Ao fim de cerca de 30 meses de
governação, começa a ser altura de dizer que o rei vai nu e que, no nosso país,
tudo ou quase tudo está muito pior do que estava em Maio de 2011, porque o desemprego
aumentou, o défice não diminuiu, a dívida agravou-se, as famílias empobreceram,
os jovens estão a emigrar, o pequeno comércio faliu e não há investimento. Vivemos
bem pior, embora o número de multimilionários tenha aumentado mais de 10% num
só ano, mas isso nem sequer envergonha quem nos governa. Os nossos governantes –
o “bando de meninos”, como lhes chamou António Lobo Antunes – deixaram-se
humilhar pelos diktats da troika, levados pela sua impreparação, incompetência,
ignorância, deslumbramento, irresponsabilidade e fanatismo ideológico. Isso tem
sido a nossa desgraça, que o novo-riquismo de Barroso e Constâncio, que são a
projecção internacional deste tipo de gente, tanto têm apoiado. O ataque ao
Estado social é permanente e a nossa sociedade está decadente e vive
amedrontada, pois não se vê uma estratégia nem um rumo para sair deste
atoleiro. Eles não previram a recessão, nem são capazes de sair dela. Em vez de
atacarem as causas do excesso da despesa que são as PPP, os juros especulativos que nos impõem, as rendas excessivas
do sector da energia ou a proliferação de institutos públicos e empresas
municipais, atiram-se aos pensionistas e aos funcionários públicos, com medidas
socialmente inaceitáveis. Não toleram o Tribunal Constitucional nem quem lhes
modere os apetites. Mentem descaradamente e têm medo de andar na rua. Esperava-se que os nossos eleitos defendessem os portugueses, mas revelam uma
insensibilidade gritante e ofendem os seus legítimos direitos. Estão ao lado dos especuladores e não são capazes de mobilizar o país.
E, no meio desta quase tragédia que tem sido esta governação Passos-Portas ou
Portas-Passos, ainda há quem diga que “vamos no bom caminho”, ao mesmo tempo que se
ouvem os aplausos ou os silêncios do palácio de Belém...
terça-feira, 12 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
A catástrofe que passou pelas Filipinas
O tufão Haiyan passou pelas Filipinas provocando
uma catástrofe traduzida num número estimado de dez mil mortos e num brutal rasto
de destruição material, embora o balanço final ainda esteja por fazer. Baptizado
localmente como Yolanda, o tufão parece
ter sido a maior tempestade tropical alguma vez gerada no nosso planeta, pelo
menos desde que há registos, tendo os ventos atingido velocidades superiores a 370
km por hora e as ondas superado os 15 metros de altura. As chuvas torrenciais e
os ventos ciclónicos geraram o caos nas províncias do sul do país. Milhares de
casas foram destruidas e muitas aldeias foram literalmente varridas. A
electricidade e as comunicações foram cortadas. Segundo relata a edição do Manila
Standard Today, a cidade de Tacloban, na província de Leyte, “foi
totalmente destruida” e há centenas de cadáveres espalhados pelas ruas,
verificando-se muitas acções de pilhagem nos supermercados e nos centros
comerciais desta cidade de 200 mil habitantes, em busca de comida, arroz, leite
e outros bens alimentares. Embora o arquipélago das Filipinas seja uma região
em que frequentemente ocorrem vários tipos de calamidades naturais, incluindo
terramotos, tsunamis e tufões, nenhuma delas foi tão grave quanto o tufão Haiyan.
Nestas
emergências é habitual mobilizar-se a ajuda e a solidariedade internacionais e,
por isso, há diversos países e organizações humanitárias que estão a caminho
das Filipinas, pois estima-se que haja 3 ou 4 milhões de desalojados, muitos
deles isolados e desesperados, sem assistência médica nem comida, nem
electricidade nem nada. Uma calamidade.
domingo, 10 de novembro de 2013
A Venezuela é uma fábrica de "misses"
A Venezuela está a enfrentar uma grave crise
económica e social, com uma inflação que já vai nos 48% e com a falta de muitos
produtos básicos nos seus circuitos comerciais, daí resultando a progressiva
deterioração do seu tecido social e da tranquilidade pública. O controverso Presidente
Nicolás Maduro, que há poucos meses sucedeu a Hugo Chávez, tem procurado travar
a degradação da qualidade de vida dos venezuelanos, não só através da
importação de bens alimentares e de higiene, mas também pela adopção de medidas
políticas de características emocionais. Há dias decretou o dia 1 de Novembro
como o dia da chegada do Natal para que a felicidade chegue ao povo mais cedo e
para que seja criado um ambiente de festa que pacifique o país e que derrote a
amargura. Nesse sentido, até criou a Secretaria de Estado da Suprema Felicidade
Social, encarregada da gestão de todas as actividades relativas aos projectos
sociais desenvolvidos pelo governo.
Até que ontem, no Crocus City Hall em Moscovo, a venezuelana Maria Gabriela Isler foi consagrada como Miss Universo e, de repente, o país passou da amargura à euforia, até porque na Venezuela os concursos de beleza são um motivo de orgulho nacional e foi a sétima vez que uma representante venezuelana venceu o concurso. Por isso, o país é considerado uma "fábrica de misses", porque em 62 anos de história deste concurso, só os Estados Unidos conseguiram mais vitórias (oito). Nicolás Maduro já congratulou a vencedora e o país entrou em verdadeira euforia, com todos os jornais venezuelanos a apresentar a fotografia de Maria Gabriela Isler e a destacar a notícia. Eis, assim, como uma só miss pode animar tanta gente!
Até que ontem, no Crocus City Hall em Moscovo, a venezuelana Maria Gabriela Isler foi consagrada como Miss Universo e, de repente, o país passou da amargura à euforia, até porque na Venezuela os concursos de beleza são um motivo de orgulho nacional e foi a sétima vez que uma representante venezuelana venceu o concurso. Por isso, o país é considerado uma "fábrica de misses", porque em 62 anos de história deste concurso, só os Estados Unidos conseguiram mais vitórias (oito). Nicolás Maduro já congratulou a vencedora e o país entrou em verdadeira euforia, com todos os jornais venezuelanos a apresentar a fotografia de Maria Gabriela Isler e a destacar a notícia. Eis, assim, como uma só miss pode animar tanta gente!
Espanha também é vítima do aparelhismo
Na generalidade
dos países democráticos, os vencedores das eleições instalam-se no aparelho de Estado por direito próprio, mas criaram o hábito de levar consigo uma multidão de correlegionários e de amigos para
ocupar os chamados lugares de confiança. É que existem lugares para todos, desde
que pertençam ao partido. É um prémio de militância. Um emprego dos bons.
Em Portugal tem sido assim e os gabinetes ministeriais e as direcções gerais enchem-se de assessores e de técnicos, as empresas públicas renovam-se de administradores e directores, as autarquias e as empresas municipais dão emprego a quem faz parte ou apoiou o partido e, quando necessário, criam-se comissões, institutos e fundações. Esta gente gasta rios de dinheiro. Sempre que se altera o ciclo político é um fartote indiscritível de tacharia que, em elevado grau, também tem sido responsável pelo descalabro das nossas finanças públicas. Em Espanha passa-se o mesmo fenómeno e talvez em grau mais absurdo, pois segundo revela hoje a edição do El Mundo, os partidos políticos dão emprego directo ou indirecto a 145 mil espanhóis. É um número espantoso. São verdadeiras “fábricas de emprego” que vivem dos dinheiros públicos, refere o jornal. Pagam salários a muita gente, onde se incluem os membros do governo, os deputados das 19 câmaras representativas existentes e os 8116 autarcas, muitos deles isentos de obrigações fiscais. Desde que começou a crise, esse número passou de 27.600 para 39.500, a mostrar que os sacrifícios não são para os políticos. Porém, a estes números há que juntar mais 20 mil assessores contratados a dedo como pessoal de confiança (sendo que a sua maior parte são “familiares dos políticos” e membros dos partidos), para além de muitas outras ocupações que o El Mundo destaca e que totalizam 145 mil empregos! Eu julgava que éramos vítimas do nosso aparelhismo que faz deputados, assessores, técnicos especialistas e até secretários de Estado com 20 anos de idade, mas afinal em Espanha ainda parece ser pior.
Em Portugal tem sido assim e os gabinetes ministeriais e as direcções gerais enchem-se de assessores e de técnicos, as empresas públicas renovam-se de administradores e directores, as autarquias e as empresas municipais dão emprego a quem faz parte ou apoiou o partido e, quando necessário, criam-se comissões, institutos e fundações. Esta gente gasta rios de dinheiro. Sempre que se altera o ciclo político é um fartote indiscritível de tacharia que, em elevado grau, também tem sido responsável pelo descalabro das nossas finanças públicas. Em Espanha passa-se o mesmo fenómeno e talvez em grau mais absurdo, pois segundo revela hoje a edição do El Mundo, os partidos políticos dão emprego directo ou indirecto a 145 mil espanhóis. É um número espantoso. São verdadeiras “fábricas de emprego” que vivem dos dinheiros públicos, refere o jornal. Pagam salários a muita gente, onde se incluem os membros do governo, os deputados das 19 câmaras representativas existentes e os 8116 autarcas, muitos deles isentos de obrigações fiscais. Desde que começou a crise, esse número passou de 27.600 para 39.500, a mostrar que os sacrifícios não são para os políticos. Porém, a estes números há que juntar mais 20 mil assessores contratados a dedo como pessoal de confiança (sendo que a sua maior parte são “familiares dos políticos” e membros dos partidos), para além de muitas outras ocupações que o El Mundo destaca e que totalizam 145 mil empregos! Eu julgava que éramos vítimas do nosso aparelhismo que faz deputados, assessores, técnicos especialistas e até secretários de Estado com 20 anos de idade, mas afinal em Espanha ainda parece ser pior.
sábado, 9 de novembro de 2013
Um caso raro de prestígio reconhecido
Exceptuando as
gentes do mundo do futebol e, em especial, os casos de Cristiano Ronaldo e José
Mourinho, só em raríssimos casos a imprensa internacional tem destacado
acontecimentos ou personalidades portuguesas nas suas primeiras páginas. Ontem,
aconteceu isso, quando o novo Presidente da Câmara Municipal do Porto foi
notícia na primeira página da edição internacional do diário norte-americano The
New York Times, que é um dos mais influentes jornais mundiais. É um
caso absolutamente raro, provavelmente único nos últimos anos. O jornal destaca
a vitória de Rui Moreira nas eleições autárquicas de 29 de Setembro, a que se
apresentou como candidato independente e sem o apoio de máquinas partidárias,
tendo conseguido um resultado praticamente sem precedentes em Portugal e em
quase toda a Europa ocidental: ser eleito Presidente da Câmara de uma grande
cidade, sem pertencer a um partido político e a criticar o aparelhismo dos partidos políticos.
O jornal aponta
Rui Moreira como um factor de esperança democrática em Portugal e até no espaço político
europeu, onde os partidos políticos tradicionais estão a ser vistos com cada
vez mais indiferença pelos eleitores que os associam à corrupção, ao desemprego
e às políticas de austeridade, salientando a sua posição sobre a
crise económica e a crise de liderança e de ideais que se vive na Europa, onde
os partidos populistas ou fascisantes tendem a afirmar-se na Grécia, na Itália,
na França e na Grã-Bretanha. Além disso, o jornal salienta que Rui Moreira
rejeita os vícios do aparelhismo e
defende que o nosso país precisava de um programa de ajustamento, mas considera
que "o que aconteceu em Portugal foi uma overdose" de austeridade. Este
homem é diferente e pode ser uma janela de oportunidade neste lusitano imbróglio.
Foi isso que o The New York Times percebeu e destacou.
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Política
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Ele vive abaixo das suas possibilidades
Chama-se São
Pedro do Rio Seco o local onde veio ao mundo quando a segunda guerra mundial já
tinha terminado há alguns meses e eram altas as expectativas quanto aos tempos
de paz que se aproximavam. O rapaz cresceu e estudou. Foi um aluno de excepção na
Faculdade de Ciências e cumpriu o serviço militar na Marinha. Homem discreto,
atento e inteligente, decidiu-se por uma carreira empresarial que teve muito
sucesso, mas porque é solidário e generoso, não esqueceu as suas origens e tem
dado o seu contributo para a valorização do seu torrão natal.
Atento observador
do mundo e verdadeiro filósofo da sociedade contemporânea, juntou as suas
regulares crónicas da blogosfera e publicou-as como “O Mundo em transição – Reflexões sobre crescimento, população,
poluição e recursos naturais”. É um livro notável, escrito por um homem que
sabe e que pensa, o que começa a ser raro no panorama editorial português.
A propósito dessa
iniciativa, ontem juntou muitos amigos, figuras da cultura e da comunicação
social, conterrâneos e colegas, jornalistas e companheiros de armas. Foi um
notável acontecimento social e cultural, proporcionado por um homem notável que
tem sabido viver “abaixo das suas possibilidades”. Foi na rua Ivens, ali ao Chiado,
nas instalações do Grémio Literário, o clube criado em 1846 e que teve
Alexandre Herculano como seu sócio nº 1. Tive o grato prazer de estar com o
L.Q., que conheço e admiro desde há 45 anos.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
O insulto afasta o desejável consenso
Nas últimas semanas têm sido produzidas algumas
afirmações de precipitado optimismo, com base em dois indicadores que
registaram uma evolução positiva: o produto cresceu 1,1% no segundo
trimestre de 2013 face ao trimestre anterior e, em Setembro, a taxa de desemprego situou-se nos 16,3%, ligeiramente
abaixo dos 16,5% registados em Agosto. Estes indicadores trouxeram algum ânimo
aos nossos dirigentes. Assim, há um mês atrás, numa entrevista
concedida a um jornal sueco, o Presidente da República afirmou que “Portugal já
saiu da recessão e apresenta o maior crescimento da Europa”. Depois, o ministro
Portas passou a falar em “sinais positivos”, dizendo que “a economia começa a dar sinais de
recuperação”, que "é possível que Portugal esteja a poucas
semanas de saber oficialmente que saiu de uma recessão técnica” e que “em Junho de 2014 podemos viver uma espécie
de 1640 financeiro”. O ministro Lima, apesar de ser mais comedido e mais conhecedor do que o
seu pupilo, foi na onda e falou em “milagre económico”. Infelizmente
a realidade é outra e só a sazonalidade e a maciça emigração sustentaram
aqueles sinais. Poucos acreditam que, com este tipo de austeridade, os desejos
de retoma se transformem em realidade, com excepção dos que se sentam na primeira fila das bancadas
parlamentares dos partidos da maioria, eventualmente à espera de uma qualquer
promoção. Esses aplaudem em delírio. E é esta rapaziada que, perante o ultimato
da troika a exigir um compromisso
político com a oposição, adopta um intolerável discurso – agressivo,
provocatório e insultuoso – que nos chega a casa através das emissões em
directo do canal Parlamento. Não é de agora, mas nos últimos tempos o insulto
quase tem feito parte da ordem de trabalhos. Assim, nunca haverá consenso, nem
o desejável compromisso de que o país carece. Assim, só novas eleições (e
outros deputados mais maduros e menos panfletários) poderão resolver este imbróglio.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
O farol da Barra: património e memória
A edição de hoje
do jornal Correio que se publica na cidade de Salvador, a capital do
Estado da Bahia, dedica a sua primeira página ao arranjo paisagístico que vai
enquadrar o forte e o farol da Barra, que se localizam à entrada do porto de Salvador,
na Bahia de Todos-os-Santos. Este farol foi o primeiro farol do Brasil e,
também, de todo o continente americano.
Em finais do século XVII aquela baía
era um dos mais frequentados portos do Brasil colonial e, quando em 1696 se
iniciou a reedificação do forte de Santo António da Barra, que fica à entrada
do porto, foi instalado no seu interior um farol constituído por um torreão
quadrangular encimado por uma lanterna de bronze, envidraçada e alimentada a
óleo de baleia. Essa instalação começou a funcionar em 1698, passando a ser
chamada como Vigia da Barra ou farol da Barra. O farol da Barra é, portanto, o
pioneiro dos faróis do continente americano, até porque o mais antigo farol dos
Estados Unidos só foi construído em 1716 em Little Brewster Island, à entrada
do porto de Boston.
O arranjo
paisagístico que enquadra o farol é um bom serviço prestado à preservação do
património histórico brasileiro, mas é também uma boa memória do passado
português do Brasil.
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SÍTIOS COM HISTÓRIA
Um rapazote convencido e deslumbrado
Na sua
itinerância por tudo o que lhe cheire a mordomia, influência e poder, mas
também na sua ânsia de tocar todos os instrumentos e de ao mesmo tempo dirigir
a orquestra, a personagem deslumbra-se. É um atrevido. Andou pela Defesa e para além de ter
fotocopiado tudo, deslumbrou-se com generais e almirantes a prestarem-lhe
vassalagem; passou pelos Negócios Estrangeiros e para além de não ter parado em
passeatas pelo mundo inteiro, espumou de felicidade com a subserviência dos
diplomatas. Depois, no passado mês de Julho protagonizou um
verdadeiro golpe de Estado que nos custou milhões com a subida de juros que
provocou, mas viu o seu protagonismo e o seu poder
aumentarem na hierarquia do Estado. Numa demonstração de grande carácter, em
poucas horas deixou de ser irrevogável. O outro vergou-se e este sucesso
subiu-lhe à cabeça. Certamente, deve ter exclamado: “Mãe, sou um estadista, olha-me
o talento”. Então, a personagem passou a estar em todas e a apresentar-se como
um poderoso e como um deslumbrado – na relação com troika, na coordenação do orçamento, no guião para a reforma do
Estado e na promoção do investimento e das exportações. Assim, lá foi para mais
uma viagem até ao Oriente. Vendeu fruta. Que fruta? Vendeu arroz. Que arroz?
Que pouca vergonha!
A edição de hoje do jornal Macau hoje conta como
numa recepção à comunidade portuguesa de Macau chegou com duas horas de atraso,
pelo que metade dos convidados já se tinha ido embora. E nem sequer pediu
desculpa. “Inenarrável”, diz o jornal. Acham que é com espertalhões destes que
sairemos deste buraco em que nos afundamos dia após dia?
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A França começa a rejeitar a austeridade
A crise económica
está a alastrar do sul da Europa para o norte e chegou à Bretanha. A Bretanha é uma das
22 regiões administrativas e fica situada no noroeste da França,
com a sua capital em Rennes e cerca de 3 milhões de habitantes, tendo por
base económica a agricultura e a indústria agro-alimentar. Desde 2011 que a
situação económica bretã se tem deteriorado muito devido ao agravamento dos
custos de produção agrícola, à redução do poder aquisitivo das famílias e à política de
preços imposta pela Grande Distribuição que adquire cerca de 75% da produção
local, o que tende a arruinar as empresas agrícolas e agro-alimentares e a
gerar o desemprego. Assim, esta situação tem dado origem a um número crescente de
falências e daí que em 2011 tenham sido perdidos 3900 postos de trabalho e se
estime, para o corrente ano, a perda de mais 5 mil empregos. Foi neste quadro
de crise que o governo de François Hollande decidiu aumentar a austeridade e a
carga fiscal, ao criar um imposto de circulação sobre os veículos pesados que
circulam nas estradas francesas – a que chamaram eco-taxa –, a aplicar a partir
do próximo dia 1 de Janeiro, não só para diminuir a poluição atmosférica, mas
também para aumentar as receitas fiscais.
Foi a gota de água que fez entornar o
copo! Os agricultores bretões reagiram com violência. Enfiaram o seu gorro
vermelho, um símbolo histórico do protesto bretão e, segundo descreveram muitos
jornais franceses, fizeram uma verdadeira maré vermelha de protesto e violência,
a que se seguiram confrontações com a polícia e a destruição de valioso património.
A França está assustada e teme que esta agitação se estenda pelas outras regiões
do país.
A Espanha recupera e nós ficamos a ver
Embora as
notícias da recuperação económica espanhola já tenham surgido desde há algumas
semanas na imprensa, poucas terão sido tão esclarecedoras quanto foi aquela que
o diário Heraldo de Aragon, que se publica em Saragoça, destacou na
passada sexta-feira: “a Espanha recupera confiança no exterior e recebe 36.700
milhões de euros de investimento em oito meses”. Só na indústria automóvel
foram investidos 5 mil milhões de euros e foram criados 2400 empregos e, no mês
de Outubro, as vendas de automóveis subiram 34,4%. Hoje, a OCDE revelou que "está a sair mais investimento estrangeiro de Portugal do que a entrar e que o valor do investimento directo estrangeiro em Portugal no 2º trimestre de 2013 foi negativo em 1,4 mil milhões de dólares". Uma lusitana desgraça.
Estas notícias obrigam-nos a pensar no caminho que estamos a seguir para ultrapassar a nossa
crise ou, por outras palavras, a perguntar como é possível o que
está a acontecer aos nossos vizinhos e o que nos acontece aqui, onde estamos condenados a marcar
passo ou a andar para trás. O actual chefe da propaganda e criador do guião, ou seja, o irrevogável ministro Portas, gosta de dizer que o fim da recessão está a chegar. Nós que andamos pelas ruas e viajamos de autocarro vemos que não é verdade. Além disso, a pretexto de captar investimento e promover as
exportações, o irrevogável ministro que é, provavelmente, o mais viajado ministro português desde que D.
Afonso Henriques se revoltou contra a mãe, não apresenta quaisquer resultados
das suas dispendiosas viagens, para além da sua promoção pessoal, sempre a olhar para o seu umbigo e a pensar
no seu futuro, mas à custa de todos nós. Inaugurou ginásios na Índia e agora
quer vender arroz na China. Hoje em Macau, tivemo-lo a regozijar-se porque o
programa de vistos gold concluiu que
já foram investidos em Portugal mais de 200 milhões de euros e que 80% desse
investimento teve lugar no imobiliário. Então onde havia de ser? Precisávamos de ter janelas que nos
dessem claridade e perspectivas de futuro, mas temos portas destas. É uma tristeza. É mesmo uma tristeza!
Os tubarões da assessoria jurídica
Quando se
realizaram as eleições legislativas de 2011, criticava-se muito o governo de então pela excessiva despesa que era feita
com escritórios de advogados, aos quais eram adjudicados serviços de assessoria
e consultoria jurídica e encomendados estudos, pareceres, arbitragens,
representação em processos judiciais e condução de negócios. Essa despesa era
encarada pelos arautos da teoria das gorduras do Estado como um exemplo de
despesismo e da promiscuidade entre o interesse público e o interesse privado,
pelo que a sua eliminação figurava sempre como uma das medidas necessárias para
a redução do défice. Provavelmente tinham razão e, por isso, esperava-se uma
inversão de rumo e um travão aos desenfreados apetites dos tubarões da
assessoria jurídica. Porém, o jornal i veio hoje noticiar que o “governo bate recorde em gastos com
escritórios de advogados”, pois as despesas não só não estão a diminuir como
até têm vindo a aumentar. De facto, nos primeiros dez meses do corrente ano, já
foram contratualizados 12 milhões de euros em 302 contratos com escritórios de
advogados, o que representa um aumento de 17,6% em relação ao total que foi
gasto em 2012. O maior tubarão deste negócio, segundo o jornal i, é a Sérvulo
Correia & Associados que, só à sua conta, já assinou este ano 58 contratos
por um valor de 3,1 milhões de euros. Escandalosamente, os grandes escritórios
de advocacia ganham cada vez mais dinheiro à conta das encomendas feitas pelo
Estado, que são pagas com o dinheiro dos contribuintes e com os meus impostos.
E o que faz quem manda? Nada!
domingo, 3 de novembro de 2013
O Passos passou-se!
Numa altura em
que se devia discutir o Orçamento do Estado para 2014, que parece ser bem
trágico para a vida dos portugueses, temos um radical Passos a passar-se e a tornar-se num vulgar panfletário, que insulta a
oposição e os seus antecessores, que pressiona o Tribunal Constitucional, que
manipula indicadores e usa a mentira ou a meia-verdade para enganar os incautos.
Ele está desesperado com o atoleiro em que se meteu, de braço dado com a troika e com os seus juvenis assessores,
mas fala em sucesso governativo, crescimento da economia, redução do
desemprego, milagre económico e eu sei lá que mais. O Passos passou-se. Não vemos nada disso e, pelo
contrário, vemos desemprego, decadência, empobrecimento, emigração, indignação,
medo, desesperança e ruptura social mas, porque a troika mandou, o Passos obedece-lhe sem pestanejar e, com uma
insultuosa arrogância, insiste em meter a oposição numa embarcação que continua
a meter água. Passa o dia a insultá-la e passa esse discurso para os seus apoiantes que cantam a uma só voz como se fossem um coro de igreja e, depois, insiste para que a oposição embarque
numa viagem que não é a sua.
É hoje evidente
que quando entrou nisto, empurrado pelos relvas, moedas, catrogas e outros companheiros
de aventura, ele não tinha ideias nem percebeu onde se metia porque nunca tinha
trabalhado e não estudara a lição. E disse que "nós calculámos e estimámos
e eu posso garantir-vos: não será necessário em Portugal cortar mais salários
nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento
financeiro" (30-4-2011) e "não usaremos
nunca a situação que herdámos como uma desculpa para aquilo que tivermos de
fazer” (16-6-2011).
São
apenas duas das mais emblemáticas mentiras do homem que se passou e que usa a mentira mil vezes repetida como modo de vida
político, como se todos nós tivessemos má memória.
sábado, 2 de novembro de 2013
Há guerra em Moçambique
No panorama da
imprensa moçambicana têm aparecido notícias relativas a algumas situações de
confronto armado entre as forças governamentais e elementos da Renamo, mas
ontem houve um jornal que foi mais longe. O jornal gratuito @ Verdade
que se publica em Maputo, destacou na sua primeira página que “há guerra em
Moçambique”. Será uma guerra não declarada e por agora limitada às províncias
de Sofala e Nampula, mas a violência está a alastrar, há pessoas a morrer, há
bens materiais que estão a ser destruídos e a economia já está a ser afectada.
Há tensões que se
têm acumulado ao longo do tempo, mas existe um Parlamento com deputados da
Frelimo e da Renamo e havia algumas negociações para ultrapassar os problemas,
um dos quais é o facto da Renamo ser um partido armado. Essa realidade existe
desde há duas dezenas de anos, pois os acordos de paz assinados em Roma entre a
Frelimo e a Renamo no ano de 1992, tinham previsto a manutenção de uma bolsa
residual de homens armados da Renamo para protecção do seu líder, que seriam
gradualmente integrados na Polícia. Porém, isso nunca aconteceu e deu origem ao
paradoxo que é a existência da Renamo como um partido político armado, uma
situação que o governo da Frelimo não aceita. Assim, as Forças Armadas ocuparam
a principal base da Renamo, o que levou à fuga de Afonso Dhlakama e ao desencadear de algumas acções de
guerrilha por parte da Renamo.
Naturalmente, o
governo moçambicano pretende legitimamente desarmar a Renamo, mas esse
desarmamento deverá ser concretizado através do diálogo e da negociação e nunca
através da via militar, pois a guerra tem um alto preço que o povo moçambicano
bem conhece. Por isso, o Chefe do
Estado Armando Guebuza e o líder da Renamo Afonso Dhlakama devem rapidamente
sentar-se à mesa e dizer não à guerra. Haja quem os mobilize para o diálogo.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Os insaciáveis abutres da EDP
A EDP que é uma grande empresa e um quase monopólio no que
respeita ao abastecimento de electricidade a Portugal, que é o seu maior negócio,
veio anunciar um lucro de 792 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano,
o que representa uma redução de apenas 0,3% em relação ao mesmo período do ano
passado. No mesmo período, o EBITDA – um indicador que mede os lucros antes dos
juros, impostos, depreciações e amortizações – atingiu 2799 milhões de euros e
aumentou 2,1% relativamente ao mesmo período do ano anterior. Estes números dão
que pensar! Evidentemente que foram apreserntadas justificações com base nos
negócios internacionais, para esta evolução tão positiva em tempo de crise, mas
podemos dizer que enquanto a economia portuguesa está em recessão e os portugueses
estão a ser vítimas de um assalto aos seus salários e pensões, a EDP cresce na
lógica do mais descarado abutre, protegida pelos mexias, pelos catrogas e por
alguns dos seus fiéis amigos acantonados no seu Conselho Geral e de Supervisão.
A maioria dos accionistas da EDP são estrangeiros e,
naturalmente, levarão consigo estes lucros sob a forma de dividendos – a China
Three Gorges (21,3%), as espanholas Iberdrola Energia (6,6%) e Oppidum (6,1%),
os americanos da Capital Group (5%), mas alguns também seguirão para o
Luxemburgo, para a Argélia e para o Qatar. Por cá ficarão sobretudo os
dividendos do Grupo José de Mello, SGPS (4%), que é o maior accionista
português da empresa. Ora aqui está um caso para os nossos corajosos
governantes actuarem, pois estamos cansados de os ver atacar sempre os mais
fracos. E se há contratos a respeitar com a EDP, também há contratos a
respeitar com os reformados e pensionistas que descontaram aquilo a que foram
obrigados e que agora estão a ser expoliados desse direito ao que é seu.
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