segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

EDP e os seus jobs for the boys

A recente aquisição de capital da EDP pela China Three Gorges Corporation (CTG) tem sido interpretada como uma operação enquadrada numa estratégia chinesa de entrada na Europa por uma porta que tem ligações ao Brasil e à África lusófona. Por isso, já foi evidenciado o interesse chinês em outros sectores da nossa economia, como a banca, a rede eléctrica ou a indústria automóvel.
No próximo dia 20 de Fevereiro vai realizar-se uma Assembleia Geral extraordinária da EDP, que será a primeira desde que o Estado vendeu 21,35% da empresa à CTG. De acordo com a respectiva convocatória, há uma proposta para que no triénio 2012-2014 o Conselho de Administração executivo tenha 7 membros e continue a ser presidido por António Mexia, havendo uma outra proposta para que o Conselho Geral e de Supervisão tenha 23 membros e seja presidido por Eduardo Catroga, um dos homens que negociou com a troika a privatização da EDP e que, só por isso, não devia ter ligação à mesma. Alguns desses membros representam os diversos accionistas, onde se incluem quatro chineses da CTG, mas há alguns deles que apenas se representam a si próprios, como sucede por exemplo com Catroga, Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira e Braga de Macedo, o que é um claro sinal de clientelismo partidário e, uma vez mais, de promiscuidade entre a política e os negócios. Como referiu o Diário de Notícias , as novas nomeações são todas da "cor do governo". Tomadas as devidas diferenças, vem-nos à memória o caso BPN, apesar de sabermos que as pessoas que governarão a EDP são profissionais e não deixarão de atender aos interesses chineses. Quanto aos novos supervisores, terão que acumular mais uma mordomia bem remunerada às que já têm e, provavelmente, até irão receber em géneros. É um caso exemplar de jobs for the boys!

Negócios e política

A sociedade portuguesa está a atravessar um período de acentuada turbulência, sem se vislumbrar claramente como irá evoluir no futuro mais próximo. Como não bastassem a crise financeira e a estagnação económica, com as suas graves consequências sociais, estamos também confrontados com uma séria e preocupante crise da nossa democracia.
No passado Verão surgiram notícias que indicavam ter havido tráfico de informações entre interesses públicos (SIRP) e interesses privados (Ongoing Strategy SGPS, SA.), tendo os principais actores desse processo sido referenciados pelas suas ligações maçónicas.
Essa circunstância poderia não ter importância nenhuma. A Maçonaria é uma organização que se baseia em ideais nobres, como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, mas também nos bons costumes, no espírito filantrópico e na busca da perfeição, visando a construção do homem novo e de uma sociedade mais justa. Tem, naturalmente, os seus códigos de conduta e os seus rituais a que os seus membros obedecem, tal como acontece em muitas outras corporações ou irmandades.
E aqui começa a contradição, sobretudo quando a organização cultiva o segredo e os seus membros desempenham cargos públicos. O culto da fraternidade e da obediência maçónica são prestadas à irmandade a que pertencem os cidadãos e não são feitas ao interesse público, o que pode originar que a defesa de interesses particulares e o tráfico de influências se sobreponham a tudo o mais. Segundo relata a Imprensa, assim parece ter acontecido com a já célebre Loja Mozart, onde sob a capa da fraternidade maçónica, existia uma grande promiscuidade entre negócios e política. A Imprensa também anunciou que os aparelhos partidários eram dominados pela Maçonaria, o que torna mais grave e mais preocupante esta situação.
Acontece que o SIRP (Sistema de Informações da República Portuguesa) está na dependência directa do Primeiro-Ministro e tem por finalidade a produção de informações necessárias à salvaguarda da independência nacional e à garantia da segurança interna. Por isso, não pode estar dominado por gente que não se sabe de onde veio e que, como se tem visto, não tem a noção de serviço público nem de missão cívica.
Quem olha por isto?

O novo-riquismo do nosso futebol

O diário desportivo espanhol as divulgou recentemente uma pesquisa jornalística conduzida por Aritz Gabilondo, que conclui que a Espanha será a selecção que menos pagará por noite de hotel de entre todas as que participarão no Europeu de Futebol, que se disputará no próximo mês de Junho na Polónia e Ucrânia.
As selecções que menos gastarão diariamente para alojar cerca de quarenta pessoas, incluindo jogadores, técnicos, directores e outros membros da delegação, são a Espanha (4.700 euros), a Dinamarca (7.400 euros), a Croácia (8.300 euros) e a Itália (10.500 euros).
No outro extremo desta relação encontram-se a Irlanda (23.000 euros), a Polónia (24.000 euros), a Rússia (30.400 euros) e Portugal (33.174 euros), que são as delegações que mais pagarão diariamente para alojar as suas delegações.
Embora com as limitações que este trabalho do diário espanhol possa ter, a serem verdadeiras as suas conclusões, verifica-se que a delegação portuguesa é aquela que mais vai pagar pelo seu alojamento num hotel em Opalenica, na Polónia.
Se os números divulgados são correctos, então a despesa diária de cada elemento da delegação portuguesa será de quase mil euros. Parece inacreditável como foi possível escolher um hotel por este preço, mesmo que responda às possíveis necessidades desportivas dos futebolistas. Sete vezes mais caro do que o hotel escolhido pelos campeões do mundo e da Europa!
É desproporcionado. É um exagero. É o deslumbramento total.
Num ano em que estamos confrontados com dificuldades, com mais impostos, mais desemprego, aumento do custo de vida e com os assalariados e os pensionistas a não receberem o 13º e o 14º meses, este despesismo novo-riquista da Federação Portuguesa de Futebol deixa-nos perplexos e desconfiados.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Guimarães capital europeia da cultura

A cidade de Guimarães é, juntamente com a cidade eslovena de Maribor, a Capital Europeia da Cultura em 2012.
A Capital Europeia da Cultura é uma iniciativa da União Europeia que visa a promoção de uma ou mais cidades da Europa durante um período de um ano, durante o qual são desenvolvidos diversos programas culturais destinados a divulgar essas cidades junto dos cidadãos europeus. A iniciativa começou em 1985 por iniciativa de Melina Mercouri, a ministra grega da cultura, tendo adoptado vários formatos, como por exemplo a designação de apenas uma ou de mais cidades, ou a escolha de cidades da União Europeia ou também de outros países europeus.
A escolha já recaiu em cidades portuguesas, nomeadamente Lisboa em 1994, o Porto em 2001 e Guimarães que foi escolhida como Capital Europeia da Cultura em 2012.
Esta escolha é uma oportunidade para a modernização da cidade de Guimarães e para a revitalização do seu património, mas também para a dinamização da sua vida cultural e para a potenciação de novas actividades económicas. Naturalmente, à sombra desta iniciativa, irão ser promovidos despesismos e muitas vaidades, ainda enquadradas num tempo de vacas gordas que já passou e que teremos que pagar depois através dos nossos impostos. Por outro lado, a despesa prevista representa uma enorme contradição entre a anunciada festa rija e a crise e o desemprego que estão a afectar o país e a região vimaranense. Haja, por isso, muita contenção na festa e na remuneração dos gestores da festa, bem como nas mordomias que lhes são atribuídas.
No entanto, estamos perante uma boa oportunidade para visitar e conhecer a bela cidade de Guimarães.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A volta ao mundo em 45 dias

Ontem à noite, o trimaran Banque Populaire V cortou a linha de chegada junto de Ouessant e terminou a sua volta ao mundo à vela sem escalas em 45 dias, 13 horas, 42 minutos e 53 segundos, passando ao largo dos três míticos cabos do planeta - Boa Esperança, Leeuwin e Horn.
O skipper Loick Peyron e os seus 13 companheiros passaram a ser os novos detentores do Troféu Jules-Verne, melhorando em quase três dias o record da volta ao mundo sem escalas estabelecido em 2010 pelo Groupama 3 de Franck Cammas.
A edição de hoje do jornal desportivo L´Equipe chama o assunto à sua primeira página, enquanto o presidente francês felicitou os novos recordistas e milhares de pessoas os esperam hoje em Brest. Foi um grande feito desportivo, mas também uma grande vitória do planeamento e da tecnologia.
O trimaran francês de 40 metros percorreu mais de 29 002 milhas, isto é, mais 7 500 do que o percurso teórico, a uma velocidade média de 26,517 nós. Tendo saído de Brest passou o cabo da Boa Esperança em pouco mais de 11 dias; navegou depois em direcção ao sul da Austrália (cabo Leeuwin) e atingiu o cabo Horn. Depois, percorreu o Atlântico pelo seu lado ocidental, contornou o anticiclone dos Açores por norte e, ontem, cortou a linha de chegada e atingiu Brest.
O Troféu Jules-Verne é disputado desde 1993, quando o Commodore Explorer de Bruno Peyron gastou 79 dias, 6 horas e 15 minutos para completar a volta ao mundo. Até agora, já foram realizadas 24 tentativas de melhorar o anterior record mas só 8 foram bem sucedidas.
Os franceses gostam destes feitos náuticos, mas nós também!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A televisão que (não) merecemos

O conhecimento das audiências é essencial para definir a programação televisiva e para orientar o investimento publicitário, pelo que a sua divulgação é sempre aguardada pelas estações, pelos anunciantes e pelo público.
As audiências de 2011 já são conhecidas. Os 4 canais televisivos generalistas (sinal aberto) tiveram uma quota de mercado de 74,5%, enquanto os canais temáticos (cabo) asseguraram uma quota conjunta de 25,5%, o que significa que num ano os canais generalistas perderam 5% de audiência que foi transferida para os canais temáticos.
Entre os canais generalistas a TVI manteve a liderança das audiências apesar da sua quota ter passado de 27,5% para 25,7%; a SIC passou o seu share médio de 23,4% para 22,7% e tornou-se o segundo canal nacional; a RTP1 baixou o seu share de 24,2% para 21,6%, enquanto a RTP2 passou a sua audiência de 5,3% para 4,5%.
Todos os canais generalistas baixaram as suas audiências, mas foi a RTP que teve a maior queda, passando do segundo para a terceira posição no ranking das audiências televisivas. Este resultado é um desastre empresarial e revela a enorme mediocridade daquela gente toda.
Sabendo-se que a RTP recebe muitos milhões de euros de indemnizações compensatórias – um milhão de euros por dia – o que lhe permite pagar salários milionários àquela gente, conforme tantas vezes tem sido revelado na Imprensa, era de esperar uma programação de qualidade que atraisse audiências. Que formasse e informasse. Afinal, a RTP e aquela gente – catarinas, mendes, silvias, malatos, baiões e outros figurões – não estão à altura do esforço dos contribuintes. Talvez porque ganhem demais. Talvez porque se auto-convenceram. Talvez porque não prestem.
É a televisão que (não) merecemos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012 é um ano de incerteza total

O ano de 2011 foi marcado na Europa pela crise do euro e pela implosão do modelo social europeu e, no mundo, por acontecimentos tão diversos como a tragédia de Fukushima, a primavera árabe, o declínio americano, a turbulência russa e a afirmação de poder chinês.
Ao entrarmos no novo ano de 2012, temos pela frente um quadro de incerteza total, como titula o Diário Económico. As dificuldades são evidentes na generalidade dos países e sobre o mundo paira o fantasma da instabilidade financeira e da recessão económica. Lemos as opiniões e ouvimos os comentários dos analistas, que nos dizem uma coisa e o seu contrário, sempre com um ar convencido de quem tudo sabe e nunca tem dúvidas, mas sempre com um prognóstico muito reservado.
A União Europeia está à deriva, com a Dinamarca a assumir a presidência depois da Polónia, sem que qualquer deles sequer pertença à Zona Euro. Na Alemanha diz-se que 2012 será seguramente mais difícil do que o ano que passou. No Reino Unido é pedida mais acção para combater os excessos da banca e para colocar de pé a economia. Na Itália, na Espanha e na Grécia a dificuldade é grande e a austeridade é severa. O fim da moeda única e a desagregação da Zona Euro podem estar no horizonte.
Por cá, num contexto internacional que não nos é favorável, temos um ano muito difícil e cheio de incertezas pela frente. A austeridade e os sacrifícios estão aí. Há um medo generalizado em relação ao futuro e as grandes ameaças são o desemprego e o empobrecimento colectivo, mas também a fragmentação social.
É necessário ultrapassar algum fatalismo que nos está a dominar, com confiança, determinação e optimismo, mas não creio que as mensagens de Ano Novo sejam mobilizadoras para os portugueses.
Estamos perante uma oportunidade de mudar de vida e de corrigir os erros cometidos desde 1987, quando os nossos políticos – e muitos deles continuam por aí - se deslumbraram e nos deslumbraram com a abundância europeia. São tempos difíceis!

sábado, 31 de dezembro de 2011

A utilidade de uma informação - I

À entrada do lado nascente da vila da Benedita, num local conhecido por Moinho Velho, encontra-se uma estação de serviço que se apresenta sob a marca Oleofat.
Aparentemente, a estação não tem nada que, de forma especial, a distinga de tantas outras que se encontram disseminadas ao longo das estradas do país.
Porém, antecipando-se a uma eventual visita a esta estação dos “amigos do alheio”, foi afixada uma placa bastante conspícua junto das respectivas bombas de abastecimento de combustível que, recorrendo a um tratamento de grande deferência, presta uma informação de grande utilidade para os Srs. Ladrões.
A gerência da Oleofat parece enfrentar os tempos com realismo e é, de facto, muito bem humorada!

No topo: José Mourinho

Até há poucos anos, o mundo do futebol assentava em clubes financiados por sócios ou por mecenas, com equipas norteadas pelo “amor à camisola” e no desempenho dos jogadores que se mantinham no mesmo clube por muitos anos.
Os tempos mudaram e, na actualidade, o futebol conquistou o mundo e transformou-se numa grande indústria global que movimenta grandes interesses e avultadas somas, sobretudo em prémios, transferências, patrocínios e transmissões televisivas.
Os messis e os ronaldos da actualidade, tal como os eusébios, os pelés ou os maradonas de outros tempos, continuam a ser os protagonistas centrais do espectáculo futebolístico, mas nos últimos tempos entraram em cena novos actores - os presidentes, os árbitros, as claques, os patrocinadores, as equipas técnicas e, sobretudo, os treinadores.
Cada vez mais, os treinadores fazem parte do mundo do futebol e do espectáculo futebolístico, mobilizando as atenções dos mass media.
Um dos treinadores mais conhecidos no mundo é português e chama-se José Mourinho. As equipas por si orientadas foram campeãs nacionais de futebol em Portugal, na Inglaterra e na Itália e ganharam a Liga dos Campeões por duas vezes. Por isso tem recebido inúmeros prémios e foi a primeira figura portuguesa ligada ao futebol a ser distinguida, com o doutoramento honoris causa, atribuído pela Faculdade de Motricidade Humana. Em Janeiro de 2011 a FIFA elegeu-o como o melhor treinador do mundo.
Recentemente, José Mourinho foi entrevistado pela BBC e o diário espanhol as destacou na sua primeira página essa entrevista do actual treinador do histórico Real Madrid.
É um português no topo!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

No topo: Cristiano Ronaldo (2)

Um jornal espanhol – as – numa edição do princípio de Dezembro deste ano, destacou na sua primeira página o futebolista Cristiano Ronaldo e a nossa Rua dos Navegantes assinalou esse facto num post inserido no dia 3 de Dezembro de 2011.
Ainda não decorreu um mês e, desta vez, é uma revista francesa especializada em futebol – onze mondial – que sem utilizar o tradicional chauvinismo francês, esquece os seus ídolos nacionais e também destaca na sua primeira página o futebolista português, classificando-o como “200% star”.
Cristiano Ronaldo é, portanto, um português reconhecido internacionalmente e que está colocado firmemente no topo.
A análise da imprensa internacional revela que nas primeiras páginas dos principais jornais não aparecem portugueses que se destaquem na ciência, na cultura ou na economia, mas relativamente ao futebol não se passa a mesma coisa.
Os portugueses destacam-se no futebol e a imprensa reflecte essa realidade. Porém, este tipo de notoriedade não constitui um valor absoluto e o seu significado tem apenas um valor relativo, pois resulta da utilização de estratégias de promoção muito particulares.
Porém, é positivo para a nossa auto-estima e ajuda a melhorar a imagem de Portugal no mundo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Há deputados em off-side

Um dirigente nacional da jovem associação cívica
“Transparência e Integridade” afirmou ao Jornal de Notícias que o nosso Parlamento "se abastardou" e que é um “escritório de representações”, denunciando que, pelo menos 13 dos actuais deputados - que identifica -, chumbam na ética, porque um deputado não pode defender os eleitores e o interesse público e, ao mesmo tempo, representar interesses privados.
Os deputados são eleitos pelo povo para o representar no Parlamento, para exerceram a função legislativa e para defender o bem comum e o interesse público. Para o bom desempenho desse cargo, têm um estatuto apropriado, alargadas imunidades, muitos privilégios e elevadas remunerações no contexto da administração do Estado.
Assim, eles deveriam ser os melhores, ou dos melhores, de todos nós.
Porém, a análise comparativa do registo de interesses dos deputados com a sua actividade política e parlamentar, revela falta de transparência e menor integridade ética, pois muitos desses deputados estão ligados a empresas públicas, sociedades de advogados, empresas imobiliárias e de construção civil, bancos e sociedades financeiras. O conflito de interesses é evidente e, embora não se trate de situações de clara ilegalidade, são casos de ganância e comportamentos eticamente condenáveis de gente “que não tem vergonha na cara” e que, dessa forma, potenciam maus exemplos para toda a sociedade. São deputados que estão off-side. Não podemos manter esse tipo de gente. Não pode valer tudo. Na anterior legislatura calcula-se que um terço dos deputados estava em conflito de interesses e, na actual, estima-se que esse número seja semelhante.
Não há quem ponha fim a isto?

Um acontecimento jornalístico e editorial

O Diário de Notícias celebra hoje o seu 147º aniversário e surgiu nas bancas em formato Berliner, que é bem maior do que o habitual, apresentando-se assim como uma edição especial dedicada ao ano de 2011.
O director convidado para esta edição foi o economista Victor Bento, que se revelou realista mas também optimista, ao mostrar-se confiante de que a tormenta por que passamos agora se há-de transformar em boa esperança, tal como em finais do século XV o cabo das Tormentas de Bartolomeu Dias se tornou no cabo da Boa Esperança.
A ideia de reproduzir na primeira página da edição uma criação do pintor Nadir Afonso com a sua interpretação do mito grego do rapto da Europa, confere à edição um especial significado cultural, numa época em que o Velho Continente passa por grandes dificuldades e em que tem sido a vertente económico-financeira a dominar os mass media. No seu enriquecido conteúdo dedicado especialmente aos acontecimentos que dominaram o ano de 2011 em Portugal e no mundo, destaca-se uma grande entrevista de Mário Soares, cuja leitura constitui, como habitualmente, um bom exercício de reflexão.
Pode afirmar-se que nesta edição, o ano de 2011 foi noticiado num só dia, pois inclui artigos actuais e de reflexão sobre os momentos mais marcantes do ano, nas diferentes secções habituais do jornal, destacando-se como temas dominantes as alterações e as ameaças que se têm verificado em torno do euro, as evoluções da política portuguesa, a Primavera Árabe, a ascensão de Dilma e o desaparecimento de Bin Laden e de Kadhafi, o tsunami de Fukushima e as expectativas portuguesas em torno do Europeu de futebol. Além de tudo isto, cada secção inclui uma entrevista a uma personalidade sobre o que nos espera em 2012, para além de uma grande diversidade de imagens que nos recordam os acontecimentos mais marcantes do ano. A edição está bem apoiada publicitariamente, o que também é um prémio para a Global Notícias Publicações, SA.
Estão todos de parabéns por este excelente trabalho jornalístico e editorial.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Jardim, ou a humilhação da dívida

Nos últimos anos, com o crédito barato e o endividamento fácil, associados às megalomanias e aos deslumbramentos dos seus governantes, a Região Autónoma da Madeira acumulou uma dívida colossal de 6 mil milhões de euros.
Essa dívida é a consequência de uma governação desgovernada, assente numa estrutura que é mais pesada do que a do Continente e que se apoia numa malha de 28 direcções regionais, 5 institutos e 33 empresas regionais, algumas tecnicamente falidas. Toda esta rede constitui o maior empregador regional e a maior agência de absorção de subsídios.
Neste quadro de descontrolo, a dívida da Madeira mais que duplicou nos últimos cinco anos, sendo curioso verificar que, proporcionalmente, aumentou mais do que a dívida continental. Paradoxalmente, apenas há dois anos, a então líder social-democrata visitou o Funchal tendo então afirmado que a Madeira é exemplo de um "bastião inamovível" e de "um bom governo do PSD".
O presidente do Governo Regional não é apenas o principal responsável por este descalabro financeiro, como tem sido o exemplo maior de uma arrogância política que muitas vezes roça a boçalidade, além de recorrer frequentemente ao insulto gratuito e, por vezes, à ameaça separatista.
Hoje foi divulgada a carta de intenções em que Governo Regional da Madeira solicita assistência financeira à República Portuguesa e se compromete a tomar medidas já no início de 2012. São 23 medidas muito duras que repercutem e ampliam na Região a receita que a troika já nos tinha imposto. Tal como a República se submeteu à troika internacional, também a Região se submeteu à "troika continental gaspariana". O homem que, apoiado pelos silvas e pelos ramos, garantira que nunca subiria impostos, torna-se o rosto da maior subida fiscal de que há memória na Madeira.
As críticas foram imediatas e severas. O líder do CDS salientou que o Governo Regional “assinou a certidão de óbito da sua governação da última década e subscreveu o sequestro da autonomia por muitos anos”, salientando que “se o Governo Regional cortasse no despesismo, no desperdício e nas fantasias do desporto, no Jornal da Madeira, nas verbas aos partidos, nas 187 entidades públicas e em obras sem qualquer utilidade era evitável este aumento brutal de impostos, taxas e contribuições".
Para o líder do PS regional “hoje é o pior dia, o mais negro para a autonomia da região”, acrescentando que os madeirenses estão “perante uma das maiores desgraças que aconteceu à Madeira e nada se compara com isto num passado recente”.
O plano de resgate financeiro da Madeira, que envolve um empréstimo cujo valor não foi revelado, implica a transferência da gestão da dívida pública da Madeira para o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, proibindo a região de mais endividamento. Para o arrogante Jardim, que semeou ventos e colheu tempestades, é mesmo uma humilhação.

O novo Brasil

A imprensa mundial tem destacado um estudo da consultora britânica CEBR que conclui que, em finais de 2011, o Brasil deve superar a Grã-Bretanha e tornar-se a sexta maior economia do mundo.
Muito justamente, o Brasil entusiasma-se com a notícia!
Esta histórica alteração é mais um sinal do reposicionamento mundial e da mudança dos centros de decisão que se estão a verificar, sendo atribuida aos efeitos da crise financeira de 2008 e à crise económica que persistem na Grã-Bretanha, em contraste com o boom vivido no Brasil que está a colocar a sua economia a seguir às dos Estados Unidos, França, Alemanha, Japão e China.
O Brasil é reconhecido como uma potência mundial nos domínios da agricultura e dos recursos naturais, mas também na actividade industrial, tendo desencadeado uma verdadeira escalada de prosperidade económica nas últimas três décadas, embora subsistam grandes problemas sociais. Com a descoberta de enormes jazidas de petróleo e gás natural na bacia de Santos, as perspectivas da economia brasileira têm melhorado ainda mais.
Em paralelo com a explosão da economia brasileira que se está a tornar numa locomotiva da economia global, também a imagem do país se vem alterando e a deixar de ser associada apenas ao futebol, ao carnaval, às boas praias e às favelas sujas e pobres. O Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 a realizar no Rio de Janeiro, já são a consequência da nova imagem internacional do Brasil, das suas capacidades organizativas e do seu prestígio.
E por cá? Num quadro tão desanimador, os portugueses emigram. Vão para a Suiça ou para Angola. Mas não só. Só o Brasil concedeu mais de 52 mil vistos de residência nos primeiros seis meses deste ano.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Muitos veleiros visitarão Lisboa

No próximo Verão irão decorrer o Campeonato Europeu de Futebol (de 8 de Junho a 1 de Julho) e os Jogos Olímpicos de Londres (de 27 de Julho a 12 de Agosto), o que certamente constituirá um aliciante programa televisivo para quem aprecia o desporto e as competições desportivas.
Porém, na mesma altura, o porto de Lisboa também acolherá dois grandes eventos náutico-desportivos, que irão atrair muito público nacional e estrangeiro às margens do estuário do Tejo, que aproveitará o encanto ribeirinho da cidade e as suas condições meteorológicas e logísticas.
No dia 31 de Maio termina no porto de Lisboa a 7ª etapa da Volvo Ocean Race 2011-2012, depois dos participantes completarem uma viagem de 3590 milhas desde Miami. Os participantes desta volta ao mundo para “ veleiros da fórmula 1” permanecerão alguns dias em Lisboa e, no dia 10 de Junho, partirão para a 8ª etapa da corrida que terminará em Lorient. Não há quaisquer veleiros portugueses em prova.
Algumas semanas depois, terminará em Lisboa a 1ª regata da Tall Ships Race 2012, organizada pela Sailing Training International, a qual ligará Saint Malo a Lisboa. Os 41 veleiros inscritos - entre os quais se incluem o navio-escola Sagres, os navios de treino de mar Creoula e Santa Maria Madalena e a caravela Vera Cruz - permanecerão no porto de Lisboa entre os dias 19 e 22 de Julho, seguindo depois para Cadiz.
O estuário do Tejo vai receber muitos veleiros e a cidade de Lisboa vai animar-se com estes acontecimentos náutico-desportivos.