sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Na Catalunha ficou tudo na mesma

Na Catalunha ficou tudo na mesma e, quando assim é, o tempo torna tudo mais difícil ou mesmo muito sombrio para os catalães. Não houve grande surpresa porque as sondagens já apontavam para um resultado deste tipo.
As eleições ontem realizadas deram 70 deputados aos independentistas e 65 deputados aos constitucionalistas, mas enquanto os primeiros obtiveram 2.062.760 votos, os segundos conseguiram 2.211.655 votos, aqui surgindo um primeiro problema em relação à lei eleitoral que dá mais deputados a quem tem menos votos.
O Cyudadanos tornou-se a força mais votada na Catalunha, sendo a primeira vez que uma força constitucionalista ganha as eleições autonómicas. Essa é a única novidade. O partido de Inês Arrimadas venceu em três das quatro grandes cidades catalãs, isto é, Barcelona, Tarragona e Lleida, só não ganhando em Girona. Porém, os seus 37 deputados e os seus possíveis aliados são insuficientes para formar governo, porque o bloco independentista assegurou a maioria absoluta no Parlamento.
Em segundo lugar ficou o exilado Carles Puigdemont que conseguiu 34 deputados e que, com os seus aliados, poderá vir a formar governo. Porém, nesse caso voltaria tudo à situação de grande conflitualidade que se verificou e que levou à aplicação do artigo 155 da Constituição e, certamente, lá teriam que ser marcadas novas eleições.
A imprensa espanhola traça os mais diferentes e improváveis cenários para ultrapassar esta delicada situação, mas há um ponto em que todos estão de acordo: a estratégia de Mariano Rajoy não resultou e foi um desastre. Assim, agora tudo parece passar pela retirada de Rajoy deste processo e a sua substituição por alguém que possa reconciliar e abrir o diálogo na Catalunha, com uma revisão constitucional e uma nova lei eleitoral.
Significa, portanto, que Rajoy se tornou o elo mais fraco desta situação e que o problema da Catalunha passou definitivamente a ser também, mais do antes, um problema da Espanha. Vêm aí tempos muito difíceis para os catalães, para os espanhóis e até para os europeus.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Escudo português é brazão de Ceuta

O jornal El Pueblo de Ceuta destaca na sua edição de hoje as declarações de Juan Vivas, o actual alcaide-presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, a propósito da criação de um Observatório do Comércio.
Na fotografia que ilustra a reportagem ressalta o escudo português da cidade que, entre 1415 e 1640, esteve integrada no reino de Portugal.
A cidade foi conquistada pelos portugueses no dia 22 de Agosto de 1415 e, mesmo durante os sessenta anos do período filipino (1580-1640), foi governada pelos portugueses a partir de Lisboa, tal como sucedeu com as cidades vizinhas de Tânger e de Mazagão na costa marroquina.
Quando em 1640 ocorreu a restauração da independência portuguesa, a cidade de Ceuta não aclamou o Duque de Btragança como Rei de Portugal e optou por se manter ligada a Espanha, o que veio a ser reconhecido através do Tratado de Lisboa de 1668 que terminou com a guerra da Restauração. Ceuta desligou-se de Portugal mas conservou os seus símbolos, isto é, a bandeira de Lisboa e o brasão de armas português.
Foram 225 anos de ligação a Portugal e, por isso, há diversas memórias portuguesas que perduram em Ceuta, designadamente muralhas e igrejas, embora o escudo e a bandeira da cidade sejam, porventura, os mais simbólicos.

Eleições e o futuro incerto na Catalunha

Hoje vão a votos os 5 milhões e meio de eleitores catalães e o que se deseja é que o façam com opções serenas e sem o peso da carga emocional dos últimos tempos. O passado histórico e a grandeza cultural da Catalunha e da Espanha, ou da Espanha e da Catalunha, exigem essa serenidade.
Segundo as sondagens está tudo em aberto, isto é, verifica-se um empate técnico entre os constitucionalistas e os independentistas ou entre a legalidade autonómica e a tensão soberanista. Da mesma forma, também a escolha da força política mais votada, que em princípio governará a Catalunha, entra no campo das incertezas. Perante esta situação que revela uma enorme fractura social, vão ser o milhão de eleitores indecisos, correspondentes a 20% do eleitorado, que irão decidir hoje o futuro da Catalunha, que só pode passar pela reconciliação e pelo diálogo. Não há alternativa, como se viu quando Puigdemont quis dar uma passada maior do que a perna, trouxe os seus ideais para a rua e acabou quase escondido em Bruxelas.
Além disso, é desejável que as eleições tragam estabilidade às mais de três mil empresas que deixaram a Catalunha perante a ameaça independentista, para que regressem para assegurar a prosperidade e o bem estar dos catalães. Por isso, hoje também se joga o destino económico da Catalunha.
Desejavelmente, o resultado terá que proporcionar condições de diálogo e de reconciliação, que conduzam à satisfação dos catalães que querem ser independentes e dos que não querem ser independentes. Saberemos hoje se Puigdemont e Oriol-Junqueras continuarão a ser as vozes dominantes para continuar com o processo independentista e a sua conflitualidade, ou se surgirão Arrimadas e Iceta como protagonistas de um comportamento mais dialogante, mais construtivo e mais democrático.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

New Bedford, os Açores e os baleeiros

Em 18548 o cidadão Benjamin Russell exibiu na cidade de New Bedford uma grande pintura feita para um inovador espectáculo que circulava de cidade em cidade e que contava a história da baleação e dos baleeiros. Era um tela com 2,5 metros de altura por 388 metros de comprimento, que era estendida nas paredes interiores de um edifício circular para ser vista pelo público sentado na sala, enquanto girava muito devagar. A apresentação durava duas horas, era companhada musicalmente e tinha uma narração. Estas apresentações eram conhecidas por panoramas e foram verdadeiros precursores do cinema e das experiências tridimensionais.
A tela de Benjamin Russell chamava-se o Grande Panorama de uma Viagem de Baleeiro à Volta do Mundo e mostra um veleiro a sair de New Bedford, a atravessar o Atlântico e a visitar quatro ilhas do grupo central dos Açores (Faial, Pico, S. Jorge e Graciosa), onde os americanos recrutavam pessoal para integrar as suas tripulações e de que resultou a transformação de New Bedford num dos principais polos de atracção da emigração açoriana para os Estados Unidos. A história contada naquele panorama prossegue depois por Cabo Verde, pelo Brasil e pelas estações baleeiras do Índico e do Pacífico Sul, contando muitas histórias que mostravam o desconhecido e o exótico. Foi um grande sucesso e foi exibido durante muitos anos, a última das quais em 1969.
Desde 1918 que este panorama está no New Bedford Whaling Museum, onde é um dos destaques da sua exposição permanente, até porque é provavelmente a maior pintura original do mundo. Porém, a enorme tela sofreu ao longo do tempo o natural desgaste das viagens, quase sempre de comboio, bem como os efeitos de cerca de 120 anos a ser enrolada e desenrolada. Assim, foi agora restaurada e digitalizada, o que vai permitir a sua apreciação e o seu “regresso à estrada”, como aconteceu desde meados do século XIX, se assim for entendido.
A edição de hoje do Diário de Notícias conta toda a história deste panorama e reproduz o trecho da tela que retrata as ilhas do Faial e do Pico. São ilustrações tão simbólicas que não tardará que o Governo Regional dos Açores venha a adquirir uma cópia desse trecho para enriquecer o Museu do Pico e, em especial, a sua extensão nas Lajes do Pico que é o Museu dos Baleeiros.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A protecção no mar do interesse nacional

O jornal Faro de Vigo destaca hoje na sua primeira página que o governo britânico encomendou cinco novos navios-patrulha militares para, após o Brexit, impedirem o acesso às áreas de pesca situadas dentro da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) de 200 milhas aos navios estrangeiros que não aceitem as suas exigências, em especial no Gran Sol, situado a oeste das Ilhas Britânicas, e nas Ilhas Falklands, localizadas no Atlântico Sul.
O jornal publica uma ilustração que é uma antevisão daquela frota específica que irá constituir um “muro militar da Royal Navy” e, segundo refere, serão navios de 90 metros de comprimento a guarnecer por 70 tripulantes, que disporão de um helicóptero e de drones, estando o seu custo orçamentado em 400 milhões de euros. Significa que, os britânicos se antecipam e que preparam a protecção no mar dos seus interesses nacionais. A História diz-nos que eles sempre foram assim.
A notícia é curiosa e os galegos parecem assustados e o caso não é para menos, porque nas áreas consideradas pelas autoridades britânicas operam cerca de 140 unidades da sua frota pesqueira.
No entanto, a notícia também é muito interessante para Portugal, porque tem uma ZEE com cerca de 1,7 milhões de quilómetros quadrados, que é a 3ª maior da União Europeia e a 11ª do mundo, tendo requerido às Nações Unidas a extensão da sua plataforma continental. A discussão da proposta portuguesa teve início no passado mês de Agosto e, se vier a ser aprovada, poderá duplicar a área da nossa actual ZEE e dar direitos acrescidos sobre os recursos existentes. 
Todos dizem que é um assunto muito importante, mas é caso para perguntar que meios temos actualmente para proteger a nossa ZEE e a sua futura extensão, mas também que estudos estão feitos no sentido de sustentar uma decisão política sobre este assunto. Há alguém que na nossa esfera política se interesse por estas coisas?

domingo, 17 de dezembro de 2017

O rio Tejo está a secar e a perder caudal

A fotografia hoje publicada com grande destaque pelo jornal La Tribuna de Toledo não pode deixar de causar alarme nos espanhóis e nos portugueses que vivem e que, em maior ou menor escala, dependem da bacia do rio Tejo. O rio tem uma extensão de cerca de mil quilómetros e constitui a segunda maior bacia hidrográfica da península Ibérica, mas está a ficar seco e sem caudal em muitos dos seus troços, enquanto as suas apreciadas praias fluviais desapareceram.
A seca deste ano chamou a atenção para a gravidade da situação. O Tejo tem 14 barragens para a produção de energia eléctrica, contribui para o abastecimento de água potável em muitas povoações, refrigera as centrais nucleares e térmicas espanholas e, sobretudo, alimenta o regadio em muitas regiões espanholas através de transvases que levam as suas águas para as regiões de agricultura intensiva de Múrcia, Alicante e Albacete, a partir do transvase Tejo-Segura, que é a maior obra de engenharia hidráulica da Espanha. A par desta sobreutilização, o Tejo ainda é receptor de descargas poluentes de vária natureza, o que agrava os seus problemas.
A fotografia publicada pelo jornal de Toledo é suficiente para nos alertar para a problemática do Tejo e para os problemas da escassez de caudal, da poluição e da radioactividade, mas também é um sinal que nos mostra que é a altura de pedir explicações ao governo espanhol para que alterem a sua política de transvases que tanto prejudicam Portugal.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Os temporais nas costas asturianas

A frente atlântica da costa ocidental da Europa é muito exposta aos temporais trazidos pela circulação geral da atmosfera, sobretudo nas costas das ilhas Britânicas, no golfo da Biscaia e na faixa ocidental da península Ibérica.
Daí resulta que, nos meses de inverno, ocorram ondulações muito fortes e ondas muito alterosas que, ao embaterem nas costas mais escarpadas originam grande rebentação. Essas situações da meteorologia marítima são sempre um desafio para a imaginação dos amantes da fotografia, mas também para a imprensa, porque muitas redacções requerem aos seus fotojornalistas as imagens sempre belas do combate entre o mar e a rocha, o que significa que continuam a seguir, e bem, o velho princípio de que uma imagem vale mais do que mil palavras. Ontem, a costa asturiana esteve sob o efeito de vento e ondulação muito fortes que, em alguns casos, superou os nove metros.
Alguns jornais mantém a tradição de publicar esse tipo de fotografias para ilustrar as suas edições e para informar os seus leitores. Assim aconteceu com o diário asturiano La Voz de Avilés que hoje publicou na sua primeira página uma fotografia captada na costa de Luarca, já próximo da Galiza, em que se observa a rebentação do mar e cuja legenda é um aviso para os homens do mar asturianos: “Asturias en alerta por oleaje”. Por isso, há que ser muito prudente antes de ir para o mar.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Valência, a cidade das ciências e das artes

Tal como acontece com muitas cidades espanholas, Valência é um museu a céu aberto e essa realidade é perceptível sobretudo na área da moderna Cidade das Artes e das Ciências, onde se destaca a inconfundível obra do arquitecto valenciano Santiago Calatrava e, em especial, o Museu das Ciências Principe Felipe.
Foi exactamente nos espaços adjacentes ao lago artificial do museu que no passado Verão esteve patente ao público uma exposição de seis monumentais cabeças de grandes dimensões do escultor Manolo Valdés, um artista também valenciano de grande cotação internacional, que vive em Nova Iorque. Nessa altura, a presidente da Fundação Hortensia Herrero decidiu doar à cidade uma das seis obras expostas a escolher por votação popular dos valencianos. Os votantes escolheram La Pamela, uma escultura de grandes dimensões que representa uma cabeça de mulher com um chapéu, pela qual a instituição-mecenas pagará 1,7 milhões de euros. Ontem a obra foi desmontada e cuidadosamente embalada, a fim de ser transportada e instalada na Marina de Valência, onde ficará frente ao mar.
O diário Levante deu hoje grande destaque à operação de desmontagem de La Pamela e ao início da operação que vai enriquecer o património arquitectónico e artístico da cidade de Valência. Esta iniciativa mecenática valenciana é exemplar e bom seria que pudesse contagiar alguns agentes económicos portugueses para iniciativas semelhantes, mas sujeitos a critérios de qualidade, até para contrabalançar a obscura política autárquica de encomenda de mamarachos que têm decorado as rotundas das nossas cidades.

A ameaça ao processo de paz na Palestina

Aqui há dias ele acordou com a glicémia muito alta, com a visão embaciada e com tonturas e, sem se cuidar, fez asneira da grossa. Refiro-me ao Donald que decidiu reconhecer a cidade de Jerusalém como a capital de Israel. A decisão, para além de ser contrária às decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de perturbar os esforços de paz para o Médio Oriente, foi uma provocação para a Palestina e para o mundo.
As reacções não demoraram, isto é, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu desdobrou-se em manifestações de contentamento e de arrogância, enquanto o presidente Mahmoud Abbas, os palestinianos e o mundo árabe reagiram com protestos e com os primeiros ensaios de contestação violenta à infeliz decisão do Donald, com destaque para o Egipto, a Turquia e o Irão. Num outro patamar de crítica à decisão do presidente americano colocou-se a União Europeia, a Rússia e a China, mas também alguns dos mais próximos colaboradores do Donald.
A imprensa mundial tem dedicado muita atenção aos protestos, em que são queimadas bandeiras americanas e em que se podem observar as primeiras acções de uma anunciada intifada.  Nos países árabes os jornais parecem apelar à contestação e à revolta, mas muitos jornais dos  países ocidentais também parecem seguir o mesmo caminho, como fez o jornal canadiano National Post que se publica em Toronto.
Os países árabes que já condenaram a decisão da administração americana e reuniram em Istambul a sua organização de cooperação, tendo declarado "irresponsável, ilegal e unilateral" a decisão do Donald Trump e considerado que a mesma é "nula e sem efeito", ao mesmo tempo que decidiram reconhecer Jerusalém Oriental como a capital ocupada da Palestina e apelaram ao mundo para que adoptasse a mesma medida.
O que vai seguir-se é mesmo uma incógnita, mas o processo de paz parece que naufragou ou, pelo menos, está encalhado.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O jornalismo de sarjeta em Portugal

De vez em quando acontece em Portugal a denúncia pública feita por um qualquer jornal ou estação de televisão de irregularidades ou anomalias que são detectadas, sobretudo quando há dinheiros públicos envolvidos e a suspeita de corrupção. Quando isso sucede, o que é raro, temos o jornalismo numa das suas mais nobres missões, isto é, como um exercício do dever deontológico e social de informar com verdade e com objectividade. Esse jornalismo, que é conhecido como jornalismo de investigação, procura esclarecer situações desconhecidas e escondidas do público e é desejável para detectar desvios à legalidade, mas tem que ser feito com regras precisas e não como uma prática de quase perseguição policial, como aquelas a que por vezes se assiste para iludir as audiências, para servir interesses pouco claros ou para exercer vinganças. Depois de um jornal ou de uma estação de televisão denunciar um caso, deverão ser outras instâncias, designadamente judiciais, a entrar em acção para averiguações e não poderá ser o jornalismo a fazer exercícios de julgamento ou de linchamento. O que está a acontecer com muita frequência na nossa sociedade é a condenação na praça pública de culpados ou de inocentes, que é feita pelos mass media através da desonesta manipulação da opinião pública e com o objectivo de conquistar audiências. Isso não é próprio de um Estado de Direito.
Acontece que os mass media se têm transformado em verdadeiros centros de produção de conteúdos e consumíveis mediáticos destinados a um mercado/audiência que procura sensacionalismo, em que o lucro é o valor essencial, em detrimento da ética, da deontologia e da função social dos jornalistas que, tantas vezes, se apresentam escandalosamente servis e submissos ou, inversamente, com excessos de agressividade. Escolhida a vítima, todos se comportam como um bando de abutres esfomeados para manter o caso em agenda. Servem o dono e alimentam o sensacionalismo. Seguram o seu emprego. Não percebem onde acaba a sua nobre missão de informar. São um perigo para a sociedade.
O caso da associação Raríssimas é mais um bom exemplo. Denunciado o caso, que aparenta ter muita gravidade,  é altura de uma averiguação rápida e objectiva a fazer por quem tem essa obrigação. Não são toleráveis os excessos dos jornalistas que geram alarme social, nem são necessários mais detalhes, nem mais tempo a intoxicar as audiências. Já todos percebemos. O linchamento na praça pública que é feito antes de uma acusação fundamentada e de uma condenação por quem o deve fazer, já não é jornalismo de investigação. É jornalismo de sarjeta.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A guerra do Brasil é contra a violência

Na sua edição de hoje, o jornal O Globo que se publica no Rio de Janeiro, inicia uma reportagem sobre “a guerra do Brasil”, que ilustra na sua edição online com um expressivo documentário de cerca de 14 minutos sobre a violência no país.
A partir da triste realidade de terem sido assassinadas 786 mil pessoas no Brasil entre 2001 e 2015, significando que nesse período se registou um homicídio em cada 10 minutos, a reportagem aborda este drama brasileiro ou esta guerra em que o Brasil está envolvido.
Assim, a reportagem considera que o número total de mortos na guerra da Síria (331 mil) e na guerra do Iraque (268 mil), é inferior ao número de mortes por homicídio ocorridos no Brasil nos últimos 15 anos, o que mostra que a violência mata mais do que a guerra.
A violência no Brasil tem crescido nos últimos anos a um ritmo mais intenso do que o próprio crescimento da população e, em cada ano, já se contabilizam mais de 60 mil homicídios, sendo no Estado do Rio de Janeiro que a situação é mais grave. Mesmo nos países mais populosos do mundo, como a China ou a Índia, este drama não tem a gravidade que está a ter no Brasil.
Embora esta situação resulte de factores sociais muito diversos, incluindo a pobreza e a desigual distribuição do rendimento nacional, a reportagem sugere que o fenómeno está relacionado com a ausência de políticas públicas que tratem o problema da segurança em articulação com as questões sociais da pobreza e da exclusão.
Porém, a instabilidade política no Brasil tem sido tão grande que é difícil imaginar o desenvolvimento de uma estratégia nacional contra a violência, tal como contra a pobreza, a fome ou a corrupção, porque todas essas estratégias obrigam a atacar as raízes dos problemas e, naturalmente, a atacar muitos interesses instalados.

domingo, 10 de dezembro de 2017

A incerteza das eleições da Catalunha

Aproxima-se o dia 21 de Dezembro, o dia em que os catalães vão a votos para escolher um novo quadro político que possa contribuir para a resolução do conflito nascido nos últimos meses e que se agravou nas últimas semanas, quando o parlamento catalão proclamou a independência unilateral da Catalunha. Como resposta, o governo de Mariano Rajoy accionou o artigo 155 da Constituição, suspendeu a autonomia catalã, demitiu o governo de Carles Puigdemont e marcou novas eleições autonómicas para o dia 21 de Dezembro. Entretanto, os principais dirigentes soberanistas foram presos, ou estão em liberdade condicional depois de terem pago cauções, ou ainda, estão exilados em Bruxelas.
Ao fim da primeira semana de campanha eleitoral, começam a ser divulgadas algumas sondagens e as projecções apontam para um empate técnico entre soberanistas e unionistas. No campo independentista as sondagens apontam para 66 ou 67 dos 135 deputados (31 ou 32 da ERC, 30 da Coligação Junts pel Si e 5 da CUP), enquanto nas forças unionistas apontam para 68 ou 69 deputados (30 ou 31 dos Cyudadanos, 22 do PSC, 8 do PP e 8 do Podemos).
Para além da incerteza quanto ao bloco que vai obter a maioria parlamentar, também há uma grande incerteza quanto ao partido que vai ser mais votado, isto é, a ERC, o JxCat ou o Cys, pelo que, neste quadro de incerteza, o diário catalão elPeriódico alerta para uma possível Catalunha ingovernável.
Associadas às sondagens foram colocadas questões aos eleitores catalães e verificou-se que 70% admite que a economia catalã se ressentiu da Declaração Unilateral de Independência, que 57% confia em que se abra uma negociação com Madrid e que 46% acredita que o processo independentista continuará depois de 21 de Dezembro. Portanto, parece que depois de 21 de Dezembro, continuaremos com a Catalunha nas primeiras áginas dos jornais e como notícia de abertura dos telejornais das boas televisões se as houver.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Trump já ultrapassou a linha vermelha?

A decisão de Donald Trump de reconhecer a cidade de Jerusalém como a capital do Estado de Israel e de para lá transferir a Embaixada dos Estados Unidos chocou o mundo e provocou reacções políticas e religiosas muito críticas e muito preocupadas.
O problema da coexistência entre Israel e a Palestina é, porventura, um dos maiores casos de conflitualidade que o mundo conhece e uma situação de potencial confronto generalizado, porque o estatuto de Jerusalém constitui uma questão central no conflito israelo-palestino.
Jerusalém é uma das mais antigas cidades do mundo e é considerada uma cidade sagrada por três das principais religiões, respectivamente o judaismo, o cristianismo e o islamismo. Por isso, no plano das Nações Unidas que levou à criação do Estado de Israel em 1948, a cidade de Jerusalém ficou com o estatuto de cidade internacional. Porém, nesse ano e na sequência da 1ª guerra israelo-árabe, a cidade foi ocupada por israelitas (Jerusalém Ocidental) e por jordanos (Jerusalém Oriental), mas em 1967 os israelitas ocuparam toda a cidade durante a Guerra dos Seis Dias. Israel tratou então de ocupar efectivamente a cidade e fazer dela a sua capital, mas a comunidade internacional rejeitou a anexação de Jerusalém Oriental e considerou essa parte como território palestiniano ocupado ilegalmente por Israel. Nesse sentido, em 1980 o Conselho de Segurança das Nações Unidas, através da sua Resolução 478, convidou todos os países a retirar as suas embaixadas de Jerusalém para Telavive. E assim aconteceu, pelo que não há quaisquer embaixadas em Jerusalém, que é a cidade onde a Palestina espera instalar a sua capital, o que mostra como é muito sensível este problema.
A decisão de Donald Trump parece ter resultado de problemas internos e de uma tentativa de recuperar o apoio do seu eleitorado mais radical, sobretudo os evangélicos conservadores mas também, embora em menor número, os judeus americanos.
As negociações de paz entre Israel e a Palestina estão seriamente comprometidas e o diário Gulf News que se publica no Dubai, ilustrou a sua primeira página com uma fotografia da cidade de Jerusalém, na qual aparece em plano destacado a cúpula dourada do milenar Domo da Rocha na cidade velha, que é um dos mais sagrados locais do Islão e um aviso que é esclarecedor: Trump ultrapassou a linha vermelha.
O mundo árabe está revoltado e já reagiu. Será que o Donald ultrapassou mesmo a linha vermelha?

Mais um troféu para Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo ganhou ontem pela 5ª vez o Ballon d’Or atribuido pela revista France Football e igualou o talentoso argentino Lionel Messi que antes conquistara cinco troféus. Os jornais desportivos portugueses e espanhóis destacaram a notícia e a fotografia de Cristiano Ronaldo encheu várias primeiras páginas, como por exemplo no diário madrileno as.
A atribuição de prémios de prestígio internacional a Cristiano Ronaldo transformou-se numa rotina que se sucede anualmente, não tanto por ser o melhor do mundo – uma coisa que não pode ser comprovada – mas por recolher simpatias e votos da comunidade futebolística mundial, como aconteceu agora ao recolher mais pontos numa votação exclusiva a  jornalistas de todo o mundo. Os 173 votantes deram 946 pontos a Cristiano Ronaldo, enquanto os seus rivais Messi e Neymar somaram 670 e 361 pontos, respectivamente.
É cada vez mais difícil contabilizar os prémios que o artista-futebolista do Funchal já recebeu entre Bolas e Botas vindas da FIFA, da UEFA e de outras organizações. É notável! O facto  indesmentível é que Cristiano Ronaldo é o português mais famoso que o mundo conhece e que ontem, num espectacular cenário, apareceu no centro da Torre Eiffel em Paris com o seu quinto Ballon d’Or. Foi isso o que o mundo viu.
Milhões de pessoas assistiram a um grande espectáculo televisivo e o prestígio de Portugal subiu mais uns pontos a reboque de Cristiano Ronaldo. O meu aplauso!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Os bonecos de Estremoz são património

A 12ª Reunião do Comité da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial que está a decorrer na Coreia do Sul, classificou hoje a produção dos “Bonecos de Estremoz”, como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Os “Bonecos de Estremoz” são parte de uma arte de carácter popular com mais de três séculos de história documentada, tendo sido o primeiro figurado do mundo a receber a aquela classificação, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz.
A técnica de fabrico consiste na modelação manual de figuras em barro cozido e policromado, sendo conhecidas mais de uma centena de diferentes figuras que estão inventariadas. Segundo foi indicado pelos promotores da candidatura, dedicam-se a esta arte mais de uma dezena de artesãos do concelho de Estremoz. Depois da classificação do fado, da dieta mediterrânica, do cante alentejano, do fabrico de chocalhos, do barro preto de Bisalhães e da falcoaria portuguesa, a identidade cultural portuguesa sai reforçada com a decisão tomada pela UNESCO na Coreia do Sul. Seria muito interessante que este tipo de distinções contribuíssem para a valorização do artesanato das regiões do interior e, dessa forma, se tornassem num factor adicional de atracção de pessoas, actividades e recursos  e, consequentemente, de combate à desertificação do nosso território.