sábado, 23 de novembro de 2013

Empobrecemos para engordar a troika

A maioria dos portugueses já viu que as políticas de austeridade impostas pela troika têm sido um desastre e que ao fim de 30 meses não se vê luz ao fundo túnel. Os meses passam e, de facto, estamos cada vez pior. A nossa vida vai-se degradando com mais impostos e menos rendimentos, mais insegurança e menos alegria. Só o fanatismo, a ignorância ou a má fé dos governantes e dos seus amigos não vê este continuado descalabro nacional e esta humilhação a que se (e nos) sujeitam. Esse grupo de jovens alucinados e impreparados que ocupou o poder tem conduzido o nosso país sem fazer a defesa dos portugueses como é o seu dever, mas apenas para agradar à troika e para alimentar os apetites dos seus burocratas apátridas. Durante este período já longo de muitos meses, o nosso país tem empobrecido e muitos milhares de pessoas emigraram, a dívida e o desemprego aumentaram, o ânimo e a confiança no futuro perderam-se. Vive-se numa situação de tipo revolucionário em que tudo o que funciona e se enquadra no Estado social é objecto de destruição, o que cria uma enorme instabilidade e um generalizado clima de desânimo e de decadência.
É neste ambiente de ansiedade que somos informados que, só neste ano, Portugal já pagou à troika em juros do empréstimo internacional mais de 1446 milhões de euros e que em 2012 já tínhamos pago 1171 milhões de euros. Hoje, o jornal i soma as duas parcelas e revela que só em juros a troika já nos levou 2,5 mil milhões de euros. Afinal a maior parte dos nossos sacrifícios são para engordar a troika. É isto o que nos fazem os nossos alucinados governantes – o empobrecimento, o sacrifício, a humilhação, a desesperança. Esta é, também, a solidariedade europeia!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cristiano Ronaldo é uma estrela global

A propósito do jogo de futebol disputado na passada terça-feira em Estocolmo entre as selecções de Portugal e da Suécia, foi verdadeiramentre surpreendente o destaque que a imprensa mundial deu ao acontecimento e, em especial, à exibição e aos golos de Cristiano Ronaldo. Tal e qual fez a generalidade dos jornais portugueses, algumas dezenas de jornais internacionais publicaram a fotografia do futebolista português como destaque de primeira página, sobretudo em Espanha e Itália, mas também em mais de uma dezena de países latino-americanos. O assunto dominou muitos espaços noticiosos na imprensa e na televisão internacionais, tendo desencadeado uma onda de comentários e opiniões sobre quem é o melhor futebolista do mundo, sendo de notar que nesse coro em favor de Cristiano Ronaldo também participou o primeiro ministro espanhol Mariano Rajoy. Ele é realmente uma estrela global e um motivo de orgulho para os portugueses. Porém, uma das coisas que mais me surpreendeu foi o facto de um jornal da Índia, o país do cricket e onde o futebol não tem qualquer expressão de notoriedade, também dedicar a sua primeira página a Cristiano Ronaldo. De facto, assim fez o diário Anandabazar Patrika (আনন্দবাজার পত্রিকা) que se publica na cidade de Calcutta em bengali, uma língua que é falada por 270 milhões de pessoas.
Goste-se ou não de futebol, não há dúvida que Cristiano Ronaldo se tornou o primeiro português a ser conhecido à escala global.

Constituição, Estado social e Democracia

Hoje realiza-se na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa a conferência promovida por Mário Soares intitulada "Em defesa da Constituição, do Estado social e da Democracia", na qual vão estar presentes muitas personalidades da nossa vida pública e muitos democratas anónimos.
É um acontecimento muito oportuno e necessário numa altura em que a alucinação tomou conta dos nossos governantes que nas instâncias internacionais se comportam com uma absoluta submissão e que, internamente, exibem cada vez mais uma desenfreada arrogância, fanatismo e desprezo pelas pessoas, pela lei, pelas instituições e pelas regras democráticas.  A situação social e económica que atravessamos começa a ser dramática – ao contrário do que nos vão fazendo crer – e é o resultado de cegueira política, absurdas políticas de austeridade, de muitas mentiras e de uma absoluta incompetência. A sua alucinada campanha para destruir o Estado social chegou a limites insuportáveis pelos cidadãos e, por isso, o protesto está na rua.
Porém, esta conferência também tem o objectivo de criticar e de alertar o Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, pela passividade ou cumplicidade com que assiste à repetida violação das normas constitucionais pelo governo, às suas pressões sobre o Tribunal Constitucional, à indignidade do seu comportamento nas instâncias internacionais e aos resultados medíocres das suas políticas.
Mário Soares tem razão e com a sua coragem dá um exemplo ao país. É preciso despertar as consciências e reagir. É necessário que, através de uma intervenção cívica activa, os democratas façam ouvir a sua voz e que esse coro de protesto e de indignação chegue a Belém. Rapidamente!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O futebol, o Ronaldo e a alegria do povo

Ontem em Estocolmo, a selecção portuguesa de futebol bateu de forma concludente a sua homónima sueca e assegurou a sua presença no próximo Campeonato do Mundo de Futebol que, no Verão de 2014, será disputado no Brasil. O jogo foi emocionante e, durante muito tempo, prevaleceu a incerteza quanto ao resultado final e, também, quanto à selecção que asseguraria o lugar em disputa para passar ao Mundial do Brasil. Porém, na segunda parte surgiu o imparável Cristiano Ronaldo, a estrela que com o seu talento marcou os três golos que garantiram a vitória portuguesa. Todos os jornais destacaram "o herói da noite" e a selecção nacional de futebol vai estar no Brasil. Bem precisavamos de uma coisa destas para nos animar!
O futebol é hoje, provavelmente, o fenómeno cultural mais mobilizador em todo o mundo e é um privilégio para a selecção portuguesa de futebol poder contar com um atleta de elevada competência futebolística como é Cristiano Ronaldo que, com os seus remates e os seus golos, tanto entusiasma os portugueses e que, além disso, é o mais famoso de todos os nossos compatriotas. É um caso único de popularidade no mundo do futebol internacional e é um verdadeiro ídolo do povo português a quem tem dado tantas alegrias.
Entretanto, a presença da equipa portuguesa no Brasil vai animar os portugueses e, como foi dito no Brasil, seria decepcionante se a equipa portuguesa não marcasse presença nesse grande evento desportivo internacional que será disputado em terras brasileiras. Numa época em que muitos portugueses sofrem os efeitos da austeridade, da recessão, do desemprego e da pobreza, o jogo de futebol que ontem se realizou em Estocolmo foi uma grande e bem merecida alegria para todos os portugueses e, em especial, um prémio para aqueles que estão a passar por  mais dificuldades.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Voltar a Goa em peregrinação cultural

Os portugueses sempre tiveram uma acentuada vocação para sair do país em busca de locais mais ou menos exóticos para viver ou para trabalhar e, por isso, a diáspora lusitana encontra-se espalhada um pouco por todo o planeta. É uma característica marcante da identidade portuguesa e que terá começado no século XVI com a partida de marinheiros, soldados, mercadores e missionários que atravessaram os mares desconhecidos em direcção ao Oriente e ao Brasil, em busca de fortuna e de aventura. Essa marca cultural manteve-se ao longo do tempo, chegou aos nossos dias e, como ainda recentemente foi revelado numa série de programas da RTP, hoje há portugueses por todo o mundo, desde a Argentina ao Japão ou de Moçambique à Islândia. Partem por razões muito diversas e geralmente desenvolvem actividades muito diversificadas. São gestores, quadros superiores, técnicos especialistas, professores, trabalhadores indiferenciados ou, simplesmente, aventureiros. Integram-se muito bem nas sociedades locais e conquistam reputação social. Muitos fixam-se definitivamente nas terras de acolhimento, mas outros regressam, muitas vezes mais carregados de saudade do que de fortuna.
Porém, muitos dos que regressam continuam ligados às terras por onde passaram e viveram e, sempre que podem, regressam em “romagem de saudade” para rever amigos, revisitar locais, reviver paisagens e recuperar memórias. Neste sentido, para quem teve o privilégio de trabalhar em Goa, um regresso é uma prova emocional e uma peregrinação cultural muito estimulante. É isso que o JML vai agora fazer durante várias semanas. Que tudo lhe corra bem e que desfrute das estimulantes singularidades culturais de Goa, das peculiaridades da sua vida social e das suas vistas sobre o mar Arábico.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

José Barroso ou o regresso do cherne

A última edição do semanário Sol informa que Durão Barroso, o cidadão português que desde 2004 preside à Comissão Europeia, prepara o seu regresso a casa e que “optará entre uma candidatura a Belém e uma nova saída para outro cargo internacional”. Em tempos ainda se pensava que se poderia recandidatar para mais um mandato, mas essa ideia foi ultrapassada pelo próprio, ao reconhecer a forma pouco brilhante como exerceu um cargo em que sempre se deixou entalar pelo eixo franco-alemão. O homem teve alguma lucidez e, recentemente, até afirmou: “Dez anos já chega. Dez anos é muito tempo”. Tem toda a razão.
José Barroso vai, portanto, regressar à nossa terra, onde será sempre lembrado por ter lambido as botas a George Bush na cimeira das Lajes de 16 de Março de 2003, associando o nome de Portugal à mentira das armas de destruição maciça e à invasão do Iraque, que se iniciou quatro dias depois. O futuro ex-comissário Barroso será lembrado, também, por ter estado em Bruxelas a servir os interesses dos grandes grupos e dos grandes especuladores financeiros, por ter pactuado com as políticas de austeridade, por ter aprofundado uma crise económica e social que tem afundado a Europa e por ter apoiado as políticas que tanto têm humilhado a Europa do Sul. Ele é um dos homens poderosos da troika de má memória, que tanto nos tem tramado.
Vai voltar e vem rico. Ainda bem para ele. Eu sugiro que se reforme, que descanse e que abdique de receber pensões em Portugal. Se desejar estar activo e quiser um cargo internacional não vai ter problemas, porque os seus amigos rapidamente lhe arranjarão um. Dos bons. O cherne está de volta, mas ao contrário do que escreveu Alexandre O’Neill, não sigamos o cherne!

sábado, 16 de novembro de 2013

A Espanha e a coragem de dizer NÃO!

Na sua edição de hoje o diário El País destaca em primeira página que Bruxelas exige que a Espanha proceda a cortes adicionais de 35 mil milhões de euros nos seus próximos orçamentos, mas o governo responde que não são necessários. Assim, para 2014 o corte recomendado ou sugerido pela Comissão Europeia oscila entre mil e cinco mil milhões de euros, enquanto para 2015 e 2016 os cortes recomendados rondam os 35 mil milhões de euros. Estes cortes visam prevenir o risco de incumprimento do défice público espanhol que, segundo o vice-presidente Olli Rehn, foi de 10,6% em 2012, será este ano de 6,8% e baixará para 5,9% em 2014. Esta preocupação de Bruxelas com o défice público dos países está relacionada com o desejável equilíbrio entre as autonomias orçamentais de cada um deles e a estabilidade da moeda única, um problema que está afectar a Espanha, mas também a Itália, a Finlândia e Malta.
Estas recomendações (ou ameaças) acontecem porque a Comissão Europeia criou um mecanismo de controlo prévio dos orçamentos nacionais para analisar as propostas orçamentais dos vários países antes da sua aprovação pelos parlamentos nacionais o que, para muitos observadores, é uma revolução e uma intromissão na vida soberana dos Estados-membros. Porém, o governo espanhol reagiu a essa ameaça e sustenta que não é necessário nenhuma alteração ao que está planeado, reafirmando que está comprometido com o objectivo do défice público, pelo que rejeita as recomendações da Comissão. É a coragem de dizer "não" aos burocratas de Bruxelas, o que aqui nunca fazemos, como algumas vezes temos visto em directo pela televisão.

O controlo de gestão previne o abuso

O Jornal de Notícias revelou hoje um caso insólito relativamente a um funcionário da Segurança Social de Lisboa que provocou um prejuízo de mais de 500 mil euros ao Estado. De acordo com a notícia, durante cerca de um ano o referido funcionário efectuou milhares de telefonemas para linhas de valor acrescentado através do telefone fixo do serviço em que trabalhava e lhe estava atribuído. A maioria das chamadas terá sido feita para linhas que dão acesso a sorteio de prémios em dinheiro e outros bens.
Este caso, que não é invulgar, só acontece quando a gestão é incompetente. De facto, estes casos de utilização de bens públicos para fins privados, podem acontecer devido a comportamentos abusivos e são potenciadas em situações em que existem muitas linhas telefónicas e muitos utilizadores, mas também em relação a muitos outros bens, desde o uso de viaturas até ao uso de fotocopiadoras. Para prevenir essas situações, existe o controlo de gestão, isto é, os responsáveis pela gestão têm que analisar regularmente a estrutura de custos da sua organização, ou os respectivos balancetes mensais, para detectar as rubricas que revelem ou possam vir a revelar situações anómalas ou desvios orçamentais. Não é um caso de perseguição pidesca de funcionários, mas um simples caso de prevenção e defesa do erário público. Por isso, no caso reportado pelo Jornal de Notícias não podemos deixar de também apontar o dedo aos responsáveis pela gestão que, por incompetência ou omissão, não viram e deixaram que durante um ano acontecesse o que aconteceu.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O caso Prestige: um crime sem castigo

No dia 13 de Novembro de 2002, durante uma tempestade ao largo da costa da Galiza, abriu-se um dos tanques do navio petroleiro Prestige devido a problemas de corrosão, de que resultou o derrame de cerca de cinco milhares de toneladas de fuel-oil. As autoridades espanholas não terão avaliado correctamente o problema e decidiram que o navio fosse rebocado para longe da costa espanhola. Porém, na manhã do dia 19, o navio partiu-se em dois e verteu 22 mil toneladas de fuel numa profundidade de cerca de quatro mil metros, tendo o resto da carga de 50 mil toneladas de combustível pesado sido derramado e contaminado milhares de quilómetros da costa do litoral espanhol, mas também francês e português. A tragédia emocionou o mundo e provocou uma mobilização de mais de 300 mil voluntários, vindos de toda Europa que participaram nas operações de limpeza das praias e das rochas empestadas pela maré negra nas costas da Galiza. Foi uma catástrofe ambiental de enormes proporções, tendo havido grandes prejuízos para a pesca artesanal e para a aquacultura galegas, para além de terem sido afectadas 25 reservas protegidas e morrido muitas dezenas de milhar de aves. Em termos financeiros, foi calculado um prejuízo de quatro mil milhões de euros.
Dez anos depois começou o julgamento para se saber quem foi o responsável pela maré negra provocada pelo naufrágio do Prestige: o armador que tinha um navio liberiano com pavilhão das Bahamas sem as condições de segurança apropriadas, ou o comandante grego que não resguardou o navio da tormenta ou as autoridades espanholas que exigiram que o navio se afastasse da costa quando o deveriam ter socorrido imediatamente para evitar que naufragasse e derramasse a sua carga. As investigaçőes judiciais e o julgamento realizado na Corunha que agora terminou, não chegaram a apurar um responsável directo por este acidente, pelo que foram ilibados todos os que estavam acusados pela maior catástrofe ambiental acontecida em Espanha. Naturalmente, houve reacções de protesto em Espanha e até mesmo em França.

Um crescimento económico muito ilusório

Foi uma boa notícia em que se anuncia que no 3º trimestre do ano o produto cresceu 0,2% e que, em dois trimestres consecutivos, a economia nacional tivera crescimento e saíra da recessão. Este crescimento do produto junta-se à diminuição da taxa de desemprego, ao aumento do índice de produção industrial, à descida das taxas de juro da dívida soberana e à continuação do crescimento das exportações, para fundamentar esperanças em dias melhores. Foi, portanto, uma notícia animadora mas que não justifica alguns discursos de euforia que já foram produzidos pelas cassettes do costume. Como referiu uma antiga ministra das Finanças, tínhamos 40 graus de febre e agora passamos a ter 39.8 graus, ou seja, não saimos da crise e continuamos doentes. A análise deste crescimento da economia há-de mostrar que estes resultados se devem ao aumento das exportações e, em especial, ao bom comportamento do turismo, mas também a alguma recuperação da procura interna. Por isso, estamos sob o efeito de uma sazonalidade positiva, mas o que aí vem é muito preocupante. O investimento continua sem recuperar e a nova onda de austeridade e de cortes no rendimento disponível das famílias que está anunciada para o próximo ano, é muito severa. A oposição não foi escutada e até os deputados do maior partido da maioria que ainda quiseram que fossem aplicadas taxas sobre as PPP e sobre alguns sectores como as telecomunicações e a grande distribuição para atenuar os efeitos económicos recessivos, não foram ouvidos. Se houvesse dúvidas quanto à forma como os nossos governantes se deixam humilhar e obedecem aos diktats e à cegueira da troika, ficaram desfeitas nas últimas horas. Por tudo isso, um crescimento de 0,2% do PIB não passa de uma ilusão. Infelizmente.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Um mercado da arte que surpreende

A leiloeira Christie’s vendeu em Nova Iorque, após cerca de seis minutos de intensa licitação, ou “feroz licitação” como se lhe referiu a BBC, um tríptico do pintor britânico Francis Bacon que foi arrematado por 142,4 milhões de dólares (106 milhões de euros), transformando-se na obra de arte mais cara do mundo. O preço pago pela obra intitulada "Três estudos de Lucian Freud" supera o preço pago pelo quadro "O Grito", do artista norueguês Edvard Munch, que atingiu 119,9 milhões de dólares (89,1 milhões de euros), num leilão organizado pela Sotheby’s em Maio de 2012. Como é habitual nestes casos, o nome do comprador permanece em segredo. Este leilão constituiu um caso surpreendente de dinamismo do mercado internacional da arte e, por isso, diversos jornais espanhóis e franceses destacaram essa notícia.
Apesar da crise mundial, o mercado da arte continua a revelar-se muito atractivo para os coleccionadores e para os investidores, sobretudo em relação à arte do século XX que tem dominado o mercado e registado os preços mais elevados, designadamente nos domínios do impressionismo, da arte moderna e da arte do período pós-guerra. No que respeita aos compradores, que até há pouco tempo eram americanos e europeus, o mercado regista agora a chegada de chineses, russos e indianos, o que também tem contribuido para o seu dinamismo. Assim, calcula-se que o mercado internacional da arte movimente anualmente cerca de 43 mil milhões de euros, o que representa cerca de 25% do PIB português. Por cá, embora tenhamos uma escala completamente diferente e haver quem se esteja a "desfazer dos anéis", o mercado da arte está como o resto, isto é, sem andamento que se veja.

Haja quem mande calar o Barroso e o FMI

Na sua imensa sabedoria o povo diz que “quem muito se abaixa mostra o rabo” e na realidade, muito do que de catastrófico nos está a ser imposto resulta de uma excessiva passividade das nossas autoridades face às exigências dos credores, dos alemães e da troika. As recentes palavras de Barroso e os recados do FMI vão nesse sentido e demonstram o nível de submissão a que nos deixamos chegar. Ouvimos e calamos. Sem reacção. Com cobardia. Ao fim de 30 meses de austeridade e de acentuada degradação da situação económica e social, está à vista o monumental falhanço das políticas impostas pela troika que servilmente têm sido por cá adoptadas, ao mesmo tempo que se acentua a pressão com que nos humilham e que fere a nossa dignidade nacional. Nem a Espanha, nem a Itália, nem a Grécia ou a Irlanda, alguma vez aceitaram este tipo de humilhante relação que nos envergonha e que os nossos dirigentes aceitam sem pestanejar. As contínuas pressões de Merkel, Lagarde ou de Barroso são inaceitáveis e são intromissões intoleráveis na nossa soberania, mesmo que esta esteja diminuida. É preciso dizer-lhes para se calarem. Que queremos ser respeitados no quadro do projecto de solidariedade europeia. A nossa história tem altos e baixos, mas poucas vezes foi tão maltratada. É preciso ser muito claro: o Primeiro-Ministro e o Presidente da República são os maiores responsáveis pela humilhante situação por que passamos, ao alinharem na política do bom aluno que aplica uma austeridade desproporcionada e que, em vez de protegerem os portugueses como é seu dever em resultado do voto que receberam, têm contribuido para o empobrecimento do nosso país, para a destruição do tecido económico, para a degradação da vida social e para a destruição da esperança em dias melhores. Já lá vão 30 meses desde que nos disseram que nada disto nos aconteceria. Vejam o que sucedeu e tomem as devidas consequências. A bem da Nação.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Veterans Day 2013

Ontem, dia 11 de Novembro, comemorou-se em todo o território dos Estados Unidos o Dia dos Veteranos de Guerra ou Veterans Day, um feriado nacional em que se homenageiam aqueles que serviram nas Forças Armadas Americanas. É um grande dia de exaltação patriótica e de unidade para os americanos. Por isso, todos os jornais que se publicaram hoje no país, dedicaram alargadas reportagens às comemorações e quase todos com destaques de primeira página e muitas fotografias alusivas ao acontecimento. O Veterans Day começou a ser celebrado nos Estados Unidos em 1947 e com as suas paradas, discursos, romagens e sessões solenes, enquadradas por marchas militares, bandeiras, uniformes e medalhas, faz parte da cultura dominante da América.
Aqui em Portugal não temos essa tradição por razões diversas e complexas, apesar de termos provavelmente mais de um milhão de antigos combatentes e de já ter havido algumas tentativas para haver um dia que lhes fosse dedicado e em que os portugueses os pudessem homenagear, mas essa iniciativa ainda não faz parte da cultura dominante portuguesa. Assim, já que não temos o nosso Veterans Day e que não há condições para homenagear aqueles que serviram as Forças Armadas, que ao menos houvesse algum respeito por elas. Não é isso que faz o governo e a sua rapaziada, em especial, o ministro branco que, ignorante dessas coisas militares e arrogante por natureza, as afronta repetidamente com um autoritarismo serôdio, para além de desconhecer os seus valores, a sua ética e a sua dignidade. É uma triste personagem que não tem estatuto intelectual nem político para dirigir as nossas Forças Armadas que, no quadro da NATO, são com toda a justiça respeitadas pela sua competência.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O rei vai nu

Ao fim de cerca de 30 meses de governação, começa a ser altura de dizer que o rei vai nu e que, no nosso país, tudo ou quase tudo está muito pior do que estava em Maio de 2011, porque o desemprego aumentou, o défice não diminuiu, a dívida agravou-se, as famílias empobreceram, os jovens estão a emigrar, o pequeno comércio faliu e não há investimento. Vivemos bem pior, embora o número de multimilionários tenha aumentado mais de 10% num só ano, mas isso nem sequer envergonha quem nos governa. Os nossos governantes – o “bando de meninos”, como lhes chamou António Lobo Antunes – deixaram-se humilhar pelos diktats da troika, levados pela sua impreparação, incompetência, ignorância, deslumbramento, irresponsabilidade e fanatismo ideológico. Isso tem sido a nossa desgraça, que o novo-riquismo de Barroso e Constâncio, que são a projecção internacional deste tipo de gente, tanto têm apoiado. O ataque ao Estado social é permanente e a nossa sociedade está decadente e vive amedrontada, pois não se vê uma estratégia nem um rumo para sair deste atoleiro. Eles não previram a recessão, nem são capazes de sair dela. Em vez de atacarem as causas do excesso da despesa que são as PPP, os juros especulativos que nos impõem, as rendas excessivas do sector da energia ou a proliferação de institutos públicos e empresas municipais, atiram-se aos pensionistas e aos funcionários públicos, com medidas socialmente inaceitáveis. Não toleram o Tribunal Constitucional nem quem lhes modere os apetites. Mentem descaradamente e têm medo de andar na rua. Esperava-se que os nossos eleitos defendessem os portugueses, mas revelam uma insensibilidade gritante e ofendem os seus legítimos direitos. Estão ao lado dos especuladores e não são capazes de mobilizar o país. E, no meio desta quase tragédia que tem sido esta governação Passos-Portas ou Portas-Passos, ainda há quem diga que “vamos no bom caminho”, ao mesmo tempo que se ouvem os aplausos ou os silêncios do palácio de Belém...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A catástrofe que passou pelas Filipinas

O tufão Haiyan passou pelas Filipinas provocando uma catástrofe traduzida num número estimado de dez mil mortos e num brutal rasto de destruição material, embora o balanço final ainda esteja por fazer. Baptizado localmente como Yolanda, o tufão parece ter sido a maior tempestade tropical alguma vez gerada no nosso planeta, pelo menos desde que há registos, tendo os ventos atingido velocidades superiores a 370 km por hora e as ondas superado os 15 metros de altura. As chuvas torrenciais e os ventos ciclónicos geraram o caos nas províncias do sul do país. Milhares de casas foram destruidas e muitas aldeias foram literalmente varridas. A electricidade e as comunicações foram cortadas. Segundo relata a edição do Manila Standard Today, a cidade de Tacloban, na província de Leyte, “foi totalmente destruida” e há centenas de cadáveres espalhados pelas ruas, verificando-se muitas acções de pilhagem nos supermercados e nos centros comerciais desta cidade de 200 mil habitantes, em busca de comida, arroz, leite e outros bens alimentares. Embora o arquipélago das Filipinas seja uma região em que frequentemente ocorrem vários tipos de calamidades naturais, incluindo terramotos, tsunamis e tufões, nenhuma delas foi tão grave quanto o tufão Haiyan.
Nestas emergências é habitual mobilizar-se a ajuda e a solidariedade internacionais e, por isso, há diversos países e organizações humanitárias que estão a caminho das Filipinas, pois estima-se que haja 3 ou 4 milhões de desalojados, muitos deles isolados e desesperados, sem assistência médica nem comida, nem electricidade nem nada. Uma calamidade.