quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O incerto futuro do navio “Mestre Simão”

No passado sábado, dia 6 de Janeiro, quando entrava no porto interior da Madalena, o navio Mestre Simão que fazia a ligação entre a ilha do Faial e a ilha do Pico terá sido arrastado por uma onda desencontrada, terá ficado sem motores e com o leme bloqueado e, rapidamente, foi arrastado para as rochas da parte sul da bacia de manobra do porto, junto à piscina municipal. Não há memória de isto alguma vez ter acontecido com embarcações bem menores e com temporais bem maiores.
Os 61 passageiros e os 9 tripulantes foram evacuados para uma balsa de salvação em condições de mar adversas mas que decorreu com grande normalidade, aparentemente devido à competência com que a tripulação actuou. Após as operações de resgate das 70 pessoas embarcadas, a preocupação das autoridades centrou-se na contenção de cerca de 20 toneladas de combustível, tendo sido colocadas barreiras de contenção para controlar potenciais situações de derrame de hidrocarbonetos.
Três dias depois, o jornal terceirense Diário Insular referiu-se ao acidente e escolheu como título da sua reportagem a frase futuro incerto, o que deixa no ar a hipótese de não ser possível salvar o navio, apesar de se encontrar relativamente protegido pela bacia de manobra do porto da Madalena. Entretanto, ainda decorre o inquérito determinado pelas autoridades para perceber o que se passou, mas o navio parece estar bem agarrado à aguçada rocha de lava e daí que os “curiosos”, que sempre dão doutas opiniões nestes casos, duvidem da sua salvação.
O Mestre Simão entrou ao serviço em 2014 e tem capacidade para transportar 344 passageiros e 8 viaturas, mas já há quem fale na “última viagem do Mestre Simão”.
O navio Mestre Simão tal como o seu irmão gémeo Gilberto Mariano, são navios modernos e confortáveis que ligam as ilhas do grupo central dos Açores e que substituiram as antigas lanchas do Pico que desafiaram o “mau tempo no Canal”, que marcaram gerações que atravessaram o canal com ou sem temporal e que continuam a ser um símbolo da identidade cultural da ilha do Pico.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A época da lampreia já começou

A época da lampreia está a começar e os muitos apreciadores desta requintada iguaria já estarão a organizar as suas incursões aos mais afamados restaurantes que incluem este pitéu nas suas ementas, sobretudo em Lisboa e no Porto. É um ritual que decorre de finais de Janeiro até meados de Abril, ao qual não me associo, mas que entusiasma os mais exigentes gastrónomos ou, por outras palavras, é um ritual que desperta amores e ódios de semelhante intensidade.
De acordo com o meu amigo Google, as lampreias são uma espécie de ciclóstomos de água doce, com forma de enguia mas sem maxilas, pertencentes à família Petromyzontidae, mas de facto são um bicho muito feio e muito esquisito. Vivem no mar mas desovam nos rios e é aí que são capturadas.
A lampreia é muito apreciada no sul da Europa, sobretudo no noroeste da península Ibérica, isto é, na Galiza e no Minho, sendo confeccionada de diferentes formas, mas domina o arroz de lampreia, muito semelhante ao arroz de cabidela, a lampreia à bordalesa, a lampreia assada no espeto e a lampreia de escabeche mas, pela sua raridade, é sempre vendida a preços muito elevados.
Hoje o diário el Correo Gallego de Santiago de Compostela destaca com uma fotografia na sua primeira página a captura das primeiras lampreias do ano no Ulla, o rio que separa as províncias da Corunha e Pontevedra e que é o segundo rio mais importante do noroeste ibérico, depois do rio Minho. As duas lampreias capturadas no rio Ulla pesavam 800 e 600 gramas, foram vendidas por 150 euros por unidade e, segundo refere o jornal, foram compradas pelo gerente dos restaurantes Flavia e Santiaguiño!
Porém, a lampreia do rio Minho é considerada a melhor do mundo, sobretudo a que é capturada em São Pedro da Torre e Cristelo Côvo, já próximo de Valença. Que os interessados não percam esta iguaria, mas que preparem as carteiras...

domingo, 7 de janeiro de 2018

A brutalidade do frio em Nova Iorque

Aproximava-se o Natal e o meu amigo JBM tratou de preparar uma grande viagem familiar até aos Estados Unidos. No dia previamente escolhido dirigiu-se ao aeroporto da Portela, cumpriu todas as formalidades no check-in e no controlo de passaportes, foi revistado pela segurança, fez o scan das bagagens e, a seguir, esperou na sala de embarque.
Depois, entrou num grande avião, atravessou o Atlântico a 30 mil pés de altitude e a 900 quilómetros por hora e desembarcou no JFK. Estava em Nova Iorque. Tinha a Big Apple ao seu dispor.
As expectativas eram altas pela qualidade e diversidade cultural da oferta nova-iorquina em espectáculos, teatros, museus, exposições, restaurantes, lojas e jardins. Tudo ali à mão em Manhatan, na Broadway, em Times Square, no Central Park e na 42th Street. Até que a neve, a chuva e o frio apareceram.
Primeiro a intempérie surgiu de uma forma suportável e muito própria daquelas latitudes, mas depois tornou-se brutal, como hoje a classificou o Newsday, o principal diário de Long Island. As temperaturas do ar chegaram aos 20 graus Celsius negativos e têm-se mantido abaixo dos 10 graus Celsius negativos. Parecia o Alaska e o jornal escreveu: Brutal cold.
A um homem que bem conhece as tempestades marítimas atlânticas, a dureza dos calores tropicais e o sufoco das matas africanas, faltava esta experiência extrema. Agora ao JBM só fica a faltar uma escalada do Everest ou uma participação num Paris-Dakar para ser um vencedor de desafios difíceis.

sábado, 6 de janeiro de 2018

A tradição da Cabalgata de Reyes Magos

Na tarde de ontem, dia 5 de Janeiro, a maioria das cidades espanholas assistiu a um grandioso desfile com alguns vistosos carros alegóricos, que é conhecido como a Cabalgata de Reyes Magos.
Trata-se de uma tradição espanhola que parece ter nascido em finais do século XIX e que não é exclusiva das cidades do país vizinho, pois também acontece em algumas cidades polacas, checas, mexicanas e, segundo consta, até na vila de Monção no norte de Portugal.
O desfile evoca a tradição cristã, segundo a qual os três Reis Magos – Belchior, Gaspar e Baltazar – vieram do Oriente para visitar o “rei dos Judeus” que acabara de nascer em Belém, na província romana da Judeia, para o adorar e para lhe entregar presentes. Nesta moderna versão da Natividade, os três Reis Magos “entram” na cidade em carros ricamente decorados, rodeados pelos seus pajens que distribuem pequenos presentes às crianças, sobretudo muitos quilos de caramelos, mas também alegria, cor, ilusão e magia. Porém, para além do seu significado simbólico, a cabalgata também é um grande espectáculo visual, que não difere muito dos desfiles carnavalescos.
Este dia 5 de Janeiro e este ritual na véspera do Dia de Reis são muito apreciados em Espanha e a população vem para a rua para acompanhar o festivo cortejo. Hoje, os jornais espanhóis escolheram imagens da Cabalgata de Reys Magos para ilustrar as capas das suas edições, assim acontecendo com o diário El Pueblo de Ceuta, em que se vê uma multidão na rua e se destaca que "a magia dos Reis Magos se impôs à ameaça da chuva”.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Boston até parece uma cidade polar

Aqui, neste canto ocidental da Europa, temos um certo privilégio meteorológico, pois não temos invernos muito rigorosos. Nas mesmas latitudes, mas do outro lado do Atlântico, a corrente fria do Lavrador produz efeitos bem mais severos e, quando ocorrem certos fenómenos meteorológicos, a situação agrava-se. Foi o que aconteceu nos últimos dias quando uma tempestade a que foi dado o nome de Grayson se aproximou da costa oriental dos Estados Unidos levando consigo ventos ciclónicos, frio, neve, gelo e inundações, que já afectaram todo o litoral americano desde o Massachusetts à Florida. Em Boston as águas da bacia portuária congelaram como mostra a imagem de capa do Boston Herald e já foram utilizados navios quebra-gelos para permitir o movimento portuário. Tem sido um caso sério e o próprio título de primeira página do jornal é esclarecedor: ICE AGE.
O estado e a cidade de Nova Iorque estão cobertos de neve e gelo e as temperaturas oscilam entre os 10 e os 20 graus Celsius negativos. Até na Florida se têm sentido os efeitos deste fenómeno, tendo nevado na cidade de Tallahassee, a sua capital, o que já não acontecia desde 1989.
Os efeitos da tempestade Grayson, que os meteorologistas classificaram como bomb cyclone, têm sido devastadores, pois já causaram mortes, cortaram o abastecimento de energia em muitas áreas residenciais, levaram ao encerramento de escolas e de serviços públicos, provocaram o caos nas estradas, cancelaram alguns milhares de voos e afectaram muitas actividades económicas em todos os estados da costa leste americana. Porém, a imprensa tem destacado esta tempestade e publicado inúmeras fotografias da neve e do gelo nas grandes cidades do noroeste dos Estados Unidos, sobretudo Boston e Nova Iorque, onde as ruas estão cobertas por espessos mantos de neve e o gelo se acumula na via pública.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A turbulência que está a ameaçar o Irão

Desde há alguns dias que nos estão a chegar imagens de grandes manifestações populares e de confrontos de rua em várias cidades do Irão e, ao contrário do Donald que se mostra eufórico e que tratou logo de afirmar que “os regimes opressores não duram para sempre”, eu fico muito apreensivo. Quando os americanos e os seus amigos se atiraram aos regimes de Saddam Hussein e de Muammar Kadafi, exactamente porque eram opressores e constituiam um perigo para o mundo, bem sabemos o que daí resultou. Na Síria o resultado acabou por não ser muito diferente. O  facto é que as “primaveras árabes” e as “revoluções islâmicas” têm dado em tragédia sempre que os americanos e as suas coligações nelas se envolvem com dinheiro, serviços secretos ou aviões. Por isso, era muito desejável que o Donald estivesse sossegado, até porque os sinais que nos chegam do Irão são muito inquietantes. Eles que resolvam o seu problema.
Certamente, a principal causa do descontentamento popular nas cidades iranianas é a crise económica, com o desemprego, o aumento do custo de vida e a corrupção, mas também com o dispendioso envolvimento iraniano no apoio ao regime sírio de Assad, às forças do Hezbollh libanês, aos xiitas do Bahrein e aos hutis do Iémen. Esse descontentamento está, naturalmente, a ser manipulado interna e externamente contra o moderado Presidente Hassan Rohani, um académico que estudou na Escócia e que fala inglês, alemão, francês, russo e árabe.
Internamente, os ultraconservadores do regime, que estão na oposição, não toleram a postura ocidentalizada de Rohani e querem afastá-lo do poder, enquanto externamente haverá interesses americanos, israelitas e sauditas que, invocando a repressão violenta do regime iraniano, que é o poder regional dominante e o maior adversário de Israel, parecem apostar no seu enfraquecimento. Rohani é, por isso, um alvo para todos.
O facto mais preocupante é que o Irão, que se tornou uma potência central no xadrez do Médio Oriente, está confrontado com uma situação que pode tomar proporções internacionais, sobretudo se os líderes do tipo Donald se quiserem intrometer. Não sei o que se passa no Irão, mas sei o que se passou com as intromissões americanas e as suas coligações no Iraque, na Líbia e na Síria. Hoje o diário francês Libération analisa o problema do Irão e, com a propósito, fala no despertar do medo.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A França aspira ser um árbitro global

O diário parisiense Le Figaro, que é um dos maiores jornais franceses e que se publica desde 1826, dedica a sua primeira edição do novo ano de 2018 às grandes questões da República Francesa e ao seu jovem Presidente.
No plano interno o jornal ressalta a necessidade do cumprimento das promessas eleitorais do Presidente Emmanuel Macron e a recomposição dos aparelhos partidários que ele próprio desbaratou em Maio de 2017, quando venceu as eleições presidenciais francesas com 66% dos votos. Além disso, o jornal destaca as reformas prometidas, o emprego, a economia e a justiça, a imigração ilegal e a ameaça do terrorismo islâmico como desafios a que o Presidente francês terá que dar respostas. 
No plano externo, o jornal recorda a grande vontade, ou até mesmo a ansiedade, com que Macron procura um papel mais influente da França na cena internacional e a fotomontagem que ilustra a capa da edição do Le Figaro é expressiva, ao colocar Emmanuel Macron ao lado, ou até mesmo à frente, de Donald Trump, Vladimir Putin, Angela Merkel e Kim Jong-un.
Numa Europa muito perturbada e muito dividida, onde a chanceler Merkel já perdeu o fulgor de outros tempos, o presidente francês procura maior protagonismo para o seu país e para si próprio. Por outro lado, também intervém no plano global e na renascida rivalidade entre russos e americanos que se vai acentuando, ao mesmo tempo que negoceia os produtos da sua poderosa indústria militar “com Deus e com o Diabo”. 
A França e o Presidente Macron aspiram a uma posição de árbitro, nomeadamente no apaziguamento da Coreia do Norte, no problema do futuro de Jerusalém, no complexo conflito do Médio Oriente ou na defesa dos Acordos de Paris para conter o aquecimento global.
C'est la France qui veut se lever! O jovem aspirante Macron quer mesmo ser promovido.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

As festas da chegada do novo ano de 2018

Os festejos alusivos à chegada de um novo ano realizam-se por todo o mundo e uma das suas expressões mais apreciadas é o fogo-de-artifício, que se tornou um espectáculo urbano que atrai multidões de residentes e é um cartaz turístico ao gosto dos visitantes, isto é, o fim do ano diverte e anima muita gente e dinamiza a economia das cidades.
A passagem do ano tornou-se uma grande indústria e as televisões não deixam de o mostrar quase sempre da mesma maneira e, este ano, não foi diferente. Começaram por mostrar os fogos-de-artifício exibidos em Auckland e, depois, o habitual espectáculo de Sydney à vista da Sydney Opera House e da Sydney Harbour Bridge. Algumas horas depois os canais televisivos destacaram as imagens da passagem do ano no Dubai, em Moscovo, Atenas, Berlim, Barcelona, Paris e em Londres, até que chegou a hora de nos oferecerem as imagens do fogo-de-artifício na baía do Funchal, no Porto e em Lisboa.
Esta manhã a imprensa internacional destacou nas suas primeiras páginas algumas imagens dos festejos, sobretudo em Sydney e no Dubai. Porém, a imprensa brasileira escolheu expressivas imagens da passagem do ano no Rio de Janeiro, em que se destaca o Cristo Redentor iluminado no Morro do Corcovado. Segundo o jornal O Globo, a praia da Copacabana teve a maior enchente da história da cidade com quase 3 milhões de cariocas e turistas a assistir à queima dos fogos, que durou 17 minutos e que foi a maior alguma vez acontecida na cidade. Apesar dos poucos casos de violência que se verificaram, a multidão pediu mais segurança, mais emprego e o fim da corrupção, que foram reivindicações que o jornal O Globo tratou com o título "reconstrução".

António Guterres ou o homem incomum

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, dirigiu ontem uma mensagem ao mundo, tendo afirmado que durante o ano de 2017 “os conflitos se aprofundaram e emergiram novos perigos, enquanto a ansiedade global relacionada com as armas nucleares atingiu o seu pico desde a guerra fria”. Além disso, acrescentou que as alterações climáticas estão a avançar mais rapidamente do que os esforços para as enfrentar, que as desigualdades se acentuaram, que persistem graves violações dos direitos humanos e que estão a aumentar os nacionalismos e a xenofobia.
Apelou depois à união de todos para tornar o mundo mais seguro e para solucionar os conflitos e lançou um apelo e um desafio aos líderes de todo o mundo para que assumam um compromisso, dizendo: “estreitem laços, lancem pontes, reconstruam a confiança, reunindo as pessoas em torno de objetivos comuns”.
A mensagem de António Guterres é um alerta para a Humanidade e, tendo sido dita em português, constituiu um motivo de grande satisfação para a Lusofonia.
Após um ano de mandato, António Guterres tem justificado a confiança do Conselho de Segurança das Nações Unidas e tem-se afirmado como o homem certo para o lugar para que foi eleito. Quando em Maio de 2016 recebeu em Coimbra o título de doutor honoris causa, o aplauso veio de todos os quadrantes e o Presidente da República não lhe poupou elogios: "Já disse várias vezes que o engenheiro António Guterres é a figura mais brilhante da minha geração" e "considero que ele foi, porventura, o primeiro-ministro mais amado de Portugal". Um homem destes é um fenómeno raro e, por isso, muito há ainda a esperar do seu desempenho como secretário-geral das Nações Unidas.

domingo, 31 de dezembro de 2017

MRS foi o “Homem do Ano” de 2017

Quando termina um ano, a generalidade dos orgãos de comunicação social faz análises retrospectivas sobre o que de bom e de menos bom se passou durante o ano e escolhe as personalidades que mais se distinguiram. Este ano também tem sido assim e, embora António Guterres, Cristiano Ronaldo ou Mário Centeno sejam apontados como figuras marcantes de 2017 e estejam no grupo de portugueses que mais se destacaram, há uma verdadeira unanimidade a considerar Marcelo Rebelo de Sousa como o Homem do Ano.
Embora não goste muito de unanimidades, neste caso não me custa nada a aceitá-la e a alinhar ao lado dela, embora eu tenha algumas reservas quanto ao concubinato que se está a verificar entre a comunicação social e os serviços da Presidência, ou mesmo do próprio Presidente. De manhã, à tarde e à noite, sempre rodeado de microfones e de câmaras que naturalmente foram convidadas para fazer parte da cena, vemos MRS a distribuir afectos, beijos e abraços, a plantar árvores, a estender roupa, a comer com os sem-abrigo, a andar de carrocel nas feiras e, principalmente, a falar de orçamentos, de centenos, de legionellas, de raríssimas, de tudo. Tem sido um exagero. Se o outro deixou Boliqueime mas Boloqueime nunca o deixou, este deixou a TVI mas não consegue deixar a pele de comentador.
Agora que apareceu a inoportuna hérnia umbilical que o levou ao Hospital Curry Cabral e às mãos do seu amigo Barroso, que por acaso até nem gosta de aparecer na televisão, deixamos por uns dias de ouvir MRS a comentar tudo. Tem sido um descanso.
Portanto, há que felicitar o Homem do Ano pelo seu desempenho e desejar-lhe uma rápida recuperação. Porém, não posso deixar de lhe desejar um bom ano de 2018 no cumprimento da missão para que foi eleito, mas que se liberte dos estagiários do microfone que o acompanham por todo o lado e que, na sua ânsia de lhe agradar, o deixam muitas vezes à porta do ridículo e nós não queremos que isso aconteça.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Sydney previne-se da ameaça terrorista

A edição do diário australiano The Daily Telegraph que se publica em Sydney destaca hoje na sua primeira página uma imagem do chamado Sydney central business district, ou Sydney CBD, ou The Town, que é o maior centro económico e financeiro australiano e a principal área comercial de Sydney, a capital do estado de New South Wales e a a mais populosa cidade da Austrália.
A imagem mostra uma rua ocupada por vários veículos pesados e semi-reboques que formam um “anel de aço” para proteger as pessoas no local e no dia de maior movimento comercial do ano que é o Boxing Day. O título principal da notícia é esclarecedor: “Fortress Sydney”.
Trata-se, portanto, de uma decisão preventiva das autoridades para evitar quaisquer acções terroristas semelhantes às que se verificaram em algumas cidades europeias onde o terrorismo atacou os grandes ajuntamentos de pessoas, mas também é um dispositivo de segurança que descaracteriza e desumaniza a parte mais atraente da cidade. Contudo, é o preço que tem que ser pago para garantir a segurança das pessoas.
As ameaças terroristas têm alterado as nossas vidas nos últimos tempos e essa mudança era mais evidente com as medidas de segurança que são adoptadas nos aeroportos, nas estações dos metropolitanos e no acesso a alguns espectáculos. Porém, a notícia e a fotografia do CBD de Sydney mostra um novo aspecto da prevenção das acções terroristas que altera substancialmente a paisagem urbana em nome da segurança das pessoas.

A tradição do Boxing Day está bem viva

Ontem celebrou-se o Boxing Day, o dia seguinte ao Natal, não só no Reino Unido, mas também em vários outros países que por diversos motivos históricos adoptaram essa celebração. Porém, o Boxing Day é uma tradição ou uma instituição britânica peculiar e manifesta-se em muitas actividades.
A sua origem parece situar-se na Idade Média quando, no dia seguinte aos festejos do Natal, os senhores feudais deixavam aos servos as sobras dos seus manjares natalícios numa caixa (box). A tradição evoluiu e fez com que, para além da comida, as Christmas boxes também incluissem roupa e brinquedos. Depois, foram as igrejas que passaram a colocar caixas para recolher ofertas dos seus paroquianos, para serem distribuidas aos mais pobres. O Boxing Day tornou-se uma festa comunitária, sobretudo no campo e nas pequenas aldeias britânicas, embora tivesse assumido um carácter diferente nas cidades onde se tornou o dia da troca de presentes, que o comércio tem aproveitado nos últimos tempos para fazer promoções e desfazer-se de stocks acumulados. No entanto, o Boxing Day é cada vez mais a festa do futebol britânico e uma maratona desgastante com centenas de jogos disputados debaixo de chuva ou de neve, mas a que não faltam muitos milhares de entusiasmados espectadores nos estádios.
A caça é também uma actividade característica do Boxing Day, sobretudo a caça aos patos e aos faisões, mas a mais apreciada de todas é a tradicional caça à raposa, que foi proibida em 2005, mas que hoje é lembrada na edição londrina do The Times, porque continua a ser uma forte tradição, só que agora as matilhas de cães seguem um rasto falso que é indicado pelo odor artificial das raposas.
A tradição do Boxing Day está, realmente, bem viva para os britânicos.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A desunião que reina na União Europeia

Ao anunciar o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel e a transferência da embaixada americana de Telavive para a cidade santa, o presidente Donald Trump criou uma perturbadora situação no Médio Oriente, que a ilustração da capa da última edição do Courrier International bem expressa.
Como aqui escrevemos no passado dia 23 de Dezembro, o Donald lançou gasolina para a fogueira e até o Papa Francisco, na sua mensagem de Natal, veio apelar à paz para Jerusalém e para toda a Terra Santa, lembrando a necessidade de respeitar o actual estatuto da cidade que é reconhecido pelas Nações Unidas e que estabelece que Jerusalém “pertence” a dois estados e a três religiões.
Na votação do dia 21 de Dezembro da Assembleia Geral das Nações Unidas que analisou a decisão americana é interessante analisar quem votou a favor (9 votos), quem votou contra (128 votos), quem se absteve (35 países) e até quem não compareceu à votação (21 países).
No que respeita aos actuais 28 membros da União Europeia que, supostamente deveriam ter uma posição comum a ser expressa por Federica Mogherini, a Alta Representante da UE para a Política Externa e Segurança, reinou a desunião. Se essa desunião é normal acontecer nas questões económicas e sociais em que o interesse nacional se sobrepõe muitas vezes ao interesse comunitário, pode compreender-se, mas nas questões de política internacional em que “a união faz a força”, o que se passou é muito preocupante. Na votação realizada em Nova Iorque houve um país que faltou à votação (Lituânia), houve 21 países que votaram contra a decisão americana e verificaram-se 6 abstenções (Croácia, Hungria, Letónia, Polónia, República Checa e Roménia). Estas abstenções revelam uma evidente falta de unidade no seio da União Europeia e até parecem ressuscitar o velho conceito da “cortina de ferro”, mostrando alinhamentos ou desejos de alinhamentos que só servem para diminuir o peso político da União Europeia de que quiseram fazer parte. Por isso, era desejável que o Conselho Europeu procurasse clarificar rapidamente estas posições. 

domingo, 24 de dezembro de 2017

A Catalunha está partida em dois blocos

Passadas as primeiras horas sobre as eleições do dia 21 de Dezembro e depois de todas as forças políticas catalãs terem declarado vitória, como é costume nestes casos, é tempo de analisar a situação criada na Catalunha que, como hoje salienta o El País, se partiu em dois bocados.
O bloco independentista conseguiu 70 deputados e teve 2.062.760 votos e o bloco constitucionalista elegeu 65 deputados e teve 2.211.655 votos, o que mostra que há uma lei eleitoral que não traduz a verdadeira vontade popular pois dá mais deputados a quem tem menos votos. Nessas circunstâncias há um bloco que diz que tem mais deputados e outro bloco que diz que tem mais votos. São duas verdades que até parecem irreconciliáveis, tal como parecem estar Rajoy e Puigdemont.
Mariano Rajoy é um perdedor porque a sua estratégia fracassou e Carles Puigdemont é um derrotado não só porque abandonou as suas tropas e fugiu, mas também porque perdeu a condição de líder do partido mais votado. Dificilmente dois derrotados poderão fazer outra coisa que não seja procurarem esconder os seus fracassos nesta problemática catalã. Com os resultados das eleições, nem uns podem invocar maiorias silenciosas, nem outros podem continuar com as pressões populares e a ocupação das ruas.
Há que descobrir outros protagonistas para dialogar. A situação é mais complexa do que antes e há que procurar a pacificação e a reconciliação pelo diálogo, evitando a continuação das confrontações verbais que, como a história mostra, podem degenerar noutro tipo de confrontações.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Trump de asneira em asneira até quando?

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou com ampla maioria na passada quinta-feira uma resolução que se opõe ao reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel, que tinha sido anunciada por Donald Trump.
O texto foi aprovado por 128 estados, entre os quais Portugal (com 35 abstenções e 9 votos contra, tendo havido 21 países que não compareceram à votação) e considera que a decisão tomada em relação a Jerusalém “é nula e sem efeito”, mas não é vinculativo. Esperando este resultado, o Donald ameaçou cortar as ajudas financeiras americanas aos países que apoiassem a resolução e por várias vezes referiu que os países que votassem favoravelmente a resolução fariam com que os Estados Unidos poupassem muito dinheiro, numa clara alusão aos cortes que se propõe fazer nas ajudas financeiras.
Realmente, o Donald é um caso sério e, em menos de um ano na Casa Branca, já acumulou demasiados erros e é cada vez mais rejeitado pelos próprios americanos, como ontem sugeria o Daily News de Nova Iorque. A soberania de Israel sobre Jerusalém nunca foi internacionalmente reconhecida e todos os países mantêm as suas embaixadas em Telavive, mas o Donald já deu ordens para que a embaixada americana fosse transferida para Jerusalém. Acontece que os palestinianos reivindicam a zona oriental da cidade como a capital do seu futuro estado e defendem que o estatuto da cidade deva ser discutido nas negociações de paz. O mundo também pensa assim, mas o Donald contrariou tudo e quis lançar mais gasolina na fogueira.