domingo, 22 de julho de 2018

A Suécia também com incêndios florestais

As alterações climáticas continuam a afectar o nosso planeta e os incêndios florestais são uma das consequências mais nefastas dessa realidade. Nos últimos dias foram anunciadas temperaturas de 40 graus na Sibéria e de mais de 30 graus na Suécia, onde está a acontecer uma vaga de incêndios florestais que habitualmente só aconteciam no sul da Europa. A situação era improvável e foi classificada como rara, pelo que o governo sueco não estava preparado para enfrentar os efeitos de uma tão intensa onda de calor e para uma tão acentuada secura do clima.
Por isso, o governo sueco pediu ajuda à União Europeia através do Mecanismo Europeu de Protecção Civil e, de imediato, a França, a Itália, a Alemanha, a Polónia, a Dinamarca e a Lituânia enviaram aviões de combate a incêndios, camiões e vários bombeiros para ajudar a apagar os fogos que há vários dias afectam o país e para os quais não se vislumbra quando possam ser completamente extintos. O governo português também se disponibilizou para ajudar a Suécia a combater os incêndios florestais, tendo disponibilizado dois aviões médios anfíbios e um módulo de combate a incêndios.
O matutino Dagens Nyheter que se publica em Estocolmo também destacou na primeira página da sua edição de ontem uma fotografia improvável, isto é, uma imagem de um dos muitos incêndios florestais que lavram no país.
Esta situação mostra como as alterações climáticas e a sua imprevisibilidade estão a interferir na nossa vida e mostram que o que aconteceu no ano passado em Portugal foi um caso de excepção, mas também que uma boa parte das lágrimas choradas foram "lágrimas de crocodilo", sobretudo por aqueles que atiraram todas as responsabilidades para a Constança e pretenderam tirar dividendos políticos da catástrofe.

A força da natureza no estreito de Sunda

Desde há dois dias que o vulcão Cracatoa, ou Anak Krakatau como se diz em bahasa indonésio, situado numa pequena ilha do estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, entrou em erupção e o jornal The Jakarta Post publicou uma eloquente fotografia da lava incandescente a escorregar para o mar.
Os vulcões fazem parte da paisagem daquela região indonésia, muito em especial o famoso Cracatoa. Uma catastrófica erupção registada em 1883 tinha feito desaparecer a ilha de Cracatoa, provocando cerca de 40 mil mortos em consequência do tsunami que se seguiu à explosão vulcânica. Em 1927 uma nova ilha emergiu da caldeira formada em 1883, constituindo a actual ilha Anak Krakatau que, segundo os especialistas, tem um vulcão muito activo e que pode ser ainda mais poderoso que o antigo Cracatoa, que figura como um dos símbolos das calamidades vulcanológicas mundiais.
A sua última erupção tinha acontecido em Fevereiro de 2017, mas no passado dia 19 de Julho entrou em erupção lançando pedras a várias centenas de metros de altura, libertando gases e muita lava. Dizem os especialistas que ainda é cedo para saber se esta é apenas uma das regulares erupções do Anak Krakatau ou se é a actividade preliminar de uma crise vulcânica de maior dimensão.
Do que não restam dúvidas é que a erupção proporciona belíssimas fotografias.

sábado, 21 de julho de 2018

No centenário de Nelson Mandela

Se fosse vivo, Nelson Mandela (1918-2013) teria completado 100 anos na passada quarta-feira. O mundo não o esqueceu e, um pouco por toda a parte, foram-lhe rendidas justas homenagens e foi enaltecido o seu contributo para a pacificação étnica e política na África do Sul e para a paz no mundo. O seu contributo para a defesa dos direitos humanos e de uma forma geral para a paz entre os homens é comparado aos contributos de outras figuras como o Mahatma Ghandi, Martin Luther King ou João Paulo II.
A sua vida orientou-se sempre pela defesa da igualdade racial. Foi condenado a prisão perpétua em 1964 mas veio a ser libertado em 1990 devido à pressão internacional. Nelson Mandela passou 27 anos na prisão, nomeadamente na prisão de alta segurança de Robben Island onde tinha o número 46664, tendo-se tornado o mais famoso prisioneiro do mundo e, após a sua libertação, tornou-se no político mais aplaudido e mais galardoado do mundo, responsável pelo fim do apartheid e pela refundação da África do Sul como uma sociedade democrática e multiétnica. Em 1993 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz e, entre 1994 e 1999, foi presidente da República da África do Sul.
Em Portugal também houve quem evocasse o legado de Nelson Mandela e o Jornal de Letras dedicou-lhe a primeira página da sua última edição. Aqui também fica expressa a nossa admiração por esse homem e pela forma como conseguiu evitar uma guerra de grandes proporções no sul da África.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Trumputin: será mesmo o que parece?

O recente encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin que se realizou na Finlândia está a gerar uma grande controvérsia nos Estados Unidos.
Depois das declarações inamistosas e das acusações que o Donald fez nas suas visitas a Bruxelas e Londres, em que não poupou nem Merkel nem May e classificou a União Europeia como um inimigo, o presidente dos Estados Unidos alargou-se em elogios ao presidente da Rússia, prometendo o reforço da cooperação bilateral, embora a questão da interferência russa nas eleições americanas não tivesse ficado  bem esclarecida. 
Os estrategas europeus ficaram muito baralhados com o que o Donald disse, mas os americanos não gostaram nada do seu comportamento quase subserviente perante o rival russo. Nos Estados Unidos crescem as vozes dos que querem saber o que se passou no encontro a sós entre os dois presidentes, enquanto o Donald vai dando o dito por não dito e se atira à imprensa e às suas fake news.
Na edição que hoje foi posta a circular, a revista TIME escolheu para tema de capa esse encontro entre Trump e Putin ou entre Vladimir e Donald, com uma curiosa composição fotográfica que vai deixar os americanos muito impressionados, mesmo os mais conservadores e os que elegeram o Donald. A imagem que passa é que o Donald e Vladimir serão apenas dois corpos e duas identidades, mas que representam uma mesma ideia de poder. É o Trumputin ou são dois homens muito ricos e o dinheiro estimula convergências.
Agora, depois de tantos anos em que a América construiu e vendeu a ideia do perigo russo, quem é que vai convencer os americanos de que afinal o amigo está na Rússia e que o inimigo está na Europa? Ou será que o Donald se tem esquecido que é o Presidente dos Estados Unidos e que parece actuar como Presidente da Trump Organization, confundindo a Casa Branca com a Trump Tower em Midtown Manhattan?

terça-feira, 17 de julho de 2018

Nova Zelândia procura novos símbolos

A Nova Zelândia é um país insular do Pacífico Sul formado por duas massas de terra principais, conhecidas por Ilha do Norte e Ilha do Sul, separadas pelo estreito de Cook. Os primeiros europeus que visitaram estas ilhas em 1642 foram os marinheiros do explorador holandês Abel Tasman, mas os europeus não voltaram àquelas ilhas até 1769, quando o navegador britânico James Cook visitou as ilhas e fez as suas primeiras representações cartográficas. Depois de ter sido um domínio britânico, a Nova Zelândia tornou-se independente em 1907, embora mantenha um regime de monarquia constitucional parlamentar em que a rainha de Inglaterra é o Chefe de Estado, mas em que o poder político reside no parlamento e no primeiro-ministro.
O país tem cerca de 268 mil km2 de superfície, cerca de 5 milhões de habitantes e tem a sua capital na cidade de Wellington, mas a sua capital económica e financeira é a cidade de Auckland, fundada em 1840 e onde hoje se concentra cerca de 30% da população neo-zelandesa. Ambas as cidades se encontram na Ilha do Norte.
A construção mais simbólica de Auckland é a Sky Tower, que com 328 metros é o edifício mais alto do hemisfério sul, apenas 8 centímetros menos do que a Torre Eiffel. Porém, segundo o The New Zeland Herald, o Auckland Council decidiu fazer uma mega-construção que possa rivalizar com a Estátua da Liberdade de Nova Iorque e com o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, tendo aberto um concurso de ideias para uma estátua de Papatūānuku, a Mãe da Terra na tradição māori, que será colocada no Bastion Point e passará a ser um símbolo da cidade à entrada do porto de Auckland. Supostamente, a nova estátua procurará reforçar a unidade nacional de um país com uma população dominada por cerca de 65% de europeus e apenas 10% da população mãori originária das ilhas.

O Donald e o Vladimir são bons amigos

A Cimeira de Helsinquia entre Donald Trump e Vladimir Putin que ontem se realizou, deu origem a uma invulgar troca de elogios e de promessas de cooperação para resolver alguns problemas mundiais, que só pode constituir motivo de satisfação para todos os que desejam a paz no mundo.
O jornal espanhol ABC publica hoje uma fotografia dos dois líderes e escolheu para título da sua primeira página a frase “tan amigos”. De facto, tudo parece ter corrido bem neste encontro que gerou muito optimismo e até fez subir as bolsas mundiais. Putin negou qualquer interferência russa nas eleições presidenciais americanas de 2016 e Trump disse que a relação entre os dois países “nunca esteve pior”, referindo que a atitude americana face à Rússia tem sido de “loucura e estupidez norte-americana, a maldita caça às bruxas”.
Dois dias antes, o Donald tinha intensificado o seu ataque à União Europeia que classificou como inimiga e essa declaração encheu os jornais de todo o mundo. Estamos, portanto, perante um Donald que num dia pede mais dinheiro para investir na NATO e na defesa da Europa, que no outro declara a União Europeia como um inimigo e que, no outro, elogia o líder russo e promete reforçar as relações bilaterais. É uma verdadeira confusão o que o Donald diz.
No passado dia 12 de Julho, a propósito da Cimeira da NATO em Bruxelas, escrevemos aquí que era necessário definir quem é o inimigo da NATO e este encontro entre Trump e Putin, mostra exactamente isso. Porém, os inúmeros comentadores que enchem as televisões continuam sem perceber que o quadro estratégico da Guerra Fria já está ultrapassado e continuam a falar como verdadeiros papagaios de uma realidade que já não existe.

Coimbra capital do desporto universitário

Decorreu ontem em Coimbra a cerimónia de abertura dos European Universities Games 2018, que foi presidida pelo Presidente da República e, até 28 de Julho, haverá 3140 atletas provenientes de 38 países e de 400 universidades a competir em 13 modalidades.
Depois dos Jogos de Córdova (2012), de Roterdão (2014) e de Zagreb (2016), a European University Sports Association (EUSA) escolheu Coimbra para acolher os Jogos de 2018, nos quais se disputarão provas de badminton, basquetebol, basquetebol 3×3, canoagem, futebol, futsal, andebol, judo, remo, rugby de sete, ténis de mesa, ténis e voleibol.
A logística deste acontecimento desportivo em termos de alojamentos, transportes e instalações desportivas é um desafio para uma cidade de média dimensão como Coimbra, até porque, para além dos atletas, a cidade vai receber equipas técnicas, treinadores, jornalistas e apoiantes. Porém, as autoridades académicas e a autarquia da cidade “agarraram” esta oportunidade para mobilizar a prática desportiva na cidade e na própria universidade, mas também para transmitir uma imagem de qualidade académica e desportiva de uma cidade que tem uma das mais antigas universidades da Europa.
Porém, lamentavelmente, a nossa imprensa não prestou até agora qualquer atenção a estes Jogos, pois tem-se ocupado exaustivamente do Mundial de futebol, da ida de Ronaldo para Turim e das transferências dos jogadores de futebol.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A vitória do Mundial foi para a França

A selecção francesa venceu ontem a selecção da Croácia na final do Mundial de 2018 e tornou-se campeã do mundo de futebol. Muitos milhões de espectadores devem ter visto aquele jogo, em que os vencedores tiveram que jogar bem e beneficiar de muita sorte, pois partiram de uma vantagem resultante de um auto-golo croata e arracaram depois para a vitória com um penalti a seu favor que souberam aproveitar.
A França e os franceses lembravam-se do balde de água fria que foi a derrota frente a Portugal na final do Europeu de 2016 e, agora, estavam muito receosos da equipa da Croácia. Porém, a vitória que conseguiram foi justa, pois a equipa foi muito eficiente e foi feliz, porque nestas coisas do futebol também é preciso ter sorte. O Presidente Emmanuel Macron, que assistiu ao jogo, foi exuberante a festejar os golos franceses e a vitória, a revelar a importancia política que o futebol tem hoje no mundo. O triunfo encheu de orgulho os franceses que muito festejaram este éxito e todos os jornais nacionais e regionais noticiaram a vitória com grandes destaques fotográficos e com palavras de muita gratidão.
A França precisava desta vitória e deste título, pois ele vai contribuir para a unidade e para a auto-estima nacionais, mas também para a afirmação da França como uma potência mundial.
E será que Portugal podia ter sido campeão do mundo? Obviamente que sim, embora fossem tantas as equipas candidatas ao título que muitas teriam que cair pelo caminho. Foi o que aconteceu com Portugal. Assim só há que aceitar a vitória da equipa mais feliz neste Mundial e essa equipa foi a França.

domingo, 15 de julho de 2018

O obcecado Donald a dividir para reinar

A fotografia do boneco insuflável com que os manifestantes de Londres protestaram contra a presença de Donald Trump no Reino Unido, ilustrou as primeiras páginas de muitos jornais europeus, mas também chegou aos Estados Unidos. O nova-iorquino Daily News, que é um dos jornais americanos de maior circulação, não perdeu a oportunidade para fazer chacota com os comportamentos erráticos e preocupantes do presidente dos Estados Unidos e tratou de escolher a fotografia do insuflável do Donald para ilustrar a capa da sua última edição. Como, por vezes, uma imagem vale mais do que mil palavras, aqui está a demonstração da impopularidade do Donald no seu próprio país, que uma cidadã americana afirmava ontem ser uma vergonha.
Donald quer negócios e os seus valores são os negócios. Criticou Angela Merkel e Theresa May como se andasse em peregrinação pelo seu império e pediu mais dinheiro para a NATO, uma aliança defensiva que há poucos meses tanto criticava. Diz tudo e o seu contrário e, demasiadas vezes, dá o dito por não dito. A sua visita à Europa foi provocatória, arrogante e serviu para acentuar divisões entre os seus aliados europeus, numa lógica de dividir para reinar.
A América merecia melhor e, de facto, a história dos Estados Unidos regista-o como o mais impopular dos seus presidentes dos últimos anos. Agora vai visitar o seu amigo Vladimir Putin e, provavelmente, vão trocar muitos abraços e quem sabe se não vão tratar de cooperação militar.

sábado, 14 de julho de 2018

O Donald não foi bem-vindo em Londres

Depois de ter participado na Cimeira da NATO em Bruxelas e antes de se encontrar com Vladimir Putin, o presidente americano fez a sua primeira visita oficial ao Reino Unido. Tal como acontecera com o que dissera em Bruxelas, o Donald também em Londres se mostrou desbocado, arrogante e mal-educado, fazendo declarações intoleráveis a respeito de assuntos que só dizem respeito aos britânicos.
Não poupou Theresa May, nem a forma como decorrem as negociações do Brexit, mostrando uma vez mais um egoismo demasiado perigoso para o mundo com alguns aspectos fascizantes.
Milhares de manifestantes protestaram nas ruas de Londres contra a visita do Donald. Teriam sido entre 100 e 250 mil a gritar palavras de ordem contra a sua presença e a dizer que ele não era bem-vindo, mas o ponto alto do protesto terá sido um balão insuflável de seis metros de altura em forma de “bebé Donald”, que sobrevoou Londres. Muitos jornais publicaram a fotografia desse balão, como aconteceu com o jornal Público em Portugal.
Os organizadores parecem ter atingido o seu objectivo pois o Donald expressou o seu descontentamento por essa iniciativa que o ridicularizou. Entretanto, o Donald seguiu hoje para a Escócia em visita privada para conhecer os seus investimentos pessoais em campos de golfe, mas parece que os escoceses preparam protestos semelhantes aos que foram feitos em Londres.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Ronaldo continua a construir uma lenda

Estava prevista para a próxima segunda-feira, quando estivessem a esgotar-se os últimos episódios do Mundial de Futebol com festa em Paris ou em Zabreg, a apresentação em Turim de um novo jogador da Juventus Football Club: Cristiano Ronaldo. Foi isso que anunciou hoje La Gazzetta dello Sport, ao referir uma verdadeira presentazione show con CR7.
Porém, a mega-apresentação que estava a ser preparada com contornos hollywoodescos foi suspensa, segundo uns devido a dificuldades logísticas e de segurança na preparação de uma festa grandiosa e, segundo outros, apenas para não agravar os problemas causados pela greve de protesto que foi desencadeada pelos sindicatos da FIAT.
A transferência de Cristiano Ronaldo do futebol espanhol para o futebol italiano é um acontecimento inesperado que encheu as primeiras páginas de muitos jornais, sobretudo em Espanha e na Itália. Depois de nove anos no Real Madrid onde se tornou um ídolo e uma referência, é caso para perguntar porquê esta transferência de um jogador com 33 anos de idade pelo qual foram pagos ao Real Madrid mais de uma centena de milhões de euros e vão ser pagos ao jogador todos os anos, contratualmente, 30 milhões de euros. A resposta é simples: é uma grande operação de marketing que visa mobilizar a Juventus e os seus adeptos, potenciar novos negócios de publicidade e merchandising e, em última análise, transferir de Espanha para a Itália alguns dos centros de interesse do futebol mundial. Com Ronaldo em Turim, a Itália vai esquecer-se que nem sequer esteve no Mundial da Rússia e o mundo vai deixar de pensar que futebol é apenas Real Madrid e Barcelona ou o United e o City de Manchester. Ronaldo vai esquecer o fisco espanhol e, mais do que os golos que vai marcar, a Juventus comprou a marca Ronaldo porque precisa dela para se reerguer e para reerguer o futebol italiano no contexto do futebol mundial.

Será que o Donald vai mandar na Europa?

Donald Trump não se cansa de gritar que os contribuintes americanos estão a pagar demasiado para a defesa militar dos seus parceiros europeus da NATO e acusa alguns desses países de não cumprirem os compromissos de investimento em armamento militar e investigação, enquanto pagam milhões de milhões de dólares em facturas energéticas à Rússia, afirmando, numa evidente provocação, que “a Alemanha está capturada pela Rússia”.
O Donald veio a Bruxelas à Cimeira da NATO e parece ter vindo criar mais problemas na relação entre a Europa e a América, ao insistir que a maioria dos países da NATO afecta menos de 2% do respectivo PIB a despesas com a Defesa, quando de imediato deveriam gastar 2% e, até 2024, aumentar para 4%. O assunto foi destacado na imprensa americana, designadamente no The Wall Street Journal.
No caso de Portugal, em 2017 foram gastos 2.398 milhões de euros em despesas de Defesa, o que equivale a 1,24% do PIB, mas no corrente ano de 2018 essa despesa deverá aumentar para 2.728 milhões de euros, o que equivale a 1,36% da riqueza nacional. Foram estas as despesas autorizadas no orçamento aprovado pelos deputados e, por cá, são eles que decidem.
Até parece que o Donald quer mandar nos países soberanos da Europa, mas o que o ele não sabe é que nas democracias europeias quem manda são os respectivos eleitores e são eles que, através do voto, decidem se querem “canhões ou manteiga”, segundo a famosa alternativa apresentada há muitos anos por Paul Samuelson, o americano que foi um dos primeiros Prémio Nobel da Economia.
O que a NATO  e os seus membros têm que fazer é definir quem é o inimigo. Hoje ninguém sabe quem é o inimigo. Não se sabendo quem é o inimigo, como se pode pressionar para aumentar a despesa militar para o dobro? De resto, o recente uso da NATO para servir interesses particulares, por exemplo no Iraque e na Líbia, foi uma das causas da destabilização mundial que se vive no mundo e continua sem ser assumido como uma intervenção à margem dos princípios da aliança.
Por isso, é natural que alguns dirigentes europeus não aceitem as arrogantes pressões do Donald, que continua a semear ventos um pouco por todo o mundo e, de certo modo, a fazer o que prometeu: "America first"... e os outros que se governem.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Reino Unido, Brexit e todas as dúvidas

As negociações do Brexit têm sido complicadas e, por isso, a primeira-ministra britânica Theresa May tem procurado sempre o apoio do Partido Conservador. Assim aconteceu em data recente, para ultrapassar algumas dúvidas surgidas em torno da opção por um soft Brexit ou por um hard Brexit. Só que, alguns destacados membros do partido e do governo que em 2016 participaram na campanha pelo Brexit, decidiram acusar Theresa May de estar a aceitar um soft Brexit, ou mesmo um Brexit só no papel.
Como consequência, David Davis o ministro do Brexit, renunciou ao seu cargo, acompanhado pelo seu adjunto. Poucas horas depois, também Boris Johnson o ministro dos Negócios Estrangeiros, desde há muito tempo um crítico de algumas posições assumidas por Theresa May no processo de saída da União Europeia, renunciou às suas funções declarando que the Brexit dream is dying. O jornal The Times foi um dos periódicos londrinos que destacou esta declaração de Boris Johnson.
O problema é politicamente muito sério. Os britânicos escolheram o Brexit em Junho de 2016 por uma curtíssima margem de 51,9%, com o voto contra da Escócia, da Irlanda do Norte e da cidade de Londres. Os vencedores terão votado mais contra os imigrantes, mostraram-se apoiantes do racismo e da xenofobia e, provavelmente, não equacionaram as consequências da saída da União Europeia.
A saída destes ministros do governo de Theresa May é um duro golpe para o Brexit, uma vez que muitos sectores políticos e sociais têm agora a esperança “de ver chegar ao fim, finalmente, toda esta loucura” que, segundo dizem, “nunca devia ter acontecido”.
Aguardemos, portanto, o que vai acontecer.

Angola e Portugal: um renovado abraço

Depois de alguns tempos de falta de entendimento e até de ameaça de retaliações, parece que as relações entre Portugal e Angola estão a entrar na linha de onde nunca deviam ter saído. O chamado irritante que tanta tinta fez correr, parece estar ultrapassado e tudo se conjuga para que o Presidente João Lourenço visite Portugal, que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa visite Angola, que as trocas comerciais se acentuem e que a cooperação bilateral se intensifique em todos os domínios.
Portugal e Angola não são apenas dois estados soberanos com assento na comunidade internacional, porque existe entre eles um tão vasto conjunto de afinidades culturais e afectivas resultantes de um convívio secular e de uma história comum, naturalmente marcada pelas vicissitudes próprias de qualquer processo histórico. Porém, dessa relação nasceu um património cultural comum assente na língua portuguesa e um conhecimento recíproco que é intenso e singular. Ninguém conhece Angola como os portugueses e os angolanos sabem que estão em casa quando entram em Portugal.
Por vezes ainda surgem lembranças menos felizes do passado colonial, mas essas são as excepções a confirmar a regra de uma recíproca admiração entre portugueses e angolanos.
O Jornal de Angola fala hoje em momento auspicioso. E tem razão. Numa altura de alguma instabilidade política internacional, é uma boa altura para que os dirigentes portugueses e angolanos saibam encontrar o caminho certo do diálogo e da cooperação para benefício das duas nações.

Espanha e Catalunha: um passo em frente

O problema político da Catalunha é muito complexo, não só porque pode representar o início de um processo de implosão generalizada da Espanha com repercussões contagiantes a uma Europa enfraquecida, mas também porque a própria população catalã está dividida entre o seu legítimo sentimento independentista e a fidelidade à unidade de um estado espanhol multinacional como está definido na Constituição.
No ano passado os ânimos exaltaram-se e tanto o governo espanhol de Mariano Rajoy como o governo catalão de Carles Puigdemont foram além do que seria desejável e, entre outras coisas, renunciaram ao diálogo.
Passou algum tempo e curiosamente no mesmo dia 2 de Junho, Rajoy cedeu o seu lugar de primeiro-ministro a Pedro Sanchez, enquanto o fugitivo Puigdemont foi substituído por Quim Torra.
São dois novos rostos para encarar o problema catalão, depois da fracassada encenação de uma declaração unilateral de independência do passado mês de Outubro, sob a orientação do desorientado Puigdemont, a que o governo espanhol e o Tribunal Constitucional se opuseram.
Ao tomar posse, o separatista Quim Torra desafiou o primeiro-ministro Pedro Sanchez para que o diálogo fosse retomado, depois de meses de crispação. Sanchez aceitou e ontem os dois políticos encontraram-se em Madrid no Palácio de La Moncloa, durante cerca de três horas. Com cordialidade. Com pontos de vista muito diferentes que estão em linha com o que pensaram Rajoy e Puigdemont. Tudo ficou como antes, com uma parte a reivindicar o seu direito à autodeterminação e a outra a defender a unidade do estado espanhol nos termos da Constituição. A reunião não serviu para convencer ninguém, mas foi um passo em frente no caminho do diálogo. Foi um bom princípio.