quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Os doze perigos que ameaçam 2024

A edição da revista L’Express que hoje começou a circular, inclui uma desenvolvida reportagem sobre os “doze perigos que ameaçam 2024” e ilustra a sua primeira página com uma sugestiva ilustração em que se vêem Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Jinping, Benjamin Netanyahu e Ali Khamenei.
Segundo a revista, o ano de 2024 promete ser muito agitado e vai continuar a assistir a duas guerras brutais na Ucrânia e em Gaza mas, para além desses conflitos, haverá outras ameaças à estabilidade mundial: a pressão militar chinesa sobre Taiwan, as contínuas provocações norte-coreanas, o acesso do Irão à bomba atómica e a cooperação cada vez mais estreita entre Moscovo, Pequim, Teerão e Pyongyang. Os ventos que sopram na Europa também parecem incertos, pois a pressão das opiniões públicas começa a produzir efeitos e a gerar hesitações no prometido apoio à Ucrânia. O ano de 2024 também vai assistir a mais de 70 actos eleitorais por todo o mundo, incluindo a eleição presidencial nos Estados Unidos, o que pode alterar o actual quadro geopolítico mundial. Porém, os perigos que ameaçam 2024” não se ficam por aqui e a revista francesa ainda fala na tensão no Azerbaijão, na crise Venezuela-Guiana, no eventual alastramento do conflito do Médio Oriente, na progressão da extrema-direita europeia e nos ataques jihadistas em vários países africanos, incluindo Moçambique.
Lamentavelmente, a revista só fala de guerras ou de possíveis guerras, quando o que precisamos é que sejam abertos caminhos para a paz.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

O grande jogo da competição internacional

O diário catalão El Punt Avui é publicado em Barcelona e Girona desde 2011 e resulta da fusão do jornal El Punt e do jornal Avui, que tinham aparecido depois do fim do regime franquista e da liberalização espanhola. O jornal apoia o independentismo da Catalunha, é editado em catalão e na sua edição de ontem destaca em primeira página uma ilustração com algumas peças de um jogo de xadrez com o título “joc obert”, que significa “jogo aberto”, que é bastante interessante, pois ajuda a perceber o actual panorama mundial e mostra como “uma imagem vale mais que mil palavras”.
Trata-se de uma reflexão geopolítica sobre o novo ano de 2024, que refere que a competição internacional será marcada pelo aumento dos conflitos, pelas eleições em boa parte do mundo, pelas desigualdades e pelos grandes desafios climáticos e digitais. As sete peças de xadrez estão alinhadas segundo uma lógica de alianças que, naturalmente, são discutíveis: de um lado estão os Estados Unidos, a União Europeia e Israel, do outro lado estão a China, a Rússia e o Irão e, no meio de ambos e a fazer de ponto de equilíbrio, está o Brasil.
As peças estão representadas com proporcionalidade com os Estados Unidos e a China mais destacadas, a União Europeia e a Rússia em tamanho médio, enquanto Israel e o Irão estão em tamanho menor. Embora não seja consensual que a União Europeia ainda esteja ao lado de Israel depois do que tem sido feito em Gaza, é uma forma curiosa de apresentar a competição geopolítica que se espera para o ano de 2024, embora fosse possível incluir outras peças importantes neste jogo de xadrez, como o Reino Unido, a Turquia ou a Índia. O que o mundo espera é que o jogo da competição internacional seja pacífico, sem que uma parte queira fazer xeque-mate à outra parte.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

O Brasil chora a morte de Mário Zagallo

Ontem foi domingo e a imprensa brasileira prestou expressiva homenagem a Mário Jorge Lobo Zagallo, que faleceu com 92 anos de idade e foi uma das maiores glórias do futebol do Brasil. Foram decretados três dias de luto nacional e o jornal Correio Braziliense chamou-lhe “uma lenda mundial” e dedicou-lhe a primeira página da sua edição.
Embora nos tempos que correm, pareça que o melhor futebol do mundo já não mora no Brasil, houve um tempo em que o Brasil foi a pátria do futebol e o país de grandes jogadores como Pélé, Garrincha, Zico, Ronaldo, Rivelino, Romário e muitos outros, como Mário Zagallo.
Mário Zagallo jogou sete anos no Flamengo e outros sete anos no Botafogo, mas o que o tornou famoso foi o facto de ter sido campeão do mundo como jogador em 1958 e em 1962, como treinador em 1970 e como coordenador técnico da selecção “canarinha” em 1994, isto é, totalizou quatro vitórias no Mundial de Futebol em três diferentes funções. Foi treinador da selecção brasileira e de várias equipas, não só no Brasil como também no Kuwait, na Arábia Saudira e nos Emirados Árabes Unidos.
O Brasil estimava Mário Zagallo e venerava-o como um ídolo e como um patriota, mas também como professor e mestre de futebol. Se o futebol é uma quase-religião para os brasileiros, ele era seguramente uma divindade que, inclusive, fez o “milagre” de colocar Luiz Lula da Silva e Jair Bolsonaro a dizer a mesma coisa. Muitos brasileiros choram a morte de um dos seus símbolos de unidade nacional.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Angola e os mártires da repressão colonial

O Jornal de Angola evocou na sua edição de ontem os heróis da Baixa do Cassanje, que em Janeiro de 1961 foram vítimas da repressão colonial portuguesa. Trata-se de um episódio pouco conhecido do colonialismo português, como de resto são os acontecimentos de Batepá (S. Tomé e Príncipe, 1953). do Pidjiguiti (Guiné-Bissau, 1959) e de Mueda (Moçambique, 1960).
Nos primeiros dias de Janeiro de 1961, os trabalhadores das plantações algodoeiras da companhia luso-belga Cotonang, na Baixa do Cassanje, decidiram fazer um protesto contra as suas condições de trabalho e armaram-se de catanas e canhangulos, desafiando as autoridades portuguesas e destruindo plantações, casas e pontes. Este movimento tinha sido incentivado pela recente independência do Congo Belga, uma vez que os povos do Congo e os daquela região angolana tinham raízes étnicas e culturais comuns e, portanto, se os povos do Congo já eram independentes, os povos daquela região também tinham essa aspiração. Os colonos portugueses foram os primeiros a reprimir o protesto, mas o Exército também foi chamado, tal como a Força Aérea. Os relatos diferem quanto ao que se passou, mas perderam-se muitas vidas na repressão que ficou conhecida como o “massacre da Baixa do Cassanje”.
As autoridades angolanas assinalam a efeméride como uma data de celebração nacional, considerada o Dia dos Mártires da Repressão Colonial, em que segundo os angolanos “morreram milhares de pessoas”, embora alguns estudos refiram que “teria havido entre duzentas e trezentas mortes entre os revoltosos”.
Apesar de se tratar de um acontecimento muito grave, não foi noticiado na imprensa portuguesa da época, o que torna mais difícil o apuramento da verdade.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

O “milagre” de Tóquio salvou 379 vidas

A tecnologia tem criado condições de segurança nos modernos aviões comerciais e a aviação tornou-se uma actividade muito segura. Segundo o FlightAware, uma empresa americana que recolhe informações sobre a navegação aérea em todo o mundo, através de 32.000 estações em terra situadas em cerca de duzentos países e de outras fontes informativas, o número médio de aviões que voam ao mesmo tempo no nosso planeta é 9.728 aviões, que transportam 1.270.406 pessoas. Um outro estudo, com a mesma origem, informa-nos que no dia 6 de Julho de 2023, houve 250.381 aviões comerciais que nesse dia levantaram voo, dos quais 134.386 eram voos comerciais. Em alguns momentos desse dia, foram registados mais de 20.000 aviões a voar simultaneamente entre diferentes destinos. Tantos voos, tantos milhões de passageiros e, felizmente, tão poucos acidentes! 
É uma vitória da ciência e da civilização, em tempos de algumas guerras…
Porém, ontem no Aeroporto Internacional de Haneda, em Tóquio, um Airbus A350-900 da Japan Airlines (JAL), que fazia o voo doméstico JAL 516, incendiou-se na pista depois de colidir com uma aeronave da Guarda Costeira Japonesa, que se preparava para levantar voo em auxílio das vítimas do sismo que afectou a região central do Japão. O A350 da JAL rolou pela pista, envolto em chamas mas, com surpresa geral, em menos de dois minutos todos os 367 passageiros e 12 tripulantes conseguiram salvar-se, o que demonstra um elevado grau de treino, disciplina e eficiência das tripulações dos modernos aviões. Entretanto, morreram cinco dos seis tripulantes da pequena aeronave da Guarda Costeira.
O jornal londrino The Guardian publica na sua edição de hoje uma fotografia que hoje ilustra inúmeras edições de jornais de todo o mundo, referindo o “inferno” das chamas que envolveram o A350 e salientando que o salvamento de 379 pessoas que iam a bordo foi um “milagre”.
Realmente, depois de vermos as imagens televisivas, também podemos afirmar que parece ter sido um milagre!

A perigosa escalada do conflito ucraniano

O conflito na Ucrânia tem-se acentuado nos últimos dias e alguma imprensa internacional fala em “escalada”, pois a cada ataque de uma parte sucede-se a retaliação da outra parte, o que significa um agravamento da situação e que a paz pode estar mais longe.
Acontece que no dia 29 de Dezembro os russos bombardearam várias cidades ucranianas, como Kiev, Kharkiv, Lviv e Odessa e, segundo as autoridades ucranianas, foram utilizados 158 mísseis de cruzeiro, balísticos e hipersónicos, além de drones, muito acima da média dos ataques feitos ao longo do ano, de que terão resultado 30 mortos. No dia seguinte (30 de Dezembro) os ucranianos responderam com um ataque à cidade russa de Belgorod de que terão resultado 18 mortos, mas os russos acusaram os ucranianos de terem usado bombas de fragmentação, prometeram retaliar e pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na terça-feira (2 de Janeiro) as cidades de Kiev e Kharkiv foram atingidas por uma vaga de mísseis russos, que foi descrita como “a mais intensa desde que começou a invasão russa”. O jornal francês Le Télégramme que se publica na cidade de Brest, destaca hoje em título de primeira página a “chuva de mísseis sobre a Ucrânia” e publica uma fotografia alusiva a esses efeitos.
Esta anormal intensidade dos ataques russos parece estar relacionada com as dificuldades internas e externas que atravessa o regime de Volodymyr Zelensky, por não haver garantias de apoio dos americanos e de outros países ocidentais, mas os ataques russos também visarão desmoralizar a população quando se aproxima “o duro inverno ucraniano”.
O presidente Zelensky anunciou que “a Rússia usou cerca de 300 mísseis e 200 drones em cinco dias”, mas este anúncio pode significar uma pressão adicional para que o apoio ocidental continue como até agora e resista ao cansaço financeiro e às posições das suas opiniões públicas. Por isso, segundo refere a imprensa internacional, Zelensky poderá ter que fazer “escolhas difíceis” nos próximos tempos.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Ano Novo e as iluminações do Burj Khalifa

Hoje é o primeiro dia do novo ano de 2024 e muitos jornais publicaram fotografias dos fogos-de-artifício que iluminaram algumas das grandes cidades mundiais. Era habitual que a entrada no novo ano fosse ilustrada na imprensa com a fotografia da Harbour Bridge, na cidade australiana de Sydney, mas nos anos mais recentes são as iluminações e os fogos-de-artifício do Burj Khalifa, o mais alto edifício do mundo, situado na cidade do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), que desperta mais interesse da imprensa internacional que acompanha as notícias relativas às passagens de ano.
O Burj Khalifa tem 829,8 metros de altura, 163 andares e é servido por 58 elevadores, alguns dos quais percorrem 504 metros. Foi projectado por Skidmore, Owings e Merrill (SOM), uma empresa de engenharia e arquitectura americana com sede em Chicago, tendo sido construído entre 2004 e 2010 pela empresa sul-coreana Samsung C&T.
As autoridades dos EAU utilizam o Burj Khalifa como factor de promoção da modernidade deste riquíssimo país, que é uma confederação de sete monarquias ou emirados, anunciando que suporta a maior exibição de fogo-de-artifício do mundo.
O jornal The National que se publica na cidade de Abu Dabi, a capital e segunda maior cidade dos EAU, destaca na sua edição de hoje uma fotografia das iluminações do Burj Khalifa, mas também salienta, com destaque de primeira página, a necessidade de “um novo esforço para uma trégua duradoura na guerra de Gaza”.

domingo, 31 de dezembro de 2023

Adeus a 2023! O que nos reserva 2024?

Nas próximas horas o calendário deixa para trás o ano de 2023 e inicia o ano de 2024 que, dizem os entendidos e aqueles que se querem fazer passar por entendidos, vai ser um ano difícil para Portugal e para o mundo. 
O diário Le journal de Montréal foi um dos muitos jornais mundiais que dedica a sua edição de hoje à passagem de ano e pergunta o que nos reserva o novo ano de 2024. 
Quando se inicia um novo ano é costume desejar-se saúde, paz e prosperidade aos que nos rodeiam, mas todas essas circunstâncias dependem de diferentes envolventes políticas, económicas e ambientais internas e externas, relativamente às quais também aqui expresso os meus desejos.
1º - Que se resolvam os conflitos da Ucrânia e da Palestina e que o papel das Nações Unidas se reforce, o que pressupõe que haja dirigentes inteligentes, corajosos, prudentes e apaziguadores.
2º - Que as eleições para o Parlamento Europeu (em Junho) e as eleições presidenciais americanas (em Novembro) conduzam a resultados que reforcem a Democracia e a paz no mundo.
3º - Que a União Europeia aposte cada vez mais no progresso e no bem-estar dos seus cidadãos, assumindo-se como um factor de estabilidade e de paz em relação aos conflitos activos junto das suas fronteiras.
4º - Que as grandes potências, designadamente os Estados Unidos, a União Europeia, a China e a Índia adoptem rapidamente políticas que combatam as alterações climáticas e defendam o nosso planeta. 
5º - Que os diferentes actos eleitorais a realizar em Portugal no ano de 2004 decorram com normalidade e com o esclarecimento dos eleitores, para que os eleitos garantam a paz e o progresso dos portugueses.
6º - Que os dirigentes portugueses sejam consequentes no cumprimento do artigo 7º da CRP que afirma que, nas relações internacionais, Portugal se rege no respeito pelos direitos do homem e da solução pacífica dos conflitos internacionais.
7º - Que as comemorações do 25 de Abril de 1974 sejam uma grande festa nacional, que decorram com serenidade e que reforcem os sentimentos democráticos dos portugueses.
8º - Que em relação às grandes áreas da governação e aos grandes projectos nacionais haja acordos de regime que assegurem, de forma duradoura e sustentada, o bem-estar e o progresso dos portugueses. 
§ único - Que todos os meus amigos tenham saúde, alegria, ânimo e prosperidade.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

A pobreza extrema e o sonho americano

A edição de ontem do The Wall Street Journal destaca, com uma fotografia na sua primeira página, a longa e pacífica marcha que está a atravessar o México em direcção à fronteira sul dos Estados Unidos.
A marcha começou a formar-se na cidade mexicana de Tapachula no passado domingo, dia 24 de Dezembro, sendo encabeçada por uma faixa na qual está escrito “Éxodo de la Pobreza”, pois os responsáveis do grupo declaram que as pessoas apenas estão a fugir da desumana pobreza em que vivem e pretendem chegar aos Estados Unidos, ou ao sonho americano, para aí trabalharem honestamente. Inicialmente seriam cerca de sete mil pessoas, oriundas sobretudo do México, Venezuela e Cuba, mas a marcha integra pessoas de todas as idades e de 24 nacionalidades, provenientes da América Central, da América do Sul e das Caraíbas.
A pobreza é a negação aos seres humanos de qualquer poder económico, social e político, sendo uma das maiores catástrofes que afecta a humanidade. Por isso, foi proclamada como uma violação dos direitos humanos, pois priva os seres humanos de recursos e da satisfação das suas necessidades mais básicas nas esferas da saúde, educação, habitação, acesso à água e saneamento.
Daí que, tal como acontece na Europa, também os Estados Unidos exista uma “fuga da pobreza” e um intenso movimento migratório de sul para norte, em direcção à cidade californiana de San Diego e às cidades texanas de El Paso e Eagle Pass. Segundo a BBC, “desde o início do ano, mais de dois milhões de migrantes foram detidos na fronteira entre o México e os Estados Unidos, um número recorde”. Em Setembro deste ano mais de 200 mil migrantes foram detidos nessa fronteira, mas em Novembro terão sido 242 mil. É neste mundo que não cala Netanyahu, nem faz calar as armas na Ucrânia, que há mais de mil milhões de seres humanos a viver na pobreza…

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

As perdas da Marinha russa no mar Negro

A guerra na Ucrânia tem continuado a mostrar que está a ser uma tragédia para a população ucraniana e para as tropas de ambos os lados, enquanto os cofres de muita gente alinhada com Zelensky parece estarem a ficar vazios. Os que podiam ter procurado a paz através do reforço dos acordos de Minsk de 2014 e 2015 e de ter procurado pôr fim à guerra civil entre os nacionalistas ucranianos e os rebeldes pró-russos no Leste da Ucrânia, preferiram fazer a guerra e alimentar as indústrias do armamento. E tem sido assim, sobretudo a partir do dia em que o conflito se agravou com a tentativa russa de ocupar Kiev.
Apesar de todos os dias termos inúmeros comentadores televisivos que não conseguem ser independentes e que só nos falam de guerra, como se a paz fosse uma impossibilidade, o facto é que o cidadão comum não sabe o que se passa no terreno, nem se há esforços para conseguir um cessar-fogo e para negociar uma solução para o conflito. Porém, de vez em quando, chegam-nos notícias veiculadas pela imprensa internacional que mostram a realidade da guerra, nomeadamente contra a Marinha russa estacionada no mar Negro, que em Março de 2022 perdeu o navio-transporte Saratov no porto de Berdiansk e em Abril de 2022 perdeu o seu navio-chefe, o moderno cruzador Moskva.
Agora foi anunciado, nomeadamente pelo jornal basco El Correo, que um ataque ucraniano com mísseis atingiu o navio-transporte Novocherkassk, atracado no porto de Feodosia, na costa oriental da Crimeia, que segundo os ucranianos foi afundado, mas que os russos dizem ter sido apenas atingido. É a guerra da propaganda, mas neste caso significa que a guerra está muito activa e que os mísseis ucranianos estão a fazer muitos estragos à Marinha russa.

R.I.P. Jacques Delors

Jacques Delors, um cidadão francês e militante do Partido Socialista que foi presidente da Comissão Europeia entre 1985 e 1995, faleceu ontem em Paris com 98 anos de idade e parece haver unanimidade quanto aos seus excepcionais méritos, pois nenhum dos seus sucessores – Jacques Santer, Romano Prodi, Durão Barroso, Jean-Claude Juncker e Ursula von der Leyen – alguma vez se mostraram à altura da “alma europeia de Delors” e da sua verdadeira dimensão europeista. Foi durante a sua presidência e sob a sua inspiração, que os governadores dos bancos centrais apresentaram o chamado Relatório Delors sobre os passos a dar para a realização da União Económica e Monetária, daí nascendo o novo Tratado da União Europeia ou Tratado de Maastricht que concretizou a nova arquitectura europeia e que, a partir de 1 de Janeiro de 1999, lançou o euro como a nova moeda única europeia.
Portugal tinha sido admitido na Comunidade Económica Europeia (CEE) em 1986 e Jacques Delors afirmou-se como um bom “amigo de Portugal”, que lhe retribuiu com condecorações e doutoramentos honoris causa pelo seu valor humano, mas também como expressões de gratidão pelos generosos fundos estruturais concedidos para a modernização da economia portuguesa.
O tempo de Jacques Delors foi, provavelmente, o ponto mais alto da materialização do ideal europeu desde o Tratado de Roma e é legítimo falar-se de um tempo pós-Delors, em que a Europa tem perdido progressivamente lideranças, protagonismos e ideais.
Homens idóneos e de espírito europeu como Jacques Delors fazem-nos falta nos tempos conturbados que atravessamos na Europa.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

O novo confronto Trump-Biden em 2024

A menos de um ano das eleições presidenciais americanas e com as eleições primárias quase a começar, parece confirmar-se um novo encontro entre o actual e o anterior presidente dos Estados Unidos, ou entre o democrata Joe Biden de 81 anos de idade e o republicano Donald Trump de 77 anos de idade. O assunto interessa tanto aos americanos como ao resto do mundo e, por isso, a imprensa europeia já lhe dedica a sua atenção, como se observa na edição de hoje do jornal francês La Dépèche du Midi, que se publica em Toulouse e que anuncia com grande destaque o regresso do confronto entre Trump e Biden.
Segundo informa o jornal, Donald Trump está confrontado com uma série de processos judiciais, mas verifica-se que cada novo processo parece fortalecê-lo ”entre a sua base eleitoral fanática” e assegurar-lhe fundos adicionais para a sua campanha eleitoral. Mesmo os seus concorrentes republicanos Ron DeSantis e Nikki Haley, têm poupado os ataques contra Trump com receio de ofender a sua base de apoio, que ainda está muito mobilizada e, acima de tudo, ávida por vingança pela repressão da sua rebelião de 6 de Janeiro de 2021.
Do outro lado, os bons resultados económicos da Administração Biden não parecem trazer-lhe o reconhecimento dos americanos para um segundo mandato. As sondagens são-lhe desfavoráveis, sobretudo entre o eleitorado jovem, decepcionado com a posição pró-israelita no actual conflito entre Israel e o Hamas. Os bons resultados económicos de Joe Biden não têm sido mobilizadores e apenas 2% do eleitorado considera “excelente” a sua política económica (Bidenomics), havendo 52% que a considera “má”, enquanto 59% do eleitorado considera que Trump teria um melhor desempenho económico. Finalmente, todos criticam a idade dos candidatos que levará a que o futuro presidente dos Estados Unidos tenha uma idade bem avançada.
Como cantava Doris Day nos anos 1955, que sera sera (whatever will be)...

O apelo à paz no discurso de Carlos III

Se eu fosse nascido no dia 5 de Outubro de 1910 e já tivesse idade para isso, eu estaria ao lado daqueles que instauraram a República em Portugal. Eu sou um republicano convicto pois entendo que o chefe do Estado deva ser escolhido pelos cidadãos por períodos limitados, além de não me agradar a hierarquia social nem o sistema de privilégio que vive à volta das realezas, muitas vezes sem qualquer mérito. Porém, nada me move contra os vários soberanos que reinam na Europa, como Filipe VI de Espanha, Carlos III do Reino Unido, Filipe I da Bélgica, Guilherme Alexandre dos Países Baixos, Margarida II da Dinamarca, Carlos Gustavo da Suécia ou Harald V da Noruega, acontecendo que muitas vezes eles nos surpreendem com mais coragem, mais princípios e mais bom senso do que muitos daqueles que são escolhidos pelo povo para os dirigir.
O exemplo de Carlos III é elucidativo. Em Setembro de 2022 ascendeu ao trono por morte da sua mãe a rainha Isabel II, quando tinha 73 anos de idade, havendo muitas dúvidas sobre a sua idoneidade para ser a cabeça do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e de mais 14 Estados soberanos e independentes chamados Reinos da Comunidade de Nações (Commonwealth), onde se incluem a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia, entre outros.
A subida ao trono de Carlos III não me despertou nenhum interesse especial, até que li o discurso de Natal que ontem fez aos seus súbditos. Nesse discurso, apelou à ”protecção do planeta” porque é “a casa que todos partilhamos” e, embora não tendo abordado directamente os conflitos na Ucrânia ou na Faixa de Gaza, falou nos “conflitos cada vez mais trágicos” que se travam no mundo. Disse que “não façamos aos outros o que não queremos que nos façam a nós” e, vários jornais como o Scottish Daily Mail, destacaram “o apelo pela paz no discurso de Natal do Rei”. Quando muitos dirigentes europeus estão calados, indiferentes ou alinhados com a guerra, as suas tragédias e os seus negócios de armamento, as palavras de Carlos III alinham-se com a esperança e com a paz. Até que enfim que alguém fala em paz...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Merry Christmas ou, antes, um Feliz Natal

Hoje é dia de Natal e, como escreveu o poeta António Gedeão, é o dia de ser bom e é o dia de pensar nos outros. Hoje é dia de Natal e, como também escreveu o poeta António Gedeão, é dia de Amor, de Paz, de Felicidade, de Sonhos e de Venturas.
Para a Cristandade é um dia de grande festa religiosa, com os seus múltiplos símbolos como o presépio, a “missa do galo”, a ceia de Natal, as músicas natalícia e os cumprimentos de “Boas Festas”, mas a sociedade de consumo cristã ou não cristã, adoptou o Natal como a grande festa do consumo, da troca de presentes, das grandes festas profanas, da árvore da Natal e das iluminações públicas e, sobretudo, dessa invenção comercial e sem enquadramento histórico que é o Pai Natal, viajando desde a Lapónia num trenó rebocado por uma rena, fazendo a distribuição de presentes às crianças.
O impacto comercial do Natal é cada vez maior e a imprensa, que faz a intermediação entre os produtos e os consumidores, designadamente através da Publicidade e das suas sugestivas técnicas, tem um papel importante nesta onda consumista natalícia, através de mensagens, umas directas e outras subliminares. Assim devem ser interpretadas algumas manchetes apresentadas por jornais, sobretudo americanos, como acontece na edição de hoje do The Standard-Times, que se publica na cidade de New Bedford, no estado de Massachusetts, que ao desejar um Feliz Natal aos seus leitores, está subliminarmente a mobilizá-los para a ideia do consumo e não para os valores intrínsecos do Natal.Apesar disso, o Natal ainda é um tempo de reflexão, em que se pensa na paz no mundo e na solidariedade entre os homens e as nações, para que não haja sofrimento, nem fome, nem destruição.
Naturalmente, são muitos os que desejam o fim das guerras na Ucrânia e em Gaza, que tanto sofrimento e tanta dor causam, perante a indiferença ou a cumplicidade de tantos dirigentes políticos mundiais.
Finalmente, no Natal cumprimentam-se os amigos e deseja-se que tenham saúde e sucesso nas suas vidas. É essa a mensagem que aqui fica para os leitores deste texto.

domingo, 24 de dezembro de 2023

A trágica história de uma terra prometida

A prestigiada revista francesa Le Nouvel Observateur,  também conhecida como L’Obs, dedicou esta semana um número especial ao conflito entre Israel e a Palestina, ou “à trágica história de uma terra prometida”.
Esta edição mostra como o conflito do Médio Oriente e a questão de Gaza têm uma enorme importância no panorama político internacional e analisa o historial daquele conflito histórico, que foi reactivado com os acontecimentos do passado dia 7 de Outubro. O que de violento então se passou sob o comando do Hamas é bem conhecido, como também é conhecida a reacção israelita que tem sido criticada pela comunidade internacional por ser desproporcionada, violenta, desumana e violadora de todas as regras humanitárias. Através da televisão vamos vendo como o património habitacional de Gaza está destruído e como os seus dois milhões de habitantes estão a ser objecto de verdadeiro genocídio. Voltou-se a um contexto de barbárie como ninguém pensava que pudesse acontecer.
A resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que foi ontem aprovada em Nova Iorque, apela a medidas urgentes para permitir de imediato um acesso humanitário seguro, sem entraves e alargado, à Faixa de Gaza e pede para serem criadas “as condições para uma cessação sustentável das hostilidades”. Foi aprovada por treze países mas teve a abstenção dos Estados Unidos e da Rússia. É pouco, é mesmo muito pouco. É preciso parar com a brutalidade israelita porque o que está a ser feito não é "o exercício do direito de defesa".
Como é possível que o mundo se limite a votar nas Nações Unidas e ninguém trave esta brutal e desenfreada vingança israelita, visando o extermínio do povo palestiniano. No caso da União Europeia é absolutamente condenável a indiferença com que assiste a esta brutalidade e a esta crise humanitária, ou até o seu alinhamento oficioso ao lado de Israel. E por aqui, como é curioso e chocante o discurso pró-israelita de tantos dos nossos comentadores televisivos.