quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quem semeia ventos, colhe tempestades!

Nos últimos tempos estivemos tão concentrados nas coisas do futebol e no que se passava nos relvados, que nem demos a devida atenção ao que se passava com o relvas, habituados como estávamos a ouvi-lo falar de tudo, de bandeirinha na lapela e sempre rodeado de abraços, vénias e seguranças. Muito se escreveu sobre o poderoso relvas, dizendo-se que tudo controlava e que até o nosso primeiro dele dependia. Porém, nas últimas semanas o relvas foi protagonista da nossa imprensa por razões menos felizes. Em sucessivos artigos, era denunciado o uso de um excessivo poder, as pressões e as ameaças feitas sobre a imprensa, as ligações às secretas, à televisão pública e aos grandes interesses económicos internos e internacionais. O relvas parecia atravessar transversalmente a nossa sociedade. Estava em todas e a inteligente e arguta Clara Ferreira Alves já lhe dedicara um interessante artigo a propósito das suas ligações à Família Santos e à terra africana onde ele próprio crescera.
De repente, surgiu a dúvida e levantou-se o problema de saber se o relvas era doutor ou apenas um simples licenciado, qual era a sua especialização e como atingira tão elevado patamar académico. O assunto demorou algum tempo a esclarecer. Soube-se agora que o percurso académico do relvas é um cambalacho de todo o tamanho. Aparentemente fez uma ou duas cadeiras das 36 a que o plano de estudos o obrigava e, ao fim de um ano, teve o diploma. Uma vergonha para ele, para a instituição universitária e para nós todos. Algumas  universidades entraram na promíscua relação entre a política e os negócios e, aparentemente, andam muitos relvas por aí. Como se imaginava. Agora fico com a curiosidade de ouvir aqueles que tanto atacaram o pinto de sousa por muito menos. E não tardará a aparecer um qualquer paco bandeira a cantar: ó relvas, ó relvas, badajoz à vista...  
É sempre assim: quem semeia ventos, colhe tempestades!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Alguém nos anda a enganar


A falência do Lehman Brothers, ocorrida em Setembro de 2008,  deu origem a uma grave crise financeira nos EUA, que contagiou o sistema financeiro mundial e veio a permitir a detecção de uma generalizada situação de incontrolada ganância, desmedida ambição e fraudulenta actividade bancária  em diversos países.  Muitos bancos deixaram de ser os locais onde as pessoas depositavam o seu dinheiro, para se tornarem centros de criminosa especulação. Em Portugal, a face mais visível dessa realidade foram os escândalos do BPN e do BPP, casos ainda por esclarecer e responsabilizar convenientemente. Como é triste e lamentável esta impunidade que nos envergonha!
Neste quadro de fragilidades, em Julho de 2011 as nossas autoridades financeiras e a banca portuguesa “respiraram de alívio” com a divulgação dos resultados positivos dos chamados testes de stress realizados no quadro do BCE. O Banco de Portugal, que foi a entidade responsável pela condução desses testes, anunciou então que o BCP, o BPI, a CGD e o Espírito Santo Financial Group, a holding que detém o BES, tiveram nota positiva nesses testes de resistência.
Passou menos de um ano e, agora, vem o ministro das Finanças anunciar que o Estado vai injectar mais de 6 mil milhões na banca: BCP e BPI com 4,5 mil milhões de euros e a CGD com 1,65 mil milhões, o que coloca os três maiores bancos portugueses “entre os mais bem capitalizados da Europa”. O BES parece ir ficar fora desta via de capitalização, pois realizou recentemente um aumento de capital de 1.010 milhões de euros, evitando assim o recurso ao apoio estatal. O assunto é controverso e complexo. Porém, se os testes de stress foram positivos em Julho de 2011, como surgiu esta necessidade de capitalização da banca em Julho de 2012? A quem aproveita tudo isto? É evidente que alguém nos anda a enganar. Ou não?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Helsinki 2012: ouro para Dulce Félix

Decorreram em Helsinquia os Campeonatos Europeus de Atletismo e, no quadro oficial das medalhas conquistadas, verifica-se que foram medalhados atletas de 27 países e que Portugal aparece colocado na 11ª posição dessa tabela. Foi um resultado positivo para a representação portuguesa que conquistou três medalhas: uma de ouro por Dulce Félix que se tornou campeã europeia dos 10 mil metros, uma de prata por Patrícia Mamona que se classificou em 2º lugar no triplo salto e uma de bronze por Sara Moreira, que obteve o 3º lugar nos 5 mil metros. Todas estão de parabéns, especialmente Dulce Félix, até porque o seu êxito fez com que o hino nacional fosse ouvido na Finlândia.
O atletismo não é um desporto de massa e a preparação de atletas para a alta competição é, provavelmente, mais exigente do que em qualquer outra modalidade desportiva, implicando muitos anos de preparação e treino, para além de muito sacrifício e de muita privação. A escada do sucesso é longa e com muitos degraus que são percorridos anonimamente e no esquecimento dos jornais e das televisões. Porém, no historial olímpico português que regista apenas 22 medalhas, verifica-se que 11 foram conquistadas no atletismo (incluindo 4 medalhas de ouro), o que dá à modalidade um especial estatuto no panorama desportivo português. No caso de Dulce Félix, que em Novembro se classificara em 4º lugar na maratona de Nova York, o resultado agora obtido deixa boas perspectivas para os Jogos Olímpicos de Londres onde irá correr a maratona. Será a sucessora de Rosa Mota por que esperamos há muitos anos?

“Invencible España”

A selecção espanhola ganhou com brilho o campeonato da Europa de Futebol e, se tomarmos em conta as vitórias no campeonato da Europa de 2008 e no campeonato do Mundo de 2010, este resultado é um acontecimento único na história do futebol mundial. Os espanhóis que tão preocupados têm andado com a crise financeira, o enorme desemprego e as complexas questões das autonomias, para além das fragilidades e dos imbróglios da sua realeza, explodiram de incontida alegria e exibiram um sentido de unidade e de orgulho nacional que só o futebol lhes poderia dar: Invencible España, titula o ABC, mas esse é apenas um exemplo do exagero em que terá caído a imprensa espanhola.
De facto, a Espanha vive hoje um momento único de júbilo e festeja euforicamente este resultado. Todos os seus problemas foram postos para segundo plano e a simbólica fotografia dos jogadores a levantar a taça conquistada, ilustra as capas de todos os jornais espanhóis - nacionais, regionais, generalistas, desportivos e até económicos. É realmente um momento único na vida de nuestros hermanos.
No plano desportivo a vitória espanhola foi indiscutível e pode afirmar-se que ganhou o melhor ou quem mais mereceu.
No entanto, o reconhecimento do mérito da vitória espanhola também serve para nos recordar que estivemos tão perto e que fomos traídos por traves e postes.
Los españoles ganaron bien, pero no son invencibles. Nosotros lo sabemos bien!  

domingo, 1 de julho de 2012

UNESCO distinguiu os fortes de Elvas

A 36ª sessão do Comité do Património  Mundial da UNESCO que tem estado reunido em São Petersburgo, na Rússia, classificou como Património Cultural da Humanidade as muralhas e fortificações de Elvas, que constituem a maior fortificação abaluartada do mundo.
O conjunto de fortificações que foram classificadas estendem-se por um perímetro de cerca de dez quilómetros e por uma área de 300 hectares, onde se incluem todas as fortificações da cidade, os dois fortes - o Forte de Santa Luzia do século  XVII e o Forte da Graça do século XVIII -, os três fortins do século XIX, as três muralhas medievais e a muralha do século XVII, além do famoso Aqueduto da Amoreira, um dos ex-libris da cidade. Com a classificação das muralhas e fortificações de Elvas, passa a haver 14 bens culturais ou naturais portugueses inscritos na World Heritage List da UNESCO.
O reconhecimento do valor histórico e arquitectónico do património edificado em Elvas, por parte da UNESCO, também valoriza substancialmente a cidade e torna-a num pólo de atracção do turismo cultural, facto a que as autoridades locais não deixarão de estar atentas. Por isso, para tantos portugueses que por lá passam ao lado na "sofreguidão" das compras em Badajoz, parece ser a altura de visitarem a monumentalidade de Elvas e de apreciarem a sua gastronomia, pois há muitos e bons sítios para isso.

sábado, 30 de junho de 2012

Esta receita teimosa e cega está a falhar

O jornal i anuncia hoje que o CDS põe em causa o resultado do programa da troika e diz também que a receita falhou e que o défice já vai em 7,9%, ilustrando estas notícias com um mapa de Portugal a afundar-se, como se fosse um Titanic. Não creio que a situação seja assim tão má em termos de flutuabilidade do país, mas também penso que as coisas não estão a correr bem e, muito menos, a merecer os auto-elogios governamentais que se ouvem com frequência. Sabemos que o caso vem de longe, de há muitos anos, e é difícil, mas a solução não está nos boys e nos seus assessores que tomaram conta da loja. Inexperientes. Ignorantes. Incompetentes. Ausentes do país real. Vaidosos. Sedentos por viagens.
Os números falam por si e são desconsoladores, no que respeita ao défice orçamental, à dívida (sobretudo das empresas e dos particulares) e ao desemprego, mas também quanto à emigração para o estrangeiro, à falta de investimento, às ameaças à coesão social, à tristeza nacional que nos domina e à desorientação geral que nos governa.
Pelas ruas das nossas cidades nós vemos as lojas vazias e o pequeno comércio a fechar, muita gente a mendigar ou a oferecer os seus serviços ocasionais, muitos a viverem de expedientes e muitos outros a temerem pelo seu posto de trabalho. Vemos um novo tipo de pobreza e adivinhamos que há fome naqueles que, nos caixotes do lixo, procuram qualquer coisa com que se alimentar. E há o contraste com o exibicionismo das comitivas oficiais e dos seus carros de luxo, a começar pelo VCE. E há os salários e as pensões milionárias em que ninguém toca. Jardim Gonçalves é apenas um obsceno exemplo, mas há muitos mais. O povo começa a reagir. Em Castelo Branco. Na Covilhã. Esta receita, teimosa e cega, de uma austeridade que bate sempre nos mesmos, falhou como afirma o jornal i.
Mudem de rumo e depressa!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Começamos a ficar cansados desta farsa


O Instituto Nacional de Estatística divulgou o valor nominal do défice das Administrações públicas que atingiu os 3.217 milhões de euros no 1º trimestre de 2012, um valor que compara com os 3.097 milhões de euros registados no final do primeiro trimestre de 2011. Analisando estes dados em percentagem do PIB, verifica-se um agravamento dos 7,5% do final do 1º trimestre de 2011 para os 7,9% registados no 1º trimestre de 2012. A principal explicação para esta evolução negativa do défice, que aumenta face ao ano passado apesar de todas as medidas de austeridade, está na diminuição da receita dos impostos e no aumento da despesa com as contribuições sociais. O cidadão comum e, em especial, os desempregados, os pensionistas e os funcionários públicos, não compreendem como se chegou a este resultado, apesar do “assalto” que tem sido feito aos rendimentos de quem trabalha ou já trabalhou. Há um ano tinham-nos prometido um défice de 4.5% e afinal estão nos 7.9%. Onde estavam as gorduras do Estado? Onde estava a incompetência socrática? Onde estavam as soluções e as facilidades que com arrogância nos prometeram os catrogas, os moedas, os coelhos, os nogeiras, os álvaros, os cantigas e outros que tais? Foi uma encenação e tudo não passou de despudorada propaganda. Afinal o resultado desta governação é medíocre e os seus responsáveis revelam-se incompetentes e impreparados.
O monocórdico ministro que é o rosto deste fracasso da execução orçamental já disse que "está a correr pior que o esperado" e que isso significava um aumento dos "riscos e incertezas" relativamente à possibilidade de cumprir a meta para o défice e, perante este quadro, o governo até já sugere a aplicação de mais medidas de austeridade. Isso é o que faria o merceeiro da esquina. Começamos a ficar cansados desta farsa.

O Festival ao Largo 2012

Com uma programação quase diária,  vai ser apresentada no espaço fronteiro ao Teatro Nacional de São Carlos em Lisboa, a edição de 2012 do Festival ao Largo, onde desde 29 de Junho a 29 de Julho e sempre a partir das 22:00 horas, vai estar presente a música, enquadrada em espaços de dança e ópera. Será uma grande festa dedicada à música sinfónica, coral-sinfónica e à dança, em que músicos, cantores, bailarinos, maestros e coreógrafos, de renome nacional e internacional, proporcionarão ao público cerca de duas dezenas de espectáculos ao ar livre e sempre de entrada gratuita.  A programação desta 3ª edição do Festival ao Largo é de grande qualidade e aprofunda a dimensão da ópera, da dança e da música de cena, que são os géneros mais estreitamente ligados às instituições que dão corpo a este festival - o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) e a Companhia Nacional de Bailado (CNB), mas também aborda as músicas do mundo, o teatro e a dança ao ar livre. O programa que está a ser divulgado apresenta uma enorme variedade da oferta, que inclui apresentações da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do TNSC, da Orquestra Chinesa de Macau e de muitos outros grupos nacionais e estrangeiros. O local é particularmente adequado para a realização de um festival deste tipo pelo seu enquadramento arquitectónico e constitui uma boa oportunidade para atrair público àquela zona da cidade, mas as condições oferecidas aos espectadores são muito desconfortáveis: ou se vai cedo e se encontra um dos poucos lugares sentados ou se assiste de longe, de pé e com pouca visibilidade. Mas o melhor é que cada um experimente!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

EURO 2012: as traições da trave e do poste

Para a equipa portuguesa de futebol terminou o campeonato da Europa, com um resultado que para mim foi inesperado e surpreendente. Os jogadores superaram as minhas expectativas. Tudo tinha começado com 51 equipas nacionais que disputaram eliminatórias em nove grupos. Apuraram-se 14 selecções, incluindo a equipa portuguesa, a que se juntaram a Polónia e a Ucrânia como países organizadores, tendo ficado pelo caminho 35  selecções, entre as quais as que representam a Bélgica, Turquia, Roménia, Sérvia, Suiça, Áustria, Noruega, Finlândia e Hungria.
O campeonato começou a 8 de Junho e, depois de uma tangencial derrota com a Alemanha, a selecção portuguesa derrotou a Dinamarca, a Holanda e a República Checa, com os golos necessários e várias bolas na trave. Assim chegou às meias finais, o que significa que se colocou entre as quatro melhores selecções europeias, juntamente com a Espanha, a Itália e a Alemanha, enquanto as equipas da Inglaterra, França, Rússia e Suécia, por exemplo, regressaram mais cedo a casa.
O povo e em especial os emigrantes portugueses ficaram contentes e, muito a propósito, foi dito que em nenhum outro sector das nossas actividades somos tão respeitados na Europa.
Na meia-final a equipa portuguesa defrontou a Espanha e, depois de 120 minutos de jogo muito equilibrado e muito incerto quanto ao vencedor, veio a decisão por penaltis. O equilíbrio continuou até que Bruno Alves atirou à trave e a bola não entrou, enquanto, no minuto seguinte, Cesc Fabregas atirou ao poste e a bola entrou. A sorte do jogo esteve na trave e no poste. Lá longe, o jornal Hoje Macau não deixou de reparar nesse pequeno pormenor da trave e do poste que nos "atraiçoaram".

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Uma grande festa futebolística ibérica

Daqui a algumas horas as selecções de futebol representativas de Portugal e de Espanha irão disputar um lugar na final do EURO 2012.
Os jornais portugueses e espanhóis parecem ter esquecido os problemas financeiros e económicos, a profunda crise social e o preocupante desemprego que estão a devastar psicologicamente a península Ibérica, para se concentrarem nesse embate futebolístico. Porém, esse jogo também está a despertar as atenções da imprensa internacional e as fotografias de Cristiano Ronaldo e de Andrés Iniesta, entre outras, ilustram as primeiras páginas de inúmeros jornais europeus, latino-americanos e asiáticos, como acontece por exemplo com o diário mexicano Estádio.
Mesmo que o futebol tenha uma dimensão secundária na vida da maioria de nós, não há dúvida que este jogo Portugal-Espanha que hoje se disputa na cidade ucraniana de Donetsk, é uma grande festa ibérica e é também um acontecimento mundial. Por via do futebol e da sua espectacularidade, os humilhantes discursos sobre os resgates e sobre as dívidas ibéricas ficarão esquecidos por algum tempo.
Muitos milhões de pessoas irão seguir o jogo pela televisão. Eu assim farei, com a esperança de que a equipa portuguesa atinja a final do EURO 2012, para alegria dos portugueses, que tanto merecem essa alegria.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Artesanato para ver... ou para comprar

Inicia-se no próximo dia 30 de Junho a edição de 2012 da Feira Internacional do Artesanato (FIA), que decorrerá nas instalações da FIL, no Parque das Nações, em Lisboa. O evento prolonga-se até ao dia 8 de Julho e está prevista a participação de seis centenas de expositores oriundos de quarenta países dos cinco continentes, sendo a Argentina o país que este ano tem o estatuto de convidado e aquele a que, naturalmente, será dado maior destaque.
A FIA já se realiza em Lisboa desde há 24 anos e é considerada o maior palco da cultura material e imaterial da Península Ibérica e o segundo a nível europeu. Na edição deste ano, a FIA não se limita à exposição e venda de peças de artesanato, pois serão organizadas actividades lúdico-culturais, feiras de gastronomia e doçaria, exposições e workshops para atrair o público.
A FIA 2012 estará diariamente aberta ao público entre as 15.00 e as 24.00 horas e a entrada individual tem o preço de 5 euros, excepto para estudantes e seniores, que pagarão apenas 2 euros. Trata-se, evidentemente, de uma feira que é uma expressão da cultura popular de diferentes origens a justificar uma visita e, eventualmente, a aquisição de uma peça mais sugestiva ou mais original.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

The Tall Ships Races Lisbon 2012


O porto e a cidade de Lisboa vão receber entre 19 e 22 de Julho, cerca de seis dezenas de Grandes Veleiros, nos quais se espera estejam embarcados aproximadamente cinco mil jovens tripulantes em representação de cerca de cinco dezenas de nacionalidades.
Trata-se da edição de 2012 da The Tall Ships Races, na qual os Grandes Veleiros internacionais chegarão a Lisboa vindos de Saint-Malô e, depois da sua escala no porto do rio Tejo, seguirão para Cadiz, La Coruña e Dublin.
As The Tall Ships Races são regatas promovidas anualmente pela Sail Training Internacional visando uma partilha de experiências de treino de mar através do embarque de jovens de todo o mundo e, no passado, essas regatas visitaram Lisboa em 1956, 1982, 1992, 1998 e 2006. Nesta sua sexta visita a Lisboa e durante os quatro dias de permanência, na área ribeirinha do porto de Lisboa, entre Santa Apolónia e a Praça do Comércio, o público terá a oportunidade de visitar esses Grandes Veleiros, assistir a concertos, espectáculos e outras iniciativas lúdicas. Porém, o ponto alto do evento será o desfile náutico no rio Tejo no final da manhã do dia 22 de Julho, no qual se espera que tomem parte a barca Sagres, os lugres CreoulaSanta Maria Manuela, a caravela Boa Esperança e muitos outros veleiros. Como se costuma dizer: a não perder!
Depois da recente passagem por Lisboa da Volvo Ocean Race, esta escala lisboeta da The Tall Ships Races, vem chamar-nos a atenção para a importância do porto de Lisboa como escala internacional dos grandes eventos náuticos e para a necessidade de melhor valorizarmos a vocação marítima de Portugal.

sábado, 23 de junho de 2012

Esta austeridade não é solução

Um dia destes, falando no Luxemburgo com aquela entoação monocórdica que já incomoda, o ministro das Finanças salientou que “a informação disponível sobre o comportamento das receitas não é positiva” e anunciou “um aumento significativo nos riscos e incertezas que afectam a execução orçamental”, mas reafirmou o objectivo de cumprir o défice para 2012.
Estas declarações mostram que nem tudo vai bem na execução orçamental, configuram um cenário desastroso e revelam que o objectivo de se conseguir um défice de 4.5% em 2012 está em risco. Agora, ou se reforça a receita com mais impostos, ou se reduzem as despesas ou se convencem as autoridades de Bruxelas a aceitar uma renegociação dos nossos compromissos. É uma situação muito preocupante que a todos nos deve incomodar e, infelizmente, parece que a execução orçamental anda à deriva. Sempre nos foi dito que nada disto seria necessário. De facto, tinha sido previsto que no corrente ano a receita do IVA deveria aumentar 13,6%; depois corrigiu-se essa previsão para 10,6%; agora vêem dizer-nos que vai haver uma quebra de 2.8%. Significa que em poucos meses já existe um desvio de 17.4% entre a primeira e a actual previsão! Isto é que é um desvio colossal! Eu interrogo-me como foi possível tanta cegueira política e tanta ignorância económica, que não deixaram prever os efeitos – directos, indirectos e induzidos – provocados pelo brutal arrefecimento da economia, pela quebra de rendimento das famílias e do consumo, pelo encerramento de empresas e pelo incontrolado aumento do desemprego. Definitivamente, esta austeridade não é solução, até porque está claramente entregue a contabilistas que não estão atentos nem conhecem a realidade do nosso país.
 

Um grande marinheiro!

Porto – Cais da Ribeira
Hoje é noite de São João e a cidade do Porto está em festa, sobretudo nas zonas ribeirinhas e, em especial, no Cais da Ribeira.
É exactamente aí, no segundo andar do prédio situado na rua da Lada, nº 24, próximo das Alminhas da Ponte – um baixo relevo em bronze evocativo da tragédia da Ponte das Barcas ocorrido em 29 de Março de 1809 quando do cerco da cidade pelas tropas do Marechal Soult – que, sobre uma parede de azulejo, se encontra uma lápide com a seguinte inscrição:

Nesta casa nasceu em 18 de Maio de 1881 o Comandante Carvalho Araújo,
que morreu no mar em combate na defesa da Pátria, em 14 de Outubro de 1918

Embora nascido no Porto, José Botelho de Carvalho Araújo passou a infância e a adolescência em Vila Real. Em 1895 ingressou na Escola Naval como Aspirante de Marinha, vindo a tomar parte na revolução de 5 de Outubro de 1910. Depois foi deputado à Assembleia Constituinte pelo círculo de Vila Real e foi governador do distrito moçambicano de Inhambane.
No dia 18 de Outubro de 1918 comandava o caça-minas "Augusto de Castilho" no mar dos Açores, escoltando o paquete "S. Miguel" que navegava do Funchal para Ponta Delgada com mais de um milhar de passageiros, quando foi atacado pelo submarino alemão U-139. Com o seu frágil navio enfrentou o poderoso submarino para dar tempo a que o paquete e os seus passageiros se salvassem, mas nesse desigual combate em que cumpriu o seu dever, veio a perder a vida. Este combate constitui um dos mais célebres episódios da participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial.
Hoje, como ex-deputado e ex-governador, o valente Carvalho Araújo não estaria a comandar o caça-minas "S. Miguel" mas, certamente, estaria na Administração da EDP, CGD, PT, GALP, CIMPOR ou coisa assim. São outros os tempos e diferentes as vergonhas. A cidade de Vila Real homenageou o exemplo do Comandante Carvalho Araújo com uma estátua e a Marinha Portuguesa adoptou-o como um dos seus maiores símbolos. Um grande marinheiro!

"Europe’s most dangerous leader"

A quase centenária revista britânica New Statesman que é publicada semanalmente em Londres, tem um conteúdo essencialmente político. Na sua última edição trata da situação europeia e nela se destaca, em especial, um artigo de Mehdi Hasan intitulado Angela Merkel’s mania for austerity is destroying Europe”. Há duas semanas atrás, também The Economist dizia mais ou menos a mesma coisa e, perante a ameaça de uma recessão mundial, pedia: Start the engines, Angela! 
O artigo de Medhi Hasan começa por perguntar qual o líder mundial que mais ameaça a ordem e a prosperidade globais? O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad? Errado. O primeiro ministro de Israel Binyamin Netanyahu? Errado. O líder norte-coreano Kim Jong-un? Outra vez errado. E surpreendentemente, o autor do artigo responde: é uma fã de ópera, bem educada e antiga farmacêutica que está à frente da Alemanha há sete anos, cuja solução para a crise financeira da Europa - ou a falta dela - pôs a Europa, e talvez o mundo, à beira de uma segunda Grande Depressão. E o artigo acrescenta: “Merkel is the most dangerous German leader since Hitler”, porque está a destruir o processo de reabilitação da reputação alemã que os seus  oito antecessores, desde Konrad Adenauer a Gerhard Schröder, tinham lentamente recuperado. Com o desemprego jovem a atingir os 50 por cento no sul da Europa, com o aumento da tensão social, da contestação nas ruas e dos motins, com a extrema direita europeia a atrair novos adeptos entre os desempregados e os desesperados, a situação social resultante das políticas de austeridade é cada dia mais complexa. E o artigo termina com uma óbvia conclusão: "Merkel is destroying the European project, pauperising Germany’s neighbours and risking a new global depression. She must be stopped". Muito inquietante, indeed! Bom seria que este artigo fosse lido pelos boys que nos dirigem e que tanto gostam das orientações de Frankfurt e de Berlim.