terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Venezuela sob as garras de Donald Trump

Diz-se que “uma imagem vale mais que mil palavras” e a capa da edição de hoje do diário catalão El Punt Avui que se publica em Barcelona, parece confirmar aquela frase.
A ilustração escolhida para a capa dessa edição mostra uma águia a “atacar” o território venezuelano com o título “sob as garras dos Estados Unidos” e, em subtítulo, o jornal escreveu “Trump inaugura uma nova era de intervencionismo na América Latina e em todo o hemisfério ocidental”.
Não sei se há um ano alguém imaginava este cenário, mas o facto é que a administração de Donald Trump tem dado passos e feito discursos que vão exactamente no sentido de uma nova era de intervencionismo. Perante este desafio, os líderes europeus mostram-se nervosos e incapazes de contrariar “o amigo americano”, enquanto o secretário-geral da NATO, com o seu historial de subserviência e sabujice, continua a fazer o seu papel de “agente duplo”. Depois vemos Netanyahu eufórico e Zelensky muito nervoso, enquanto Putin e Xi Jinping se mostram expectantes. 
A narrativa de Donald Trump de que “a bem ou mal” a Gronelândia será o 51º estado americano, ou que é o presidente interino da Venezuela, como se autodenominou na sua rede social, não são só algumas das fanfarronices a que já habituou o mundo, mas são marcas que definem um homem que quer impor a lei do mais forte, ou simplesmente ignorar a lei, para satisfazer a sua ambição pelo poder e pelo dinheiro.
A Venezuela tem muito barril de petróleo, mas é também um barril de pólvora. A história recente mostrou-nos que a queda dos ditadores do Iraque, da Líbia e da Síria, que tiveram o dedo americano, não tornaram mais felizes os iraquianos, nem os líbios, nem os sírios. O futuro dirá o que cai acontecer com os venezuelanos… 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Donald Trump não tem limites: vale tudo

Poder, dinheiro e petróleo são conceitos que se articulam entre si e que bem definem o ambicioso perfil de Donald Trump, que desobedece a todos os princípios internacionais para se apoderar do petróleo venezuelano. A ansiedade domina a América Latina com esta “guerra por el crudo” como anuncia o jornal Expreso, que se publica em Lima.
Foi há quase um mês que Trump classificou o governo de Nicolás Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”, acusando-o de “terrorismo, tráfico de drogas e tráfico de pessoas” e decretando o bloqueio “total e completo” de todos os petroleiros que entrassem ou saissem da Venezuela. A partir de então o pretexto para intervir na Venezuela já não foi “o tráfico de drogas para os Estados Unidos”, supostamente encabeçado por Nicolás Maduro, mas apenas o petróleo. Petróleo, petróleo, petróleo, como cantaria Liza Minnelli, numa qualquer versão moderna do filme musical Cabaret.
Tanto a ONU como a americana Drug Enforcement Administration (DEA) já tinham afirmado que o papel da Venezuela na entrada de drogas nos Estados Unidos era insignificante e, por isso, a frase “devolvam o petróleo que nos roubaram” denunciou toda a ambição e falta de princípios de Donald Trump.
No dia 10 de dezembro já tinha sido abordado e apreendido o petroleiro Skipper no mar das Caraíbas e, no dia 20, foi apresado o petroleiro Centuries, de bandeira panamiana, ambos pertencentes à chamada “frota fantasma”. No dia 7 de janeiro foi apresado o petroleiro Marinera (ex.Bella 1) que exibia bandeira russa e navegava no Atlântico Norte. No dia 9 foi interceptado no mar das Caraíbas o petroleiro Olina, que envergava a bandeira de Timor-Leste e, no mesmo dia, os americanos disseram ter apreendido um petroleiro chamado Sophia, sem nacionalidade, que também se encontrava em águas internacionais no mar das Caraíbas.
Skipper, Centuries, Marinera, Olina ou Sophia são apenas nomes, verdadeiros ou falsos de petroleiros da chamada “frota fantasma” e cujo apresamento constitui violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. 
Para Donald Trump vale tudo e, como de costume, os líderes europeus assobiam para o lado. Uma tristeza.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

A nova ordem mundial de Donald Trump

Depois de um generalizado deslumbramento da imprensa mundial pelo violento assalto americano a Caracas e pela captura de Nicolás Maduro e da sua mulher, que foi considerado uma operação militar de grande eficiência, começam agora a surgir as primeiras críticas à intervenção ilegal ordenada por Donald Trump, que terá causado uma centena de mortes e que abriu uma nova era de insegurança na política mundial. 
Depois de Trump ter sido classificado como “predador” por um jornal francês, a conceituada revista francesa L’Express, na edição que ontem foi posta a circular, trata da nova ordem mundial e mostra na capa a fotografia de um pirata dos tempos modernos, com o lenço característico dos piratas e uma fita de metralhadora enrolada ao tronco, à boa maneira de John Rambo, o herói americano que Sylvester Stallone personificou.
As figuras lendárias mas reais de Francis Drake e do Capitão Kidd, tal como a ficção criada pelo cinema em torno da fantasia e da aventura dos piratas das Caraíbas que o desempenho do actor Johnny Depp ajudou a moldar, tornam-se menores face à actuação decidida pelo presidente dos Estados Unidos. Não se trata de saquear uma cidade costeira, nem de procurar uma qualquer arca perdida de ouro, nem de salvar uma qualquer dama enclausurada num castelo inacessível mas, simplesmente, de pilhar o petróleo de um país soberano.
A ameaça está lançada sobre tudo o que possa contrariar os interesses americanos ou a doutrina do “Make America Great Again”, enquanto a Europa fica calada com os seus líderes a mostrarem-se pequeninos, amedrontados e cobardolas.
Como estão difíceis os tempos que correm...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Donald Trump: o predador de serviço

Uma boa parte do mundo e da sua imprensa parecem ter ficado anestesiadas com a espectacular operação militar que conduziu à captura de Nicolás Maduro, embora essa detenção (alegadamente por envolvimento no narcotráfico) não signifique o fim da ditadura chavista. A recente aprovação da Estratégia de Segurança Americana veio reafirmar a doutrina Monroe e consolidar as intenções de Donald Trump para, entre outros objectivos, proteger os interesses dos Estados Unidos no hemisfério ocidental.
A operação realizada sobre Caracas e outras cidades venezuelanas enquadra-se naquele desígnio e permitiu-lhe afirmar com arrogância que “manda nos Estados Unidos e no mundo”.
Donald Trump não tem interesse numa democracia venezuelana e tratou de desautorizar e afastar Maria Corina Machado, a líder da oposição venezuelana e recente galardoada com o Prémio Nobel da Paz, ao declarar que “ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o apoio, nem o respeito do país”. Por agora, Trump aposta na presidência interina de Delcy Rodriguez, que espera manipular e dirigir a partir de Washington, tendo já avisado que “se não fizer o que está certo, vai pagar um preço mais alto do que Maduro”.
Ficam assim definidas algumas linhas do novo imperialismo americano, isto é, não interessa qual é o regime nem quem está no poder em Caracas, mas tão só o petróleo venezuelano que, por acaso, constitui a maior reserva mundial que se conhece.
Há dias, a imprensa informava que num só ano do seu mandato, Donald Trump quase duplicou a sua fortuna pessoal. Ele não é apenas o presidente dos Estados Unidos, mas é também um empresário para o qual parece valer tudo nos negócios, desde o imobiliário aos campos de golfe, passando pelos perfumes, pelas criptomoedas e por muitos outro negócios. 
Não demorará a ter interesses pessoais no petróleo, se não os tem já. É um predador, como dizia na sua edição de ontem o jornal La Dépêche du Midi, que se publica em Toulouse.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A festa da Cabalgata de los Reyes Magos

Hoje é o Dia de Reis que, segundo a tradição religiosa espanhola, constitui o dia mais importante da quadra natalícia, tendo como episódio mais relevante a Cabalgata de los Reyes Magos, um cortejo tradicional que se realiza ao final da tarde do dia 5 de janeiro com carros alegóricos, nos quais são transportados os três Reis Magos – Melchior, Gaspar e Baltazar. Este cortejo realiza-se em quase todas as cidades e vilas espanholas e, dizem os jornais, é “uma noite mágica” para todos, especialmente para as crianças, pois o animado “cortejo real” é animado por dançarinos e músico, percorrendo as ruas com os pajens a recolher as últimas cartas das crianças e a oferecer rebuçados e doces a quem assiste.
Os cortejos das principais cidades são transmitidos em directo pelas cadeias de televisão nacionais e regionais, o que tem contribuído para o crescente entusiasmo dos espanhóis por essa manifestação de arte e cultura popular.
De acordo com a tradição cristã, os Reis Magos eram sábios que vinham do Oriente montados nos seus camelos e guiados por uma estrela, para adorar o Menino Jesus que tinha nascido em Belém, uma povoação da Judeia, na actual Palestina. A visita aconteceu no dia 6 de janeiro e os Reis Magos traziam presentes para oferecer ao Menino Jesus – ouro, incenso e mirra – simbolizando realeza, divindade e humanidade.
Uma boa parte da imprensa nacional e regional espanhola, como aconteceu com o Diario de Mallorca, destacou nas suas edições a Cabalgata de los Reyes Magos e, pelo menos por umas horas, esqueceu a grave crise internacional resultante da lamentável e grave iniciativa de Donald Trump na Venezuela.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A queda de Maduro e a ambição de Trump

De uma forma até certo ponto surpreendente em relação aos acontecimentos do dia 3 de janeiro, a imprensa mundial destacou mais a captura de Nicolás Maduro do que a operação militar que violou a soberania da Venezuela, inaugurando um período em que o direito internacional passa a não ter valor. A fotografia de Nicolás Maduro, algemado e de olhos vendados, apareceu nas capas dos jornais de todo o mundo, por vezes ocupando toda a mancha da página como aconteceu na edição do diário espanhol ABC,  o que serviu para disfarçar a agressão militar americana a um país soberano, o que parece inaugurar uma nova era de imperialismo e de submissão dos mais fracos aos mais fortes.
Com a sua ganância pelo petróleo e pelas outras riquezas minerais venezuelanas, Donald Trump deu um passo muito perigoso e anunciou que “os Estados Unidos governarão a Venezuela” e que “ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso hemisfério”, tendo já ameaçado a Colômbia, Cuba, o México e, ainda, a Gronelândia. Ninguém imaginava que o país fundado por George Washington e Thomas Jefferson passasse por este renascimento imperialista e que esteja em vias de se tornar o destabilizador mundial.
É certo que o regime chavista “se pôs a jeito” com a sua ditadura repressiva e brutal, mas o excêntrico Nicolás Maduro também foi vítima de uma campanha difamatória internacional que o fizeram “pior que o diabo”, o que Donald Trump aproveitou. 
A China já pediu a Trump que “deixe em paz” o petróleo venezuelano e liberte Maduro, tal como a Rússia e outros países já condenaram a agressão americana, mas a Europa nada diz de concreto e treme, sem dignidade nem coragem, entre os excessos de Putin e de Trump. Não restam dúvidas de que entramos em 2026 com demasiado desassossego por todo o nosso planeta.

Donald Trump recupera doutrina Monroe

Na madrugada do dia 3 de janeiro os Estados Unidos atacaram a Venezuela, conforme foi abundantemente repetido pelos mass media internacionais, nomeadamente a imprensa do dia 4 de Janeiro, tendo capturado o presidente Nicolás Maduro e a sua mulher Cília Flores. O ataque foi violento e foi dirigido a instalações militares e ao palácio presidencial, tendo provocado muitas explosões em Caracas e em outros locais, causando cerca de 80 mortes. Na sua edição de ontem o jornal Newsday foi um dos poucos diários que acentuaram o “ataque à Venezuela”, pois a maioria da imprensa preferiu dar destaque à captura de Maduro.
A aparente facilidade com que decorreu a operação militar, que muita gente já esperava, aparentemente sem qualquer resistência do regime chavista, suscita dúvidas quanto ao envolvimento de infiltrações da Central Intelligence Agency no círculo mais próximo de Nicolás Maduro, que terá sido traído. Segundo foi anunciado, o ditador venezuelano já está em Nova Iorque e vai responder por acusações de uma suposta ligação ao tráfico internacional de drogas. Donald Trump não cabe em si de euforia e dispara ameaças em todas as direcções por estar, segundo ele e os seus correligionários, a concretizar a sua ambição - Make America Great Again – tendo para isso ressuscitado a doutrina Monroe, de 1823, que reclamava “a América para os americanos”.
As reacções internacionais não foram unânimes, pois enquanto alguns países apoiaram esta acção e se regozijaram com a captura de Nicolás Maduro, outros países condenaram abertamente a intervenção ordenada por Donald Trump por violar a soberania da Venezuela e atentar contra as regras do direito internacional, para além de abrir um precedente de intervenção militar na América Latina que nunca acontecera.   
A triste Europa calou-se, encolheu-se, acobardou-se e aprofundou a sua insignificância, apoiando implicitamente as aventuras de Donald Trump, com a honrosa excepção da Espanha.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Nova Iorque e o "fenómeno Mamdani"

A cidade de Nova Iorque que agora é conhecida como a Big Apple, é o maior centro financeiro e comercial dos Estados Unidos, é uma das suas capitais culturais e é o quarto maior centro industrial do país, depois da Califórnia, do Texas e do Ohio.
Ainda no século XVI, a região foi colonizada pelos neerlandeses que criaram uma feitoria na ilha de Manhattan, a que chamaram Nova Amesterdão, mas em 1664 a região foi ocupada pelos ingleses que a baptizaram como a colónia de Nova Iorque que, em 1776, foi uma das treze colónias que se revoltaram contra o domínio colonial britânico e fundaram os Estados Unidos da América. Desde 1834 os prefeitos da cidade de Nova Iorque são eleitos pelo voto popular directo e, no ano passado foi eleito o seu 112º prefeito, um jovem de 34 anos de idade chamado Zohran Mamdani, nascido no Uganda, filho de emigrantes indianos e que professa a religião muçulmano.
O prefeito governa a cidade e é o chefe de um executivo que emprega 325 mil pessoas e tem o maior orçamento municipal dos Estados Unidos, que é superior ao Orçamento do Estado português. Filiado no Partido Democrata, Mamdani teve a coragem de afrontar Donald Trump e os republicanos, conseguindo mobilizar a cidade de Nova Iorque com um discurso moderno e solidário para com os mais desfavorecidos, os imigrantes e os pobres. O efeito de “fenómeno Mamdani” tem-se feito sentir um pouco por todo o país e muitos vêm no seu discurso, num tempo que se afigura bem negro, uma nova esperança e uma luz para a política americana.
O jornal novaiorquino Newsday destacou na sua edição de ontem o início do mandato de Mamdani, que bem pode vir a ser o início de uma nova era de maior tolerância, maior igualdade e maior solidariedade nos Estados Unidos e no mundo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Salvador e o Bom Jesus dos Navegantes

A cidade de Salvador é a capital do estado brasileiro da Bahia e foi a primeira capital do Brasil colonial, sendo o cenário onde, desde a década de 1740, se realiza a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, que é uma das mais antigas e simbólicas celebrações religiosas e populares do Nordeste brasileiro. Nascida da devoção das irmandades marítimas e da fé dos marinheiros que pediam a protecção divina para enfrentar o mar, a festa inclui diversas celebrações católicas, mas o seu ponto alto é a procissão marítima realizada nas águas da grande Baía de Todos-os-Santos, na qual a imagem do Bom Jesus dos Navegantes segue numa embarcação devidamente ornamentada, que é escoltada por uma festiva e colorida frota de outras embarcações.
Até 1891 a embarcação que transportava a imagem era cedida pelo Estado, mas a partir de então passou a ser utilizada, como galeota oficial da procissão, uma artística galeota expressamente construída para o efeito e que foi baptizada como “Gratidão do Povo”. No ano de 2019 a centenária embarcação apresentava alguns problemas de estrutura, pelo foi objecto de restauro e continuou a cumprir a sua função.
A procissão marítima é um espectáculo impressionante de religiosidade e de cultura popular que ocorre nos dias 31 de dezembro e 1 de janeiro, para exprimir a gratidão baiana pelo ano que termina e para pedir a protecção e a benção divina para o novo ano.
O jornal Correio*, antigo Correio da Bahia, é um jornal diário que se publica em Salvador e que dedica a sua edição de hoje à grande festa católica e afro-brasileira de origem portuguesa que é a a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, com uma fotografia da procissão marítima, tendo escolhido a frase “mar de gratidão” para manchete dessa reportagem.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um novo ano de 2026 com paz e progresso

Hoje é o último dia do ano de 2025, mas enquanto muitos jornais fazem balanços dos últimos doze meses, uma coisa que nos faz lembrar algumas guerras, várias tragédias e muita crueldade, há outros jornais que optam por simplesmente desejar um Bom Ano novo aos seus leitores. É o caso do Diario de Burgos, o principal jornal da histórica cidade de Burgos, que pertence à Comunidade Autónoma de Castilla y Léon, cuja capital é Valladolid e que é a maior das 17 comunidades espanholas em área territorial, isto é, maior do que Portugal.
O jornal publica uma fotografia da imponente catedral de Burgos e do casario da cidade, cobertas de neve numa imagem de serenidade, desejando Feliz 2026 aos seus leitores.
Também aqui, neste pequeno espaço da blogosfera que é a Rua dos Navegantes, se deseja que o mundo retome os caminhos da paz entre as nações e da harmonia entre os povos, que combata a pobreza, a doença e a desigualdade, que proteja os direitos de todos os seres humanos e que encontre soluções para se proteger das alterações climáticas que nos ameaçam. A vertigem belicista, que as televisões alimentam pouco responsavelmente e que reina um pouco por todo o mundo, conduz ao sofrimento, à destruição e não tem sentido, devendo dar lugar ao apaziguamento e à cooperação.
Nesta aldeia global em que todos vivemos e em que todos dependemos do outro, são os valores da paz, da liberdade, da democracia, da igualdade, da justiça social e da solidariedade que devem prevalecer sobre as pequenas questiúnculas do quotidiano, tanto nacional como mundial.
O povo simples tem razão quando, com a sua sabedoria, diz que “a falar é que a gente se entende” e, por isso, é preciso que aqueles que governam, tratem de falar para se entenderem e se deixem de egoísmos e de vaidades.
Aos meus leitores, aqui deixo votos de um feliz ano de 2026!

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

É o futebol que anima e dá alegria ao povo

O futebol é um dos fenómenos mais entusiasmantes do nosso tempo e mobiliza milhões de pessoas por todo o mundo, apesar de ter associadas inúmeras práticas que o transformaram num negócio pouco recomendável que envolve muito dinheiro, por vezes de origem duvidosa, que inclui muitos e poderosos interesses de natureza comercial e, mais recentemente, que serve de suporte para muitas actividades políticas. O fenómeno do futebol tende a ultrapassar tudo o que possa interessar a nossa comunidade e os políticos aproveitam essa oportunidade, como se o interesse público não fosse a saúde, a educação ou a justiça, mas tão só o futebol. Daí que vejamos o nosso primeiro-ministro, lamentavelmente, a incitar os portugueses a terem a mentalidade de CR7… A televisão é uma das máquinas que sustenta o negócio do futebol e, através das transmissões televisivas e do comentário, funciona como uma vacina que anestesia o povo, que ignora as negociatas da bola e que vai vibrando com os ídolos fabricados pelos chamados empresários e pelos treinadores.
Porém, como em tudo na vida, o homem é um ser cheio de contradições e eu que não gosto dessa face do futebol, gosto muito da sua outra face, isto é, a arte exposta “dentro das quatro linhas”, durante 90 minutos com o "esférico a rolar", com talentosos dribles e golos fantásticos, que muito nos animam.
Apesar de não ser essa a opinião da revista The Economist, nos últimos anos Portugal não se destacou no progresso económico e social, nem no funcionamento da justiça ou dos serviços de saúde, nem na qualidade de vida da população, nem na redução da pobreza, mas destacou-se no futebol. Foi campeão da Europa da UEFA em 2016, foi campeão do mundo da FIFA de sub-17 em 2025 e venceu duas das quatro edições da Liga das Nações da UEFA (2018-2019 e 2024-2025). É obra!
Na sua edição de hoje, o jornal Katowicki Sport que se publica na cidade polaca de Katovice, destaca que Portugal domina o futebol europeu e, em balanço do ano, apresenta uma fotografia da vitória portuguesa na Liga das Nações da UEFA de 2024-2025. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A Índia e o radicalismo de Narendra Modi

Poucas horas depois de aqui ter sido publicado um texto com o título A “dinastia Nehru” e a política na Índia, no qual se referia que a liderança do Partido do Congresso Nacional Indiano (INC) decidira, com o apoio de Sonia e de Rahul Gandhi, iniciar um movimento nacional de contestação à possível revogação de uma lei que apoia as camadas mais pobres e vulneráveis das comunidades rurais, mas que também visa a revitalização do INC e opor resistência ao radicalismo político e religioso do Partido do Povo Indiano (BJP), que vem governando a Índia desde 2014.
Na sua edição de hoje, o jornal The New York Times destaca na sua primeira página um texto intitulado ”Das Sombras ao Poder: como a Direita Hindu remodelou a Índia”, acompanhado de uma fotografia do primeiro-ministro Narendra Modi e de uma outra fotografia a três colunas de uma marcha de nacionalistas voluntários filiados no movimento Rashtriya Swayamsevak Sangh, ou RSS, fardados, equipados com um varapau e com postura militar. 
Este movimento é uma organização paramilitar radical de extrema-direita e representa a vertente mais extremista do nacionalismo hindu, perseguindo e matando muçulmanos e católicos e destruindo mesquitas e igrejas, pelo que é cada vez mais temido pelas minorias da Índia. 
Criado em 1925, o RSS procurou sem sucesso fazer da Índia uma nação hindu e sempre combateu o secularismo político e religioso herdado dos ingleses. Porém, na última década e sob o governo de Narendra Modi, que é um activo militante do RSS, muitos dos membros da organização passaram a ocupar o círculo do poder e a RSS atingiu uma enorme popularidade. A democracia indiana está em sério risco e os seus 200 milhões de muçulmanos e de católicos temem pelo futuro. 

R.I.P. Brigitte Bardot

Brigitte Bardot morreu ontem em Paris com 91 anos de idade e muitas dezenas de títulos da imprensa francesa e mundial escolheram a sua fotografia e frases de homenagem à famosa actriz francesa para manchete das suas edições de hoje. O jornal Le Parisien é apenas um desses jornais e classifica a actriz como a “éternelle BB”, mas as frases com que é homenageada pelos seus compatriotas são, por exemplo, “ícone rebelde”, “imortal”, “ícone do cinema”, “um mito para a eternidade”, “a musa do cinema francês” ou “a exportação mais sedutora da França”, mostrando o enorme apreço que os franceses tinham pela artista que foi um sex symbol dos anos 1960 e que quebrou convenções sociais, mas que também foi uma das marcas da luta pela emancipação da mulher e que, através do cinema, também muito contribuiu para a projecção da imagem da França no mundo. A morte de Brigitte Bardot também teve ampla repercussão na imprensa mundial, porque era um símbolo de uma época e de um país, tendo o jornal The Washington Times, que também noticiou a sua morte em primeira página, feito referência à “French femme fatale” que, como acertadamente salienta, foi um “fenómeno cultural”.
Em Março de 1960 a artista visitou Lisboa e eu recordo como muitas dezenas de alunos do meu liceu faltaram às aulas e foram ao aeroporto para ver ao vivo esse ícone da beleza e da juventude. Não se falava noutra coisa e vivia-se uma verdadeira BB-mania.
O último filme de Brigitte Bardot foi apresentado em 1973, quando tinha 39 anos de idade, tendo a partir de então passado a dedicar-se integralmente à defesa dos direitos dos animais.

A "dinastia Nehru" e a política na Índia

A Índia é o país mais populoso do mundo e a quinta potência económica mundial, sendo constituída por 28 estados federados e oito Union Territories
É considerada a maior democracia do mundo e, depois da sua independência que foi proclamada em 1947, passou a ser governada pelo Partido do Congresso Nacional Indiano (INC), sozinho ou em coligação. O mundo conheceu então “a dinastia de Nehru” que dominou a política indiana durante muitos anos, com os primeiros-ministros Jawaharlal Nehru, a sua filha Indira Gandhi e o seu neto Rajiv Gandhi.
Em 1980 foi criado o Partido do Povo Indiano (BJP), um partido de direita radical baseado no comunalismo e no nacionalismo hindus, com íntima ligação ao Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), uma organização paramilitar com características fascistas. O BJP cresceu rapidamente, ganhou as eleições em vários estados e em 1996 chegou ao governo da Índia através de Atal Vajpayee.
Actualmente, o BJP governa 15 dos 28 estados indianos, o INC governa três e há ainda dez estados governados por coligações diversas, mas o BJP também tem a maioria no Parlamento (Lok Sabha) e tem Narendra Modi, seu militante e membro do RSS, como primeiro-ministro desde 2014. Muita gente na Índia, sobretudo muçulmanos e católicos, temem cada vez mais o radicalismo religioso e sentem-se ameaçados pelo BJP e pelo RSS.
Uma das mais recentes medidas de Narendra Modi é a tentativa de revogação da Lei Nacional de Garantia de Emprego Rural Mahatma Gandhi (MGNREGA), que apoia as camadas mais pobres e vulneráveis ​​das comunidades rurais. Segundo informa a imprensa indiana de hoje, nomeadamente o jornal The New Sunday Express, o Partido do Congresso vai lançar o movimento nacional “Salve o MGNREGA” a partir do próximo dia 5 de Janeiro, numa tentativa de sair da sua irrelevância política actual. Na cerimónia de apresentação desse movimento, estiveram Sonia Gandhi, a viúva de Rajiv Gandhi, e o seu filho Rahul Gandhi que é deputado no Lok Sabha. 
É a “a dinastia de Nehru” a reaparecer e a dar esperanças aos milhões de indianos que confiam na democracia secular instituída em 1947 por Jawaharlal Nehru.

sábado, 27 de dezembro de 2025

O Natal que se celebra no mundo islâmico

Um pouco por todo o mundo, a festa do Natal já ultrapassou o seu significado religioso há muito tempo e foi capturada pela lógica economicista e pelo consumismo, inclusive nos países e regiões dominadas pela religião muçulmana.
Assim acontece na Malásia, um país do sueste asiático que ocupa uma parte da península da Malásia e uma parte da ilha de Bornéu, com cerca de 36 milhões de habitantes e que, na sua quase totalidade, professam a religião muçulmana e cuja bandeira nacional inclui a lua crescente, o símbolo do Islão. 
Na sua história há muitas referências europeias, porque os portugueses ocuparam Malaca entre 1511 e 1641, depois os holandeses expulsaram os portugueses da região e, em finais do século XVIII, foram os ingleses que ali se estabeleceram, pelo que o país tem influências culturais malaias, europeias, chinesas e indianas. Porém, a Malásia tornou-se mais conhecida dos europeus através da literatura e do cinema de ficção, tratados nas aventuras do mais famoso pirata dos mares – Sandokan, o Tigre da Malásia – uma personagem criada em finais do século XIX por Emilio Salgari e que foi objecto de uma séria televisiva italiana que foi estreada em 1976, com grande sucesso pelos valores que promovia.
Hoje a Malásia é um país próspero. A sua capital é a cidade de Kuala Lumpur, localizada a cerca de 150 km para norte da antiga cidade portuguesa de Malaca, onde em paralelo com os edifícios coloniais se encontram modernos arranha-céus, o mais conhecido dos quais são as Petronas Twin Towers que, com 451 metros de altura, foram até há pouco tempo as torres mais altas do planeta.
Neste país publica-se diariamente um jornal em língua inglesa chamado The Star, a partir da cidade de Petaling Jaya. Na sua edição de ontem o jornal The Star – people’s paper, dedicou toda a sua primeira página ao Natal com a mensagem Merry Christmas & Happy New Year, o que num país marcadamente muçulmano é bem curioso e um quase paradoxo. 
Porém, os tempos que vivemos estão cheios de paradoxos…