sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Um festival sem complexos coloniais

Está a decorrer na cidade colombiana de Cartagena o 10º Festival Internacional de Música, na qual as autoridades culturais da cidade têm apostado para conseguir afirmar a cidade e o seu festival como referência cultural da América do Sul. O festival tem sido realizado todos os anos na “bella ciudad amurallada” que, dessa forma, adquire um reconhecimento internacional cada vez forte junto da comunidade da música e do público em geral. Desde o dia 8 e até ao dia 16 de Janeiro, em diferentes espaços da cidade, o festival vem apresentando um vasto repertório de diferentes géneros musicais para interessar os seus diferentes públicos, com destaque para a música antiga. No vasto e diversificado programa do festival destacam-se alguns importantes intérpretes internacionais, assim com os sete concertos apresentados pelo famoso agrupamento de música antiga Hespèrion XXI, dirigido pelo maestro e músico catalão Jordi Savall.
A imprensa colombiana tem dado o devido destaque ao Festival Internacional de Música, como mostra a edição de ontem do diário El Tiempo, que se publica na cidade de Bogotá.  Na sua primeira página, o jornal exibe uma fotografia dos molhes do porto de Cartagena que serviram de cenário a um dos maiores concertos que reuniu músicos de diversos agrupamentos e que teve como título “El mar de los deseos de Sevilla a Veracruz”, numa clara evocação do passado colonial da cidade. O festival não tem quaisquer complexos coloniais e, para melhor recordar a ligação da cidade ao mar e à sua herança colonial, o cenário foi embelezado com a presença do navio-escola Glória, o navio-insignia da Marinha colombiana.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

No golfo Pérsico venceu a diplomacia

Duas vedetas rápidas que integram as forças navais americanas estacionadas no golfo Pérsico entraram em águas territoriais iranianas perto da ilha de Farsi, tendo sido detidas pelas forças da Islamic Revolution Guards Corps (IRGC). Segundo informaram as autoridades iranianas, na sequência da entrada ilegal e ilícita daqueles navios nas suas águas territoriais, as unidades navais iranianas presentes na área deram ordens de paragem às vedetas americanas. Estas obedeceram prontamente, os seus dez tripulantes foram detidos e as embarcações foram sujeitas a uma inspecção, mas concluiu-se que a violação das águas iranianas foi involuntária e não intencional. Depois de um pedido de desculpas americano feito ao mais alto nível, as vedetas e os seus tripulantes foram libertados e escoltados até águas internacionais. De acordo com um comunicado das IRGC divulgado no jornal Tehran Times, os porta-aviões americano Harry S. Truman e francês Charles De Gaulle encontravam-se dentro do alcance dos mísseis iranianos, o que poderia ter desencadeado eventuais acções mais precipitadas e de maior gravidade. Porém, quer as vedetas americanas, quer os guardas da Revolução agiram com prudência e com perspicácia, cumprindo as normas habituais de bom senso nestas situações.  
Assim, as partes congratularam-se pela forma rápida e pacífica como a diplomacia resolveu esta questão que, podendo ter sido muito grave, acabou por ser resolvida com muita simplicidade.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Praias vermelhas no outro lado do mundo

Algumas praias da Nova Zelândia foram invadidas por grandes quantidades de krill que foram arrastadas pela maré e cobriram os areais, que ficaram coalhados por uma enorme mancha vermelha. Além disso, há muitas áreas cobertas de krill a flutuar e que ameaçam chegar às praias, o que proporciona um espectáculo de cor vermelha que só muito raras vezes aconteceu naquela região. Vários jornais neozelandeses, como sucedeu em Wellington com o The Press, publicaram fotografias do insólito acontecimento.
O krill é um nome de origem norueguesa sem tradução em português, designando um conjunto de pequenos animais invertebrados semelhantes ao camarão, que constituem o alimento de muitas espécies marinhas.
Entretanto, as praias invadidas pelo krill neozelandês foram interditadas ao público, mas o mais curioso é que foi criada uma oportunidade de negócio com a organização de visitas turísticas.
 

Messi ganhou, mas Ronaldo está na élite

Sem surpresa, o futebolista argentino Leonel Messi recebeu ontem a sua quinta Bola de Ouro da FIFA, numa cerimónia realizada em Zurique e a que não assistiu Joseph Blatter, o presidente da FIFA que aos 80 anos de idade está suspenso das suas funções por oito anos.
Messi foi o mais votado por jornalistas, treinadores e capitães das selecções nacionais de todo o mundo, tendo recebido 41,33% dos votos, enquanto Cristiano Ronaldo ficou em segundo lugar com 26,76% dos votos e o brasileiro Neymar da Silva em terceiro com 7,86%. Messi ganhou o troféu em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2015, enquanto Cristiano Ronaldo ganhou em 2008, 2013 e 2014, mas esta repartição do prémio entre os dois começa a parecer demasiado estranha, como se não houvesse mais futebolistas no planeta.
Contudo, os comentadores de serviço foram unânimes quanto ao resultado, isto é, ao longo do ano de 2015 aqueles dois futebolistas foram os melhores do mundo, mas o jogador do Barcelona foi melhor do que o jogador do Real Madrid e, embora marcasse menos golos, ganhou todas as provas nacionais e internacionais em que participou, enquanto a equipa de Ronaldo não ganhou prova nenhuma. Messi fartou-se de ganhar e Ronaldo perdeu demasiadas vezes. Porém, é motivo de satisfação ter um português que desde há quase uma dezena de anos está entre os melhores do futebol mundial e que até fala inglês, mas também ter um brasileiro no pódio.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Vamos pôr o Sequeira no lugar certo

“A Adoração dos Magos” (Domingos Sequeira, 1828)
Nos tempos modernos, em que a satisfação das necessidades públicas e as funções sociais exigem um enorme esforço dos contribuintes, torna-se mais evidente e mais compreensível a frase “os recursos são escassos e as necessidades ilimitadas”.
Nesse contexto, em que os poderes públicos não podem satisfazer todas as necessidades, a cultura é muitas vezes colocada em plano secundário, sendo preterida em relação às funções saúde, educação, segurança e outras. Torna-se imperativo, por isso, recorrer à imaginação para mobilizar os recursos privados necessários para o investimento cultural, designadamente através do financiamento de acções de preservação e restauro do património, enquadráveis na lei do mecenato cultural. Assim se têm recuperado ruinas históricas, monumentos, equipamentos culturais e acervos museológicos, um pouco por todo o mundo.
Esta situação também se verifica em Portugal onde as acções de mecenato têm financiado inúmeras acções de salvaguarda do património cultural, imóvel e móvel. Porém, há uma iniciativa que é inovadora em Portugal e que está em curso pela primeira vez. Trata-se de  uma campanha nacional de angariação de fundos que foi designada com o título “Vamos pôr o Sequeira no Lugar Certo”. Esta campanha visa angariar os 600 mil euros necessários para adquirir “A Adoração dos Magos”, uma pintura fundamental de Domingos Sequeira, datada de 1828, que desejavelmente deverá integrar o acervo do Museu Nacional de Arte Antiga. É uma oportunidade para, na medida das posses de cada um, se poder participar numa tão louvável iniciativa cultural, até porque pode abrir precedentes a iniciativas semelhantes e, dessa forma, evitar a saída para o estrangeiro de obras de referência do nosso património. Já basta a venda a pataco das nossas empresas que a agência P & P fizeram! 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Porque razão se arma a Coreia do Norte?

A Coreia do Norte anunciou que tinha detonado a sua primeira bomba de hidrogénio (bomba H) e que esse teste tinha sido um sucesso completo. O mundo reagiu para condenar esta iniciativa coreana, mas mostrou muita surpresa porque a bomba H ou bomba termonuclear se fundamenta num processo de reacção química muito avançado de que resulta uma versão bem mais poderosa da bomba nuclear.
Pensava-se que o regime norte-coreano estava ainda muito longe de possuir a tecnologia necessária para produzir aquela bomba, que também é mais sofisticada do que a bomba nuclear, mas este anúncio veio revelar que a estratégia nuclear adoptada por Kim Jong-un é mais agressiva do que a de seu pai que, nos seus últimos anos de governo, aceitou restrições internacionais aos programas nuclear e de balística a troco de ajudas externas.
Os Estados Unidos, a China, o Japão e a Coreia do Sul reagiram de imediato perante esta ameaça que consideraram “uma provocação inaceitável” e pretendem “uma resposta global firme”, embora ainda subsistam dúvidas quanto ao que realmente se passou e sobre a origem de um sismo artificial de 5,1 pontos na escala de Richter, ocorrido perto de uma conhecida zona de testes nucleares norte-coreanos. A imprensa mundial deu largo destaque a esta notícia. O Correio Brazilense optou por ilustrar a primeira página da sua edição de hoje com uma sugestiva ilustração, apresentando a figura de Kim Jong-un em cuja cabeça rebentou uma bomba H que exibe um enorme cogumelo, mas o jornal pergunta se é verdade ou se é apenas o blefe de um ditador. Porém, a pergunta terá que ser outra: porque se arma o ditador e porque desafia o mundo?

O mercado automóvel português recupera

As estatísticas são essenciais para se perceber a situação económica e a sua evolução, assim como para fazer previsões, sobretudo através dos chamados indicadores percursores que são, por exemplo, o consumo de energia, a venda de cimento ou as vendas de veículos ligeiros e pesados. Nessa matéria, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal bem merece o elogio de quem gosta de perceber a realidade económica que o rodeia, pela rapidez com que apresenta, mês a mês, as estatísticas das vendas de automóveis ligeiros e pesados. Assim, nesta data já sabemos que o aumento global das vendas automóveis em Portugal no ano de 2015 foi de 25% em todos os segmentos. Foram vendidos um total de 213.645 veículos ligeiros e pesados, dos quais 178.496 eram veículos ligeiros de passageiros, o que significa que o sector recuperou depois de quatro anos consecutivos de perdas. Da mesma forma, aumentaram as vendas de comerciais ligeiros, de comerciais pesados e de pesados de mercadorias, o que é um sinal positivo para a actividade económica, embora signifique aumento do endividamento. As marcas dominantes do mercado português em 2015 foram a Renault (20.447 veículos), a Volkswagen (16.900 veículos), a Peugeot (16.566 veículos), a Mercedes-Benz (13.525 veículos) e a BMW (12.889 veículos). Seguiram-se a Nissan, a Opel, a Audi, a Citroën e a Ford.
Entretanto, alguns portugueses continuam a revelar o gosto e a ter o dinheiro necessário para adquirir marcas de topo, pois neste ano de 2015 foram vendidos em Portugal veículos das marcas Jaguar (310), Porsche (115), Maserati (30), Ferrari (19), Bentley (8) e Aston Martin (6). Exceptuando a Porsche que surpreendentemente perdeu 70% nas suas vendas ao passar de 395 para 115 unidades vendidas, todos aumentaram as vendas. Sem comentários.

Já se contam espingardas no golfo Pérsico

As autoridades da Arábia Saudita procederam no passado sábado, dia 2 de Janeiro, à execução de 47 pessoas que tinham sido condenadas por terem adoptado ideologias radicais. O mundo reagiu com repúdio e com dureza à decisão saudita, com declarações condenatórias e protestos, mas foi a morte do líder religioso xiita Nimr al-Nimr que provocou os mais violentos protestos, sobretudo no Irão, onde a embaixada saudita em Teerão foi atacada e parcialmente queimada. O corte de relações entre o Irão (maioritariamente xiita) e a Arábia Saudita (maioritariamente sunita), foi a primeira consequência daquelas brutais execuções, a que se seguiram algumas ameaças. Vários países da região já se solidarizaram com cada uma das partes e, para muitos observadores, a hipótese de uma confrontação directa é elevadíssima, pois que indirectamente já se confrontam na Síria desde há alguns anos. Embora os dois países não tenham fronteiras terrestres comuns, os seus territórios situam-se nas margens do golfo Pérsico, frente a frente e separados apenas por cerca de três centenas de quilómetros. Nessas margens também se situam o Kuwait, o Iraque, o Qatar, o Bahrein e os Emirados e, sobretudo, as maiores reservas petrolíferas do mundo. É mesmo um barril de pólvora e, aparentemente, já todos contam espingardas.
Ontem, o The New York Times analisa detalhadamente a situação e utiliza vários mapas para explicar a questão geopolítica e religiosa que tanto ameaça o mundo, destacando esse tema na sua primeira página. A possibilidade de confrontação directa é muito elevada, até porque ambos estão bem armados, sendo preocupante saber-se que as populações sunitas e xiitas vivem dispersas por vários países da região, numa relação média de cinco sunitas por cada três xiitas. Por isso, cada país tem uma maioria e uma minoria, o que pode (e costuma) funcionar como rastilho neste tipo de escaladas. O que não há dúvida é que em Riade e em Teerão, e não só, já se contam espingardas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Língua portuguesa motiva a Extremadura

O jornal Hoy, que é o principal diário da Comunidade Autónoma da Extremadura e se publica em Cáceres e Badajoz, apresenta hoje na capa das suas edições um anúncio em que se destaca uma ilustração com a bandeira portuguesa que publicita um curso audiovisual de aprendizagem do português.
Quando se estimulam as jovens populações da Extremadura a aprenderem o português, a principal motivação será de ordem prática e natureza económica, prenunciando possivelmente a expectativa de uma mais intensa relação entre a Extremadura e Portugal nas trocas económicas, no turismo e noutros sectores. Esse estímulo à aprendizagem do português também resulta da semelhança entre o português e a língua castelhana o que facilita a aprendizagem, pois ambas derivam da língua nativa da Lusitânia e da influência causada pela sua longa ocupação pelos Romanos.
Além disso, a província romana da Lusitânia ocupou um espaço territorial que hoje se reparte pelo território português a sul do rio Douro e pela Extremadura, sendo evidente em muitas povoações de ambos os lados da fronteira as afinidades culturais e linguísticas.
Depois de tantos anos de rivalidade e de costas voltadas entre os governos de Lisboa e Madrid, são as realidades regionais que estão a dar sinais de aproximação, como parece demonstrar o anúncio publicado nas edições do Hoy.

A modernização da cidade de Lisboa

A Segunda Circular (2ª Circular) é uma via rápida urbana que liga a parte oriental à parte ocidental da cidade de Lisboa, mais concretamente o Prior Velho (fim da A1) e a Buraca (início do IC19), numa extensão aproximada de dez quilómetros, constituindo um eixo rodoviário que agrega três avenidas em sequência: Avenida Marechal Craveiro Lopes, Avenida General Norton de Matos e Avenida Eusébio da Silva Ferreira. É considerada uma das nossas estradas com mais tráfego e com um alto índice de sinistralidade, que funciona como via de atravessamento urbano e que é utilizada por milhares de pessoas para chegar ou partir do Norte, para aceder ao aeroporto ou para se dirigir para os maiores estádios de futebol da cidade.
A gestão da 2ª Circular está a cargo da Câmara Municipal de Lisboa que decidiu intervir no sentido de resolver alguns dos seus problemas e os vários “pontos negros” no seu percurso. A sua proposta, que é hoje revelada pelo Diário de Notícias, está em discussão pública até ao próximo dia 15 de Janeiro, inclui a repavimentação em toda  a sua extensão o que permitirá diminuir o ruído automóvel em 50%, a reabilitação do sistema de drenagem, a renovação da sinalização para se tornar mais compreensível e a instalação de um novo sistema de iluminação que permitirá poupar até 60% no consumo de energia. Porém, o mais interessante do projecto, cujas obras se estimam durar 11 meses, é a instalação de um separador arborizado com 3,5 metros de largura em toda a extensão da via. Essa ideia parece-me genial e muito valorizadora da paisagem urbana.
A intervenção visa aumentar a segurança, a fluidez e a qualidade ambiental da via, mas também transformar as suas actuais características de auto-estrada numa via de carácter urbano, mas não convence alguns, nomeadamente o Automóvel Clube de Portugal. Eu, que não sou especialista, estou convencido e até entusiasmado.

domingo, 3 de janeiro de 2016

O ritual do primeiro banho de Ano Novo

Em muitos locais das mais diversas latitudes existe a tradição de começar o Ano Novo com um banho de mar. No caso do Hemisfério Norte esse exercício é de uma grande exigência física porque a temperatura da água do mar é baixa e, em algumas regiões, aproxima-se mesmo dos zero graus, mas ainda assim atrai sempre muitos entusiastas. Nesse aspecto, a costa portuguesa é menos agressiva pois nesta época do ano as temperaturas da água do mar variam entre os 16 e os 18 graus. Por disso, há muitas pessoas corajosas que participam no ritual do primeiro banho do ano e que resistem ao frio, ao vento e à agitação marítima. O mais famoso destes encontros realiza-se na praia de Carcavelos, mas há outros locais onde esse ritual já se instalou, como Vila do Conde, Matosinhos, Ilhavo, Ferragudo e, certamente outras praias, que atraem muitos banhistas que aspiram por desafios incomuns, ou que neles participam por superstição ou, ainda, porque esse banho lhes renova as energias e lhes purifica o corpo.
Porém, nas regiões do Hemisfério Sul a ida à praia é uma rotina própria da época do ano e, em princípio, não se inscreve em qualquer ritual. É, simplesmente, o tempo do calor e da praia, que atrai muitos milhares de pessoas e proporciona verdadeiras enchentes que ocupam e congestionam os areais. A edição de hoje do Sunday Times de Joanesburgo exibe uma impressionante fotografia da praia de Durban no primeiro dia do ano de 2016, com uma multidão a ocupar o areal e a banhar-se numa água com uns apetecíveis 25 graus de temperatura. A fotografia mostra que, provavelmente, não há lugar para mais ninguém naquele areal.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Bye, bye Cavaco! Viva a nova esperança!

Faltam apenas 22 dias para iniciarmos o processo de escolha do novo Presidente da República Portuguesa. O leque de candidatos é diversificado quanto ao seu pensamento e quanto à sua experiência política, pelo que os eleitores têm diferentes alternativas de voto, embora haja uma evidência: o eleito nunca será pior do que o seu antecessor. Esta eleição representa o fim de um sonho mau que durou dez anos e um alívio para a nossa comunidade! Por isso, é preciso deixar que os portugueses exerçam a sua cidadania e escolham o seu Presidente, não sendo admissível que alguns jornalistas e comentadores encartados pelo anterior governo, insistam nessa vigarice de criar vencedores antecipados. Não é tolerável que aqueles que têm o dever de informar com independência, rigor e isenção, estejam ao serviço de uma qualquer candidatura e que usem as suas canetas, a sua voz ou o seu rosto para manipular o eleitorado.
Com o futuro Presidente virá uma nova esperança para os portugueses. Terminarão dez longos anos de uma presidência divisionista, desagregadora e sectária, que os portugueses já condenaram através dos mais baixos índices de popularidade que alguma vez um dirigente político teve em Portugal. Ontem tivemos mais uma prova disso com a última comunicação ao país de Cavaco Silva que, naquela voz robótica a que nem o teleponto dá alma, falou de si e das suas viagens, dos seus discursos e dos seus roteiros. Foi mais uma das suas ladainhas sem sentido que não deixam saudades nenhumas. Felizmente, faltam apenas 22 dias para o início de um novo tempo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um grande incêndio na passagem do ano

A passagem de ano desperta muitos entusiasmos quase sempre desproporcionados, como mostram as imagens televisivas que sossegadamente vejo em casa. Gosto do fogo de artifício e da alegria popular, mas não me agradam as festanças nos hotéis. Ao longo do ano disponho de tantas oportunidades para celebrar acontecimentos pessoais, dos meus amigos ou da minha comunidade, cuja carga emocional ultrapassa largamente aquele simbólico momento em que o calendário muda de ano e em que as pessoas saltam, gritam, cantam, bebem, dançam e se divertem em cenários tão artificialmente encenados. Por outro lado, quando sabemos que muitos portugueses vivem com dificuldades, que têm empregos precários ou não têm emprego, que os seus rendimentos têm sido engolidos por um sistema bancário ganancioso e criminoso e que uma boa parte da população vive no limiar da pobreza, confrange-me observar o quanto se gasta sem qualquer sentido nesta noite. É certo que todos estes exageros são um escape natural às agruras e aos contratempos acumulados durante um ano e que são, também, um apelo ou um desejo para que o futuro traga melhores dias, mas nada disso me retira o sossego de uma noite caseira.  
Ontem, porém, para além das suas repetitivas e desinteressantes reportagens em Lisboa, Porto, Funchal, Coimbra e Albufeira e das mesmas imagens de sempre da passagem do ano em Sydney, as televisões mostraram em directo o incêndio que consumiu o hotel Downtown Adress, no Dubai.
Foi um caso impressionante ou um inferno, a lembrar o que aconteceu em Nova York em 2001. O edifício tem 300 metros de altura, 63 andares e é o 36º edifício mais alto do mundo, situando-se junto da torre Burj Khalifa, que é o arranha-céus mais alto do mundo com quase 830 metros de altura e 160 pisos. As gigantescas línguas de fogo, que o londrino The Daily Telegraph apresenta na capa da sua edição de hoje, faziam prever o pior dos cenários, mas foi possível evacuar o edifício sem quaisquer mortes a lamentar. O incêndio terá começado num espaço exterior do 20º piso, mas o sistema corta-fogo funcionou e impediu a propagação imediata das chamas para o interior do hotel. Podia ter sido uma grande tragédia, mas não foi...
Pouco depois, chegou o ano de 2016.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

"Le Petit Prince" comemora 70 anos

La Voix du Nord, um jornal da cidade de Lille, evocou a passagem do 70º aniversário da 1ª edição francesa do Le Petit Prince de Antoine de Saint-Exupéry, traduzido em Portugal como O Principezinho. Hoje é o livro mais lido no mundo depois da Biblia, estando traduzido em 270 línguas ou dialectos e publicadas 1300 edições e 145 milhões de exemplares vendidos !
Em França, todos os anos são publicados entre 150 e 200 mil exemplares do livro e, desde a sua 1ª edição publicada 1946, já terão sido publicadas 12 milhões de cópias.
Porém, Le Petit Prince foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos, na sequência de um pedido que os editores americanos Reynal & Hitchcock fizeram a Saint-Exupéry : um conto para o Natal de 1942. A encomenda atrasou-se e o livro que se tornou tão famoso só veio a ser publicado em 1943.
Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon em 1900, estudou em França e na Suiça e em 1922 obteve o brevet de piloto civil em Rabat, onde prestava serviço militar. Em 1926 tornou-se piloto de linha aérea, voando entre Toulouse, Casablanca e Dacar.  Viveu depois na Argentina e, em 1940, após a ocupação alemã da França, dirigiu-se a Lisboa e seguiu para os Estrados Unidos mas 27 meses depois regressou à Europa para se juntar às Forças Francesas Livres do general De Gaulle e integrar um esquadrão aéreo no Mediterrâneo. Tinha 43 anos de idade e pilotava um P-38 Lightning. No dia 31 de Julho de 1944 largou de uma base aérea da Córsega para uma missão de reconhecimento no vale do Ródano, mas não regressou por ter sido abatido no mar, perto de Marselha.  O seu livro e  o seu apego à causa da liberdade são um exemplo que todo o mundo gosta de evocar através do narrador da obra que é “um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara que tenta, desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha...”.

Nazaré: ondas gigantes e ondas de prata

O promontório da Nazaré, sobre o qual se ergue o forte de São Miguel Arcanjo cuja origem remonta a finais do século XVI, é um dos mais interessantes miradouros naturais da costa portuguesa. Ele separa duas áreas oceanográficas bem distintas: a Praia do Norte e a praia da Nazaré.
Para norte, na Praia do Norte, há as ondas gigantes formadas no Canhão da Nazaré, um desfiladeiro submarino profundo que contrasta com a plataforma continental adjacente, que nos últimos anos se tornaram um ponto de encontro obrigatório para os surfistas das ondas gigantes de todo o mundo. Essas ondas tornaram-se a imagem de marca da Nazaré.
Para sul, na Praia da Nazaré, há uma extensa baía ao longo da qual se estende a vila da Nazaré, orlada por um areal onde as ondas se desfazem com um ímpeto bem diferente do que se passa do outro lado do promontório. Visto do alto do Sítio da Nazaré, o mar azul rebenta sobre o areal e oferece um espectáculo de cor argêntea, a justificar o nome de “costa de prata” que certos locais da costa adoptam para fins promocionais.
Se as ondas gigantes são a nova imagem de marca da Nazaré, nem por isso as bem mais suaves ondas de prata da Praia da Nazaré perderam o seu fascínio, como a fotografia documenta.