O
referendo sobre a independência da Escócia realiza-se na próxima 5ª feira e a
revista The Economist escolheu uma sugestiva imagem para ilustrar a
capa da sua última edição, sugerindo que a escolha dos escoceses pode ditar a
independência da Escócia e o fim do Reino Unido. Se a escolha for a
independência, será aberta uma série de problemas políticos, monetários,
económicos, culturais e até militares, não só nas Ilhas Britânicas, mas também,
embora em menor escala, na União Europeia e no mundo. As campanhas a favor do Sim e a favor do Não foram longas e terão permitido que os escoceses se tivessem
preparado para fazer as suas opções. Avaliaram. Ponderaram. Mediram os prós e
os contras da sua decisão. O resultado interessa não só aos escoceses, mas
também a todos os que se habituaram a ver a Union
Jack como um símbolo de poder no mundo. Além disso, o resultado que se
verificar na Escócia interessa sobremaneira a diversas regiões europeias que
aspiram a um estatuto de independência, podendo refrear ou incentivar essas suas
aspirações. Porém, as independências já não são o que eram e é curioso verificar
como muitos escoceses não querem a tutela de Londres e desejam a tutela de
Bruxelas e dos seus burocratas, exactamente como muitos catalães aspiram à
tutela de Bruxelas em vez da obediência a Madrid. O que acontecer na próxima 5ª
feira na Escócia, vai ser seguido atentamente em diversas regiões da Espanha,
da Itália, da Bélgica, da França e até da Ucrânia. É um momento importante da
construção (ou da desconstrução) europeia.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
A hora da decisão na Escócia
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
A ciência europeia nas mãos de Moedas
Foi
anunciado que o próximo Comissário Europeu da Investigação, Ciência e Inovação será
Carlos Moedas e eu fiquei eufórico com esta notícia. Antes, eu já ficara
entusiasmado com a escolha feita pelo primeiro Passsos quando decidiu oferecer a
cadeira dourada de comissário europeu a um homem que o ajudou a subir na
política e que, com coragem e sabedoria, fez frente à troika. Foi um justo prémio ao amiguismo
e a crítica que por vezes é feita à sua falta de peso político não tem
fundamento. Moedas é um político de peso que toda a Europa e o mundo conhecem. Moedas é a esperança para um futuro melhor dos europeus.
Agora, com esta escolha, o meu entusiasmo transformou-se em euforia, ao saber da excelente decisão de Jean-Claude Junker, que ficou rendido, não só ao currículo académico e científico de Moedas, mas também à sua apetência e sensibilidade pela inovação. De resto, Moedas preparou-se especialmente para este posto e é um exemplo de dedicação à ciência e à inovação, duas áreas em que tem desenvolvido teorias e aplicado modelos inovadores sobre a forma como empobrecer um país, primeiro no Goldman Sachs e, depois, no governo português.
Agora, com esta escolha, o meu entusiasmo transformou-se em euforia, ao saber da excelente decisão de Jean-Claude Junker, que ficou rendido, não só ao currículo académico e científico de Moedas, mas também à sua apetência e sensibilidade pela inovação. De resto, Moedas preparou-se especialmente para este posto e é um exemplo de dedicação à ciência e à inovação, duas áreas em que tem desenvolvido teorias e aplicado modelos inovadores sobre a forma como empobrecer um país, primeiro no Goldman Sachs e, depois, no governo português.
A comunidade
científica europeia, em especial as universidades, estão em festa, pois terão
em Moedas um comissário sabedor que, certamente, vai inspirar o aparecimento de
muitos cientistas e de muitos Prémios Nobel, para além de potenciar um inovador
ciclo de desenvolvimento europeu que vai fazer tremer os Estados Unidos e a
Ásia Oriental. Não tardará que a Europa se renda ao fulgor científico do filho
do Zé Moedas, que o seu pequeno corpo fique coberto de comendas e que tenha uma
estátua em Beja. Bruxelas e Paris terão o seu Boulevard Carlos Moedas, Londres terá a Moedas Street e em Roma não faltará a Via Moedas!
terça-feira, 9 de setembro de 2014
As más consciências e os guarda-costas
A
edição de ontem do Diário de Notícias destacou na sua primeira página que mais 63
polícias iam reforçar o Corpo de Segurança Pessoal da PSP, isto é, os actuais
380 guarda-costas desse corpo já não chegavam para proteger os nossos políticos
e juízes.
O
número impressiona e este aumento de 16,5% também surpreende, numa altura em
que somos os campeões mundiais no pagamento de impostos e em que, cada vez
mais, o Estado nos obriga a pagar os serviços que nos presta sob a forma de
portagens, taxas moderadoras, proprinas e licenças para isto e para aquilo. Acontece
que este reforço de guarda-costas, dos quais 36 já se destinam em permanência a
Cavaco, Passos e Portas, custam ao erário público 54 mil euros por mês para além
das ajudas de custo, viagens, alojamento, refeições, viaturas, combustíveis e
subsídios para tudo e para mais alguma coisa. Estes e os outros dignitários que
usam e abusam de guarda-costas pagos pelos contribuintes, decerto que não estão
de bem com a sua consciência e temem o povo e o seu direito à indignação. Se
orientassem a sua actividade política e governativa, tal como para isso foram
mandatados pelo voto, para contribuirem para o progresso económico e social do
país, seriam aplaudidos e ovacionados pela população. Porém, porque não é isso
que fazem e não estão de boa consciência, escondem-se atrás de guarda-costas,
até na praia. Afinal eles têm medo de quê ou de quem? Não, definitivamente digo
não, a este espectáculo de multidões de guarda-costas a proteger gente de má
consciência.
sábado, 6 de setembro de 2014
Viva o Tribunal de Aveiro!
O processo Face Oculta que agora chegou ao fim com
a leitura do respectivo acordão, começou a ser julgado há quase três anos e
está relacionado com uma rede de corrupção que teria como objetivo o
favorecimento de um grupo empresarial da região de Aveiro, nos negócios com
empresas do sector empresarial do Estado e com empresas privadas.
O acordão foi
considerado histórico porque a sentença do Tribunal de Aveiro condenou os 36
arguidos por centenas de crimes de associação criminosa, corrupção, tráfico de
influência, furto qualificado, branqueamento de capitais, falsificação e
perturbação de arrematação pública, com penas de muitos anos de prisão efectiva para muitos deles. Era uma autêntica rede de associação
criminosa e entre os condenados encontram-se figuras bem conhecidas da opinião
pública e até alguns antigos governantes, pelo que esta decisão é singular e
inesperada. Cumpriu-se a lei e talvez até se tivesse ido para além do razoável.
Desde há muitos
anos que a corrupção é um grave problema em Portugal e é sabido como há
demasiadas relações de promiscuidade entre a política e os negócios. São tantas
as evidências de casos de enriquecimento ilícito e de tráfico de influências que
até tendem a parecer normais, pois florescem perante a crescente indiferença
dos cidadãos que deixaram de confiar na justiça e da passividade de uma
imprensa que se acomodou. Por isso, a sentença do Tribunal de Aveiro pode
marcar um novo ciclo do primado da lei e do fim da impunidade daqueles que,
desonestamente e sem pudor, minam os alicerces da nossa sociedade. Porém, o
nosso aplauso pela corajosa decisão do colectivo do Tribunal de Aveiro, ainda
não é definitivo. Os famosos recursos
irão aparecer e esta decisão parece ser apenas um bom começo de uma caminhada
em que ninguém tem a certeza de haver igual coragem por parte das outras
instância judiciais que virão a analisar o processo. Porém, até lá, que viva o Tribunal de Aveiro!
Há gente para tudo!
Numa interessantíssima
e esclarecedora entrevista ao jornal i, um antigo administrador do
antigo BES veio mostrar a verdadeira face dos serventuários do poder, isto é,
daqueles que não têm espinal medula e tudo aceitam a troco de um punhado de
lentilhas e que, até no plano ético, se limitam a esconder-se atrás do mais
forte e não atrás das suas ideias e dos seus ideais. Para este tipo de gente, a
palavra carácter não existe, nem tão
pouco a palavra coragem, nem a palavra pudor e nem sequer dignidade. Não têm vergonha nenhuma.
Referindo-se ao BES, o entrevistado veio dizer-nos que “os administradores não executivos são verdadeiros verbos de encher” e que, em seis anos, entrou “mudo e saiu calado”, o mesmo acontecendo com todos os administradores. Eu fiquei estupefacto, não porque o homem entrasse mudo e saísse calado, mas tão só porque aceitou esse papel durante seis anos sem pestanejar, sem indignar e sem se demitir, apenas porque isso lhe dava algum rendimento e influência. É preciso não ter coluna vertebral!
Referindo-se ao BES, o entrevistado veio dizer-nos que “os administradores não executivos são verdadeiros verbos de encher” e que, em seis anos, entrou “mudo e saiu calado”, o mesmo acontecendo com todos os administradores. Eu fiquei estupefacto, não porque o homem entrasse mudo e saísse calado, mas tão só porque aceitou esse papel durante seis anos sem pestanejar, sem indignar e sem se demitir, apenas porque isso lhe dava algum rendimento e influência. É preciso não ter coluna vertebral!
Ao ler isto e
outras declarações bombásticas, como aquela referência ao transporte de uma
mala com dinheiro para um partido político, ficamos com a verdadeira estatura
do figurão e a conhecer o tipo de serviços a que já se prestara e que, certamente, também poderia prestar no BES. De resto, é
lamentável a forma como se encosta a toda a classe política dominante e como
engraxa e se humilha perante aqueles que têm poder em Portugal, desde Cavaco a
Costa, passando por Marcelo e Gaspar, que são tão diferentes. É mesmo de quem não tem coluna vertebral. O figurão de apelido Matos é, por isso,
um travesti político pronto para
fazer todos os papéis desde que lhe paguem. Infelizmente para nós, parece que o
país está cheio de Matos destes… Há, realmente, gente para tudo!
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Ceuta conserva a boa memória lusitana
A cidade autónoma
de Ceuta comemorou ontem o Dia de Ceuta com uma cerimónia institucional que foi
o ponto alto de um programa que se estendeu por vários dias. Nessa cerimónia realizada
no Teatro Auditório del Revellin, foram distribuidas as Medalhas da Autonomia que,
em cada ano, distinguem as associações e as personalidades que mais se
distinguiram na valorização ou na promoção da cidade.
A cscolha desta
data é uma curiosidade da História. Quando no dia 21 de Agosto de 1415 o Rei D.
João I de Portugal desembarcou na cidade e rapidamente a tomou pela força dos
homens e das armas, alguns capitães pretenderam ser escolhidos para governar a
cidade, mas o rei escolheu D. Pedro de Menezes, 1º conde de Vila Real, para seu primeiro governador e
capitão-geral, apenas porque se apresentou com um pau e disse que “aquele pau lhe
bastaria para defender a cidade de todos os seus inimigos”. A nomeação de D. Pedro
de Menezes aconteceu no dia 2 de Setembro e esse pau ainda hoje se encontra no
santuário de Nossa Senhora de África, tendo passado de mão em mão por todos os
governadores que comandaram a praça de Ceuta e juraram defender a cidade.
Durante o período
da União Ibérica (1580-1640), a cidade manteve a administração portuguesa, mas
em 1640 não aclamou o novo Rei D. João IV, optando por ficar sob domínio
espanhol. No entanto, a cidade decidiu manter a sua bandeira de gomos brancos e
pretos como a bandeira da cidade de Lisboa e o escudo português, que é o seu verdadeiro ex-libris.
No próximo ano celebra-se
o 6º centenário da tomada de Ceuta que, habitualmente, é considerada como o facto
que marca o início da expansão portuguesa pelo mundo. Estamos cá para ver como
será e por quem será evocada essa data.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
O enorme prestígio de Cristiano Ronaldo
No mundo do futebol fechou ontem o
chamado mercado das transferências, isto é, terminou o período em que as
equipas de futebol podem comprar ou vender jogadores, facto que confirma estar
em curso a transformação das equipas de futebol em empresas comerciais, em que
cada vez faz menos sentido falar do “amor à camisola” dos jogadores ou da “clubite” dos
adeptos. No ranking dos chamados
investimentos em futebolistas, os mais gastadores nesta estação foram o
Manchester United (193 milhões de euros), o Barcelona (157), o Liverpool (151),
o Real Madrid (122) e o Atletico de Madrid (111). Hoje os grandes jornais
desportivos tratam este assunto com grande destaque e as primeiras páginas dos
jornais ingleses foram ocupadas com a transferência do colombiano Radamel
Falcao para o Manchester United, onde vai ganhar 350 mil libras por semana! Sobre
o mesmo assunto, na escala mais modesta do futebol português, o destaque não
foi para a compra de jogadores mas, sobretudo, para a não venda de alguns daqueles
que mais cobiçados eram por clubes estrangeiros.
Porém, os dois
principais jornais desportivos espanhóis escapam a esta regra e não destacam as
aquisições dos seus três principais clubes, nem os êxitos espanhóis no Mundial
de basquetebol que se está a realizar em Sevilha, nem os seus triunfos mundiais
no triatlo ou no badminton. Eles destacam... Ronaldo e o que ele disse numa
entrevista, ilustrando as suas primeiras páginas com a fotografia do
futebolista português.
No caso do diário
Marca
cuja versão electrónica é lida por mais de 5 milhões e meio de leitores, o
jornal até dá mais importância à palavra do que aos golos de Cristiano Ronaldo.
Isto é que é prestígio!
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Há muita abelha no enxame da vergonha
Há em Portugal um
terrível vício que corrói a Sociedade e o Estado, que destrói a Democracia, que
atrofia o Estado de Direito e que a todos envergonha. É um vício corporizado
por um verdadeiro enxame de abelhinhas nascidas nas juventudes dos partidos
políticos, que vivem embrulhadas na vaidade e na ambição e que tudo fazem para
satisfazer os seus apetites de dinheiro, de influência e de poder. Para essa
gente não existe o interesse público nem o bem comum, pois tudo subordinam ao
seu interesse pessoal ou do seu grupo. Esse terrível vício que abala a
confiança nacional e desmoraliza a população é a promiscuidade entre a Política
e os Negócios, em que muita gente actua numa descarada ou mesmo criminosa confusão
de interesses entre o que é Público e o que é Privado. São milhões, muitos milhões que são apropriados em ruinosos contratos.
Há três anos um
corajoso autarca afirmou que “o centro da corrupção em Portugal tem sido a
Assembleia da República pela presença de deputados que são simultaneamente
administradores de empresas”, dizendo ainda que o Parlamento "parece mais
um verdadeiro escritório de representações, com membros da comissão de obras
públicas que trabalham para construtores e da comissão de saúde que trabalham
para laboratórios médicos”.
Com a crise que
nos entrou em casa e com a apertada vigilância que os nossos credores
internacionais nos fizeram, era de esperar uma moralização nas práticas
corruptas ou ilegais em que muitos agentes políticos estiveram ou estão envolvidos. Que se
acabasse com esse enxame de abelhas. De resto, esse foi o discurso moralizador que
levou Passos e os seus amigos ao poder. Mas parece que foi só conversa, pois muitos
deputados, secretários de Estado e outros lobos que por aí vegetam, continuam envolvidos
em negociatas com a maior impunidade do mundo, como hoje denuncia o jornal
i.
O espectáculo ímpar dos Tall Ships
A Sail Training
International leva a efeito todos os anos, durante os meses de Verão, várias
iniciativas destinadas a promover o gosto pelo mar e pela aventura, sendo particularmente
apreciadas as regatas que envolvem os Tall Ships.
A Tall Ships Race 2014 decorreu entre os
dias 3 de Julho e 5 de Agosto, tendo visitado portos holandeses, dinamarqueses
e noruegueses. Porém, no seu programa de actividades para 2014 a Sail Training
International também incluiu a 2014 Falmouth-Royal
Greenwich Tall Ships Regatta, um programa que está a decorrer no sul da
Inglaterra desde o dia 28 de Agosto, a partir do porto de Falmouth, na
Cornualha, e que terminará em Greenwich no dia 9 de Setembro, embora a corrida
entre Falmouth e Greenwich ocupe apenas três dias do programa. Toda a costa sul
da Inglaterra está, portanto, em festa.
Hoje, os diários The
Times e também o The Guardian ilustraram as suas primeiras páginas com a
fotografia dos veleiros a desfilar no porto de Falmouth, em direcção à linha de
partida da regata que os levará até Greenwich, levando a bordo voluntários de
todas as idades. A principal característica deste tipo de programas não é o aspecto desportivo nem sequer a regata mas é, sobretudo, o convívio
com o mar e com a vida a bordo, sendo reconhecidamente considerado como um
factor de ligação às heranças culturais dos participantes e uma actividade que
reforça o seu sentimento de identidade. Por isso, mas também pela beleza das imagens que proporcionam, os Tall Ships são sempre assunto de primeira página.
domingo, 31 de agosto de 2014
A barca governamental anda à deriva
O mês de Agosto é
um período de várias semanas de férias que está a chegar ao fim. Como acontece sempre, o país parou, as praias receberam multidões e os governantes foram
a banhos. As escolas e os tribunais estiveram encerrados. O futebol descansou.
O enxame de comentadores televisivos também esteve de férias. O país pareceu
andar à deriva, com o governo escondido e a continuar o seu discurso mentiroso,
como sucedeu uma vez mais no caso BES.
Agora o país
regressa à normalidade e aos poucos regressam os políticos, os comentadores e “as
malabarices de Passos”, como se refere o semanário Expresso à acção governativa. Um dos regressados foi o comentador
Mendes que, depois de ter sido a corneta do governo, parece ter entrado na
penumbra depois de ter anunciado a solução para o BES antes de tempo. Não soube
guardar segredos e não lhe vão perdoar isso. Vai daí, reagiu e decidiu-se por
uma pequena vingança. Ontem, no seu espaço de comentário na SIC, o comentador
Mendes denunciou o “assalto fiscal” que o governo tem conduzido, afirmando que “o IRS entre
2011 e 2014 teve 25 agravamentos”, que no mesmo período ”o IRC sofreu 12
agravamentos” e que “houve 17 casos em
que aumentaram taxas e impostos directos”. Se a este assalto fiscal somarmos o descontrolo
da despesa pública, os inúmeros orçamentos rectificativos, a falta de investimento produtivo, a dívida pública de 134%
do PIB, a persistência de um elevado desemprego e a desmotivação que tomou
conta da Administração Pública, das Forças Armadas e de Segurança, dos professores,
dos médicos, dos enfermeiros, dos operadores judiciais e de tantos outros servidores públicos, temos a prova
de que o governo é uma barca a navegar sem rumo e sem comandante. É uma barca à deriva.
Dizia o comentador Mendes que “o
caminho não é este”. Ora aí está uma conclusão acertada, embora tardia!
O indesejável turismo da borracheira
Há um novo modelo de turismo
que está a alastrar na Europa e que vem mobilizando os jovens, especialmente
aqueles de menores recursos e que corre à margem dos tradicionais circuitos das
agências de viagens. Esses jovens turistas tratam de tudo pela internet, usam como
bagagem uma simples mochila, voam em companhias low cost e alugam casas ou apartamentos baratos e, muitas vezes, de
arrendamento ilegal. Aparentemente não viajam para descansar nem para conhecer
outras culturas. Viajam apenas para se divertir de um modo insólito e de fuga ao vazio que a sociedade lhes oferece, mas os seus comportamentos
colidem muitas vezes com os direitos e o conforto dos moradores dos locais onde
se instalam. Como características principais dos seus comportamentos estão o ruído
durante a noite e o deambular pelas ruas em estado de quase coma alcoólico de
gente que vomita e urina por todo o lado, que usa o espaço público como
lixeira, que pratica o pequeno furto, que expõe a sua nudez e abusa da
libertinagem sexual na via pública e que, não raras vezes, se confronta ou até
agride os moradores. Tudo isto é perturbante para quem vive nesses bairros,
além de se traduzir na criação de uma imagem negativa daquele local, o que tende a afastar o
turismo de maior poder aquisitivo.
O fenómeno está acontecer em diversas
cidades europeias, mas foi Barcelona e em particular o Bairro de Barceloneta
que deu o alarme, que denunciou o “turisme de borratxera” e que veio para a rua
protestar. A imprensa catalã, nomeadamente o diário ara, associou-se ao
protesto. De resto, a Espanha pode ser
um dos países a sofrer as consequências económicas da quebra no turismo de
qualidade pois as televisões europeias já trataram de divulgar os excessos de Ibiza,
Magaluf, Barcelona, Barceloneta, Calella,
Gandia ou Lloret de Mar, o que não deixará de ter consequências. E aqui como
será?
Cuidado: não se metam com a Rússia
Nos últimos dias aumentou
a tensão política e agravou-se a situação militar nas regiões do leste da
Ucrânia que são controladas pelos independentistas pró-russos, havendo notícias
de muitos combates, muitos bombardeamentos, muita destruição, abate de aviões e
mais de 2.600 mortos. Não parecia, mas é a brutalidade da guerra no território
europeu.
Tudo começou há
meia dúzia de meses quando o centro de Kiev se tornou numa “zona de guerra”
entre o governo ucraniano pró-russo e os manifestantes pró-ocidentais, com os
dirigentes ocidentais a tomarem partido em vez de apaziguarem e procurarem uma
solução consensual entre as partes. A Rússia não gostou desta “intervenção” na
sua área de interesse estratégico e reagiu com firmeza, fazendo renascer o seu
orgulho nacional ferido há mais de vinte anos. As forças sociais pró-russas sentiram o seu apoio mais ou
menos explícito, mobilizaram-se e armaram-se. À escalada verbal tem correspondido uma escalada militar e esse facto é demasiado preocupante. A guerra já está a mostrar que, na "civilizada" Europa, a guerra é a regra e a paz a
excepção.
Apoiados por
centenas de soldados ou voluntários russos, os separatistas parecem ganhar
terreno e, depois de Donetsz e Lugansk, aproximam-se agora da cidade de Mariupol, ao mesmo tempo que se revela a
impreparação das forças militares ucranianas e a enorme dependência e
debilidade económica do país.
Como resposta a
esta situação, os Estados Unidos e os seus aliados europeus pretendem o reforço
das sanções económicas contra a Rússia, ao mesmo tempo que a NATO abre as
portas à Ucrânia. Porém, o território ucraniano corresponde a uma área
de vital interesse estratégico da Rússia que parece não abdicar do apoio aos
separatistas e, inclusivamente, Vladimir Putin veio avisar o governo de Kiev, bem como os seus aliados onde pontifica o nosso valente Barroso, com um expressivo “não se metam com a Rússia”.
Ora, como como
tem sido reconhecido, a solução deste conflito é política e não militar, como também já
reconheceu Federica Mogherini, a indigitada Alta Representante para a
diplomacia europeia.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Os cães atentam contra a saúde pública
A revista Visão
decidiu destacar como tema principal de reportagem da sua última edição os
“novos filhos” de estimação, isto é, aquela conceituada revista parece ter colocado
em idêntico patamar, ou em alternativa, os filhos dos leitores e os seus cães.
Sendo muito grave
o problema da natalidade em Portugal, a simples ideia de haver “novos filhos” já
é preocupante. Até há pouco tempo, a posse de um cão era um fenómeno típico dos
meios rurais e suburbanos para guarda, para companhia ou para caça, mas nos
últimos anos acentuou-se a sua utilização para outras funções de grande
utilidade social, designadamente como cães-guia e cães-polícia, embora a
companhia continue a ser a sua função mais procurada, parecendo que há cada vez
mais famílias urbanas a adoptar um cão para cohabitar no seu apartamento.
Um estudo recente
concluiu que há mais de três milhões de portugueses que possuem pelo menos um
cão, o que representa quase 40% da população. O número impressiona e o número
de portugueses que possuem um cão supera largamente aqueles que possuem outros
animais em casa, estimando-se que metade dos lares portugueses possuem um ou
mais animais de estimação, o que é o dobro da média europeia.
A adopção de um cão, por vezes
com o estatuto de um quase como membro da família, é uma decisão soberana de
cada cidadão. Tal como ter ou não ter filhos. Mas são coisas bem diferentes. Porém, o que está a acontecer nas nossas cidades, especialmente
em Lisboa, é uma ocupação do espaço público pelos cães e pelos seus dejectos
que constituem um atentado à saúde pública, numa afirmação de grosseira incivilidade
da parte dos seus donos e, nos espaços verdes onde em tempos brincaram as crianças,
hoje não é mais possível que outras crianças continuem a fruição desses
espaços. Eu protesto apenas por isso!
Que nos valha o desporto e... o Ronaldo
Numa época em que
persiste o desalento pela nossa incapacidade colectiva e governativa para
ultrapassar a persistente crise em que estamos mergulhados desde há muito tempo
e em que aceitamos a constante humilhação a que nos sujeitam os nossos amigos
europeus, o desporto costuma funcionar como válvula de escape.
Porém, este ano
as coisas não tinham corrido bem até que Telma Monteiro, na passada semana, se
sagrou vice-campeã mundial de judo pela quarta vez. Foi uma alegria desportiva e, ontem, voltamos a sorrir. Numa votação
realizada no Mónaco durante a cerimónia do sorteio de grupos da Liga dos
Campeões, os jornalistas desportivos europeus elegeram Cristiano Ronaldo e a
UEFA proclamou-o como o Melhor Futebolista da Europa em 2014. Assim, ele realizou
um feito inédito ao conquistar no mesmo ano a Bola de Ouro, a Bota de Ouro e o
troféu do Melhor Futebolista da Europa e, como hoje escreveu o diário madrileno as,
“como Cristiano no hay ninguno”.
Embora os feitos
desportivos de Telma Monteiro e de Cristiano Ronaldo tenham diferente dimensão,
ambos têm destaque nos media internacionais
e contribuem para valorizar e acrescentar a nossa auto-estima. Ambos
representam o prémio de um esforço continuado e persistente, a que os obriga a
alta competição. Em nenhum outro plano, nomeadamente no campo político, temos tanta
notoriedade e boa imagem internacional. A generalidade dos Barrosos e dos Constâncios,
tal como dos Arnauts e dos Moedas, que ocupam cargos internacionais por quota e
não por mérito, não nos dão este tipo de alegrias. Pelo contrário. Por isso,
que nos valha o desporto e... o Ronaldo.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
A corrida presidencial no Brasil
Aproximam-se as
eleições presidenciais no Brasil e, nesta margem do Atlântico, começa a
aumentar o interesse sobre o que se passa e o que se vai passar no maior país de língua
portuguesa, a que todos estamos ligados por razões históricas, emocionais e,
muitas vezes, familiares.
Será no próximo dia 5 de
Outubro que se disputará a 1ª volta dessas eleições em que, segundo têm
revelado as sondagens, há três candidatos que estão melhor posicionados: a
presidente Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT), o senador Aécio
Neves do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e a ex-senadora Marina
Silva do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que substituiu o candidato
Eduardo Campos, que perdeu a vida num acidente aéreo que aconteceu no dia 13 de
Agosto. Essas mesmas sondagens apontam claramente para que nenhum candidato
obtenha a maioria de 50% nessa 1ª volta e que será necessária a realização da
2ª volta no dia 26 de Outubro.
O primeiro debate
entre estes candidatos realizou-se há poucas horas e, segundo informa a Folha
de
São Paulo e outros jornais, aconteceu o que é habitual neste tipo de
debates em todo o mundo, isto é, cada candidato cumpriu a sua estratégia
pessoal com confrontos directos contra o seu adversário principal e o seu
passado político, para além de uma abordagem dos problemas que mais preocupam
os eleitores brasileiros – a corrupção, a inflação, a instabilidade social, a economia e a
pobreza persistente, entre outros. Nesta altura tudo ainda pode acontecer. Os
brasileiros saberão escolher o candidato que querem ver em Brasília a ocupar o
Palácio do Planalto, o edifício projectado por Oscar Niemeyer onde está
instalada a sede do poder federal brasileiro, mas nós seguiremos esse processo
com muito interesse.
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