domingo, 13 de janeiro de 2019

A herança religiosa portuguesa em Goa

A edição de hoje do jornal oHeraldo – the voice of Goa since 1900 – anuncia que a 31ª assembleia plenária da Conference of Catholic Bishops of India (CCBI), que está a decorrer em Chennai no Estado de Tamil Nandu, elegeu o reverendo Filipe Neri Ferrão, arcebispo de Goa e Damão, para seu presidente, substituindo o cardeal Oswald Gracias, o actual arcebispo de Bombaim.
Dom Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, o Arcebispo de Goa e Damão, Patriarca das Índias Orientais e Primaz do Oriente, é natural de Aldona, no norte de Goa, tem 64 anos de idade e é um poliglota, falando fluentemente várias línguas indianas como o concanim que é a língua de Goa, mas também português, inglês, francês, italiano e alemão. Com 40 anos de idade tornou-se o bispo auxiliar de Goa e, em 2004, foi escolhido para governar a diocese de Goa e Damão. Em 2014 visitou Portugal e presidiu em Fátima à peregrinação internacional de 12 e 13 de Outubro.
A CCBI é a conferência episcopal dos bispos católicos da Índia, é a maior do continente asiático e a 4ª maior do mundo, representando 132 dioceses e 189 bispos. A presidência da CCBI por um prelado goês culto, inteligente e afável, que bem conhece a língua e a cultura portuguesas, é uma distinção para o Estado e para a Igreja de Goa, mas também é um motivo de satisfação para quem conhece o homem que, em boa verdade, representa a componente religiosa da herança cultural portuguesa na Índia.

sábado, 12 de janeiro de 2019

As “fake news” são um verdadeiro perigo

As fake news parecem estar na moda e são, cada vez mais, um perigo para a democracia e para o modelo social em que vivemos. Esta afirmação é actualmente recorrente e Le Nouvel Observateur ou L’OBS, que é a mais importante revista de informação francesa, dedica  a capa da sua última edição ao tema das notícias falsas ou mentirosas que estão a corromper a nossa forma de vida, sobretudo depois de se terem instalado nas novas plataformas digitais e, em especial, no facebook e nos blogues ditos especializados, que se disfarçam de jornais digitais. A revista francesa trata o tema como “le cancer des fake news”, ou como "la maladie contemporaine des fake news".
Se poucos acreditam em alguém que esteja na rua a falar de cara tapada e com a voz distorcida, há pelo contrário, muita gente, incluindo muitos milhares de portugueses, que aceitam ler, que acreditam no que lêem e até reproduzem o que encontram escrito no facebook e em muitos outros sites de desinformação anónimos que estão a proliferar.
Porém, as fake news não apareceram nos anos mais recentes com a internet, nem são exclusivas dos nossos dias, nem apenas do mundo digital. Antigamente eram os boatos e agora são as fake news.
Os jornais impressos e as televisões de referência também usam as fake news e, todos recordamos, as mentiras que levaram ao bombardeamento de Belgrado pela NATO (1999), a invasão do Iraque pelos Estados Unidos (2003) ou os alegado uso de armas químicas contra civis pelo regime de Bashar el-Assad (2012), mas também os casos mais recentes dos pasquins que em Portugal usam as fake news para condenar sem julgamento ou para fazer assassinatos de carácter na opinião pública, sem um mínimo de investigação credível.
As fake news espalham-se rapidamente pelas pessoas e grupos sociais que têm as mesmas crenças (políticas, religiosas, desportivas ou outras), com as mensagens falsas e mentirosas a circular e a amplificar-se, não por serem verdadeiras, mas apenas porque reforçam essas mesmas crenças.
Assim terá sido eleito Trump e Bolsonaro, assim se alimentam diariamente os adeptos dos grandes clubes desportivos portugueses e, assim, acabarão por ser influenciados os resultados das eleições que se aproximam.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Os bons amigos do maduro do Nicolás

Hoje, aqui temos de novo a Venezuela.
Nicolás Maduro Moros tomou posse como presidente da República Bolivariana de Venezuela e apenas três países estiveram representados pelos seus presidentes nessa cerimónia realizada em Caracas, para lhe mostrar solidariedade e lhe dar apoio simbólico - Cuba, Bolívia e El Salvador. Estes presidentes fizeram-se fotografar conjuntamente como “os bons amigos do maduro do Nicolás” e o jornal espanhol ABC publicou essa fotografia, que é a imagem do absoluto isolamento internacional do regime venezuelano.
Esse isolamento de um país de 30 milhões de habitantes, que tem as maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo e que é um dos dez maiores produtores mundiais de petróleo, é deveras preocupante para o mundo e, em especial, para a América Latina. A crise económica e social tem-se agravado e a pobreza alastrou a todo o território venezuelano, havendo milhares de pessoas que abandonam o país em direcção ao Brasil e à Colômbia. No numeroso grupo de gente que tem abandonado o país, encontram-se muitos membros da vasta comunidade portuguesa e luso-descendente que têm regressado a Portugal por falta de condições de segurança no país que tinham escolhido para viver.
Porém, a Venezuela não está apenas isolada, mas está também cercada económica e diplomaticamente, não faltando quem tenha o desejo de libertar os venezuelanos do jugo desse maduro do Nicolás. No entanto, também há mais gente atenta a este complexo conflito e o jornal venezuelano Ultimas Noticias publicava ontem, com destaque de primeira página, a notícia que “Rusia advierte a EEUU no tocar a Venezuela ni alentar invasiones”.
Portanto, há que olhar para o imbróglio venezuelano com muita prudência.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Perigoso temporal ameaça a Venezuela

Nicolás Maduro Moros foi hoje empossado como presidente da República Bolivariana da Venezuela e prestou juramento perante o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, iniciando um segundo mandato quando o país está mergulhado numa crise económica, social e humanitária, sem fim à vista.
A Assembleia Nacional venezuelana, que é o orgão constitucional que deveria dar posse a Maduro, não alinhou na cerimónia que classificou como uma fraude, resultante da outra fraude que foi a eleição presidencial realizada no passado mês de Maio, em que a oposição não participou por falta de condições democráticas.
Da mesma forma, tanto a União Europeia, como o Grupo de Lima – composto por 14 países do continente americano, incluindo os Estados Unidos, que foi criado para dar resposta à crise venezuelana – não reconheceram a legitimidade nem o resultado da votação que lançou Maduro para mais seis anos de poder. Para ambas as organizações, apenas a Assembleia Nacional representa o poder político na Venezuela e o seu presidente, o jovem engenheiro Juan Guaidó de 35 anos de idade, já afirmou que “a partir de 10 de Janeiro, Maduro estará a usurpar a Presidência da República. Estamos em ditadura”. A Venezuela está muito isolada na cena internacional e a atravessar uma gravíssima crise. Até há quem pense em intervenções armadas externas ou em guerras civis.
Analisando a imprensa internacional, verifica-se que a posse de Maduro foi absolutamente ignorada, inclusive na América Latina e na Espanha. A excepção foi… Portugal, onde o Público, o JN e o DN, trataram de publicar na sua primeira página a fotografia de Nicolás Maduro.
Ainda estou a pensar porque terá sido que deram tanto destaque a este maduro.

Ainda as marcas da 2ª Guerra Mundial

A 2ª Guerra Mundial terminou há mais de setenta anos mas, de vez em quando, ainda aparecem bombas que não explodiram, sobretudo nos países mais afectados pelos bombardeamentos, isto é, na Inglaterra, na França e na Alemanha.
Desta vez foi na cidade de Limoges, no centro da França, que foi encontrada uma bomba inglesa de 250 Kg durante os trabalhos de realizados na gare ferroviária de Puy Imbert. De acordo com o jornal Le Populaire du Centre que se publica em Limoges, esta bomba terá sido lançada durante o bombardeamento efectuado pela Royal Air Force na noite de 23 para 24 de Junho de 1944 sobre aquela gare, que destruiu cerca de 700 carruagens e interrompeu a circulação ferroviária durante uma semana, mas adianta outra hipótese. A bomba também poderá ter sido utilizada num outro bombardeamento igualmente efectuado pela Royal Air Force, na noite de 8 para 9 de Fevereiro de 1944, que teve como alvo a fábrica Gnome et Rhône, que ficava próximo da gare de Puy Imbert, que então era conhecida por Arsenal por fabricar motores de avião e que tinha sido requisitada pelos alemães. Embora este bombardeamento tivesse sido de “uma rara precisão”, segundo o jornal, algumas bombas poderão ter falhado o alvo.
Os serviços de desminagem da protecção civil intervieram e a bomba foi desactivada e destruída no dia 8 de Janeiro, mas o que surpreende é que ao fim de tantos anos ainda continuem a aparecer bombas por explodir.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Os ventos que sopram no Reino Unido…

No próximo dia 15 de Janeiro os deputados britânicos vão votar o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, uma votação que esteve prevista para o dia 11 de Dezembro e que a primeira-ministra Theresa May tinha decidido adiar por temer que fosse reprovado.
As expectativas quanto ao que vai acontecer agora são enormes e os cidadãos britânicos devem andar absolutamente desorientados, porque já não sabem de saem ou se ficam. Na passada terça-feira, Theresa May perdeu uma votação no Parlamento por 306 votos contra 296, verificando-se que 20 deputados conservadores se juntaram à oposição. Ontem à noite, por 308 votos a favor contra 297, Theresa May sofreu uma segunda derrota no Parlamento em relação à saída britânica da União Europeia. Parece confirmar-se, portanto, que o Partido Conservador está com duas dezenas de deputados rebeldes que vão, previsivelmente, levar à rejeição do acordo do Brexit negociado com Bruxelas. O jornal The Times noticia em primeira página que os rebeldes infligiram uma derrota histórica a May que, apesar de tudo, revela persistência ou até mesmo teimosia.
É previsível a derrota de Theresa May no dia 15 e, a acontecer, aprofundará a incerteza sobre o futuro do Brexit, que é a maior mudança na política externa e na política comercial do Reino Unido desde há muitos anos. Theresa May não vai ter maioria parlamentar para aprovar o acordo de retirada da União Europeia e essa derrota abre caminho para vários resultados diferentes, que vão desde uma saída desordenada da União Europeia, até à realização de um novo referendo ou, noutro plano, à demissão de Theresa May e à realização de eleições antecipadas.
Os ventos que sopram no Reino Unido são muito preocupantes para os britânicos e, por contágio, para todos os europeus.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A nova solução aeroportuária para Lisboa

O governo português e a ANA – Aeroportos de Portugal vão assinar hoje um memorando de entendimento que pretende dar resposta aos problemas do aeroporto Humberto Delgado, que em 2018 atingiu o seu nível máximo de saturação com cerca de 29 milhões de passageiros e que, a partir de agora, começou a perder cerca de 1,8 milhões de passageiros potenciais por ano.
A solução tem sido discutida desde há muitos anos, tendo-se pensado em novos aeroportos na Ota ou em Alcochete, mas a solução encontrada foi o aproveitamento da área da base aérea do Montijo para construir um novo aeroporto, que deverá estar em funcionamento em 2022, em paralelo com a ampliação do aeroporto Humberto Delgado.
Os valores do acordo já foram revelados e o investimento global ascenderá a 1.747 milhões de euros, dos quais 1.326 milhões se destinam à primeira fase. Destes, haverá 650 milhões para a ampliação do aeroporto Humberto Delgado, 520 milhões para o novo aeroporto do Montijo e 160 milhões para acessibilidades e compensações à Força Aérea. O prazo da concessão vai estender-se até 2062 e todo o investimento ficará exclusivamente a cargo da concessionária.
O novo aeroporto do Montijo terá 2400 metros de pista e estacionamento para 36 aviões, pretendendo ultrapassar a marca dos 50 milhões de passageiros por ano e chegar aos 72 movimentos de aeronaves por hora.
No que respeita ao modernizado aeroporto Humberto Delgado, salienta-se que vai aumentar a sua área em mais de 32%, passando a poder receber na sua pista os maiores aviões de passageiros do mundo, respectivamente o A380 e B 747. Esse aspecto parece ter sido o que mais interessou o Jornal de Negócios, que ilustra a capa da sua edição de hoje exactamente com uma fotografia do A380.
O acordo que hoje vai ser assinado parece não ter o aplauso unânime das forças políticas e ainda está dependente do estudo de impacto ambiental que está a ser concluído, mas é seguramente um bom passo no caminho do nosso progresso económico.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Tradições espanholas da época natalícia

Hoje celebra-se o Dia dos Reis Magos que assinala a visita dos três reis magos (Melchior, Gaspar e Baltazar) ao menino Jesus, que é uma das festas mais populares da tradição cristã e que assinala o fim da quadra natalícia.
Em Portugal as celebrações natalícias centram-se no dia 25 de Dezembro e, nos tempos mais recentes, adoptaram símbolos desligados da tradição, como o Pai Natal a viajar de trenó ou a árvore de Natal iluminada ,enquanto as crianças já não colocam o sapatinho na chaminé e escrevem cartas ao Pai Natal a pedir presentes. Na nossa vizinha Espanha a tradição é diferente da prática natalícia portuguesa e as crianças espanholas, em vez de escreverem cartas ao Pai Natal, enviam cartas aos reis magos com os seus pedidos de presentes para receberem no dia 6 de Janeiro. As cartas são normalmente redigidas na véspera da celebração e são amarradas em balões de cores que são largados no céu, levando os desejos das crianças.
Na tarde do dia 5 de Janeiro, por toda a Espanha mas, em menor grau, também em alguns outros países, acontece a visita dos reis magos para distribuir os presentes às crianças. É a Cabalgata de Reyes Magos, um desfile de carros alegóricos em que os reis magos entram na cidade acompanhados por pajens que vão distribuindo presentes às crianças que assistem deslumbradas à passagem da comitiva.
A imprensa espanhola, sobretudo a imprensa regional, destaca as inúmeras cabalgatas realizadas pelo país. A Cabalgata de Reyes Magos de Granada é considerada a mais antiga da Espanha e do mundo e, por isso, o jornal Ideal lhe dedicou um grande espaço na primeira página da sua edição de hoje, com uma fotografia em que uma grande multidão assiste à passagem da cabalgata de Granada. 

sábado, 5 de janeiro de 2019

Podemos confiar no Ministério Público?

O Ministério Público é um órgão constitucional que é presidido pelo Procurador-Geral da República e que, de acordo com o artigo 3º da Lei nº 62/2013, entre outras atribuições, tem a função de representar o Estado e defender a legalidade democrática, exercer a acção penal e participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania. Nos últimos anos, fazendo uso do seu estatuto próprio, o Ministério Público tem promovido justificadas investigações sobre eventuais casos de corrupção que importa esclarecer para defesa da República e da Democracia.
Porém, na condução das suas investigações, os agentes do Ministério Público têm abusado dos seus poderes demasiadas vezes, manifestando sinais de falta de respeito pelos cidadãos, de intolerância cívica e até espírito de vingança. Muitas vezes esses sinais têm sido mostrados em directo pelas televisões, revelando a promiscuidade que existe com os pasquins sem escrúpulos que por aí circulam e que envenenam o espaço público. É um escândalo nacional e uma vergonha. As violações ao segredo de justiça tornaram-se uma norma e um escândalo nacional, em que há cidadãos que são condenados na praça pública através dos panfletos do tipo-correio-da-manha. Nenhum jornal, nenhuma televisão, nem nenhum jornalista foram condenados por não respeitarem a presunção de inocência, por violarem o segredo de justiça ou por atentarem contra o direito à privacidade e ao bom nome dos cidadãos. Isto não é “representar o Estado e defender a legalidade democrática”, como a lei determina ao Ministério Público, que eu ajudo a suportar com os meus impostos.
Agora, o tribunal acaba de absolver o ex-ministro Miguel Macedo e outros 18 cidadãos, depois de uma averiguação conduzida pelo Ministério Público durante quatro anos (!) e de uma campanha difamatória conduzida pelos pasquins do costume. Quem vai limpar o bom nome de Miguel Macedo? Quem vai ser responsabilizado por esta perseguição do Ministério Público? Afinal a ex-Procuradora-Geral da República andou a dar tiros de pólvora seca. Será que podemos confiar no Ministério Público?

O comboio de alta velocidade indiano

A Índia decidiu construir uma linha ferroviária de alta velocidade para ligar a cidade de Ahmedabad, capital do Estado do Gujarat, com a cidade de Mumbai, a antiga Bombaim, que é a capital do Estado de Maharashtra e que é a verdadeira capital económica e financeira da Índia.
Trata-se de um projecto muito ambicioso por várias ordens de razões, sobretudo porque é a primeira linha ferroviária de alta velocidade da Índia, que já começou a ser construída no passado mês de Agosto com a cooperação tecnológica e financeira do Japão.
Os comboios circularão a 320 km por hora, a linha terá um comprimento de 508 km e haverá 12 estações, incluindo Vapi que serve o antigo território português de Damão. A maior parte da linha será elevada para evitar a aquisição de terrenos agrícolas e para minimizar problemas de segurança, mas nas proximidades de Mumbai, entre Thane e Virar, terá um túnel de 21 km, dos quais 7 km serão submarinos. O custo total do projecto será de 15 mil milhões de dólares e a inauguração está prevista para o dia 15 de Agosto de 2022, quando a Índia celebrar o 75º aniversário da sua independência.
Hoje, o jornal Gulf News que se publica no Dubai, destaca na sua primeira página os três maiores obstáculos que enfrenta o comboio de alta velocidade indiano, designadamente as expropriações de terrenos que estão a ser altamente contestadas, as questões da segurança ao longo da linha e o seu elevado custo para um país onde 163 milhões de pessoas ainda não possuem água canalizada. Porém, a Índia não é apenas um país de contrastes culturais, mas também é um país com desenvolvimentos muito desiguais e assimétricos, onde os sinais de pobreza e os sinais de modernidade e de ostentação continuarão a coexistir por muitos anos.

A China marca pontos na corrida espacial

Uma sonda não tripulada chinesa albergando um veículo robotizado aterrou na face oculta da Lua e, dessa forma, a China assume um protagonismo inesperado no domínio da exploração espacial. De facto, o resultado desta missão mostra o elevado nível científico do país, simboliza o seu progresso e revela uma enorme ambição, não só nos domínios económico e militar, mas também na área das tecnologias espaciais.
Embora a China em 2013 já tivesse feito aterrar uma sonda espacial no hemisfério visível da Lua, proeza que só os Estados Unidos e a Rússia tinham conseguido, o sucesso desta missão pioneira da aterragem da sonda Chang’e 4 no lado inexplorado da Lua e que não é visível da Terra, foi considerado um êxito e foi elogiado pela NASA.
As autoridades chinesas planeiam iniciar este ano a construção de uma estação espacial para acolher tripulantes em permanência e enviar um veículo de exploração a Marte, parecendo apostadas em dinamizar e liderar a exploração espacial.
O jornal macau hoje destacou o sucesso desta missão espacial, que aparece integrada num programa que em 2003 já tinha realizado a sua primeira missão tripulada.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A fama de Ronaldo parece estar de volta

Apesar de ser campeão europeu e de ter marcado um golo sensacional no dia 3 de Abril de 2018, no Allianz Stadium de Turim, quando com a camisola do Real Madrid defrontou a Juventus, o futebolista Cristiano Ronaldo não foi eleito pela UEFA nem pela FIFA como o melhor futebolista do mundo em 2018. As imagens desse golo correram mundo e esse momento foi adjectivado como fantástico, incrível e antológico, tendo sido aplaudido pelos próprios adeptos italianos mas, apesar disso, nenhuma dessas organizações escolheu Ronaldo como o melhor do ano. Os fãs de Ronaldo ficaram tristes, até porque essas “derrotas” coincidiram com uma grave acusação que contra ele foi feita nos Estados Unidos.  
Porém, Cristiano Ronaldo foi agraciado esta quinta-feira no Dubai com o prémio de melhor jogador do ano nos Globe Soccers Awards e, para além desta distinção, ainda recebeu o troféu relativo ao melhor golo do ano, exactamente aquele que marcou ao serviço do Real Madrid contra a sua actual equipa.
Muitos tinham pensado que Ronaldo estava definitivamente afastado do top do futebol mundial por não ter sido escolhido pela UEFA e pela FIFA, apesar do seu histórico golo em Turim. Agora com um título de melhor jogador do mundo, embora um prémio menos valioso que os prémios da FIFA ou da UEFA, Cristiano Ronaldo pode ter “ressuscitado” e os seus fãs recuperaram uma boa razão para idolatrarem o seu ídolo. O jornal italiano TuttoSport, que tanto tem apoiado a carreira italiana de Ronaldo, não deixou passar em claro este acontecimento.

O futebol está a colonizar a informação

Na passada quarta-feira a equipa de futebol do Benfica foi jogar a Portimão e perdeu por 2-0, porque aconteceu o facto pouco comum de dois jogadores benfiquistas terem metido golos na sua própria baliza. No dia seguinte, a derrota do Benfica foi exaustivamente comentada nas televisões como se fosse uma catástrofe, a revelar a mediocridade ridícula daquilo a que chamam jornalismo desportivo e a mostrar como o futebol colonizou os mass media portugueses. Esta situação nem mereceria comentário, mas ontem foi anunciado que o treinador do Benfica tinha sido despedido... como se fosse ele que tivesse marcado os golos na própria baliza em Portimão.
A notícia do despedimento do Mr. Vitória deu origem a uma completa histeria televisiva, com todas as televisões cheias de comentadores, com directos do estádio da Luz, com palpites e preocupações sobre o futuro do treinador, bem como sobre quem o poderá substituir. A programação anunciada nos diferentes canais foi suspensa para abrir espaço ao tratamento a esta notícia e foram horas seguidas de emissão, sem conteúdo e sem nexo nenhum. Uma vergonha para os canais televisivos e para quem os dirige, gente vulgar que não passa de mercenários sem escrúpulos e que se comporta como servos das audiências.
Eu gosto de futebol, mas o futebol não merece tanto espaço televisivo, em que jornalistas, estagiários e comentadores se repetem durante horas a fio, sem qualquer interesse noticioso. Até o jornal Público, que devia ser uma referência, escolheu o Mr. Vitória para a sua capa, esquecendo a notícia da chegada chinesa à face escura da Lua e muitas outras notícias de destaque nacionais e internacionais. Uma tristeza!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Brasil: ainda a posse de Jair Bolsonaro

O Brasil é um grande país que, pela história, pela língua e pela cultura, é o país-irmão de Portugal. Embora estejam enquadrados por geopolíticas diferentes, os caminhos dos dois países também são naturalmente diferentes, mas o facto de se poderem entender na mesma língua e sem intérpretes, permite-lhes potenciar muitos interesses comuns, o primeiro dos quais é a integração das comunidades brasileiras em Portugal e das comunidades portuguesas no Brasil.
Por isso, a posse de um novo presidente do Brasil, que anuncia grandes mudanças, não pode deixar de interessar os portugueses e justificar tanta cobertura mediática em Portugal, até porque Marcelo Rebelo de Sousa foi o único presidente europeu que esteve na cerimónia de investidura presidencial em Brasília.
Porém, a análise da imprensa europeia mostra que os europeus não se interessaram pela posse do novo presidente do Brasil, isto é, nem Bolsonaro nem o Brasil foram notícia importante, talvez devido à presença entusiástica de Benjamin Netanyahu e de Viktor Orbán. No entanto, a análise da imprensa europeia mostra que houve algumas excepções e a mais notória terá sido o Dagens Nyheter, o maior jornal da Suécia, que deu um grande destaque à posse de Jair Bolsonaro, publicando uma interessante fotografia da transmissão de poderes, bem diferente daquelas que ilustraram a imprensa brasileira.
Agora, em relação a Jair Bolsonaro e ao seu governo, é esperar para ver. Parece haver muita serenidade, sem grande festa, nem grande contestação, mas tão somente muita expectativa e muita esperança quanto aos dias que virão.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Brasil: novo Presidente e nova esperança

Brasília assistiu ontem à tomada de posse de Jair Bolsonaro como o 38º Presidente da República Federativa do Brasil e, naturalmente, há uma enorme curiosidade no mundo sobre o que vai acontecer no Brasil, que é o maior país da América do Sul e da América Latina, o quinto maior país do mundo em área territorial, o sexto maior em população e, segundo o FMI, está entre as dez economias mais fortes do planeta.
Portugal esteve presente através de Marcelo Rebelo de Sousa, que foi o único presidente europeu a assistir à cerimónia de investidura de Bolsonaro. E fez bem, porque por razões históricas e emocionais, o Brasil continua  a ser o “país-irmão” e nenhum português é indiferente ao que se passa no Brasil.
Jair Bolsonaro chegou à Presidência depois de uma vitória eleitoral expressiva, embora o seu discurso radical tenha surpreendido aqueles que acompanham a vida política do Brasil, pelas suas repetidas insinuações e afirmações a respeito do valor da democracia. Os brasileiros esperam ter encontrado em Bolsonaro a resposta para a grave crise social que atravessam, marcada pela corrupção, pela criminalidade e pela insegurança, agravadas por uma persistente crise económica. A cerimónia foi transmitida pela televisão portuguesa e os portugueses puderam ouvir um discurso nada conciliador, em que Bolsonaro salientou a frase -  "Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", a lembrar o "America first" de Donald Trump. Além disso,  também repetiu algumas frases marcadamente ideológicas retiradas da sua campanha eleitoral, ao afirmar que foi eleito "para restabelecer a ordem no país", que a bandeira do Brasil "jamais será vermelha" e que os movimentos sociais terão de se habituar a respeitar "a propriedade privada".
A tarefa de Bolsonaro é muito difícil e há dúvidas se vai unir ou se vai dividir o Brasil. Os 210 milhões de brasileiros, tal como os seus amigos portugueses, vão esperar para ver o que vai fazer o capitão.