quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Os problemas do Brasil em ano de eleições

Pela história e pela língua, o Brasil é sempre um país em que os portugueses projectam os seus olhares, partilhando os sucessos e os insucessos, as alegrias e as tristezas do povo brasileiro. Por isso, aqui em Portugal, tanto pela televisão como por outras plataformas de comunicação, são acompanhados com interesse e com curiosidade os quotidianos brasileiros.
Neste início do ano de 2022, o covid-19 continua a ser o grande problema do país pois já causou mais de 621 mil mortos e mais de 22 milhões de infectados, afectando a sociedade e a economia brasileiras. Apesar da intensidade da campanha de vacinação, as preocupações continuam bem altas, aliás como no resto do mundo. Como resultado da situação sanitária, mas também da conjuntura internacional, no passado ano de 2021 a inflação ultrapassou os dois dígitos, o que não acontecia desde o ano de 2015, tornando-se um factor adicional de incerteza para os brasileiros.  
Porém, o Brasil é um país extenso e também os efeitos das alterações climáticas se têm manifestado de formas bem diversas neste início do ano. Assim, enquanto o Rio Grande do Sul (RS) se confronta com uma onda de calor, um elevado grau de secura e muitos danos devido à estiagem, em Minas Gerais (MG) e na Baía (BA) as chuvas torrenciais castigam as populações e inundam cidades, bloqueiam estradas, provocam desmoronamentos e a ruptura de barragens. O jornal Estado de Minas destaca “a invasão das águas” e informa que as ruas das cidades mineiras se transformaram em rios.
A explosão de casos de covid-19 e a ameaça de ruptura dos stocks de vacinas, a inflação e a sua influência sobre o custo de vida e os efeitos das alterações climáticas, tudo são preocupações para os brasileiros em ano de eleições presidenciais.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Conversa entre a Rússia, os EUA e a NATO

Desde o fim da 2ª Guerra Mundial que a paz e a estabilidade mundiais se têm polarizado em torno dos poderes de Washington e de Moscovo e, com maior ou menor intensidade, a tensão tem sido permanente entre americanos e russos. Parece mesmo que a manutenção dessa tensão, ou mesmo dessa recíproca ameaça, é a necessidade que cada um desses blocos tem de construir os seus nacionalismos e de alimentar os seus complexos militares-industriais e, naturalmente, as suas economias.
Nos meses mais recentes essa tensão acentuou-se. Os americanos acusam a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de soldados na sua fronteira com a Ucrânia, como acção preparatória de uma invasão daquele país, o que os responsáveis russos têm negado. Por outro lado, os russos acusam os americanos e a NATO de fazerem repetidas manobras militares junto das suas fronteiras e exigem que a Ucrânia não seja integrada na estrutura militar da NATO. Estão em jogo tanto a segurança russa como a segurança europeia, forjadas depois da Guerra Fria e da implosão da União Soviética, quando vários países desse antigo bloco aderiram à União Europeia e à NATO.
Por isso, o encontro havido em Genebra no passado domingo e na segunda-feira, entre as delegações americana e russa, foi um passo muito positivo para desanuviar a tensão. Amanhã em Bruxelas, delegações da Rússia e da NATO reunirão e o tema da agenda vai ser a segurança europeia. Entre estas duas reuniões apareceu o norueguês Jens Stoltenberg, o secretário-geral da NATO, a dizer que a sua organização está inquieta quanto aos riscos de um conflito na Ucrânia e que a NATO se deve preparar para um falhanço da diplomacia, porque “o risco de um novo conflito é real”.
Estes importantes encontros foram tema em destaque no The Wall Street Journal, mas a generalidade dos jornais de referência preferiu destacar o caso do tenista Novak Djokovic ou alimentar o noticiário sobre a variante ómicron do coronavírus SARS-CoV-2 que provoca a covid-19. Os gritos de alarme do falcão Stoltenberg parece não serem partilhados, nem pela generalidade da imprensa, nem pelos líderes europeus.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A protecção da saúde e os seus negócios

Uma notícia hoje avançada pelo jornal francês Le Télégramme revela que os hospitais públicos franceses estão a sofrer “uma hemorragia” de pessoal e que já estão a contratar médicos tarefeiros ao preço de 3000 euros por 24 horas. Esta informação é a imagem do descalabro que ameaça o sistema de saúde francês, provocado pela concorrência entre o público e o privado, mas também nos alerta para o facto de em Portugal já estarmos ou caminharmos para uma situação semelhante. Até parece que a saúde está doente.
A crise pandémica que nos apoquenta desde os finais de 2019 tem mostrado alguma debilidade do nosso sistema de saúde, daí resultando que haja muita gente a criticar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que é, seguramente, uma das maiores realizações do nosso regime democrático. Algumas dessas críticas serão justificadas, sobretudo quando se referem à falta de pessoal médico e paramédico, que se tem transferido do SNS para os hospitais privados ou que, não tendo abandonado o SNS, acumula funções nos dois sistemas de saúde e privilegia aquele que melhor lhe paga.
O número de hospitais privados não cessa de aumentar. Essas unidades são geridas por grupos económicos poderosos e são o exemplo de que a saúde se tornou num próspero negócio, que cobra sem piedade aos seus utentes, quase sempre protegidos por acordos de prestação de cuidados de saúde que, em última instância, são pagos pelo Estado. Esses grupos privados de saúde atraem os profissionais do SNS com remunerações mais atraentes e, dessa forma, estão objectivamente na primeira linha de esvaziamento e de ruptura do SNS. Porém, a protecção da saúde não pode ser um negócio e o SNS tem que ser protegido. 
O facto é que com tantos hospitais públicos e privados em Portugal, não parece que a cobertura sanitária do país satisfaça as necessidades da população e esse é um dos grandes problemas que tem que ser rapidamente estudado pelos poderes públicos para encontrar soluções. Há muita gente, sobretudo na política e no sindicalismo, que pressiona para que se injecte mais dinheiro no SNS, mas parecem esquecer que somos um país de recursos escassos e sem possibilidade de um contínuo endividamento público. 
O caminho tem que ser outro, com organização, inteligência e sentido comunitário.

domingo, 9 de janeiro de 2022

A travessia aérea do Atlântico Sul em 1922

A última edição da versão portuguesa da revista National Geographic (Janeiro de 2022) inclui uma desenvolvida e bem ilustrada reportagem sobre o “centenário de uma saga da aviação nacional”, ou sobre “os gloriosos aviadores de 1922”. São 18 páginas de grande rigor histórico, em que são descritas as circunstâncias conjunturais e operacionais com que os comandantes Sacadura Cabral e Gago Coutinho prepararam e empreenderam a pioneira viagem aérea de Lisboa ao Rio de Janeiro em 1922. O hidroavião Santa Cruz, no qual os aviadores chegaram ao Rio de Janeiro no dia 17 de Junho de 1922 e que se encontra preservado no Museu de Marinha, faz capa da edição da revista que tão criteriosamente assinala o primeiro centenário daquela epopeia, que alimentou o imaginário e a cultura popular nas duas margens do Atlântico e reforçou as ligações afectivas entre Portugal e o Brasil.
Nos próximos meses, certamente que não faltarão iniciativas editoriais e jornalísticas a evocar esta importante página da história da Marinha Portuguesa, mas a reportagem do National Geographic apresenta-se como a primeira e com grande qualidade e rigor histórico.
Curiosamente, a edição em referência, inclui uma reportagem, alargada e bem documentada fotograficamente, sobre o vulão da ilha de La Palma, no arquipélago das Canárias e, na sua secção “Visões” inclui duas expressivas e belas fotografias: o nó do Carregado e um corajoso surfista na costa da Lourinhã.
Embora a excelência da qualidade das edições da National Geographic não surpreenda, esta edição merece destaque. 

sábado, 8 de janeiro de 2022

Novak Djokovic está ou não acima da lei?

No próximo dia 17 de Janeiro tem início o Open da Austrália, um dos quatro torneios de ténis que constituem o Grand Slam e que são os mais importantes da modalidade, tanto pelos seus avultados prémios em dinheiro, como pela atracção que suscitam nos mass media e no público. No seu historial destacam-se os nomes do sérvio Novak Djokovic, nove vezes vencedor do torneio e actual número um do ranking mundial, mas também do suíço Roger Federer que conseguiu seis vitórias. Ambos têm vinte vitórias nos torneios do Grand Slam, tal como o espanhol Rafael Nadal. Com 40 anos de idade, Federer não competirá em Melbourne pois estará em vésperas de se retirar; com 35 anos de idade, Nadal já está na Austrália para se preparar para uma eventual segunda vitória; com 34 anos de idade, Novak Djokovic foi impedido de entrar em território australiano por não estar vacinado contra o covid-19, tendo ficado retido no aeroporto durante várias horas e depois sido levado para um hotel nos subúrbios de Melbourne, que é usado para a detenção de imigrantes. O orgulho sérvio foi ferido, mas a lei australiana obriga a que quem queira entrar no país tenha sido antes vacinado contra o covid-19
Aleksander Vucic, o presidente da Sérvia, tratou de protestar mas Scott Morrison, o primeiro-ministro australiano, já veio afirmar que ninguém está acima da lei, enquanto um seu ministro afirmou que só porque se é rico, não se pode viajar pelo mundo contrariando as leis das outras nações. Um tribunal decidirá na segunda-feira sobre a deportação de Novak Djokovic, como refere o jornal australiano The West Australian que se publica em Perth, mas a opinião pública australiana vem acusando as autoridades de terem dois pesos e duas medidas, umas para os ricos e outras para os outros. O caso assumiu contornos diplomáticos e está a interessar meio mundo, enquanto o tenista alemão Alexander Zverev e o russo Daniil Medved espreitam a sua oportunidade.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Espanha e a “cabalgata de Reyes Magos”

No passado dia 5 de Janeiro voltou a cumprir-se a tradição espanhola da cabalgata de Reyes Magos, um desfile de carros alegóricos em que os Reis Magos - Melchior, Gaspar e Baltazar – acompanhados por uma colorida comitiva de indumentária apropriada, lançam caramelos e guloseimas às crianças e que “van a poder devolver la ilusón a los niños”.
A imprensa espanhola, tanto de âmbito nacional como regional, deu grande destaque a este evento, sobretudo porque devido à crise pandémica não se realizara nos dois anos anteriores. Um dos muitos jornais que destacaram o acontecimento foi o Diario de Navarra que se publica em Pamplona, que inseriu uma fotografia a toda a largura da primeira página com o título Reyes Magos en tiempo de mascarillas.
Segundo refere a generalidade da imprensa, as crianças voltaram a encher as ruas de alegria depois de terem estado confinadas devido ao covid-19 que as privou de tantas coisas, incluindo o “el día más bonito del año: la Cabalgata de Reyes Magos”. As palavras ilusión e magia aparecem na maioria dos títulos das primeiras páginas dos jornais - a ilusión vuelve a la calle, la noche de la ilusión, la ilusión vuelve en carroza ou magos de ilusión, mas também la magia vence al covid e regresaron y fue mágico
Uma das cidades que mais apostou na cabalgata de Reyes Magos foi Sevilha, cujo desfile incorporou 33 carros alegóricos e mais de três mil pessoas que ocuparam um quilómetro e meio da via pública e demoraram 45 minutos a desfilar.
A cabalgata foi uma grande festa em toda a Espanha, um grande êxito popular e, segundo os jornais, serviu para elevar o ânimo dos espanhóis e atenuar a depressão acumulada por mais de dois anos de pandemia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Um ano depois da invasão do Capitólio

Completa-se hoje o primeiro aniversário sobre o assalto ou tentativa de assalto ao Capitólio, o edifício que em Washington aloja o Congresso, que é constituído pelo Congresso e pela Câmara dos Representantes. É, por isso, o centro legislativo dos Estados Unidos da América e o centro da democracia americana.
Na eleição de 3 de Novembro de 2020, a 59ª eleição presidencial da história dos Estados Unidos, o senador Joe Biden que fora o vice-presidente de Barack Obama nos seus dois mandatos, derrotou o presidente em exercício Donald Trump que, dessa forma, não conseguiu ser reeleito. Na votação, Biden obteve 51,3% dos votos populares e recolheu 306 votos no Colégio Eleitoral, enquanto Trump conseguiu apenas 46,9% dos votos populares e 232 votos no Colégio Eleitoral. Donald Trump não aceitou a derrota e alegou ter havido fraude, avançando com dezenas de acções judiciais e exigindo a recontagem de votos nos estados em que fora derrotado. Recusando-se a aceitar a vitória de Biden, tratou de convocar uma grande manifestação dos seus seguidores para o dia 6 de Janeiro para protestar contra o resultado eleitoral, em frente do Capitólio, onde o Congresso se iria reunir nesse dia para ratificar a vitória de Joe Biden. Os manifestantes estiveram antes num comício onde ouviram “discursos de guerra” e foram incitados a avançar para o Capitólio, que invadiram no sentido de aterrorizar os seus ocupantes e forçar o vice-presidente Mike Pence e os congressistas a rejeitar a vitória de Biden. A invasão do Capitólio que visava impedir a certificação dos resultados eleitorais durou várias horas e provocou cinco mortos e grandes destruições.
Joe Biden classificou este episódio como uma insurreição mas, no dia 20 de Janeiro de 2021, foi empossado como o 46º presidente dos Estados Unidos.
Um ano depois dos acontecimentos de 6 de Janeiro de 2021, o jornal Houston Chronicle é apenas um dos jornais americanos que nas suas edições de hoje recorda esse dia negro da história da democracia americana e reclama o julgamento dos seus responsáveis, incluindo Donald Trump que foi o seu inspirador e também o seu mandante.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Os ex-guerrilheiros e a droga colombiana

A Colômbia suportou “a guerrilha mais longa do mundo” através de um acordo assinado em 2016 entre o governo colombiano e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ou Exército do Povo), uma organização fundada em 1964. Significa que a guerra de guerrilhas na Colômbia durou 52 anos, tendo feito cerca de 260 mil mortos! 
Aconteceu, porém, que a maioria dos colombianos não aceitou aquele acordo, o que levou o então presidente Juan Manuel Santos a convocar os negociadores para refazerem o processo de paz, o que veio a acontecer com sucesso ainda em 2016, com a assinatura dos Acordos de Paz de Havana. A partir de então decretou-se o cessar-fogo, iniciou-se o desarmamento e a integração de guerrilheiros, começou o exaustivo trabalho de reconciliação nacional e o estudo da solução para o problema das drogas ilícitas, porque a Colômbia é considerada o maior produtor mundial de cocaína, abastecendo cerca de 70% do mercado mundial, segundo as Nações Unidas. Esse parece ser o grande problema da Colômbia, pois o controlo da “economia da droga” é disputado por vários grupos ilegais, incluindo dissidentes das FARC que rejeitaram o acordo de 2016, elementos do ELN (Exército de Libertação Nacional) e outros grupos armados ilegais.
A região de Arauca faz fronteira com o estado venezuelano de Apure e os confrontos entre grupos rivais nestas regiões são frequentes. Desde os acordos de Havana estão registados 1.284 assassinatos de defensores de direitos humanos, ex-guerrilheiros e líderes comunitários, bem como frequentes confrontos entre esses grupos, sobretudo entre ex-elementos das FARC e do ELN. Foi o que aconteceu na segunda-feira e que foi noticiado pelo Correio do Brasil, que anunciou que os “guerrilheiros lutam entre si e 26 morrem”, informando ainda que nesses confrontos se registaram mais de trinta feridos e que este dia foi considerado “o mais violento dos últimos dez anos no país”. Curiosamente, a imprensa colombiana não deu qualquer destaque a este acontecimento, provavelmente para não alarmar a população colombiana que teme o regresso da guerra.

Moçambique e os seus hidrocarbonetos

O Instituto Nacional de Petróleos e toda a imprensa moçambicana, como por exemplo o jornal Notícias, noticiaram a chegada à Área 4 da bacia do Rovuma da plataforma gigante FLNG (Floating Liquefied Natural Gas) que vai fazer a exploração de gás naquela área marítima. A enorme estrutura assemelha-se a um navio gigante com 432 metros de comprimento e foi construída na divisão industrial da Samsung em Geoje, na Coreia do Sul, tendo saído para a costa de Cabo Delgado no dia 15 de Novembro.
A plataforma vai estar ligada a seis poços para extrair gás para uma fábrica instalada a bordo, onde vai ser arrefecido e liquefeito, de modo a poder ser transportado em cargueiros que se abastecerão a partir da própria plataforma e dos seus depósitos de armazenamento. Acima do plano do convés a plataforma dispõe de treze módulos onde se localiza a fábrica, um heliporto e um módulo de oito andares onde podem viver 350 pessoas.
A Área 4 está concessionada à Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma joint venture participada em 70% pela americana Exxon Mobil, pela italiana Eni e pela chinesa CNPCO, estando os restantes 30% repartidos pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH), pela coreana Kogas e pela Galp Energia Rovuma que tem a sua sede… na Holanda. O início da produção offshore está prevista para meados do corrente ano de 2022.
Na bacia do Rovuma também está delimitada a Área 1, concessionada a um consórcio dominado pela petrolífera francesa Total, a japonesa Mitsui e a indiana Beas, que aposta na produção onshore na península de Afungi, mas que tem sido perturbada pela insurreição jihadista que tem estado activa em Cabo Delgado.
Como aqui foi dito há tempos, para quem navegou naquelas águas da bacia do Rovuma, causa uma natural impressão imaginar uma tão grande estrutura num local onde o mar era livre e não havia plataformas a perturbar a paisagem marítima. Porém, as coisas são como são e, ao longo da costa moçambicana, estão definidas outras áreas de pesquisa e de produção de hidrocarbonetos.

domingo, 2 de janeiro de 2022

A chegada do novo ano ao Rio de Janeiro

A última publicação que fizemos na ruadosnavegantes enfatizava os festejos de entrada do novo ano de 2022 em Sydney e referia alguns outros que tiveram lugar no Dubai, em Atenas e em Londres. Porém, muito mais para ocidente, também outras cidades festejaram a entrada do novo ano e, catorze horas depois dos festejos de Sydney, foi a cidade do Rio de Janeiro que também apresentou o seu espectáculo pirotécnico a rivalizar com Sydney.
A excelente fotografia que foi publicada a toda a largura da sua primeira página na edição de ontem do jornal O Globo, mostra a imponência do fogo de artifício que iluminou a “cidade maravilhosa cheia de encantos mil” e o “coração do meu Brasil”. Segundo refere o jornal, o Rio de Janeiro recebeu o novo ano de 2022 “com fogos e esperança”. Com a estátua do Cristo Redentor localizada sobre o morro do Corcovado a enquadrar o cenário de Copacabana, pode observar-se na fotografia a profusão de focos de fogo alinhados ao longo da orla da baía, onde ocorreram a população e os turistas para desfrutar do espectáculo e festejar a chegada do novo ano.
Foi uma retoma da veia festiva carioca, pois a pandemia tinha inviabilizado os festejos da chegada de 2021, o que muito perturbou a economia e a vitalidade da “cidade maravilhosa”.

sábado, 1 de janeiro de 2022

O famoso festejo do ano novo em Sydney

Por ocasião da entrada de um novo ano, há notícias que sempre interessam a comunicação social e que anualmente se repetem: no plano internacional são as imagens dos festejos da passagem do ano sobretudo em Sydney e, no plano nacional, são o fogo de artifício em algumas cidades, mas também a desinteressante informação recolhida todos os anos nas maternidades sobre a primeira criança nascida em Portugal.
A entrada do novo ano em Sydney origina sempre as mais divulgadas imagens sobre esse evento em todo o mundo, por ser a primeira grande cidade a receber o novo ano. Esse facto é uma consequência da Conferência Internacional de Washington realizada em 1884, na qual foi adoptado o meridiano de Greenwich para o início da contagem das longitudes e dos 24 fusos horários. Daí resultou, também, a adopção de uma Linha Internacional de Mudança de Data, cujo traçado imaginário se desenvolve no oceano Pacífico próximo do meridiano dos 180 graus, isto é, diametralmente oposta ao meridiano de Greenwich. Pela posição dessa linha, a cidade australiana de Sydney é a primeira grande cidade que entra no novo ano, quando na Europa ainda se está no princípio da tarde. 
Os festejos do acontecimento são vistos nas televisões mundiais e a sua fotografia ilustra sempre muitos jornais europeus, como hoje acontece com o jornal sueco Dagens Nyheter. As televisões mostram depois as imagens da iluminação dos 828 metros de altura do imponente Burj Khalifa Bin Zayid no Dubai, o fogo de artifício de Atenas, de Paris e de Londres, mas o fogo de artifício na área da Harbour Bridge de Sydney é, certamente, o mais famoso e mais noticiado em todo o mundo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

2022 é um novo ano que se vai iniciar

Daqui a poucas horas entramos no novo ano de 2022 e, um pouco por todo o mundo, sucedem-se festejos ruidosos e iluminações deslumbrantes mas, sobretudo, divulgam-se mensagens de esperança num ano mais próspero, com mais paz e, nas circunstâncias actuais, com mais saúde. As pessoas trocam mensagens de amizade e os meios de comunicação social dedicam largos espaços ao balanço sobre o que aconteceu no ano que agora termina e traçam perspectivas sobre o que se espera para o ano que vai chegar. Por vezes, os jornais transmitem mensagens aos seus leitores, como hoje sucede com o The Standard-Times da cidade de New Bedford, no estado americano de Massachusetts, que se dirige aos seus leitores com uma sugestiva mensagem: Happy New Year
Os jornais portugueses são menos exuberantes e não transmitem mensagens directas aos seus leitores, mas fazem balanços e prognósticos. Porém, o seu balanço tem sido feito na espuma dos dias, pois esquecem quem realmente se destacou, isto é, os cientistas e as autoridades de saúde que souberam manter a epidemia sob controlo e transmitir mensagens de confiança à população, bem como a classe dos enfermeiros que operacionalizou o processo de vacinação. Da mesma forma ignoram aqueles que mantiveram o país a funcionar, nomeadamente os professores e os médicos, os bombeiros e os agricultores, os polícias e os farmacêuticos, bem como aqueles que mantiveram em funcionamento as escolas, os transportes, os supermercados, as farmácias, os hospitais, as livrarias, as fábricas, os serviços da protecção civil e a maioria das actividades económicas e sociais.
Na hora do balanço, tanto os jornais respeitáveis como a imprensa cor-de-rosa portuguesa, tendem a tomar a nuvem por Juno ou confundem a árvore com a floresta. 
Aqui não elegemos factos nem desfactos, nem figuras nem desfiguras. Apenas desejamos um Bom Ano de 2022 a quem nos lê.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Goa e a controversa estátua de Ronaldo

Os portugueses tomaram Goa aos muçulmanos do sultanato de Bijapur em 1510 e durante 451 anos ocuparam aquele território de cerca de 3.700 km2. A ocupação levou a um processo de aculturação que deu origem a uma cultura específica – a cultura indo-portuguesa – com evidências na língua, no modo de vida, nas artes, na religião, na gastronomia e em outros aspectos da vida social goesa. 
Goa era a “joia da coroa” do império português e o berço de gente muito ilustre.
Em 1947 a Índia tornou-se independente do Reino Unido e logo reivindicou o regresso de Goa à mother India, mas o governo português foi intransigente e, em 1961, as tropas, os navios e os aviões indianos invadiram e ocuparam aquele território, assim como Damão e Diu, que conjuntamente constituíam o Estado Português da Índia. O trauma foi enorme, tanto em Portugal como em Goa, onde uma parte dos goeses se considerou “libertada” e outra parte se afirmou “invadida”. Sessenta anos depois, a controvérsia entre libertação e invasão ainda continua, embora menos intensa do que antes. Contudo, permanecem em Goa muitos traços culturais e emocionais de cariz português e os indianos consideram Goa a “Europa da Índia”.
Nesse país que é o segundo mais populoso do mundo, o cricket é o desporto-rei, mas no estado de Goa – um dos 28 estados da Índia – o desporto-rei é o futebol, o que é uma das mais relevantes heranças culturais portuguesas. Foi aí que, na área de Calangute e por iniciativa oficial, foi agora erguida uma estátua de Cristiano Ronaldo para servir de incentivo e inspiração aos jovens futebolistas goeses. Numa terra onde depois de 1961 foram derrubadas as estátuas de Camões e de Afonso de Albuquerque, esta iniciativa de erguer uma estátua a um jogador de futebol português não caiu bem em alguns sectores da sociedade goesa que a consideraram um insulto ou um sacrilégio, enquanto outros sectores consideraram que a estátua de uma figura prestigiosa como Cristiano Ronaldo é mesmo um incentivo aos jovens e um sinal de reconciliação entre o colonizador e o colonizado. 
A iniciativa é realmente controversa embora tenha o meu aplauso. Porém, fico na expectativa quanto ao que irão fazer os fossilizados freedom fighters goeses, useiros e vezeiros em atentar contra tudo o que é português.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

As armas de Portugal continuam em Ceuta

Na edição de hoje do jornal El Pueblo de Ceuta encontra-se uma fotografia de Juan Jesús Vivas Lara, que desde Fevereiro de 2001 é o presidente da Ciudad Autónoma de Ceuta. No segundo plano dessa imagem vêem-se as bandeiras de Ceuta, da Espanha e da União Europeia, destacando-se nas duas primeiras de forma bem visível os brasões de armas de Ceuta e da Espanha, que também são de Portugal e da Espanha.
A presença de um escudo português na bandeira e no brasão de uma cidade autónoma espanhola é uma curiosidade que resulta da História. A cidade situada na margem africana do estreito de Gibraltar foi conquistada pelo rei D. João I de Portugal em Agosto de 1415 e, nessa altura, foi hasteada a bandeira da cidade de Lisboa, gironada de oito peças de negro e prata, que a partir de então simbolizou a posse portuguesa da cidade. Mesmo depois da união dos dos reinos ibéricos verificada em 1580, a cidade continuou a ser administrada pelos portugueses, mas quando Portugal restaurou a sua independência da Espanha em 1640, o povo de Ceuta escolheu a sua integração no reino de Espanha, mas não abdicou da sua bandeira nem do seu brasão que representa as armas do reino de Portugal, tal como se usavam na Idade Média.
Significa, portanto, que a cidade de Ceuta usa a "mesma bandeira" que na manhã do dia 22 de Agosto de 1415 foi hasteada na cidade por D. João Vasques de Almada, cavaleiro e conselheiro do rei D. João I.

A Antártida e as alterações climáticas

A problemática das alterações climáticas e do aquecimento global está na ordem do dia, até porque as catástrofes naturais parece que estão a aumentar, quer em frequência, quer em intensidade. É, certamente, uma das principais preocupações do nosso tempo. Um pouco por todo o planeta sucedem-se ciclones e furacões, cheias e inundações, incêndios e secas extremas de efeitos imprevisíveis e devastadores. A mudança dos padrões climáticos está a afectar a produção de alimentos, a qualidade da vida humana e ameaça a subida do nível das águas do mar. A humanidade enfrenta uma crise climática muito severa mas, como tem sido referido muitas vezes por António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, é uma batalha que podemos vencer, se os líderes políticos e empresariais unirem esforços e se a Economia e a Ciência trabalharem em conjunto.
Na edição de hoje do jornal The New York Times é destacada uma alargada reportagem sobre o aquecimento global do planeta e sobre a Corrente Circumpolar Antárctica, ainda pouco conhecida, mas que se sabe actuar como um potente motor climático que circula em torno da Antártida e que gera uma força fria que tem impedido que o aquecimento global seja ainda maior. Porém, o aquecimento global também está a afectar o oceano Glacial Antártico e o glaciar Thwaites, que é um dos maiores da Antártida e que tem sido considerado muito estável, está a desenvolver fendas que podem acelerar a sua desintegração num prazo de três a cinco anos, o que pode elevar o nível do mar em cerca de meio metro. Daí a preocupação dos cientistas e o seu esforço para conhecer melhor a realidade antártica e as suas influências climáticas.
Durante séculos, os mares do sul eram identificados como a região dos ventos ciclónicos, das enormes tempestades, dos frios intensos e da caça à baleia. Agora os cientistas, estão empenhados como nunca na descoberta dos mares da Antártida e dos seus efeitos climáticos.