhista de Keir Starmer atendeu aos seus pedidos em nome das relações de boa vizinhança com os franceses.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

A emoção do regresso palestiniano a Gaza

Todos os grandes jornais internacionais publicaram hoje, com grande destaque, a fotografia de milhares de palestinianos regressando à sua terra de Gaza, o que só foi possível com o acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel. A fotografia fala por si própria e mostra como perante um cenário de destruição deixado pela brutalidade da guerra, os palestinianos querem regressar a casa e ao seu “chão”, para reconstruir as suas casas e começar uma nova vida. Ao mesmo tempo, as imagens televisivas mostraram a emoção e até a alegria do regresso a casa dos martirizados palestinianos.
Cerca de 46.000 palestinianos foram mortos durante os 15 meses em que as forças israelitas massacraram Gaza e os seus habitantes, numa operação de vingança, injusta e injustificada, que excedeu largamente o seu direito de se defender que tão repetidamente invocaram, mas que esteve em clara violação dos direitos humanos e da moral internacional. No entanto, este cessar-fogo que entrou em vigor há nove dias é temporário e o ditador Netanyahu, nem procurará pretextos para recomeçar a sua fúria genocida, até porque agora tem o apoio de Donald Trump, que até já anunciou que os palestinianos têm que abandonar Gaza e ir para a Jordânia e para o Egipto.
Apesar deste cessar-fogo são muito limitadas as esperanças de paz naquela região, ou da formação de dois estados como foi decidido há muitos anos pelas Nações Unidas. Os palestinianos estão sem apoios políticos, designadamente da Europa, que continua a mostrar uma evidente cumplicidade com Israel. 
Pode ser que ao verem as imagens da capa do The Washington Post e de outros grandes jornais internacionais, os europeus com voz, como por exemplo Ursula van der Leyen, António Costa, Kaja Kallas, Emmanuel Macron, Olaf Scholz ou Keir Starmer, possam condenar a crueldade israelita e defender a dignidade palestiniana.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

O Donald e a Europa em risco de colisão?

A chegada de Donald Trump à Casa Branca está a provocar mudanças internas a que alguém já chamou uma revolução, pois algumas das suas ordens executivas são realmente demolidoras, como se pode observar na dureza com que está a ser feito o repatriamento de imigrantes ilegais para os países da América do Sul, ou na ideia de levar os palestinianos a abandonar a sua terra e de os levar para o Egipto e para a Jordânia.
Porém, os sinais em relação à Europa ainda estão pouco claros, talvez porque Donald Trump ande a tentar cumprir, mesmo com atraso, a sua promessa de acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas. Por isso, poucos avançam previsões quanto à forma como Donald Trump se vai relacionar com a Europa, pois nem sequer se sabe se ele vai respeitar as instituições e as tradições europeias, ou se vai assumir posturas imperiais.
Para além do que de ameaçador disse na campanha eleitoral, Trump falou em Davos na reunião anual do World Economic Forum e o que disse “gelou o sangue dos reponsáveis europeus presentes”, segundo escreveu a jornalista Teresa de Sousa. Defendendo o seu “make america great again”, Trump tratou de desafiar os empresários europeus a investir na America, sem condicionalismos ambientais e com leis laborais mais amigas do capital, afirmando que “não haverá melhor lugar na Terra para criar empregos, construir fábricas ou expandir uma empresa do que aqui nos bons e velhos Estados Unidos”. 
Na sua última edição o jornal católico francês La Croix analisa a forma como “a Europa se prepara para o choque Trump” e, destaca em primeira página, uma sugestiva ilustração que representa o “pêndulo Europa” e o “pêndulo Trump”, balançando sem sintonia e em risco de colisão. 
Úm bom exemplo a mostrar que uma imagem vale mais que mil palavras

O mundo não pode esquecer Auschwitz

No dia 27 de Janeiro de 1945, na sua caminhada em direcção a Berlim, o exército russo forçou as portas do campo de extermínio de Auschwitz, localizado a sul do território polaco, onde muitos milhares de seres humanos encontraram a morte e libertou alguns dos condenados que ali se encontravam. Hoje celebram-se 80 anos sobre esse dia libertador e o mundo vive alarmado pela ameaça de novos auschwitzes, embora com características muito diferentes. Auschwitz, ou Auschwitz-Birkenau, foi um campo de extermínio e tornou-se um dos maiores símbolos do genocídio perpetrado pela Alemanha nazi contra seis milhões de judeus europeus, um milhão dos quais morreu naquele local entre 1940 e 1945, juntamente com mais de 100 mil não judeus. Auschwitz foi criado em 1940 por ordem de Heinrich Himmler como campo de concentração e para ali passaram a convergir comboios provenientes da Europa ocupada pelos nazis, com destino às câmaras de gás daquele campo. Não se sabe exactamente quantas pessoas morreram em Auschwitz, mas os números oscilam entre um e três milhôes, que foram executados nas câmaras de gás, mas também devido à fome, doenças infecciosas, trabalhos forçados, execuções individuais ou experiências médicas.

O dia 27 de Janeiro foi oficialmente proclamado como o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto, para assinalar e comemorar a libertação daquele campo de concentração e extermínio. Actualmente, o campo e as câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau são visitáveis e o “campo de concentração e extermínio nazi alemão de 1940-1945”, foi classificado em 1979 como Património da Humanidade pela Unesco. Hoje, alguns jornais como o Libération, evocaram o 80.º aniversário da libertação de Auschwitz, que foi assinalado com uma cerimónia oficial que contou com a presença de cerca de meia centena de sobreviventes e 54 delegações internacionais. O mundo não pode esquecer Auschwitz

domingo, 26 de janeiro de 2025

Pergunta-se: se puede frenar a Trump?

A tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos deveria ter sido um acto de muita solenidade na presença de todos os anteriores presidentes, mas foi uma lamentável sessão de propaganda, uma provocação e um acto de humilhação para com Joe Biden, que a tudo assistiu sem pestanejar.
Depois, ainda na linha da sua peculiar propaganda, tratou de assinar várias ordens executivas mais ou menos polémicas, muitas delas a revogar as políticas de Joe Biden, mas também a conceder o perdão a mais de 1500 presos por invasão do Capitólio, a declarar a situação de emergência na fronteira com o México, a anunciar a retirada da Organização Mundial de Saúde e a declarar a saída do Acordo de Paris de 2015, cujo objectivo é a redução das emissões de gases que causam o efeito de estufa.
Menos de uma semana após a sua tomada de posse, o novo presidente dos Estados Unidos parece decidido a levar por diante todas as suas promessas e ameaças eleitorais, sobretudo no que respeita às deportações em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, mas também em relação aos seus apetites imperialistas no Panamá e na Gronelândia.
Porém, este autoritarismo presidencial já está a suscitar reacções, tanto interna como internacionalmente. Um juiz federal bloqueou a ordem executiva de Trump que extinguia o direito à cidadania americana dos filhos dos imigrantes nascidos no país. Externamente, alguns líderes já denunciaram a arrogância de Donald Trump e, tanto quanto sabemos, “não se calaram” perante os seus discursos. O facto é que Donald Trump e as suas decisões são um dos assuntos do momento e a edição de hoje do jornal elPeriódico, que se publica em Barcelona, pergunta mesmo “se puede frenar a Trump”.
Esta é, provavelmente, a maior dúvida que o mundo actualmente tem.