sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Festival ao Largo 2012

Com uma programação quase diária,  vai ser apresentada no espaço fronteiro ao Teatro Nacional de São Carlos em Lisboa, a edição de 2012 do Festival ao Largo, onde desde 29 de Junho a 29 de Julho e sempre a partir das 22:00 horas, vai estar presente a música, enquadrada em espaços de dança e ópera. Será uma grande festa dedicada à música sinfónica, coral-sinfónica e à dança, em que músicos, cantores, bailarinos, maestros e coreógrafos, de renome nacional e internacional, proporcionarão ao público cerca de duas dezenas de espectáculos ao ar livre e sempre de entrada gratuita.  A programação desta 3ª edição do Festival ao Largo é de grande qualidade e aprofunda a dimensão da ópera, da dança e da música de cena, que são os géneros mais estreitamente ligados às instituições que dão corpo a este festival - o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) e a Companhia Nacional de Bailado (CNB), mas também aborda as músicas do mundo, o teatro e a dança ao ar livre. O programa que está a ser divulgado apresenta uma enorme variedade da oferta, que inclui apresentações da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do TNSC, da Orquestra Chinesa de Macau e de muitos outros grupos nacionais e estrangeiros. O local é particularmente adequado para a realização de um festival deste tipo pelo seu enquadramento arquitectónico e constitui uma boa oportunidade para atrair público àquela zona da cidade, mas as condições oferecidas aos espectadores são muito desconfortáveis: ou se vai cedo e se encontra um dos poucos lugares sentados ou se assiste de longe, de pé e com pouca visibilidade. Mas o melhor é que cada um experimente!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

EURO 2012: as traições da trave e do poste

Para a equipa portuguesa de futebol terminou o campeonato da Europa, com um resultado que para mim foi inesperado e surpreendente. Os jogadores superaram as minhas expectativas. Tudo tinha começado com 51 equipas nacionais que disputaram eliminatórias em nove grupos. Apuraram-se 14 selecções, incluindo a equipa portuguesa, a que se juntaram a Polónia e a Ucrânia como países organizadores, tendo ficado pelo caminho 35  selecções, entre as quais as que representam a Bélgica, Turquia, Roménia, Sérvia, Suiça, Áustria, Noruega, Finlândia e Hungria.
O campeonato começou a 8 de Junho e, depois de uma tangencial derrota com a Alemanha, a selecção portuguesa derrotou a Dinamarca, a Holanda e a República Checa, com os golos necessários e várias bolas na trave. Assim chegou às meias finais, o que significa que se colocou entre as quatro melhores selecções europeias, juntamente com a Espanha, a Itália e a Alemanha, enquanto as equipas da Inglaterra, França, Rússia e Suécia, por exemplo, regressaram mais cedo a casa.
O povo e em especial os emigrantes portugueses ficaram contentes e, muito a propósito, foi dito que em nenhum outro sector das nossas actividades somos tão respeitados na Europa.
Na meia-final a equipa portuguesa defrontou a Espanha e, depois de 120 minutos de jogo muito equilibrado e muito incerto quanto ao vencedor, veio a decisão por penaltis. O equilíbrio continuou até que Bruno Alves atirou à trave e a bola não entrou, enquanto, no minuto seguinte, Cesc Fabregas atirou ao poste e a bola entrou. A sorte do jogo esteve na trave e no poste. Lá longe, o jornal Hoje Macau não deixou de reparar nesse pequeno pormenor da trave e do poste que nos "atraiçoaram".

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Uma grande festa futebolística ibérica

Daqui a algumas horas as selecções de futebol representativas de Portugal e de Espanha irão disputar um lugar na final do EURO 2012.
Os jornais portugueses e espanhóis parecem ter esquecido os problemas financeiros e económicos, a profunda crise social e o preocupante desemprego que estão a devastar psicologicamente a península Ibérica, para se concentrarem nesse embate futebolístico. Porém, esse jogo também está a despertar as atenções da imprensa internacional e as fotografias de Cristiano Ronaldo e de Andrés Iniesta, entre outras, ilustram as primeiras páginas de inúmeros jornais europeus, latino-americanos e asiáticos, como acontece por exemplo com o diário mexicano Estádio.
Mesmo que o futebol tenha uma dimensão secundária na vida da maioria de nós, não há dúvida que este jogo Portugal-Espanha que hoje se disputa na cidade ucraniana de Donetsk, é uma grande festa ibérica e é também um acontecimento mundial. Por via do futebol e da sua espectacularidade, os humilhantes discursos sobre os resgates e sobre as dívidas ibéricas ficarão esquecidos por algum tempo.
Muitos milhões de pessoas irão seguir o jogo pela televisão. Eu assim farei, com a esperança de que a equipa portuguesa atinja a final do EURO 2012, para alegria dos portugueses, que tanto merecem essa alegria.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Artesanato para ver... ou para comprar

Inicia-se no próximo dia 30 de Junho a edição de 2012 da Feira Internacional do Artesanato (FIA), que decorrerá nas instalações da FIL, no Parque das Nações, em Lisboa. O evento prolonga-se até ao dia 8 de Julho e está prevista a participação de seis centenas de expositores oriundos de quarenta países dos cinco continentes, sendo a Argentina o país que este ano tem o estatuto de convidado e aquele a que, naturalmente, será dado maior destaque.
A FIA já se realiza em Lisboa desde há 24 anos e é considerada o maior palco da cultura material e imaterial da Península Ibérica e o segundo a nível europeu. Na edição deste ano, a FIA não se limita à exposição e venda de peças de artesanato, pois serão organizadas actividades lúdico-culturais, feiras de gastronomia e doçaria, exposições e workshops para atrair o público.
A FIA 2012 estará diariamente aberta ao público entre as 15.00 e as 24.00 horas e a entrada individual tem o preço de 5 euros, excepto para estudantes e seniores, que pagarão apenas 2 euros. Trata-se, evidentemente, de uma feira que é uma expressão da cultura popular de diferentes origens a justificar uma visita e, eventualmente, a aquisição de uma peça mais sugestiva ou mais original.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

The Tall Ships Races Lisbon 2012


O porto e a cidade de Lisboa vão receber entre 19 e 22 de Julho, cerca de seis dezenas de Grandes Veleiros, nos quais se espera estejam embarcados aproximadamente cinco mil jovens tripulantes em representação de cerca de cinco dezenas de nacionalidades.
Trata-se da edição de 2012 da The Tall Ships Races, na qual os Grandes Veleiros internacionais chegarão a Lisboa vindos de Saint-Malô e, depois da sua escala no porto do rio Tejo, seguirão para Cadiz, La Coruña e Dublin.
As The Tall Ships Races são regatas promovidas anualmente pela Sail Training Internacional visando uma partilha de experiências de treino de mar através do embarque de jovens de todo o mundo e, no passado, essas regatas visitaram Lisboa em 1956, 1982, 1992, 1998 e 2006. Nesta sua sexta visita a Lisboa e durante os quatro dias de permanência, na área ribeirinha do porto de Lisboa, entre Santa Apolónia e a Praça do Comércio, o público terá a oportunidade de visitar esses Grandes Veleiros, assistir a concertos, espectáculos e outras iniciativas lúdicas. Porém, o ponto alto do evento será o desfile náutico no rio Tejo no final da manhã do dia 22 de Julho, no qual se espera que tomem parte a barca Sagres, os lugres CreoulaSanta Maria Manuela, a caravela Boa Esperança e muitos outros veleiros. Como se costuma dizer: a não perder!
Depois da recente passagem por Lisboa da Volvo Ocean Race, esta escala lisboeta da The Tall Ships Races, vem chamar-nos a atenção para a importância do porto de Lisboa como escala internacional dos grandes eventos náuticos e para a necessidade de melhor valorizarmos a vocação marítima de Portugal.

sábado, 23 de junho de 2012

Esta austeridade não é solução

Um dia destes, falando no Luxemburgo com aquela entoação monocórdica que já incomoda, o ministro das Finanças salientou que “a informação disponível sobre o comportamento das receitas não é positiva” e anunciou “um aumento significativo nos riscos e incertezas que afectam a execução orçamental”, mas reafirmou o objectivo de cumprir o défice para 2012.
Estas declarações mostram que nem tudo vai bem na execução orçamental, configuram um cenário desastroso e revelam que o objectivo de se conseguir um défice de 4.5% em 2012 está em risco. Agora, ou se reforça a receita com mais impostos, ou se reduzem as despesas ou se convencem as autoridades de Bruxelas a aceitar uma renegociação dos nossos compromissos. É uma situação muito preocupante que a todos nos deve incomodar e, infelizmente, parece que a execução orçamental anda à deriva. Sempre nos foi dito que nada disto seria necessário. De facto, tinha sido previsto que no corrente ano a receita do IVA deveria aumentar 13,6%; depois corrigiu-se essa previsão para 10,6%; agora vêem dizer-nos que vai haver uma quebra de 2.8%. Significa que em poucos meses já existe um desvio de 17.4% entre a primeira e a actual previsão! Isto é que é um desvio colossal! Eu interrogo-me como foi possível tanta cegueira política e tanta ignorância económica, que não deixaram prever os efeitos – directos, indirectos e induzidos – provocados pelo brutal arrefecimento da economia, pela quebra de rendimento das famílias e do consumo, pelo encerramento de empresas e pelo incontrolado aumento do desemprego. Definitivamente, esta austeridade não é solução, até porque está claramente entregue a contabilistas que não estão atentos nem conhecem a realidade do nosso país.
 

Um grande marinheiro!

Porto – Cais da Ribeira
Hoje é noite de São João e a cidade do Porto está em festa, sobretudo nas zonas ribeirinhas e, em especial, no Cais da Ribeira.
É exactamente aí, no segundo andar do prédio situado na rua da Lada, nº 24, próximo das Alminhas da Ponte – um baixo relevo em bronze evocativo da tragédia da Ponte das Barcas ocorrido em 29 de Março de 1809 quando do cerco da cidade pelas tropas do Marechal Soult – que, sobre uma parede de azulejo, se encontra uma lápide com a seguinte inscrição:

Nesta casa nasceu em 18 de Maio de 1881 o Comandante Carvalho Araújo,
que morreu no mar em combate na defesa da Pátria, em 14 de Outubro de 1918

Embora nascido no Porto, José Botelho de Carvalho Araújo passou a infância e a adolescência em Vila Real. Em 1895 ingressou na Escola Naval como Aspirante de Marinha, vindo a tomar parte na revolução de 5 de Outubro de 1910. Depois foi deputado à Assembleia Constituinte pelo círculo de Vila Real e foi governador do distrito moçambicano de Inhambane.
No dia 18 de Outubro de 1918 comandava o caça-minas "Augusto de Castilho" no mar dos Açores, escoltando o paquete "S. Miguel" que navegava do Funchal para Ponta Delgada com mais de um milhar de passageiros, quando foi atacado pelo submarino alemão U-139. Com o seu frágil navio enfrentou o poderoso submarino para dar tempo a que o paquete e os seus passageiros se salvassem, mas nesse desigual combate em que cumpriu o seu dever, veio a perder a vida. Este combate constitui um dos mais célebres episódios da participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial.
Hoje, como ex-deputado e ex-governador, o valente Carvalho Araújo não estaria a comandar o caça-minas "S. Miguel" mas, certamente, estaria na Administração da EDP, CGD, PT, GALP, CIMPOR ou coisa assim. São outros os tempos e diferentes as vergonhas. A cidade de Vila Real homenageou o exemplo do Comandante Carvalho Araújo com uma estátua e a Marinha Portuguesa adoptou-o como um dos seus maiores símbolos. Um grande marinheiro!

"Europe’s most dangerous leader"

A quase centenária revista britânica New Statesman que é publicada semanalmente em Londres, tem um conteúdo essencialmente político. Na sua última edição trata da situação europeia e nela se destaca, em especial, um artigo de Mehdi Hasan intitulado Angela Merkel’s mania for austerity is destroying Europe”. Há duas semanas atrás, também The Economist dizia mais ou menos a mesma coisa e, perante a ameaça de uma recessão mundial, pedia: Start the engines, Angela! 
O artigo de Medhi Hasan começa por perguntar qual o líder mundial que mais ameaça a ordem e a prosperidade globais? O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad? Errado. O primeiro ministro de Israel Binyamin Netanyahu? Errado. O líder norte-coreano Kim Jong-un? Outra vez errado. E surpreendentemente, o autor do artigo responde: é uma fã de ópera, bem educada e antiga farmacêutica que está à frente da Alemanha há sete anos, cuja solução para a crise financeira da Europa - ou a falta dela - pôs a Europa, e talvez o mundo, à beira de uma segunda Grande Depressão. E o artigo acrescenta: “Merkel is the most dangerous German leader since Hitler”, porque está a destruir o processo de reabilitação da reputação alemã que os seus  oito antecessores, desde Konrad Adenauer a Gerhard Schröder, tinham lentamente recuperado. Com o desemprego jovem a atingir os 50 por cento no sul da Europa, com o aumento da tensão social, da contestação nas ruas e dos motins, com a extrema direita europeia a atrair novos adeptos entre os desempregados e os desesperados, a situação social resultante das políticas de austeridade é cada dia mais complexa. E o artigo termina com uma óbvia conclusão: "Merkel is destroying the European project, pauperising Germany’s neighbours and risking a new global depression. She must be stopped". Muito inquietante, indeed! Bom seria que este artigo fosse lido pelos boys que nos dirigem e que tanto gostam das orientações de Frankfurt e de Berlim.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Viva o futebol! A crise pode esperar...

Não tenho quaisquer pretensões futebolísticas a não ser gostar muito de ver futebol, de preferência no conforto doméstico e com a repetição das melhores jogadas. A barafunda que é o trajecto para os estádios, o eco dos insultos entre os dirigentes e a agressividade verbal das claques não me atraem. Tenho pouca apetência para ser treinador de bancada e devo saber pouco da matéria, que cada dia é mais embrulhada e rebuscada em discursos pretensamente tácticos e estratégicos. Provavelmente, tudo isso é uma reacção pessoal complexada de quem gostaria de ter sido um bom jogador, mas não ter passado de um medíocre praticante. Apesar de ter uma formação futebolística adquirida ao longo de muitos anos, através dos ensinamentos de grandes comentadores de referência como Alves dos Santos e Gabriel Alves e, mais recentemente, Rui Santos, apenas posso dizer que ontem vi o Portugal-República Checa e fiquei encantado. Não vi defeito táctico nem erro de opção estratégica. Foi um grande jogo. Entusiasmei-me. Fiquei eufórico com o jogo e com o resultado. A televisão mostrou o povo sofredor a festejar. A nossa imprensa destacou o grande jogo e a fotografia do Cristiano Ronaldo apareceu nas primeiras páginas da imprensa internacional. Assim, é caso para dizer:
Viva o futebol. A crise pode esperar...
Porém, este enorme sucesso da selecção nacional e dos jogadores que tanto anima a nossa auto-estima colectiva, não me faz retirar nenhuma das críticas que fiz ao circo, ao endeusamento prematuro dos jogadores, ao exibicionismo novo-riquista e à verdadeira anestesia com que a comunicação social nos tem brindado.  

Há mais estrelas no céu

Entre os dias 9 e 17 de Junho decorreu a 76ª edição da Volta à Suiça em bicicleta, na qual participaram 160 ciclistas que tiveram que trepar muitas montanhas ao longo das nove etapas da prova. Apenas 92 desses atletas chegaram ao fim, significando que houve mais de 40% de abandonos, o que evidencia a grande dureza e dificuldade da corrida.
O vencedor desta prova chama-se Rui Alberto Faria da Costa. É natural da Aguçadora, nas proximidades da Póvoa de Varzim, tem 25 anos de idade e corre pela equipa espanhola da Movistar. Deixou nos lugares secundários alguns ciclistas de nomeada como o luxemburguês Frank Schleck e o americano Levi Leipheimer, enquanto o outro português em prova, o vice-campeão olímpico Sérgio Paulinho, se classificou no 45º lugar.
Rui Costa é, portanto, um grande campeão.
Há cerca de três anos emigrou para Espanha e apostou numa carreira ciclista internacional. Em 2011 venceu o Grande Prémio Ciclista de Montreal, a Volta à Comunidade de Madrid e a 8ª etapa da Volta à França. O seu triunfo na Volta à Suiça é a primeira vitória de um ciclista português numa prova por etapas do circuito ciclista internacional. Desportivamente, é um feito notável. Porém, obcecada com o futebol, a nossa imprensa desportiva que tanto promove futebolistas de terceira categoria, quase ignorou Rui Costa e o seu feito, como se o nosso desporto apenas tivesse estrelas futebolísticas. Lamentável.

A festança continua na RTP

Na sua função de regulador da vida da comunidade, o Estado indemniza algumas empresas pelos serviços que prestam ao público. Na primeira linha desses apoios empresariais estão as empresas de transportes que são compensadas pelo facto de praticarem tarifas abaixo do preço de custo em benefício dos utentes e em especial, das classes trabalhadoras e dos reformados.
Agora o Jornal de Notícias veio anunciar que o valor das indemnizações pagas pelo Estado aos transportes urbanos de Lisboa e Porto – Carris, STCP e os Metropolitanos das duas cidades –  caiu um terço em relação a 2011 e que, conjuntamente, as quatro empresas vão receber apenas 90 milhões de euros. É um sinal dos tempos e do aperto que, directa ou indirectamente, cai sempre sobre os mesmos. Porém, o mesmo jornal também informa que a RTP recebe tanto como essas quatro empresas, o que nos deixa absolutamente pasmados porque, enquanto essas quatro empresas são essenciais para a nossa vida, a RTP não nos serve para nada. Vendam-na já, por favor. É um luxo que dispensamos. Temos dezenas de outros canais e a RTP limita-se a servir-nos uma programação quase sempre de baixa qualidade, frequentemente esbanjadora e, muitas vezes, excessivamente foleira e brejeira, para não citar a informação produzida por repórteres por vezes mal preparados, que se passeiam por todo o lado a gastar o nosso dinheiro. Ninguém tem mão naquilo. No meio desta desgraça, as furtados, os malatos e outros que tais, lá continuam a encher os bolsos à custa dos contribuintes. A festança continua na RTP. É uma enorme tristeza!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ainda bem que me enganei!

O passado domingo foi um dia de grandes acontecimentos e, naturalmente, no dia seguinte sucedeu-se um dia de grandes notícias. Na Grécia aconteceram as eleições legislativas que deram uma vitória escassa ao partido da Nova Democracia, que defende a permanência na moeda única e o cumprimento dos memorandos que foram assinados com a troika. Em França registou-se a vitória do Partido Socialista que, além do presidente e do governo, passou a ter uma confortável maioria na Assembleia Nacional. No Egipto realizou-se a 2ª volta das primeiras eleições presidenciais desde a queda de Hosni Mubarak e a Irmandade Muçulmana já reivindica a vitória do seu candidato Mohammed Morsi, embora os resultados oficiais só devam ser divulgados a meio da semana.
Porém, para a imprensa portuguesa a notícia que teve maior destaque foi o apuramento da selecção nacional de futebol para os quartos de final do EURO 2012, depois de ter derrotado, primeiro a Dinamarca e, agora, a poderosa Holanda. Com aqueles resultados a selecção nacional colocou-se no grupo das oito melhores selecções europeias de futebol e esse facto contribui para aumentar a auto-estima de um país angustiado, que está a ser sufocado pelos seus governantes em nome de interesses que cada vez mais duvidosos e confusos para toda a gente. O Diário de Notícias dá os parabéns a Portugal e eu dou os parabéns aos jogadores. Eles são mesmo bons. Depois do circo que foi o estágio em Óbidos, este resultado foi inesperado e, para mim, foi uma grande surpresa. Eu não estava à espera desta alegria. Ainda bem que me enganei!

A Europa ainda respira?


O resultado das eleições gregas gerou uma onda de alívio na generalidade dos países europeus, conforme revelam os títulos dos seus principais jornais, ao referirem que a Europa ainda respira e que o euro está salvo. Não tenho a certeza que assim seja.
A vitória da Nova Democracia com 29,66% dos votos foi muito escassa e, por isso, a governabilidade do país só será assegurada através da coligação com outros partidos, o que não se afigura fácil de concretizar e pode, inclusivamente, deixar tudo tal como estava antes das eleições ou ainda mais agravado, porque cada dia que passa torna tudo mais difícil. A equação grega está portanto mais complexa e, ao contrário do que é sugerido pela imprensa europeia, as eleições não vieram alterar substancialmente a situação, porque não surgiram novas ideias quanto à superação da crise social, da dívida pública, do desemprego ou da recessão económica. A vontade política da poderosa Alemanha e dos especuladores financeiros não se alterou. A desmoralização grega acentua-se e, curiosamente, ninguém festejou nas ruas o resultado das eleições. Apenas ficou expressa a vontade grega de permanecer no euro, porque está assumido que a passagem do euro para o dracma teria aspectos muito trágicos para as famílias e para as empresas.
Os famosos opinion makers Paul Krugman e Nouriel Roubini não se deixaram convencer por estes resultados e a sua previsão fatalista mantém-se: a Grécia acabará por sair do euro. E, como tem sido repetidamente dito, essa saída será uma caixa de Pandora para a Europa.

sábado, 16 de junho de 2012

O Chá. De Oriente para Ocidente

A Fundação Oriente inaugurou uma exposição intitulada O Chá. De Oriente para Ocidente que exibe cerca de 250 peças de tipologias tão distintas como a porcelana, prataria, pintura, escultura, mobiliário, bibliografia ou espécimes em herbário. As peças em exposição pertencem ao acervo do Museu do Oriente, a coleccionadores particulares e a diversos museus como o Museu Nacional de Arte Antiga, Museu de Marinha, Palácio Nacional da Ajuda, Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, Museu do Chiado, Biblioteca Nacional de Portugal, entre outros. A excelente e diversificada mostra está organizada em sete núcleos que nos permitem acompanhar o ciclo do chá desde o seu cultivo, transporte e comércio, preparação, porcelanas (bules, chávenas e caixas) e respectivos ambientes sociais no Oriente e na Europa. A exposição destaca o papel de Portugal como mediador no conhecimento do chá entre o Oriente e a Europa e, mais do que uma simples mostra de peças, contextualiza-as e insere-as no seu próprio mundo, mostrando que existe um informal diálogo civilizacional entre dois mundos culturais. A exposição é apoiada por um erudito catálogo e estará patente até ao dia 13 de Janeiro. A sua qualidade estética e pedagógica, torna muito recomendável uma visita a esta excelente exposição.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Festival Rio Loco 2012 - Lusofonia

As culturas dos países de língua portuguesa são as grandes protagonistas do Festival Rio Loco 2012, que decorre desde 13 Junho até 17 de Junho junto às margens do rio Garona na cidade francesa de Toulouse e que espera receber mais de cem mil pessoas. O festival é organizado pelo Município de Toulouse e, este ano, constitui uma mostra das culturas lusófonas, não apenas na sua vertente musical, mas também em outras vertentes, como a gastronomia e a arte popular. Esta 18ª edição do festival foi baptizada Lusofonia por se inspirar nas identidades culturais do mundo lusófono e homenageia especialmente Cesária Évora, através de um concerto de homenagem apresentado por Tito Paris em parceria com outros artistas cabo-verdeanos. Além deste concerto, o festival inclui mais dezoito concertos distribuídos por cinco dias, que serão apresentados por grupos ou artistas brasileiros (6), portugueses (5), angolanos (3), cabo-verdeanos (2) e, ainda, por um grupo de Moçambique e outro da Guiné-Bissau. O jornal La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse, anuncia o festival com grande destaque na sua primeira página com uma fotografia e a frase Rio Loco: musiques en lusophonie. As presenças portuguesas no Rio Loco 2012 são asseguradas pelo grupo Madredeus, que actuou na cerimónia inaugural do dia 13 de Junho, enquanto para hoje está programada a apresentação de concertos por António Zambujo, Mariza e António Chainho, num dia dedicado ao fado. Amanhã apresentar-se-à o guitarrista Norberto Lobo, acompanhado pelo contrabaixista Carlos Bica. Esta presença cultural além-Pirinéus é muito prestigiante e é um contributo para a afirmação da Lusofonia, não só como a terceira língua europeia mais falada no mundo, mas também como uma amálgama cultural onde coexistem o fado, o samba, a morna, a bossa nova e outros géneros musicais.