terça-feira, 14 de julho de 2020

Um Dia da Bastilha inédito e com máscara


Hoje celebra-se a festa nacional francesa ou Dia da Bastilha, que assinala o histórico episódio do dia 14 de Julho de 1789 em que o povo da cidade de Paris se revoltou e tomou a Bastilha, uma fortaleza medieval que era utilizada como prisão. Com este acontecimento e o movimento popular que se gerou, iniciaram-se as grandes transformações que ficaram conhecidas como Revolução Francesa e que tiveram impacto no fim dos poderes absolutas das realezas, numa nova estratificação social e numa nova ordem internacional.
A tomada da Bastilha tornou-se o acontecimento mais simbólico da Revolução Francesa e celebra-se todos os anos com uma grande festa nacional em que se realizam paradas militares por todo o país, bem como arraiais, bailes populares e fogos-de-artifício, com particular destaque para o grande desfile militar que se realiza nos Campos Elísios, na cidade de Paris, a que assiste o Presidente da República. Tal como os americanos são fascinados pelo 4 de Julho de 1776, os franceses deslumbram-se com o 14 de Julho de 1789.
Porém, devido às actuais circunstâncias pandémicas, os festejos que hoje vão acontecer em França vão ser bem diferentes do habitual e, apesar de estarem previstos muitos desfiles militares, o jornal Ouest France que se publica em várias cidades da Bretanha, prevê que os militares, os paramilitares e os antigos combatentes franceses vão hoje desfilar, mas que irão aparecer de máscara. Sinais dos tempos.

domingo, 12 de julho de 2020

A crise pandémica ainda está para durar


O número de pessoas infectadas por covid-19 está a aumentar um pouco por todo o mundo, contrariando uma tendência de regressão que se verificava desde há várias semanas e que estava a devolver a confiança ao mundo. Esse facto está a acontecer em Portugal, sobretudo na região de Lisboa, mas também em várias regiões da Espanha, casos da Catalunha e da Andaluzia. Em França, o jornal La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse, também destaca os maus sinais que estão a mostrar que o surto pandémico está em reactivação.
Porém, acontece que na luta pela atracção do turismo internacional parece haver critérios de apuramento e de divulgação do número de novos infectados ao gosto de cada um e esse facto deixa-nos na dúvida quanto à realidade pandémica na Europa. Já me cansam, sem nada me esclarecer, os inúmeros comentadores que diariamente ocupam as nossas televisões e nos inundam com os seus sábios palpites apoiados em atraentes gráficos, verdadeiros ou não, porque dependem dos números, verdadeiros ou não, com que são desenhados.
Era muito interessante comparar o que esses comentadores dizem agora com o que diziam há dois meses, para verificarmos como temos sido anestesiados. O que temos de mais certo é a incerteza quanto ao que está para vir e, por isso, até há quem diga que o pior ainda não chegou.
Entretanto, falava-se muito das vacinas que estavam quase prontas em vários países do mundo, mas o covid-19 já apareceu há quase um ano e de vacinas não há notícias. Assim, continuemos mais ou menos confinados, usemos máscaras, mantenhamos o distanciamento social, lavemos as mãos muitas vezes e esperemos por melhores dias.

Voos anulados e os reembolsos esperados


Desde o passado mês de Março que muitos milhares de voos comerciais foram cancelados por causa da crise pandémica e que, por isso, ficaram em terra muitos milhões de passageiros que tinham adquirido os seus bilhetes para viajar. Como é sabido, as companhias aéreas pararam toda a sua actividade de transporte de passageiros, nuns casos por sua própria iniciativa e em outros casos por determinação das autoridades sanitárias, tendo sido esse um primeiro sinal a evidenciar a gravidade da situação económica gerada pela crise pandémica. Na sua edição de hoje o diário francês Le Parisien trata deste assunto numa perspectiva que não tem sido habitual, pois lembra que segundo a lei europeia os passageiros têm direito a um crédito (voucher) ou ao reembolso do custo do bilhete em caso de anulação do voo. Trata-se de um problema muito complexo e de difícil resolução, quer no plano económico, quer no plano jurídico, pois a decisão de anular voos resultou de uma situação de emergência imprevista em que tanto os passageiros, como também as companhias aéreas e as autoridades sanitárias, não têm culpa directa no que aconteceu, embora deva prevalecer o princípio de que quem recebeu o dinheiro por um serviço que não prestou o deva restituir. Será, por isso, mais um rude golpe na recuperação económica das companhias aéreas.
No caso da companhia aérea açoriana SATA, foi tomada a decisão de emitir vouchers a quem viu o seu voo anulado e, por essa razão, um voo que estava previsto termos realizado em meados de Março foi compensado com a emissão de um voucher com um ano de validade. Será que as grandes companhias aéreas vão fazer a mesma coisa?

sexta-feira, 10 de julho de 2020

EUA: a crise pandémica alastra


O número de pessoas infectadas pelo covid-19 nos Estados Unidos já ultrapassou os três milhões e a edição de hoje do jornal USA TODAY publica um elucidativo gráfico que mostra que demorou 98 dias para que houvesse um milhão de infectados, que passaram 44 dias até houvesse dois milhões de infectados e que os três milhões de infectados foram atingidos ao fim de apenas 26 dias. A sequência 98 - 44 - 26 fala por si e certamente que assusta o povo americano. Embora o persistente discurso presidencial de Donald Trump continue a afirmar que a situação está controlada, estes números mostram como a situação se está a agravar e a assumir proporções incontroláveis e cada vez mais preocupantes, sobretudo na Califórnia, no Texas e na Florida.
Os Estados Unidos já contabilizam mais de 135 mil óbitos resultantes da crise pandémica, o que representa cerca de 25% do total de óbitos já verificados em todo o mundo e, este facto, mostra a leviandade e a incompetência com que a presidência dos Estados Unidos tem tratado este problema. Donald Trump, tal como alguns outros líderes mundiais de que o mais caricato exemplo é Jair Bolsonaro, têm-se mostrado incapazes de gerir as dificuldades que a pandemia trouxe aos seus países e têm optado por comportamentos irresponsáveis e por maus exemplos.
Da capacidade científica dos Estados Unidos esperava-se uma vacina que aliviasse o mundo e fosse um sinal de esperança, mas o que nos chega do outro lado do Atlântico são os maus exemplos do seu presidente e um descontrolo sanitário que parece aprofundar-se.

terça-feira, 7 de julho de 2020

EUA: o derrube de estátuas vai ter regras


Na sequência da morte de George Floyd, acontecida no dia 25 de Maio na cidade americana de Minneapolis por acção de agentes da polícia local, os Estados Unidos e o mundo reagiram contra o racismo e a violência policial, participando em muitas manifestações em que foram vandalizadas estátuas e monumentos. Essas acções aconteceram sobretudo nos Estados Unidos, onde muitas estátuas foram derrubadas, quase sempre perante a passividade da polícia. Os alvos da indignação popular foram algumas figuras locais relacionadas com ao tráfico ou a utilização de mão-de-obra escrava não só africana como europeia, os confederados que foram derrotados na guerra civil americana que levou à abolição da escravatura e outras figuras da história americana. De entre estas, os manifestantes parecem ter escolhido Cristóvão Colombo como o símbolo da escravidão no país e do genocídio dos povos aborígenes, pelo que as suas estátuas foram o alvo privilegiado dos manifestantes na generalidade das cidades. Que triste sorte a deste homem que, depois de ter sido glorificado durante quinhentos anos, se tornou o alvo dos derruba-estátuas americanos!
Porém, o bom senso está a reaparecer e estuda-se legislação que estabeleça regras para a remoção de símbolos ligados aos confederados da guerra civil ou a figuras com registos inequívocos de intolerância racial. Ao mesmo tempo começam a corrigir-se alguns desmandos populares devidos à ignorância e à emotividade. Em Baltimore, no estado de Maryland, a estátua de Cristóvão Colombo que tinha sido atirada à água no porto interior, foi recuperada e essa recuperação foi destacada no jornal The Sun, que se publica em Baltimore.

sábado, 4 de julho de 2020

Hoje não se festeja o Independence Day


Hoje é o dia 4 de Julho, que é o Dia da Independência dos Estados Unidos e, também, o Dia Nacional dos Estados Unidos, em que se celebra a assinatura em 1776 da Declaração de Independência das Treze Colónias que, através desse documento, anunciaram a sua separação formal do Império Britânico. A Declaração que foi preparada por Thomas Jefferson foi assinada em Filadélfia por 56 os congressistas.
No processo histórico de construção da unidade nacional e de afirmação internacional dos Estados Unidos, esta data e aquele documento foram sempre elementos de grande exaltação patriótica e de coesão entre todos os americanos, de origens étnicas e culturais muito diferentes. 
A partir da 1ª Guerra Mundial o país adquiriu definitivamente o estatuto de grande potência que foi reafirmado depois da 2ª Guerra Mundial. Em todos os campos da actividade humana – da ciência à economia, da tecnologia às artes – os Estados Unidos tornaram-se a referência universal e por isso, a voz dos seus presidentes é ouvida com muita atenção em todo o planeta. Foi sempre assim, embora o país esteja agora a atravessar um momento bem difícil com a presidência de Donald Trump que deslustra os seus antecessores e envergonha muitos dos seus compatriotas com a sua impreparação, ignorância e grosseria. A juntar a essa circunstância, a crise pandémica do covid-19 também se está a revelar devastadora nos Estados Unidos e, por essas duas razões, que só aparentemente não estão ligadas, os americanos não irão hoje celebrar o seu Fourth July como habitualmente, conforme mostra o jornal La Opinión que se publica em espanhol em todo o território americano. Porém, há que ter confiança e esperar que em 2021 não haja Trump nem covid-19.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Fronteiras abertas, renasce a esperança


Depois de terem estado encerradas durante 107 dias, as fronteiras entre Portugal e Espanha foram ontem reabertas com a simbólica presença das principais autoridades políticas de ambos os países, isto é, o Rei Filipe VI e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e os primeiros-ministros António Costa e Pedro Sánchez. Longe vão os tempos em que se dizia que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”. Agora de Espanha vem o turismo e o recrudescimento da actividade económica, mas a imprensa tratou este assunto de forma desigual, pois enquanto a generalidade da imprensa portuguesa, apenas com duas excepções, não assinalou este acontecimento, muitos jornais espanhóis publicaram a fotografia das quatro entidades que estiveram na fronteira Elvas/Badajoz, a revelar quão importante foi a reabertura das fronteiras e este reencontro ibérico. De resto, bastou ver a satisfação ou mesmo a euforia com que Valença do Minho recebeu os seus vizinhos galegos, para vermos como a abertura das fronteitras pode ser uma boa alavanca para a recuperação económica do país e é, seguramente, um sinal de esperança nestes tempos de incerteza.
É realmente lamentável o provincianismo de uma boa parte da imprensa portuguesa que ontem destacava a demissão dos treinadores de futebol do Benfica e do Braga, o cartão de cidadão que demora cinco meses a ser entregue ou que o vírus destruiu 192 mil empregos. Sobre a TAP ou sobre a abertura das fronteiras, muito pouco.

terça-feira, 30 de junho de 2020

As armas de Tancos e os nossos justiceiros


No dia 27 de Junho de 2017 foi detectado um furto de material de guerra do Exército Português que se encontrava nos paióis nacionais de Tancos, o que revelou graves falhas de segurança e de fiscalização nesta unidade militar.
As investigações foram iniciadas debaixo de muitas críticas à instituição militar e, em especial ao Exército, mas o assunto transformou-se num escândalo nacional quando o material de guerra apareceu num descampado e se descobriu que a Polícia Judiciária Militar tinha encenado a sua recuperação acidental com os assaltantes dos paióis. O Ministério Público tomou então conta do processo e, como tantas vezes faz, passou a produzir informação seleccionada para o exterior através da comunicação social, antecipando julgamentos e condenações na praça pública. Como havia um ministro eventualmente envolvido no caso, o Ministério Público tratou, uma vez mais, de mostrar o seu poder e a sua importância nacional ao passar para a opinião pública a ideia da culpabilidade do ministro e a quase absolvição dos assaltantes. A instrução do processo foi muito demorada e, naturalmente, custou muito dinheiro aos contribuintes portugueses. Quando, recentemente, interrogaram o primeiro-ministro e antigo ministro da Justiça sobre este assunto, este referiu-se com ironia ao caso dizendo que até parece que “o crime verdadeiramente grave não foi o roubo das armas, o crime verdadeiramente grave foi recuperar as armas”. Parece que os magistrados não gostaram desta declaração, segundo revela hoje o jornal i. É lá com eles. Eu gostei do que disse o nosso primeiro-ministro, até porque já me tinha parecido que o problema para o Ministério Público era o ministro e não os assaltantes, o que mais uma vez me faz ter dificuldade em suportar este tipo de justiceiros e desconfiar da justiça que querem fazer.

Angola e o desafio das longas distâncias


Angola é um país muito grande com cerca de 1.246.700 km2 de superfície e mais de 30 milhões de habitantes, que faz fronteira com quatro países. É o 22º maior país do mundo em território e a sua costa atlântica tem uma extensão de cerca de 1600 quilómetros, enquanto a distância entre Cabinda, lá bem no norte, e a comuna de Luiana, na província do Cuando-Cubango, é de cerca de 1765 quilómetros.
Nos tempos modernos, as longas distâncias em Angola só podem ser feitas por via aérea e, por isso, a companhia aérea nacional - TAAG -Transportes Aéreos Angolanos – serve 13 destinos domésticos, para além de 16 destinos internacionais, dispondo de uma frota de oito Boeing 777 e cinco Boeing 737. Porém, no início do corrente ano, para reforço das suas capacidades de resposta às necessidades internas, a TAAG anunciou a compra de seis aviões do modelo Dash 8 Q800 por 118 milhões de dólares à construtora canadiana Havilland Aircraft, que é propriedade da Bombardier Aerospace.
Esses aviões deverão ser entregues durante o corrente ano e o primeiro deles, baptizado como Kwanza, já chegou a Luanda, o que naturalmente despertou o interesse do Jornal de Angola por ser um sinal de progresso e de apoio às actividades económicas do país. Boas viagens!

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Já são 10 milhões de infectados no mundo


A imprensa portuguesa tem passado ao lado do noticiário sobre a situação da pandemia do covid-19 no mundo, limitando-se a publicar algumas notícias dispersas ou pontuais, enquanto o futebol e os seus negócios passaram a ocupar cada vez mais espaço nos jornais e, de forma exagerada, nas televisões. Hoje, o jornal Público lembrou-se de assinalar com um grande gráfico o número dez milhões, pois o número de casos positivos confirmados no mundo já atingiu 10.195.680, enquanto o número de óbitos já atingiu 502.802 casos. A pandemia está activa por todo o mundo e as medidas de desconfinamento adoptadas nos diferentes países para ajudar à retoma da economia não se têm mostrado consensuais, porque muitos as consideram prematuras, enquanto outros consideram que dão sinais errados às populações. Inesperadamente, porém, há países que tendem a manipular as suas estatísticas para daí retirar proveitos, sobretudo no que respeita à atracção do turismo.
Em Portugal estão confirmados 41.646 casos positivos dos quais 27.066 já foram considerados recuperados, enquanto já foram registados 1.564 óbitos. Depois de um período em que se instalou um generalizado optimismo com a melhoria consistente dos indicadores epidemiológicos, nas últimas quatro semanas verificou-se uma inversão da situação resultante do aparecimento de diversos surtos da pandemia na região de Lisboa.
Embora se ouçam demasiadas opiniões sobre a situação, o que nos parece é que teremos de viver muito mais tempo com este problema e que, mais do que as medidas tomadas ou a tomar pelas autoridades sanitárias, todos teremos de adoptar comportamentos mais responsáveis… até que apareça uma vacina.

sábado, 27 de junho de 2020

O calor e os riscos da corrida às praias

Numa altura em que aumentam os receios de estar a chegar uma segunda vaga da pandemia do covid-19, pelos preocupantes sinais que chegam dos Estados Unidos, da China, da Alemanha e de Portugal, mas também de muitos outros países, a notícia que mais impressionou o mundo foi a vaga de calor que assolou o Reino Unido e a corrida que muitos milhares de pessoas fizeram em direcção à beira-mar e, em especial, à praia de Bournemouth, situada na costa sudoeste da Inglaterra e a cerca de 170 quilómetros de Londres. 
Foi um caos, como escreveu o jornal londrino i, com as estradas de acesso à praia a congestionaram-se, as pessoas a acamparem um pouco por todo o lado e com o extenso areal coberto por milhares de pessoas que esqueceram o covid-19, bem como as recomendações das autoridades sanitárias quanto ao distanciamento social. A fotografia da enorme aglomeração de gente na praia de Bournemouth foi publicada em vários jornais internacionais e teme-se que este caso possa ter gerado novas infecções em cadeia. 
O Reino Unido já contabiliza quase 45 mil óbitos devido à pandemia, apenas sendo superado nesta triste estatística pelos Estados Unidos e pelo Brasil. Este caso é, por isso, um aviso para os países do sul da Europa e para a corrida às praias que naturalmente se vai intensificar nos dois meses que se aproximam, pelo que não basta que as autoridades tomem medidas preventivas, sendo muito necessário que os níveis de responsabilização social sejam assumidos pela população. Será que as televisões conseguem ter um pouco de imaginação e dar uma ajuda na sensibilização da população?

terça-feira, 23 de junho de 2020

Estaremos já na segunda vaga do covid-19?


Na sua edição de hoje, o jornal La Voz de Galicia escolheu para manchete os retrocessos que se estão a verificar na situação epidemiológica, na região de Huesca da comunidade autónoma de Aragão e… na região de Lisboa, o que fez com que algumas medidas de desconfinamento que já tinham sido adoptadas, tivessem sido revertidas. Esta situação parece corresponder a casos pontuais de contágios muito localizados, mas também pode significar que os sinais de uma segunda vaga da epidemia estão a chegar, pelo que as autoridades sanitárias pedem que a população tenha todos os cuidados. No caso da área metropolitana de Lisboa foi decidido intensificar o controlo e a vigilância policial, proibir as festas ilegais, as reuniões com mais de dez pessoas e passar a aplicar multas. ”Não podemos permitir que, por irresponsabilidade de alguns, deitemos pela borda fora o trabalho e o sacrifício que os portugueses fizeram nos últimos três meses”, disse o primeiro-ministro.
O facto é que a situação está para durar e nada, ou muito poucas coisas, vão ser como dantes. O covid-19 já deixou marcas profundas na sociedade portuguesa, não só com os 1.534 óbitos e quase quarenta mil infectados que provocou, mas também com a grave recessão económica, o crescente desemprego, o aumento da pobreza e a corrida à ajuda alimentar.
Alguns indivíduos que gostam de aparecer na televisão e que se julgam comentadores, parece que ainda não perceberam as dificuldades e as incertezas dos tempos que correm e desatam a criticar tudo o que é feito, em vez de terem um discurso pedagógico dirigido à população e de apoio a quem está na primeira linha deste duro combate. Irresponsavelmente! Porém, o que impressiona é o tempo e o espaço que as televisões dão a estes "treinadores de bancada". Já não posso ouvir esses marques-mendes que por aí andam.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A pandemia no Brasil e nos outros países


A imprensa brasileira deu ontem um grande destaque ao facto da pandemia de covid-19 já ter ter causado mais de 50.000 óbitos e do número de infectados já ter ultrapassado um milhão de pessoas, o que faz do Brasil o país mais afectado do mundo, depois dos Estados Unidos. A situação ainda não mostra tendências consolidadas de atenuação e, na sua edição de ontem, o jornal Estado de S. Paulo presta homenagem aos 50.058 mortos, “ao luto e dor de milhares de famílias” e diz que “o país bate triste marca e tem escalada de casos”.
O primeiro caso foi detectado no dia 26 de Fevereiro no estado de S. Paulo e, desde então, o país já conheceu três ministros da Saúde (Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello), além de se ter confrontado com as famosas declarações de Jair Bolsonaro que classificou a pandemia como uma gripezinha ou um resfriadinho.
O Jair enganou-se e a pandemia é coisa séria. No entanto, se a preocupante situação brasileira for analisada quanto ao número de infectados e ao número de óbitos por milhão de habitantes, facilmente se conclui que muitos outros países apresentam piores resultados que o Brasil. Entre os países em que esses indicadores são piores do que no Brasil, estão os Estados Unidos e o Canadá, mas também a generalidade dos países europeus.
Na actualidade, as estatísticas são um importante instrumento de gestão, mas têm que ser usadas com seriedade e não podem servir para a manipulação da verdade. No caso da pandemia de covid-19, pela repercussão que têm na economia e em especial na indústria do turismo, começam a surgir muitas manipulações estatísticas, para além de haver diferentes níveis de realização de testes, em que os factores económicos tendem a sobrepor-se aos factores sanitários. Portanto, os brasileiros podem e devem estar preocupados com os seus números, mas desconfiem dos números dos outros.

domingo, 21 de junho de 2020

O Juneteenth e a luta contra o racismo


Celebrou-se anteontem por todo o território dos Estados Unidos o Juneteenth – contracção das palavras June e nineteenth – que também é chamado o Juneteenth Independence Day e que celebra o dia 19 de Junho de 1865, em que foi anunciada a proclamação da emancipação da escravatura no Texas e nos estados confederados do sul. 
A guerra civil americana (1861 a 1865) pusera frente a frente os Estados Unidos da América (a União) e onze estados do sul que formaram os Estados Confederados da América (a Confederação). Em 1863, durante a guerra, o presidente Abraham Lincoln emitiu uma proclamação de emancipação que declarou livres mais de três milhões de escravos que viviam nos estados confederados, mas essa proclamação só chegou ao Texas no dia 19 de Junho de 1865 quando as tropas da União entraram na cidade de Galveston. Os afro-americanos só então souberam que a escravidão fora abolida e os festejos começaram de imediato com orações, banquetes, música, canto e danças. No ano seguinte as festas para celebrar o fim da escravatura repetiram-se no Texas e essas celebrações foram-se alargando a outros estados e até a sítios fora dos Estados Unidos. Em 1980 o dia 19 de Junho tornou-se um feriado estadual no Texas e, neste ano de 2020 em que a luta contra o racismo tomou alargadas proporções, o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, determinou que o Juneteenth também fosse um dia feriado para os funcionários públicos do seu estado, no que foi acompanhado por muitas empresas. No momento que a luta contra o racismo está na ordem do dia nos Estados Unidos e em muitos países europeus, o dia 19 de Junho tornou-se um instrumento de luta pelo fim do racismo.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

As viagens aéreas são agora uma aventura


As viagens aéreas estiveram canceladas durante cerca de três meses por causa da pandemia do covid-19 mas, lentamente, as companhias de aviação estão a retomar a sua actividade operacional, embora pareça que viajar nunca mais vai ser o que foi, como reconhece a última edição da revista alemã Der Spiegel.
O assunto não é novo. Depois do ataque realizado no dia 11 de Setembro de 2001 às Torres Gémeas de Nova Iorque pela organização fundamentalista islâmica al-Qaeda, as medidas de segurança adoptadas nos aeroportos já tinham retirado uma boa parte do gosto de viajar, pois os passageiros passaram a ser confrontados com demorados controlos, proibições e, por vezes, com a arrogância ameaçadora e autoritária dos agentes de segurança que olham cada passageiro como se fosse um traficante ou um fora da lei.
Agora, do ponto de vista do passageiro, a situação agravou-se porque para além dos aspectos de segurança em vigor, surgiu a necessidade de prevenir os riscos de contágio pelo covid-19, o que faz com que o eventual passageiro não saiba se terá voo e se terá a obrigação de provar que não está infectado. Mesmo que as coisas lhe corram bem e consiga entrar no avião, ainda fica sem saber se terá de ficar de quarentena no lugar de destino, nem quantos testes será obrigado a fazer. Significa que para viajar por via aérea vai ser necessário ultrapassar diversas barreiras que transformarão uma viagem num stressante exercício.
Viajar vai ser uma aventura diz o Der Spiegel e esse é apenas um dos sinais dos tempos e das mudanças que se estão desenhar, que vão tornar a nova vida bem diferente da que vivemos até agora.