Depois de 371 dias no espaço, o astronauta americano de origem salvadorenha Francisco Carlos Rubio, ou simplesmente Frank Rubio, regressou à Terra a bordo da nave espacial russa Soyus MS-23, juntamente com os cosmonautas russos Sergey Prokopyev e Dmitri Petelin. A nave aterrou nas estepes do Kazaquistão depois de ter efectuado 5.963 órbitas à Terra e, na sua edição de ontem, o The Wall Street Journal deu grande destaque a este acontecimento. A missão foi iniciada no dia 21 de Setembro de 2022 a bordo de uma nave russa e estava previsto ter uma duração de seis meses na Estação Espacial Internacional, mas uma avaria provocada por uma colisão com lixo espacial, impediu o regresso da nave. Em Fevereiro de 2023 a NASA e a Roscosmos chegaram a acordo para trazer os astronautas de regresso à Terra, o que aconteceu agora. O inesperado prolongamento desta missão resultou de atrasos na preparação na equipa de substituição constituída pela americana Loral O’Hara e pelos russos Oleg Kononenkop e Nikolai Chub, que chegaram à Estação Espacial Internacional no dia 15 de Setembro. Este imprevisto tornou Frank Rubio no recordista da maior permanência de um americano no espaço, embora o recordista mundial seja o russo Valeri Polyakov que esteve 437 dias seguidos em órbita a bordo da estação espacial Mir, entre Janeiro de 1994 e Março de 1995. Porém, o que é de salientar neste acontecimento é a boa cooperação espacial mantida entre a Rússia e os Estados Unidos, o que nos obriga a pensar nas razões porque não param a guerra na Ucrânia, ou a perguntar que interesses separam estes dois cooperantes espaciais.
sexta-feira, 29 de setembro de 2023
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
O reaparecimento do “legado do medo”
No último texto
que aqui publicamos foi tratado o ex-jornalismo independente e era referida uma comunicação
de massas que produz e reproduz ideologias mascaradas de independência e
neutralidade em relação aos interesses comerciais, políticos e até do próprio Estado.
Os efeitos sociais dos mass media são
intensos e são estudados desde há muitos anos, até existindo a “teoria das
balas mágicas” que afirma que o processo de comunicação de massas é equivalente
ao que se passa numa carreira de tiro, pois bastava atingir o alvo para que
este caísse.
No actual
contexto em que a comunicação social é um negócio, o jornalista deixou de ser
um profissional independente e de valores próprios, para passar a partilhar os
valores do seu patrão ou da sua empresa. Esta realidade tem-se agravado nos últimos
anos e aplica-se à imprensa, à radio e à televisão. Nessa linha de pensamento,
também o iluminado Marshall McLuhan afirmou que a rádio e a televisão estavam a
fazer do nosso planeta uma “aldeia global”. De facto, são bem conhecidos os
efeitos sociais e culturais dos mass
media e, há poucos anos, um jornalista português de referência dizia que “a
televisão vende sabonetes e até vende presidentes da república”.
Quando, na sua
edição de hoje, o Diário de Notícias diz que “40% dos juízes admite que
comunicação social influencia decisões”, confirmamos aquilo que há muito tempo
era uma evidência e ficamos preocupados com os correios da manha e outros
pasquins que, servindo duvidosos valores e princípios, utilizam a difamação, a
inverdade, o sensacionalismo, a violação do segredo de justiça e o “vale tudo”,
para estimular os julgamentos e as condenações na praça pública. Assim se
ressuscita aquilo que os cientistas sociais americanos designam por “legado do
medo”, isto é, o medo dos jornais e das televisões, o medo da difamação e da
propaganda, o medo da suspeita malévola e sem fundamento, o medo das redes sociais, isto é, o medo da comunicação de massas.
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
Os jornais e o ex-jornalismo independente
Os tradicionais meios
de comunicação social ou mass media são
a imprensa, a rádio e a televisão, mas com o aparecimento de novos suportes
como a internet e as redes sociais, a imprensa e a rádio têm perdido influência
no espaço mediático. Dessa forma, esses meios de comunicação têm menos leitores
e menos ouvintes, as suas audiências regridem, as suas receitas publicitárias descem
e as suas equações económicas tornam-se mais difíceis de resolver. Por isso, o
jornalismo e os jornais independentes são cada vez mais raros, sendo os
leitores e os ouvintes confrontados com manipulações e inverdades de toda a
ordem.
No caso dos
jornais – mas não só nos jornais – a sobrevivência “obriga” a que os seus
espaços cedam a lógica noticiosa e informativa, às lógicas da publicidade
comercial e da propaganda política. Assim, para que possam “sobreviver”, os
jornais disponibilizam e vendem cada vez mais o seu espaço para fins não
informativos, deixando de ser suportes com notícias, para se transformarem em plataformas
ao serviço de quem paga para vender produtos, serviços ou ideias. É, evidentemente, o fim do jornalismo independente.
No passado
dia 19 de Setembro a primeira página do The
New York Times era ocupada com um anúncio das malas de alumínio da marca Rimowa e no dia 21 de Setembro o diário
espanhol ABC cedia toda a sua
primeira página para expressar a sua gratidão à Coca-Cola, “por estos 25 años
juntos”. Ontem foi a Folha de S. Paulo
e outros jornais brasileiros, que publicaram em primeira página, um “informe
publicitário” relativo à reunião do G20 do próximo ano no Rio de Janeiro, numa
evidente cedência à propaganda do governo brasileiro.
Nestes casos, o The New York Times, o ABC e a Folha de S. Paulo puderam facturar muitos milhares para equilibrar
a sua tesouraria, mas cada um deles “violou” a sua independência jornalística e abalou a sua credibilidade junto dos seus leitores.
sábado, 23 de setembro de 2023
Macau: património de origem portuguesa
Quando um dos
três jornais de língua portuguesa que se publicam em Macau apresenta com
destaque na sua primeira página, uma fotografia aérea da Fortaleza do Monte, é
caso para os apreciadores do património histórico ficarem agradados, ao por verem
aquela obra de arquitectura militar portuguesa, com os seus quatro baluartes ou
bastiões, que hoje integra a Lista do Património Mundial da UNESCO.
A Fortaleza de
São Paulo do Monte, juntamente com as ruinas jesuítas da igreja de São Paulo, são
os maiores símbolos da história da presença dos portugueses em Macau. Localiza-se
no centro da pequena península de Macau e foi construída por iniciativa dos
Jesuítas que a concluíram em 1617, tendo sido a sua artilharia dirigida por
Lopo Sarmento de Carvalho, que impôs uma pesada derrota aos holandeses da VOC,
quando no dia 24 de Junho de 1622 tentaram ocupar a cidade.
A edição de ontem
do jtm
– Jornal Tribuna de Macau noticia que o Instituto Cultural do governo
de Macau e a Melco Resorts & Entertainment, a concessionária do jogo na Região
Administrativa Especial de Macau, vão desenvolver um projecto de revitalização
das pontes-cais nº 23 e 25 do Porto Interior, construídas em 1948 e 1950. Um
outro projecto que vai avançar é relativo ao reforço da utilização dos espaços
circundantes da Fortaleza do Monte, que já alberga o moderno e magnífico Museu
de Macau, com a finalidade de reordenar e melhorar os espaços periféricos da
fortaleza e da sua plataforma. Esses projectos visam o reforço da atractividade
turística de Macau, mas irão traduzir-se na preservação do património histórico
de origem portuguesa.
sexta-feira, 22 de setembro de 2023
É tempo de repensar a guerra da Ucrânia
O presidente
Volodymyr Zelensky atravessou o Atlântico e levou a efeito uma acção de
relações públicas, talvez a maior desde que começou a guerra na Ucrânia. Esteve
nas Nações Unidas, na Casa Branca e foi ao Canadá, mas as imagens a que tivemos
acesso mostraram um homem e uma comitiva cansados e sem ânimo, repetindo os
mesmos argumentos contra a invasão russa e pedindo sempre mais dinheiro e mais
armas.
A tão anunciada
contraofensiva ucraniana que começou em Junho não tem tido sucesso e os
americanos estão desolados com os seus resultados, apesar de envolver tropas
bem treinadas em vários países ocidentais e ter o apoio de armas ocidentais
modernas. A luta tem sido muito dura, têm sido anunciadas baixas elevadíssimas
e as destruições têm uma dimensão inimaginável. É cada vez mais evidente que
não haverá vencedores, nem vencidos. Todos perdem com esta guerra, sobretudo as
populações. A linha da frente, que tem cerca de mil quilómetros, está quase nas
mesmas posições desde há vários meses e a Ucrânia, segundo revela hoje o jornal
Expresso, apenas terá recuperado
menos de 0,25% do território que a Rússia ocupou até Junho. A própria narrativa
da guerra parece estar a mudar e, exceptuando as indústrias do armamento, há
cada vez mais gente a pedir a paz. Nos Estados Unidos já se duvida do sucesso
ucraniano e fazem-se contas aos custos da guerra. Kevin McCarthy, o speaker da Câmara dos Representantes, já
ousou perguntar se Zelensky irá prestar contas do dinheiro que lhe foi enviado
pelos Estados Unidos, mas também pergunta qual é o seu plano para vencer. O
facto é que a fadiga está a tomar conta de muitos americanos, que já enviaram
75 mil milhões de dólares em auxílio humanitário, financeiro e militar.
Hoje o
prestigiada revista The Economist reflecte as incertezas que alguma propaganda já
não consegue esconder e, com grande destaque escreve: time
for a rethink. Talvez esta mensagem estimule os dirigentes que
querem mais armas e mais guerra, para que repensem as suas posições, numa altura em
que na mesma Europa há a trágica realidade dos migrantes que atravessam o Mediterrâneo e outros problemas sociais e ambientais bem
sérios.
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
Estarão à procura da paz em Nova Iorque?
A Assembleia
Geral das Nações Unidas reuniu em Nova Iorque na passada terça-feira para
iniciar a sua 78ª sessão e, porque a instabilidade mundial é grande, juntou
muitos líderes mundiais que quiseram estar presentes para discutir a guerra na
Ucrânia e as suas consequências a nível mundial, mas também a emergência
climática, o aumento da insegurança alimentar, a erosão da democracia e dos
direitos humanos, o terrorismo e as ciber-ameaças. O jornal The New York Times deu
alargada notícia deste acontecimento.
O secretário-geral António Guterres, mas
também Joe Biden e Volodymyr Zelensky, criticaram aberta e duramente a
Federação Russa pela situação que se vive na Ucrânia, enquanto Luiz Inácio Lula
da Silva defendeu que tanto a Rússia como a Ucrânia têm responsabilidades no
conflito. Lula da Silva é importante e falou com Biden e com Zelensky, porque
sabe que em todas as guerras os bons não estão só de um lado e os maus do
outro. De passagem por Nova Iorque, Marcelo Rebelo de Sousa esteve lá com os grandes e afirmou-se ao
lado do povo ucraniano, do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.
No dia seguinte
reuniu o Conselho de Segurança para discutir a situação na Ucrânia e Marcelo
Rebelo de Sousa também lá esteve a desejar um “roteiro de paz justo”, que dê
origem a um “cessar-fogo imediato e duradouro”, mostrando-se preocupado com a
situação humanitária na Ucrânia, isto é, disse em Nova Iorque coisas diferentes
do que dissera em Kyev há 15 dias. Porém, todos se concentraram em Volodymyr
Zelensky e em Sergey Lavrov, que estiveram frente a frente, mas não se falaram.
Utilizaram linguagens muito agressivas e acusaram-se mutuamente. Talvez essa
agressividade seja o prenúncio de que algo de esperançoso possa estar para
acontecer. Nestas reuniões, contam mais os encontros bilaterais que se vão
fazendo com discrição e realismo. Fechem-se numa sala como se faz nos conclaves papais em Roma, até que haja fumo branco. Quem sabe se, com russos e ucranianos em Nova Iorque, não estão a ser
negociadas soluções que conduzam a um rápido fim da guerra como desejam as
pessoas de bom senso e o mundo reclama?
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
La Vuelta 23 terminou. Viva La Vuelta 24!
A Volta à Espanha
em bicicleta, ou simplesmente La Vuelta,
que é uma das três grandes provas por etapas do calendário ciclista internacional,
terminou ontem em Madrid com a vitória do ciclista americano Sepp Kuss, ficando
nos lugares imediatos o dinamarquês Jonas Vingegaard e o esloveno Primoz Roglic.
Pela primeira vez na centenária história do ciclismo, as três grandes voltas – Giro d’Italia, Tour de France e La Vuelta
– foram ganhas por três ciclistas da mesma equipa, neste caso a holandesa
Jumbo-Visma, pois Roglic ganhou em Itália, Vingegaard ganhou em França e Kuss
ganhou em Espanha. O jornal desportivo as destacou esse feito desportivo
com o título “Jumbo al cielo”, a mostrar que o domínio daquela equipa em La Vuelta 23 foi absolutamente
avassalador, com aqueles três ciclistas nos três primeiros lugares.
Os portugueses
cumpriram os mínimos, pois João Almeida ficou em 9º da classificação geral, Rui
Costa ganhou a 15ª etapa disputada entre Pamplona e Lekunberri e outros três
ciclistas portugueses concluíram a corrida.
As transmissões
televisivas da Eurosport foram
espectaculares, tanto no plano desportivo, como no plano turístico-cultural. As
imagens captadas de helicóptero ou por drones,
permitem que o espectador acompanhe a corrida como se fosse uma “visita guiada”
ao país que um professor dizia ser “o maior museu ao ar livre da Europa”,
mostrando o património e a paisagem, os castelos e os palácios, as igrejas e os
conventos, os rios e as pontes, as montanhas e os vales, os bosques e as
searas.
Consta que La Vuelta 24 partirá de Lisboa e terá
duas etapas em Portugal. Se assim for, vai ser uma grande festa popular.
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
As alianças e os interesses na Geopolítica
O negócio do
armamento é um importante sector da economia de alguns países e, segundo
revelou o Sipri – Stockholm International Peace Reserarch Institute, há cinco países que controlam três quartos do mercado mundial da venda de armas: Estados
Unidos, Rússia, França, Alemanha e China. A produção e a venda de armamento é
essencial para as suas economias, incluindo o emprego e a balança de pagamentos. Por isso, eles competem entre si
pela conquista dos mercados mundiais, que se localizam sobretudo no Médio
Oriente, que é o principal destino da produção de armamento, mas também em países como a Índia, o Paquistão, a Arábia Saudita, a Coreia do Sul e alguns outros. Este quadro exportador também se relaciona
com as necessidades próprias de cada um dos nove estados que dispõem de
armamento nuclear – Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia,
Paquistão, Israel e Coreia do Norte – que continuam a reforçar os seus arsenais
nucleares e convencionais. Pode mesmo afirmar-se que, todos estes países
concorrem entre si e mostram que os egoísmos e os seus interesses nacionais se
sobrepõem às alianças e às solidariedades, havendo algumas teorias que defendem
que as guerras são uma necessidade para alimentar este sistema.
Hoje, o jornal
francês Le Télégramme recorda a “traição” australiana anunciada no dia
15 de Setembro de 2021, exactamente há dois anos, quando aquele país, contra
todas as expectativas das relações comerciais internacionais, decidiu anular o “contrato
do século” relativo à encomenda de doze submarinos que seriam construídos pela
França. Essa construção resultara de um concurso internacional que os franceses
ganharam em 2016, mas os interesses de um acordo de cooperação militar
denominado Aukus, assinado pela Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, traiu
a França e a economia francesa. Para os franceses foi uma traição de "amigos e aliados" e “uma
facada nas costas”, enquanto o primeiro-ministro Scott Morrison é acusado de ter
feito jogo duplo e de ser desonesto. Egoísmos fortes e alianças fracas.
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
As imensas preocupações do nosso tempo
A frequência com
que se vão realizando cimeiras de alto nível e se vão afirmando solidariedades
no mundo contemporâneo é muito preocupante, apesar das continuadas
manifestações de vontade de cooperação económica e de redução das tensões
internacionais.
Os últimos meses têm acentuado essas preocupações e muita gente
teme as políticas armamentistas que estão em curso por toda a parte. Poucos
falam de paz, de cooperação, de desenvolvimento, da resolução dos problemas
da fome e da doença. Ouvem-se os comentadores televisivos e parece que o futuro da
Humanidade passa pela confrontação, o que exige que cada um se arme até aos
dentes. Um dos mais evidentes sinais desta situação são as recentes reuniões da
NATO em Vilnius, a cimeira dos BRICS em Joanesburgo, ou o encontro dos países
do G20, mas também muitas outras cimeiras que se realizaram nos últimos meses
para fazer negócios, sobretudo a venda de aviões, de mísseis e de outros
armamentos, mas principalmente para procurar firmar alianças e afirmar
solidariedades.
A lista é muito extensa. Emmanuel Macron e Ursula von der Leyen visitaram a China, enquanto Narendra Modi foi recebido em festa em Washington e Paris. Xi Jinping visitou Moscovo e recebeu meio mundo em Pequim, incluindo Lula da Silva, Nicolas Maduro e Antony Blinken. Recep Tayyp Erdogan esteve na Arábia Saudita, no Qatar e nos Emirados, falando com Moscovo e com Kiev, enquanto Joe Biden esteve em Londres, em Bruxelas, em Vilnius e se prepara para ir ao Vietnam. Ontem Vladimir Putin encontrou-se com Kim Jong-un e a imprensa mundial, designadamente o londrino The Times, registou essa nova aliança entre dois líderes e dois regimes dispondo de armamento nuclear. Se havia quem se preocupasse com tanta "contagem de espingardas", a aliança entre estes dois dirigentes é um motivo adicional de preocupação para o mundo.
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
Até na América há líderes de pés de barro
O mundo anda
muito agitado devido às lutas pelo poder mundial e às consequentes guerras
ditas de “estratégia indirecta”, a que se juntam as alterações climáticas, as
catástrofes naturais, os desequilíbrios regionais, as crises económicas e
sanitárias, a pobreza, a fome e o subdesenvolvimento. A harmonia e a cooperação
internacionais são ameaçadas demasiadas vezes e, utilizando a linguagem
matemática, podemos afirmar que a paz não é um parâmetro, mas é cada vez mais
uma variável.
Provavelmente,
uma das causas de toda a agitação mundial que nos ameaça, é a falta de estatura
moral de muitos líderes que, embora escolhidos democraticamente, resultam
muitas vezes de criações mediáticas inspiradas em processos de propaganda, de marketing e de publicidade que, como
todos sabemos, têm muito sensacionalismo e muita inverdade. Porém, acontece que
os políticos “criados” pela comunicação social, também são “difamados” e
“acusados” pela mesma comunicação social. São líderes de pés de berro. A
fórmula mais eficaz para os abater é a acusação de corrupção, falsa ou
verdadeira. São conhecidos os problemas por que passaram, justa ou
injustamente, Silvio Berlusconi, Nicolas Sarkozy, Mariano Rajoy, Vladimir
Putin, Lula da Silva, Dilma Rousseff ou Jair Bolsonaro, entre muitos outros
líderes políticos, muitas vezes acusados de práticas corruptas e quase sempre
vítimas das conjuras dos seus adversários políticos.
A luta pelo poder
nos regimes democráticos incorporou nos últimos anos a difamação e a acusação
de adversários políticos.
O caso mais recente acontece com o presidente Joe
Biden, como hoje destaca o New York Post e outros jornais
americanos: Kevin McCarthy, o presidente da Câmara dos Representantes que é
dominada pelo Partido Republicano, ordenou ontem um inquérito de impeachment visando a destituição do
presidente dos Estados Unidos, por eventual envolvimento nos negócios do seu
filho Hunter Biden, na Ucrânia e em outros países.
A luta política tem cada vez
menos regras e joga no “vale tudo”, mas acentua-se quando a estatura moral dos
líderes está comprometida com outros interesses que não sejam os dos povos por
que deviam zelar.
terça-feira, 12 de setembro de 2023
A noite dos artistas aconteceu no Algarve
Foi uma noite de
festa para os portugueses que gostam do futebol e apreciam a qualidade
artística dos executantes que fazem aquele espectáculo, sem olhar à cor das suas
camisolas. A selecção nacional nunca vencera um desafio por nove golos sem
resposta e, por isso, o resultado de ontem à noite no Estádio do Algarve contra
o Luxemburgo fica registado no historial do futebol português. Foi a noite dos
artistas. Nunca se vira um resultado destes em 102 anos de história da selecção
nacional.
O jornal A Bola destacou a palavra “perfeito” para caracterizar uma
excepcional exibição colectiva em que todos os jogadores brilharam e se
sentiram apoiados pelo público algarvio. Provavelmente foi uma noite futebolística inesquecível.
O Luxemburgo é um
pequeno país que é muito rico mas que não pertence à elite do futebol mundial e
“pagou as favas”. A equipa luxemburguesa teve que defrontar uma equipa em que
se destacam jogadores cujas credenciais são temíveis, pois jogam no Manchester
City, no Manchester United, no Liverpool, no Paris Saint-Germain, no Milan ou
no Barcelona. Quem não se assusta com esta gente? Os nove golos foram marcados por seis diferentes jogadores e, na
defesa, não há golos sofridos exactamente há seis jogos.
Num tempo de
tantas incertezas e de tantas interrogações, umas internas e outras
internacionais, estes sucessos futebolísticos servem para animar o nosso povo e
colocar a autoestima lusitana num plano mais elevado.
Evocando a coragem de Salvador Allende
Passaram ontem 50
anos sobre o golpe de estado que levou à morte de Salvador Allende, o
presidente da República do Chile que fora eleito em eleições livres, a que se
seguiu uma feroz ditadura militar encabeçada pelo general Augusto Pinochet. A
perseguição feita aos democratas chilenos provocou milhares de mortos,
desaparecidos e exilados, o que fez da ditadura chilena uma das mais
sanguinárias da história moderna.
Pinochet quis eternizar-se no poder mas essa
intenção foi rejeitada pelo povo chileno num referendo nacional que em 1990 abriu as portas à restauração
da democracia, embora só em 2006, depois da morte do ditador, é que a
democracia chilena de facto regressou ao país.
Por razões
diversas, sobretudo de natureza económica, mas também porque muitas organizações chilenas de direitos humanos continuam a reivindicar "verdade e justiça", as “evocações dos 50 anos do golpe”
foram este ano mais polarizadas do que nunca.
Porém, muitos
jornais sul-americanos evocaram a memória e lembraram a coragem de Salvador Allende nas
suas edições de ontem. O diário colombiano El Espectador publicou uma destacada homenagem
a Salvador Allende e aos milhares de vítimas de golpe de 11 de Setembro de
1973, com uma das mais expressivas imagens daquele dia, que mostra os soldados às
ordens dos generais chilenos a cercarem o Palácio de La Moneda em Santiago do
Chile, de onde irrompiam chamas provocadas pelos ataques da aviação chilena.
O país de Pablo
Neruda tem actualmente como presidente Gabriel Boric, um político de 36 anos de
idade, cuja linha política é semelhante à de Salvador Allende, um homem cuja coragem foi registada no filme "Chove em Santiago" e que permanece como um símbolo no imaginário dos democratas do mundo inteiro.
domingo, 10 de setembro de 2023
As lições da tragédia de Marraquexe
O forte terramoto
de 6,9 graus de magnitude que aconteceu na noite de sexta-feira em Marrocos
teve a dimensão de uma grande tragédia, pois provocou mais de dois mil mortos e
uma enorme destruição, sobretudo na área da cidade histórica de Marraquexe, que
está classificada pela Unesco como património mundial. A imprensa mundial
destaca hoje esse trágico acontecimento com a mesma fotografia, em que uma
desesperada moradora da cidade chora a sua desgraça entre as ruínas.
Nos últimos
tempos o número de grandes catástrofes naturais tem aumentado, por razões
diversas, mas sobretudo devido às alterações climáticas e ao egoísmo das nações.
As comunidades e os seres humanos estão a ser vítimas de incêndios florestais e
de ciclones devastadores, de inundações e de sismos, mas também de secas
extremas e do progressivo degelo polar. As Nações Unidas, sobretudo pela voz de
António Guterres, têm denunciado a apatia geral dos líderes mundiais perante
esta ameaça global e esta hecatombe, que se aproxima mais depressa do que
tínhamos pensado. Porém, a generalidade dos líderes que nos governam parece
pensar em mais armas, mais munições e mais aviões para a guerra da Ucrânia, e
menos na solução dos problemas ambientais do mundo. Na recente visita que fez a
Kiev, o nosso presidente da República apoiou a continuação da guerra com grande
entusiasmo, parecendo ignorar que as guerras só aproveitam aos fabricantes de
armamento, aos especuladores de alimentos e aos produtores de energia, mas que
afectam seriamente a economia, a qualidade de vida e a confiança no futuro da
Humanidade.
A tragédia que
nas últimas horas se abateu sobre os nossos vizinhos de Marrocos é apenas mais
um sinal, mas também uma lição, a aconselhar que pensemos mais e melhor quanto ao
futuro do nosso planeta.
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS,
Economia,
Internacional,
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sábado, 9 de setembro de 2023
Há quem goste ou não goste de veleiros
Depois de ter
passado por Lisboa, onde lamentavelmente ninguém lhe ligou, a Gran Regata ou a Tall Ships Race 2023, chegou a Cádiz. A cidade gaditana soube
honrar a sua origem fenícia e a sua ligação ao mar, organizando um vasto
programa de apoio às tripulações dos veleiros, ao mesmo tempo que a visita
também está a ser um grande acontecimento cultural, como se pode verificar pela
enorme cobertura que o evento está a ter por parte da comunicação social da
cidade e pela diversidade de iniciativas, destinadas sobretudo à juventude.
Ontem, realizou-se um grande desfile das tripulações pelas ruas do centro da
cidade e La Voz de Cádiz destacou-o na sua primeira página com uma
fotografia em que se pode observar a delegação do navio-escola Sagres a desfilar, com uma enorme bandeira nacional a ser transportada por jovens cadetes da Escola Naval.
Além da nossa Sagres, os jornais de Cádiz destacaram a presença dos
veleiros mexicano Cuauhtémoc e do
polaco Dar Mlodziezy, que classificou
como "imponentes". Em Portugal, com
a cidade de Lisboa provavelmente cansada pelo seu recente envolvimento com a
JMJ, a presença da Gran Regata não
interessou a comunicação social, muito mais interessada em saber o que se
passou no Conselho de Estado, nas transferências dos futebolistas e até no ridículo
caso Rubiales. Como aqui já tínhamos referido, toda esta mediocridade nos dói.
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
Evocando a independência do Brasil
Ontem, que foi dia 7 de Setembro,
comemorou-se a histórica e simbólica efeméride ocorrida nesse dia do ano de
1822 nas margens do rio Ipiranga, no actual estado brasileitro de São Paulo,
quando o príncipe-regente D. Pedro de Alcântara e Bragança assumiu a
responsabilidade pela separação do reino do Brasil do reino de Portugal e gritou:
Independência ou morte!
Viviam-se então tempos
difíceis, tanto em Portugal como no Brasil. O rei D. João VI, bem como a Família
Real, tinha regressado a Portugal em 1821 e nomeara o seu filho mais velho como
príncipe-regente do Brasil, numa altura em que os territórios da América espanhola
reivindicavam e lutavam pela sua independência, sob a inspiração de Simón
Bolivar. A ausência do rei desgostava os brasileiros, enquanto em Lisboa se
considerava que o príncipe-regente era “um mancebo ambicioso e alucinado”.
A declaração de
independência acelerou os preparativos para resistir à esperada reacção
portuguesa e, no dia 12 de outubro de 1822, data em que celebrava 24 anos de
idade, dos quais passara quinze no Brasil, o príncipe-regente foi aclamado como
D. Pedro I, Imperador do Brasil. Começou então a
guerra em todo o território brasileiro e só a Marinha Imperial poderia defender
a independência do Brasil e manter a unidade do vasto território nacional. Porém, enquanto as províncias do
Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo aderiram à proclamação do príncipe-regente,
a generalidade das unidades militares portuguesas
permaneceram fiéis ao seu rei e ao seu governo, resistindo à onda
independentista, sobretudo nas províncias da Cisplatina (Montevideu), Bahia
(Salvador), Maranhão (S. Luís) e Pará (Belém).
A guerra durou até
Agosto de 1825 quando Portugal
reconheceu formalmente a independência do Brasil. O jornal O Imparcial que se
publica em São Luís, a capital do Estado do Maranhão, lembrou na sua edição de
ontem que “o grito do Ipiranga não ecoou no Maranhão”.
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