quinta-feira, 31 de julho de 2025

A continuada submissão da Europa

Apesar de ainda ser uma espécie de “farol da civilização”, há uma lenta agonia da Europa na sua relação com a América e com a Ásia, como prova a irrelevância que vai tendo em todas as matérias internacionais de natureza política, económica e militar.
Depois de quatro meses de incerteza tarifária, aconteceu no passado domingo na Escócia um acordo entre Donald Trump e Ursula von der Leyen, pelo qual os Estados Unidos vão aplicar uma taxa alfandegária de 15% à generalidade das exportações da União Europeia, que ainda fica obrigada a investir 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, sobretudo em energia e armamento. Embora a taxa de 15% seja mais leve do que os 25% que já vigoravam para a indústria automóvel, representa um forte aumento em relação à taxa de 2,5% que estava em vigor.
Este acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia, começou por ser aplaudido pelos dois lados do Atlântico, mas rapidamente surgiram dúvidas sobre se foi uma capitulação, como escreveu o jornal La Dépêche du Midi, ou se foi simplesmente um caso de pragmatismo. Para alguns pragmáticos, a União Europeia estava ameaçada com taxas de 30% e ao conseguir taxas de 15% conseguiu um bom acordo, embora o Reino Unido tivesse conseguido taxas de 10%. Porém, muitos líderes políticos e empresariais europeus já criticaram o acordo em termos muito duros e consideraram-no escandaloso, tendo o primeiro-ministro francês dito que foi “um dia sombrio” e que a União Europeia, que é “uma aliança de povos livres se resignou à submissão”. Mais curioso e mais realista foi o comentário do empresário francês Arnaud Bertrand que disse que o acordo é “uma transferência unilateral de riqueza” e que "se parece bastante com o tipo de tratado desigual que as potências coloniais costumavam impor no século XIX, só que, desta vez, a Europa é a vítima". 
Donald Trump impôs a sua vontade e não fez qualquer cedência, enquanto Ursula von der Leyen lhe deu uma boa ajuda para ele levar por diante o Make America Great Again. Muita asneira tem feito esta senhora, o que nos faz pensar sempre em Jacques Dellors, um "Senhor Europa" como não houve outro.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Uma nova esperança para a Palestina

Nos últimos dias vários países ocidentais parecem ter acordado de uma longa cumplicidade com o regime extremista e genocida de Benjamin Netanyahu, cada vez mais um carrasco do povo palestiniano, a coberto de querer acabar com o Hamas.
Depois de muitas hesitações, a questão dos “dois estados” - um estado árabe e um estado judeu independentes e cooperantes, ou da Palestina e de Israel - que nasceu há muitos anos e foi adoptada pela ONU, voltou a estar em cima da mesa.
Durante a recente Conferência Internacional da ONU sobre a questão palestiniana, o seu secretário-geral António Guterres falou alto e bem, exigindo o fim da guerra e da crueldade sobre Gaza, o fim das tentativas israelitas para destruir Gaza e anexar a Cisjordânia, defendendo a unificação de Gaza e da Cisjordânia e o reconhecimento dos estados de Israel e da Palestina. No mesmo sentido se pronunciou, pela primeira vez e de forma clara, o governo português pela voz do ministro Rangel, o que se vivamente se saúda.
Antes, a Islândia e a Suécia tinham reconhecido o estado da Palestina, a que se juntaram em Maio de 2024, a Espanha, a Irlanda, a Eslovénia e a Noruega. Agora, é a França e o Reino Unido que anunciam poder vir a reconhecer a Palestina no próximo mês de Setembro e até Portugal dá sinais de ter acordado.
A imprensa britânica deu grande destaque às declarações de Keir Starmer, tal como a imprensa francesa fizera das afirmações de Emmanuel Macron. Pelo contrário, a imprensa portuguesa não deu qualquer destaque à declaração do Ministro dos Negócios Estrangeiros, nem mostrou solidariedade para com António Guterres, nem apoio ao povo palestiniano. A imprensa portuguesa anda preocupada com outras coisas, não só os incêndios florestais o que é normal, mas sobretudo com os milhões que fazem do futebol um caso de loucura e de subdesenvolvimento completo, à volta de Gyokeres, João Félix, Luis Suárez, Ivanovic ou Bednarek - o chamado jornalismo da treta.

terça-feira, 29 de julho de 2025

A novíssima Roig Arena ilumina Valência

O jornal elPeriódico que se publica em Barcelona destaca na sua edição de hoje a novíssima Roig Arena, um complexo cultural e arquitectónico que aloja onde um recinto multieventos, que foi construído em Valência e que será inaugurado no próximo dia 6 de setembro.
Na cidade natal de Santiago Calatrava, cuja obra é a marca dominante da Cidade das Artes e das Ciências, emblemática da cidade de Valência e o seu destino turístico mais importante, além de ser um dos “12 Tesouros de Espanha”, a Roig Arena já ilumina a cidade, como salienta o jornal catalão em título de primeira página.
O novo equipamento é uma notável obra de arquitectura que começou a ser construído em 29 de junho de 2020 e que é uma iniciativa do empresário Juan Roig que, para o efeito, criou uma empresa – Licampa 1617 SL – para conceber e realizar o projecto que terá uma concessão de 50 anos, após o que reverterá para o Município de Valência. O recinto ocupa uma área de 47 mil metros quadrados e terá capacidade para 15.600 pessoas em jogos de basquetebol e 18.600 em concertos, contando também com um parque de estacionamento para 1.300 viaturas. “El interior del recinto, com una altura de 35 metros, tiene las dimensiones de una catedral”, diz o elPeródico.
Com um investimento de cerca de 300 milhões de euros, a Roig Arena converte uma zona degradada da cidade, situada a cerca de mil metros da Cidade das Artes e das Ciências, numa nova centralidade para a cidade de Valência, que atrairá pessoas, actividades e recursos.
A Roig Arena será a casa do Valencia Basket e pretende ser um elemento de promoção do desporto e da cultura, apresentando concertos e, com data já marcada para breve, o Campeonato da Europa de Andebol.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Tadej Pogacar dominou o Tour de France

Terminou ontem em Paris a 112ª edição do Tour de France que teve como vencedor indiscutível o ciclista esloveno Tadej Pogacar que, aos 26 anos de idade, ganhou pela quarta vez a prova maior do ciclismo mundial.
De 5 a 27 de julho foram percorridos 3.302 quilómetros, distribuídos por 21 etapas, tendo este fenómeno do desporto internacional triunfado em quatro etapas, brilhado nas etapas de montanha e também nas etapas contra-relógio.
Através das imagens televisivas e da excelência das reportagens apresentadas, todos puderam ver a superioridade de Tadej Pogacar sobre os outros ciclistas e o enorme entusiasmo com que os franceses acompanham o Tour de France.
A prova terminou nos Champs-Elysées, em Paris, numa festa com enorme entusiasmo popular que, inesperadamente, também foi uma disputadíssima etapa, o que levou a edição de hoje do jornal L’Équipe a dedicar-lhe a palavra “épique”.
Depois de Pogacar classificaram-se o dinamarquês Jonas Vingegaard e o alemão Florian Lipowitz. Terminaram a prova 160 ciclistas, tendo Nélson Oliveira (Movistar Team) obtido o 74º lugar da classificação geral, enquanto João Almeida (UAE Team Emirates) desistiu na sequência de uma queda em que fracturou uma costela.
No dia 23 de agosto começa La Vuelta a España. Espera-se que João Almeida esteja recuperado, que participe e que possa lutar por uma boa classificação.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

A fome agudiza a tragédia palestiniana

O que se passa em Gaza é uma vergonha para o mundo civilizado, é a barbárie mais cruel que se possa conceber e só pode gerar a indignação e a revolta da humanidade, embora muitos líderes mundiais continuem a pactuar com o extremismo israelita e a bestialidade de Benjamin Netanyahu.
“Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”, assim escreveu Sophia de Mello Breyner na “Cantata da Paz”, um poema musicado em 1970 por Francisco Fanhais, que apelava ao fim da guerra e ao respeito pela dignidade humana. Nos dias que passam, este poema tornou-se tão actual como quando foi escrito, então em sinal de revolta contra as guerras, contra todas as guerras, desde o Vietname até à Guiné-Bissau.
Em Gaza, depois das bombas, da destruição indiferenciada e de milhares de mortos, a fome alastra e a situação humanitária degrada-se. Um quarto das crianças em Gaza está subnutrida e, de acordo com a edição de ontem do diário francês Libération, “mais de uma centena de ONG denunciam ‘une famine de masse’ ou uma fome generalizada no enclave, onde as mortes por desnutrição se multiplicam por falta da ajuda alimentar que está bloqueada por Israel”.
Nas suas edições de hoje, alguns jornais internacionais de referência publicam expressivas fotografias que denunciam os efeitos da fome na população de Gaza.
Dizem alguns jornais que, perante o agravamento da situação, a União Europeia renovou as ameaças a Israel e não excluiu a adopção de sanções, caso o regime extremista de Netanyahu não cumpra o acordo firmado no início do mês de Julho sobre a melhoria da crise humanitária em Gaza. 
Que falta de vergonha...
Que conversa medíocre... 
Que tristeza de Europa!

terça-feira, 22 de julho de 2025

End This Horror Now. Now. Now.

A Europa que foi a bússola da humanidade durante muitos séculos, tem andado à deriva e a ser governada por dirigentes menores, incapazes e vaidosos, que cada vez são menos escutados no mundo. Um dos mais chocantes aspectos da política europeia é a forma como têm sido apoiados os sucessivos pacotes de sanções contra a Rússia e, inversamente, como nada tem sido feito em relação à brutalidade e à desumanidade israelita contra os palestinianos, sem uma crítica ou um veemente protesto. Algumas declarações avulsas de um ou outro dirigente, não apagam a cumplicidade europeia para com os horrores que os extremistas israelitas de Netanyahu praticam diariamente sobre o esfomeado e humilhado povo palestiniano.
Acontece que a imprensa é dominada pelos grandes interesses e que as suas linhas editoriais são cada vez menos independentes, sendo dominadas pela desinformação e, por isso, não é habitual que um qualquer jornal levante a sua voz para condenar Israel pelo continuado massacre sobre o povo palestiniano. Por isso, a edição de hoje do jornal britânico Daily Mirror merece o nosso destaque, ao escrever END THIS HORROR NOW, em linha com o conteúdo de um manifesto ontem divulgado.
Diz o jornal que o Reino Unido se juntou a 24 outros países num manifesto pedindo o fim da guerra, quando mais 85 palestinianos foram mortos, apenas porque suplicavam por água e por comida. O manifesto diz o seguinte: 

"Nós, os signatários listados abaixo, unimo-nos com uma mensagem simples e urgente: a guerra em Gaza deve terminar agora. O sofrimento dos civis em Gaza atingiu novos patamares. O modelo de prestação de ajuda do governo israelita é perigoso, alimenta a instabilidade e priva os residentes de Gaza da dignidade humana. A negação, por parte do governo israelita, de assistência humanitária essencial à população civil é inaceitável. Israel deve cumprir as suas obrigações ao abrigo do Direito Internacional Humanitário.”

A declaração é assinada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Polónia, Portugal, Eslovénia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.
Portugal assinou. Finalmente, houve uma tomada de posição. O corajoso Rangel devia ter vergonha por ter esperado tanto tempo.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

O Brasil é dos brasileiros!!

Por estar à frente da mais poderosa nação do mundo, o presidente Donald Trump tem vindo a comportar-se com arrogância pessoal, fanatismo ideológico e com todo o tipo de ameaças, mostrando uma enorme falta de respeito pela soberania dos outros estados.
Não é preciso dar exemplos do que o trumpismo vem fazendo no mundo, ameaçador e vingativo, dando o dito por não dito e reduzindo a sua acção política a uma simples contabilidade de custos e proveitos, sob o lema do MAGA (Make America Great Again), sempre inscrito no seu boné vermelho.
Agora chegou a vez do Brasil. O Donald não gostou que os BRICS se tivessem reunido no Brasil e condenassem o ataque americano ao Irão, nem que pedissem para os israelitas abandonarem Gaza e para que acabassem com a sua cruel ofensiva contra os palestinianos. Além disso o Donald tratou de criticar a justiça brasileira por acusar Jair Bolsonaro de tentativa de golpe de estado, o que é uma grosseira intromissão nos assuntos de um estado soberano.
Já depois disto e por ordem do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Jair passou a usar uma tornozeleira e vai passar a ter que cumprir várias regras comportamentais, enquanto a sua casa foi objecto de buscas judiciais. Furioso, o brasileiro de que o Donald tanto gosta, veio afirmar que “é a suprema humilhação”.
Nos Estados Unidos foram retirados os vistos a vários ministros brasileiros, incluindo Alexandre de Moraes, enquanto os empresários brasileiros dos sectores industrial e agrícola se têm unido em torno do vice-presidente Geraldo Alckmin, como se sempre tivessem sido apoiantes do governo de Lula.
Como diz a mais recente edição da revista Veja, “o tarifaço do presidente americano,  ajuda a popularidade de Lula e faz a oposição se dividir entre defender Bolsonaro ou os interesses do país”. 
Com determinação e coragem, Lula fez-se fotografar com um boné azul onde se lê “O Brasil é dos brasileiros” e responde-lhe: Thank you Mr. Trump!
Era bom que esta disputa se ficasse pelos bonés...

sábado, 19 de julho de 2025

O melhor inimigo de cada um…

As relações entre Donald Trump e Vladimir Putin são um enigma da política internacional e um motivo de inquietação para o mundo. Nos últimos meses lemos as mais diferentes versões e declarações sobre estes dois líderes mundiais e ficamos sem saber se são amigos, se são amigos de conveniência, se são parceiros de negócios, ou se são apenas indivíduos que se conhecem há muito tempo e que se toleram. 
A revista alemã Der Spiegel dedica a sua última edição a esse assunto com o título "Sein Bester Feind" (o seu melhor inimigo) e, na capa, as expressões exibidas por Trump e por Putin, ajudam-nos a compreender a relação entre ambos. Segundo salienta a revista, “Donald Trump há muito que admira publicamente Putin pela sua força”, mas “agora, o presidente dos Estados Unidos está cada vez mais irritado com o governante russo”. Nos últimos doze anos Trump elogiou Putin – “inteligente e brilhante”, “ele sabe como fazer as coisas”, um “pacificador” e ainda disse que “se dava bem com ele” e que poderia “tornar-se o seu melhor amigo”.
A revista refere ainda que “Donald Trump há muito tempo bajula Vladimir Putin e Boris Johnson até disse que ele tinha um ‘fascínio homoerótico’ pelo presidente russo”, perguntando como surgiu a ruptura entre ambos e como pode a zanga de Trump com Putin influenciar a guerra na Ucrânia.
Donald Trump disse, muitas vezes, que com ele na presidência nunca teria havido guerra na Ucrânia e repetiu, também muitas vezes, que acabaria com a guerra em 24 horas. Agora ele estará desiludido com Putin, porque ele não cede nas suas exigências territoriais e não aceita o acordo que lhe foi proposto, pelo que decidiu enviar mais armas para a Ucrânia - a ser pagas pelos contribuintes europeus, como sentenciou esse imbecil do Mark Rutte.
O mundo depende cada vez mais de homens como estes. É um imbróglio, até porque, manifestamente, nem um nem o outro dão qualquer importância ao Macron, ao Starmer, ao Merz, à Ursula, ao Costa, isto é, aos líderes europeus que continuam a fazer cimeiras sobre cimeiras e a assistir com indiferença à criminosa crueldade israelita contra os seus vizinhos.

terça-feira, 15 de julho de 2025

A NATO assume envolvimento na Ucrânia

A guerra da Ucrânia já dura há muito tempo e parece evidente que os defensores da paz têm perdido no confronto com os apoiantes da guerra, embora a distorção noticiosa, a manipulação informativa e a intensa propaganda não permitam saber exactamente o que se passa, nem o que querem as partes em confronto.
Donald Trump sempre afirmou que acabaria com a guerra em 24 horas e parece que tentou a paz com o seu amigo Putin, mas desde que arranjou um secretário-geral da NATO sem dignidade e sem vergonha, viu que tinha uma janela de oportunidade para fazer negócio e vender a produção do seu aparelho industrial. Esse cretino que é Mark Rutte passou a ser o interlocutor privilegiado do Donald e senta-se presidencialmente na Casa Branca ao seu lado, como mostra a edição de hoje do Financial Times. Nenhum outro jornal de referência mostra a fotografia deste encontro, o que também demonstra que se trata de uma operação do mundo dos negócios, isto é, os americanos fornecem o material e os europeus pagam tudo, como foi desejo expresso da parceria entre Donald Trump e o seu lacaio Mark Rutte. O negócio à frente da diplomacia e da política, tal como Trump sempre aspirou.
Porém, o Donald dá as armas que os europeus vão pagar, mas também deu 50 dias ao seu sócio, ou simplesmente amigo Putin, para parar a guerra e aceitar a paz.
Humildemente não sei o que vai acontecer, mas esta entrada já indisfarçada da NATO no conflito sob o comando de Rutte e a teimosia russa de Putin em garantir a posse dos territórios ocupados não casam nada bem, como também não é de esperar que a Rússia aceite este tipo de ultimatos trumpianos.
Entretanto, deve haver muitos líderes europeus que não se reveem neste comportamento bajulatório, indecente e indigno de Mark Rutte e não estejam para o aturar, nem para apoiar o envolvimento directo da NATO na Ucrânia.

domingo, 13 de julho de 2025

A memória de Elcano regressou à Corunha

A edição de hoje do jornal El Ideal Gallego que se publica na cidade da Corunha desde 1917, insere uma bela fotografia a toda a largura da sua primeira página, na qual se vê o navio-escola Juan Sebastián de Elcano a aproximar-se da Torre de Hércules, o histórico farol que se encontra à entrada do porto.
A Torre de Hércules foi construída pelos Romanos no século I d.C. sobre um rochedo de 57 metros de altitude e tem 55 metros de altura, dos quais 34 correspondem à construção romana e 21 metros foram acrescentados quando a torre foi restaurada no século XVIII. No ano de 2009 a Torre de Hércules foi inscrita pela UNESCO na sua Lista do Património Mundial.
O jornal destaca em título que “Elcano” regressou à Corunha, numa dupla alusão à visita do veleiro e às celebrações do 5º centenário da partida da expedição de Garcia Jofre de Loaysa para as Molucas, a que os espanhóis então chamavam islas del Poniente, na qual tomou parte o experiente Juan Sebastián de Elcano. 
A expedição de Loaysa largou da Corunha e foi a primeira que o Imperador Carlos V enviou às Molucas, depois de Fernão de Magalhães ter descoberto em 1519, o estreito que liga o Atlântico ao Pacífico. Nessa expedição, que partiu da Corunha no dia 15 de julho de 1525, participaram sete navios, mas só um chegou ao seu destino e, tanto Elcano como Loaysa, morreram antes de chegar às Molucas.

sábado, 12 de julho de 2025

Um Lula corajoso face ao vingativo Donald

As retaliações anunciadas por Donald Trump contra o Brasil são mais um exemplo da perigosidade deste indivíduo vingativo, narcisista e poderoso. Hoje, já ninguém tem dúvidas de que o seu comportamento imprevisível e demasiado ambicioso pode trazer graves consequências para o comércio mundial e, naturalmente, também para os Estados Unidos.
O comércio internacional consiste na troca de bens e serviços entre os diferentes países e, segundo a teoria oitocentista de David Ricardo cujos princípios continuam válidos, tanto os países exportadores como os países importadores têm vantagens comparativas ao produzir certos bens e serviços e ao importar outros bens ou serviços. Por isso, quando o Donald ameaça ou aplica tarifas aduaneiras está a atingir os seus parceiros comerciais, mas também está a dar tiros nos pés e a afectar os sectores da economia americana que assenta nas importações.A imprensa brasileira tem procurado analisar algumas das possíveis consequências para a sua economia deste novo “trumpian model” e o jornal A Tribuna, que se publica em Santos, destaca o braço de ferro entre os EUA e o Brasil, bem como as possíveis perturbações para o seu porto. Outros jornais que veiculam interesses específicos de outros estados, designadamente no Rio Grande do Sul, também reflectem as suas preocupações pelos efeitos que o “trumpian model” possa ter nas agro-indústrias. As tarifas impostas pelo Donald são uma forma de apoio a Bolsonaro, a contas com a Justiça, mas “podem sair pela culatra” e ter um efeito contrário, podendo ser vistas como um ataque à soberania dos brasileiros e daí que o presidente Lula da Silva já tenha afirmado que protegerá o seu povo e as empresas brasileiras.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump ameaça o Brasil, mas Lula é firme

O presidente Donald Trump tem-se multiplicado em atitudes violadoras das normas de convívio internacional, por vezes com grosseria e sempre com arrogância, parecendo desafiar as soberanias de alguns países. Ameaçou o Canadá e a Dinamarca, deu luz verde a Netanyahu para destruir Gaza e criar uma Riviera de Médio Oriente, atacou o Irão sem ter quaisquer provas de que este país tinha ou preparava bombas nucleares e está agora a desafiar o Brasil ao impor taxas aduaneiras de 50% aos produtos brasileiros.
Esta medida surgiu como reacção punitiva aos países que integram o bloco das economias emergentes, designados como BRICS – dez estados-membros e dez parceiros-candidatos – entre os quais a China, a Índia, a Rússia e o Brasil, que representam 46% da população mundial e que realizaram recentemente a sua cimeira no Rio de Janeiro.
Donald Trump não gostou que os BRICS condenassem o ataque ao Irão e pedissem que Israel abandonasse Gaza, mas também veio declarar que era “terrível” a forma como está a ser tratado o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é acusado pela Justiça brasileira por tentativa de golpe de estado, acusando o Brasil de estar a fazer “caça às bruxas”.
Naturalmente, o presidente Lula da Silva devolveu a carta de protesto que recebera do Donald e, num comunicado oficial publicado no jornal O Estado de S. Paulo, afirmou que “a defesa da democracia no Brasil compete aos brasileiros”, “que ninguém está acima da lei” e que “somos um país soberano e não aceitamos a interferência ou tutela de quem quer que seja”.
Que pena não haver dirigentes na Europa com a firmeza de Lula da Silva.

Texas: meteorologia, geografia e tragédia

No passado fim-de-semana, a área central do estado americano do Texas e em especial o condado de Kerr, foi atingida por chuvas torrenciais que provocaram grandes enxurradas e inundações que, de acordo com a edição de ontem do jornal The Dallas Morning News já causaram 109 mortes, havendo ainda 160 pessoas desaparecidas.
A tragédia teve enorme repercussão pelo elevado número de perda de vidas e de bens materiais, incluindo casas e automóveis arrastados pelas águas, mas também por ocorrer no Verão, a época menos provável para que acontecesse. O governador do Texas, Greg Abbott, afirmou que “ninguém esperava uma parede de água de quase nove metros de altura”, referindo-se ao que aconteceu no rio Guadalupe que, em 45 minutos, subiu oito metros e transbordou.
A área por onde passa o rio Guadalupe tem uma geografia propensa a chuvas torrenciais e é conhecida como Flash Flood Alley (o beco das enchentes relâmpago), resultantes de fenómenos meteorológicos locais – o ar quente do golfo do México (que Trump quer que se chame golfo da América) encontra uma fileira de penhascos e colinas íngremes nesta região e condensa-se, podendo dar origem a chuvas intensas, que enchem rapidamente os rios, porque os terrenos naquela região não absorvem a água das chuvas. O fenómeno é conhecido e acontece por vezes, mas desta vez não foi previsto ou foi anunciado tardiamente, porque o Serviço Meteorológico Nacional (NWS) “tinha perdido quase 600 dos seus cerca de 4 mil funcionários”, conforme a administração Trump decidiu em relação ao NWS e outras agências que foram “ forçadas a reduzir a sua força de trabalho”.
No Texas, como em muitas outras regiões do planeta, as medidas economicistas apressadas podem conduzir a grandes tragédias.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Pamplona e as Fiestas de San Fermin

Começaram ontem em Pamplona, na região autónoma de Navarra, e vão decorrer até ao dia 14 de Julho, as Fiestas de San Fermin ou Sanfermines, que são uma das mais animadas e mais afamadas festas espanholas, pois atraem centenas de milhares de visitantes.
As Sanfermines têm origem muito antiga, mas a sua fama surgiu através da obra do escritor americano Ernest Hemingway e do seu livro The Sun Also Rises, traduzido em Portugal como Fiesta. As festas iniciaram-se ontem com o lançamento de fogo-de-artifício, ou chupinazo, lançado da sacada do palácio governamental e terminam à meia-noite do dia 14 de Julho. Entre os dias 7 e o dia 14 decorrem, todos os dias às 8 horas da manhã, os famosos encierros, isto é, largadas de touros que percorrem três ruas do centro histórico de Pamplona, na distância de 849 metros, que normalmente duram três a quatro minutos e, quase sempre, provocam acidentes mais ou menos graves no público que a eles assiste. Dizem as crónicas que, entre 1922 e 2009, morreram 15 pessoas nos encierros das Sanfermines.
A intensa mediatização internacional das Sanfermines atrai manifestações diversas, que procuram afirmar as suas mensagens na fiesta, enquanto plataforma comunicacional de excelência. Assim aconteceu ontem, quando a organização homenageou o povo da Palestina, enquanto um grupo de activistas protestou contra as touradas durante as festividades.
Porém, como mostra a edição de hoje do Diario de Navarra, as gentes de Pamplona gostam demasiado das suas Sanfermines.

R.I.P. Amadeu Garcia dos Santos

Na passada sexta-feira faleceu na sua casa em Lisboa, com 89 anos de idade, o General Amadeu Garcia dos Santos, um homem com fortes ligações ao movimento militar do 25 de Abril de 1974, a cujos ideais se manteve sempre ligado com absoluta coerência. 
Na operação libertadora que devolveu aos portugueses a Liberdade, a Democracia e a Paz, o então tenente-coronel do Exército Português tinha 38 anos de idade e era um dos mais graduados militares que, com grande coragem e patriotismo, estiveram no Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, instalado num pavilhão do Regimento de Engenharia Nº 1, na Pontinha. Nessa medida, foi um dos mais determinantes militares que participaram na Operação Viragem Histórica, como responsável pela concepção e montagem das transmissões, uma área em que era perito por ser engenheiro, as quais asseguraram o sucesso das acções militares.
Após ter cumprido essa importante missão “regressou a casa”, mas as suas qualidades de inteligência e de competência “obrigaram-no” a aceitar os cargos de Chefe da Casa Militar do Presidente Eanes, de chefe do Estado-Maior do Exército e de presidente da Junta Autónoma de Estradas, onde o seu desempenho foi muito elogiado pela sua competência, coerência e frontalidade.
O general Garcia dos Santos foi um dedicado servidor da Democracia e dos ideais do 25 de Abril, que sempre defendeu com firmeza, designadamente como presidente da Assembleia Geral da Associação 25 de Abril, de que era sócio fundador, pelo que o seu nome figura, com toda a justiça, na galeria dos militares que mais se destacaram na preparação e na execução das operações do “dia inicial, inteiro e limpo”, como Sophia de Melo Breyner se referiu ao dia 25 de Abril de 1974.
Com o seu exemplo de coragem, de discrição e de inteligência, ele foi um dos grandes portugueses da sua geração e um dos símbolos maiores do 25 de Abril.