domingo, 29 de maio de 2022

O imparável Real Madrid ganhou outra vez

O Real Madrid bateu ontem o Liverpool na final da Liga dos Campeões da UEFA e conquistou o seu 14º troféu nesta prova, o que constitui um feito desportivo notável. A imprensa espanhola ficou eufórica e encheu as suas primeiras páginas com imagens dos festejos dos vencedores e com títulos como “Madrid eterno”, ou “Campeón infinito”, ou ainda, “El Real Madrid agiganta su mito”. Essa euforia é natural, porque traduz a expressão do entusiasmo popular dos madrilenos e da maioria dos espanhóis pela enorme supremacia futebolística do Real Madrid com os seus 14 títulos, claramente acima dos seus rivais que são o Milan com sete, o Liverpool e o Bayern de Munique com seis e o Barcelona com cinco.
Contrariamente à euforia da imprensa espanhola, a imprensa britânica ficou decepcionada e, nas suas edições de hoje, ignora a final da Liga dos Campeões da UEFA. No entanto, o jornal The Independent dá uma lição de desportivismo e fair play, ao publicar a fotografia dos festejos dos vencedores e ao destacar como título “Real Madrid end Liverpool’s dream”. 
Como nota de curiosidade relativamente a Portugal e aos portugueses, aqui se salienta que tanto o Benfica como o FC Porto venceram esta prova e este troféu por duas vezes cada um, enquanto Cristiano Ronaldo é o recordista da competição pelos 183 jogos que disputou e pelos 140 golos que marcou.

sábado, 28 de maio de 2022

Boston Common e Jardim das Bandeiras

A edição de hoje do jornal The Boston Globe publica uma interessante fotografia que mostra duas pessoas a passear por entre “a sea of more than 37,000 American flags”, como explica a respectiva legenda. 
A cena passa-se no Boston Common, um parque público da cidade de Boston com 20 hectares, que é considerado o mais antigo parque urbano dos Estados Unidos. Nele se encontra um pouco de tudo, desde jardins e espaços culturais, até equipamentos de diversões e espaços de memória para perpetuar figuras de referência, incluindo as sepulturas de grandes personalidades do estado de Massachusetts.
Desde 2010 que uma organização de voluntários criou um imponente jardim no interior do Boston Common, no qual foi instalado um Monumento aos Soldados e Marinheiros do estado de Massachusetts que deram a vida pelo país, desde a Guerra da Independência. Nesse jardim são anualmente colocadas 37.000 bandeiras americanas em memória dos mortos do estado de Massachusetts nas diferentes guerras em que participaram. Esta gigantesca operação é realizada por centenas de voluntários e acontece nas vésperas da última segunda-feira do mês, o dia em que é celebrado por todo o país o Memorial Day, um feriado em que se homenageiam os homens e as mulheres que morreram enquanto serviam nas Forças Armadas dos Estados Unidos. Segundo referem as notícias o espectáculo proporcionado pelas 37.000 bandeiras é imponente.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

A nau Victoria a fazer... História ao vivo

A cidade de Avilés é a terceira maior cidade do Principado das Astúrias e o seu porto é o segundo maior daquela região, logo a seguir ao porto de Gijón. Nos últimos dias tem estado atracada no porto a réplica da nau Victoria, que foi construída nos estaleiros da Isla Cristina, em Huelva, por ocasião da Exposição Universal de Sevilha de 1992.
A nau Victoria foi o navio em que Juan Sebastián de Elcano concluiu a primeira volta ao mundo em 1522, mas que antes tinha sido comandado por Duarte Barbosa, cunhado de Fernando de Magalhães e que lhe sucedera no comando da expedição após a sua morte em Abril de 1521, na ilha de Mactan.
A base da réplica da nau Victoria é o porto de Cádis, mas segundo refere o jornal La Voz de Avilés, “realmente, pocas veces está parado porque navega por Europa dando a conocer la gran hazaña de Magallanes y Elcano”. De facto, as actividades da réplica são destinadas a promover a epopeia espanhola e são geridas pela Fundación Nao Victoria. Assim, a réplica antes esteve na Corunha e, depois desta visita a Avilés, seguirá para Laredo, na Cantábria e, depois, para Bordéus, em França. Em setembro navegará para Sevilha, para estar presente nas cerimónias finais das comemorações dos 500 anos da volta ao mundo de 1519-1522. Naturalmente, a nau Victoria vai cumprindo a sua missão de promover a Espanha e estará aberta a visitas em todos os portos. No caso de Avilés as entradas custam 5 euros para adultos, 3 euros para jovens dos 5 aos 10 anos e 13 euros para famílias. É um caso de História ao vivo e de divulgação histórica, mas também de boa promoção, que se financiam a si mesmo, ou um caso de pay yourself first.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Sobre a cultura das armas e a violência

A edição de ontem do jornal Correio Braziliense destaca duas notícias alarmantes sobre a violência que se vai manifestando por esse mundo fora e que mostra que já não é apenas o que se passa na Ucrânia a encher-nos de preocupações, mas também outras situações que o jornal identificou como a “guerra no Rio” e o “massacre nos EUA”.
Os factos noticiados são os seguintes:
1. Uma operação policial realizada numa favela do Rio de Janeiro com o objectivo de prender os líderes de organizações criminosas que operam no Brasil, deixou 25 mortos no terreno.
2. Um jovem americano de origem hispânica com 18 anos de idade, chamado Salvador Ramos, entrou numa escola em Uvalde, uma pequena cidade americana nas proximidades da fronteira mexicana e matou a tiro 19 crianças e duas professoras.
Estes dois casos, embora diferentes nas suas motivações, chocaram o mundo e tiveram como denominador comum a violência, que é um problema demasiado complexo para ser analisado neste espaço. Porém, em ambos os casos estão presentes distorções sociais e actividades criminosas, designadamente o tráfico de drogas e o negócio das armas. No caso das armas, a permissividade da legislação americana é apontada como a grande responsável pela violência, estimando-se que 39% das famílias americanas tenham pelo menos uma arma em casa. Acontece que “entre 1968 e 2017, houve 1,5 milhão de mortes por arma de fogo nos EUA — o número é maior que o de todos os soldados americanos mortos nas guerras em que o país se envolveu desde a Guerra da Independência, em 1775”.
Desde há muitos anos que os presidentes dos Estados Unidos tentam travar esta violência e esta tragédia, mas o lobby da indústria do armamento é muito poderoso e a cultura das armas – produção, venda e uso – faz parte da mentalidade americana.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Macau reabriu as portas aos portugueses

A epidemia de covid-19 afectou meio mundo e impôs restrições mais ou menos severas à vida das comunidades, perturbando a sua vida económica e cultural a uma escala quase global. No caso da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China essas restrições foram muito rigorosas e, desde Março de 2020, que as autoridades macaenses proibiam a entrada de não residentes, como medida de controlo e prevenção da covid-19.
Calcula-se que Macau tenha cerca de 650 mil habitantes dos quais haverá cerca de nove mil residentes com nacionalidade portuguesa, uma parte dos quais nasceu em Macau, uma outra parte permaneceu no território depois da transferência da soberania em 1999 e, outra parte, instalou-se mais recentemente. Para os portugueses não residentes, ou que não possuem o Bilhete de Identidade de Residente (BIR), a medida de proibição de entrada no território era uma enorme contrariedade, pois representava a separação de famílias e o abandono de muitos projectos.
Porém, as autoridades decidiram agora abrir as portas aos portugueses não residentes, que passam a poder entrar no território sem autorização prévia dos Serviços de Saúde macaenses, desde que nos 21 dias anteriores não tenham estado fora da China, de Hong Kong ou de Portugal. Esta medida é dirigida especificamente aos portugueses não residentes e significa a possibilidade de reunião familiar de muitas famílias, a retoma de projectos profissionais e académicos interrompidos desde há dois anos e até o renascimento do turismo português para Macau. Por isso, o jornal Hoje Macau saudou esta medida com uma expressiva saudação: bem-vindos a Macau!

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Houve festa a dobrar no futebol português

A época futebolística portuguesa terminou ontem com a realização da final da Taça de Portugal e, para quem gosta de futebol, vem aí um período monótono em que não teremos as emoções do futebol em directo nas televisões.
Ontem o Estádio Nacional estava cheio, havia muito entusiasmo e ambiente de festa e, segundo apuramos, nas equipas finalistas do FC Porto e do CD Tondela entraram em campo jogadores de doze diferentes nacionalidades, a mostrar que o futebol é uma indústria multinacional. Para além de portugueses e brasileiros, havia em campo jogadores espanhóis, franceses, argentinos, uruguaios, colombianos, sérvios, senegaleses, nigerianos, congoleses e azeris.
O jogo foi bem disputado e decorreu sem quaisquer sobressaltos. O FC Porto, que já triunfara no campeonato, também venceu esta final, o que significa que conquistou a dobradinha, nome por que os brasileiros designam as duplas vitórias. O jornal A Bola salienta que a festa foi a dobrar.
O futebol é um belo espectáculo quando é jogado por artistas e desperta profundas emoções, embora por vezes excessivas, mas tem a particularidade de ciclicamente satisfazer toda a gente pois há uma alternância de vencedores, isto é, uns anos ganham uns e nos anos seguintes ganham outros.
Embora venham aí os jogos da selecção nacional respeitantes à Liga das Nações, a disputa clubística e o futebol-paixão entram agora no defeso, embora cada clube comece já a pensar na próxima temporada e nos jogadores que vai vender ou comprar. Essa é a componente menos interessante do futebol porque suscita desvarios financeiros e conduz à assinatura de contratos verdadeiramente obscenos.

domingo, 22 de maio de 2022

Os imensos milhões para apoio à Ucrânia

António Costa, o primeiro-ministro de Portugal, foi à Roménia visitar os soldados portugueses, passou pela Polónia e foi a Kiev visitar o presidente Volodymyr Zelensky, como atesta a primeira página da edição de hoje do Público.
Fez o que está na moda e fez bem. Portugal não pode voltar aos tempos do “orgulhosamente sós”. Nas peregrinações a Kiev já se tinha destacado António Guterres, que até ouviu as explosões dos mísseis bem perto de si, mas os inúmeros políticos ocidentais que têm visitado Zelensky. As opiniões públicas nacionais gostam de ter políticos valentes, daqueles que não se cortam e, por isso, muitos têm cumprido essa missão. Agora foi a vez de António Costa. Marcelo já está à espreita…
A visita ao presidente ucraniano teve vários objectivos, mas o principal terá sido o interesse pessoal de António Costa em marcar presença no teatro mediático, que tem sido a apresentação das visitas de políticos europeus a Kiev. Com 60 anos de idade e com forte prestígio europeu, a fotografia do seu encontro com Zelensky vai ser-lhe indispensável para viabilizar o seu futuro político internacional. Para além disso, António Costa foi afirmar a solidariedade e a disponibilidade portuguesa para se juntar à reconstrução da Ucrânia, tendo já reservado o sector da reconstrução das escolas e jardins de infância, ao mesmo tempo que anunciou a concessão de um apoio financeiro de 250 milhões de euros. Nas redes sociais logo apareceram as críticas – “não há dinheiro para a educação e para a saúde, mas há dinheiro para a guerra”, ou “nós a rebentar pelas costuras e eles a fazerem-se de grandes” ou, ainda, “muito gostam os políticos de dar o que não é deles”. 
Hoje sabe-se pelo Kiel Institute for the World Economy que, só no primeiro mês da invasão, a Ucrânia recebeu 13 mil milhões de euros de ajuda humanitária, militar e apoio financeiro. Seguiram-se anúncios de muitos e muitos milhões. Os últimos foram anunciados pelos Estados Unidos e cifram-se em 40 mil milhões de dólares. Quando o Kiel Institute for the World Economy nos anunciar os montantes dos apoios até agora concedidos à Ucrânia vamos ficar estarrecidos, até porque muito desse dinheiro não irá chegar ao seu destino, nem aos seus destinatários.

sábado, 21 de maio de 2022

Ainda é possível a paz na Ucrânia?

Desde o dia 24 de Fevereiro que, em relação à invasão russa da Ucrânia, temos aqui defendido um cessar-fogo sob a égide das Nações Unidas, que conduza a negociações e à paz. Diversos mediadores juntaram as partes em confronto, trocaram-se prisioneiros e foram abertos corredores humanitários, mas como disse um ministro turco “há alguns países no seio da NATO que querem que a guerra na Ucrânia continue”, porque isso enfraquece e humilha a Rússia, mas também porque alimenta a indústria americana do armamento, nomeadamente a Lockeed Martin, a Raytheon Technologies, a General Dynamics e outros grandes tubarões. Há também quem defenda que a guerra só pode acabar com a derrota da Rússia como responsável pela invasão, mas há outros países que não escondem que se deve evitar humilhar a Rússia, até porque os lobos enfurecidos tendem a morder mais e ninguém pode ignorar as ameaças nucleares russas. Enquanto isto e depois de várias derrotas em Kiev e Kharkiv, a Rússia terá conseguido a sua primeira vitória em Mariupol. Assim, as duas partes já têm algumas vitórias registadas, pelo que poderão estar reunidas as condições para que russos e ucranianos ouçam os mediadores e se sentem à mesa de negociações, sem que se apresentem na condição de derrotados.
Porém, já foram acumuladas tantas provocações, insultos e acusações que, na sua última edição, o Courrier international pergunta se a paz ainda é possível. Sem ser especialista, atrevo-me a dizer que a paz tem que ser possível, porque a alternativa à paz é sempre catastrófica, não só para a Ucrânia e para os ucranianos, mas também para a Europa e até para o mundo.
Entretanto, já há muita gente a quem a dor ucraniana pouco interessa e que recorre à famosa análise SWOT, tratando a guerra como uma oportunidade e procurando posicionar-se para fazer negócios no futuro.

Timor Leste: 20 anos de independência

A República Democrática de Timor-Leste celebrou o 20º aniversário da sua independência e, ao mesmo tempo, empossou José Ramos-Horta como o seu sétimo presidente da República.
Portugal esteve representado neste evento através do presidente da República Portuguesa, que viajou num voo especial da EuroAtlantic Airways e que se fez acompanhar por uma comitiva de 18 pessoas, segundo indicam alguns relatos. As várias estações de televisão portuguesas também acompanharam Marcelo Rebelo de Sousa, pelo que o pudemos ver no cemitério de Santa Cruz e na sua intervenção no Parlamento Nacional, durante a sessão solene comemorativa dos 20 anos da Constituição da República Democrática de Timor-Leste, mas também em múltiplas situações de grande excitação de cariz populista e entusiasmo desproporcionado, em que abraçou, beijou, dançou e tirou selfies, exactamente como se estivesse em campanha eleitoral em Alcabideche ou em Carrazeda de Ansiães. Porém, o momento porventura mais emocionante desta visita, sobretudo para quem viveu localmente uma parte do processo independentista timorense, foi a merecida condecoração do padre João Felgueiras, um jesuíta natural de Caldas das Taipas, concelho de Guimarães, que dentro de um mês completará 101 anos de idade e que muitos timorenses consideram um símbolo da resistência e da preservação da língua e da cultura portuguesas em Timor, durante os anos da ocupação indonésia.
Lamentavelmente, com a excepção do Diário de Notícias, a imprensa escrita portuguesa ignorou o 20º aniversário da independência de Timor Leste.
A deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa a Timor Leste coincidiu com a visita de António Costa ao Leste europeu e aquele não quis que este tivesse mais protagonismo do que ele e, por isso, tratou de comentar aquilo que um presidente da República não deve comentar. Alguns jornais chamaram-lhe gafes presidenciais. Tendo ambos feito importantes visitas de Estado, não havia necessidade destas guerras de popularidade.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

A queda da Azovstal e o que se segue agora

As hostilidades na Ucrânia transformaram-se numa guerra por procuração ou num confronto entre a Rússia e os Estados Unidos. Apesar de sermos bombardeados diariamente com imagens, mapas, comentários e serviços dos enviados especiais, pouco sabemos sobre o que realmente se passa no terreno, parecendo que toda essa informação, falsa ou verdadeira, está ao serviço das estratégias de propaganda das partes em conflito. A mesma notícia e as mesmas imagens são repetidas em dias consecutivos e a maioria das informações difundidas pouco esclarecem, pois tendem a fazer-nos crer que se trata de uma guerra entre os que são bons e os que são maus. A somar a esta deformação das informações, acresce a narrativa dos “especialistas de relações internacionais” que aprenderam todos pela mesma cartilha e só mostram uma face da moeda.
Tudo isto a propósito do cerco russo à cidade de Mariupol e do recuo das forças ucranianas até ao reduto da Azovstal, uma das maiores instalações siderúrgicas da Europa, que possui túneis e bunkers capazes de resistir a um ataque nuclear. Elogiou-se a corajosa resistência das forças ucranianas. Desconhece-se se havia mercenários no local, mas havia muitos feridos no interior da Azovstal. Parece que intervieram mediadores. Alguma coisa se conseguiu mas não se sabe bem o quê.
O facto é que, devido a essas e outras circunstâncias, a partir do dia 16 de Maio “renderam-se 2.439 elementos do regimento Azov e das forças ucranianas”, mas hoje ter-se-ão rendido os últimos 531 combatentes que se encontravam no Azovstal. Aparentemente, tratou-se de uma rendição das forças ucranianas depois do seu comandante ter recebido ordens de Kiev para “salvar a vida dos seus soldados e parar de defender a cidade”. Após mais de um mês de cerco e de constantes bombardeamentos, a Rússia veio anunciar a “libertação total” da Azovstal, mas a Ucrânia recusou falar em rendição, embora assuma o fim da resistência em Mariupol.
Não se sabe o que aconteceu e, afinal, com tantos enviados especiais disseminados pela Ucrânia, ninguém nos esclarece, embora pareça que a Rússia obteve uma primeira vitória. Esta manhã o jornal Ouest France, pareceu adivinhar o que veio a acontecer durante o dia e pergunta: que destino para os soldados da Azovstal?

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Um milhão de mortos por covid nos EUA

Os Estados Unidos registaram um milhão de mortes por covid-19 e, com grande destaque, o jornal USA TODAY classificou esse número como um marco histórico. O tema já aqui tinha sido tratado, mas a forma como a imprensa americana o destacou, justifica que voltemos a apreciá-lo, pois a epidemia foi realmente catastrófica nos Estados Unidos, sobretudo quando comparamos este marco de um milhão de mortos com o total de mortes militares americanas em batalhas e outras causas durante a 2ª Guerra Mundial, que atingiu 407.316 mortes.
Significa que morreram muitos mais cidadãos americanos devido ao covid-19, do que tinham morrido durante a 2ª Guerra Mundial. A diferença de números é impressionante e como refere o jornal, é um milestone!
O jornal apresenta uma segmentação da incidência etária das mortes por covid-19, verificando-se que 51,5% delas atingiram indivíduos com mais de 75 anos de idade. Depois, verifica-se que 23% das mortes ocorreram na faixa etária dos 65 aos 74 anos, que 14,7% ocorreram na faixa etária dos 55 aos 64 anos e que 10,5% das mortes ocorreram na faixa etária dos 25 aos 54 anos. Finalmente, apenas 0,3% das mortes atingiram a população com menos de 24 anos de idade.
Esta gigantesca amostra confirma que a perigosidade do covid-19 afectou sobretudo os mais idosos, mas também mostra que, nem os países com mais recursos sanitários e tecnológicos como acontece com os Estados Unidos, estão mais imunizados para resistir a este tipo de epidemias. Agora, que se confirma que a epidemia apenas abrandou, mas que parece estar de volta por todo o lado, há boas razões para voltarmos a ter os cuidados necessários.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Os países bálticos e a sua adesão à NATO

A guerra na Ucrânia já dura há mais de oitenta dias e não se vislumbra como possa acabar, mas a conversa havida no dia 13 de Maio entre os responsáveis políticos pela defesa americana e russa, respectivamente Lloyd Austin e Sergey Shoygu, a primeira que tiveram desde o início da guerra, pode ser uma oportunidade para a paz. 
Hoje é evidente que o que se passa na Ucrânia é uma guerra por procuração entre os Estados Unidos e a Rússia, na qual esta não conseguiu os seus objectivos iniciais, nem obteve nenhuma grande vitória, correndo mesmo o risco de ser humilhada pelos combatentes ucranianos e pelo seu moderno armamento, que tem sido fornecido em abundância pelos Estados Unidos e por outros países da NATO. A invasão russa e a máquina militar americana, fizeram da Ucrânia um campo de batalha entre as duas potências militares rivais, ignorando os interesses de um país que é dividido por duas culturas, duas línguas e duas religiões. Os países europeus podiam ter procurado a paz, mas pouco têm feito para além de seguirem o “amigo americano”, como se os interesses de ambos fossem comuns, enquanto são muito poucas as vozes que pedem a paz.
Neste quadro, a Suécia e a Finlândia decidiram pedir a adesão à NATO, por entenderem ser essa a melhor forma de garantir a sua segurança, depois do que viram ter acontecido à Ucrânia, apesar das ameaças russas explícitas ou implícitas. O jornal espanhol ABC dedica a primeira página da sua edição de hoje a esse facto e reproduz as afirmações do secretário-geral da NATO, um homem que fala como se tivesse mandato dos estados-membros e que afirmou que “la OTAN protegerá militarmente a Suecia y Finlandia durante el proceso de adhesión”. Ele lá sabe quem lhe deu estas instruções...
Estes países nórdicos, tradicionalmente neutrais e que actualmente têm mulheres como primeiras-ministras, tomaram uma decisão histórica e legítima que os seus Parlamentos aprovaram, mas de que a Rússia não gostou, o que poderá enfurecer mais o imprevisível Putin.
Com esta decisão, que certamente vai ser aprovada, toda a arquitectura de segurança e defesa europeia vai ser alterada e ninguém é capaz de dizer como vai ser o futuro.

domingo, 15 de maio de 2022

A pandemia do covid-19 ainda nos ameaça

Quando o mundo parecia começar a sentir-se livre da epidemia do covid-19 e se anunciava um tempo de alívio, têm surgido sinais que mostram que o vírus afinal ainda anda por aí, a causar muitas preocupações. Por isso, as autoridades sanitárias recomendam cautelas, sobretudo por parte das pessoas mais débeis, mas também o uso de máscara nos transportes públicos, hospitais, farmácias, centros de saúde e lares. É grande a apreensão sobre o que possa aparecer no futuro e, em alguns países, já está a ser ministrada a quarta dose da vacina.
Quando a ultrapassagem da crise sanitária estava a dar lugar a uma retoma económica quase de euforia, surgiu a guerra na Ucrânia e, agora, o há o reaparecimento do covi-19. O mundo não se consegue libertar deste tipo de tristes episódios. A Organização Mundial de Saúde, mas também as autoridades nacionais, bem procuram serenar os ânimos das populações, mas a situação é pouco animadora. Hoje, numa perspectiva de alerta à população, mas também de homenagem ao milhão de americanos que foram vítimas do covid-19, o jornal The New York Times ilustrou a sua primeira página com uma imagem da distribuição dos óbitos pelo território americano e escolheu para título “Um milhão – a dor incomensurável de uma nação”.
De acordo com os números que vão sendo divulgados, a pandemia já causou cerca de seis milhões de óbitos no mundo e, nessa lista negra, os Estados Unidos lideram com 998.301 óbitos, seguindo-se o Brasil, a Índia, a Rússia, o México, o Peru, o Reino Unido e a Itália.
Em Portugal verificaram-se, até agora, um pouco mais de quatro milhões de casos e há a lamentar 22.583 óbitos. Pelo sim e pelo não, o melhor é ter cautelas.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Luxemburgo/Portugal:relação excepcional

Os Grão-Duques do Luxemburgo estão desde ontem em visita oficial a Portugal, tendo sido cumpridas as formalidades protocolares que são devidas aos Chefes de Estado estrangeiros, incluindo honras militares, a que se seguiu um encontro no Palácio de Belém, onde o Presidente da República afirmou que Portugal e o Luxemburgo estão “totalmente de acordo” na União Europeia e na NATO, com “os mesmos pontos de vista” sobre a situação que se vive na Europa. Nessa oportunidade, fez bem em agradecer a forma como o Luxemburgo tem acolhido e integrado a comunidade portuguesa naquele país, que actualmente tem cerca de 90 mil cidadãos, que representam cerca de 15% da população do Grão-Ducado.
Marcelo Rebelo de Sousa já fizera uma visita oficial ao Luxemburgo em 2017 e os Grão-Duques já tinham visitado Portugal em 2010.
O Grão-Duque Henrique, segundo relata a edição de hoje do jornal Le Quotidien, referiu que existe uma regra luxemburguesa que interdita uma segunda visita de Estado ao mesmo país, mas que “a relação excepcional com Portugal” justifica esta sua segunda visita. Depois, ainda de acordo com o jornal luxemburguês, “de manière sincére”, o grão-Duque saudou “l’apport inouï de la population portugaise à la construction du Luxembourg”. O Presidente da República acompanhou os visitantes num passeio de carro eléctrico por alguns bairros históricos da cidade de Lisboa, que terminou no Miradouro das Portas do Sol, no bairro de Alfama, tendo à noite oferecido um jantar no Palácio Nacional da Ajuda, em honra dos visitantes luxemburgueses.
Curiosamente, a imprensa portuguesa esqueceu completamente a visita oficial dos Grão-Duques do Luxemburgo, porque nisso de visitas oficiais só lhe interessam as que faz Marcelo Rebelo de Sousa ao estrangeiro e que os leva na sua comitiva a bordo do Falcon, evidentemente à custa do pobre do contribuinte.

Finalmente, aproxima-se a hora do Carlos.

A rainha Isabel II tem 96 anos de idade e os seus médicos aconselharam-na a que não estivesse presente na tradicional cerimónia da abertura do Parlamento, devido aos seus “problemas episódicos de mobilidade”. Tendo iniciado o seu reinado em 1952, depois da morte de seu pai o rei Jorge VI, a rainha já leva 70 anos no trono britânico como rainha do Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além de mais de uma dezena de pequenos estados, como a Jamaica, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, ilhas Salomão e outros. É a monarca britânica com mais tempo no trono, superando a longevidade da rainha Victoria, que durante 63 anos foi a rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, mas também Imperatriz da Índia.
A rainha Isabel II tinha-se casado em 1947 com Filipe da Grécia e Dinamarca e tem quatro filhos, oito netos e doze bisnetos. O seu sucessor será Carlos, o seu filho mais velho, que é também o Príncipe de Gales e que, tendo nascido em 1948, tem agora 73 anos.
No passado dia 10 realizou-se a tradicional cerimónia de abertura do Parlamento e pela terceira vez no seu longo reinado a rainha não esteve presente, depois de também ter estado ausente em 1959 e 1963, por então estar grávida.
Pela primeira vez, o príncipe Carlos presidiu e discursou nesta cerimónia, tendo-se sentado ao lado da cadeira da rainha, ocupada pela Coroa Imperial, que só é usada nas cerimónias da coroação do monarca do Reino Unido e da abertura do Parlamento. A Coroa Imperial é uma das joias da Monarquia Britânica e pesa 1,060 quilogramas, tendo quatro diademas e 2.868 diamantes, 273 pérolas, 17 safiras, 11 esmeraldas e 5 rubis.
Por maior que seja o respeito por Her Majesty, a sua Mãe, o príncipe Carlos deve ter pensado “finalmente “ ou “o que eu andei para aqui chegar”. Certamente que este tipo de tradições desperta algum interesse, inclusive naqueles que não sendo monárquicos, nem apreciam a figura casmurra do príncipe herdeiro do Reino Unido. Porém, pelas leis da vida, aproxima-se finalmente a hora do Carlos.