quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Ser gigante em Paris e em Brasília

A edição de hoje do Correio Braziliense destaca com a palavra “gigantes” o sucesso da equipa feminina de ginástica artística brasileira que obteve o terceiro lugar na sua prova olímpica em Paris, depois dos Estados Unidos e da Itália e, portanto, à frente de algumas potências mundiais da ginástica artística, como a China, o Japão e a Roménia. Foi um feito inesperado e grandioso do desporto brasileiro, através do desempenho de cinco excepcionais ginastas que “levaram o Brasil às lágrimas”, como se referiu aquele jornal a esse notável resultado. 
Porém, o sucesso já foi mais longe e a comitiva olímpica brasileira que tem 274 atletas, apesar da “procissão ainda estar no adro”, já conquistou quatro medalhas olímpicas (uma de prata e três de bronze), no judo e no skate, para além da ginástica artística.
O respeitável jornal Correio Braziliense elegeu o resultado da ginástica artística para ilustrar a sua primeira página, embora tivesse omitido outros gigantes que, não estando a competir em Paris, conseguiram grandes resultados académicos na Universidade de Brasília que, em certo sentido, também são um desporto e, em boa verdade, com o mesmo tipo de exigência. Por isso, aqui fica minha homenagem àqueles e àquelas que foram “gigantes” nas provas disputadas, não só em Paris 2024, mas também nas exigentes provas que disputaram na Universidade de Brasília.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Todo ambicionam medalhas olímpicas

Ao fim de cinco dias de provas olímpicas, as imprensas nacionais vão glorificando os seus atletas com noticiários e títulos que procuram ser mobilizadores para eles, para os seus patrocinadores e para os seus públicos. É assim em toda a parte.
Ontem o jornal francês Le Parisien escrevia que “les Bleus sont chauds”, enquanto o espanhol Marca anunciava que “España ruge”, o italiano La Stampa escrevia “Regina di spada”, o New York Post escolhia como título “Golden girls” e o Correio Braziliense escrevia apenas “Gigantes”. Neste contexto informativo excessivamente desportivo e demasiado laudatório, o noticiário sobre o que se passa na Venezuela, na Ucrânia, em Gaza ou no Líbano, torna-se absolutamente marginal, embora as diferentes situações continuem a ser preocupantes.
O facto é que as competições da 33ª Olimpíada vão decorrendo como se o mundo vivesse tempos gloriosos de paz e de concórdia, enquanto Emmanuel Macron vai aproveitando esta anestesia que está a acalmar os franceses, para se recompor dos seus desaires políticos.
A França tem estado à altura deste grande desafio e, enquanto país organizador, tem tido assinalável sucesso desportivo. O medalheiro deste episódio olímpico designado como Paris 2024 vai sendo preenchido e, nesta altura, já há 40 países que ganharam medalhas, dos quais 21 ganharam medalhas de ouro. Todos ambicionam medalhas olímpicas, mas a China, a Austrália e o Japão já estão na frente, enquanto os portugueses ainda esperam com alguma impaciência para ver a sua bandeira ser hasteada no mastro do pódio olímpico e ouvir A Portuguesa.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Uma espectacular fotografia de Paris 2024

À margem dos desempenhos desportivos e da luta pelas medalhas, os Jogos Olímpicos também são uma “quase-competição” pela captura das melhores fotografias, na qual “participam” centenas de fotojornalistas do mundo inteiro.
Um deles é Jerôme Brouillet, um fotojornalista francês da Agence France-Presse, que ontem em Teahupo’o, na ilha do Taiti da Polinésia Francesa, se encontrava a bordo de uma pequena embarcação para fotografar as provas de surf olímpico, tendo-se posicionado nas proximidades do “tubo” provocado pela rebentação da onda, por onde os surfistas iriam passar, a fim de fotografar a sua “saída do tubo”.
Quando o surfista brasileiro Gabriel Medina “surfou” uma das maiores ondas do dia, teve a sensação que lhe correra muito bem e “saíu” em linha recta acima das ondas, manifestando exuberante satisfação pela sua prestação. Jerôme Brouillet “estava lá” e fez a fotografia desse instante em que Gabriel Medina “saía” de um “tubo” que lhe rendeu 9,90 pontos, a maior pontuação da história do surf olímpico, apontando um dedo para o céu, com a prancha ao seu lado que, por acaso, também apontava para o céu.
A fotografia de “um surfista a voar” correu mundo, já foi considerada a “foto perfeita” e um grupo de comunicação australiano escreveu que era “a melhor foto de desporto de todos os tempos”.
A foto de Jerôme Brouillet foi publicada na primeira página do jornal O Globo, mas como celebrava Gabriel Medina, também foi publicada por toda a imprensa brasileira de referência. Ainda faltam duas semanas para o fim dos Jogos Olímpicos, mas já há quem diga que esta é a mais icónica de todas as que vierem a ser feitas.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Venezuela não se livra de Nicolás Maduro

Tal como muitos esperavam, as eleições presidenciais na Venezuela foram um grosseiro exercício de simulação democrática. Tudo foi manipulado para dificultar a vida aos adversários do ditador venezuelano e foi o próprio Nicolás Maduro que anunciou a sua vitória com 51.2% dos votos, com Edmundo Gonzalez Urrutia, o principal candidato da oposição, a obter apenas 44,2% dos votos. A oposição repudiou esta declaração e afirmou que Maduro só teve 30% dos votos e que Edmundo Gonzalez venceu com 70% dos votos.
O exuberante anúncio de vitória feito por Maduro, travestido de clown,  aconteceu quando estavam contados apenas 80% dos votos e sem haverem sido apurados os resultados parciais de milhares de mesas de voto, o que é surrealista e mentiroso. O ditador nem esperou pela contagem dos votos e tratou de se autoproclamar vencedor. Os portugueses, sobretudo aqueles que viveram as eleições presidenciais de 1958, em que Humberto Delgado ganhou nas urnas mas perdeu devido à extensão da fraude eleitoral, conhecem bem a forma fraudulenta como os ditadores ganham eleições.
A oposição venezuelana denunciou muitas irregularidades durante a campanha eleitoral, muitos viram a agonia do chavismo e o fim da ditadura bolivarista. Os resultados anunciados levaram a população para as ruas a contestar os resultados. Diz-se que o povo é quem mais ordena e o ambiente de tensão está a aumentar. Ninguém quer prever o que possa acontecer.
Alguns países já felicitaram a figura caricata de Nicolás Maduro, casos da China, Rússia, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Honduras e Síria. Outros países recusam-se a reconhecer os resultados, como a Argentina, o Uruguai, o Brasil, o Perú e a Costa Rica e outros, ainda, mostraram-se cautelosos como o Chile, a Colômbia, os Estados Unidos e a União Europeia, pedindo maior transparência no processo de contagem dos votos.
A imprensa reflecte as posições dos diferentes países e enquanto alguns se limitam a repetir o anúncio do Conselho Nacional Eleitoral, dizendo que “Maduro é o vencedor mas a oposição contesta”, outros como acontece com o jornal peruano La Razón falam em “fraude na Venezuela”. 
Haverá alguém que tenha dúvidas de que as eleições foram fraudulentas?
O facto é que as eleições venezuelanas nada contribuiram para o desanuviamento de um panorama internacional cada vez mais complexo.

domingo, 28 de julho de 2024

Venezuela: continuidade ou renovação?

O jornal uruguaio El País destaca na sua edição de hoje que “Venezuela decide si pone fin a 25 años de régimen chavista”, porque hoje se realizam eleições presidenciais no país. O assunto é importante para Portugal porque vivem na Venezuela cerca de meio milhão de portugueses ou luso-descendentes, oriundos sobretudo do arquipélago da Madeira, havendo muitos deles com dupla-nacionalidade.
A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, mas deixou passar o tempo da “petroprosperidade” para se desenvolver. Actualmente, o seu Índice de Desenvolvimento Humano, que agrega condições de saúde, educação e rendimento, está em 119º lugar do ranking IDH das Nações Unidas, o que significa um desenvolvimento abaixo da média.
Entre 1999 e 2013 o país foi governado por Hugo Chávez que impôs um regime de cunho nacionalista que foi chamado bolivarismo. Com a sua morte por doença, sucedeu-lhe o seu vice-presidente Nicolás Maduro, que foi eleito em 2013 e em 2018, embora esta vitória não tivesse sido reconhecida pela oposição, nem pela comunidade internacional. Enquanto cópia de Chavez, dizem os críticos que é pior que o original, daí resultando uma crise política e económica, com aumento da pobreza, da fome, da inflação, da criminalidade, da emigração e do isolamento internacional.
Hoje, cerca de 21 milhões de eleitores venezuelanos vão escolher o seu novo presidente entre dez candidatos, mas o que eles irão fazer é a escolha entre a continuidade ou o fim do chavismo/bolivarismo, ou entre Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela e o diplomata Edmundo Gonzalez Urrutia, da Mesa Unitária Democrática.
A situação é complexa, até porque Maduro está em desvantagem nas sondagens e pediu aos eleitores para “pensarem bem” no seu voto, alertando para um “banho de sangue” se perder, o que para muitos foi visto como uma ameaça.

sábado, 27 de julho de 2024

O ditador Benjamin é um perigo mundial

Blaise Pascal, um filósofo, matemático, físico e inventor francês do século XVII, é o autor da frase “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Esta frase tornou-se famosa e tem sido utilizada em diferentes contextos e com significados muito diversos. Por isso, também me sinto autorizado a plagiar Pascal e a escrever que “a política internacional tem razões que a própria razão desconhece”.
Benjamin Netanyahu, que é o primeiro-ministro de Israel, está acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por diversos crimes de guerra e crimes contra a humanidade, sendo objecto de um mandato de captura internacional por “extermínio” e “morte de civis pela fome”. Apesar de manter um massacre sobre o povo palestiniano que já matou mais de 39 mil pessoas e gerou uma catástrofe humanitária, o ditador israelita foi convidado a visitar os Estados Unidos e a discursar em Washington, numa sessão conjunta da Câmara dos Representantes e do Senado, em que defendeu a guerra em Gaza, mostrou o seu ódio contra os palestinianos e foi muito aplaudido. 
O apoio que recebeu não foi unânime, como refere o The Wall Street Journal. Kamala Harris, a vice-presidente e candidata presidencial, acusou a política de extermínio israelita e recusou-se a assistir à sessão, a que constitucionalmente devia presidir, enquanto o senador independente Bernie Sanders não discursou naquela sessão, em protesto contra a presença de Netanyahu e a sua recusa de uma solução de dois estados para aquela região.
A contestação ao discurso também se revelou no estrangeiro e Recep Tayyip Erdogan, o presidente da Turquia que é membro da NATO desde 1952, acusou o Congresso americano de “coroar o Hitler da nossa era”, afirmando que “em vez de parar o massacre, estamos a assistir a um colapso da razão, quando dão as boas-vindas ao carniceiro no Congresso e aplaudem-no 57 vezes durante o seu discurso delirante”.
Custa a crer como tantos senadores e congressistas americanos pactuaram com este ditador e o aplaudiram ou, então, a política internacional tem razões que a própria razão desconhece.

As surpresas do anticiclone dos Açores

A ponta dos Rosais, na ilha de S. Jorge
A meteorologia dos Açores é dominada pelo seu famoso anticiclone, que é um centro de altas pressões atmosféricas que influencia o tempo e o clima de vástas áreas da Europa, do Norte de África e das Américas. Este sistema é um exemplo de um anticiclone subtropical quente e tem variações de posição ao longo do ano, mas no Verão mantém-se bastante estacionário na proximidade do arquipélago, o que origina um tempo ameno, com ventos fracos e fraca pluviosidade. Porém, o comportamento do anticiclone não é regular pelo que, apesar das condições meteorológicas favoráveis em que a luminosidade oferece panoramas de grande deslumbramento, também se sucedem fenómenos de excepção, designadamente no mar, onde a temperatura da água atingiu os 26 graus nos últimos dias, bem como situações de invernia fora do tempo, com ondulação e mar encapelado, nevoeiro e pouca visibilidade, vento e alguma pluviosidade. 
Foi nessas condições de excepção que navegamos recentemente da ilha do Pico para a ilha Graciosa, mas o anticiclone surpreendeu-nos. A passagem pela ponta dos Rosais, na extremidade ocidental da ilha de S. Jorge, proporcionou nesse dia uma visão digna da passagem do cabo Horn, tido como o "lugar mais perigoso do mundo para os navegantes". Na fotografia que então captei destaca-se o dia sombrio, o mar encapelado e, imponente e solitário, o farol dos Rosais.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Angola e Portugal em onda de cooperação

A edição de hoje do Jornal de Angola destaca a visita do primeiro-ministro português a esse grande país a que nos ligam demasiadas memórias históricas e em cujo mercado actuam mil empresas portuguesas. As relações entre Portugal e Angola, mas também entre todos os nove países da CPLP, são muito importantes porque assentam num íntimo conhecimento histórico, em afinidades culturais e numa língua comum.
No Livro do Desassossego, que é considerado pela crítica como uma obra-prima ou uma verdadeira obra de arte da literatura portuguesa, “composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, por Fernando Pessoa”, publicado pela primeira vez em 1982, quase meio século após a sua morte acontecida em Lisboa no dia 30 de novembro de 1935, o poeta escreveu:
“Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa”.
Essa frase escrita há quase cem anos é uma âncora emocional para milhões de pessoas que se exprimem em português. Durante os séculos da sua expansão marítima os portugueses fixaram-se em muitas das terras que encontraram em todos os continentes e, desse processo histórico muito complexo e nem sempre respeitador das culturas locais, resultaram algumas fricções mas também um rico processo de aculturação, cujo principal vector foi a língua portuguesa. Com o movimento do 25 de Abril de 1974, foram criadas as condições de pacificação, de cooperação e de solidariedade entre Portugal e os países nascidos da sua era colonial, com base nas suas relações históricas e na língua comum.  Actualmente, segundo anuncia o Instituto Camões, cerca de 260 milhões de pessoas falam o português, que é a quarta língua materna mais falada do mundo, depois do mandarim, do inglês e do espanhol, enquanto nove países da CPLP e Macau têm o português como língua oficial.
A visita a Angola de Luís Montenegro é um passo dado no sentido certo e estimula a necessária onda de cooperação entre os dois países.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Paris 2024 também é um acto cultural

Em vésperas da abertura oficial dos Jogos Olímpicos, sucedem-se as reportagens na imprensa sobre os seus aspectos desportivos, mas também outros aspectos que lhe estão associados, sobretudo de ordem política, económica, logística, cultural e diplomática. 
O pequeno Emmanuel Macron que tem acumulado tantos desaires políticos internos e internacionais, tem agora a oportunidade de ocupar o centro do mundo e brilhar à sombra dos 330 metros da altura da Tour Eiffel. Por isso, organizou uma grande festa de inauguração, a realizar no rio Sena, tendo convidado os presidentes das maiores multinacionais do mundo que já lhe garantiram 15 mil milhões de euros de investimento e um cortejo numeroso de líderes mundiais que lhe comprarão Airbus e material militar, mas nesse grupo faltarão Joe Biden, Vladimir Putin, Xi Jinping e Lula da Silva, porque os tempos não estão para grandes festas. Porém, não faltará Marcelo Rebelo de Sousa com a sua comitiva de assessores, mais os seus jornalistas convidados.
Haverá por certo várias declarações, nomeadamente de Macron, a pedir um cessar-fogo em Gaza e na Ucrânia, mas a França é um dos principais fornecedores de armamento a Israel e à Ucrânia, o que significa que muitos dos pedidos de tréguas ou de cessar-fogo que venham a ser feitos, são meros exercícios de retórica, ou mesmo de hipocrisia.
No entanto, nenhum destes comentários retira importância nem destaque à parte desportiva dos Jogos Olímpicos, como mostra a edição de hoje do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias que, sendo o mais importante órgão de comunicação português na área cultural, reconhece nesta sua edição a grandeza cultural dos Jogos Olímpicos. E faz muito bem!

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Aí estão os Jogos Olímpicos de Paris 2024

Na próxima sexta-feira, dia 26 de julho de 2024, serão oficialmente inaugurados os Jogos da XXXIII Olimpíada, designados como Jogos Olímpicos de Paris 2024, que decorrerão até ao dia 11 de agosto. Será, certamente, o mais atraente espectáculo televisivo do ano, em que se concentrarão milhares de milhões de espectadores em todo o mundo.
Os tempos mudaram e já não são o que foram, quando em 1894 foram criados pelo Barão Pierre de Coubertin e em que o espírito dominante assinalava que “o mais importante não é vencer, mas participar”. Agora, os 10.714 atletas que participarão em 32 modalidades desportivas nestes Jogos querem mesmo vencer, ganhar medalhas, regressar aos seus países como os heróis e acumular as suas contas bancárias.
Portugal participa nos Jogos Olímpicos desde a sua 5.ª edição, realizada em Estocolmo no ano de 1912 e, nesta 33ª edição, a comitiva olímpica portuguesa terá 73 atletas em que, pela primeira vez, haverá mais mulheres (37) do que homens (36), que irão competir em 15 modalidades, havendo a habitual esperança de alguns bons resultados.
Ontem o jornal i dedicou muitas páginas da sua edição às Olimpíadas de Paris e escolheu a fotografia do canoista Fernando Pimenta para a ilustrar, até porque é o atleta português sobre quem recai o maior favoritismo para uma vitória olímpica.
Desde a sua primeira participação olímpica em 1912 os portugueses já ganharam 28 medalhas, das quais cinco de ouro, nove de prata e catorze de bronze. 
Aqui fica a nossa homenagem aos nossos campeões olímpicos: Carlos Lopes (Los Angeles, 1984), Rosa Mota (Seoul, 1988), Fernanda Ribeiro (Atlanta, 1996), Nelson Évora (Pequim, 2008) e Pablo Pichardo (Tóquio, 2020). Haverá algum Fernando Pimenta que se possa juntar a esta lista?

terça-feira, 23 de julho de 2024

EUA: sai Joe Biden e entra Kamala Harris

As eleições presidenciais americanas são importantes para o mundo e é sabido como há muitos assuntos da política internacional que “esperam” pelos seus resultados, inclusive a paz em várias regiões do nosso planeta. A hipótese de se confrontarem os mesmos candidatos das anteriores eleições – Donald Trump e Joe Biden – tornou o presente processo eleitoral americano mais disputado e até mais emotivo.
Acontece que nos últimos dias se sucederam alguns acontecimentos relevantes, como o debate do dia 27 de junho em que Biden esteve desastrado, a tentativa de assassinato de Trump do dia 13 de julho e o anúncio da desistência de Biden no dia 21 de julho. As hostes democratas andavam divididas e desalentadas pois a escolha de Biden não era consensual devido à sua idade e ao seu estado de saúde. Com a sua desistência, em poucas horas surgiu a candidatura de Kamala Harris, a actual vice-presidente dos Estados Unidos, que logo devolveu a esperança aos Democratas, atacando Donald Trump com muita dureza, atraindo avultados apoios políticos e financeiros e garantindo a adesão da maioria dos delegados para a convenção democrata que se realizará entre os dias 19 e 22 de agosto, para escolher o candidato que concorrerá contra Donald Trump.
A imprensa americana está repartida entre os que entendem que com Kamala Harris a vitória de Trump será mais fácil e os que acreditam que o entusiasmo e o dinamismo de Harris vão derrotar Donald Trump. Será, certamente, um case study para ser acompanhado pelos estudiosos da sociologia política.
Hoje, a imprensa afecta aos Democratas encheu as suas primeiras páginas com a fotografia de Kamala Harris sorridente e determinada em inverter os números que são indicados pelas sondagens, com o Daily News a destacar que “Harris une os Democratas”.
Sem dúvida que a renúncia de Biden abriu uma nova página na corrida presidencial americana. Porém, porque Biden ainda estará na Casa Branca por mais seis meses, será de esperar que queira deixar o seu nome ligado a um grande acontecimento mundial, que apague esta sua derrota de julho de 2024.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

As eleições nos EUA e a renúncia de Biden

Depois das evidências que a televisão mostrou a respeito das debilidades físicas e cognitivas de Joe Biden e das pressões que sobre ele foram feitas para desistir da corrida à Casa Branca, este candidato presidencial dos democratas americanos tomou ontem a decisão que muitos esperavam. Invocando o bem do seu partido e do seu país, Joe Biden anunciou a desistência da sua candidatura e o apoio à sua vice-presidente Kamala Harris, que já aceitou o desafio de se candidatar mas que, naturalmente, ainda terá que aguardar a ratificação da sua candidatura pela convenção democrata que se realiza em agosto.
O caso é muito importante porque Joe Biden é o presidente em exercício e se aproxima a data das eleições. Por isso, logo que foi anunciada a sua decisão, as televisões portuguesas encheram-se de comentadores, de muitos comentadores, que trataram de especular sobre o futuro da corrida eleitoral, sobre o futuro da América e sobre o futuro do mundo. Numa altura em que os americanos e, sobretudo, as hostes democratas, ainda não sabem como “descalçar esta bota” surgida a menos de um mês da convenção democrata, neste canto ocidental da Europa vimos os nossos iluminados comentadores a mostrar aos americanos os caminhos que devem seguir.
O facto é que neste contexto de maior incerteza, parece que Donald Trump ganha alguma vantagem, mas também há quem defenda que a saída de Joe Biden vai levar o eleitorado a optar pela continuidade. É tudo muito imprevisível e serão os cidadãos americanos a fazer a escolha presidencial que vai determinar a evolução do mundo nos próximos quatro anos.

Grandes resultados do desporto português

O dia de ontem foi um grande dia para o desporto português, pelo conjunto de bons resultados internacionais conseguidos por atletas portugueses e o jornal A Bola destacou-os com o título “História de Portugal”. É caso para dizer que “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, embora o jornal não esqueça a sua intimidade com o futebol, pois o nome com maior destaque na sua primeira página é o do futebolista Pavlidis…
Ontem brilharam o ciclista João Almeida e o tenista Nuno Borges. O ciclista João Almeida tornou-se hoje o segundo melhor português de sempre na Volta a França, ao terminar em 4º lugar e consolidando-se como o sucessor de Joaquim Agostinho que se classificou em 3º lugar naquela prova em 1978 e 1979.
O ciclista da UAE Emirates foi o primeiro ciclista português a fechar as três grandes Voltas nos cinco primeiros lugares, já que também foi quarto na Vuelta 2022, terceiro no Giro 2023 e, agora, acabou em quarto no Tour 2024.
O tenista Nuno Borges venceu o Open de Bastad na Suécia, derrotando na final o espanhol Rafael Nadal pelos parciais de 6-3 e 6-2, o que representou a sua primeira final e a sua primeira vitória numa prova da Association of Tennis Professionals (ATP). Com esta vitória e logo sobre o famosíssimo Rafael Nadal, Nuno Borges tornou-se o segundo tenista português a vencer provas do circuito ATP, depois de João Sousa (Kuala Lumpur em 2013, Valência em 2015, e Estoril Open em 2018). 
Mas houve mais sucessos do desporto português neste fim-de-semana, pois a equipa nacional de hóquei em patins de sub-17 bateu a Espanha por 5-2 em Olot - Girona e tornou-se campeã da Europa naquela categoria. Já no andebol, na categoria de sub-21, a equipa portuguesa chegou à final do campeonato da Europa disputado em Celje, na Eslovénia, tendo perdido com a Espanha por 35-31 e ficado “apenas” com o título de vice-campeã europeia, embora já seja a terceira final que perde nesta competição.
Bom seria que estes resultados fossem inspiradores para a participação olímpica portuguesa que se aproxima…

domingo, 21 de julho de 2024

Um boné como símbolo de uma campanha

Os americanos estão a cerca de quatro meses de escolher o seu presidente, naquela que será a 60ª eleição presidencial dos Estados Unidos que, desde 1788, se realiza de modo ininterrupto, a cada quatro anos.
O processo iniciou-se com a apresentação individual das candidaturas do Partido Democrata, cujo símbolo é um burro, bem como do Partido Republicano, cujo símbolo é um elefante. Depois, entre Janeiro e Junho realizaram-se as eleições primárias em cada um dos cinquenta estados para seleccionar os delegados dos dois principais partidos políticos americanos, que iriam representar os diversos candidatos na convenção dos partidos.
Esses delegados escolhidos nas eleições primárias, participam nas convenções dos partidos que se realizam em julho e agosto, para nomear e aclamar o candidato de cada partido. A convenção republicana já se realizou em Milwaukee, entre os dias 15 e 18 de julho, tendo nomeado Donald Trump. A convenção democrata será realizada em Chicago entre os dias 19 e 22 de agosto e, até agora, tem o actual presidente Joe Biden como favorito à nomeação.
Porém, se a idade dos candidatos já era um preocupante problema nacional, alguns acontecimentos recentes vieram perturbar o normal andamento do processo eleitoral, nomeadamente o atentado contra Donald Trump e a cada vez mais evidente senilidade de Joe Biden. As sondagens estão a favorecer Trump e os republicanos já exibem o seu radicalismo triunfante, enquanto o democrata Joe Biden é pressionado para abandonar a corrida eleitoral. 
Os americanos estão preocupados e a edição de hoje da revista alemã Der Spiegel mostra que também há preocupações na Europa, ao publicar a imagem do boné e a referência à orelha ensanguentada de Trump como símbolos da sua campanha, perguntando se “os Estados Unidos estão ameaçados por uma guerra civil”, porque a figura de Donald Trump suscita tantos apoios como rejeições, sendo ambas demasiado perigosas. No mesmo sentido se expressa o jornal El País ao escrever que "un tornado politico de alcance imprevisible planea sobre EE UU".

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Mais cinco anos para Ursula von der Leyen

Ursula von der Leyen, uma política alemã com 65 anos de idade, foi ontem reeleita presidente da Comissão Europeia com 401 votos a favor, 284 votos contra, 15 abstenções e sete votos nulos. Precisava de 360 votos mas superou essa fasquia por 41 votos, significando que teve mais votos do que tivera em 2019, o que pode ser interpretado como uma grande vitória e uma prova de confiança no trabalho realizado durante o seu anterior mandato. Porém, apesar do voto ser secreto, esta eleição é o resultado do acordo celebrado entre algumas famílias políticas para os chamados top jobs (Conselho Europeu, Parlamento Europeu e Comissão Europeia). De qualquer forma, Ursula von der Leyen foi a escolha dos eurodeputados, embora tivesse recebido um significativo número de votos contra.
Durante o seu mandato de 2019 a 2024, a União Europeia estagnou por efeitos diversos, desde o covid-19 até ao conflito na Ucrânia, com Ursula von der Leyen a secundarizar os problemas dos europeus, designadamente as alterações climáticas, as migrações, a energia, a habitação, a demografia, a pobreza, a independência científica, a capacidade tecnológica, as concorrências chinesa e americana, mais outros tantos problemas, enquanto demasiadas vezes, mostrou um espírito belicista contrário à lógica de paz e de cooperação que levou à criação da União Europeia, que é um projecto de paz e de progresso. Em vez de ser o motor do desenvolvimento e do bem-estar dos europeus, a sua acção esqueceu-os e ela nada se esforçou na busca de soluções para fazer a paz na Ucrânia, mostrando-se obcessiva no apoio militar a Zelensky e subserviente em relação às orientações americanas. Além disso, ao contrário do que se esperava, sempre apoiou os excessos cometidos por Israel, sem se demarcar da violência ou criticar a crueldade que está a ser praticada contra o povo palestiniano.
A senhora von der Leyen pensa mais em guerra do que em paz. As indústrias militares agradecem-lhe. Como vão longe os tempos de Jean Monnet, que acreditava que o projecto europeu iria impedir novos conflitos militares na Europa, ou de Jacques Delors, que foi o principal arquitecto da unidade, do progresso e da paz na União Europeia.