sábado, 5 de outubro de 2013

Viva a República!

O dia de hoje não foi feriado nacional porque no ano passado, a pretexto da crise económica e de um novo Código do Trabalho, foram eliminados os feriados de 5 de Outubro (Implantação da República) e de 1 de Dezembro (Restauração da Independência), além de dois outros feriados religiosos.
Assim, a implantação da República foi discretamente comemorada no salão nobre dos Paços de Concelho, com a leitura de dois discursos e a presença de muitas entidades oficiais, além de muitos assessores e seguranças, mas sem a participação popular porque o povo estava a trabalhar. Um pequeno grupo de manifestantes fez-se ouvir com as suas vaias, assobios e gritos de demissão.
De tudo isto, aproveitou-se o discurso do recém-eleito Presidente da Câmara Municipal de Lisboa que, para além de ter prestado homenagem a Raúl Rego, disse: "Estamos numa crise e temos de a vencer. Estamos num impasse e temos de o ultrapassar. Mas não podemos vencer este impasse secundarizando a democracia e as suas regras. Pelo contrário, devemos usar a democracia como referência e argumento para, em sua defesa, nos unirmos e mobilizarmos".
Criticou o "vale tudo político" e o "vale tudo financeiro e económico", isto é, que as "regras fundamentais da democracia ou do Estado de Direito sejam ignoradas ou postergadas, em nome de objetivos imediatos ou sob pressão dos acontecimentos" e acrescentou que "a crise tem de ser combatida com as regras e os instrumentos da democracia" e "na convicção de que não há contradição entre democracia e desenvolvimento económico".
Ora aqui está um discurso apropriado, que honra a República. Terá sido ouvido por aqueles a quem se destinava?

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O irrevogável ministro da propaganda

Foi ontem anunciado com alguma solenidade que a troika fez uma avaliação positiva do programa de ajustamento económico e financeiro em curso e o mesmo personagem que dias antes falava do penta, falou agora em corridas de cinco mil metros. O homem é mesmo um desportista, além de habilidoso e espertalhão, mas não pode pensar que os outros estão distraídos e não o topam. Há três meses decidiu irrevogavelmente demitir-se, porque seria um acto de dissimulação se continuasse no governo, mas deu o dito por não dito e ficou. A bem da nação! Assim se criou uma crise política que assustou os nossos credores e tem custado milhões. Porém, o personagem acha que valeu a pena porque lhe permitiu chegar onde queria, isto é, manda naquela malta toda, desde as albuquerques aos moedas, passando pelo próprio passos.
Entretanto, ele disse que são visíveis sinais de melhoria do clima económico e que, este ano, o produto já não cairá 2,3% como previsto, mas apenas 1,8%, enquanto o desemprego não se situará nos previstos 18,2%  mas que ficará pelos 17,4%. É isto que o anima? Ora o défice público continua sem cair, a pobreza aumenta, o pequeno comércio está bloqueado, os jovens emigram e a dívida pública continua a aumentar. Porém, há dúvidas sobre a real andamento da economia e eles não se entendem sobre se a dívida é ou não é sustentável. No meio de toda esta desorientação e de tanta propaganda, vieram dizer-nos que todas as medidas de carácter excepcional serão mantidas no orçamento do próximo ano e que não há qualquer possibilidade de haver uma redução de impostos para as famílias no próximo ano. Então, se há sinais de melhoria, por que razão nos escondem os cortes e nos vão continuar a atrofiar?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Le Portugal au top

A propósito da presença da equipa de futebol do Benfica em Paris, onde hoje jogará no Parque dos Príncipes com o Paris Saint-German, o jornal L’Equipe dedica um dos seus títulos de primeira página ao desporto português e escreve: Le Portugal au top.
Não é habitual que a imprensa internacional destaque Portugal e, quando acontece, é quase sempre por maus motivos – défices exagerados, dívida excessiva, intervenção da troika, desemprego, pobreza, má governação e outras coisas de natureza política ou económica. Porém, no campo do desporto as coisas são diferentes e, neste caso, o jornal desportivo francês coloca o nosso país no topo e destaca o Benfica (va chauffer le Parc), o Vitória de Guimarães (est ressuscité) e o ciclista Rui Costa (un maillot à honorer). Haveria outras coisas a salientar no aspecto desportivo, mas estes destaques já são suficientemente animadores, sobretudo para os muitos portugueses que vivem em França e que hoje se sentirão orgulhosos ao ler a primeira página do L’Equipe.

 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ele (e só ele) vê a luz ao fundo do túnel

O nosso Chefe do Estado inicia hoje uma visita oficial de três dias à Suécia e, segundo relata o jornal Público, “o primeiro encontro com o rei Carlos XVI Gustavo e a rainha Sílvia acontecerá nas cavalariças reais, de onde o chefe de Estado português partirá de coche em cortejo para o Palácio Real, onde se irá realizar a cerimónia oficial de boas-vindas, seguida de um encontro privado entre Cavaco Silva e o rei da Suécia”. Outros jornais referem que a viagem se destina  “a atrair investimento e parcerias”, ou “a exportar vinho e têxteis” ou, ainda, “a vender Portugal na Suécia”, não sendo referidos os banquetes, os discursos e as trocas de comendas. Como habitualmente, a comitiva presidencial é alargada, quase a lembrar uma excursão turística, embora as lições do passado que estão estudadas e são conhecidas não sejam levadas em conta, isto é, este modelo de visitas oficiais são caras e deveriam ser repensadas porque não produzem quaisquer resultados.
Ora, a propósito desta visita, o Chefe do Estado deu uma entrevista a um jornal sueco que o Diário de Notícias hoje reproduz, na qual declara que “Portugal já saiu da recessão e apresenta o maior crescimento da Europa”. Depois, o venerando Chefe do Estado utiliza a sua tese do bom aluno para afirmar que o “povo português tem mostrado um grande sentido de responsabilidade”, pelo que não vê “razão lógica para as obrigações do Estado português atingirem taxas de juro de 7%”. Acrescenta, ainda, que “finalmente começamos a ver uma luz ao fundo do túnel” e que não se compreende a razão porque “os mercados não nos premeiam com taxas de juro mais baixas”. Isto é que é um professor de Economia!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Os nossos desportistas de eleição

Foram dois feitos desportivamente tão importantes e tão surpreendentes para quem gosta do desporto (e que horas antes ficara frustado com o 3º lugar no Campeonato do Mundo de hóquei em patins), aqueles que aconteceram em Florença e Kuala Lumpur no dia 29 de Setembro de 2013. Até o jornal A Bola fez uma excepção à sua linha editorial  e, por uma vez, parece ter esquecido o futebol ao dedicar a sua primeira página a esses dois grandes feitos do desporto português, ao destacar as fotografias dos dois desportistas e escolhendo o título “Esplendor de Portugal”. O ciclismo e o ténis foram notícia.
Rui Costa (26 anos, Póvoa do Varzim), que este ano já vencera a Volta à Suiça e duas etapas da Volta à França, sagrou-se campeão do mundo de ciclismo, ao vencer a prova de fundo dos Mundiais de Itália, em Florença. Foi uma vitória extraordinária obtida sobre dois adversários espanhóis muito cotados e é a primeira vez que um ciclista português ganha o Mundial, o que lhe dá o direito a usar a camisola arco-íris durante um ano.
Também João de Sousa (24 anos, Guimarães) se tornou no primeiro português a ganhar um torneio ATP (Association of Tennis Professionals), ao bater um tenista francês e ao vencer o Torneio de Kuala Lumpur, um dos cerca de seis dezenas de torneios do ATP World Tour Masters. Há poucas semanas, já tinha sido o primeiro tenista português a atingir a terceira eliminatória do Open dos EUA e, com estes dois resultados, subiu para o 51º lugar do ranking ATP.
Nunca acontecera isto. Os triunfos de Rui Costa e de João de Sousa não são obras do acaso e nem resultam de qualquer tipo de amiguismo, pois são fruto da vontade, talento, tenacidade, persistência, espírito de sacrifício, trabalho e outras salutares valências. Como seria bom que, aqueles que nos dirigem, também tivessem estas mesmas características.

sábado, 28 de setembro de 2013

Um telefonema que vai ficar na História

Ontem, os presidentes dos Estados Unidos e da República Islâmica do Irão, respectivamente Barack Obama e Hasan Rohani, tiveram uma conversa telefónica que durou 15 minutos e que muita imprensa destacou, como sucedeu com o diário nova-iorquino Newsday.
Desde a revolução islâmica de 1979, isto é, desde há 34 anos, quando o xá Reza Pahlevi foi derrubado e substituído pelo ayatollah Khomeini, que as relações entre os dois países tinham sido cortadas. Nessa altura, a revolução iraniana hostilizou os Estados Unidos pelo seu apoio ao regime do xá, assaltou a sua embaixada em Teerão e fez 52 reféns. Foi uma humilhação para os americanos e uma operação militar depois levada a efeito para os resgatar, veio a fracassar e apenas contribuíu para acentuar a conflitualidade entre os dois países. A tensão entre eles nunca mais se atenuou e a partir de 2005 agravou-se, quando foi eleito o presidente Mahamoud Ahmadinejad. O discurso anti-ocidental endureceu, especialmente contra Israel, tendo sido criado um programa de enriquecimento de urânio para produzir secretamente armas nucleares. O Irão parecia desafiar os americanos e os israelitas, que o passaram a considerar como uma ameaça à estabilidade e à paz naquela região, pelo que muitos analistas vaticinaram um eminente ataque americano ou israelo-americano às instalações estratégicas iranianas.
Porém, desde que no dia 3 de Agosto tomou posse o novo presidente Hasan Rohani, que tudo parece estar a mudar nas relações entre os Estados Unidos e o Irão. Não é importante saber de quem partiu a iniciativa, mas o telefonema que os dois presidentes ontem fizeram poderá vir a ser um dos mais importantes da História, se constituir um primeiro passo para o apaziguamento naquela tão sensível região do mundo. E talvez se evitem os erros cometidos no Iraque, na Líbia, na Síria...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Música nas praças para animar Lisboa

O habitual programa Música nas Praças - concertos promenade em Lisboa regressa no próximo dia 5 de Outubro para animar a cidade de Lisboa e para celebrar o Dia Mundial da Música, mas também para fazer a ligação entre a música, o espaço público e o património cultural da cidade. O programa desta 6.ª edição encontra-se amplamente divulgado em mupis espalhados pela cidade e estende-se desde as 11 até às 23 horas, com entrada livre. Esta interessante iniciativa decorrerá em vários locais simbólicos do Chiado, como a Praça Luís de Camões, o Largo de São Carlos, as Ruínas do Carmo, o Largo do Carmo, o Museu do Chiado e o Miradouro de Santa Catarina. Apresentar-se-ão a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Septeto do Hot Clube de Portugal, os Brass Ensemble da Metropolitana, as Percussões da Metropolitana, o Coro Infanto-juvenil da Universidade de Lisboa, a Orquestra de Sopros da Metropolitana e o Coro do Tejo, entre outros grupos, que animarão esta parte da cidade com o som dos seus acordes e das suas vozes. A organização é da EGEAC, a empresa municipal responsável pela animação cultural da cidade, que salientou a escolha do Chiado para a realização deste evento por se tratar de um sítio simbólico e de forte matriz cultural, mas também pela forma dinâmica e criativa como ultrapassou o trauma do grande incêncio de 25 de Agosto de 1988. É uma iniciativa de grande mérito que contribui para a animação daquela zona da cidade e que justifica o nosso aplauso.

Um veleiro desperta sempre boas emoções

Na maioria dos países do mundo costumam existir navios-escolas especialmente destinados à formação dos cadetes das suas Marinhas. Normalmente esses navios são veleiros que fazem as suas viagens de instrução durante o Verão, em que atravessam os oceanos e visitam diversos portos, proporcionando aos cadetes a formação náutica e o conhecimento do mundo considerados necessários ao exercício da sua profissão, ao mesmo tempo que esses navios cumprem missões de natureza diplomática e de representação nacional. Assim acontece com o navio-escola Cuauhtémoc da Marinha Mexicana que iniciou em Março a sua viagem Europa-2013.
O navio largou de Acapulco e escalou Balboa, Vera Cruz, Havana, Norfolk, Bordéus, Ruão, Den Helder, Bergen, Aarhus, Helsinquia, San Petersburgo, Szczecin, Riga, Gdynia, Lisboa, Cadiz e Santa Cruz de Tenerife, onde se encontra, para depois seguir a sua viagem com destino a Cartagena das Indias. No final da sua viagem terão sido percorridas 22 mil milhas e visitados 18 portos de 14 diferentes países, mas esta viagem não difere substancialmente daquelas que anualmente são feitas por outros navios-escolas. Porém, o que distingue esta de outras viagens será a escala em Santa Cruz de Tenerife, pelo destaque entusiástico que lhe foi dado pela imprensa local, como sucedeu com o diário El Dia que utilizou uma bela fotografia na sua primeira página e que legendou - “um pedaço de México atraca em Tenerife”.
Um veleiro desperta sempre boas emoções, sobretudo quando ainda é visto como uma memória dos tempos em que, sem radiocomunicações e sem ligações aéreas, era o único elo de ligação ao mundo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Gente endinheirada e sem nenhum pudor

A notícia surgiu esta manhã através do Correio da Manha: Rui Machete com pensão de 132 mil euros! Numa altura em que o governo de que faz parte, ataca pensionistas e reformados, o valor desta pensão é chocante e mostra que há muita gente endinheirada que anda por aí como se o estado a que chegamos não tivesse sido também da sua responsabilidade. É o caso de Machete que andou sempre na crista da onda da política e que chegou a ter cargos sociais em cinco bancos concorrentes! Já em tempo de  crise, em 2012, entre pensões e trabalho, teve um rendimento de 398 235 euros, para além de algumas centenas de milhares de euros em aplicações financeiras, designadamente depósitos a prazo e fundos de investimento. O passado do homem até lhe podia dar o estatuto de senador, mas afinal não passa de um simples sacador! Incansavelmente sacou e saca de todo o lado. Acumulou cargos em 31 instituições, desde o BPI ao BCP, passando pela EDP, CGD, Taguspark, FLAD e pela famosa SLN, de que também foi accionista (embora se tenha esquecido), tendo ainda tempo para dar aulas em duas universidades, aconselhar sociedades de advogados e ser dirigente partidário. Se não fosse tão triste e tão miserável esta promiscuidade e esta falta de pudor, até dava vontade de rir.
Foi este sacador que alguém teve a lata de convidar para o governo e foi este sacador que teve a lata de aceitar. Diz-se, por vezes, que temos vivido acima das nossas possibilidades. Não é verdade. Quem viveu acima das nossas possibilidades foram os machetes todos que por aí andam, que só pensaram em acumular cargos e em engrossar as suas contas bancárias e que, como claramente se vê, pouco ou nada fizeram pelo país que tanto sugaram. Só os podemos desprezar.

Há que fazer cumprir a Constituição

O Presidente da República é o Chefe de Estado, que é eleito por sufrágio universal para um mandato de cinco anos. Nos termos da Constituição  da República, ele representa a República Portuguesa e "garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas", tendo como especial incumbência, nos termos do juramento que presta no seu acto de posse, "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa". Ao Governo compete governar de acordo com a lei e, em especial de acordo com a lei fundamental, enquanto ao Tribunal Constitucional compete verificar se a legislação produzida se enquadra ou não na lei fundamental que é a Constituição da República Portuguesa, aprovada por 2/3 dos deputados. Acontece que o actual Governo, que deveria merecer a respeitabilidade e a confiança de todos os portugueses, incluindo daqueles que não o escolheram, tem vindo demasiadas vezes a pisar o risco da inconstitucionalidade ou da ilegalidade, aumentando a sua quota de ilegitimidade e de impopularidade. As leis têm que ser feitas para os portugueses e não podem ser feitas para satisfazer imposições externas humilhantes. Por questões de independência e de dignidade nacionais.
Ora o Governo acaba de ver chumbada pelo citado Tribunal Constitucional algumas das normas previstas no Código do Trabalho, relacionadas com a extinção do posto de trabalho e com o despedimento por inadaptação. Há um mês, o mesmo Tribunal tinha declarado inconstitucional a chamada "lei da mobilidade especial", que estabelece o regime jurídico da requalificação de trabalhadores em funções públicas. Antes, declarara a inconstitucionalidade da suspensão do pagamento dos subsídios de férias ou de Natal aos funcionários públicos ou aposentados. São demasiados atropelos à lei e, nessas circunstâncias, pergunta-se o que faz quem jurou "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa".

America’s Cup – uma regata memorável

Ontem, na baía de S. Francisco, concluiu-se a 34ª edição da America’s Cup ou Taça América, a famosa regata de vela que se realiza desde 1851 e que ostenta o título de “a mais antiga competição desportiva que se realiza no mundo”. A America’s Cup é uma prova que consta de uma série de regatas em que participa o anterior vencedor do troféu (o defender) e uma outra embarcação desafiante (o challenger), seleccionado de entre uma renhida luta entre vários candidatos.
Os americanos têm sido os grandes vencedores desta prova que até 1983 se realizava em Newport, mas que desde então tem sido realizada noutros locais e já foi vencida por neozelandeses (duas vezes), suiços (2 vezes) e australianos (uma vez).
A equipa americana Oracle Team USA – o defender – revalidou o seu título numa das mais impressionantes reviravoltas a que o desporto tem assistido. A vitória em cada regata assegurava um ponto e eram necessários 9 pontos para vencer o troféu. O Oracle Team USA começou por ser penalizado em dois pontos e a equipa neo-zelandeza Emirates Team New Zealand – o challenger – esteve a ganhar por 6-0 e depois por 8-1. A confiança deveria dominar a tripulação neo-zelandeza e a equipa americana estava à beira de uma humilhante derrota por acontecer na baía de S. Francisco mas, contra todas as previsões, conseguiu recuperar e chegar a 8-8.
Ontem era o dia decisivo ou o "Golden Gate drama", como se lhe referiu o jornal The Sacramento Bee e, nessa última regata, o Oracle Team USA cruzou a meta com 44 segundos de avanço sobre o veleiro neozelandês, obtendo uma inédita série de oito vitórias consecutivas e um resultado final de 9-8. Foi a mais longa final dos 162 anos de história da America’s Cup, teve a duração de 19 dias e vai ficar na história.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A vitória da mulher dos casacos arco-íris

Angela Merkel, a líder da União Democrata-Cristã (CDU) ganhou ontem as eleições legislativas alemãs com 41,5% dos votos, o que mostra que a maioria absoluta esteve muito perto. É o melhor resultado que o seu partido conseguiu desde 1990 quando se verificou a reunificação alemã e Merkel irá cumprir um terceiro mandato, depois de também ter sido eleita em 2005 e 2009.
A notícia foi hoje destacada pela imprensa de quase todo o mundo, especialmente na Europa, sendo ilustrada com fotografias da vitoriosa chanceler. O diário dinamarquês Berlingske que se publica em Copenhague e que é um dos mais antigos jornais do mundo, também destacou a vitória de Angela Merkel mas ilustrou a notícia de forma original: são trinta fotografias da chanceler, sempre com o mesmo tipo de casaco, mas cuja cor vai do vermelho ao azul, passando pelo amarelo e pelo verde. A sucessão de fotos é um verdadeiro arco-íris.
Politicamente ainda é cedo para saber que coligações vai Merkel fazer para governar e que alterações fará ou não fará às suas políticas, sobretudo em relação à Europa do sul e aos seus problemas financeiros. No entanto, em relação à sua vitória, o Wall Street Journal é hoje citado por incluir uma notícia com o título “Portugal pode estar a cozinhar uma tempestade”, em que é salientado que no topo da lista de problemas urgentes de Angela Merkel está o que fazer em relação a Portugal. Ora, não é isso que dizem o irrevogável portas, nem o optimista maduro.
Assim, por aqui tudo ficará na mesma, isto é, a continuidade de Merkel vai significar a continuidade da austeridade, a mesma ganância dos credores, igual sobranceria da troika e a mesma subserviência dos nossos dirigentes. Antes não fosse...
 

domingo, 22 de setembro de 2013

Mexia e ainda mexe, mas de bolsa cheia

No passado ano de 2012 o presidente executivo da EDP recebeu 1,2 milhões de euros de remunerações a que juntou 1,9 milhões de euros de prémio plurianual de gestão relativo ao mandato entre 2009 e 2011, tendo um jornal referido que ele recebeu o equivalente a 6391 salários mínimos nacionais. No mesmo ano o presidente do Conselho Geral e de Supervisão arrecadou 430 mil euros, enquanto o valor global bruto das remunerações dos órgãos sociais pagas em 2012 foi de 18 milhões de euros. Em tempo de crise é uma fartura, mas é também um caso de falta de escrúpulos. É uma obscenidade.  É certo que a EDP lucra cerca de mil milhões de euros por ano, mas esse lucro é resultante de rendas garantidas em mercado protegido e dos preços cada mais elevados que cobra aos consumidores, que atrofiam a estrutura de custos e a competitividade de muitas empresas. Apesar disso, a EDP ainda reclama um défice tarifário de cerca de 2 mil milhões de euros e, na sua ganância pelo dinheiro, endivida-se nos mercados internacionais para, entre outros objectivos, distribuir dividendos aos seus accionistas. Tudo isto é uma verdadeira imoralidade. A EDP e os seus gestores insultam-nos.
Neste quadro, em vez de reduzir as suas remunerações e os dividendos dos accionistas, o presidente executivo da EDP resolve dar entrevistas com conselhos aos juízes do Tribunal Constitucional e a responsabilizá-los pela eventual necessidade do país recorrer a um segundo resgate, apenas porque garantem o cumprimento da Constituição e se opuseram aos despedimentos discricionários na função pública e ao ataque aos pensionistas. Era melhor que aquela deslumbrada criatura ficasse calada e tivesse vergonha na cara, mas quis sabujar-se aos seus amigos do governo.
Lamentavelmente , os nossos jornais nem sequer falam disto.

A Síria revela a fraqueza do Ocidente

The Economist dedica uma boa parte da sua última edição à guerra civil na Síria, com vários artigos que classificam a intervenção ocidental como “uma enorme derrota política”, apresentando na capa uma sugestiva ilustração: um velho leão desdentado que não pode morder porque não tem a sua dentatura colocada. A influência ocidental no mundo entrou em declínio e, hoje, “outro valor mais alto se alevanta”, como diria Camões. Primeiro foi David Cameron que foi humilhado pelo seu Parlamento, depois foi François Hollande que se esforçou por estar na primeira fila mas que se viu hostilizado pelos franceses e, finalmente, foi Barack Obama que nunca chegou a ter o apoio inequívoco do Congresso. As opiniões públicas ocidentais não querem guerras de fundamentação duvidosa e uma acção militar é sempre demasiado impopular.
A guerra na Síria foi inicialmente conduzida por moderados, mas foi infiltrada por grupos extremistas sunitas, por jihadistas estrangeiros e pela Al Qaeda. O mal-estar e a rivalidade entre esses grupos é insanável. Combatem entre si e, há dias, confrontaram-se na cidade de Azaz que era controlada pelos rebeldes do Exército Livre da Síria e que agora está nas mãos de um grupo pró-Al Qaeda. Tem sido esta gente que o Ocidente tem ajudado com armas e dinheiro. Entretanto, o relatório feito por inspectores da ONU divulgado esta semana confirmou o uso de armas químicas na Síria, mas não atribuiu culpa a nenhum dos dois lados, enquanto o presidente russo afirmou que há razões para acreditar que o uso dessas armas foi uma astuta e engenhosa provocação. Ali ao lado, Israel deseja a saída de Bashar El Assad mas ao mesmo tempo teme estar a promover grupos radicais islâmicos, alguns dos quais próximos da Al Qaeda. Perante a fraqueza do ocidente e a sua obcessão pelo derrube de Bashar El Assad, foi a Rússia de Vladimir Putin que reassumiu um papel importante no xadrez mundial.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Um jovem ambicioso à procura de poder

Sabemos pouco sobre esta figura política que, pelo menos no seu partido, é uma pessoa importante e uma verdadeira luminária. Em Julho deixou de ser Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, porque aquilo era pouco para a sua ambição. Incomodava-o estar sempre em segundo plano e, ainda por cima, porque é pequenino, não tinha qualquer destaque na televisão. O tempo das vice-presidências em Valongo e Gaia ou as duas passagens por Secretarias de Estado, não satisfizeram o seu apetite pelo poder. Assim, passou a ser coordenador e porta-voz do seu partido, uma espécie de loureiro ou de relvas reciclados, o que lhe permite dominar o aparelho, tomar as rédeas do poder e preparar-se para o salto em frente. Para já, percorre o país, aparece e fala à procura do protagonismo que o poderá levar ao poder.
Desde então, tem uma página oficial na internet e aparece diariamente nas televisões com uma voz que incomoda, opinando sobre tudo e atribuindo os males do mundo aos seus adversários políticos. Há dias acusou o FMI de "hipocrisia institucional", por fazer "proclamações em relatórios" onde reconhece excesso de austeridade, embora depois se mantenha "inflexível" nas negociações. Quis ser um valentão no ataque ao FMI, mas os seus concorrentes de partido que também têm a mesma ambição, logo o mandaram calar. Na sua página oficial na internet pode ver-se que todos os dias faz parte da notícia ou é a notícia, mas também que tem uma sobrecarregada agenda com comícios, jantares e voltas de campanha, um pouco por todo o lado. Porém, o homem está cheio de telhados de vidro e ainda não explicou por que razão, enquanto administrador da Metro do Porto em 2008 e 2009, deu parecer favorável à contratação de swaps que causaram elevadas perdas à empresa.