sábado, 16 de julho de 2016

A Europa continua sob ameaça

O terrorismo conduzido por grupos radicais está a martirizar a Europa e, em especial, a França. Desta vez aconteceu em Nice, durante as celebrações do Dia Nacional da França, quando uma viatura pesada percorreu a avenida marginal da cidade a alta velocidade e, de forma deliberada, atropelou mortalmente algumas dezenas de pessoas.
Antes, a mesma crueldade tinha acontecido em carruagens do metropolitano, em casas de espectáculos ou em aeroportos, com o objectivo específico de espalhar o terror e o medo no seio da sociedade. A ameaça terrorista persiste e a insegurança está cada vez mais instalada nas nossas vidas. O problema do combate ao terrorismo não é francês nem belga, nem espanhol ou alemão. É um problema europeu, porque foi a Europa que criou as condições para o aparecimento desta triste realidade com as suas políticas económicas e sociais persistentemente erradas que se têm revelado incapazes de promover o crescimento económico e o emprego, ao mesmo tempo que se tornou refém dos mercados financeiros e dos especuladores. Os refugiados que fogem à guerra e à pobreza, fatalidades de que a Europa não pode excluir responsabilidades, vieram juntar-se aos milhões de europeus desempregados e sem futuro, muitos deles oriundos dos países do sul e, em especial, das regiões magrebinas.
Durante décadas a Europa utilizou essa mão-de-obra barata para crescer economicamente, mas nem sempre terá sido suficientemente justa com as suas políticas sociais de integração. Agora, sofre as consequências e vive um tempo de estagnação que, por vezes, até mostra sinais de declínio. Neste desesperante quadro que se agrava quotidianamente, como mostram os trágicos acontecimentos de Nice, há meia dúzia de burocratas europeus que insistem nas sanções a Portugal, porque em 2015 o défice orçamental ficou em 3,2% e excedeu em 0,2% o limite imposto pelo tratado orçamental. Nem o famoso Ministro da Informação de Saddam Hussein a anunciar vitórias iraquianas quando as tropas americanas entravam em Bagdadd, mostrou tanta cegueira!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A festa do nosso futebol correu mundo

A vitória portuguesa no Euro 2016 foi noticiada na imprensa de todo o mundo, mas também foi festejada um pouco por todo o mundo. Há diversas razões para justificar a enorme alegria popular por esta vitória e uma delas é o facto da selecção nacional de futebol ser um espelho da diáspora portuguesa, da portugalidade ou da cultura lusófona, pois a maioria dos seus jogadores nasceu em Portugal, mas houve alguns que nasceram em França, na Alemanha, no Brasil, em Angola e na Guiné-Bissau, o que confirma a tese de Fernando Pessoa de que a nossa Pátria é a língua portuguesa e não o lugar onde nascemos. Nessas circunstâncias, o mundo lusófono sentiu-se representado nesta selecção e vibrou com esta vitória.
A imprensa, a televisão e as redes sociais mostraram a enorme euforia dos portugueses, dos luso-descendentes e dos seus amigos em muitas regiões do mundo, incluindo países e locais improváveis como o Canadá, mas também em locais tão longínquos como Macau, Dili, Malaca e Goa.
No caso de Goa, onde alguns grupos sociais ou políticos mantém um certo sentimento de desconfiança em relação a Portugal, herdado da forma desastrada como aconteceu o fim da presença portuguesa, ainda se verificam algumas situações de contestação a tudo o que é português, desencadeadas por alguns auto-denominados freedom fighters. Porém, parece que o futebol fez mudar alguma coisa, pois o jornal oHeraldo destacou que a vitória no Euro une Goa e Portugal, tendo publicado uma fotografia da festa portuguesa com a legenda “Viva Portugal”. É um acontecimento jornalístico bem curioso e, provavelmente, é a primeira vez que desde 1961, o nome de Portugal enche a primeira página de um jornal de Goa. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Argentina não desiste das ilhas Malvinas

O país de Ernesto Che Guevara, Jorge Luís Borges, Leonel Messi e do Papa Francisco comemorou o bicentenário da sua independência e as celebrações promovidas pelo governo argentino tiveram larga expressão nacional.
A independência argentina foi declarada no dia 9 de Julho de 1816 quando os representantes das Províncias Unidas do Rio da Prata, reunidos em San Miguel de Tucumán, assinaram uma declaração de renúncia à tutela da monarquia espanhola então personalizada por Fernando VII. 
De acordo com a imprensa argentina as celebrações tiveram um grande impacto popular com programas de actividades comemorativas em todas as províncias e, segundo os números oficiais, só nos festejos realizados em Buenos Aires participaram cerca de seiscentas mil pessoas e actuaram bandas militares de onze países.
No grande desfile militar realizado na capital participaram muitos protagonistas na chamada “Guerra perdida”, a forma como é referida a guerra das Malvinas/Falklands que ocorreu em 1982 entre a Argentina e o Reino Unido, designadamente muitos antigos combatentes e familiares das vítimas, que foram ovacionados espontaneamente pela população em reconhecimento dos serviços que prestaram ao país. Esta manifestação de apoio aos combatentes que participaram na guerra das Malvinas significa que a reivindicação argentina pelas ilhas se mantém viva e tem apoio popular, embora ninguém pense noutra via que não seja o caminho da Diplomacia.
O diário Clarín de Buenos Aires é um dos jornais que destaca o “fervor” argentino pelas Malvinas, mas que, na mesma edição, salienta a vitória portuguesa no Euro 2016 e titula: “Portugal, rey de Europa”.

O histórico dia 10 de Julho de 2016

A vitória de ontem no Euro 2016 foi um acontecimento único e memorável para os portugueses, não só pelo resultado desportivo conseguido em Paris contra a selecção anfitriã, mas também por outras razões igualmente muito importantes. De facto, para além das atitudes provocatórias francesas dentro e fora do campo, houve a exibição excepcional de Patrício, a segurança defensiva de todos, a entrada intimidatória que lesionou Ronaldo e a decisiva bomba de Éder, mas também houve outras coisas que vão ficar para a história.
A primeira foi a enorme alegria que foi dada aos portugueses, em especial àqueles que vivendo e trabalhando fora do país, são muitas vezes marginalizados nos países de acolhimento e até segregados pela arrogância da sociedade local. Esta vitória futebolística devolveu-lhes o orgulho nacional, mas também a todos os portugueses, provocando uma manifestação de entusiasmo e alegria como nunca se registara na nossa vida colectiva e que a televisão registou. Se a união em torno desta vitória prevalecer no tempo, teremos muitas outras vitórias no nosso progresso económico e social.
A outra importante razão que vai ficar na história foi a repercussão internacional desta vitória, noticiada nas primeiras páginas de centenas de jornais de todo o mundo, a constituir a maior campanha promocional alguma vez feita a favor do nosso país. Muita dessa imprensa, provavelmente a reagir à insolência e à fanfarronice francesas, são altamente laudatórias quanto ao mérito da selecção portuguesa e da justiça da sua vitória, que deixou os franceses absolutamente atordoados, porque na sua cegueira pensavam que a final eram favas contadas. De entre todas as capas alusivas à vitória portuguesa escolhemos o italiano Corriere dello Sport e o seu sugestivo título: portogallissimo. Foi isso mesmo, portugalíssimo!
O dia 10 de Julho de 2016 vai ficar mesmo na nossa história, não só pelo resultado desportivo, mas sobretudo pelas duas razões aqui apontadas. Porém, a glória desportiva desse dia, ainda foi acrescentada com o 7º lugar nos Europeus de atletismo e com três medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze, para além do 2º lugar do ciclista Rui Costa na etapa-rainha dos Pirinéus do Tour 2016. Ainda haverá burocratas provocadores a falar de sanções aos portugueses, a este nobre povo e a esta nação valente?

domingo, 10 de julho de 2016

Euro 2016: dia de final, dia de festa

Muitos jornais portugueses e franceses, mas também de alguns outros países, destacam nas suas primeiras páginas o jogo da final do Euro 2016 que se realiza hoje entre as equipas de Portugal e da França, ilustrando as suas edições com as fotografias de Cristiano Ronaldo e de Antoine Griezmann, que são os símbolos maiores de cada uma daquelas selecções. São dois jogadores famosos que jogam no Real Madrid e no Atlético de Madrid e que se conhecem bem. Curiosamente, até se descobriu agora que Griezmann é filho de mãe portuguesa de Paços de Ferreira, que passava férias naquela zona e que até tem dupla nacionalidade. 
Quer em Portugal, quer em França, os jornais incitam as suas equipas nacionais, elogiam os jogadores e exigem-lhes a vitória, mas é interessante ver o que faz o jornal espanhol Marca ao escrever que, num jogo entre vizinhos, que ganhe o melhor. De entre todos os jornais, destaca-se o Ouest France, que se publica em Rennes e que ignora as “estrelas” e prefere escolher como título “dia de final, dia de festa”, ilustrando a sua primeira página com uma fotografia de uma jovem com as bandeiras de Portugal e da França. O futebol é portador de alegria para a população e ambos os países “precisam” desta vitória pois têm passado por situações bem difíceis, incluindo a austeridade e o terrorismo. Os portugueses nunca ganharam uma grande competição internacional de futebol e têm agora uma boa oportunidade, até porque estão tranquilos, confiantes, serenos e jogam bem. Podem ganhar.
Para os portugueses que vivem em França esta final já é uma vitória pois devolveu-lhes o orgulho nacional e a alegria, conforme vemos diariamente nas televisões, mas para os 11 milhões de portugueses residentes no território nacional esta final significa um jogo para a História. Podem ganhar. Espero bem que sim. Vai ser uma festa.

sábado, 9 de julho de 2016

A ganância do cherne que virou banqueiro

A notícia circulou rapidamente e deixou a sociedade portuguesa perplexa, com um grande coro de críticas pela falta de ética e de vergonha do cherne. De facto, a continuada utilização da vida política e do serviço à causa pública, está cada vez mais a transformar-se num trampolim para os negócios e para os bons empregos. Muitos casos envergonham o país, pela forma como certas pessoas se comportam. Vale tudo. É a completa falta de pudor e nos últimos tempos os casos acumulam-se, com o Gaspar, a Albuquerque e o Portas a não olharem a meios para encher os bolsos, como muitos outros já tinham feito. Qualquer coisa serve, desde que seja bem paga. Os conflitos de interesses não existem. É uma imoralidade utilizar a carreira política para enriquecer, mas esta gente não tem vergonha nenhuma.
Agora, houve alguém que foi mais longe na sua falta de pudor e na ganância. O cherne, aquele jovem militante radical e maoista, que em 2003 apoiou a invasão do Iraque, que fugiu do país em 2004 e que depois chegou à presidência da Comissão Europeia onde esteve dez anos a fazer uma triste figura de pau-mandado, a aprofundar as contradições europeias e sem perceber a crise que se aproximava, decidiu entregar-se à Goldman Sachs, onde parece que vai ganhar cinco milhões por ano. É mais um caso de grave promiscuidade entre política e negócios, mas este é ainda mais grave pois envergonha o país. Nunca um presidente da Comissão Europeia aceitara um papel tão servil a troco de dinheiro. Aquele que foi o número um da Europa, passa-se para "o inimigo", por dinheiro. É um mercenário sem causas. A mediocridade e a incompetência foram premiadas.
O Goldman Sachs é um símbolo do capitalismo financeiro global, sem escrúpulos nem respeito pelos países ou pelos povos onde actua como abutre e, no caso de Portugal, está em litígio com o Banco de Portugal e contra o Novo Banco, estando em causa centenas de milhões de euros, por causa da resolução do BES. O cherne vai, naturalmente, estar do lado de lá, ao lado dos radicais americanos, tal como fez em 2003. A França criticou e ficou indignada. Nós também nos indignamos. Barroso é a vergonha dos portugueses e a vergonha da Europa. Ponto final.

Aí está a festa que enlouquece Pamplona

Já começaram as Sanfermines, as fiestas de San Fermin da cidade basca de Pamplona. Até ao dia 14 de Julho, todos os dias pelas oito horas da manhã, realizam-se os famosos encierros, isto é, uma largada de touros ao longo de um percurso de 849 metros por três ruas do centro histórico de Pamplona que termina na praça de touros da cidade. Os encierros duram três a quatro minutos e deixam sempre alguns feridos atrás de si. Ontem foram sete, mas todos os anos há muitos feridos e, na história das Sanfermines, já estão registadas mais de uma dezena de mortes.
As festas têm uma origem muito antiga mas só se tornaram mundialmente conhecidas quando o escritor Ernest Hemingway, que ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1954, lhe dedicou em 1926 o seu livro The Sun Also Rises, que em Portugal foi traduzido como Fiesta e cuja narrativa decorre em grande parte em Pamplona durante as Sanfermines. Mais tarde, com o aparecimento da televisão e a globalização informativa, as festas tornaram-se mundialmente conhecidas e as imagens dos encierros popularizaram-se, embora muitas vezes revelem situações de grande violência.
As imagens que as televisões diariamente nos mostram das largadas de touros mostram o enorme entusiasmo que suscitam, mas também a sua elevada perigosidade, sobretudo para os muitos milhares de turistas que visitam a cidade, exactamente para enfrentar o desafio dos encierros.
Hoje, o Diário de Navarra dedica a sua primeira página às Sanfermines 2016 com uma expressiva fotografia.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

A guerra do Iraque e o triste papel ibérico

O relatório Chilcot sobre a invasão do Iraque em 2003 surgiu no Reino Unido como uma bomba e veio mostrar que a intervenção militar anglo-americana e dos seus aliados se baseou na mentira e na grosseira manipulação das opiniões públicas. A conclusão do relatório é muito severa para o governo de Tony Blair, alegando que o antigo primeiro-ministro britânico decidiu a invasão sem antes ter esgotado todas as outras opções disponíveis e exagerou, de forma deliberada, a ameaça que o regime de Saddam Hussein representava. Com este relatório é agora mais evidente que George W. Bush e Tony Blair foram responsáveis pela guerra do Iraque e pela destruição do país, pelo afastamento de Sadam Hussein, pela morte de 150 mil pessoas e pelo início de um processo de destabilização que se estendeu do Iraque por vários outros países. Ainda é cedo para que a História registe o que realmente se passou e conduziu a uma guerra que mudou o Médio Oriente e o mundo, que já destruiu países como o Iraque, a Líbia ou a Síria e que abriu as portas a novas ameaças que estão a entrar pela Europa.
Na Cimeira dos Açores realizada na tarde do dia 16 de Março de 2003 estiveram Bush, Blair, Aznar e Durão Barroso e quatro dias depois foram iniciados os bombardeamentos de Bagdad. A Espanha não ficou indiferente ao Relatório Chilcot. Ontem El Periódico publicou a fotografia “oficial” da Cimeira dos Açores (da qual excluiu Barroso, o mordomo), salientando a participação de José Maria Aznar. Hoje o 20 minutos retoma o assunto com uma imagem de Aznar na sua primeira página,  dizendo que ele é citado 11 vezes no relatório e que “estava muito a favor de ir com a guerra para diante”. Significa que, mesmo em Espanha, a questão do apoio à invasão do Iraque não é assunto arrumado. Bom seria que aqui se soubesse qual foi o papel de Durão Barroso, porque não terá sido apenas mordomo. Era bom que ele esclarecesse junto de uma comissão de inquérito qual foi o seu papel. Com o seu servilismo ele “conquistou” então o lugar de Presidente da Comissão Europeia, onde também deu um bom contributo para a desagregação a que estamos a assistir na Europa.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O Reino Unido não perdoa a Tony Blair

Toda a imprensa britânica de referência destaca hoje nas suas primeiras páginas a fotografia do Tony Blair, a propósito da divulgação do relatório de Sir John Chilcot sobre a invasão do Iraque em 2003, deixando graves acusações ao comportamento do antigo Primeiro-Ministro. O relatório é classificado como implacável e devastador, condenando Tony Blair, ou pelo menos é essa a mensagem que passa para a opinião pública, pois revela uma vez mais que não havendo provas suficientes para derrubar Sadam Hussein, estas foram adulteradas para justificar a intervenção britânica ao lado dos americanos. O relatório revela que a decisão precipitada de Blair fez com que as tropas britânicas fossem mal preparadas para a guerra, salientando que muitos dos que então alertaram para o erro que estava a ser cometido foram ignorados ou perseguidos.
Entretanto, algumas famílias dos 179 soldados e civis britânicos mortos no Iraque, continuam a responsabilizar Blair pela participação britânica na guerra e não estão convencidas de que ele não soubesse o que estava a fazer, pelo que consideram que, após este relatório demolidor, ele deveria ir para a Haia para ser julgado por crimes de guerra. Ao mesmo tempo, os activistas dos direitos humanos britânicos não isentam Tony Blair de responsabilidades na destruição do Iraque e na morte de cerca de 150 mil civis durante a guerra.
Curiosamente, alguns jornais espanhóis noticiaram a divulgação do Relatório Chilcot, mas escolheram a fotografia da Cimeira das Lajes com Bush, Blair e Aznar, ignorando o mordomo desse encontro que foi um tal Durão Barroso que, naturalmente, também tem culpas nesta trapalhada  conduzida por Bush e Blair, que trouxe tanta instabilidade àquela região e ao mundo.

O futebol ressuscita o orgulho nacional

Ontem foi um dia de grande festa para os portugueses espalhados pelo mundo ao verem a sua selecção nacional de futebol atingir a final do Euro 2016, com uma exibição de talento e qualidade. Tinha-se iniciado a segunda parte do jogo das meias-finais com a selecção do País de Gales e pouco passava das 21 horas, quando Cristiano Ronaldo se elevou a 2,88 metros de altura e marcou de cabeça o primeiro golo da partida. Esse momento de grande alegria, mas também de grande capacidade atlética e poder futebolístico do nosso mais famoso jogador, está retratado na capa do diário espanhol Marca, mas também em jornais de muitos outros países. As televisões mostraram repetidamente esse gesto de Cristiano Ronaldo que vai ficar a marcar a presença portuguesa no Euro 2016.
A vitória portuguesa foi reconhecidamente justa e gerou uma onda de euforia não só em Portugal, mas também na generalidade dos países onde vivem portugueses. Através da televisão todos pudemos ver inúmeras cenas de emocionante entusiasmo e de orgulho nacional, ocorridas em cidades tão diferentes como a vizinha Paris ou a distante Dili, onde se cantou A Portuguesa e se agitaram bandeiras verde-rubras. Esse é, porventura, um dos mais importantes resultados da epopeia futebolística que está a decorrer em França. E sendo o futebol um dos palcos onde modernamente se confrontam o poder das nações e as suas rivalidades, o nosso sucesso não só é uma festa para os portugueses, mas é também um soco no estômago daqueles que alguma vez humilharam os portugueses e, em especial, aqueles que a vida obrigou a emigrar. O jogo de ontem não foi apenas uma vitória por 2-0 sobre o País de Gales, nem o acesso à final do Euro 2016, porque também foi um enorme passo a ressuscitar o orgulho nacional de um povo e de uma cultura que a Europa tanto tem marginalizado e, por vezes, humilhado.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

4th July: Independence Day of America

Hoje é o 4th July, o Dia da Independência dos Estados Unidos. É um feriado e o dia nacional dos Estados Unidos que celebra a Declaração de Independência de 1776, quando as treze colónias inglesas da América do Norte declararam a separação formal do Império Britânico. Essa declaração foi redigida por Thomas Jefferson e deu origem a uma guerra que muitos consideram ter sido a primeira guerra mundial.
O 4 de Julho é sempre muito festejado pelos americanos e a imprensa é o espelho dessa onda de entusiasmo nacional. Muitos são os jornais que apresentam a bandeira americana na sua primeira página, mas muitos são também os que preferem a fotografia da estátua da Liberdade e outros há que escolhem a imagem de George Washington para ilustrar as suas edições. O jornal The Orange County Register que se publica na cidade californiana de Santa Ana, situada próximo da fronteira mexicana e que é a sede do Condado de Orange, também celebra hoje o Independence Day, mas utiliza uma abordagem diferente e muito original. Assim, em vez da bandeira americana ou da estátua da Liberdade, o jornal utiliza as fotografias dos dois mais que prováveis candidatos presidenciais a nomear pelo Partido Democrático e pelo Partido Republicano, para ilustrar a sua primeira página. Uniformizados com as fardas da guerra da independência, o jornal apresenta Hillary Clinton e Donald Trump e, certamente, a edição teve boa procura.

Os grandes veleiros visitam Lisboa

O porto de Lisboa vai receber entre os dias 22 e 25 de Julho os participantes da The Tall Ships Races 2016, que este atracarão no Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia. Segundo revela a Sail Training Association (STA), a regata deste ano celebra a passagem do 60º aniversário da realização da primeira regata de grandes veleiros que foi disputada entre Torbay e Lisboa no ano de 1956 e que, na época, constituiu um acontecimento de impacto internacional. Desde então, a STA tem promovido verdadeiros festivais náuticos que, mais do que uma competição desportiva, são verdadeiras jornadas de convívio entre os marinheiros de muitos países e um elemento dinamizador da vida cultural dos portos visitados. Dessa forma se mantém vivas as tradições da navegação à vela e se promove o treino de mar e a prática da vela junto dos jovens de muitos países.
Este ano a regata sai de Antuérpia para Lisboa, seguindo depois para Cadiz e para a Corunha. É a oitava vez que Lisboa recebe os grandes veleiros e, para além dos diferentes eventos previsto para o recinto do Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia, o desfile náutico que se realiza no dia 25 de Julho, a partir das 15 horas, será um dos mais interessantes acontecimentos desta festa e um desafio para os amantes da fotografia. Portanto, os lisboetas e os muitos turistas que nos visitam, terão uma boa oportunidade para apreciar a descida do Tejo de muitas velas.

O novo-riquismo e a mania das grandezas

O homem que foi ministro das Finanças, Primeiro-Ministro e Presidente da República Portuguesa e que assistiu ou participou na construção de um castelo económico e financeiro que está agora a desabar, podia já ter sido esquecido, mas continua a andar por aí. Ele podia estar sossegadamente a recordar a sua infância de luta pela vida em Boliqueime ou a deslumbrar-se com as delícias do novo-riquismo na Quinta da Coelha, mas apareceu-lhe um sucessor no palácio de Belém que não lhe dá tréguas e que, pé ante pé, está a irradicá-lo da nossa memória e a revelar algumas surpreendentes facetas do cavaquismo made in Boliqueime.
São tantas as diferenças que não vale a pena enunciá-las, mas basta citar as justas homenagens prestadas pelo actual Presidente da República a Ramalho Eanes e a Salgueiro Maia para verificar como era avassaladora a mediocridade cultural da anterior Presidência.  
Porém, nos últimos dias, a notícia de que algo corria à margem da lei no Museu da Presidência da República deixou-me perplexo. Então, ali ao lado, nem ele nem os seus inúmeros assessores perceberam que alguma coisa não corria bem? Além disso, ainda foi capaz de atirar com uma condecoração ao peito do seu Director, na linha da atribuição de tantas condecorações sem critério. Noutra dimensão que define o provincianismo, o mau gosto e o despesismo próprios de um novo-rico, tratou de comprar um exuberante Mercedes Benz S500 Longo por 129 mil euros que se destinava ao seu sucessor, utilizando o dinheiro dos meus impostos e sem me ter pedido autorização. O Tribunal de Contas autorizou? Essa compra tinha cabimento orçamental ou resultou de uma habilidade contabilística? O mercado foi consultado ou foi uma compra de ajuste directo? Era conveniente saberem-se todos os porquês, porque o venerando devia dar o exemplo de parcimónia e não deu. Entretanto, o carro esteve cinco meses a desvalorizar-se e soube-se agora que o Presidente da República não o quis e que o carro foi entregue ao Primeiro-Ministro, mas Costa não devia ter ficado com ele. Porque não devolveram o carro ao vendedor, mesmo com uma desvalorização e não foi enviada a factura desse prejuízo a Aníbal Cavaco Silva? Se houve prejuízo para o Estado, o responsável por esta mania das grandezas deve pagar!

domingo, 3 de julho de 2016

Há mais desporto para além do futebol

Nos Campeonatos Europeus de Canoagem realizados no passado fim de semana em Moscovo, o português Fernando Pimenta tornou-se campeão da Europa de K1 1000 metros e de K1 5000 metros. Foi um feito muito importante para o desporto português, mas a imprensa ignorou-o e tratou apenas de acompanhar os futebolistas que estão em França, repetindo todas as notícias, análises e comentários. No ranking dos países que estiveram em Moscovo, a canoagem portuguesa aparece colocada em 7º lugar, o que merece ser salientado.
Com estes resultados e a cerca de um mês do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o canoista Fernando Pimenta apresenta-se como um sério candidato às medalhas de ouro olímpicas que, como sabemos, são um produto muito raro no olimpismo português. Em 23 participações olímpicas apenas ganhamos 23 medalhas e, de entre elas, apenas quatro foram de ouro – Carlos Lopes em 1984 (Los Angeles), Rosa Mota em 1988 (Seul), Fernanda Ribeiro em 1996 (Atlanta) e Nelson Évora em 2008 (Pequim). Parece ser a altura de Portugal voltar a ter uma medalha de ouro olímpica e de, pela primeira vez, não ser no atletismo. De resto, Fernando Pimenta já ganhou uma medalha de prata em 2012 nos Jogos Olímpicos de Londres em K2 1000 metros, fazendo equipa com Emanuel Silva, pelo que para além do seu valor desportivo, também tem muita experiência competitiva. Confiemos, portanto. Está de parabéns Fernando Pimenta que trouxe de Moscovo duas medalhas de ouro e dois títulos europeus mas que, lamentavelmente, foi quase ignorado pelos obcecados jornalistas do futebol.

sábado, 2 de julho de 2016

Os dinheiros muito loucos do desporto

Aproveitando a maré de entusiasmo e a sede de informação gerada pelo EURO2016, o semanário francês L’Expansion dedicou a sua edição de Julho-Agosto aos dinheiros loucos do desporto e, na sua capa, apresenta Cristiano Ronaldo, como “o desportista melhor pago do mundo”. Como se trata de um português, o assunto suscita alguma curiosidade.
Acontece que há diversas listas com os nomes dos desportistas mais bem pagos do mundo, mas essas listas geralmente não são coincidentes porque são elaboradas com base em diferentes critérios, em que entram salários, contratos publicitários, direitos televisivos e outros rendimentos. Porém, a lista mais conceituada é a que é anualmente divulgada pela revista americana Forbes, que acaba de apresentar a sua versão actualizada para 2016, na qual pela primeira vez, desde há muitos anos, o atleta mais bem pago do mundo é um futebolista.
Esse atleta é Cristiano Ronaldo que, segundo a Forbes e a L’Expansion, facturou 88 milhões de dólares nos últimos doze meses, entre salários e contratos publicitários. É obra! É uma bênção, como diria a sua irmã, uma cantora de terceira categoria que insiste em fazer carreira. Em segundo lugar nessa lista aparece o futebolista argentino Leonel Messi, seguindo-se o basquetebolista americano LeBron James, o tenista suiço Roger Féderer, o basquetebolista americano Kevin Durand e o tenista sérvio Novak Djokovic. Contrariamente ao que é habitual, nos primeiros lugares deste ranking de atletas milionários não há gente do boxe, do golfe e da Fórmula 1.
Aqui temos, pois, uma ideia do que são os chamados dinheiros loucos do desporto.