domingo, 7 de agosto de 2016

Rio 2016 com inauguração deslumbrante

Ontem realizou-se a cerimónia oficial da abertura dos Jogos Olímpicos e, depois de tantos meses em que se amontoaram dúvidas quanto à capacidade brasileira para organizar um acontecimento de tamanha complexidade, o espectáculo apresentado no Maracanã foi uma resposta esclarecedora e deslumbrante. A imprensa internacional não se poupou a elogios à imaginação e à criatividade que “invadiram” o maior estádio do Rio de Janeiro, às cores, às luzes, à tecnologia e aos conteúdos musicais exibidos. Através de sucessivas representações servidas por luz, cor e muita música, foi feita a história do Brasil e da cidade fundada no século XVI pelos portugueses, foram apresentadas as áreas verdes e urbanas da cidade e foi representada a diversidade cultural brasileira.
A cerimónia iniciou-se com uma sugestiva interpretação do hino brasileiro por Paulinho da Viola num palco a evocar Óscar Niemeyer e prosseguiu com a “presença” de muitas celebridades brasileiras, desde Santos Dumont e dos seus voos pioneiros, até à famosa modelo Gisele Bündchen e dos seus desfiles pelas passerelles do mundo.
Foi realmente um grande espectáculo. O público participou activamente e até Michel Temer, o presidente brasileiro, foi apupado no estádio, enquanto no exterior surgiu alguma contestação aos custos dos Jogos Olímpicos, num país onde estão por satisfazer muitas necessidades básicas e em que prevalece uma situação económica desfavorável, com muito desemprego e muita insegurança.
Na sua edição de hoje o jornal O Estado de S. Paulo diz que “o Brasil fez bonito”. É verdade, o Brasil fez bonito e passou ao mundo e a três mil milhões de pessoas que assistiram à cerimónia pela televisão, uma mensagem paz, de criatividade e de imaginação que supera quaisquer desgostos que tenham no futebol. Mas foi um desregramento de dinheiro que era necessário para outras coisas, dizem alguns. É verdade. Tal como foi verdade que a festa impressionou o mundo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Rio 2016 e a paixão brasileira pelo futebol

Antes da cerimónia oficial de abertura dos Jogos Olímpicos que se realiza amanhã, já se realizaram os primeiros jogos da competição olímpica de futebol: ontem disputaram-se 6 jogos de futebol feminino e hoje realizam-se 8 jogos de futebol masculino, um dos quais é o Portugal-Argentina.
A equipa feminina brasileira derrotou a selecção chinesa por 3-0 e a imprensa brasileira deu hoje um grande destaque a essa vitória da sua equipa e assinala esta estreia com muito entusiasmo e esperança. Depois de muitos meses de expectativa e até de dúvida, os brasileiros rejubilaram com este arranque positivo da sua caminhada olímpica e a imprensa apenas fez eco dessa realidade.
Porém, essa mesma imprensa parece ignorar a natureza multi-disciplinar dos Jogos Olímpicos e centra-se exclusivamente no futebol e na sede brasileira pelo “ouro olímpico”, como se não houvesse outras modalidades tanto ou mais nobres do que o futebol. Por isso, dedica hoje largos espaços e fotografias a Neymar da Silva, o mesmo futebolista que tem salário milionário no Barcelona FC e a quem chamam o “menino de ouro”. Nós já estamos habituados a ver a maneira servil como a generalidade da imprensa e dos jornalistas tratam as estrelas do futebol, mas no caso dos Jogos Olímpicos era natural que tivessem maior contenção em relação a um futebolista, dedicando mais espaço a outros atletas que não sejam futebolistas e que o público conhece menos bem. A realidade é que muitos jornalistas brasileiros parecem só conhecer o desporto-futebol, mas em boa verdade também muitos jornalistas portugueses fazem quase a mesma coisa. Significa que nens uns nem outros merecem relatar os Jogos Olímpicos. O facto é que mesmo com Neymar, esta tarde o Brasil empatou com a África do Sul e os brasileiros ficaram nervosos.

Rio 2016 e as esperanças lusitanas

Os Jogos Olímpicos de 2016, oficialmente designados como Jogos da XXXI Olimpíada, iniciam-se amanhã no Rio de Janeiro com a habitual cerimónia oficial de abertura que se realizará no Estádio do Maracanã. A imprensa internacional, como aconteceu com a TIME, tem dado o devido destaque ao maior acontecimento desportivo do planeta. É a primeira vez que os Jogos Olímpicos se realizam na América do Sul e é, também, a primeira vez que se realizam num país de língua portuguesa, o que tem um especial significado, como já salientou o Presidente da República Portuguesa que se encontra no Rio de Janeiro em visita oficial. 
O grande acontecimento desportivo que é o Rio 2016 decorrerá de 5 a 21 de Agosto, terá provas em 28 modalidades desportivas e espera-se que tenha a participação de cerca de 12.500 atletas de 206 países. As mais numerosas representações virão dos Estados Unidos (555), Brasil (462), Alemanha (412), Austrália (409), França (402), China (379), Grã-Bretanha (364), Rússia (332), Japão (326), Canadá (313) e Espanha (305). O Comité Olímpico Português será representado por 91 atletas, enquanto as representações dos países de língua oficial portuguesa serão de Angola (23), Moçambique (4), Cabo Verde (4), Guiné-Bissau (3), São Tomé e Príncipe (1) e Timor-Leste (1).
O espírito olímpico fundamenta-se nos princípios do barão Pierre du Couvertin que fez renascer os Jogos Olímpicos e centra-se no ideal da participação que é mais importante do que a vitória. Porém, o facto é que o ideal olímpico se tem alterado e adulterado nos anos mais recentes, traduzindo-se cada vez mais numa acesa competição entre os países pela conquista do maior número possível de medalhas. São vários os aspectos dessa luta, mas a crescente participação de atletas profissionais, sobretudo no futebol e no ténis, parece contrariar o espírito olímpico.
Independentemente das circunstâncias indicadas, espera-se da representação portuguesa uma presença e uma participação verdadeiramente olímpicas, embora se desejem bons resultados desportivos e, se possível, algumas medalhas.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Justiça a ceder a interesses pessoais?

Num Estado organizado estão constituídos os poderes legislativo e executivo que emanam do voto popular e o poder judicial que deriva de uma estrutura não escolhida pelos eleitores, que exerce os seus poderes através dos tribunais, que julgam de acordo com as normas constitucionais e com as leis criadas pelo poder legislativo. Enquanto símbolos do Estado de Direito e da observância da Lei, os juizes têm direitos e deveres muito singulares mas, como são humanos, erram demasiadas vezes.
Errare humanum est!
Assim acontece com o juiz Tiago do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra como hoje divulgou o Jornal de Notícias, pois já decidiu duas providências cautelares a favor dos colégios privados na polémica que os opõe ao Estado, no caso dos contratos de associação e, além disso, ele próprio avançou em 2012 com um processo contra o Estado em que contestava a redução do número de turmas com contratos de associação na escola onde estudava uma filha. Não é preciso ser jurista para verificar que há um evidente conflito de interesses, porque nos casos apreciados entra sempre uma filha do juiz Tiago. O Ministério da Educação pediu o seu afastamento destes casos por não ter sido imparcial na sua apreciação, enquanto o Sindicato dos Professores da Região Centro defendeu que recaem sobre o juiz fortes suspeitas de parcialidade quanto às decisões agora conhecidas e lembrou que Tiago tem uma filha que é aluna do colégio de Ançã, que é um dos colégios queixosos, e que o mesmo Tiago “já agiu contra o Estado quando pretendeu que a sua filha fosse subsidiada, apesar de se encontrar, na altura, fora das turmas com contrato de associação do colégio em que se matriculou”. Portanto, para o juiz Tiago vale tudo para proteger a sua filha, não lhe interessando as filhas dos outros cidadãos. De resto, ele próprio foi aluno no colégio jesuíta de Cernache e ninguém é indiferente a quem o encaminhou na vida. Tiago gosta de colégios e não deve gostar de os pagar. Estamos, portanto, perante um lamentável caso em que um interesse particular (de um juiz ou de um colégio) se sobrepõe ao interesse geral que é assumido pelo Estado.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A discutível decisão tomada na Madeira

A notícia já surgiu há alguns dias, mas só agora teve destaque de primeira página no suplemento Vidas do correio da manha: o Governo Regional da Madeira decidiu homenagear o seu futebolista mais famoso e, depois de já ter dado o nome de Cristiano Ronaldo ou CR7 a uma praça da cidade do Funchal e de lhe ter erguido uma estátua, vai agora atribuir o seu nome ao Aeroporto do Funchal, também conhecido por Aeroporto de Santa Catarina.
Confesso a minha ignorância quanto aos critérios que devem nortear a atribuição de nomes a aeroportos, mas parece-me de elementar bom senso que não sejam escolhidos nomes de pessoas vivas, mesmo que muito famosas, porque a vida dá muitas voltas e, por vezes, o herói passa a vilão ou aparece um herói ainda mais famoso que o anterior. São tantos os casos que acontecem, tanto no Desporto como na Política, que não vale a pena antecipar o julgamento da História. Há que dar tempo ao tempo.
Evidentemente que Cristiano Ronaldo é uma figura de excepção, não só a jogar futebol e a suscitar uma popularidade universal, mas também na forma fraterna como se liga à sua terra e às suas raizes, como demonstra o Museu CR7 que instituiu no Funchal e a recente inauguração do Pestana CR7 Funchal, a que se seguirão novos hotéis com a marca CR7 em Lisboa, Madrid e Nova Iorque, nos quais se associou ao Grupo Pestana, cujo universo hoteleiro agrupa 87 hotéis em 15 países.
A decisão do Governo Regional da Madeira é legítima e, provavelmente, tem uma justificação fundamentada no contributo de Cristiano Ronaldo para a notoriedade e para a boa imagem da ilha da Madeira, mas também no facto de se tratar de um profissional de futebol muito respeitado e de já ter sido eleito por três vezes como o melhor futebolista do mundo. É legítima, mas é discutível e polémica. Se a moda pega, não faltarão ruas, praças, avenidas, pontes, infantários, institutos, asilos, escolas, quartéis, tribunais e até aeroportos, à espera que cada autarquia lhe atribua o nome de um filho da terra tornado famoso por ter ganho uma qualquer prova desportiva. No caso da Madeira acabarão por lhe mudar o nome e passaremos a ter a ilha Ronaldo onde habitarão os ronaldenses.

sábado, 30 de julho de 2016

Cádiz em festa com os grandes veleiros

A grande festa náutica internacional que é a The Tall Ships Race 2016 tem estado em Cádiz, de onde sai amanhã à tarde em direcção ao porto galego da Corunha. A imprensa andaluza e gaditana têm dedicado grandes espaços informativos a este grande evento, numa cidade fundada pelos Fenícios e que reivindica ser “la gran cita de los veleros”.
A cidade tem aderido ao evento com entusiasmo, proporcionando um vasto programa cultural de acolhimento, onde se incluem visitas guiadas para os participantes, mas também concertos e provas desportivas. A população e os turistas que se encontram na cidade não têm perdido a oportunidade para ver os navios e a imprensa tem publicado muitas fotografias das multidões que os visitam. Na sua edição de hoje La voz de Cádiz destaca o evento e publica uma fotografia a seis colunas na sua primeira página dos veleiros atracados em Cádiz, o que lamentavelmente não fez qualquer jornal português quando recentemente a The Tall Ships Race 2016 passou por Lisboa.
Encontram-se em Cádiz cerca de quatro dezenas de veleiros e, entre eles, estão quatro veleiros portugueses, respectivamente o Creoula, o Zarco, o Polar e o Santa Maria Manuela, o que se traduz numa interessante participação nacional. Curiosamente, a imprensa tem destacado e lamentado a ausência do navio-escola espanhol Juan Sebastián de Elcano, não só porque é o símbolo da tradição vélica espanhola, mas também porque a sua base é exactamente na baía de Cadiz. Só que não se pode estar em dois lados ao mesmo tempo e o Elcano está a ser objecto de reparações.

Trump e Clinton: a campanha começou

No próximo dia 8 de Novembro vão realizar-se as eleições que escolherão o próximo Presidente dos Estados Unidos da América. Depois de vários meses em que se realizaram eleições primárias por todo o país e em que os diversos candidatos foram “ganhando delegados” ou desistindo, nas duas últimas semanas a situação ficou esclarecida. No dia 20 de Julho a convenção do Partido Republicano reunida em Cleveland escolheu Donald Trump, que aceitou a nomeação como candidato presidencial. Alguns dias depois, no dia 29 de Julho, a convenção do Partido Democrata reunida em Filadélfia escolheu Hillary Clinton, que aceitou a nomeação como candidata presidencial. Quer num caso, quer no outro, as nomeações constituiram um espectáculo mediático empolgante para quem neles participou e a imprensa americana tratou essas nomeações com grande destaque.
Agora a campanha vai começar. Apoiantes e adversários já começaram a movimentar-se com as suas máquinas de propaganda. Os dados estão lançados e a luta pelo voto popular vai ser intensa.
A eleição do Presidente dos Estadis Unidos é muito importante para o mundo e, em especial, para a Europa. Por isso, as nomeações de Trump e Clinton tiveram repercussões diferenciadas. Quanto a Donald Trump, temos assistido à sua ridicularização por se apresentar como um fanfarrão a roçar a ignorância, mas também pelas suas ideias que apontam para o regresso dos falcões e para o confronto do poder americano contra todos os que o desafiem. Já Hillary Clinton, que tem a seu favor o facto de ser a primeira mulher a disputar a presidência americana, usa a sua inteligência e a sua larga experiência política e diplomática para apresentar um discurso do agrado da classe média americana, mas também de uma Europa que receia a inexperiência de um milionário aventureiro a dirigir a nação mais poderosa do mundo.
O influente semanário francês Le Nouvel Observateur, tal como a generalidade dos europeus, não hesita na afirmação da sua simpatia por Hillary Clinton.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Resistir e não ceder à ameaça do terror!

As repetidas acções de terror e crueldade levadas a efeito em vários países por radicais terroristas ao serviço do estado islâmico, têm repugnado a consciência da Humanidade. Alguns países e regiões têm sido duramente atingidos por atentados que causaram muitas vítimas inocentes e a França tem estado no centro desse ataque extremista que está a abalar o modo de vida, a gerar a insegurança e a instalar o medo nas pessoas e nas comunidades. As formas de intervenção dos agentes do extremismo deixaram de ser apenas os tradicionais atentados bombistas e têm assumido outras formas igualmente repugnantes e de grande terror, como revelaram as recentes situações ocorridas em Nice e em Saint-Étienne-du-Rouvray.
O mundo está confrontado com uma nova ameaça, que já não é a guerra nuclear, uma qualquer  calamidade natural ou um desastre ecológico. É uma ameaça do terror, muito cruel e traiçoeira, para a qual não pode haver cedências nem contemplações, quer das autoridades, quer dos cidadãos. Resistir tem que ser a palavra de ordem. Não se pode ceder ao medo. As autoridades nacionais e supranacionais têm um enorme desafio pela frente para garantir a segurança das comunidades sem abalar o seu modo de vida democrático. Os cidadãos também são cada vez mais convocados a dar atenção às ameaças e a serem mais vigilantes, mas isso abala a vida comunitária e também envolve o risco de transformar cada cidadão num denunciante.
Estamos perante um desafio que ultrapassa as diferenças políticas, religiosas, económicas, desportivas, culturais e outras, que tradicionalmente separam os cidadãos e atravessam as comunidades. A sociedade da convivência e do culto democrático pode estar em perigo. Teremos que estar unidos nesta luta, para resistir ao terror e não ceder ao medo, mesmo quando a ameaça é muito séria. Essa é a mensagem do Libération a que nos associamos.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O navio-escola “Sagres” está no Brasil

O navio-escola Sagres que foi construido na Alemanha em 1937 e que desde 1962 pertence à Marinha portuguesa, está a realizar a sua anual viagem de instrução de cadetes da Escola Naval, levando também alguns cadetes angolanos, espanhóis, ingleses e marroquinos. O navio saiu de Lisboa no dia 21 de Junho e, depois de ter visitado a cidade da Praia em Cabo Verde e o porto brasileiro do Recife, encontra-se hoje no porto de Salvador da Baía. Não deixa de ser curioso notar que Praia, Recife e Baía são três nomes de três cidades fundadas pelos portugueses, o que reflecte a importância da expansão marítima portuguesa.
Hoje, o jornal A Tarde que se publica em Salvador destaca na primeira página da sua edição a visita do navio português com uma fotografia a quatro colunas e informa que o navio amanhã “estará aberto a visitação” entre as 13 e as 16 horas, pois às 18 horas larga para o Rio de Janeiro. 
No Rio de Janeiro e na sequência de um protocolo assinado com o Comité Olímpico Português, o navio-escola Sagres será um “embaixador de Portugal” e um símbolo da nossa cultura marítima, mas também servirá de “Casa de Portugal” para apoio dos atletas, dirigentes e outras autoridades portuguesas e para a realização de conferências de imprensa durante os Jogos Olímpicos que se realizam entre os dias 5 e 21 de Agosto.
Espera-se que, como sempre, a Sagres dê o melhor contributo para a boa imagem de Portugal.

Os vampiros e o naufrágio da banca

A falência do Lehman Brothers em Setembro de 2008, quando era o quarto maior banco norte-americano, foi a maior da história dos Estados Unidos e provocou a mais grave crise financeira mundial desde a Grande Depressão de 1929. As perturbações financeiras depressa atravessaram o Atlântico e o mundo entrou num período de grande instabilidade de que tem tido dificuldade em sair. A banca, a poderosa e arrogante banca, entrou em dificuldades e revelou que não passava de um império de pés de barro, em que o dinheiro era uma criação virtual sem substância económica e o crédito não era mais do que a forma de ajudar os amigos, de proporcionar negócios duvidosos e de favorecer gestores ambiciosos.
O Finantial Times divulgou um estudo recente, que o jornal i revelou em Portugal, que ajuda a esclarecer a situação, caracterizada por incompetência e corrupção: em 2015, os quinze presidentes executivos mais bem pagos dos Estados Unidos receberam um total de 236,6 milhões de dólares em salários e bónus, quando em 2009 tinham recebido 103,9 milhões de dólares, isto é, desde a crise de 2009 os banqueiros ganharam mais 128%. Absolutamente imoral e vergonhoso, foi como Barack Obama se referiu à situação e, em particular, ao facto de muitos bancos terem recebido ajudas estatais, ao mesmo tempo que mantinham o pagamento de avultados bónus aos seus gestores e trabalhadores.
Não sabemos o que se tem passado em Portugal em relação a esta problemática, mas são conhecidos os trambolhões de alguns bancos portugueses e os enormes buracos que criaram, para os quais os contribuintes são agora convocados a pagar.
Porém, os mesmos banqueiros de sempre circulam pelo interior do sistema sob a forma de administradores e de directores, sem que sejam apuradas as suas responsabilidades quanto à ligeireza, má fé ou incompetência com que destruiram a banca portuguesa. São, certamente os vampiros de que falava José Afonso em 1963, quando dizia que "batendo as asas pela noite calada" eles "vêm em bandos com pés de veludo, chupar o sangue fresco da manada".

terça-feira, 26 de julho de 2016

O incerto rumo em que navega a Turquia

A capa da revista alemã Der Spiegel é elucidativa da situação de repressão que se está a viver na Turquia e, na sua última edição, assume que a democracia foi suspensa e titula que “era uma vez uma democracia”. A numerosa comunidade turca que vive na Alemanha justifica o interesse da imprensa alemã pelo que se passa na Turquia, onde o Presidente Erdogan insiste na necessidade da reintrodução da pena capital com o argumento de que se trata da vontade do povo. Depois de militares, juízes, polícias e professores, a perseguição política tem sido dirigida contra os jornalistas, ao mesmo tempo que se verificam despedimentos em massa em muitas empresas. Independentemente da natureza do golpe de estado, que aconteceu de facto ou que foi forjado pelas hostes de Erdogan, a imprensa mundial vem denunciando a repressão e o aniquilamento da oposição, o que significa o fim do regime democrático. A União Europeia já fez saber que uma eventual entrada da Turquia na União Europeia está congelada.
Entretanto nada é comentado sobre algumas importantes questões, como é o problema religioso, porque o secularismo turco pode estar a ser ameaçado pelas forças islâmicas de Erdogan. Da mesma forma, pouco tem sido comentado sobre a orientação estratégica da Turquia em relação aos curdos, ao Estado Islâmico e à Síria, nem em relação à NATO e à Rússia. Nem as autoridades turcas, nem a imprensa internacional têm abordado essas questões, o que é muito preocupante. A realidade é apenas que a Turquia de Erdogan está cada vez mais a afastar-se da democracia e a seguir um rumo que ninguém sabe em que direcção vai.

Certamente, a mais dura prova do mundo

Terminou a 103ª edição do Tour de France que é uma das mais importantes provas desportivas mundiais. Foram percorridos 3.535 quilómetros em 21 etapas e no final o vencedor foi o britânico Christopher Froome, que viu a sua fotografia na capa dos principais jornais ingleses e franceses, como por exemplo no The Guardian.
Qualquer actividade desportiva é exigente para com os seus praticantes que pretendam ter níveis de desempenho com reconhecimento internacional, obrigando-os a muitos anos de preparação, de treino e de privação de uma vida normal, para depois se confrontarem num tempo muito escasso de minutos ou de poucas horas, com uma prova, um jogo, um salto, um combate ou uma regata, que tanto os pode elevar à vitória e à condição de estrela, como pode derrotá-los e tornar inglório o esforço e a dedicação de muitos anos de preparação.
No caso do ciclismo e em especial no Tour de France, não se exige um esforço de uma ou duas horas, mas um esforço contínuo de muitas horas durante vários dias. Para vencer pela terceira vez o Tour de France em 2016, o ciclista Chris Froome pedalou durante mais de 89 horas, subiu muitas montanhas, suportou muita chuva, sofreu quedas e defrontou adversários igualmente bem preparados. Nenhum praticante de futebol, remo, ténis ou esgrima, suporta um esforço físico e mental tão acumulado e contínuo. Só os super-atletas como Christopher Froome.
Este ano o Tour de France teve dois participantes portugueses, ambos com classificações finais bem modestas, apesar de ambos terem feito alguns brilharetes em etapas: Rui Costa concluiu a corrida na 49ª posição, enquanto Nélson Oliveira terminou a prova no 80º lugar da classificação final. Podia ter sido melhor, mas o facto de terem terminado o Tour já merece uma justa referência e o nosso elogio.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A falta de escrúpulos de José Barroso

A contratação de José Barroso para presidente não-executivo do Goldman Sachs já se transformou num escândalo internacional. Há um coro de protestos contra esta situação que desafia a moral e o bom senso, enquanto um grupo de cinco dezenas de eurodeputados decidiram requerer uma investigação às ligações de Barroso com a Goldman Sachs, durante o tempo em que ele presidiu à Comissão Europeia. Mesmo em Portugal, exceptuando um rapazola de Massamá e alguns dos seus raros seguidores, ninguém compreende que depois de ter presidido à Comissão Europeia durante dez anos, a sua ilimitada ambição o tivesse levado tão longe. Não lhe basta a reforma vitalícia de 132 mil euros anuais que a União Europeia lhe paga, nem as inúmeras avenças que recebe por isto e por aquilo. O homem ambiciona ser rico e quer milhões!
Porém, ao enveredar por um caminho tão sujo, aquele que foi o mordomo da Cimeira dos Açores que marcou o início da guerra do Iraque, revelou toda a sua vulgaridade e ausência de escrúpulos. Ele envergonha Portugal e abala seriamente a credibilidade do país e do seu povo.
José Barroso é em si mesmo uma história triste. Foi maoista e em 1975 acabou expulso do MRPP, na sequência de um roubo de mobiliário feito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Depois a sua vida política tem sido uma sucessão de habilidades e de jogos rasteiros e um deles, bem recente, foi ter conseguido um emprego no Banco de Portugal para o filho, sem qualquer concurso. A investigação requerida pelos eurodeputados deve ir para a frente, assim como o esclarecimento interno sobre o seu papel no apoio à guerra do Iraque
Hoje a revista Visão ajuda a compreender quem é Barroso e a natureza da carruagem em que embarcou para vergonha de todos nós.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Turquia era a solução, agora é o problema

No dia 15 de Julho sucederam-se graves acontecimentos em várias cidades turcas, sobretudo em Ancara, a capital da Turquia. Foi noticiado um golpe de estado que parece ter sido quase triunfante, mas que acabou por ser dominado pelas forças leais ao Presidente Recep Erdogan. O que se passou continua sem ser percebido. Há quem defenda que tudo não passou de uma orquestração do poder turco no sentido de reforçar os poderes de Erdogan e de afastar os seus adversários. Em apoio desta tese está o facto surpreendente de continuarem sem ser conhecidas as reais intenções dos golpistas, pois no meio de tantos problemas que o país atravessa, não se sabe se pretendiam reforçar a democracia, se queriam travar a crescente islamização do país, se pretendiam resolver o problema curdo ou se desejavam intervir activamente contra o Estado Islâmico, o que de facto não tem acontecido. A intenção de tomar o poder poderia ser uma quase imitação do golpe militar que tomou o poder no Egipto em 2013, com o objectivo de travar o radicalismo que está a começar a dominar a Turquia. Não sabendo a língua turca, não nos é possível perceber as manchetes e as notícias do Hürriyet, um dos maiores diários turcos.
Sabemos, contudo, que em poucos dias foram demitidos, presos ou suspensos quase 35 mil membros do Exército, da Justiça, da Segurança Interna e da Educação, havendo a intenção de ser reposta a pena de morte. Militares, policias, juízes, funcionários públicos da administração e professores estão a ser os principais alvos da repressão do regime de Erdogan, aumentando a tensão social e política na Turquia.
Com 80 milhões de habitantes, a Turquia é membro da NATO e faz fronteira com a Síria, Iraque, Irão, Arménia, Geórgia, Bulgária e Grécia, mantendo desde data recente uma relação muito próxima com a Rússia. Se até agora a Turquia podia constituir uma solução para os problemas que afectam aquela região, parece que agora se está a tornar no problema. E que problema!
 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Campeões também no hóquei em patins

A selecção nacional de hóquei em patins sagrou-se campeã da Europa no passado sábado, o que já não acontecia há 18 anos. Na sua caminhada bateu os espanhóis por 6-1 na fase de grupos e, depois, derrotou os italianos na final por 6-2. Foi uma coisa que já não acontecia há muitos anos.
Embora o hóquei em patins não seja uma modalidade desportiva com implantação mundial, nem por isso deixa de ser relevante que Portugal seja uma das potências mundiais nessa modalidade e de, seis dias depois do futebol, também se ter tornado campeã europeia, parecendo recuperar a sua antiga hegemonia mundial. Como titulava o diário desportivo O Jogo, virou moda Portugal ganhar. O título é feliz e traduz alguma euforia desportiva que tanto nos anima, face a tantas outras coisas menos agradáveis que por aí se passam.
Depois de muitos anos a posicionar-se atrás da Espanha e da Argentina, parece que Portugal reentrou nas vitórias no hóquei em patins. No registo dos campeonatos europeus de hóquei em patins verifica-se que Portugal segue à frente com 21 vitórias enquanto a rival Espanha tem 16 vitórias, mas nos campeonatos do mundo a situação é inversa, com 16 vitórias espanholas e 15 vitórias portuguesas.
O Presidente da República tratou de condecorar os campeões e fez bem. O problema é que, com tantos êxitos desportivos, qualquer dia não há medalhas para tanta gente.