domingo, 16 de julho de 2017

Os juízes brasileiros tomaram o poder

Toda a imprensa espanhola destaca hoje com grande entusiasmo a vitória de Garbiñe Muguruza no torneio de Wimbledon, conseguida frente à americana Vénus Williams, não só porque se trata do mais antigo e mais famoso torneio de ténis do mundo, mas também porque foi obtida perante uma das lendárias irmãs Williams, que já venceram 12 vezes em Wimbledon.
Porém, no diário El País há uma notícia inquietante relativa ao Brasil, onde segundo escreve o jornal “los jueces tomaron el poder”. O panorama político brasileiro tem sido dominado pelas investigações do caso Petrobras, dirigidas por inúmeros juízes, procuradores, agentes tributários e diversos tribunais, que procuram esclarecer a rede de corrupção que alastrou pela classe política brasileira. Porém, nas últimas semanas o poder judicial pareceu querer atacar o núcleo duro do poder político e, pela primeira vez, um presidente (Michel Temer) foi denunciado por corrupção e, também pela primeira vez, um ex-presidente (Lula da Silva), foi condenado em primeira instância a uma pena de prisão de nove anos e meio por corrupção e lavagem de dinheiro.
Ambos reagiram em tom semelhante, questionando a autoridade dos juízes e argumentando que o poder pertence ao povo e não aos juízes que, cada vez mais, interferem ilegitimamente na actividade política.
Por cá vai acontecendo a mesma coisa e, alguns políticos, são vítimas da mediatização orquestrada por alguns agentes da Justiça e condenados sem acusação nem julgamento, o que revela a intenção dos juízes de interferir na política. São muitos os casos, mas a recente história dos Secretários de Estado que foram a  França ver e aplaudir a selecção nacional de futebol é mesmo uma vergonha para quem os constituiu arguidos, a mostrar uma faceta mesquinha e trauliteira da classe dos juízes. Será que foi assim tão grave aceitar um convite para ver o futebol e fazer uma acusação que interferiu gravemente na governação? Ou será que, para além dos políticos e dos jornalistas que encheram esses aviões e que aceitam viagens, não haverá juízes que também beneficiam dessas práticas?

terça-feira, 11 de julho de 2017

Este ano vamos ter as Festas do Redondo

É verdade!
Este ano vamos ter as Festas do Redondo ou as Ruas Floridas do Redondo, um verdadeiro festival de arte e cultura popular que irá decorrer de 29 de Julho a 6 de Agosto.
É um acontecimento imperdível e, portanto, recomenda-se que as agendas de cada um reservem um dia para uma visita a esta vila alentejana para participar neste evento extraordinário da cultura popular portuguesa. Para quem estiver em Lisboa é uma viagem de cerca de 170 quilómetros, mas qualquer análise custo-benefício conclui por um resultado francamente positivo, isto é, o benefício emocional desta visita ao Redondo supera largamente o custo monetário da viagem.
As Festas do Redondo são, sobretudo, a arte e a cor das suas ruas ornamentadas com flores de papel, cada uma delas rivalizando em criatividade com a rua anterior e em imaginação com a rua seguinte, mas também incluem outros motivos de interesse para o visitante, como as mostras e as vendas de artesanato e de produtos regionais.
Porém, para além de tudo o que ficou dito, as Festas do Redondo incluem um diversificado roteiro da melhor gastronomia alentejana, a que aderem dezenas de pequenos restaurantes para delícia dos visitantes. Há mesmo quem hesite em dizer se são melhores as flores de papel ou os petiscos do Redondo...

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A libertação da cidade mártir de Mossul

As autoridades iraquianas anunciaram a libertação da cidade de Mossul e os jornais internacionais ilustraram as suas primeiras páginas com as habituais fotografias dos soldados a agitarem bandeiras e a erguer as suas armas automáticas, enquanto o povo em delírio vitoriava os libertadores. Foi um martírio que durou três anos que deixou a cidade totalmente destruida. Quase um milhão de pessoas passou por um enorme sofrimento e tudo perdeu. 
Mossul estava em poder do Daesh desde Junho de 2014 e foi nessa cidade que, no dia 29 de Junho de 2014,  o seu líder Abu Bakr al-Baghdadi proclamou a criação de um califado com o nome de Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIS em inglês ou Daesh em árabe). A organização já tinha sido criada em 2004 com o objectivo de dominar todos os muçulmanos do mundo, começando pelo estabelecimento de um califado nas regiões iraquianas de maioria sunita, pelo que se envolveu nos conflitos do Iraque e, mais tarde, na guerra civil síria. Classificado internacionalmente como terrorista, o Daesh visa o domínio espacial e religioso de uma vasta área que vai desde o sul da Turquia até à orla do Mediterrâneo oriental e do golfo Pérsico. Na sua acção, usa de grande violência, recruta apoiantes no seio das populações, faz perseguições religiosas, usa a violência sexual, executa os adversários com crueldade e destrói o património arqueológico nos locais onde se instala, como aconteceu em Palmira e noutras cidades históricas. 
O Daesh tem beneficiado dos desentendimentos entre as grandes potências, das rivalidades regionais e de alguns apoios de países da região, mas parece que está agora a perder terreno, sobretudo depois da entrada dos russos na Síria em meados de 2015 e do maior envolvimento americano no Iraque. Depois da derrota em Alepo, o Daesh teve outras derrotas no Iraque e na Síria e acaba de perder Mossul que, não sendo a sua capital, era a mais emblemática das cidades que dominava. A sua capital está instalada na cidade síria de Racca que também está cercada, mas ninguém acredita que a derrota militar do Daesh seja o fim da ameaça jihadista, pois muitos desses fanáticos desorientados hão-de querer voltar à Europa de onde sairam. Porém, ninguém pode ficar indiferente às imagens da total destruição da cidade e do drama visível da população de Mossul, porque são demasiado violentas para que não pensemos nas razões porque tudo isto acontece.

domingo, 9 de julho de 2017

Um novo Albuquerque regressa a Malaca?

O futebol está a tornar-se um desporto e um negócio à escala global e a sua mundialização está a atingir dimensões inesperadas, devido à popularidade que deriva das transmissões televisivas e do endeusamento dos mais talentosos jogadores. No desenvolvimento desse fenómeno encontram-se muitos portugueses, uns como jogadores e outros como treinadores.
Hoje, quando folheava a edição do jornal MHI ou Melaka Hari Ini que se publica na cidade malaia de Malaca, reparei num dos seus títulos de primeira página escrito na língua malaia, para mim indecifrável, que dizia “Almeida tempah laluan sukar buat kedah” e, no desenvolvimento da reportagem, verifiquei que a notícia se referia a Eduardo Almeida. Pedi ajuda ao meu amigo Google para esclarecer o assunto e verifiquei que o cidadão português Eduardo Almeida é, aos 39 anos de idade, o treinador do Melaka United F. C., um clube de futebol fundado em 1924 e que disputa a Liga Super Malaysia.
Malaca ou Melaka foi uma cidade importante do império oriental português, conquistada por Afonso de Albuquerque em 1511 e perdida para os holandeses em 1641, tendo estado sob soberania portuguesa durante 130 anos. Os portugueses foram expulsos da cidade mas deixaram muitas memórias na língua, nos costumes, na gastronomia e na religião. Depois, exceptuando os turistas, foram poucos os portugueses que estiveram em Malaca a desenvolver qualquer actividade.
Agora, com Eduardo Almeida a treinar o clube de Malaca desde o passado mês de Junho, são altas as expectativas e, se o treinador português tiver sucesso, depressa vai ser considerado, em especial no Bairro Português de Malaca ou Kampung Portugis, como um novo Albuquerque.

A modernidade da língua portuguesa

A edição de hoje do oHeraldo, o centenário jornal que se publica em Goa e que até 1983 utilizou a língua portuguesa, destaca na sua primeira página uma entrevista com Edgar Valles, um advogado português de origem goesa que preside à direcção da Casa de Goa em Lisboa.
O conteúdo desta entrevista e a sua colocação na primeira página do jornal devem ser destacadas, porque os jornais goeses não se costumam interessar por notícias de Portugal, embora o oHeraldo seja uma excepção, pois de vez em quando faz uma ou outra referência ao futebolista Cristiano Ronaldo, às cerimónias de Fátima ou aos resultados da Liga Portuguesa de Futebol. Na sua entrevista, Edgar Valles salientou que “os goeses devem compreender que os laços indo-portugueses não são semelhantes aos laços indo-britânicos”, um facto evidente que muito poucas vezes é salientado. Além disso, Edgar Valles destacou a modernidade da língua portuguesa e defendeu que “o português deve ser ensinado a todos os goeses como a língua dos nossos antepassados, mas também aos indianos que se instalam em Goa. A ligação dos goeses a Portugal não pode ser apenas para obter um passaporte português para ir trabalhar para o Reino Unido. O português é a quarta língua mais falada no mundo e os goeses devem aprender português e procurar trabalho em Portugal e nos outros países do mundo onde se fala português”.
Estas declarações não são novas, mas têm um renovado peso cultural, por terem sido feitas por uma personalidade goesa que representa uma prestigiada associação de goeses em Portugal. Naturalmente, a entrevista de Edgar Valles também é um estímulo para os que se dedicam ao ensino do português em Goa, tanto na Fundação Oriente como no Instituto Camões.

sábado, 8 de julho de 2017

A virtualidade do encontro de Hamburgo

Os dois homens mais poderosos do planeta, que dirigem os destinos dos Estados Unidos e da Rússia, encontraram-se fisicamente pela primeira vez e conversaram durante mais de duas horas em Hamburgo.
O encontro aconteceu à margem da cimeira dos 20 países mais industrializados do mundo (G20) que começou ontem naquela cidade alemã, tendo como tema dominante da agenda a luta contra o terrorismo internacional, mas que incluiu também os temas habituais destas cimeiras, como a dinâmica dos mercados financeiros, o crescimento económico, o comércio internacional, as migrações e, nos últimos tempos, as alterações climáticas. Em simultâneo com a cimeira registaram-se grandes manifestações e graves distúrbios provocados pela contestação às práticas políticas e ambientais dos países mais ricos do mundo, que resultaram em muitas dezenas de feridos e muitas destruições.
Porém, o acontecimento mais importante desta cimeira acabou por ser o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin. Os principais jornais internacionais destacaram nas suas primeiras páginas a fotografia dos dois líderes, que se desfizeram em mútuos elogios e que exibiram rasgados sorrisos. Um desses jornais foi The Washington Post e os destaques desse jornal são sempre para ter em conta. Segundo foi relatado, Trump e Putin terão discutido a questão da Ucrânia e terão acordado num cessar-fogo no sul da Síria, mas o que foi importante foi mesmo o encontro entre ambos. Da boa relação pessoal entre estes dois homens pode resultar muita coisa boa para a paz mundial e a simples divulgação da fotografia desse encontro entre ambos, baixa de imediato a tensão internacional. Ainda bem.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Cuidado com os valentões oportunistas!

O incêndio de Pedrógão Grande e o roubo de Tancos foram factos muito graves que têm provocado muito pesar e um justificado alarme na sociedade portuguesa.
A onda de solidariedade que se gerou em torno da tragédia de Pedrógão Grande e a apreensão sobre as circunstâncias em que aconteceu o roubo de Tancos, têm marcado o nosso quotidiano e todos querem saber o que realmente se passou. Depois de muitos meses de euforia económica, de descontracção social e de alegria popular, estes casos foram autênticos murros no estômago.
Ninguém tem dúvidas que, num caso como no outro, houve coisas que não correram bem e que têm que ser esclarecidas.
Ninguém tem dúvidas que, num caso como no outro, há coisas que todos os governos têm desleixado desde há muitos anos.
Ninguém tem dúvidas que, num caso como no outro, os ministros fizeram o que podiam, isto é, a Ministra Constança não ateou qualquer fogo e o Ministro Azeredo não furou qualquer vedação.
Porém, também ninguém tem dúvidas que Cristas disparou numa histeria sem pudor, sem procurar outra coisa que não seja fazer sangue no governo, mas também no seu adversário directo. Este, embora sem a histeria da jovem angolana que quer governar Lisboa, também não se cansa de atacar tudo por interesse eleitoral. Nenhum deles parece lembrar-se dos que sofreram nem do que é preciso fazer para os ajudar. Chafurdam na política. São uns oportunistas. Para eles o que aconteceu não foi uma tragédia, mas tão só uma oportunidade política.
Porquê então este desregramento e esta histeria dos líderes da oposição que ao verem o adversário político debilitado pela tragédia, o esmurram e pontapeiam para colher dividendos, como se o que agora aconteceu não fosse também da sua responsabilidade política, designadamente nos anos do goverrno Passos-Portas-Cristas?  Uns valentões. Cuidado com eles!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O desejo independentista escocês

A Escócia é um dos quatro países do Reino Unido, tem uma superfície de cerca de 78 mil km2, um pouco mais de 5 milhões de habitantes e tem a sua capital na cidade de Edimburgo.
O governo escocês é chefiado desde 2014 por Nicola Sturgeon que é a líder do Scottish National Party (SNP), um partido nacionalista e social-democrata que é não só o maior partido da Escócia, mas também o terceiro maior partido do Reino Unido, depois dos Conservadores e dos Trabalhistas. O SNP defende a independência do país e, porque 63% dos escoceses votaram contra o Brexit, a dinâmica Nicola Sturgeon tem-se oposto a Theresa May e até já conseguiu que o Parlamento escocês aprovasse a realização de um novo referendo sobre a independência da Escócia a realizar em finais de 2018, isto é, antes de ficar formalizado o Brexit. Significa que a Primeira-Ministra britânica Theresa May está a encontrar muitas dificuldades para cumprir a sua tarefa e de uma posição hard, já passou para uma posição soft nas suas relações com Bruxelas.
Agora, através do The National, um jornal em cujo estatuto editorial está inscrita a luta pela independência escocesa, a notícia de que o produto escocês tinha crescido 0,8% no primeiro trimestre de 2017, enquanto o produto britânico crescera apenas 0,2% tornou-se num verdadeiro sinal de apoio à independência escocesa e deu origem a uma onda de entusiasmo nacional. Como o jornal escreveu “Scotland’s economy grows four times faster than the UK’s in first quarter”. É caso para dizer que a campanha já começou, mas muito antes do referendo escocês teremos que acompanhar o que se vai passar na Catalunha.

As perigosas provocações de Kim Jong-un

No passado dia 4 de Julho os Estados Unidos celebraram o Independence Day, o dia do ano de 1776 em que as Treze Colónias da costa oriental americana fizeram a Declaração de Independência e se separaram formalmente do Império Britânico.
The Fourth of July é o principal feriado dos Estados Unidos da América e tem uma enorme impacto sobre o orgulho nacional, o estilo de vida e a cultura americanas. Como sempre acontece, as festividades decorreram por todo o país e tiveram um acentuado cunho nacionalista, com muitos desfiles de majorettes e de veteranos, muitos festivais, muita música e a apresentação de bandas executando marchas militares, algumas delas criadas por John Philip de Souza.
A imprensa dedicou alargados espaços ao Dia da Independência, publicando inúmeras fotografias dos fogos de artifício e das multidões agitando as bandeirinhas das stars and stripes.
Este ano houve uma novidade internacional que foi a notícia de que a Coreia do Norte tinha lançado com sucesso o seu primeiro míssil balístico intercontinental baptizado como Hwasong-14, que tem capacidade para transportar uma ogiva nuclear e é capaz de atingir o território americano. Kim Jong-un tratou de festejar o acontecimento com grande excitação e, em atitude provocatória, afirmou que aquele míssil era uma prenda de aniversário norte-coreano para os Estados Unidos no seu Dia da Independência.
O USA Today registou essa provocação que terá despertado os falcões e os conselheiros de Trump que, desde há meses, têm vindo a concentrar atenções e meios militares naquela região do Pacífico.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

No ciclismo como na vida, não vale tudo

Está a decorrer a 104ª edição da Volta à França em bicicleta ou o Tour de France, uma das mais importantes provas desportivas mundiais que se realiza desde 1903 e que desperta um entusiasmo indescritível como se pode observar nas reportagens televisivas. Nos últimos anos, através da recolha de imagens muito diversas e da utilização de várias tecnologias de informação, o espectador televisivo pode acompanhar a corrida em directo, podendo observar tudo com grandes detalhe, talvez mesmo com mais informação do que se estivesse a pedalar no meio do pelotão de ciclistas. Além disso, a realização nunca perde a oportunidade de valorizar a reportagem com a apresentação de imagens dos belos monumentos e paisagens francesas, numa quase sugestão para que os turistas os visitem. São sempre grandes reportagens!
Ontem o Tour esteve no nordeste da França e teve a sua quarta etapa desde Mondorf-les-Bains até Vittel, numa distância de cerca de 207 quilómetros. Tudo correu com normalidade e correu-se com as altas velocidades proporcionadas pelas estradas planas da região da Lorena. Quando os ciclistas disputavam o sprint final para cortar a meta em primeiro lugar e vencer a etapa, aconteceu uma queda aparatosa. Só as imagens permitiram verificar que o ciclista eslovaco Peter Sagan, bicampeão mundial de ciclismo, dera uma cotovelada no ciclista britânico Mark Cavendish, um ciclista que já tem 30 vitórias em etapas do Tour, quando este o tentava ultrapassar pelo lado direito, causando a sua queda. Alguns jornais franceses e espanhóis destacaram a fotografia da cotovelada de Sagan que fez cair Cavendish.
Peter Sagan foi expulso da prova por decisão do colégio de comissários e Mark Cavendish foi obrigado a desistir devido a problemas e eventuais fracturas no ombro. O Tour vai continuar, mas vai sentir-se a ausência destes dois grandes ciclistas. Porém, no ciclismo como na vida, tem de haver regras e não vale tudo.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Macron procura novo rumo para a Europa

Emmanuel Macron foi eleito Presidente da República Francesa no passado dia 7 de Maio e no dia 18 de Junho ganhou as eleições legislativas com maioria absoluta. Um êxito rápido e surpreeendente. Ontem, menos de dois meses depois de chegar ao Eliseu, o presidente francês chamou ao palácio de Versailles os deputados e os senadores franceses e anunciou-lhes a sua estratégia para reformular de alto a baixo a política francesa. Para que não ficassem dúvidas sobre as suas intenções anunciou o propósito de reduzir em um terço o número de representantes de cada câmara – de 577 para 385, na Assembleia Nacional, e de 348 para 232, no Senado – e de alterar o actual sistema eleitoral de duas voltas das eleições legislativas, de forma a permitir uma representação parlamentar mais proporcional ao número total de votos, acrescentando que tratará da aprovação direta desta reforma pelos eleitores num referendo, se os parlamentares não analisarem rapidamente as propostas que anunciou.
O discurso de Macron reafirmou que os recentes resultados eleitorais são a prova do desejo de mudança e de alternância política dos franceses e o seu diagnóstico foi esclarecedor: “O nosso equilíbrio financeiro está deteriorado, a nossa dívida é considerável. O investimento produtivo é baixo. O desemprego atingiu níveis insuportáveis. A pobreza aumenta”.
Para além deste aspecto, o discurso de Macron referiu o estado de uma Europa enfraquecida pela burocracia, pelos egoísmos nacionais e pelo crescimento do cepticismo quanto ao futuro, prometendo lutar por uma maior justiça social e por uma nova Europa. O que não há dúvida é que com Emmanuel Macron parece haver um rumo alternativo ao declínio europeu dos últimos anos.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Bastou um só chileno para nos derrotar

A selecção nacional de futebol jogou ontem o acesso à final da Taça das Confederações que está a ser disputada na Rússia, defrontando a selecção chilena. Era o encontro do campeão da Europa e do campeão da América do Sul, mas também o encontro de alguns dos melhores futebolistas mundiais. A expectativa era grande, sobretudo na América do Sul, uma vez que Portugal ainda está muito anestesiado e perturbado pela recente tragédia de Pedrógão Grande e a temperatura futebolística está em baixa.
Durante 90 minutos as equipas equilibraram-se e não houve golos. Depois jogaram-se mais 30 minutos e voltou a não haver golos, ermbora os chilenos tivessem acertado no poste e na trave da baliza portuguesa. Era o prenúncio do que estava para acontecer com a decisão nos pontapés de grande penalidade.
Com tudo preparado na forma do costume, avançaram os guarda-redes e os rematadores. Enquanto os chilenos meteram três golos seguidos, os jogadores portugueses remataram de forma tão inábil que permitiram três defesas de Cláudio Bravo. Acontece. O futebol é assim. A equipa do Chile conquistou o direito a jogar a final e a equipa portuguesa terá que disputar o 3º lugar. Cláudio Bravo, que também é o guarda-redes da equipa do Manchester City, teve direito a fotografia nas capas dos jornais chilenos, como por exemplo no El Mercúrio. Os chilenos mereceram a vitória e a derrota portuguesa não deslustra, mas serve para que assentemos os pés na terra nestas questões do futebol. Não é costume que um só homem derrote uma equipa e uma ambição colectiva.

terça-feira, 27 de junho de 2017

HMS Queen Elizabeth e orgulho nacional

O novo porta-aviões britânico HMS Queen Elizabeth saiu ontem pela primeira vez dos estaleiros escoceses de Rosyth e navegou para o mar do Norte para efectuar provas de mar e testar sensores, radios, radares e outros equipamentos.
A construção deste navio e do seu irmão gémeo HMS Prince of Wales, que já está em construção, foram anunciadas em 2007.
Com um orçamento inicial de 4 mil milhões de libras para as duas unidades, em 2013 foi feita uma renegociação com o consórcio de construtores e o preço foi fixado em 6.200 milhões de libras. Pelo que diz a imprensa britânica, o navio parece ser uma obra-prima da engenharia naval, com 280 metros de comprimento e um deslocamento de 65.000 toneladas, onde se poderão instalar 40 aviões de combate, mais uma força de 250 Royal Marines com os respectivos helicópteros de ataque.
A construção do HMS Queen Elizabeth iniciou-se em 2009 e foi montado por secções construidas em diferentes locais do Reino Unido que depois foram transportadas para Rosyth. Trabalharam no projecto cerca de 10 mil pessoas e, por isso, o navio está a ser considerado uma iniciativa tecnológica e militar em que todos se envolveram, o que está a alimentar o orgulho nacional britânico, até porque é o maior e mais poderoso navio alguma vez construido para a Royal Navy. Esta atitude bem pode ser comparada com a mesquinhez e a ignorância com que em Portugal foi tratada a compra de dois submarinos.
Hoje, os principais jornaios britânicos, designadamente The Times, colocaram a fotografia do novo porta-aviões nas suas primeiras páginas e no teor das notícias transparece o orgulho britânico na sua Royal Navy, nos seus navios e nos homens e mulheres que os servem.
Depois das provas de mar o navio irá para a sua futura base de Portsmouth e entrará ao serviço no fim do ano, embora só venha a atingir a sua operacionalidade plena em 2020. Estas coisas de mar são demoradas.
 

domingo, 25 de junho de 2017

O futebol a simbolizar a festa lusitana

Ontem a selecção nacional de futebol defrontou a selecção neo-zelandesa e, ganhando por 4-0, assegurou a presença nas meias-finais da Taça das Confederações 2017 na qual participam, em teoria, as oito melhores equipas do mundo.
A selecção portuguesa está, portanto, colocada entre as quatro melhores equipas de futebol do mundo e isso é muito gratificante para quem gosta de futebol, porque nos tempos que correm, a imagem, o prestígio e o reconhecimento internacional de um país passa cada vez mais pelo futebol.
Goste-se muito ou goste-se pouco, é assim em todo o mundo.
Acontece que esta prova, que é organizada pela FIFA, decorre num período de tristeza e de reflexão nacional devido aos trágicos acontecimentos ocorridos recentemente, para além de não despertar o mesmo entusiasmo do Campeonato do Mundo ou do Campeonato da Europa. Por isso, ao contrário do que aconteceu há um ano quando a selecção portuguesa se sagrou campeã europeia, não tem havido os excessos desproporcionados e doentios da parte da comunicação social em relação à prestação dos nossos futebolistas. Isso é muito positivo, porque é preciso que o futebol seja posto no lugar que merece e não acima nem abaixo, pois é um fenómeno cultural importante na nossa sociedade.
Porém, o inesperado chegou hoje da Venezuela onde o diário desportivo Meridiano, que se publica em Caracas, tratou de destacar a festa lusitana, pela vitória sobre a equipa da Nova Zelândia. É um exagero que só se compreende com o objectivo de vender mais jornais à comunidade portuguesa, ou para atenuar a ansiedade e a incerteza por que ela tem passado nos últimos tempos.

sábado, 24 de junho de 2017

O incêndio trágico e as responsailidades

Passou uma semana desde o trágico incêndio que enlutou o país, roubando 64 vidas ao nosso convívio, queimando aldeias e floresta, destruindo muito património em vários concelhos do centro do país. O balanço é dramático e, para além dos seus duros aspectos emocionais, é também uma consequência do continuado processo de desertificação e de abandono das regiões interiores do nosso país, cada vez mais esquecidas.
Muita gente procura respostas para as dúvidas que persistem quanto ao que aconteceu em Pedrógão e nos concelhos vizinhos, enquanto alguns políticos, acolitados por abutres disfarçados de jornalistas, procuram avidamente por responsáveis para queimar adversários políticos. Lamentável. Contudo, a responsabilidade que os abutres procuram para vender jornais ou para destruir adversários políticos, até pode ser encontrada nas condições meteorológicas excepcionais, na deficiência de funcionamento da SIRESP, a operadora da Rede Nacional de Emergência e Segurança, ou na eventual inconpetência de um ou outro agente que não actou eficazmente, mas a verdadeira explicação está nos nossos comportamentos de risco e nas nossas imprevidências, mas também nos políticos que escolhemos, porque durante décadas não tiveram coragem para enfrentar o problema do ordenamento florestal, que é muito complexo e cuja solução rouba votos. De facto, se o diagnóstico está feito há muito tempo, é caso para perguntar porque razão são adiadas as medidas que se impõem quanto ao ordenamento florestal e à limpeza das florestas?
Ao olharmos para a fotografia hoje publicada na capa da edição do jornal Público facilmente compreendemos, sem ser necessário ser especialista nestas matérias, que a estrada EN 236 bem como muitas outras estradas que existem em Portugal, são verdadeiras ciladas montadas para quem nelas circula no Verão, devido ao denso arvoredo que as envolve até junto das bermas.