segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A cidade de Lisboa receberá as JMJ 2022

Na passada semana decorreram na cidade do Panamá as Jornadas Mundiais da Juventude, por vezes referidas através da sigla JMJ, que constituem um dos mais importantes acontecimentos religiosos no mundo.
A imprensa deu-lhe a devida relevância, nomeadamente o jornal La Estrella de Panamá, até porque o Papa esteve presente.
As Jornadas Mundiais da Juventude ou JMJ, foram instituídas em 1985 pelo Papa João Paulo II e reúne milhares de jovens de todo o mundo católico, embora também seja aberta a jovens de outras religiões.
Inicialmente, as JMJ foram estabelecidas como um acontecimento anual, mas depois passaram a ser realizadas com intervalos de dois ou de três anos. Os locais são escolhidos pelo Papa e, desde que foram criadas, as JMJ já foram realizadas em Roma, Buenos Aires, Santiago de Compostela, Czestochowa, Denver, Manila, Paris, Roma, Toronto (pontificado de João Paulo II), Colónia, Sydney e Madrid (pontificado de Bento XVI) e Rio de Janeiro, Cracóvia e Panamá (pontificado do Papa Francisco). Segundo consta dos registos, as mais concorridas edições das JMJ aconteceram em Manila em 1995, em que estiveram reunidas 4 milhões de pessoas, e em 2013 no Rio de Janeiro, que recebeu 3,7 milhões de pessoas. Estes números mostram que, para além do seu carácter religioso, as JMJ são também um encontro universal de jovens que procuram a paz e a concórdia ou, como dizem os católicos, um mundo melhor.
No Panamá o Papa Francisco anunciou que Lisboa será a cidade organizadora das próximas Jornadas Mundiais da Juventude e esse anúncio deu origem a inúmeras declarações de euforia por parte de diversas entidades políticas e religiosas portuguesas, sobretudo porque se espera a presença de um milhão de visitantes estrangeiros em Lisboa, o que é um contributo para a afirmação da modernidade da cidade como um centro de paz e de abertura ao mundo, onde confluem as culturas europeias e africanas, asiáticas e americanas.

domingo, 27 de janeiro de 2019

O muro de Trump na fronteira mexicana

O cartoon é uma expressão artística muito apreciada porque de uma forma inteligente e compreensível, explica, analisa e critica uma dada situação, ridicularizando por vezes os seus protagonistas. Por isso, a generalidade dos jornais não o dispensa.  
Nos últimos tempos, a vida política americana tem sido agitada pela obcessão de Donald Trump para que seja construído um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, conforme prometeu na sua campanha eleitoral e que, na sua opinião, ajudaria a conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas vindas do sul.
A fronteira americana com o México tem cerca de 3.200 km e o custo previsto para a construção desse muro cobrindo apenas metade da sua extensão ainda está por saber, estimando-se que se situa entre os 12 e os 70 mil milhões de dólares. Os Democratas, que têm a maioria na Câmara dos Representantes, consideram que se trata de um desperdício do dinheiro dos contribuintes e não concordam com a construção desse muro, pelo que daí tem resultado a paralização do governo federal.
O muro de Trump tem estado no centro da política americana e tem dado origem ao aparecimento de muitos cartoons na imprensa mundial. De entre todos, destacamos aqui um dos mais expressivos de quantos conhecemos sobre este controverso assunto da política americana.

sábado, 26 de janeiro de 2019

A situação tensa que vive a Venezuela

A situação na Venezuela continua muito tensa, embora a imprensa venezuelana não exprima essa tensão talvez porque, desde há muitos anos, está habituada ao clima de instabilidade que agora se vive no país e o facto de haver dois presidentes, nem parece perturbá-la. As imagens que nos chegam pela televisão não são suficientemente esclarecedoras, porque o que se passa nas ruas de Caracas não é diferente do que vamos vendo em Atenas, Paris ou Barcelona. As imagens da abertura do ano judicial e da tomada de posição das chefias militares, até parecem mostrar que a vida política venezuelana decorre com toda a normalidade e que a instabilidade anunciada é uma construção mediática com origem nas agências internacionais que combatem o chavismo.
O que sabemos é que meio mundo está contra Maduro e que reconhece o jovem Guaidó como o presidente da Venezuela, mas é evidente que foram os incentivos de Trump e Bolsonaro que levaram à radicalização de posições. A União Europeia tem uma posição mais equilibrada e pede eleições livres e justas, enquanto o regime de Maduro, que tem o apoio da Rússia e da China, mas também de outros países, acusa Guaidó de estar à frente de um golpe com a cumplicidade americana.
Neste quadro, ninguém quer perder e, uma vez mais, lá estão confrontados os grandes interesses estratégicos e económicos dos senhores do costume, à custa dos venezuelanos ou do petróleo venezuelano.
As Forças Armadas da Venezuela já expressaram o seu apoio a Nicolás Maduro, mas o jornal colombiano El Observador pergunta hoje se esse apoio é firme. Essa pergunta parece insinuar que os militares se podem dividir e isso seria trágico. De facto, na tradição sul-americana o papel dos militares é decisivo e o que se espera é que se mantenham coesos, que contribuam para a pacificação política e social do país e que possam evoluir para uma posição de árbitros e de mediadores entre as duas venezuelas que estão em rota de colisão.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Maduro e o fim de ciclo na Venezuela

A proclamação de Juan Guaidó, o jovem presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, que ontem enfrentou Nicolás Maduro e se declarou como presidente interino da República Bolivariana da Venezuela foi uma atitude apoiada sem reservas por diversas instâncias políticas internacionais, a começar pelos vizinhos Brasil e Colômbia, pelos Estados Unidos e por outros países. A imprensa internacional também tem alinhado na condenação do regime de Maduro e tem transmitido a ideia de que já está derrotado e, de facto, as enormes manifestações populares nas ruas das cidades venezuelanas acabarão por afastar Maduro do poder, embora o regime tenha aliados de peso internos e externos, como Cuba, a Rússia, a China e a Turquia. Portanto, se houve quem pressionasse Guaidó para avançar, também haverá quem pressione Maduro para não recuar. Assim, há dois presidentes na Venezuela!
É uma situação muito complexa para os venezuelanos, a juntar à crise económica e social, enquanto algumas ingerências externas, como as posições de Trump e Bolsonaro, se estão a revelar prematuras e só servem para extremar as posições. O anúncio de que os polícias se estão a juntar aos manifestantes, a ser verdadeira, desequilibra a situação nas ruas a favor de Guaidó e das forças democráticas, mas a dúvida ainda subsiste: como irão reagir as Forças Armadas? Será da sua reacção, unidas ou divididas, a favor ou contra Maduro, que a Venezuela sairá desta situação, embora desejavelmente se devam manter coesas e possam vir a arbitrar o conflito político e a pacificar o país.
Mais sensata parece ser a posição da União Europeia e das Nações Unidas que pedem contenção e diálogo, bem como a realização de eleições livres e justas, até porque sabem que há duas venezuelas radicalizadas que é preciso acalmar e unir, para evitar que se confrontem para além da normal luta política, porque isso seria trágico. O que não há dúvidas é que Maduro está de saída e que o ciclo do chavismo está a chegar ao fim.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Uma marca cultural portuguesa em Goa

Começa no próximo dia 1 de Fevereiro em Goa o Monte Music Festival, uma iniciativa da Fundação Oriente que, desde 2001, o organiza anualmente. Durante três dias, não só os goeses, mas também muitos turistas indianos e estrangeiros, procurarão os espaços exteriores e interiores da Capela de Nossa Senhora do Monte, situada numa das mais simbólicas colinas de Velha Goa, para assistir a um dos festivais mais prestigiados da Índia, em que se juntam as tradições musicais clássicas e modernas, tanto ocidentais como indianas.
O festival tem sido uma plataforma de encontro e de comunicação entre as diversas expressões artísticas e musicais do Ocidente e do Oriente e é, seguramente, um dos eventos mais aguardados no calendário cultural de Goa, em que habitualmente são recebidas cerca de três mil pessoas.
O Monte Music Festival é uma iniciativa de grande prestígio para a cultura portuguesa, não só porque nasceu da iniciativa de uma instituição cultural portuguesa, mas também porque tem incluído sempre alguns grupos musicais e artistas portugueses. Com este evento, a memória cultural portuguesa em Goa reanima-se e assume uma postura de modernidade, mostrando que a herança cultural portuguesa em Goa vai para além das igrejas, das muralhas, das casas indo-portuguesas e das saudades do bacalhau e do fado.

domingo, 20 de janeiro de 2019

A voz da Escócia está contra Theresa May

A primeira-ministra britânica Theresa May deverá apresentar amanhã no Parlamento uma nova proposta de acordo para o Brexit, mas mesmo que essa proposta venha a ser aprovada, não é seguro que a União Europeia aceite qualquer alteração ao acordo que já tinha sido alcançado. Por isso, são cada vez mais as vozes que acusam Theresa May de teimosia e que clamam por outras soluções.
Os escoceses são quem mais se opõe ao Brexit. No referendo de 2016 já tinha havido 62% de votos escoceses contra o Brexit, pelo que a contestação aos planos de Theresa May está em linha com a votação de 2016, enquanto o bicentenário jornal The Herald, que se publica em Glasgow, envia hoje uma clara mensagem a Theresa May: stop this now.
Nesta edição, o jornal inclui entrevistas a várias personalidades políticas, empresariais e académicas a que chamou a Escócia cívica, tendo concluído que o Brexit deve ser adiado e que deve ser evitado o caos que será uma saída em finais de Março sem acordo, que seria desastroso para a economia e para a sociedade escocesas.
Os entrevistados acusam a primeira-ministra de, em dois anos e meio, não ter sido capaz de fazer um acordo satisfatório e de ter lançado o Reino Unido numa grande incerteza, afirmando que é preciso parar o relógio, isto é, pedir à União Europeia a extensão do artigo 50 do Tratado de Lisboa - que regula os procedimentos a que deve obedecer o estado-membro que tenha a intenção de abandonar a União Europeia - e voltar a dar a palavra aos eleitores britânicos.

sábado, 19 de janeiro de 2019

O terrorismo regressou à Colômbia

Na passada quinta-feira explodiu um carro-bomba junto de uma escola militar de Bogotá que provocou 21 mortos e 72 feridos. A autoria deste atentado foi atribuída ao Exército de Libertação Nacional (ELN) e, pela sua extrema violência, causou um unânime repúdio nacional até porque, apesar dos avanços e recuos próprios destes processos, havia negociações em curso para encontrar um cessar-fogo e uma paz definitiva para a Colômbia.
As guerrilhas colombianas remontam aos anos de 1960, quando se formaram alguns grupos armados com orientações e programas ideológicos de inspiração diversa. O mais importante desses grupos eram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que chegaram a dominar cerca de 20% do território nacional e teriam quase 20 mil guerrilheiros. Porém, em Junho de 2016 foi assinado um acordo de paz entre o governo da Colômbia e as FARC e, nesse ano, o presidente Juan Manoel Santos foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz, enquanto os membros das FARC se transformaram num partido político a que puseram o nome de Força Alternativa Revolucionária da Colômbia.  
Pensou-se que uma das mais antigas guerrilhas do mundo tinha acabado, mas este atentado veio mostrar que o ELN ainda está activo na Colômbia, pelo que o presidente Iván Duque reagiu com firmeza a este atentado e fez um apelo à unidade dos colombianos contra o terrorismo.
Entretanto, para além deste inesperado reaparecimento do ELN, também a situação política nas fronteiras colombianas com o Brasil e com a Venezuela não pode deixar de merecer a atenção da Colômbia.

Trump quer o regresso dos seus soldados

A última edição da revista Newsweek destaca as recentes decisões de Donald Trump em relação ao Daesh e à Síria, que mostram a sua vontade de trazer de volta para casa os soldados americanos que, segundo a revista, estão actualmente envolvidos em conflitos em sete países. 
Aconteceu que, ignorando os pareceres dos comandos militares e dos seus assessores, o Donald se decidiu recentemente pela retirada dos dois mil soldados americanos que se encontram na Síria, o que deixa os seus aliados curdos à mercê dos turcos, mas também já anunciou a redução significativa das tropas americanas que se encontram no Afeganistão. Essa decisão, foi acompanhada por uma declaração do Donald, que afirmou que “American forces will come home under a banner of victory”, mas muitos observadores afirmam tratar-se uma ilusão que se possa cantar vitória sobre o Daesh, sobre os talibans afegãos ou sobre outras forças adversárias que lutam no Médio Oriente. O que o Donald está a fazer, sem medir as consequências ao nível do descrédito da sua política externa, é uma tentativa para aumentar a sua popularidade ao alinhar na crescente crítica interna às guerras “que nunca mais acabam”, que desgastam as tropas e que custam muito dinheiro. Porém, o Donald acrescenta-lhe um toque pessoal e, embora não tenha nenhuma evidência clara quanto a uma vitória americana, nem de uma derrota dos seus inimigos, promove o regresso dos soldados e trata de “vender” internamente aos cidadãos americanos a ideia de uma vitória militar.
Porém, nem os americanos acreditam que o ISIS ou Daesh, a Al-Qaeda, os Mujahideen, os Talibã ou a Frente al-Nusra, estejam derrotados.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Defesa do património cultural em Macau

Macau é, certamente, o maior símbolo da expansão marítima portuguesa do século XVI na Ásia Oriental e as ruínas da antiga igreja jesuíta da Madre de Deus e do convento de São Paulo são, porventura, o seu mais expressivo ex-libris. Essas ruínas são o que resta desse conjunto arquitectónico barroco depois de um incêndio acontecido em 1835, de que apenas se salvaram a fachada em granito da igreja da Madre de Deus e a escadaria monumental. Essas ruínas são um exemplo único da arquitectura barroca na China e localizam-se no centro histórico de Macau e, desde 2005, fazem parte da Lista do Património Mundial da Unesco.
A fotografia das chamadas ruínas de São Paulo ilustra a primeira página da edição de hoje do jornal Tribuna de Macau, conhecido habitualmente como o jtm, a propósito do Conselho do Património Cultural.
Acontece que a manutenção, reparação ou reconstrução dos edifícios dos mais antigos bairros macaenses se tem tornado um verdadeiro problema, em que se chocam os interesses imobiliários, muitas vezes especulativos, com a política de preservação do património cultural edificado. Aquele Conselho é o garante da salvaguarda desse património, que deve assentar essencialmente no restauro dos edifícios degradados e que se deve opor à sua demolição para reconstrução, embora aceite algumas situações intermédias em que possam ser preservadas apenas as fachadas dos edifícios.
O Conselho do Património Cultural tem competências no que respeita à classificação dos edifícios com interesse cultural de Macau e, por isso, é um alvo dos poderosos interesses imobiliários locais. Porém, o Conselho tem fortes apoios na instância política e a simples reprodução da imagem das ruinas de São Paulo na sua edição de hoje, revela que também tem o apoio da imprensa local de língua portuguesa. Nem podia ser de outra maneira...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

O acordo que humilhou Theresa May

Perante o que sucedeu ontem no Parlamento britânico é preciso lembrar que o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia se realizou no dia 23 de Junho de 2016, que votaram 33,5 milhões de eleitores e que 48,11% escolheram remain e 51,89% escolheram leave. A Escócia e a Irlanda do Norte, tal como a cidade de Londres, votaram pelo remain, enquanto a Inglaterra e o País de Gales votaram pelo leave. O Reino Unido ficou dividido e a decisão de avançar com o Brexit tinha uma enorme fragilidade política, como se tem observado.
A primeira-ministra Theresa May avançou para Bruxelas e iniciou as negociações tendentes ao divórcio. O desafio era complexo e à medida que o processo avançava, apareciam inesperadas dificuldades a mostrar que a análise custo-benefício da decisão britânica era mais desfavorável do que inicialmente se pensara. As incertezas começaram a perturbar a opinião pública britânica, mas o acordo entre Londres e Bruxelas acabou por ser obtido.
Ontem, o plano para a saída do Reino Unido da União Europeia teve 202 votos a favor e 432 votos contra. Foi uma estrondosa derrota para o governo de Theresa May que viu 118 dos seus 317 deputados a votar contra a sua proposta. “A complete humiliaton”, escreveu hoje a edição do The Daily Telegraph.
A saída da União Europeia prevista para 29 de Março ficou comprometida. Theresa May tem agora três dias para apresentar uma nova proposta, mas da parte europeia tem sido repetido que não haverá quaisquer revisões do acordo já conseguido.
As hipóteses sobre o que se poderá passar são uma incógnita. Jeremy Corbyn, o líder trabalhista, já anunciou a apresentação de uma moção de censura, o que pode significar que May esteja a poucas horas de se demitir, o que abre a porta a eleições gerais antecipadas, enquanto a realização de um segundo referendo ganha cada vez mais apoiantes. David Cameron bem pode andar preocupado com o imbróglio que arranjou no Reino Unido.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Uma nova estratégia para a Catalunha

A imprensa espanhola é hoje dominada pelo orçamento apresentado pelo governo de Pedro Sanchéz e a nota dominante é o aumento do investimento público na Catalunha, que é interpretado como uma tentativa de adormecer o movimento separatista catalão. O jornal ABC escolheu para título da sua edição que “o golpismo tem prémio” e ilustra a sua primeira página com a Catalunha a festejar com fogo de artifício. Essa também parece ser a opinião das regiões mais desfavorecidas que contestam o favorecimento das regiões do nordeste da Espanha, que são as que menos precisam, mas que mais barulho fazem.
A estratégia de Pedro Sanchez e do governo do PSOE é bem diferente daquela que foi prosseguida por Mariano Rajoy e pelo governo do PP, porque enquanto Rajoy enfrentava duramente os independentistas, Sanchéz tem adoptado a táctica do diálogo e da cedência de alguma coisa, como se vê agora no orçamento que aumenta 52% na Catalunha e 32% em Aragão. Outro jornal madrileno, na linha do que escreveu o ABC, diz que “Sanchéz rega o separatismo com milhões e ainda oferece mais”.
Embora o orçamento também tivesse sido aumentado noutras regiões, como na carenciada Extremadura onde cresceu 27,3%, a opção orçamental gerou muito desagrado nas outras regiões autónomas espanholas, designadamente na Galiza, nas Canárias e no País Basco. A Galiza afirma-se marginalizada e um dos seus mais influentes jornais escreve hoje que o orçamento representa “67 euros menos para cada galego e 93 euros mais para cada catalão”.
Só o futuro nos pode revelar como vai evoluir o problema catalão, embora não pareça que a boa solução se encontre na via orçamental.

domingo, 13 de janeiro de 2019

A herança religiosa portuguesa em Goa

A edição de hoje do jornal oHeraldo – the voice of Goa since 1900 – anuncia que a 31ª assembleia plenária da Conference of Catholic Bishops of India (CCBI), que está a decorrer em Chennai no Estado de Tamil Nandu, elegeu o reverendo Filipe Neri Ferrão, arcebispo de Goa e Damão, para seu presidente, substituindo o cardeal Oswald Gracias, o actual arcebispo de Bombaim.
Dom Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, o Arcebispo de Goa e Damão, Patriarca das Índias Orientais e Primaz do Oriente, é natural de Aldona, no norte de Goa, tem 64 anos de idade e é um poliglota, falando fluentemente várias línguas indianas como o concanim que é a língua de Goa, mas também português, inglês, francês, italiano e alemão. Com 40 anos de idade tornou-se o bispo auxiliar de Goa e, em 2004, foi escolhido para governar a diocese de Goa e Damão. Em 2014 visitou Portugal e presidiu em Fátima à peregrinação internacional de 12 e 13 de Outubro.
A CCBI é a conferência episcopal dos bispos católicos da Índia, é a maior do continente asiático e a 4ª maior do mundo, representando 132 dioceses e 189 bispos. A presidência da CCBI por um prelado goês culto, inteligente e afável, que bem conhece a língua e a cultura portuguesas, é uma distinção para o Estado e para a Igreja de Goa, mas também é um motivo de satisfação para quem conhece o homem que, em boa verdade, representa a componente religiosa da herança cultural portuguesa na Índia.

sábado, 12 de janeiro de 2019

As “fake news” são um verdadeiro perigo

As fake news parecem estar na moda e são, cada vez mais, um perigo para a democracia e para o modelo social em que vivemos. Esta afirmação é actualmente recorrente e Le Nouvel Observateur ou L’OBS, que é a mais importante revista de informação francesa, dedica  a capa da sua última edição ao tema das notícias falsas ou mentirosas que estão a corromper a nossa forma de vida, sobretudo depois de se terem instalado nas novas plataformas digitais e, em especial, no facebook e nos blogues ditos especializados, que se disfarçam de jornais digitais. A revista francesa trata o tema como “le cancer des fake news”, ou como "la maladie contemporaine des fake news".
Se poucos acreditam em alguém que esteja na rua a falar de cara tapada e com a voz distorcida, há pelo contrário, muita gente, incluindo muitos milhares de portugueses, que aceitam ler, que acreditam no que lêem e até reproduzem o que encontram escrito no facebook e em muitos outros sites de desinformação anónimos que estão a proliferar.
Porém, as fake news não apareceram nos anos mais recentes com a internet, nem são exclusivas dos nossos dias, nem apenas do mundo digital. Antigamente eram os boatos e agora são as fake news.
Os jornais impressos e as televisões de referência também usam as fake news e, todos recordamos, as mentiras que levaram ao bombardeamento de Belgrado pela NATO (1999), a invasão do Iraque pelos Estados Unidos (2003) ou os alegado uso de armas químicas contra civis pelo regime de Bashar el-Assad (2012), mas também os casos mais recentes dos pasquins que em Portugal usam as fake news para condenar sem julgamento ou para fazer assassinatos de carácter na opinião pública, sem um mínimo de investigação credível.
As fake news espalham-se rapidamente pelas pessoas e grupos sociais que têm as mesmas crenças (políticas, religiosas, desportivas ou outras), com as mensagens falsas e mentirosas a circular e a amplificar-se, não por serem verdadeiras, mas apenas porque reforçam essas mesmas crenças.
Assim terá sido eleito Trump e Bolsonaro, assim se alimentam diariamente os adeptos dos grandes clubes desportivos portugueses e, assim, acabarão por ser influenciados os resultados das eleições que se aproximam.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Os bons amigos do maduro do Nicolás

Hoje, aqui temos de novo a Venezuela.
Nicolás Maduro Moros tomou posse como presidente da República Bolivariana de Venezuela e apenas três países estiveram representados pelos seus presidentes nessa cerimónia realizada em Caracas, para lhe mostrar solidariedade e lhe dar apoio simbólico - Cuba, Bolívia e El Salvador. Estes presidentes fizeram-se fotografar conjuntamente como “os bons amigos do maduro do Nicolás” e o jornal espanhol ABC publicou essa fotografia, que é a imagem do absoluto isolamento internacional do regime venezuelano.
Esse isolamento de um país de 30 milhões de habitantes, que tem as maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo e que é um dos dez maiores produtores mundiais de petróleo, é deveras preocupante para o mundo e, em especial, para a América Latina. A crise económica e social tem-se agravado e a pobreza alastrou a todo o território venezuelano, havendo milhares de pessoas que abandonam o país em direcção ao Brasil e à Colômbia. No numeroso grupo de gente que tem abandonado o país, encontram-se muitos membros da vasta comunidade portuguesa e luso-descendente que têm regressado a Portugal por falta de condições de segurança no país que tinham escolhido para viver.
Porém, a Venezuela não está apenas isolada, mas está também cercada económica e diplomaticamente, não faltando quem tenha o desejo de libertar os venezuelanos do jugo desse maduro do Nicolás. No entanto, também há mais gente atenta a este complexo conflito e o jornal venezuelano Ultimas Noticias publicava ontem, com destaque de primeira página, a notícia que “Rusia advierte a EEUU no tocar a Venezuela ni alentar invasiones”.
Portanto, há que olhar para o imbróglio venezuelano com muita prudência.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Perigoso temporal ameaça a Venezuela

Nicolás Maduro Moros foi hoje empossado como presidente da República Bolivariana da Venezuela e prestou juramento perante o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, iniciando um segundo mandato quando o país está mergulhado numa crise económica, social e humanitária, sem fim à vista.
A Assembleia Nacional venezuelana, que é o orgão constitucional que deveria dar posse a Maduro, não alinhou na cerimónia que classificou como uma fraude, resultante da outra fraude que foi a eleição presidencial realizada no passado mês de Maio, em que a oposição não participou por falta de condições democráticas.
Da mesma forma, tanto a União Europeia, como o Grupo de Lima – composto por 14 países do continente americano, incluindo os Estados Unidos, que foi criado para dar resposta à crise venezuelana – não reconheceram a legitimidade nem o resultado da votação que lançou Maduro para mais seis anos de poder. Para ambas as organizações, apenas a Assembleia Nacional representa o poder político na Venezuela e o seu presidente, o jovem engenheiro Juan Guaidó de 35 anos de idade, já afirmou que “a partir de 10 de Janeiro, Maduro estará a usurpar a Presidência da República. Estamos em ditadura”. A Venezuela está muito isolada na cena internacional e a atravessar uma gravíssima crise. Até há quem pense em intervenções armadas externas ou em guerras civis.
Analisando a imprensa internacional, verifica-se que a posse de Maduro foi absolutamente ignorada, inclusive na América Latina e na Espanha. A excepção foi… Portugal, onde o Público, o JN e o DN, trataram de publicar na sua primeira página a fotografia de Nicolás Maduro.
Ainda estou a pensar porque terá sido que deram tanto destaque a este maduro.